Epidemiologia da dengue em Minas Gerais de 2009 a 2019: uma análise descritiva

Autores

  • Davi Nilson Aguiar e Moura Departamento de Medicina, Universidade Federal de Juiz de Fora campus Governador Valadares https://orcid.org/0000-0002-8960-7540
  • Amanda Teixeira Silva Departamento de Medicina, Universidade Federal de Juiz de Fora campus Governador Valadares https://orcid.org/0000-0001-5218-4807
  • Larissa Amaral Rody Departamento de Medicina, Universidade Federal de Juiz de Fora campus Governador Valadares
  • Nícolas Emanuel Oliveira Reis Departamento de Medicina, Universidade Federal de Juiz de Fora campus Governador Valadares
  • Waneska Alexandra Alves Doutorado em Saúde Pública pela ENSP/FIOCRUZ-RJ, docente da Universidade Federal de Juiz de Fora campus Governador Valadares
  • Milena de Oliveira Simões Doutorado em Ciências da Saúde pela FURG, docente da Universidade Vale do Rio Doce

DOI:

https://doi.org/10.34019/1982-8047.2022.v48.36236

Palavras-chave:

Dengue, Sistemas de Informação, Epidemiologia, Vigilância em Saúde Pública

Resumo

Introdução: Atualmente, a dengue gera um importante impacto sobre o bem-estar dos pacientes e a economia do sistema público de saúde. Nesse sentido, evidencia-se a necessidade da realização de estudos epidemiológicos de modo a auxiliar nas análises acerca da realidade estadual. Objetivo: Caracterizar o perfil epidemiológico da dengue em Minas Gerais, de 2009 a 2019. Material e Métodos: Estudo observacional de caráter descritivo e quantitativo utilizando dados de notificações e internações obtidos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação e do Sistema de Informações Hospitalares, a partir do TABNET. Calcularam-se taxas de letalidade, incidência e internação, utilizando dados demográficos do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde para os cálculos de incidência e internação. As variáveis de estudo foram: ano de ocorrência, macrorregião de residência, faixa etária, evolução e classificação clínica da doença, sexo, escolaridade e raça. Resultados: A dengue possui um caráter cíclico de incidência, e as taxas de letalidade e internação oscilam anualmente. As macrorregiões Centro, Triângulo do Sul, Noroeste, Oeste, Triângulo do Norte e Vale do Aço obtiveram elevadas taxas de incidência, e a macrorregião Leste a maior taxa de internação. A maioria dos casos de dengue foram classificados como “dengue clássica”, e a classificação “dengue grave” foi a de menor incidência. Em relação à faixa etária, o intervalo de 15 a 39 anos apresentou maior taxa de incidência e menores taxas de letalidade e de internação, quando comparado à população idosa. Ademais, a evolução a óbito ocorreu mais frequentemente em indivíduos analfabetos. Conclusão: Os achados desse estudo elucidam o perfil epidemiológico da dengue em Minas Gerais, que se caracteriza por apresentar um padrão nacional cíclico de casos, manifestando-se principalmente de forma branda, mas com um acréscimo da morbimortalidade em analfabetos e idosos.

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Visual abstract

Publicado

2022-03-07

Como Citar

1.
Nilson Aguiar e Moura D, Teixeira Silva A, Amaral Rody L, Oliveira Reis NE, Alexandra Alves W, de Oliveira Simões M. Epidemiologia da dengue em Minas Gerais de 2009 a 2019: uma análise descritiva. hu rev [Internet]. 7º de março de 2022 [citado 1º de dezembro de 2022];48:1-9. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/hurevista/article/view/36236

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