Revisitando a cidade das mulheres por Ruth Landes
Palavras-chave:
Ruth Landes, Candomblé, Democracia racial, Gênero, RaçaResumo
O presente trabalho revisita a obra A Cidade das Mulheres, da antropóloga Ruth Landes, com foco em suas contribuições para os estudos de gênero e raça no Brasil. O objeto de análise é a pesquisa etnográfica conduzida por Landes em Salvador, Bahia, em 1938, na qual ela documentou o protagonismo das mulheres negras e a presença de homens homossexuais nos terreiros de candomblé. O objetivo principal é apresentar os impactos sociais e políticos da obra, bem como refletir sobre a deslegitimação que Landes sofreu em razão de seu gênero, nacionalidade e recortes temáticos inovadores para a época. A metodologia utilizada baseia-se na análise crítica da produção de Landes à luz de autores contemporâneos e de sua recepção histórica. São exploradas as tensões entre a narrativa construída por Landes e o discurso hegemônico da “democracia racial” propagado por intelectuais como Gilberto Freyre. A pesquisa também destaca a importância do apoio de Edison Carneiro, intelectual negro brasileiro que auxiliou Landes no contato com a comunidade local. As conclusões apontam que A Cidade das Mulheres rompeu com paradigmas eurocêntricos ao evidenciar a centralidade das mulheres negras na economia e na política dos terreiros, bem como ao dar visibilidade a sujeitos marginalizados, como os homens homossexuais. Landes foi alvo de críticas e silenciamentos, mas sua obra é atualmente resgatada como pioneira e sensível às intersecções de raça, gênero e sexualidade. O trabalho destaca ainda como sua exclusão do cânone revela o machismo e racismo estruturais presentes na academia.
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Referências
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