Nostalgia, emoção fora da lei para feministas? memória, gênero e poder

Autores

  • Júlia dos Anjos Universidade Federal do Rio de Janeiro

Palavras-chave:

Emoção, Nostalgia, Política, Feminismo, Memória

Resumo

Este artigo investiga o conceito de nostalgia em sua valência política e, mais especificamente, sua interseção com o gênero e o feminismo. Na medida em que certos usos do passado se tornam arma política contra mudanças, a nostalgia adquire cunho negativo para aquelas que esperam dias melhores. Seriam a ilusão sobre o passado e a tendência conservadora atributos essenciais dessa emoção, ou ela também poderia se apresentar ao feminismo como potência política? A inclusão dessa sensação na categoria de “emoção fora da lei” (JAGGAR, 1989) não significaria uma limitação tanto da gama de expressões emocionais quanto do arsenal político de feministas? Na primeira parte do trabalho, tem lugar uma breve genealogia do termo, visto como manifestação histórica, isto é, que responde a anseios de determinada época e sociedade. Em seguida, são discutidas diferentes acepções concedidas a essa ideia nos estudos recentes na área das Ciências Humanas, os quais, em suas diferenças, convergem em um ponto: não existe uma nostalgia a priori. Por fim, apresento a interseção entre estudos de gênero e nostalgia, refletindo sobre novas possibilidades de enxergar esta emoção, como mais do que mera forma ilusória e inferior de memória.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Júlia dos Anjos, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutoranda do Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professora substituta na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Referências

ANJOS, J. Megeras (in)domadas: discurso de ódio antifeminista nas redes sociais. 2019. 191 f. Dissertação (Mestrado em Comunicação em Cultura) - Escola de Comunicação, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2019. Disponível em: <http://www.pos.eco.ufrj.br/site/teses_dissertacoes_interna.php?dissertacao=21>. Acesso em: 10 jul. 2021.

BÉRUBÉ, M. Public Access: Literary theory and American cultural politics. Nova York: Verso, 1994.

BOYM, S. The future of nostalgia. Nova York: Basic Books, 2001.

CASSOTTI, M. A biografia íntima de Leopoldina: a imperatriz que conseguiu a independência do Brasil. São Paulo: Planeta, 2015.

DAMATTA, R. Antropologia da saudade. In: DAMATTA, R. Conta de mentiroso: sete ensaios de antropologia brasileira. Rio de Janeiro: Rocco, 1994, p. 17-34.

EICHHORN, K. Feminism’s there: On post-ness and nostalgia. Feminist Theory, v. 16, n. 3, p. 251–264, 2015. DOI: <https://doi.org/10.1177/1464700115604127>.

EVANS, E; BUSSEY-CHAMBERLAIN, P. The problems with feminist nostalgia: Intersectionality and white popular feminism. European Journal of Women’s Studies, v. 28, n. 3, p. 353-368, 2021. DOI: <https://doi.org/10.1177/13505068211032058>.

FALUDI, S. Backlash: o contra-ataque na guerra não declarada contra as mulheres. Rio de Janeiro: Rocco, 2001.

GREENE, G. Feminist Fiction and the Uses of Memory. Signs, v. 16, n. 2, p. 290-321, 1991. Disponível em: <https://www.jstor.org/stable/3174512>. Acesso em: 10 jul. 2021.

HUFFER, L. Maternal Pasts, Feminist Futures: Nostalgia, Ethics, and the Question of Difference. Stanford: Stanford University Press, 1998.

HUTCHEON, L. Irony, Nostalgia, and the Postmodern. In: XVTH CONGRESS OF THE INTERNATIONAL COMPARATIVE LITERATURE ASSOCIATION “LITERATURE AS CULTURAL MEMORY”, 15, 1997, Leiden. Methods for the Study of Literature as Cultural Memory: Studies in Comparative Literature, v. 30. Leiden: Brill, 2000, p. 189-207. Disponível em: <https://brill.com/view/book/9789004488595/B9789004488595_s016.xml>. Acesso em: 11 jul. 2022.

JAGGAR, A. M. Love and knowledge: Emotion in feminist epistemology. Inquiry, v. 32, n. 2, p. 151-176, 1989. DOI: <https://doi.org/10.1080/00201748908602185>.

JAMESON, F. Postmodernism or The Cultural Logic of Late Capitalism. Durham: Duke University Press, 1991.

JANKÉLÉVITCH, V. L’irréversible et la nostalgie. Paris: Flammarion, 2011.

KEIGHTLEY, E.; PICKERING, M. The Mnemonic Imagination: remembering as creative practice. Londres: Palgrave Macmillan, 2012.

LEAL, T. Elas merecem ser lembradas: feminismo, emoções e memória em rede. Revista Intercom, v. 40, n. 2, p. 169-185, 2017. DOI: <https://doi.org/10.1590/1809-58442017210>.

MARQUES, T. C. N. Feminismos e memória. Gênero, v. 15, n. 1, p. 123-138, 2014. Disponível em: <https://periodicos.uff.br/revistagenero/article/view/31205>. Acesso em: 10 jul. 2021.

MCDERMOTT, S. Memory, Nostalgia, and Gender in “A Thousand Acres”. Signs, v. 28, n. 1, p. 389-407, 2002. DOI: <https://doi.org/10.1086/340916>.

NIEMEYER, K. Introduction: Media and Nostalgia. In: NIEMEYER, K. (org.). Media and nostalgia: yearning for the past, present and future. Londres: Palgrave Macmillan, 2014, p. 1-23.

PICKERING, M.; KEIGHTLEY, E. Retrotyping and the Marketing of Nostalgia. In: NIEMEYER, K. (org.). Media and nostalgia: yearning for the past, present and future. Londres: Palgrave Macmillan, 2014, p. 83-94.

RIBEIRO, A. P. G.; BERTOL, R. Mídia e memória da ditadura brasileira: a história e os usos políticos do passado. Rumores, v. 15, n. 29, p. 16-37, 2021. DOI: <https://doi.org/10.11606/issn.1982-677X.rum.2021.181756>.

STAROBINSKI, J.; KEMP, W. S. The Idea of Nostalgia. Diogenes, v. 14, n. 54, 1966. DOI: <https://doi.org/10.1177/039219216601405405>.

Downloads

Publicado

2022-08-30

Como Citar

ANJOS, J. dos. Nostalgia, emoção fora da lei para feministas? memória, gênero e poder. Lumina, [S. l.], v. 16, n. 2, p. 184–199, 2022. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/35290. Acesso em: 26 set. 2022.

Edição

Seção

Artigos