Travessias da ancestralidade e corpos trans nos terreiros afrobrasileiros

Autores

DOI:

https://doi.org/10.34019/2237-6151.2025.v22.49546

Palavras-chave:

Candomblé, Gênero, Performatividade, Transgeneridade, Cisnormatividade

Resumo

Este artigo analisa as interseções entre gênero, sexualidade e acolhimento em uma Comunidade Tradicional de Terreiro (CTTro) da tradição Ketu, localizada na periferia de Guarulhos (SP). O objetivo central foi investigar como normas cisheteronormativas são produzidas, reproduzidas e tensionadas nesse espaço, utilizando como referenciais teóricos Judith Butler, Oyèrónké Oyěwùmí, Berenice Bento e outros. A metodologia consistiu em uma pesquisa qualitativa com aplicação de questionários a 27 membros da comunidade, cujos dados foram analisados por meio de categorização temática. Os resultados revelam que, embora existam discursos de inclusão, persistem lógicas cisnormativas e binárias, manifestas em mecanismos como apagamento performativo e inclusão condicional. Contudo, também foram identificadas fissuras e potenciais transformadores, especialmente através da cosmologia africana e da atuação de lideranças engajadas. O artigo conclui pela necessidade de descolonizar as normas de gênero nos terreiros, resgatando suas epistemologias ancestrais. 

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Biografia do Autor

Antonio Pedro Lima Junior, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Doutorando em Ciência da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Professor da Rede Pública Estadual de São Paulo

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Publicado

2026-02-21

Como Citar

LIMA JUNIOR, A. P. Travessias da ancestralidade e corpos trans nos terreiros afrobrasileiros. Sacrilegens , [S. l.], v. 22, n. 3, p. 287–311, 2026. DOI: 10.34019/2237-6151.2025.v22.49546. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/sacrilegens/article/view/49546. Acesso em: 24 fev. 2026.