Inputs, outputs e feedbacks: a centralidade da memória cibernética em Vilém Flusser

Autores

Palavras-chave:

Comunicação, Memória, Arte, Cultura digital, História

Resumo

Não obstante a enorme diversidade de tópicos e problemas abordados na obra de Vilém Flusser, a questão da memória funciona como uma espécie de portal por meio do qual se pode acessar esses diferentes problemas. O objetivo deste artigo é examinar a centralidade do conceito cibernético de memória em Flusser, com destaque particular para suas implicações na arte e na comunicação. Ao entender a cultura como mecanismo de produção, processamento e consumo de informações, o filósofo de Praga articula seu pensamento a partir do confronto entre registro e inovação. Se a arte, por exemplo, é contínua produção do novo, ela funciona também, necessariamente, como suporte para a inscrição e transmissão de informação a gerações futuras. Com isso, o processo central de toda cultura (como da própria vida) é o combate à entropia. A memória representa, assim, não apenas uma necessidade de ordem cibernética, senão também uma tarefa espiritual, enraizada na experiência judaica de mundo e traduzida no termo hebraico zakhor (“lembrar”) - a importância de não esquecer o passado e transmiti-lo à humanidade do porvir. Em Flusser, esse mandamento se torna um princípio fundamental do diálogo e da intersubjetividade: “nós sobreviveremos na memória dos outros”.

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Biografia do Autor

Erick Felinto, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Doutor pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Rafael Malhado, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Doutorando pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

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Publicado

2023-08-30

Como Citar

FELINTO, E.; MALHADO, R. . Inputs, outputs e feedbacks: a centralidade da memória cibernética em Vilém Flusser. Lumina, [S. l.], v. 17, n. 2, p. 6–22, 2023. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/40247. Acesso em: 23 fev. 2024.

Edição

Seção

Artigos