v. 29 n. 1 (2023): A história das mercadorias no mundo pré-industrial: potencialidades e limites de uma abordagem
Seção Livre

As Direitas radicais portuguesas no pós-25 de Abril: ideias, representações e discurso (1974-1985)

Bruno Madeira
Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho/Professor Auxiliar Convidado

Publicado 2023-08-07

Palavras-chave

  • Direitas radicais,
  • Extrema-direita,
  • Nacionalismo,
  • História das Ideias,
  • Discurso político

Como Citar

Madeira, Bruno. 2023. “As Direitas Radicais Portuguesas No pós-25 De Abril: Ideias, representações E Discurso (1974-1985)”. Locus: Revista De História 29 (1):152-77. https://doi.org/10.34019/2594-8296.2023.v29.40396.

Resumo

Num momento em que se afirmam as forças pós-fascistas e nacional-populistas e em que se aprofunda o debate sobre as causas desse crescimento, reflectir sobre o passado próximo das direitas radicais impõe-se como um dos possíveis pontos de partida para compreender parte da realidade hoje existente. Neste artigo propõe-se um entendimento de direita que permita abranger as suas diferentes expressões ideológicas, discursivas e organizativas. Procura-se também, olhando especificamente para o pensamento das direitas radicais portuguesas publicado entre 1974 e 1985, dar conta da forma como a direita se pensa e se auto-representa, do modo como fez da luta contra a democracia, a igualdade, a liberdade e o pluralismo um dos seus principais objectivos e dos moldes em que expressou o seu nacionalismo. Com efeito, a revolução de 25 de Abril de 1974 e o derrube do Estado Novo obrigaram as direitas radicais portuguesas a reformularem a forma como se apresentavam, organizavam e comunicavam. Longe da esfera da governação e incapazes de formularem uma estratégia que unisse todas as suas sensibilidades em torno de um projecto de poder, estas tenderam a dividir-se entre aqueles que privilegiaram a conspiração civil-militar, a formação de partidos, a acção terrorista e a criação de associações de intervenção política que visavam um assalto ao poder no curto prazo e aqueles que, conscientes de que a conjuntura lhes era francamente desfavorável, deram prioridade à acção de médio e longo prazo, à intervenção metapolítica e a uma estratégia de conquista de influência – processo nessariamente demorado – junto das cúpulas dos partidos da direita moderada e, sobretudo, junto dos meios mediáticos e académicos. Apesar das divergências estratégicas, releva-se a afinidade ideológica e a coerência do programa político que propuseram ao país e que aqui discutiremos.

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