Matar a morte, esvaziar a vida

a histeria da sobrevivência e a crise de sentido do morrer na sociedade paliativa

Autores/as

  • Diego Rafael da Silva Barros Universidade Federal de Sergipe (UFS)
  • José Antonio Santos de Oliveira UFS

DOI:

https://doi.org/10.34019/2237-6151.2026.v23.53000

Palabras clave:

Desritualização da morte, Histeria da sobrevivência, Instagramificação do luto, Sociedade paliativa, Tecnociência

Resumen

Este artigo analisa a reconfiguração ontológica da morte na contemporaneidade, fundamentando-se na tese de Byung-Chul Han sobre a emergência da "sociedade paliativa". A pesquisa bibliográfica investiga como a "histeria da sobrevivência" e a "algofobia" (medo generalizado da dor) conduzem a uma existência reduzida à dimensão biológica, ou "vida nua", despojada de sentido transcendente. Argumenta-se que a tecnociência contemporânea opera como religião secular, prometendo superação da finitude ao interpretar a morte não como mistério, mas como mero problema técnico a ser resolvido. A pesquisa percorre o processo histórico de desritualização do morrer, descrevendo a transição da "morte domada" para a "morte interdita" e invisibilizada em ambientes hospitalares, onde o falecimento se torna um evento solitário sem narrativa. Discute-se como a perda de rituais coletivos e a nova estética do luto fragmentam a solidariedade comunitária e impedem o encerramento simbólico da vida. Nesse cenário, emerge o "morto-vivo" no "inferno do igual", indivíduos que otimizam a vitalidade, mas permanecem existencialmente desabrigados. Por fim, o texto conclui que a tentativa de "matar a morte" resulta na morte do próprio sentido do viver. Defende-se que a reabilitação da consciência da finitude e a recuperação da dimensão ritualística podem restituir à vida humana sua profundidade simbólica.

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Publicado

2026-08-26

Cómo citar

DA SILVA BARROS, D. R.; SANTOS DE OLIVEIRA, J. A. Matar a morte, esvaziar a vida: a histeria da sobrevivência e a crise de sentido do morrer na sociedade paliativa. Sacrilegens , [S. l.], v. 23, n. 1, p. 227–253, 2026. DOI: 10.34019/2237-6151.2026.v23.53000. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/sacrilegens/article/view/53000. Acesso em: 31 ago. 2026.