A morte da morte de Deus
do diagnóstico onto-teo-lógico de Heidegger à ontologia não dual do Advaita Vedānta de Śaṅkarācārya
DOI:
https://doi.org/10.34019/2237-6151.2026.v23.53022Palavras-chave:
Pós-teísmo, Heidegger, Nietzsche, Śaṅkarācārya, Advaita VedāntaResumo
Este artigo investiga a morte de Deus e a emergência de paradigmas pós-teístas como diagnósticos situados na tradição ocidental. Inicialmente, analisam-se os aforismos selecionados de Nietzsche sobre o colapso do Deus-fundamento, garantia absoluta de verdade e sentido. Em seguida, aprofunda-se esse diagnóstico mediante a leitura de Heidegger sobre a constituição onto-teo-lógica da metafísica, na qual o divino é reduzido à figura técnica de causa sui. A partir desse horizonte, o texto realiza um movimento crítico-comparativo examinando os limites da universalização do pós-teísmo. Argumenta-se que, ao se considerar o Advaita Vedānta de Śaṅkarācārya, o Absoluto (Brahman) é concebido como um substrato não-dual e esclarecedor (adhiṣṭhāna), e não como um ente supremo no topo de uma hierarquia. Diferente do modelo onto-teo-lógico ocidental, a razão no Vedānta assume um papel instrumental e negativo voltado à libertação (mokṣa). Conclui-se que a crise do teísmo metafísico, embora decisiva para a trajetória intelectual europeia, não constitui um horizonte universal obrigatório para todas as tradições. O pós-teísmo deve ser compreendido, portanto, como um diagnóstico historicamente localizado.
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