O carro no cinema: notas para o medo no território cinematográfico

Autores

DOI:

https://doi.org/10.34019/1981-4070.2024.v18.39178

Palavras-chave:

Território, Carro, Cinema brasileiro, Medo, Kleber Mendonça Filho

Resumo

O que o carro pode expressar obre a relação entre território urbano, o cinema e o medo? Pensando nisso, o artigo analisa Aquarius (2016), a partir da perspectiva bakhtiniana dialógica do discurso, que parece viabilizar a compreensão do cinema enquanto arena ideológica, atravessada por várias vozes em modos de interação muito complexos. Partimos da hipótese de que as imagens em movimento do carro são enunciados discursivos que se adicionam à influência da estética de terror/horror do cinema de gênero no filme de Kleber Mendonça Filho. Observamos o deslocamento de estereotipias de classe e raça mobilizadas pelo medo como afeto estruturante na exclusão daquilo que está fora dos muros. Sobre isso, encontramos correspondência no que Dunker (2015) intitula como “lógica de condomínio”. Por essas vias pensamos e elaboramos um esboço do que seria uma análise territorial fílmica brasileira, contribuindo para a criação do estilo do diretor. Para isso, pensamos o território como conceito de dimensão política, atravessado por conflitos históricos de classe, raça ou gênero e que está expresso no discurso das imagens, entendidas enquanto texto.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Luís Henrique Marques Ribeiro, Universidade Federal Fluminense

Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Cinema e Audiovisual da Universidade Federal Fluminense. Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) da UFPB, com período sanduíche na Universidade de Coimbra.

Referências

AQUARIUS. Direção: Kleber Mendonça Filho. Cinemascópio, SBS Productions, Videofilmes, Globo Filmes, Brasil, 2016 (146 min).

BACURAU. Direção: Kleber Mendonça Filho, Juliano Dornelles. SBS Productions, Arte France Cinema, Canal Brasil, Cinemascópio, Vitrine Filmes, Globo Filmes, Símio Filmes, Globo Sat / Telecine, CNC Aide aux cinémas du monde – Institut Français, Brasil, 2019 (131 min).

BAKHTIN, M. Problemas da poética de Dostoiévski. Trad. Paulo Bezerra. Rio de Janeiro: Forense, 1997. [1963].

BAKHTIN, M. Questões de literatura e de estética: a teoria do romance. 2. ed. São Paulo: Hucitec, 1998. [1975].

BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. Trad. Paulo Bezerra. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003. [1979].

BAKHTIN, M. Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico da linguagem. 12. ed. São Paulo: Hucitec, 2006. [1979].

BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2010. [1979].

BAKHTIN, M. Teoria do romance I: A estilística. Trad. Paulo Bezerra. São Paulo: Editora 34, 2015. [1975].

COLEMAN, R. R. M. Horror Noire: A Representação Negra no Cinema de Terror. São Paulo: Darkside, 2019.

COSTA LIMA, L. O Redemunho do horror nas margens do ocidente. 2. ed. São Paulo: Editora Perspectiva, 2011.

DELEUZE, G. Cinema 1 – A imagem-movimento. Rio de Janeiro: Editora 34, 2018.

DIAS KRAEMER, M. A.; PERFEITO, A. M. Discursos desvelados: estudo de movimentos dialógicos no conto contemporâneo. Bakhtiniana. Revista de Estudos do Discurso, v. 7, n. 1, p. 125–141, 2012. Disponível em: https://bit.ly/3JA71UB. Acesso em: 10 out. 2022.

DUNKER, C. I. L. Mal-estar, sofrimento e sintoma: uma psicopatologia do Brasil entre muros. São Paulo: Boitempo, 2015.

FERNANDES, F. A integração do negro na sociedade de classes. 6. ed. São Paulo: Editora Contracorrente, 2021.

FREUD, S. O infamiliar [Das Unheimliche]. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2019.

GILROY, P. O Atlântico negro: modernidade e dupla consciência. 2. ed. São Paulo: Editora 34, 2012.

HALLOWEEN: A NOITE DO TERROR. Direção: John Carpenter. Compass International Pictures, Sony Pictures Entertainment, Estados Unidos, 1978 (91 min).

HALLOWEEN 2: O PESADELO CONTINUA! Direção: Rick Rosenthal. Debra Hill, John Carpenter, Estados Unidos, 1981 (92 min).

O SOM AO REDOR. Direção: Kleber Mendonça Filho. Cinemascópio, Vitrine Filmes, Brasil, 2012 (131 min).

SANTOS, M. A natureza do espaço – Técnica e tempo. Razão e emoção. São Paulo: Hucitec, 1996.

VIEIRA, J. L. O olhar e o corpo: aprendendo com Foucault. In: LACERDA, N.; SIQUEIRA, V. H. F.; MIRANDA, R. L. F. (Orgs.). Práticas pedagógicas na pós-modernidade. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, p. 129-147.

VOLÓCHINOV, V. Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem. São Paulo: Editora 34, 2017.

XAVIER, I. O olhar e a cena: melodrama, Hollywood, cinema novo, Nelson Rodrigues. São Paulo: Cosac & Naify, 2003.

ZAN, V. T. Uma Tomada de Posição do Cinema Brasileiro em Territórios Urbanos (2009-2017). Aniki, v. 8, n. 2, p. 48-70, 2021. DOI: https://doi.org/10.14591/aniki.v8n2.752.

Downloads

Publicado

2024-04-30

Como Citar

RIBEIRO, L. H. M. . O carro no cinema: notas para o medo no território cinematográfico. Lumina, [S. l.], v. 18, n. 1, p. 163–178, 2024. DOI: 10.34019/1981-4070.2024.v18.39178. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/39178. Acesso em: 22 jun. 2024.

Edição

Seção

Artigos