Libertas, 25 anos!  
Avanços, desafios e perspectivas  
Libertas, 25 years!  
Advances, challenges and perspectives  
Alexandra Aparecida Leite Toffanetto Seabra Eiras*  
Bruno Bruziguessi**  
Luciano Cardoso de Souza***  
Resumo: No contexto da comemoração dos 25  
anos de existência da Libertas, celebrados em  
2026, propusemo-nos a realizar um balanço  
qualitativo dessa trajetória, bem como a refletir  
sobre as perspectivas que se delineiam para o  
futuro da revista. Nessa direção, o presente  
artigo propõe um registro analítico da trajetória  
da Libertas nos últimos anos, destacando seus  
principais avanços, os desafios enfrentados em  
seu processo de consolidação e as perspectivas  
que se colocam para o futuro. Além disso,  
apresentamos uma análise referente ao período  
de 2020 a 2025, a partir da organização de dados  
extraídos do sistema OJS. Para tanto, o texto  
organiza-se em torno da exposição e análise do  
percurso histórico-editorial, de indicadores  
recentes de desempenho e visibilidade, bem  
como da problematização dos desafios  
contemporâneos que incidem sobre a produção  
e a difusão do conhecimento acadêmico-  
científico.  
Abstract: In the context of the celebration of  
Libertas25th anniversary in 2026, we set out to  
undertake a qualitative assessment of its  
trajectory and to reflect on the prospects  
emerging for the journal’s future. To this end,  
the present article offers an analytical account  
of the development of Libertas in recent years,  
highlighting its main achievements, the  
challenges  
encountered  
throughout  
its  
consolidation process, and the perspectives that  
lie ahead. In addition, we present an analysis of  
the period from 2020 to 2025 based on data  
organized and extracted from the OJS system.  
Accordingly, the article is structured around the  
presentation and examination of the journal’s  
historical and editorial trajectory, recent  
indicators of performance and visibility, and a  
critical discussion of the contemporary  
challenges affecting the production and  
dissemination of academic and scientific  
knowledge.  
Palavras-chave: Revista Libertas; Percurso  
Keywords: Libertas Journal; Historical and  
histórico-editorial; Indicadores.  
Editorial Trajectory; Indicators.  
* Universidade Federal de Juiz de Fora. E-mail: alexandra.eiras@ufjf.br  
** Universidade Federal de Juiz de Fora. E-mail: brunobruziguessi@ufjf.br  
*** Universidade Federal de Juiz de Fora. E-mail: luciano.souza@ufjf.br  
DOI: 10.34019/1980-8518.2026.v26.53450  
Esta obra está licenciada sob os termos  
Recebido em: 19/06/2026  
Aprovado em: 23/06/2026  
Libertas, 25 anos! Avanços, desafios e perspectivas  
Introdução  
A Libertas, criada em 2001, é um periódico semestral vinculado à Faculdade de Serviço  
Social e ao Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da Universidade Federal de Juiz de  
Fora (UFJF), em Minas Gerais, Brasil, instituições das quais provêm sua sustentação e os  
membros de sua comissão editorial. Trata-se de uma revista de acesso aberto, cujo conteúdo é  
disponibilizado publicamente de forma imediata e gratuita, sem a cobrança de taxas de  
submissão ou publicação.  
A Libertas tem contribuído para a área de Serviço Social ao propor dossiês sobre temas  
relevantes para a sociedade e para a profissão, contemplando diferentes dimensões, como a pós-  
graduação, a pesquisa, a formação e o exercício profissional. Desse modo, a revista fortalece o  
debate acadêmico em interlocução com a teoria social crítica. Todos os números publicados  
encontram-se disponíveis no site da revista, que, desde 2019, está hospedado na plataforma OJS  
(Open Journal Systems), em consonância com as transformações recentes do campo editorial  
científico. Além disso, a Libertas conta com um Conselho Editorial composto por pesquisadores  
nacionais e internacionais de reconhecida trajetória acadêmica, e adota a avaliação cega por  
pares no processo de apreciação dos artigos submetidos.  
No contexto da comemoração de seus 25 anos de existência, celebrados em 2026,  
propusemo-nos a realizar um balanço qualitativo dessa trajetória, bem como a refletir sobre as  
perspectivas que se delineiam para o futuro da revista.  
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Nessa direção, o presente artigo propõe um registro analítico da trajetória da revista  
Libertas nos últimos anos, destacando seus principais avanços, os desafios enfrentados em seu  
processo de consolidação e as perspectivas que se colocam para o futuro. Além disso,  
apresentamos uma análise referente ao período de 2020 a 2025, a partir da organização de dados  
extraídos do sistema OJS. Para tanto, o texto organiza-se em torno da exposição e análise do  
percurso histórico-editorial, de indicadores recentes de desempenho e visibilidade, bem como  
da problematização dos desafios contemporâneos que incidem sobre a produção e a difusão do  
conhecimento acadêmico-científico.  
O caminho percorrido: dificuldades e avanços  
Ao longo da trajetória percorrida pela Libertas as comissões editoriais enfrentaram  
muitos desafios, dentre os quais enumeramos os seguintes como principais: infraestrutura (sala,  
equipamentos, recursos financeiros); configuração de equipes especializadas e atribuição de  
carga horária compatível com o trabalho editorial; qualificação contínua envolvendo a  
aquisição de know-how para o desempenho das funções editoriais em interlocução com a área  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 01-25, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Alexandra A. L. T. S. Eiras; Bruno Bruziguessi; Luciano Cardoso de Souza  
de Serviço Social, incluindo, desse modo, a necessidade de aprendizado permanente das  
comissões editoriais, dada a alternância de profissionais (docentes e técnicos) que assumiram  
essa tarefa ao longo desses 25 anos.  
Entre 2001 e 2006 o principal desafio foi persistir e insistir na continuidade da revista.  
Após a publicação dos três primeiros volumes (2001, 2002, 2003) houve uma descontinuidade  
do trabalho, que foi retomado em 2006. Diante disso, fez-se necessária a publicação de volumes  
especiais, referentes aos anos de 2004, 2005 e 2006 para garantir a existência da Libertas.  
Nessa época, ainda não possuíamos infraestrutura adequada nem suporte técnico  
suficiente na Faculdade de Serviço Social e na UFJF. As comissões editoriais e as secretarias  
executivas não tinham formação para atuar com periódicos e não havia recursos financeiros  
para investir em infraestrutura, processos de revisão, redação, tradução, diagramação,  
editoração, etc. A expressão “pegar o touro à unha” pode ilustrar a força de vontade que foi  
necessária para lidar com todas as dificuldades neste percurso.  
A baixa captação de artigos estava condicionada pelo fato de a revista ser recente e  
ainda desconhecida em nossa área, condição asseverada pelo alcance restrito e a baixa  
capilaridade dos números impressos, uma vez que a Editora da UFJF enfrentava problemas para  
distribuir e comercializar as suas produções nacionalmente. Parte dos exemplares impressos  
ficava com a comissão editorial que, embora pudesse comercializá-los, frequentemente os  
distribuía de forma gratuita. A Editora da UFJF comercializava uma parte dessa produção em  
sua loja ou através da venda pelos Correios. Um expediente utilizado pelas comissões editoriais  
foi o envio de exemplares (através dos serviços dos Correios) para as bibliotecas dos cursos de  
graduação em Serviço Social e para as secretarias de programas de pós-graduação em Serviço  
Social.  
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No período de 2007 a 2018 foi possível avançar em alguns aspectos como a inserção da  
revista em um site disponibilizado pela UFJF no ano de 2006, ampliando o acesso ao seu  
conteúdo e a manutenção da continuidade das publicações com periodicidade semestral. Com  
isso foi possível inserir todos os números da Libertas nessa página virtual, com a digitalização  
das revistas publicadas anteriormente no formato impresso. Até as edições de 2013 manteve-se  
a impressão da Libertas juntamente com a sua divulgação online, sendo a maior parte dos  
exemplares impressos disponibilizada gratuitamente. A divulgação da revista na modalidade  
online contribuiu para o incremento de sua visibilidade no meio acadêmico, mas ainda  
permanecia o desafio de ampliar a captação de artigos.  
O salto nesse processo adveio das condições propiciadas pela UFJF, que permitiram a  
inserção da Libertas no sistema OJS, uma plataforma de código aberto voltada para a gestão e  
Libertas, 25 anos! Avanços, desafios e perspectivas  
publicação de periódicos e revistas científicas online. A partir de 2019 foi possível trabalhar  
para que a Libertas pudesse se adequar ao novo formato digital dos periódicos acadêmicos, que  
permitia realizar os processos de captação, avaliação e publicação de artigos por meio do OJS.  
Tais condições abriram possibilidades para o fluxo maior na captação de artigos e para a  
divulgação e acesso ao conteúdo da revista, como veremos na seção seguinte deste artigo.  
Acresce-se a formulação de ementas para a publicação de dossiês temáticos, que intensificou a  
recepção de artigos, a partir de 2020. A plataforma OJS possibilitou o trâmite entre autoria,  
comissão editorial e pareceristas, a partir das normas de publicação organizadas e divulgadas  
pela Libertas.  
Ao memorar esse caminho trilhado, os avanços e a qualificação da Libertas se expõem  
de modo contundente e vamos explicitá-los, elencando-os a partir das condições estruturadas  
para a manutenção e continuidade desta revista: 1. Inserção da atividade editorial na carga  
horária de docentes, com a designação de Editor-chefe e Editor-adjunto; 2. Designação de um  
Técnico Administrativo em Educação qualificado para a função de Editor-executivo e Designer  
Editorial; 3. Definição de espaço físico próprio para realização das atividades da Libertas, com  
equipamento adequado às tarefas de edição e editoração; 4. Configuração de um regime de  
trabalho coletivo, realizado por essa comissão editorial/executiva da Libertas — autogerida e  
autônoma —, que se reúne periodicamente para a tomada conjunta de decisões; 5. Apoio  
institucional da Faculdade de Serviço Social e do Programa de Pós-Graduação em Serviço  
Social; 6. Apoio institucional da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PROPP) da UFJF  
que, por meio de seu portal de periódicos, dá suporte aos editores, disponibiliza ferramentas e  
sistemas que viabilizam a manutenção da revista; 7. Organização de dossiês temáticos para a  
captação de artigos (definidos por ementas específicas e prazos delimitados para submissão) e  
manutenção de captação de artigos em fluxo contínuo, vinculados à seção Tema Livre; 8.  
Captação de materiais em seções diversificadas, como entrevista, relato de experiência, resenha  
e tradução de textos, ampliando o alcance junto a outros perfis de leitores, não necessariamente  
inseridos na pesquisa acadêmica; 9. Captação de artigos de diversas regiões do Brasil, bem  
como de outros países latino-americanos e da península ibérica, ampliando o alcance da revista  
para diferentes territórios de língua portuguesa e hispânica; 10. Adoção de estratégias de  
divulgação do conteúdo da Libertas no Instagram e, por e-mail, para instituições e programas  
de pós-graduação nas áreas de Serviço Social e de Ciências Humanas e Sociais; 11. Avanço nas  
condições técnicas para o manejo do material na plataforma da revista, com a incorporação de  
programas de detecção de plágio, que promovem a qualificação dos manuscritos publicados;  
12. Reconhecimento da qualidade e do impacto da Libertas na área de Serviço Social,  
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Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 01-25, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Alexandra A. L. T. S. Eiras; Bruno Bruziguessi; Luciano Cardoso de Souza  
demonstrado pela evolução das avaliações realizadas pelo Qualis Periódicos (Capes): nas  
últimas avaliações, a Libertas subiu de B4 (2013-2016) para A3 (2017-2020) e de A3 para A2  
(2021-2024).  
A seguir apresentamos indicadores que ilustram, em certa medida, a extensão desses  
avanços, reconhecendo que, em sua trajetória, a continuidade da Libertas implica no  
enfrentamento não só de novos desafios como também daqueles que estiveram presentes  
durante a sua existência e que se recolocam de modo renovado para o futuro.  
Indicadores atuais (2020-2025)  
Para este balanço recorremos a um levantamento de informações e dados a partir de uma  
metodologia qualitativa das últimas edições, focando no período mais recente, de 2020-2025.  
A escolha por realizar a análise a partir das publicações de 2020 se deve ao fato de possuirmos  
dados mais precisos provenientes do sistema OJS, como também ao início das publicações de  
edições com dossiês temáticos, uma característica que marca uma nova fase da Libertas.  
Para esse exame, destacamos os seguintes indicadores: 1) volume de trabalhos  
submetidos para avaliação; 2) número de publicações; 3) número de acessos às publicações; 4)  
temas dos dossiês; 5) diversidade dos temas livres; 6) publicações internacionais.  
Optamos por dividir esse balanço em dois subitens: o primeiro apresenta uma síntese da  
evolução da revista em termos de submissões, publicações e acessos, onde recorremos a um  
levantamento quantitativo dos dados disponibilizados pelo sistema OJS; o segundo oferece um  
balanço quali-quantitativo dos temas dos dossiês, dos artigos de tema livre, da diversidade dos  
formatos publicados e das publicações internacionais.  
5
Submissões, publicações e acessos  
Durante o período de 2020-2025 a Libertas pôde observar uma ampliação significativa  
no volume total de submissões realizadas em sua plataforma. Em 2021, esse índice sofreu um  
aumento de 4,55% em relação ao ano de 2020, seguido de uma queda de 13,04% em 2022. A  
partir de então uma trajetória ascendente se estabeleceu, na qual é possível se verificar o  
incremento de 27,5% no ano de 2023, de 17,65% em 2024 e de 13,33% em 2025. O Gráfico 1  
demonstra esses indicadores.  
Libertas, 25 anos! Avanços, desafios e perspectivas  
Gráfico 1 Comparativo entre o volume de submissões recebidas na Libertas de 2020 a 2025.  
Fonte: Elaboração própria (2026).  
Cabe ressaltar que o período entre 2020 e 2022 foi marcado pela pandemia de covid-19,  
que afetou todos os segmentos da sociedade, inclusive a educação e a produção acadêmica. No  
que tange a educação superior, as atividades de ensino, pesquisa e extensão ficaram  
comprometidas, sendo paralisadas em um primeiro momento e retomadas de maneira gradativa  
e limitada pela utilização de tecnologias digitais, como o recurso ao Ensino Remoto  
Emergencial (ERE). Em relação às publicações em periódicos acadêmicos, o coordenador da  
plataforma SciELO, Abel Packer, afirmou que “durante a pandemia, o número de artigos  
submetidos a revistas do Brasil da biblioteca SciELO teve um aumento de 23%”, e que “na  
quarentena, muitos pesquisadores aproveitaram o isolamento forçado para escrever os  
manuscritos que haviam planejado, gerando trabalho extra para os editores” (Marques, 2022,  
n.p.).  
6
Diante dessa constatação, podemos observar os desdobramentos desse contexto também  
no número de trabalhos publicados na Libertas, que sofreu um aumento substancial nesse  
período em relação ao anterior, subindo 25% em 2020 e mais 20% em 2021, como demonstra  
o Gráfico 2.  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 01-25, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Alexandra A. L. T. S. Eiras; Bruno Bruziguessi; Luciano Cardoso de Souza  
Gráfico 2 Número de publicações da Libertas (2015-2025).  
Fonte: Elaboração própria (2026).  
O período de 2020 a 2025 marca uma expansão significativa em termos de publicação  
da revista quando comparado aos anos anteriores, refletindo, em certa medida, o aumento de  
trabalhos submetidos. Esse crescimento, embora influenciado em parte pelo contexto  
pandêmico, também se deve aos avanços elencados na seção anterior, com destaque para a  
consolidação da revista em plataforma digital (especialmente com o uso do OJS, a partir de  
2019), o aprimoramento das estruturas físicas e de suporte técnico, a intensificação do trabalho  
de divulgação que deu maior visibilidade à revista e a implementação dos dossiês temáticos  
realizada a partir do segundo número de 2020, que vêm abordando temas atuais tratados pelo  
Serviço Social brasileiro nos últimos anos.  
7
É importante destacar que a ampliação do número de submissões e publicações  
observado nos últimos anos não remete a qualquer tipo de flexibilização da linha editorial, o  
que se expressa pelo crescimento no volume de submissões recusadas entre 2020 e 2025 — seja  
na fase de desk review, seja na de avaliação por pares —, demonstrando a preservação da  
integridade da linha editorial da Libertas e dos critérios rigorosos de avaliação dos artigos  
estabelecidos pela revista.  
Libertas, 25 anos! Avanços, desafios e perspectivas  
Gráfico 3 Comparativo entre o volume de submissões recusadas pela Libertas de 2020 a 2025.  
Fonte: Elaboração própria (2026).  
O crescimento no número de submissões e publicações, que atinge seu ápice em 2025,  
explicita o aumento da procura pela revista, tendo em vista seu conhecimento e reconhecimento  
por parte da comunidade acadêmica em âmbito nacional — e mesmo internacional —, o que  
também se reflete no número de acessos aos trabalhos publicados pela Libertas, conforme  
demonstra o Gráfico 4.  
8
Gráfico 4 Número de acessos às publicações1 da Libertas (2020-2025).  
Fonte: Elaboração própria (2026).  
1
O número de acessos anuais discriminado no gráfico se refere à visualização de todo material publicado pela  
revista até aquele ano e não somente aos textos publicados naquele ano.  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 01-25, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Alexandra A. L. T. S. Eiras; Bruno Bruziguessi; Luciano Cardoso de Souza  
A partir de 2021 o número de acessos aos documentos da revista (contando artigos,  
resenhas, entrevistas, traduções, editoriais) quase duplicou em relação ao ano de 2020,  
mantendo valores semelhante até 2025, o que mostra a constância da revista em termos de  
procura, consolidando-se como fonte de pesquisa de artigos acadêmicos.  
Desse modo, a partir da estabilização dos índices destes três indicadores, submissão,  
publicação e acesso — que refletem os avanços anteriormente destacados, assim como o  
compromisso com o trabalho sério e de qualidade por parte das diferentes comissões editoriais  
e de todos aqueles que participaram direta ou indiretamente da construção da Libertas ao longo  
de sua história — consideramos que o período em análise, 2020-2025, representou um momento  
de consolidação da Libertas em termos editoriais e científicos, colocando-se como um periódico  
de relevância para o Serviço Social brasileiro, o que se ratifica pela elevação de seu conceito  
do Qualis Periódicos para A2 no quadriênio 2021-2024.  
Dossiês temáticos, artigos de tema livre e publicações internacionais  
ALibertas passou a utilizar dossiês temáticos a partir da segunda edição de 2020 e desde  
então onze dossiês foram publicados de forma ininterrupta, todos tendo o Serviço Social como  
elemento central. A partir disso, tratamos de temas que circunscrevem, direta ou indiretamente,  
a formação e o trabalho profissional, como demonstrado no Quadro 1.  
9
Quadro 1Dossiês temáticos.  
Edição Tema do dossiê  
v. 20, n. 2 Os desafios do Serviço Social ante a escalada do conservadorismo  
v. 21, n. 1 A influência do pensamento gramsciano no Serviço Social  
v. 21, n. 2 Serviço Social, educação e universidade  
v. 22, n. 1 Serviço Social internacional  
v. 22, n. 2 Serviço Social e questão social novas e velhas expressões  
v. 23, n. 1 Lutas Sociais, Ofensiva Ultraneoliberal e Serviço Social  
v. 23, n. 2 Estado, Democracia e Serviço Social  
v. 24, n. 1 Teoria social de Marx, desigualdades sociais e Serviço Social  
v. 24, n. 2 Crise civilizatória, alternativas em construção e Serviço Social  
v. 25, n. 1 Realidade Brasileira e Serviço Social  
v. 25, n. 2 Fundamentos históricos, teórico-metodológicos e ético-políticos do Serviço Social  
Fonte: Elaboração própria (2026).  
Em um primeiro bloco de dossiês, podemos destacar a ênfase dada à crise do capitalismo  
e seus desdobramentos na conjuntura nacional e internacional, como a escalada do  
conservadorismo, a ofensiva ultraneoliberal, a crise civilizatória e as alternativas em  
construção.  
Libertas, 25 anos! Avanços, desafios e perspectivas  
O debate acerca da ofensiva do conservadorismo na sociedade brasileira passou a ser  
mais diretamente tratado na Libertas com o editorial do número 1 de 2020, que destacou a  
associação entre a perspectiva político-ideológica das classes dominantes e a crise humanitária  
causada pela pandemia de covid-19. A partir disso, o tema do dossiê da edição 2020/2 foi Os  
desafios do Serviço Social ante a escalada do conservadorismo, onde os autores destacam o  
desafio, para o Serviço Social brasileiro, de “discernir entre rupturas e continuidades neste  
conservadorismo renovado”, que vinha — e podemos dizer que ainda vem — avançando de  
forma “moralizante, descentralizado, anárquico, violento, anti-humanista e cristão-  
fundamentalista” (Arbia; Moljo, Fortes, 2020, p. XVIII).  
Frente a esta conjuntura, o dossiê do primeiro volume de 2023, intitulado Lutas Sociais,  
Ofensiva Ultraneoliberal e Serviço Social — que contou com artigos que foram resultado de  
conferências proferidas no VII Seminário Internacional da Faculdade de Serviço Social  
(SEMINTSS) da UFJF – destacou os impactos da pandemia de covid-19 sobre a humanidade e  
como isso atribui maior atenção para as crises do modo de produção capitalista e seus  
mecanismos de resposta, que avançam sobre as formas de vida, destacando as crises climática  
e ambiental. Para além das crises e de todo o potencial destrutivo causado pela ordem do capital,  
o dossiê também abordou as formas de resistência e lutas sociais frente a este cenário de crise  
sanitária, ambiental e humanitária, bem como da ofensiva do conservadorismo, destacadamente  
na América Latina.  
10  
Na mesma linha, na segunda edição de 2024, publicamos o dossiê Crise civilizatória,  
alternativas em construção e Serviço Social, dando atenção aos aspectos latentes da conjuntura  
nacional e internacional, seguindo a agudização das crises do capitalismo e seus impactos sobre  
os trabalhadores e os recursos naturais. Neste sentido,  
[...] a crise estrutural do capital vem se apresentando através de seus múltiplos  
aspectos – as chamadas crises ambiental e climática, crise urbana, energética,  
etc. – evidenciando a destrutividade do capital sobre todas as dimensões da  
vida. Diante disso, torna-se urgente e indispensável dar visibilidade às  
alternativas em construção através das mais diversas iniciativas – sejam elas  
desenvolvidas no campo ou na cidade, em qualquer área do conhecimento –  
que apontem para novos horizontes civilizatórios (Eiras et al., 2024, p. X).  
Em um segundo bloco de dossiês nos propusemos a tratar de temas que estão no cerne  
da formação profissional e dos fundamentos teórico-metodológicos do Serviço Social  
brasileiro. Nesse sentido, aglutinamos um bloco mais extenso de temáticas onde abordamos a  
influência do pensamento gramsciano, a teoria social de Marx, educação e universidade, a  
questão social, Estado e democracia, a realidade brasileira, e as lutas sociais.  
Em dois dossiês demos destaque para a matriz teórica que fundamenta o Serviço Social  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 01-25, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Alexandra A. L. T. S. Eiras; Bruno Bruziguessi; Luciano Cardoso de Souza  
desde sua renovação crítica nos anos de 1980: o marxismo. Um deles voltado para a Teoria  
social de Marx (v. 24, n. 1), que contou com contribuições de autores que, partindo das obras  
de Marx, Engels e daqueles que deram continuidade e aprofundaram a tradição marxista,  
reforçam a “vitalidade de seu pensamento na produção acadêmica e sua enorme contribuição  
para compreender a realidade atual, nas diferentes esferas das relações sociais capitalistas”  
(Aquino et al., 2024, p. VIII). O outro abordou A influência do pensamento gramsciano no  
Serviço Social (v. 21, n. 1), destacando as contribuições de um dos principais pensadores  
marxistas do século XX, dos mais influentes no Serviço Social brasileiro, como destacaram  
Moljo, Arbia e Fortes (2021a, p. XII):  
No Serviço Social brasileiro a influência de Gramsci é inconteste. Sob o  
influxo do Movimento de Reconceituação Latino-americano, datado de 1965  
a 1975, é que o Serviço Social se aproxima do pensamento marxista, mesmo  
que de forma enviesada, mas será, sobretudo, a partir dos anos de 1980, que  
esta aproximação, amadurecerá e ganhará estatuto teórico. Como sinalizou  
Ivete Simionatto, desde final dos anos [19]70 o pensamento gramsciano terá  
grande influência no debate acadêmico e político. Adensa os debates na  
apreensão das dimensões da política, da cultura e da ideologia, por meio de  
categorias como Estado, sociedade civil, sociedade política, hegemonia,  
intelectuais, filosofia da práxis, classes subalternas, revolução passiva entre  
outras. É a partir da recuperação desses referenciais que o Serviço Social se  
interroga sobre questões relativas às instâncias estrutural e superestrutural  
[...].  
11  
No conjunto de temas que tangenciam o Serviço Social, no ano de comemoração do  
centenário de Paulo Freire, o dossiê Serviço Social, educação e universidade (v. 21, n. 2)  
levantou a questão: “a que e a quem serve a educação?” Resgatando as críticas de Freire à  
“educação bancária”, autoritária e voltada para a manutenção da ordem, o dossiê suscitou  
reflexões acerca da educação superior no Brasil e da dimensão socioeducativa da profissão,  
buscando “abrir espaço para artigos que tratassem da atuação profissional de assistentes sociais  
no sistema educacional, na docência, na produção do conhecimento, assim como para textos  
que se proponham a pensar criticamente os rumos da universidade no contexto atual” (Moljo;  
Arbia; Fortes, 2021b, p. XV).  
Para finalizar este eixo temático dos dossiês, destacamos a relação de um núcleo  
fundamental de elaborações que se encadeiam e perpassam o cerne do projeto profissional e  
pedagógico do Serviço Social brasileiro, que materializamos em 3 dossiês que abordaram: a  
questão social, Estado e democracia, e a realidade brasileira.  
Em primeiro lugar, o dossiê Serviço Social e questão social - novas e velhas expressões  
(v. 22, n. 2) voltou-se para a “questão social” e suas expressões, entendendo-a como elemento  
central do projeto e do trabalho profissional dos assistentes sociais. O dossiê destaca  
Libertas, 25 anos! Avanços, desafios e perspectivas  
o lugar heurístico que ocupa na construção dos saberes profissionais, sua  
posição  
estruturação  
basilar  
praticamente  
exigência  
transversal  
de  
na  
prévio  
curricular,  
a
seu  
(re)conhecimento, inclusive, antes mesmo da reflexão sobre as formas  
de intervenção – arquitetura compreensiva que ao menos procura nos colocar  
em uma posição distinta da de meros “administradores” das mazelas sociais  
ou simples executores terminais de políticas sociais (como advertiu Netto,  
2009)... São questões que atestam a dupla importância do tema para a  
profissão: a) sua admissão como parte da materialidade mesma das relações  
sociais burguesas e b) de sua compreensão na constituição da arquitetura de  
saberes da formação profissional (Fortes; Moljo; Arbia, 2022, p. XI).  
Destacando a agudização da crise contemporânea e, consequentemente, das  
contradições próprias da sociabilidade do capital, o dossiê procurou jogar luz sobre as “novas  
expressões, que trazem em seu âmago a ‘velha’ questão social” (Fortes; Moljo; Arbia, 2022, p.  
XVI) e os desafios postos à profissão.  
Na sequência, o dossiê Estado, Democracia e Serviço Social (v. 2023, n. 2) reuniu  
contribuições que tratam o contexto atual de profunda crise do capital e a relação entre Estado  
e Sociedade Civil, “expressando os desafios para a sustentação da democracia em face da luta  
entre projetos sociais antagônicos e as contribuições da profissão de Serviço Social nos  
processos de resistência” (Grossi; Aquino; Eiras, 2023, p. IX).  
Esse conjunto de contribuições deixa claro o método marxista de análise da realidade,  
que se mostra presente nos dossiês da Libertas, quando os textos apresentam-se entre  
elaborações que vão das questões estruturais da sociedade capitalista aos apontamentos mais  
aparentes, que demandam uma leitura “à quente” da conjuntura política, econômica e social,  
evidenciando reflexões que vão do universal ao particular.  
12  
No que tange ao dossiê Realidade brasileira e Serviço Social (v. 25, n. 1), a Libertas,  
em consonância com a profusão de contribuições e elaborações de estudiosos do Serviço Social  
e de áreas afins que recuperam as interpretações clássicas do Brasil para compreender os  
dilemas contemporâneos, decidiu abordar  
tanto os dilemas mais amplos da formação social brasileira e os debates em  
torno do pensamento social brasileiro, quanto os enfoques em especificidades  
da realidade social, tais como os aspectos econômicos, políticos, culturais,  
sociais e territoriais, [que] são sempre postos e repostos para estudo, análise e  
interpretação [...]. Os desafios postos na contemporaneidade são amplos e  
extrapolam a realidade nacional, basta pensar no contexto de crise mundial do  
capitalismo, na ofensiva ultraneolibreral, nos preceitos conservadores e  
fascistas que assombram o mundo; porém, tais questões podem se apresentar  
de formas particulares em uma sociedade como a brasileira, o que abre espaço  
para formulações para entender esta realidade e as possibilidades de lutas e  
resistências da classe trabalhadora (Bruziguessi et al., 2025, p. VIII).  
Fundamental destacar que todos esses dossiês, com maior ou menor enfoque, trataram  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 01-25, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Alexandra A. L. T. S. Eiras; Bruno Bruziguessi; Luciano Cardoso de Souza  
das lutas sociais como aspecto central para compreender as disputas em torno da educação  
brasileira; como elemento constitutivo da questão social; das inflexões entre Estado e sociedade  
civil e os dilemas da democracia; e as formas com que se configuram na particularidade  
histórica brasileira. Não limitado a tais dossiês, mas destacados neles, foram apresentadas as  
formas de resistência na contemporaneidade e os desafios às organizações dos trabalhadores.  
Em um terceiro bloco de dossiês, destacamos as abordagens que colocam o Serviço  
Social como objeto, seus fundamentos históricos, teórico-metodológicos e ético-políticos, bem  
como as configurações e disputas do Serviço Social internacional — e isso sem perder os nexos  
da totalidade social, o que poderia nos levar a uma análise endogenista da profissão.  
O dossiê Fundamentos históricos, teórico-metodológicos e ético-políticos do Serviço  
Social (v. 2025, n. 2) trouxe  
os fundamentos da profissão [que] incluem a produção de conhecimento  
caracterizada pelas pesquisas peculiares à área de Serviço Social, bem como  
a interlocução contínua com as áreas de ciências humanas e sociais. [...], nesta  
temática estão incluídos os estudos e pesquisas que tratam das dimensões  
teórico-metodológicas, ético-políticas e técnico-operativas do Serviço Social,  
além de produções que abordam as demandas e perfis dos sujeitos que utilizam  
os serviços sociais; as relações estabelecidas entre assistentes sociais e as  
lutas/movimentos sociais na mediação com as políticas sociais; e as formas de  
organização da profissão (Eiras; Bruziguessi; Souza, 2025, p. VIII).  
Já o dossiê Serviço Social internacional (v. 22, n. 1) trouxe um objeto atual de  
investimento por parte da profissão, capitaneado pelos organismos representativos da categoria  
e que vem provocando a formação de grupos de colaboração internacional em vários âmbitos:  
na construção de projetos de pesquisa em parceria com instituições de diferentes países; no  
intercâmbio de docentes e discentes em diferentes programas de pós-graduação; na realização  
de eventos científicos internacionais; nas trocas de experiências dos diferentes periódicos e  
publicações internacionais. Assim, esse número foi dedicado a uma área ainda pouco conhecida  
pelo Serviço Social brasileiro — o Serviço Social internacional — aproveitando o momento de  
“internacionalização do Serviço Social brasileiro, incentivado pela própria internacionalização  
das diversas ações de pós-graduação” (Moljo; Arbia; Fortes, 2022, p. XII) para dar visibilidade  
a experiências e tendências do Serviço Social no mundo, uma vez que ele se mostra  
13  
muito diferenciado entre si, não só no interior da América Latina, mas também  
na Europa ou nos Estados Unidos, nos países da África e da Ásia. Ainda pouco  
sabemos das experiências de formação e trabalho profissional do Serviço  
Social em países como Austrália; portanto, temos um importante caminho a  
percorrer e este número da Libertas, busca justamente apresentar, mesmo que  
de forma inicial esta diversidade (Moljo; Arbia; Fortes, 2022, p. XIV).  
Entendemos que houve uma vasta abordagem de temas nesse período em que a seção  
de dossiês temáticos foi implementada, o que pode ter sido um dos fatores para o aumento da  
Libertas, 25 anos! Avanços, desafios e perspectivas  
procura pela Libertas, tendo em vista o crescimento dos indicadores analisados na seção  
anterior.  
Temas que compõem os fundamentos da formação profissional, juntamente a outros  
diretamente ligados aos desafios contemporâneos, serviram de norte para as definições dos  
dossiês, o que vem se mostrando uma opção editorial exitosa no sentido de fortalecer as  
reflexões temáticas e, ao mesmo tempo, impulsionar a divulgação do conhecimento socializado  
pela revista.  
Quadro 2 Submissões e publicações de artigos nos dossiês temáticos.  
Ano  
Porcentagem de submissões para  
dossiê em relação ao total de  
submissões  
Número de publicações nos dossiês temáticos a  
partir do 2º número de 2020.  
1º semestre  
2º semestre  
Total  
-
2020  
2021  
2022  
2023  
2024  
2025  
17%  
26%  
7
7
10  
8
11  
8
21  
16  
18  
19  
31  
31,2%  
25,4%  
31,6%  
40,4%  
7
11  
8
11  
17  
14  
Fonte: Elaboração própria (2026).  
Os dados apresentados no Quadro 2 reforçam nossos apontamentos, tendo em vista um  
14  
índice relevante de submissões destinadas aos dossiês temáticos em relação ao número total de  
submissões, já que são feitos em um período determinado do ano — entre a publicação da  
chamada e o prazo final de submissões. Os índices variaram entre 25% e 31% no período de  
2021-2024, chegando a 40% em 2025, quando a revista chegou ao número de 31 artigos  
publicados nos dossiês.  
Os índices consideráveis de submissões de artigos para dossiê podem mostrar um  
interesse maior por parte dos pesquisadores pelas seções temáticas das revistas não só por  
tratarem assuntos atuais e latentes, mas também por darem uma maior visibilidade aos artigos  
sobre tais temas e seus autores, se tornando, consequentemente, uma fonte mais acessível para  
aqueles estudantes e pesquisadores que estão em busca de publicações específicas a respeito de  
determinada temática.  
Considerando somente os artigos de tema livre — que são submetidos em fluxo contínuo  
— publicados entre 2020-2025, fizemos um levantamento das temáticas abordadas e um  
enquadramento a partir dos Grupos Temáticos de Pesquisa (GTP’s) da ABEPSS2, tendo em  
2
“Organizando-se em torno de pesquisadores da área de Serviço Social e afins, os Grupos Temáticos de Pesquisa  
congregam pesquisadores para tratarem de temas de relevância social, constituindo-se em núcleos capazes de  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 01-25, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
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vista que eles servem de base para os eixos temáticos do Encontro Nacional de Pesquisa e  
Ensino em Serviço Social (ENPESS) e, por isso, entendemos que tais eixos compreendem a  
diversidade dos temas considerados relevantes pelo Serviço Social brasileiro em termos de  
ensino e pesquisa.  
Quadro 3 Temas dos artigos de fluxo contínuo.  
Eixo Tema  
Nº de  
artigos  
24  
1
2
3
4
5
6
Trabalho, Questão Social e Serviço Social  
Política Social e Serviço Social  
14  
25  
1
Serviço Social: Fundamentos, Formação e Trabalho Profissional  
Movimentos Sociais e Serviço Social  
Questão Agrária, Urbana, Ambiental e Serviço Social  
7
Serviço Social, Feminismos, Relações Étnico-Raciais, de Gênero, Sexualidades  
e Classe Social  
9
7
8
Ética, Direitos Humanos e Serviço Social  
5
7
Serviço Social, Geração e Classes Sociais  
Total  
92  
Fonte: Elaboração própria (2026).  
Este levantamento visa identificar os temas em fluxo contínuo mais recorrentes, o que  
pode representar as áreas temáticas mais pesquisadas, ou mesmo as que representam maior  
acúmulo no Serviço Social — mesmo que a revista não tenha contribuições somente de  
pesquisadores do Serviço Social, mas estes representam a maioria das submissões.  
Também é importante destacar que muitos artigos apresentam grande transversalidade  
de temas, que compreendem mais de um eixo temático indicado. Dessa forma, fizemos o  
enquadramento de acordo com o recorte do objeto de cada artigo.  
15  
Assim, destacamos o grande contingente de artigos nos eixos de Trabalho, Questão  
Social e Serviço Social e Serviço Social: Fundamentos, Formação e Trabalho Profissional,  
respectivamente com 24 e 25 artigos publicados. Não é surpresa essa constatação, pois esses  
dois eixos materializam os pressupostos da formação profissional em Serviço Social:  
1- O Serviço Social se particulariza nas relações sociais de produção e  
reprodução da vida social como uma profissão interventiva no âmbito da  
questão social, expressa pelas contradições do desenvolvimento do  
capitalismo monopolista. 2- A relação do Serviço Social com a questão social  
disseminar informações sobre temáticas específicas, promover debates fecundos sobre os temas de ponta do  
interesse profissional e das forças progressistas da sociedade. Promove, ainda, a integração entre a pesquisa  
desenvolvida nas unidades de formação acadêmicas (UFAs) e as linhas de pesquisa consideradas relevantes para  
a área, estimulando e fortalecendo as instâncias do debate sobre a política científica no país, ao lado e em  
articulação com outras associações científicas. Os Grupos Temáticos de Pesquisa, como o próprio nome já o indica,  
são formados por pesquisadores, Grupos, Núcleos, Redes da área e de áreas afins, para tratarem de temas de  
relevância social. Esses grupos têm vida própria e autonomia, mas estão vinculados organicamente à ABEPSS”  
(ABEPSS, 2025).  
Libertas, 25 anos! Avanços, desafios e perspectivas  
- fundamento básico de sua existência - é mediatizada por um conjunto de  
processos sócio-históricos e teórico-metodológicos constitutivos de seu  
processo de trabalho (ABESS/CEDEPSS, 1997, p. 60).  
O eixo Política Social e Serviço Social também se mostra fundamental, por tratar das  
políticas sociais e dos meios para a intervenção do trabalho profissional, como posto no mesmo  
documento que estabelece as diretrizes básicas para os cursos de Serviço Social: “4- O processo  
de trabalho do Serviço Social é determinado pelas configurações estruturais e conjunturais da  
questão social e pelas formas históricas de seu enfrentamento, permeadas pela ação dos  
trabalhadores, do capital e do Estado, através das políticas e lutas sociais”  
(ABESS/CEDEPSS, 1997, p. 60-61, grifo nosso).  
Porém, mais do que os outros dois supracitados, o eixo Política Social e Serviço Social  
apresenta maior diversidade no alcance, já que é definido pelo público alvo ou pela área de  
inserção profissional. Como a escolha metodológica de enquadramento foi pelo recorte  
específico do objeto, os estudos que tratam de políticas voltadas para meio ambiente, com  
recortes urbanos ou rurais (territoriais) foram alocados no eixo 5; já as políticas com recorte de  
gênero, étnico-racial, diversidade sexual foram alocados no eixo 6; e os estudos em que as  
políticas dão enfoque a crianças, adolescentes, jovens, idosos, foram alocados no eixo 8.  
Outro ponto que destacamos é o baixo número de publicações no eixo Movimentos  
Sociais e Serviço Social, com somente 1 artigo que possui o estudo dos movimentos e lutas  
sociais como objeto de pesquisa. Se, por um lado, isso pode significar que o estudo das formas  
de luta e organização dos trabalhadores vem sendo pouco pesquisados no Serviço Social, por  
outro é possível argumentar que esse se trata de tema transversal, que se apresenta como  
fundamento da questão social e, consequentemente, de toda a dinâmica societária.  
Dentro disso, voltamos a afirmar que as lutas e movimentos sociais — expressos nas  
diversas formas de resistência, revolta e organização dos trabalhadores — aparecem como  
elemento constitutivo nos diferentes eixos temáticos, como já havíamos afirmado em relação  
aos trabalhos publicados nos dossiês e, por isso, podem não despontar como objeto específico  
dos estudos, mas se mostram frequentemente presentes nos artigos. Como fizemos em relação  
aos trabalhos que tratam das políticas sociais, aqueles que tratam das lutas e formas de  
resistência em recortes específicos, foram enquadrados em outros eixos temáticos3.  
Reforçamos esse apontamento com citação retirada do documento das diretrizes gerais  
para os cursos de Serviço Social:  
16  
3
Destacamos ser necessário um estudo mais apurado dos artigos que abordam as temáticas “políticas sociais” e  
“movimentos sociais”, tendo em vista o enquadramento dado neste artigo, que nem de longe poderia contemplar  
tais especificidades, uma vez que são temas fundamentais para a formação profissional do Serviço Social.  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 01-25, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Alexandra A. L. T. S. Eiras; Bruno Bruziguessi; Luciano Cardoso de Souza  
3- O agravamento da questão social em face das particularidades do processo  
de reestruturação produtiva no Brasil, nos marcos da ideologia neoliberal,  
determina uma inflexão no campo profissional do Serviço Social. Esta  
inflexão é resultante de novas requisições postas pelo reordenamento do  
capital e do trabalho, pela reforma do Estado e pelo movimento de  
organização das classes trabalhadoras, com amplas repercussões no  
mercado profissional de trabalho. 4- O processo de trabalho do Serviço Social  
é determinado pelas configurações estruturais e conjunturais da questão social  
e pelas formas históricas de seu enfrentamento, permeadas pela ação dos  
trabalhadores, do capital e do Estado, através das políticas e lutas sociais”  
(ABESS/CEDEPSS, 1997, p. 60-61, grifo nosso).  
Além dos artigos de dossiês e de tema livre, a Libertas se dedica à publicação de  
trabalhos em outros formatos, como relato de experiência, entrevista, tradução e resenha.  
No período de 2020 a 2025 a revista realizou esforços para a manutenção desses formatos,  
tendo publicado entrevistas em todos os doze últimos números, e traduções em pelo menos um  
número por ano durante esse período, como mostra o Quadro 4.  
Quadro 4 - Diversidade de formatos de publicações.  
Ano Resenha Relato de experiência Entrevista Tradução  
2020  
2021  
2022  
2023  
2024  
2025  
2
2
2
2
2
2
2
2
2
2
1
1
1
1
1
17  
2
Fonte: Elaboração própria (2026).  
Embora as modalidades de resenha, tradução e relato de experiência se apresentem  
como possibilidades de publicação, juntamente com os artigos de dossiê e tema livre,  
verificamos que o volume de submissões para esses formatos é nitidamente menor. Inferimos  
que isso possa acontecer em virtude dos mecanismos de pontuação de produção acadêmica que  
privilegiam os artigos, considerando a vinculação de sua autoria, em sua grande maioria, aos  
programas de pós-graduação, que são avaliados pela CAPES. Diante disso, indagamos se os  
relatos de experiência são preteridos apenas por esse motivo ou se simplesmente não são  
considerados para publicação em periódicos na área de Serviço Social. Se a resposta for  
afirmativa, isso nos leva a supor que a sistematização do trabalho profissional também não é  
considerada como possibilidade para publicação por assistentes sociais que não se encontram  
na pós-graduação, restringindo a sua presença a trabalhos publicados em anais de eventos, como  
o Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais (CBAS). Ainda assim, foram realizadas  
publicações significativas nessas seções entre 2020 e 2025.  
Destacamos o esforço de internacionalização da Libertas, em consonância com o  
Libertas, 25 anos! Avanços, desafios e perspectivas  
Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFJF, no sentido de fomentar a articulação  
e a realização de pesquisas no âmbito internacional, assim como a socialização das produções  
acadêmicas em diferentes países. A promoção periódica do SEMINTSS (Seminário  
Internacional da Faculdade de Serviço Social) tem impulsionado a interlocução e a divulgação  
das pesquisas internacionais realizadas com a participação de docentes da Faculdade de Serviço  
Social, privilegiando a interlocução latino-americana, mas também estabelecendo conexões  
com países europeus, dos quais destacam-se Portugal, Espanha e Itália. As parcerias decorrem  
de iniciativas diversas promovidas por pesquisadores da Faculdade de Serviço Social ou  
impulsionadas pela UFJF e implicam investigações em diferentes campos temáticos com os  
quais o Serviço Social estabelece interlocução.  
Um aspecto interessante acerca do processo de internacionalização da Libertas está no  
fato de que ele vem ocorrendo em grande medida através do diálogo com países da América  
Latina, da Península Ibérica e outras nações de língua portuguesa. Entre 2020 e 2025, observa-  
se a presença crescente de autores e temas vinculados à Argentina, Chile, Costa Rica, Cuba,  
Colômbia, Espanha, Portugal, Itália eAngola, evidenciando um percurso de internacionalização  
mais voltado para a construção de redes de intercâmbio Sul-Sul e ibero-americanas. Esse  
crescimento explicita a maior visibilidade e relevância da revista em âmbito internacional, o  
que pode ser atribuído à participação de docentes da FSS/UFJF, sobretudo aqueles vinculados  
ao PPG, em pesquisas internacionais e intercâmbios com cursos de Serviço Social de outros  
países. No entanto, apesar de significativo, esse crescimento é ainda discreto em números  
absolutos, de maneira que a internacionalização se apresenta como um dos grandes desafios a  
ser enfrentado pela Libertas nos próximos anos, como veremos a seguir.  
18  
Desafios e perspectivas  
Em seu aniversário de 25 anos, a Libertas se depara com desafios que extrapolam a  
dimensão editorial (como a ampliação de sua indexação em novas bases de dados, por exemplo)  
e que refletem não só os reveses da produção científica no âmbito internacional, como também  
as tensões contemporâneas próprias da universidade pública brasileira.  
Na esfera nacional, a Libertas enfrenta o desafio de fortalecer a sua atuação enquanto  
um espaço aberto de produção e difusão do pensamento crítico em um contexto marcado pela  
crescente precarização do trabalho acadêmico e pela fragilização das condições de pesquisa nas  
universidades públicas brasileiras. Os significativos cortes orçamentários destinados à  
educação e à pesquisa, aliados à escassez de recursos para a editoração científica e à  
intensificação das exigências produtivistas de publicação (que sobrecarregam pesquisadores e  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 01-25, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Alexandra A. L. T. S. Eiras; Bruno Bruziguessi; Luciano Cardoso de Souza  
docentes), têm produzido um ambiente cada vez menos favorável à reflexão aprofundada e à  
construção coletiva do conhecimento nas instituições de ensino superior do Brasil.  
Diante de um cenário como esse, sustentar um periódico qualificado de acesso aberto  
— que não cobra quaisquer taxas de autores ou leitores — se torna um grande desafio, visto  
que a sua manutenção exige investimentos recorrentes em infraestrutura tecnológica,  
preservação de acervos, formação de equipes especializadas e qualificação editorial. Se  
levarmos em conta que tanto a revisão por pares quanto o trabalho desenvolvido pelos editores  
de periódicos de instituições públicas não são remunerados e que, além disso, tais atividades  
são realizadas por equipes muito pequenas, cujos membros ainda acumulam outras funções  
institucionais, é possível ter uma noção das dificuldades enfrentadas por aqueles que se dedicam  
à produção e à divulgação científica no Brasil.  
Tais dificuldades se apresentam, inclusive, como obstáculos substanciais para a  
consolidação das práticas de Ciência Aberta4 recomendadas pela UNESCO (2021), práticas que  
se mostram fundamentais para a democratização da pesquisa e para a ampliação do diálogo  
entre universidade e sociedade. Uma vez que o acesso livre ao conhecimento vem se tornando  
cada vez mais valorizado, as revistas científicas precisam encontrar formas de garantir a  
publicização da pesquisa científica sem comprometer a sustentabilidade de sua qualidade  
editorial. Para uma revista vinculada a uma universidade pública, como é o caso da Libertas, o  
desafio consiste em assegurar a continuidade de um modelo de acesso gratuito e universal ao  
conhecimento, reafirmando a ciência como um bem público e não como mercadoria.  
Nas últimas décadas a mercantilização do conhecimento vem tomando proporções cada  
vez maiores graças ao avanço da tecnologia digital, que determinou o início da fragmentação  
das infraestruturas acadêmicas tradicionais, condenando o modelo baseado em materiais  
impressos, bibliotecas e acervos físicos. Como resultado, esse processo tem levado à  
plataformização da ciência (Silva Neto; Chiarini, 2022), fazendo com que diferentes grupos  
empresariais vinculados à editoração e à disseminação de conhecimento científico lutem pela  
sua apropriação, visando o lucro.  
19  
Essa transição, segundo Walter e Mullins (2019), vem determinando um retrocesso no  
interior da comunidade científica, uma vez que muitas editoras que inicialmente atuavam como  
4
“A Ciência Aberta (Open Science) é um conjunto de princípios e práticas que visam ao acesso imediato e  
permanente, pela comunidade acadêmica e pela sociedade, ao conhecimento produzido por meio da pesquisa, de  
modo a promover uma ciência transparente, confiável, reprodutível e acessível. Seu principal mecanismo é o  
compartilhamento de dados, métodos, publicações, códigos, recursos educacionais, entre outros aspectos,  
estabelecendo um circuito aberto no qual todas as etapas da pesquisa podem ser verificáveis e reprodutíveis, a  
qualquer momento” (Goldman et al., 2026, p. 6).  
Libertas, 25 anos! Avanços, desafios e perspectivas  
parceiras da comunidade acadêmica — disseminando os seus estudos — se transformaram em  
instituições lucrativas que regulam o acesso ao conhecimento científico através da cobrança de  
taxas exorbitantes. Tal conjuntura tem levado à limitação da atuação dos próprios pesquisadores  
e ao estabelecimento de relações parasitárias entre as editoras e aqueles que produzem  
conhecimento (Walter; Mullins, 2019), gerando novas formas de dependência institucional que  
subordinam pesquisadores, periódicos, universidades e até mesmo Estados, a interesses  
privados. Para se ter uma ideia, de 2026 a 2028, o governo brasileiro vai gastar quase 153  
milhões de dólares (cerca de 823 milhões de reais) com a assinatura de licença para acessar a  
base de dados somente da Elsevier (Brasil, 2025), levando o país a pagar para divulgar e ter  
acesso aos resultados de pesquisas que ele mesmo financiou.  
Assim, o desafio enfrentado pelos periódicos acadêmicos consiste em equilibrar a sua  
inserção nos circuitos internacionais de divulgação científica com a preservação de sua  
independência editorial e intelectual. Para a Libertas, isso significa buscar reconhecimento e  
visibilidade sem abrir mão de seu compromisso histórico com a universidade pública, com a  
circulação gratuita do conhecimento e com a construção de agendas de pesquisa que não sejam  
orientadas por critérios mercadológicos, que tendem a reduzir a atividade científica a  
indicadores de produtividade e desempenho.  
Associado a esse processo encontra-se o desafio da internacionalização, já que a pressão  
por sua viabilização tem sido exercida no sentido de realizar publicações em inglês, integrar  
indexadores internacionais e galgar posições em rankings de prestígio científico, determinados  
por índices cientométricos controlados por empresas associadas às grandes editoras  
internacionais privadas (Pompeia, 2025). Embora a ampliação do diálogo com pesquisadores e  
instituições internacionais seja fundamental para fortalecer a circulação da ciência brasileira,  
esse movimento não pode significar a subordinação de sua produção às agendas temáticas,  
epistemológicas, metodológicas e linguísticas estrangeiras, muitas vezes atreladas a modelos  
hegemônicos de produção científica centrados em perspectivas eurocêntricas e norte-  
americanas.  
20  
A internacionalização precisa ocorrer de forma crítica, fortalecendo as interlocuções  
Sul-Sul, ampliando os diálogos latino-americanos, abordando aspectos sociais, raciais,  
ambientais, de gênero e de território, e valorizando perspectivas historicamente alijadas a partir  
de uma postura crítico-dialética, característica do Serviço Social brasileiro. Além disso, é  
preciso ressaltar que a internacionalização exige um investimento maior de recursos, já que a  
publicação de artigos em outros idiomas demanda custos elevados de tradução. Nesse sentido,  
o desafio enfrentado pela Libertas é duplo, pois além de buscar atrair publicações e diálogos  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 01-25, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Alexandra A. L. T. S. Eiras; Bruno Bruziguessi; Luciano Cardoso de Souza  
com a América Latina e demais continentes, sem se conformar a parâmetros externos, a revista  
é estimulada a se tornar bilíngue ou trilíngue sem possuir os recursos necessários para arcar  
com as traduções especializadas e demais exigências que tal processo requer.  
Nesse cenário, no qual a mercantilização do conhecimento alia-se ao movimento de  
internacionalização e à crescente pressão para a publicação em periódicos de “alto impacto”, o  
uso de ferramentas digitais baseadas em inteligência artificial generativa tem sido cada vez mais  
recorrente5. Anova geração de grandes modelos de linguagem (LLMs) como ChatGPT, Gemini,  
Claude, entre outros, possui capacidades surpreendentes para a geração de textos, sendo  
utilizados para escrever artigos, propostas de financiamento, relatórios de revisão por pares,  
realizar revisões de literatura (Chawla, 2024; Donker, 2023; Nordling, 2023) e auxiliar em  
diferentes processos editoriais (Miola et al., 2025). Apesar de tais tecnologias oferecerem  
possibilidades positivas para a pesquisa acadêmica — inclusive para a sua democratização —,  
o seu uso indiscriminado e acrítico tem levantado questões preocupantes relacionadas à autoria,  
ao plágio, à transparência metodológica e à integridade científica de muitos estudos publicados  
nos últimos anos. De acordo com França e Monserrat (2024, p. 7, tradução nossa), “esses são  
desafios assustadores, e superá-los requer nada menos que uma revolução cultural dentro da  
ciência”6.  
Diante disso, a Libertas precisará estar a par dos debates sobre o uso pertinente dessas  
tecnologias, apoiando a elaboração de critérios e diretrizes que permitam incorporar inovações  
tecnológicas à atividade acadêmico-científica sem comprometer os princípios éticos que a  
sustentam. Desse modo, o desafio não está apenas em regular o uso dessas ferramentas, mas  
sobretudo em colaborar para a reflexão crítica acerca dos seus impactos na produção do  
conhecimento e nas relações de trabalho que estruturam a comunidade científica.  
21  
Nesse ponto, destaca-se a importância da formação adequada das novas gerações de  
pesquisadores, algo que se apresenta como um dos grandes desafios e, ao mesmo tempo, uma  
das maiores responsabilidades da Libertas. Ao longo de sua história, a revista consolidou-se  
como um espaço de divulgação de trabalhos realizados por pesquisadores experientes e  
emergentes, viabilizando a participação de jovens pesquisadores no debate acadêmico,  
contribuindo para a formação de estudantes de graduação e pós-graduação no campo da  
pesquisa. Face a um contexto marcado por incertezas quanto ao financiamento da produção  
5
Dados referentes ao aumento do uso de IA na produção científica estão disponíveis em Hrycyshyn e Eassom  
(2025) e Kusumegi et al. (2025).  
6 No original: “These are daunting challenges, and overcoming them requires nothing short of a cultural revolution  
within science.”  
Libertas, 25 anos! Avanços, desafios e perspectivas  
científica e à valorização da carreira acadêmica — um cenário no qual a desinformação, o  
negacionismo e o conservadorismo atacam violentamente a credibilidade da ciência e da  
universidade pública —, esse papel formativo torna-se ainda mais importante. Por isso, a  
Libertas se compromete a dar continuidade a esse trabalho fundamental, garantindo espaços de  
divulgação e debate também para novos autores.  
Em conjunto, esses desafios demonstram que o futuro da Libertas não depende apenas  
de sua capacidade de ampliação internacional ou de adaptação às mudanças institucionais,  
econômicas e tecnológicas contemporâneas, mas da preservação de seu compromisso histórico  
com a universidade pública, a produção científica crítica, a democratização do conhecimento e,  
principalmente, com a defesa de uma formação cuja finalidade última é a emancipação humana.  
Ao completar seus 25 anos, a Libertas não celebra apenas uma história de realizações e  
conquistas, mas procura reafirmar a sua presença não somente enquanto um periódico de  
divulgação científica, mas como um espaço de resistência e de construção coletiva do  
conhecimento.  
(Co)memorando  
Ao finalizar este texto queremos deixar um breve registro-testemunho desta trajetória  
da Libertas. Vimos ela nascer em 2001 quando a Faculdade de Serviço Social havia decidido –  
estrategicamente – dedicar-se à qualificação do corpo docente para a pesquisa acadêmica. As  
páginas da Libertas registraram várias dessas contribuições teórico-acadêmicas. Houve  
momentos de estagnação e quase desistência sobre a continuidade da revista. Ali, foi necessário  
persistir e “correr atrás” dos prejuízos, atualizar os números e manter a perspectiva de sua  
existência. As decisões sobre os rumos da Libertas foram muito importantes para a sua  
trajetória, dentre as quais destaca-se a migração para o mundo digital por meio da plataforma  
OJS. Embora muitas das condições estruturais tenham se apresentado como obstáculos difíceis,  
houve o desejo e a firme dedicação de muitas pessoas para superá-los, o que veio a permitir a  
continuidade e o sucesso desse trabalho.  
22  
Este é o momento de agradecer a todas as pessoas que contribuíram para que  
chegássemos até o presente patamar: integrantes das comissões editoriais, profissionais  
técnicos-administrativos, autores, revisores, pareceristas — que desempenham um papel  
essencial para a qualificação das publicações realizadas pela Libertas — e, finalmente, o  
público leitor.  
Com vocês, celebramos essa trajetória!  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 01-25, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Alexandra A. L. T. S. Eiras; Bruno Bruziguessi; Luciano Cardoso de Souza  
Equipe Editorial Libertas (2001-2026):  
Alexandra A. L T. S. Eiras  
Alexandre Aranha Arbia  
Auta Iselina Stephan de Souza  
Bruno Bruziguessi Bueno  
Carina Berta Moljo  
Édina E. C. M. Souza  
Ednéia Alves de Oliveira  
Elizete Menegat  
Hernán A. Mamani  
Isaura G. C. Aquino  
Joseane Barbosa Lima  
Lêda Maria Leal Oliveira  
Leila Baumgratz Delgado  
Luciano Cardoso de Souza  
Lysle Avelar  
Márcio Henrique de Oliveira  
Maria Aparecida Tardin Cassab  
Maria Lúcia Duriguetto  
Marina Barbosa Pinto  
Marilda A. Bechtluffit  
Mônica Aparecida Grossi  
Ronaldo Vielmi Fortes  
Sandra Hallack Arbex  
23  
Referências  
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