Suicídio e Religião

  • Gabriella Costa Rodrigues Neto
Palavras-chave: Suicídio, Religião, Modernidade, Crise de sentidos, Identidades

Resumo

O fenômeno do suicídio é um problema de saúde pública, segundo dados do Ministério da Saúde e da Associação Brasileira de Psiquiatria, no Brasil ocorrem 9 mil casos de suicídio por ano, 24 por dia. Assim, este GT a partir de reflexões sociológicas pretende compreender em que medida a religião e o vínculo social estão relacionados com as atitudes frente ao suicídio e como esta variável (religião) atua na intenção ou preservação de que ele seja cometido. Desde os estudos de Durkheim, os pesquisadores vêm investigando a relação social da religião com o suicídio.Historicamente observa-se que algumas cosmovisões religiosas fundamentalistaspodem levarao suicídio coletivo ou individual, como nos casos do terrorismo. Todavia, verifica-se que algumas religiões proíbem com veemência o suicídio, defendendo o valor incondicional davida humana. Desta forma, pergunta-se: qual o papel dofenômeno religioso frente ao suicídio?

A emergência dos temas acerca da modernidade, pluralismo, crise de sentidos e identidades dão fôlego a esse debate. Esse grupo de pesquisa objetiva verificar as causas sociais que geram estruturas sociais que penetram profundamente na consciência das pessoasfazendo com que se sintam inseguras num mundo confuso e cheio de possibilidades de interpretação.  Dessa maneira, alguns indivíduos comprometidos com diferentes ofertas simbólicas acerca de possibilidades de vida, sentem-se perdidos. Dessa maneira, por mais que o suicídio pareça, a uma primeira vista, uma decisão do indivíduo, ele é visto pelas ciências sociais como uma condição construída pela sociedade, um ambiente favorável para o autoextermínio

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Brasília: CFP
Como Citar
COSTA RODRIGUES NETO, G. Suicídio e Religião. Sacrilegens , v. 15, n. 2, 11.