v. 32 n. 1 (2026): Para além do 25 de Abril: transições políticas e dinâmicas culturais
Dossiê

A “portugalização” do Brasil em debate: os tempos da transição política brasileira (1973-1988)

Reinaldo Lindolfo Lohn
Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)
Biografia

Publicado 2026-09-16

Palavras-chave

  • Transição política,
  • Portugalização,
  • Debates intelectuais,
  • Esfera política

Como Citar

Lohn, Reinaldo Lindolfo. 2026. “A ‘portugalização’ Do Brasil Em Debate: Os Tempos Da transição política Brasileira (1973-1988)”. Locus: Revista De História 32 (1):165-89. https://doi.org/10.34019/2594-8296.2026.v32.51388.

Resumo

O artigo analisa um dos debates intelectuais ocorridos em torno das possibilidades de transição política no Brasil entre as décadas de 1970 e 1980, o qual conectou os contextos brasileiro e português. A noção de “portugalização” do Brasil, formulada por Philippe C. Schmitter entre 1971 e 1973 é tomada como indício histórico e eixo analítico para compreender algumas das expectativas sobre a transição política, evidenciando que os debates acadêmicos e políticos envolveram na década de 1970 a tentativa sincronizar a temporalidade das disputas políticas no Brasil a outros processos de transformação em regimes autoritários. Inicialmente a ideia de “portugalização” foi formulada como uma perspectiva de institucionalização da ditadura, assegurando desdobramentos análogos ao regime português, então sob a chamada “primavera” de Marcello Caetano. A Revolução dos Cravos, em 1974, viria a suscitar novos empregos para essa formulação, que foi criticada e ressignificada nos debates políticos, na imprensa brasileira e em elaborações intelectuais. Por outro lado, as vitórias eleitorais da oposição a partir daquele ano acentuaram a percepção, que ganhou corpo na década de 1980, de uma temporalidade própria para a transição brasileira, distinta de modelos internacionais. O esquecido debate sobre a “portugalização” do Brasil é um indício de ampliação da esfera de discussões políticas no país a respeito da transição política, afirmando suas assincronias e singularidades, ainda que atravessada por referências e disputas em escala internacional.

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