Matar a morte, esvaziar a vida
a histeria da sobrevivência e a crise de sentido do morrer na sociedade paliativa
DOI:
https://doi.org/10.34019/2237-6151.2026.v23.53000Palavras-chave:
Desritualização da morte, Histeria da sobrevivência, Instagramificação do luto, Sociedade paliativa, TecnociênciaResumo
Este artigo analisa a reconfiguração ontológica da morte na contemporaneidade, fundamentando-se na tese de Byung-Chul Han sobre a emergência da "sociedade paliativa". A pesquisa bibliográfica investiga como a "histeria da sobrevivência" e a "algofobia" (medo generalizado da dor) conduzem a uma existência reduzida à dimensão biológica, ou "vida nua", despojada de sentido transcendente. Argumenta-se que a tecnociência contemporânea opera como religião secular, prometendo superação da finitude ao interpretar a morte não como mistério, mas como mero problema técnico a ser resolvido. A pesquisa percorre o processo histórico de desritualização do morrer, descrevendo a transição da "morte domada" para a "morte interdita" e invisibilizada em ambientes hospitalares, onde o falecimento se torna um evento solitário sem narrativa. Discute-se como a perda de rituais coletivos e a nova estética do luto fragmentam a solidariedade comunitária e impedem o encerramento simbólico da vida. Nesse cenário, emerge o "morto-vivo" no "inferno do igual", indivíduos que otimizam a vitalidade, mas permanecem existencialmente desabrigados. Por fim, o texto conclui que a tentativa de "matar a morte" resulta na morte do próprio sentido do viver. Defende-se que a reabilitação da consciência da finitude e a recuperação da dimensão ritualística podem restituir à vida humana sua profundidade simbólica.
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