Netativismo: problematizando o mito do Estado-nação nas redes digitais

  • Erick Roza
  • Gustavo Carbonaro
Palavras-chave: Netativismo, Estado-nação, Narrativa, Mito, Redes digitais

Resumo

O objetivo deste trabalho é discutir em que medida as redes digitais questionam a legitimidade do mito e da narrativa do Estado-nação. Para isso, desenvolvemos um pensamento sobre as transformações na ideia de Estado-nação como comunidade imaginada capaz de criar uma coincidência entre comunidade cultural e política. Nesse percurso, recuperamos conceito caro a esse tipo de estudo, a saber: a invenção das tradições. Na sequência, analisamos o período de consolidação do mito nacional nas sociedades modernas coincidente com a ascensão da burguesia ao poder, que encontra no Estado-nação uma forma de legitimar sua nova posição social, manipulando fatos passados e “inventando” tradições para criar narrativas históricas que representassem toda sociedade. A ilusão da comunidade nacional foi materializada e internalizada no imaginário coletivo com tamanha força, que permanece até hoje como parâmetro de organização social em todo o mundo.Argumentaremos quea própria definição de Estado (entendido como sistema pelo qual se exerce a gestão dos territórios, populações, fronteiras e sua economia) é colocada à prova pelos fluxos informativos e pelas redes digitais que fazem circular ideias, ações e recursos de uma nação a outra em poucos segundos. A tecnologia não reconhece fronteiras artificiais organizadas para gerir esses espaços de dominação entre os homens e nem mesmo seus diversos subprodutos na modernidade, partidos, sindicatos, burocracia, eleições representativas e também suas narrativas. Em resumo, é a tensão entre a forma Estado e a potência das redes digitais junto do netativismo que debatemos aqui.

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Publicado
2018-12-30
Como Citar
ROZA, E.; CARBONARO, G. Netativismo: problematizando o mito do Estado-nação nas redes digitais. Lumina, v. 12, n. 3, p. 60-73, 30 dez. 2018.
Seção
Dossiê: A cidadania digital, o net-ativismo e o protagonismo dos não humanos: a comunidade que vem