A baixa escolaridade está associada ao aumento de incapacidades físicas no diagnóstico de hanseníase no Vale do Jequitinhonha

Autores

  • Daniele dos Santos Lages Universidade Federal de Minas Gerais - Escola de Enfermagem/Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Saúde Pública
  • Bárbara Malaman Kerr Universidade Federal de Minas Gerais - Escola de Enfermagem/Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Saúde Pública
  • Isabela de Caux Bueno Universidade Federal de Minas Gerais - Escola de Enfermagem/Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Saúde Pública https://orcid.org/0000-0003-4501-5989
  • Eyleen Nabyla Alvarenga Niitsuma Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Norte de Minas Gerais https://orcid.org/0000-0002-5781-6313
  • Francisco Carlos Félix Lana Universidade Federal de Minas Gerais - Escola de Enfermagem/Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Saúde Pública https://orcid.org/0000-0001-9043-3181

DOI:

https://doi.org/10.34019/1982-8047.2018.v44.14035

Palavras-chave:

Hanseníase, Escolaridade, Enfermagem, Epidemiologia, Saúde Pública.

Resumo

Introdução: a hanseníase é uma doença infecciosa cujo diagnóstico, quando realizado tardiamente, resulta em dano neural e incapacidades físicas que restringem a participação social do indivíduo e contribuem para o estigma e discriminação. Além disso, fatores de risco ambientais, socioeconômicos e individuais podem contribuir para a vulnerabilidade ao adoecimento e evolução para incapacidades físicas. Objetivo: analisar a influência da escolaridade na ocorrência de incapacidades físicas no diagnóstico da hanseníase no Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais. Material e Métodos: trata-se de um estudo transversal realizado na população de casos de hanseníase diagnosticados no Vale do Jequitinhonha, no período de 2001 a 2017, a partir de dados obtidos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). A variável dependente foi o grau de incapacidade física no diagnóstico da hanseníase e a variável explicativa o nível de escolaridade dos casos. A análise estatística compreendeu a realização dos testes qui-quadrado, coeficiente de correlação de Spearman e odds ratio. Resultados: foram notificados 1.940 casos de hanseníase no Vale do Jequitinhonha com uma taxa média de detecção de 47 casos/100.000 habitantes. Houve uma correlação inversamente proporcional entre as variáveis escolaridade e grau de incapacidade com significância estatística (-0,17; p<0,0001). Indivíduos sem escolaridade tiveram 82% mais chance de apresentarem incapacidades no diagnóstico de hanseníase quando comparados àqueles com nível fundamental (OR = 1,82; p = <0,0001), a chance de incapacidades foi ainda maior na comparação com a escolaridade de nível médio (OR = 4,03; p<0,0001). Conclusão: o aumento no nível de escolaridade dos casos reduziu a chance de ser diagnosticado com alguma incapacidade instalada.

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Biografia do Autor

Daniele dos Santos Lages, Universidade Federal de Minas Gerais - Escola de Enfermagem/Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Saúde Pública

Graduanda em enfermagem da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais. Aluna de iniciação científica, integra o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Hanseníase (NEPHANS). Atua em pesquisas relacionadas à hanseníase, com ênfase em epidemiologia. 

Bárbara Malaman Kerr, Universidade Federal de Minas Gerais - Escola de Enfermagem/Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Saúde Pública

Graduanda em enfermagem da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais. Aluna voluntária de iniciação científica, integra o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Hanseníase (NEPHANS). Atua em pesquisas relacionadas à hanseníase, com ênfase em epidemiologia.

Isabela de Caux Bueno, Universidade Federal de Minas Gerais - Escola de Enfermagem/Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Saúde Pública

Enfermeira, graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG (2016). Atualmente é mestranda do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais. Integra o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Hanseníase (NEPHANS). Atua em pesquisas com foco em saúde coletiva, com ênfase na epidemiologia da hanseníase e a prevalência de infecção da hanseníase por meio de marcadores sorológicos. 

Eyleen Nabyla Alvarenga Niitsuma, Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Norte de Minas Gerais

Enfermeira, graduada pela Universidade do Vale do Itajaí (2009). Especialista em Neurociências (2012). Mestre em Enfermagem (2016). Doutoranda em Enfermagem na linha de pesquisa Promoção da Saúde, Prevenção e Controle de Agravos pela Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais. Docente no Instituto Federal de Educação do Norte de Minas Gerais (IFNMG), campus Almenara, desde 2011. Membro do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Hanseníase (NEPHANS). Atua em estudos de prevenção e controle da hanseníase com ênfase em epidemiologia e imunogenética.

Francisco Carlos Félix Lana, Universidade Federal de Minas Gerais - Escola de Enfermagem/Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Saúde Pública

Graduação em Enfermagem e Obstetrícia pela Universidade Federal de Minas Gerais (1981), Especialização em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública (1988), Mestrado (1992) e Doutorado (1997) em Enfermagem pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo. Professor Titular do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais. Diretor da Escola de Enfermagem da UFMG Gestão 2002-2006, Editor Geral da Revista Mineira de Enfermagem (período 2003 a 2008) e Coordenador do Colegiado de Pós-Graduação em Enfermagem (período 2012 a 2016). Atua na Graduação dos Cursos de Enfermagem e de Nutrição na área de Saúde Coletiva e no Programa de Pós-graduação em Enfermagem desenvolvendo a linha de pesquisa "Promoção, Prevenção e Controle de Agravos à Saúde", com ênfase na abordagem de políticas e programas de saúde, epidemiologia, vigilância à saúde e organização de serviços dirigidos às doenças e infecciosas e parasitárias com ênfase em hanseníase e mais recentemente também às doenças crônicas não transmissíveis. Atualmente, é Líder do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Hanseníase ? NEPHANS que tem três eixos estruturantes: análise da distribuição espacial da hanseníase e sua relação com as desigualdades sociais, avaliação dos serviços de atenção à saúde e das estratégias de controle da hanseníase e análise do processo de exposição, infecção e adoecimento de contatos domiciliares de casos de hanseníase por meio de marcadores de infecção e de suscetibilidade genética ao Mycobacterium leprae. Atua também no campo da comunicação científica e exerce a Coordenação da Biblioteca Virtual em Saúde Enfermagem Brasil (BVS Enfermagem) e da BVS Enfermería Internacional, projetos desenvolvidos em parceria com a BIREME/OPAS/OMS, Ministério da Saúde, Associação Brasileira de Enfermagem, centros de pós-graduação da enfermagem brasileira e instituições de ensino e pesquisa de enfermagem no âmbito ibero-americano.

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Publicado

2019-06-21

Como Citar

1.
Lages D dos S, Kerr BM, Bueno I de C, Niitsuma ENA, Lana FCF. A baixa escolaridade está associada ao aumento de incapacidades físicas no diagnóstico de hanseníase no Vale do Jequitinhonha. hu rev [Internet]. 21º de junho de 2019 [citado 6º de outubro de 2022];44(3):303-9. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/hurevista/article/view/14035