Travessias da ancestralidade e corpos trans nos terreiros afrobrasileiros
DOI:
https://doi.org/10.34019/2237-6151.2025.v22.49546Palabras clave:
Candomblé, Gênero, Performatividade, Transgeneridade, CisnormatividadeResumen
Este artigo analisa as interseções entre gênero, sexualidade e acolhimento em uma Comunidade Tradicional de Terreiro (CTTro) da tradição Ketu, localizada na periferia de Guarulhos (SP). O objetivo central foi investigar como normas cisheteronormativas são produzidas, reproduzidas e tensionadas nesse espaço, utilizando como referenciais teóricos Judith Butler, Oyèrónké Oyěwùmí, Berenice Bento e outros. A metodologia consistiu em uma pesquisa qualitativa com aplicação de questionários a 27 membros da comunidade, cujos dados foram analisados por meio de categorização temática. Os resultados revelam que, embora existam discursos de inclusão, persistem lógicas cisnormativas e binárias, manifestas em mecanismos como apagamento performativo e inclusão condicional. Contudo, também foram identificadas fissuras e potenciais transformadores, especialmente através da cosmologia africana e da atuação de lideranças engajadas. O artigo conclui pela necessidade de descolonizar as normas de gênero nos terreiros, resgatando suas epistemologias ancestrais.
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