Desrealização e sublimação
Vattimo e Freud entre estética, religião e interpretação
DOI:
https://doi.org/10.34019/2237-6151.2026.v23.50793Palavras-chave:
Vattimo, Freud, estética, religião, secularizaçãoResumo
Este artigo analisa as relações entre estética e religião a partir de um diálogo hermenêutico-filosófico entre Gianni Vattimo e Sigmund Freud, situando a discussão no contexto da secularização e da pós-modernidade. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa de caráter hermenêutico, fundamentada em revisão bibliográfica e análise conceitual comparativa das principais obras dos autores. O objetivo consiste em examinar em que medida a experiência religiosa pode ser compreendida como experiência estética em um horizonte pós-metafísico. Em Freud, os resultados indicam que, embora a religião seja criticada como ilusão, a teoria da sublimação revela uma convergência estrutural entre arte e religião, ambas entendidas como formas simbólicas de elaboração do desejo, da repressão e dos conteúdos inconscientes. A experiência estética, nesse quadro, opera como mediação afetiva e simbólica. Em Vattimo, constata-se que a religião é interpretada como narrativa enfraquecida e plural, vinculada à kénosis, ao declínio da metafísica e à lógica da desrealização característica da cultura midiática contemporânea. Conclui-se que, em ambos os autores, a religião se afasta de pretensões dogmáticas e assume um caráter simbólico, interpretativo e estético, no qual o sagrado se manifesta como linguagem, abertura de sentido e experiência situada no processo de secularização.
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