Política e literatura
questões em torno de O presidente negro (1926), de Monteiro Lobato
DOI:
https://doi.org/10.34019/1981-2140.2025.51389Palavras-chave:
Monteiro Lobato, O presidente negro (1926), Eugenia, Política e literatura, Partido Comunista do Brasil (PCB)Resumo
Este texto toma o romance O presidente negro (1926), de José Bento Renato Monteiro Lobato (1882-1948), como ponto de partida para examinar o debate intelectual em torno da eugenia no Brasil daquele tempo. Nosso objetivo é compreender o autor e as ideias contidas na obra nos limites de sua época, buscando, assim, contribuir para o debate em torno dos escritos deste autor ao situar a referida obra em perspectiva histórica, um século após a publicação. Para tal, inicialmente apresentamos a eugenia como a ideologia das elites intelectuais que buscavam uma solução para as chagas sociais do Brasil do início do século XX; em seguida, introduzimos o contraponto produzido pelos comunistas ligados ao Partido Comunista do Brasil (PCB), a exemplo de Astrojildo Pereira e Edison Carneiro, bem como em outras publicações da imprensa partidária. Argumentamos que, ao desvendar os reais interesses das classes exploradoras e de seus interlocutores intelectuais, os comunistas ofereceram um importante contraponto à eugenia numa época em que tais ideias circulavam livremente tanto entre a intelectualidade quanto nas instâncias de decisão, cujo registro literário encontra-se em O presidente negro.
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