FATORES ASSOCIADOS À RECAÍDA DO TABAGISMO EM PACIENTES ASSISTIDOS EM UNIDADES DE SAÚDE DA ZONA OESTE DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO

Autores

  • CLÁUDIA CHRISTINA SOBRINHO DO nascimento INSTITUTO DE MEDICINA SOCIAL/UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
  • Gulnar Azevedo e Silva Instituto de Medicina Social - UERJ, professora associada.
  • Maria Isabel do Nascimento Titulação: Doutorado em Ciências pela ENSP/FIOCRUZ. Afiliação: Professora adjunta do Departamento de Epidemiologia e Bioestatística - Instituto de Saúde da Comunidade - Universidade Federal Fluminense.

Palavras-chave:

Tabagismo. Fatores de Risco. Recaída.

Resumo

O tabagismo ainda é um problema de saúde pública. Apesar do sucesso das políticas de controle do tabaco no país e diminuição do consumo de fumo nos últimos 20 anos, a recaída tem sido apontada como um grande obstáculo. O objetivo do estudo foi avaliar os fatores associados no tempo de recaída, durante o tratamento do fumante no Programa de Controle do Tabagismo em unidades de saúde do município do Rio de Janeiro. A coorte prospectiva foi composta por 135 pacientes, sendo 70,3% mulheres, que pararam de fumar após 4 semanas de adesão ao tratamento, sendo acompanhados até 6 meses. O índice de recaída encontrado foi semelhante em ambos os sexos, sendo próximo de 30% aos 3 meses e 50% aos 6 meses. O tempo de sobrevivência mediano também foi semelhante, em torno de 130 dias. A média de ganho de peso foi maior entre os homens aos 3 e 6 meses. Para avaliar os fatores associados ao tempo de recaída foram calculadas as Hazard Ratios (HR) e respectivos intervalos de confiança de 95% (IC 95%), através do modelo semiparamétrico de riscos proporcionais de Cox. Na análise bivariada, as mulheres que achavam que fumar emagrece ou que faziam dieta apresentaram um risco maior de recaída, porém não estatisticamente significante. Entre as que referiram fazer acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico, o tempo de recaída foi 2,62 vezes menor se comparado àquelas que não o faziam. O risco também mostrou-se aumentado com o uso de álcool (HR=2,11, IC 95%1,15-3,89). Entre os homens, os dois pacientes que faziam uso de medicamentos para depressão e/ou ansiedade tiveram recaída. As demais variáveis analisadas não se mostraram associadas ao risco de recaída por apresentarem HR com intervalos não estatisticamente significativos. Os fumantes poderiam se beneficiar de tratamentos que oferecessem de forma complementar atendimentos para nutrição e saúde mental. O aprimoramento das estratégias de cessação do tabagismo devem levar em conta as diferenças de gênero, a necessidade de assistência a problemas psicológicos e psiquiátricos e o controle de peso para os pacientes com maior dificuldade; passos essenciais para o sucesso das políticas públicas de controle do tabagismo no país.

 

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Biografia do Autor

CLÁUDIA CHRISTINA SOBRINHO DO nascimento, INSTITUTO DE MEDICINA SOCIAL/UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

nutricionista com experiência na área de terapia nutricional e saude coletiva, com ênfase em terapia nutricional na cicatrização de feridas, vigilância alimentar e nutricional, e abordagem cognitivo-comportamental na cessação do tabaco.

Mestre em Saúde Coletiva/Epidemiologia

Doutoranda em Saúde Coletiva/Epidemiologia IMS/RJ


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Publicado

2017-02-21

Edição

Seção

Artigos Originais