Publicado 2026-09-16
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- Jorge Viegas. Fonseca Amaral. Independência de Moçambique. Literatura e história.
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Derechos de autor 2026 Ubiratã Roberto Bueno de Souza

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Resumen
Este artigo é constituído como um ensaio que procede a análise e a interpretação histórica de três poemas moçambicanos: “Fala de um guerrilheiro” (1981), de Jorge Viegas, “Testemunho” ([1975] 1980) e um poema sem título de 1949, ambos de Fonseca Amaral (este último, antecipando em 25 anos a imagem do “cravo aberto” como luta contra a opressão, antes dos cravos de abril portugueses). Os três se voltam para o destino coletivo daqueles povos que viveram o colapso do império colonial português marcado pela Revolução dos Cravos e pelo advento do Estado independente. Para observá-los, o artigo toma como referência comparativa os procedimentos de peripécia da antiga tragédia como um instrumental que favorece o olhar para estruturas poéticas compostas sobre uma temporalidade dobrada, cindida e fraturada. Essa metáfora de análise leva a evidenciar que, ao voltar-se para as condições concretas que levariam à luta contra a dominação colonial, os textos constroem suas temporalidades prefigurando um futuro em forma de uma retroversão. Ao fazer isso, os poemas apresentam estruturas contraditórias reveladoras dos impasses que cercaram tanto a independência de Moçambique quanto à constituição do Estado independente.
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