Entre alargamentos discursivos e negociações semânticas: sentidos de modernidade e perspectivas identitárias no jornalismo

Autores

Palavras-chave:

Discurso, Jornalismo, Liberdade de Expressão, Identidade, Gênero

Resumo

A centralidade adquirida pela categoria “gênero” no debate público midiático emerge como parte de processos de fragmentação e politização das identidades, por um lado, e aquisição de centralidade por pautas e discussões identitárias, por outro. Considerando esse contexto, este artigo busca compreender como veículos jornalísticos do chamado “jornalismo de referência” comportam-se diante da emergência, na contemporaneidade, de uma discursividade que remodela concepções políticas e assume uma posição de concorrência em relação a compreensões próprias da modernidade. A partir da mobilização de conceitos da Análise do Discurso (MAINGUENEAU, 2008; 2010; FOUCAULT, 2008; 2012), interessam-nos as negociações entre discursos constituintes da modernidade, aos quais se filiam práticas e valores do ideário jornalístico clássico, e discursos identitários que ganham força na contemporaneidade. Como foco privilegiado das análises, elegemos o caso do jornal Folha de S. Paulo, destacando o exame dos enquadramentos conferidos a discursos sobre liberdade de expressão (cuja gênese remete a uma discursividade fundante da modernidade) à luz de debates sobre questões de gênero em um espaço, abrigado pela marca “Folha”, cuja razão de ser ancora-se em um corte identitário: o blog #AgoraÉQueSãoElas.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Nara Lya Cabral Scabin, Universidade Anhembi Morumbi

Doutora e Mestra em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP). É professora do curso de Jornalismo da Universidade Doutora e Mestra em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP) e do curso de Jornalismo da Universidade Anhembi Morumbi (UAM). 

Referências

BUCCI, E. A imprensa e o dever da liberdade: a independência editorial e suas fronteiras com a indústria do entretenimento, as fontes, os governos, os corporativismos, o poder econômico e as ONGs. São Paulo: Contexto, 2009.

COLETIVO VERMELHA. Quem tem medo das mulheres no audiovisual? A resposta das mulheres. Folha de S. Paulo, São Paulo, 26 mar. 2016. #AgoraÉQueSãoElas. Disponível em: <https://agoraequesaoelas.blogfolha.uol.com.br/2016/03/25/resposta-das-mulheres/>. Acesso em: 6 jul. 2019.

COSTA, P. C. Beijos fora do lugar. Folha de S. Paulo, São Paulo, 12 ago. 2018. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/colunas/paula-cesarino-costa-ombudsman/2018/08/beijos-fora-do-lugar.shtml>. Acesso em: 30 jun. 2020.

COSTA, P. C. “Gênero é uma lente sobre o mundo”, diz editora em função pioneira. Folha de S. Paulo, São Paulo, 19 nov. 2017. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/colunas/paula-cesarino-costa-ombudsman/2017/11/1936211-genero-e-uma-lente-sobre-o-mundo-diz-editora-em-funcao-pioneira.shtml>. Acesso em: 30 jun. 2020.

FARKAS, S. Bafo Queer: a desobediência sexual sempre incomoda a ordem. Folha de S. Paulo, São Paulo, 16 set. 2017. #AgoraÉQueSãoElas. Disponível em: <https://agoraequesaoelas.blogfolha.uol.com.br/2017/09/16/bafo-queer-a-desobediencia-sexual-sempre-incomoda-a-ordem/>. Acesso em: 6 jul. 2020.

FRASER, N. Da redistribuição ao reconhecimento? Dilemas da justiça numa era pós-socialista. Cadernos de Campo, v. 15, n. 14-15, p. 231-239, 2006. DOI: <https://doi.org/10.11606/issn.2316-9133.v15i14-15p231-239>.

FOLHA DE S. PAULO. Folha implanta o “Novo Manual da Redação”. Folha de S. Paulo, São Paulo, ano 72, n. 23.039, p. 8, 01 maio 1992.

FOLHA DE S. PAULO. Paula Cesarino assume editoria com missão de estimular diversidade. Folha de S. Paulo, ano 99, n. 32.897, p. A6, 28 abr. 2019.

FOUCAULT, M. A arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012.

FOUCAULT, M. A ordem do discurso. São Paulo: Loyola, 2008.

GIMÉNEZ, B. Mulheres on-line: um ato de resistência. Folha de S. Paulo, São Paulo, 02 maio 2019. #AgoraÉQueSãoElas. Disponível em: <https://agoraequesaoelas.blogfolha.uol.com.br/2019/05/02/mulheres-on-line-um-ato-de-resistencia/>. Acesso em: 6 jul. 2020.

HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2019.

LOPES, B. Provas de respeito. Folha de S. Paulo, São Paulo, 13 nov. 2016. #AgoraÉQueSãoElas. Disponível em: <https://agoraequesaoelas.blogfolha.uol.com.br/2016/11/13/provas-de-respeito/>. Acesso em: 6 jul. 2020.

MAINGUENEAU, D. Gênese dos Discursos. Curitiba: Criar Edições, 2008.

MAINGUENEAU, D. Doze conceitos em análise do discurso. São Paulo: Parábola Editorial, 2010.

MANNA, N.; JÁCOME, P.; FERREIRA, T. Recontextualizações do -ismo: disputas em torno do jornalismo “em crise”. Famecos, v. 24, n. 3, p. 1-20, 2017. DOI: <https://doi.org/10.15448/1980-3729.2017.3.26991>.

NORRIS, P.; INGLEHART, R. The cultural backlash theory: eroding the civic culture. In: NORRIS, P.; INGLEHART, R. Cultural Backlash: Trump, Brexit and authoritarian populism. Cambridge: Cambridge University Press, 2019, p. 32-64.

ORTIZ, R. Universalismo e diversidade: contradições da modernidade-mundo. São Paulo: Boitempo, 2015.

PERFIL. #AgoraÉQueSãoElas. São Paulo, 2015. Disponível em: <https://agoraequesaoelas.blogfolha.uol.com.br/perfil/>. Acesso em: 29 dez. 2019.

ZAMIN, A. Jornalismo de referência: o conceito por trás da expressão. Famecos, Porto Alegre, v. 21, n. 3, p. 918-942, 2014. DOI: <https://doi.org/10.15448/1980-3729.2014.3.16716>.

Downloads

Publicado

2022-04-30

Como Citar

SCABIN, N. L. C. Entre alargamentos discursivos e negociações semânticas: sentidos de modernidade e perspectivas identitárias no jornalismo. Lumina, [S. l.], v. 16, n. 1, p. 131–146, 2022. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/31293. Acesso em: 20 maio. 2022.

Edição

Seção

Artigos