Um estudo fenomenológico sobre as religiões de matriz africana
aspectos epistemológicos e cosmogônicos
DOI:
https://doi.org/10.34019/2237-6151.2026.v23.52644Palavras-chave:
Fenomenologia da religião; Religiões de matriz africana; Candomblé; Cosmovisão nagô; Descolonização epistemológicaResumo
O presente artigo examina as religiões africanas sob a perspectiva da fenomenologia da religião, com ênfase nas tradições nagô/iorubás e bantas. O estudo objetiva aplicar a fenomenologia como ferramenta de leitura das cosmologias mencionadas. A metodologia adota dois blocos de análise: o primeiro articula o referencial fenomenológico em diálogo com estudiosos das religiões afro; o segundo descreve elementos cosmológicos das religiões afro-brasileiras, também em diálogo com a fenomenologia da religião. Os resultados indicam que as categorias do numinoso, em Otto, e da hierofania, em Eliade, iluminam aspectos centrais dessas tradições, como a organização cosmológica do espaço e do tempo e a centralidade do mito, desde que submetidas a uma revisão hermenêutica crítica. A cosmovisão nagô, estruturada em torno do àṣẹ, da bipartição entre àiyé e òrun e da temporalidade cíclica, dialoga com as estruturas temporais africanas. Conclui-se que é metodologicamente produtivo colocar a fenomenologia em diálogo crítico com epistemologias originárias das próprias tradições estudadas, contribuindo para a descolonização epistemológica das ciências humanas e para o reconhecimento da sofisticação cosmológica das religiões africanas.
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