A tecnologização do gênero discursivo e a construção de identidades: a mulher, a religião, a marca institucional

  • Vanessa Arlésia Souza Ferretti-Soares Universidade Federal de Santa Catarina
Palavras-chave: mídia, análise crítica de gênero, tecnologia discursiva, propaganda institucional indireta

Resumo

Este artigo discute o uso que a mídia televisiva faz do discurso de “respeito à diversidade religiosa” na (re)construção da identidade institucional (marca institucional), de grupos religiosos e da mulher. Toma-se como objeto de análise o interprograma O Sagrado (Rede Globo/Brasil), especificamente os episódios dos quais participam representantes do Islamismo e Judaísmo, que discutem a identidade e papel social da mulher na contemporaneidade. Teórica e metodologicamente, a discussão se embasa na Análise Crítica de Gêneros (BAKHTIN, 1997 [1952/53]; BONINI, 2010, 2013; FAIRCLOUGH 2001 [1992], 2003; FREIRE, 1967), que busca, em resumo, descrever e analisar os gêneros discursivos em relação às práticas sociais das quais estes participam. Os dados aqui analisados mostram como determinados temas sociais podem ser apropriados pela mídia televisiva e como seus propósitos primeiros podem ser tangenciados. No caso do programa em questão, viu-se como estrategicamente a emissora se utiliza do discurso de respeito à diversidade e inclusão da mulher no contexto religioso para fins, sobretudo, de promoção institucional.

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Biografia do Autor

Vanessa Arlésia Souza Ferretti-Soares, Universidade Federal de Santa Catarina
É mestre em Linguística Aplicada pela Universidade Federal de Santa Catarina/UFSC (2013) e graduada em Letras pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro/UERJ (2010). Atualmente cursa Doutorado em Linguística Aplicada, na Universidade Federal de Santa Catarina/UFSC. Empreende pesquisa no campo da Linguística Aplicada, ocupando-se principalmente dos seguintes temas: gênero discursivo, discurso midiático, ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa.

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Publicado
2016-12-22
Como Citar
SOUZA FERRETTI-SOARES, V. A. A tecnologização do gênero discursivo e a construção de identidades: a mulher, a religião, a marca institucional. Lumina, v. 10, n. 3, 22 dez. 2016.