A morte da morte de Deus

do diagnóstico onto-teo-lógico de Heidegger à ontologia não dual do Advaita Vedānta de Śaṅkarācārya

Autores

  • Isabela Barros Ribeiro
  • Pablo Duílio Martins Barbosa da Silva

DOI:

https://doi.org/10.34019/2237-6151.2026.v23.53022

Palavras-chave:

Pós-teísmo, Heidegger, Nietzsche, Śaṅkarācārya, Advaita Vedānta

Resumo

Este artigo investiga a morte de Deus e a emergência de paradigmas pós-teístas como diagnósticos situados na tradição ocidental. Inicialmente, analisam-se os aforismos selecionados de Nietzsche sobre o colapso do Deus-fundamento, garantia absoluta de verdade e sentido. Em seguida, aprofunda-se esse diagnóstico mediante a leitura de Heidegger sobre a constituição onto-teo-lógica da metafísica, na qual o divino é reduzido à figura técnica de causa sui. A partir desse horizonte, o texto realiza um movimento crítico-comparativo examinando os limites da universalização do pós-teísmo. Argumenta-se que, ao se considerar o Advaita Vedānta de Śaṅkarācārya, o Absoluto (Brahman) é concebido como um substrato não-dual e esclarecedor (adhiṣṭhāna), e não como um ente supremo no topo de uma hierarquia. Diferente do modelo onto-teo-lógico ocidental, a razão no Vedānta assume um papel instrumental e negativo voltado à libertação (mokṣa). Conclui-se que a crise do teísmo metafísico, embora decisiva para a trajetória intelectual europeia, não constitui um horizonte universal obrigatório para todas as tradições. O pós-teísmo deve ser compreendido, portanto, como um diagnóstico historicamente localizado.

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Referências

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Publicado

2026-08-26

Como Citar

BARROS RIBEIRO, I.; MARTINS BARBOSA DA SILVA, P. D. . A morte da morte de Deus: do diagnóstico onto-teo-lógico de Heidegger à ontologia não dual do Advaita Vedānta de Śaṅkarācārya. Sacrilegens , [S. l.], v. 23, n. 1, p. 254–276, 2026. DOI: 10.34019/2237-6151.2026.v23.53022. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/sacrilegens/article/view/53022. Acesso em: 31 ago. 2026.