A Ciência Nova
ponderações sobre a mística moderna em Michel de Certeau
DOI:
https://doi.org/10.34019/2237-6151.2026.v23.51622Palabras clave:
Ciência Mística, Michel de Certeau, Experiência, DiscursoResumen
O artigo analisa a mística moderna a partir das contribuições teóricas de Michel de Certeau, tomando como eixo central a compreensão da mística enquanto uma ciência nova, situada no entrelaçamento entre experiência e discurso. Longe de propor uma definição universal do fenômeno místico, sustenta-se que “a mística” emerge historicamente na modernidade, quando deixa de ser apenas um adjetivo e se consolida como um substantivo, isto é, como um campo autônomo de saber dotado de linguagem, métodos e objetos próprios. A partir da leitura de A fábula mística e O lugar do outro, argumenta-se que a mística se constitui como um gênero discursivo marcado pela tentativa de dizer o indizível, articulando-se em narrativas fragmentárias, simbólicas e corporais que expressam a ausência e o excesso do seu objeto – o Outro. A noção de heterologia ocupa um espaço fulcral na análise, permitindo compreender tanto o místico quanto o divino como lugar de alteridade. Ao caracterizar a mística como o “relato de um fracasso”, Certeau explicita sua singularidade epistemológica: trata-se de um discurso que insiste em falar diante dos limites da linguagem. Conclui-se que a abordagem certeautiana oferece uma chave hermenêutica fecunda para os estudos contemporâneos sobre mística, ao enfatizar suas dimensões históricas e discursivas.
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