Situação vacinal contra hepatite B entre docentes da faculdade de medicina de uma universidade pública federal

  • Mauro Toledo Sirimarco Departamento de Cirurgia, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil
  • Laura Melo Werneck de Toledo Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil
  • Bernardo Salvador Côrtes Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil
Palavras-chave: Hepatite B, Vacinação, Pessoal de Saúde, Docentes de Medicina

Resumo

Introdução: Os profissionais da área de saúde estão submetidos a uma série de riscos ocupacionais em seu ambiente de trabalho, incluindo os acidentes com material biológico, os quais estão associados com a transmissão de diversas doenças infecciosas, como a hepatite B. O conhecimento sobre a importância da vacinação e a adoção de medidas universais de biossegurança são ferramentas fundamentais para a prevenção da doença. Objetivo: Identificar a situação vacinal contra hepatite B e a exposição a material potencialmente infectado em docentes da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Materiais e Métodos: Trata-se de um estudo transversal exploratório descritivo (n=132 docentes). Foram aplicados questionários padronizados, acompanhados do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido em duas vias. Resultados: Cento e vinte docentes (90,9%) receberam a vacinação contra hepatite B, dos quais sete (5,8%) tomaram apenas uma dose, dezenove (15,8%) tomaram duas doses e noventa e quatro (78,3%) receberam as três doses necessárias. Daqueles que tomaram as três doses, sessenta e três entrevistados (67%) realizaram o teste anti-HBs para se certificarem da resposta vacinal. Oitenta e nove (67,4%) declararam já terem sido expostos a material potencialmente infectado alguma vez na vida. Destes, setenta e quatro profissionais (83,1%) referiram terem tomado as devidas providências para evitar a infecção por possíveis patógenos. Setenta e dois (54,5%) afirmaram estarem expostos a material contaminado ou com risco de infecção pela hepatite B de maneira frequente, sendo vinte e um (29,2%) diariamente, trinta e cinco (48,6%) semanalmente e dezesseis (22,2%) alegaram ter contato com esse tipo de material mensalmente. Conclusão: Com o presente estudo, foi possível enfatizar a importância do conhecimento do risco de infecção no esclarecimento dos benefícios da vacinação contra hepatite B.

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Publicado
2020-05-18
Como Citar
1.
Toledo Sirimarco M, Melo Werneck de Toledo L, Salvador Côrtes B. Situação vacinal contra hepatite B entre docentes da faculdade de medicina de uma universidade pública federal. hu rev [Internet]. 18º de maio de 2020 [citado 14º de agosto de 2020];460:1-. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/hurevista/article/view/28785
Seção
Artigos Originais