Perfil clínico, farmacoterapêutico e desfechos de pacientes críticos com Doença Renal Aguda em Unidade de Terapia Intensiva

Autores

  • Raquel Deodato Silva Rodrigues Residência Multiprofissional em Intensivismo, Hospital Universitário da Universidade Federal do Vale do São Francisco, Petrolina, Pernambuco, Brasil. . https://orcid.org/0000-0003-0021-8598
  • Sybelle Christianne Batista de Lacerda Pedrosa Colegiado de Farmácia, Universidade Federal do Vale do São Francisco, Petrolina, Pernambuco, Brasil.

Palavras-chave:

Doença Renal Aguda, Unidade de Terapia Intensiva, Mortalidade, Medicamentos Nefrotóxicos

Resumo

Introdução: A Doença Renal Aguda (DRA) apresenta-se como uma complicação frequente e determinante de desfechos desfavoráveis em pacientes críticos. Objetivo: Avaliar o perfil clínico e farmacoterapêutico e os desfechos de pacientes críticos com DRA. Material e Métodos: Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo e analítico. Foram coletados dados clínicos e farmacoterapêuticos de pacientes com DRA internados em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no período de janeiro de 2024 a abril de 2025, sendo considerado o óbito como desfecho principal. Resultados: Foram incluídos 114 pacientes, correspondendo a uma incidência de DRA de 13,0%. A maioria eram do sexo masculino (71,0%), com idade média geral de 54,0 ± 18,0 anos. O óbito ocorreu em 52,0% dos pacientes, enquanto 36,0% recuperaram a função renal durante a internação e 12,0% receberam alta da UTI ainda com disfunção renal. Pacientes com maior gravidade clínica inicial apresentaram evolução desfavorável, com óbito mais precoce, enquanto os sobreviventes permaneceram mais tempo na UTI. Alterações como níveis elevados de sódio sérico, presença de choque circulatório e ocorrência de acidente vascular cerebral foram mais frequentes entre os pacientes que evoluíram a óbito. A presença de medicamentos potencialmente nefrotóxicos ocorreu em 90,0% dos casos, e a polifarmácia excessiva em 44,7% dos pacientes, com predomínio de antibacterianos, fármacos cardiovasculares e medicamentos para distúrbios ácido-relacionados. Conclusão: A DRA foi frequente e associada a elevada mortalidade na UTI, principalmente relacionada à gravidade clínica e a fatores fisiopatológicos sistêmicos, reforçando a importância do monitoramento rigoroso e da avaliação criteriosa da farmacoterapia em pacientes críticos.

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Biografia do Autor

Sybelle Christianne Batista de Lacerda Pedrosa, Colegiado de Farmácia, Universidade Federal do Vale do São Francisco, Petrolina, Pernambuco, Brasil.

 

 

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Publicado

2026-07-14

Como Citar

1.
Rodrigues RDS, Pedrosa SCB de L. Perfil clínico, farmacoterapêutico e desfechos de pacientes críticos com Doença Renal Aguda em Unidade de Terapia Intensiva. HU Rev [Internet]. 14º de julho de 2026 [citado 16º de julho de 2026];51:1-10. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/hurevista/article/view/52012

Edição

Seção

Artigos Originais