Percepção dos cirurgiões-dentistas em relação à abordagem odontológica ao paciente com transtorno do espectro autista (TEA)

Autores

  • Lara Danúbia Galvão de Souza Universidade Federal da Paraíba
  • Mathias Antonio Costa de Sousa Universidade Federal da Paraíba
  • Maria Luísa de Assis Braga Universidade Federal de Campina Grande https://orcid.org/0000-0001-6563-4336
  • Luciana Ellen Dantas Costa Universidade Federal de Campina Grande https://orcid.org/0000-0003-4476-7900
  • Faldryene de Sousa Queiroz Feitosa Universidade Federal de Campina Grande

DOI:

https://doi.org/10.34019/1982-8047.2024.v50.42702

Palavras-chave:

Transtorno Autístico, Odontologia, Pessoas com Deficiência, Assistência Odontológica

Resumo

Introdução: O transtorno do espectro autista (TEA) é um distúrbio do desenvolvimento neurológico caracterizado por dificuldades de comunicação e interação social, além da presença de comportamentos e interesses repetitivos. Objetivos: Analisar a percepção dos cirurgiões-dentistas (CDs) quanto à abordagem odontológica ao paciente com TEA. Material e Métodos: Foi realizada uma coleta de dados primários com os CDs que atuavam no território brasileiro. A pesquisa foi desenvolvida por meio da aplicação de um questionário eletrônico. Os dados foram processados com o auxílio do programa estatístico SPSS, versão 21.0 e para verificar associações entre as variáveis foi empregado o teste do qui-quadrado (IC 95%). Resultados: Responderam ao formulário 150 CDs, onde a maioria era do sexo feminino (62,7%), na faixa etária de 20 a 30 anos (78,7%) e que exerciam a profissão até 5 anos da sua formação (78%). A maior parte dos CDs considerou o seu nível de conhecimento sobre a abordagem odontológica de pacientes com TEA insuficiente (83,3%), mas disseram ser capazes de identificar a presença do TEA em seus pacientes (46%), porém afirmaram não estar capacitados para realizarem o atendimento (70%) e a maioria disse não ter recebido nenhum treinamento (38,7%). Quanto a técnica mais utilizada pelos CDs foi a “dizer-mostrar-fazer” (62%), a qual foi considerada também como mais eficiente (44,7%), observou-se uma relação estatisticamente significante (p= 0,015) entre o tempo de formado e a segurança em realizar o atendimento ao paciente com TEA. Conclusão: Foi possível concluir que os CDs não receberam devido treinamento para o atendimento ao paciente com TEA, apesar de conseguirem reconhecê-los, não há segurança para realizar o atendimento e isso é mais atenuante nos recém-formados.

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Publicado

2024-06-10

Como Citar

1.
Souza LDG de, Sousa MAC de, Braga ML de A, Costa LED, Feitosa F de SQ. Percepção dos cirurgiões-dentistas em relação à abordagem odontológica ao paciente com transtorno do espectro autista (TEA). HU Rev [Internet]. 10º de junho de 2024 [citado 18º de julho de 2024];50:1-10. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/hurevista/article/view/42702

Edição

Seção

Artigos Originais