Escuta musical na era digital: entre atenção e distração
DOI:
https://doi.org/10.34019/1981-4070.2025.v19.50269Palavras-chave:
Escuta musical, Plataformização, Atenção e distração, Cultura digital, Neurociência cognitivaResumo
Este artigo investiga como as tecnologias midiáticas e a plataformização da cultura reconfiguram a escuta musical contemporânea. Partindo do debate entre as perspectivas de Benjamin, que enxerga a distração como uma adaptação necessária ao mundo moderno, e Adorno, que critica a superficialidade na audição, analisa-se a tensão entre concentração e distração na experiência musical. Articulam-se essas reflexões com o conceito de “escuta adequada” de Stockfelt, que propõe um mecanismo dinâmico de alternância entre atenção focada e desatenção momentânea. O trabalho adota uma abordagem teórico-crítica, apoiada em fontes da teoria crítica, estudos de plataformas digitais e pesquisas em neurociência cognitiva (Ophir et al., 2009; Moisala et al., 2016; Uncapher; Wagner, 2018), que demonstram como o multitasking fragmenta a atenção e compromete o controle cognitivo. Como estudo de caso, analisamos a obra de Hans Zimmer, cujas trilhas sonoras exemplificam o tensionamento entre uma recepção imersiva e o consumo fragmentado. Concluímos que a escuta musical no século XXI está marcada por um regime de desatenção estrutural, consolidado como paradigma dominante da fruição estética na era digital, moldado por interfaces e algoritmos.
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