O mito quebrado do Além
uma hermenêutica da finitude e da transcendência
DOI:
https://doi.org/10.34019/2237-6151.2026.v23.52620Palavras-chave:
Morte, Psicologia Analítica, Mito quebrado, Segunda ingenuidade, HermenêuticaResumo
O presente artigo investiga a crise de sentido em torno da finitude humana na modernidade, caracterizada pela dificuldade de acesso aos mitos escatológicos tradicionais da vida após a morte em sua forma literal. Nosso estudo propõe uma articulação teórica entre a Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung e a hermenêutica filosófico-teológica de Paul Tillich e Paul Ricoeur. A partir do diagnóstico de que a mentalidade contemporânea lida com um “Mito Quebrado” a respeito do Além, examinamos como os arquétipos de eternidade e transcendência continuam a operar na psique. Argumentamos que, embora a literalidade das narrativas religiosas sobre a morte tenha sido desconstruída pelo escrutínio crítico, é possível alcançar uma “Segunda Ingenuidade” diante desses símbolos. Dessa forma, a representação da vida após a morte deixa de ser vista como uma geografia metafísica concreta para ser compreendida como uma realidade psicológica objetiva, fundamental para o processo teleológico de Individuação, especialmente na transição para a segunda metade da vida. Através de pesquisa bibliográfica e análise hermenêutica, procuramos demonstrar como a ressignificação simbólica da morte permite que a psique integre o mistério da mortalidade, transformando a angústia da finitude em uma experiência de sentido e transcendência.
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