Wilson Witzel e a guerra contra a pobreza e a favela: uma gestão religiosa-neoliberal que desloca o conceito de Estado Moderno e o uso da violência de Weber

Autores

  • Priscila Alves Gonçalves da Silva UMESP

DOI:

https://doi.org/10.34019/2237-6151.2021.v18.34155

Palavras-chave:

Estado Moderno, Razão mítica, Burocracia, Violência, Favelas

Resumo

O presente artigo objetiva analisar um possível deslocamento da noção weberiana de Estado Moderno, quanto ao uso e a função da violência, tomando como objeto a gestão de Wilson Witzel, ex-governador do Rio de Janeiro. A partir da análise de seu discurso de posse, discorremos como ele se apropria de uma linguagem profundamente religiosa e utópica para ascender ao cargo, sem apresentar um plano político técnico-burocrático, especialmente no que tange a segurança pública. O uso da linguagem religiosa e da imagem de servo de Deus à serviço dos “cidadãos de bem”, operacionalizada de forma violenta e a partir de fundamentos neoliberais, acionados como justificativas das políticas implementadas, operaram como deslocamentos daquilo que conhecemos como Estado Moderno e o uso e função da violência, vitimando principalmente os pobres, no território favelizado. O método utilizado para o desenvolvimento deste conteúdo foi pesquisa bibliográfica.

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Publicado

2021-09-08

Como Citar

ALVES GONÇALVES DA SILVA, P. Wilson Witzel e a guerra contra a pobreza e a favela: uma gestão religiosa-neoliberal que desloca o conceito de Estado Moderno e o uso da violência de Weber: . Sacrilegens , [S. l.], v. 18, n. 1, p. p. 61–82, 2021. DOI: 10.34019/2237-6151.2021.v18.34155. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/sacrilegens/article/view/34155. Acesso em: 27 set. 2021.

Edição

Seção

Dossiê: Religião e Violência