Ritual e encasamento
o mundo como habitação segundo Mircea Eliade e Byung-Chul Han
DOI:
https://doi.org/10.34019/2237-6151.2026.v23.53068Palavras-chave:
Ritual, Encasamento, Sagrado e Profano, Homo religiosusResumo
O artigo analisa o possível diálogo entre Byung-Chul Han e Mircea Eliade a partir das obras O Desaparecimento dos Rituais (2019) e O Sagrado e o Profano (1957), investigando o papel do ritual na constituição da experiência humana. A pesquisa, de caráter bibliográfico e hermenêutico, aproxima conceitos da história das religiões, da filosofia contemporânea e da antropologia simbólica a fim de compreender os rituais como formas de produzir sentido e estabilizar a existência humana. Sustenta-se que, embora inseridos em horizontes teóricos distintos, Han e Eliade compreendem o ritual como manipulação simbólica de ordenação do mundo. Em Eliade, o homo religiosus estrutura sua experiência no mundo ao sacralizar espaço e tempo em antagonismo ao espaço e tempo profanos. Em Han, o conceito de encasamento (beheimatung) expressa a necessidade humana de transformar o mundo em espaço habitável mediante práticas repetitivas que dão significado e um código comum às comunidades humanas enquanto intérpretes da realidade. Argumenta-se, assim, que o ritual, além de organizar ações de entendimento coletivo, funda uma gramática simbólica capaz de tornar o mundo habitável e cognoscível. Ao tornar significativos o tempo e o espaço, conferindo inteligibilidade à experiência, os rituais oferecem continuidade frente à fragmentação e à aceleração características da contemporaneidade.
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