v. 31 n. 2 (2025): Dossiê: O Brasil, a América Latina e a Segunda Guerra Mundial
Dossiê

“Não há tristeza que resista”: : as escola de samba, o Estado Novo e a Segunda Guerra Mundial (1942-1946)”

Ana Beatriz Ramos de Souza
UERJ/SME

Publicado 2026-01-10

Palavras-chave

  • Escolas de Samba. Estado Novo. Força Expedicionária Brasileira. Segunda Guerra Mundial.

Como Citar

Ramos de Souza, Ana Beatriz, e Carlos Roberto Carvalho Daróz. 2026. “‘Não Há Tristeza Que resista”: : As Escola De Samba, O Estado Novo E a Segunda Guerra Mundial (1942-1946)’”. Locus: Revista De História 31 (2):100_129. https://doi.org/10.34019/2594-8296.2025.v31.49414.

Resumo

Reconhecido no mundo inteiro, o carnaval é sem dúvidas uma das maiores manifestações culturais do Brasil.  As Escolas de Samba e seus desfiles apoteóticos consolidam essa imagem e refletem luxo e organização. Mas nem sempre foi assim. No princípio de sua formação, as Escolas de Samba eram vistas como reduto de estratos  que não eram bem vistos na sociedade. A partir da década de 1930, elas conseguiram obter relativo respeito, mas isso se deveu, em grande parte a sua associação com o governo Vargas. Como parte da ação política do Estado Novo, através do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), ocorreu a incorporação do que era considerado cultura popular, a partir de um projeto de controle e de propaganda. Com a emergência da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e a entrada do Brasil no conflito (1942), o governo utilizou das Escolas de Samba como meio de propaganda para justificar a participação bem como para arregimentar soldados. Este artigo pretende examinar a relação entre as Escolas de Samba e o governo Vargas, notadamente no período da Segunda Guerra Mundial, procurando ressaltar a interferência política do governo na manifestção cultural.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

  1. Abreu, Alzira Alves de, org. Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro pós 1930, vol. 1. Rio de Janeiro, RJ: CPDOC - FGV, 2001.
  2. Abreu, Alzira Alves de, org. Dicionário histórico-biográfico da Primeira República: 1889- 1930. Rio de Janeiro, RJ: CPDOC - FGV, 2015.Disponível em: https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/dicionarios/verbete-tematico/liga-da-defesa-nacional-ldn. Acesso em 29 mai. 2025.
  3. Alencastro, Luiz Felipe de. “Vida privada e ordem privada no Império”. Em História da vida privada no Brasil: Império: a corte e a modernidade nacional, org. Fernando Novais e Luiz Felipe de Alencastro, 11-93. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.
  4. Almeida, Renato. História da música brasileira. 2ª Edição. Rio de Janeiro: F. Briguiet & Comp., 1942.
  5. A Manhã, 19 de janeiro de 1943. Biblioteca Nacional.
  6. A Manhã, 06 de março de 1943. Biblioteca Nacional.
  7. A Manhã, 06 de março de 1943. Biblioteca Nacional.
  8. A Manhã, 05 de janeiro de 1944. Biblioteca Nacional.
  9. A Manhã, 05 de janeiro de 1946. Biblioteca Nacional.
  10. A Manhã, 28 de fevereiro de 1946. Biblioteca Nacional.
  11. A Noite, 03 de janeiro de 1945. Biblioteca Nacional.
  12. A Noite, 17 de janeiro de 1946. Biblioteca Nacional.
  13. Arquivo Nacional. Ornamentação do coreto de Madureira em homenagem à Força Expedicionária Brasileira (FEB). Fonte: Fundo Agência Nacional. Notação: BR_RJANRIO_EH_0_FOT_EVE_02169_d0001de0002.pdf.
  14. Arquivo Nacional. Ornamentação do coreto de Madureira em homenagem à Força Expedicionária Brasileira (FEB). Fonte: Fundo Agência Nacional. Notação: BR_RJANRIO_EH_0_FOT_EVE_02169_d0001de0002.pdf
  15. Barboza, Marília Trindade, e Lygia Santos. Paulo da Portela: traço de união entre duas culturas. Rio de Janeiro: Funarte, 1980.
  16. Benamou, Catherine L. It’s All True: a odisseia pan-americana de Orson Welles. São Paulo: UNESP, 2024.
  17. Bezerra, Danilo Alves. “Os carnavais do Rio de Janeiro e os limites da oficialização e da nacionalização (1934-1945)”. Dissertação de mestrado, Assis, Universidade Estadual Paulista, 2012.
  18. Bourdieu, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989.
  19. Cabral, Sérgio. As Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Lumiar Editora, 1996.
  20. Candeia, Antônio, e Isnard Araujo. Escola de Samba: a árvore que esqueceu a raiz. Rio de Janeiro: Lidador/SEEC, 1978.
  21. Capelato, Maria Helena Rolim. Multidões em cena: a propaganda política no Varguismo e no Peronismo. São Paulo: Fapesp/Papirus, 1998.
  22. Castro, Celso. “Entre Caxias e Osório: a criação do culto ao patrono do Exército brasileiro”. Revista Estudos Históricos, 14, n. 25 (2000): 103-117.
  23. Correio da Manhã, 12 de fevereiro de 1941. Biblioteca Nacional.
  24. Correio da Manhã, 19 de agosto de 1941. Biblioteca Nacional.
  25. Correio da Manhã, 21 de agosto de 1941. Biblioteca Nacional.
  26. Correio da Manhã, 26 de agosto de 1941. Biblioteca Nacional.
  27. Correio da Manhã, 13 de fevereiro de 1941. Biblioteca Nacional.
  28. Correio da Manhã, 11 de março de 1943. Biblioteca Nacional.
  29. Correio da Manhã, 28 de janeiro de 1944. Biblioteca Nacional.
  30. Diário Carioca, 17 de janeiro de 1946. Biblioteca Nacional.
  31. Diário Carioca, 05 de janeiro de 1940. Biblioteca Nacional.
  32. Diário Carioca, 03 de fevereiro de 1940. Biblioteca Nacional.
  33. Diário Carioca, 10 de fevereiro de 1940. Biblioteca Nacional.
  34. Diário Carioca, 26 de janeiro de 1941. Biblioteca Nacional.
  35. Diário Carioca, 31 de janeiro de 1942. Biblioteca Nacional.
  36. Diário Carioca, 15 de fevereiro de 1942. Biblioteca Nacional.
  37. Fausto, Boris. História concisa do Brasil. São Paulo: Edusp, 2002.
  38. Ferraz, Francisco César Alves. “A desmobilização dos soldados brasileiros e estadunidenses no pós- Segunda Guerra Mundial”. Em O Brasil e a Segunda Guerra Mundial, org. Francisco Carlos Teixeira da Silva, Karl Schuster, Ricardo Cabral e Jorge Ferrer, 343-361. Rio de Janeiro: Multifoco, 2010.
  39. Gomes, Angela Maria de Castro. “O redescobrimento do Brasil”. Em Estado Novo. org.Lúcia Lipp Oliveira. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1992, p. 110-127.
  40. Guimarães, Helenise Monteiro, e Raphael David dos Santos Filho. 2013. “Ilhas de Carnaval: Coretos carnavalescos como construtores de espaços da folia na segunda década do século XX”. IX EHA - Encontro de História da Arte, Unicamp, Campinas, 2013.
  41. Jornal do Brasil, 13 de janeiro de 1942. Biblioteca Nacional.
  42. Jornal do Brasil, 06 de fevereiro de 1945. Biblioteca Nacional.
  43. Jornal dos Sports, 18 de fevereiro de 1946. Biblioteca Nacional.
  44. Jornal dos Sports, 21 de fevereiro de 1946. Biblioteca Nacional.
  45. Jornal dos Sports, 24 de fevereiro de 1946. Biblioteca Nacional.
  46. Koselleck, Reinhart. Futuro Passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Tradução de Wilma Patrícia Maas e Carlos Almeida Pereira. Rio de Janeiro: Contraponto/Ed. PUC-Rio, 2006.
  47. O Cruzeiro, 03 fevereiro de 1940. Biblioteca Nacional.
  48. O Cruzeiro/Jornal Estado De Minas, 06 de março de 1943. Biblioteca Nacional.
  49. O Cruzeiro, 29 de janeiro de 1944. Biblioteca Nacional.
  50. O Cruzeiro, 19 de fevereiro de 1944. Biblioteca Nacional.
  51. O Cruzeiro, 02 de março de 1946. Biblioteca Nacional.
  52. Ortiz, Renato. A moderna tradição brasileira. São Paulo: Brasiliense, 1999.
  53. Portela. 1944. Disponível em: https://www.gresportela.com.br/Historia/DetalhesAno?ano=1944. Acesso em 29 mai. 2025.
  54. Prado, M. L. C. “Ser ou Não Ser Um Bom Vizinho: América Latina e Estados Unidos durante a Guerra”. Revista USP, São Paulo, n. 26 (1995): 52–61.
  55. Revista da Semana, 07 de março de 1943. Biblioteca Nacional.
  56. Revista da Semana, 13 de março de 1943. Biblioteca Nacional.
  57. Revista da Semana, 13 de janeiro de 1945. Biblioteca Nacional.
  58. Revista da Semana, 23 de fevereiro de 1946. Biblioteca Nacional.
  59. Silva, Zélia Lopes da. “Os carnavais na cidade de São Paulo nos anos de 1935 a 1945”. Em Muitas Memórias, Outras Histórias, org. Paulo Roberto de Almeida, 68-93. São Paulo: Olho da Água, 2004.
  60. Skidmore, Thomas. Brasil: de Getúlio a Castelo. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
  61. Walter Pinto. “Fundos WP - Fundo Walter Pinto”. Disponível em: https://atom.funarte.gov.br/index.php/fundo-walter-pinto. Acesso em 29 mai. 2025