Avaliação do medo de cair e da velocidade da marcha em idosos residentes em uma instituição de longa permanência: relato de experiência

  • Gláucia Cópio Vieira Hospital Universitário de Juiz de Fora https://orcid.org/0000-0002-3089-3968
  • Gabriela Valentim Cardoso Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto com Ênfase em Doenças Crônico-degenerativas, Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF/EBSERH), Brasil
  • Ariane Aparecida Almeida Barros Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto com Ênfase em Doenças Crônico-degenerativas, Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF/EBSERH), Brasil
  • Ana Caroline Muzi Cunha Faculdade de Fisioterapia da Universidade Federal de Juiz de Fora (FACFISIO-UFJF), Brasil
  • Ana Carolina Machado Delgado Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto com Ênfase em Doenças Crônico-degenerativas, Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF/EBSERH), Brasil
Palavras-chave: Medo, Marcha, Idoso, Acidentes por Quedas

Resumo

Introdução: Alguns instrumentos foram desenvolvidos para mensurar o medo de quedas, sendo a Falls Efficacy Scale International (FES-I) o mais conhecido e utilizado. O teste de velocidade da marcha também tem sido bastante utilizado nesse contexto visto que permite reconhecer alterações na marcha e déficits de equilíbrio que estão intimamente ligados ao medo de cair e ao risco de quedas. Objetivo: discutir como o uso de instrumentos de avaliação simples e de baixo custo podem contribuir para verificação do medo de cair e do risco de quedas em idosos institucionalizados. Relato de Experiência: A experiência é fruto do Projeto de Ação Voluntária desenvolvido como parte do evento “EBSERH Solidária” promovido pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH). O Lar de Idosos “Santa Luiza de Marillac”, beneficiado pela ação, é uma instituição de longa permanência localizada no município de Juiz de Fora, Minas Gerais. Durante a ação, a equipe de Fisioterapia avaliou o histórico de quedas no último ano e fatores associados e o medo de cair por meio do questionário FES-I. Foi realizado também o teste de velocidade da marcha para verificar a mobilidade dos idosos e o risco para quedas. Metade dos idosos avaliados referiu ter sofrido pelo menos uma queda no último ano. Pelos escores finais do questionário FES-I (29±8,3 pontos) foi possível perceber que os idosos mostravam-se muito preocupados com a possibilidade de cair. No teste de velocidade da marcha os idosos obtiveram escores intermediários (0,71 ± 0,23 m/s). Após as avaliações os fisioterapeutas orientaram os pacientes conforme as suas necessidades individuais e cada idoso recebeu uma cartilha com orientações específicas para prevenção de quedas. Conclusão: Ações como a mencionada neste trabalho se tornam importantes na identificação do risco de quedas em idosos institucionalizados, podendo assim contribuir para elaboração de estratégias e condutas que visem minimizar a ocorrência deste evento.

Biografia do Autor

Gláucia Cópio Vieira, Hospital Universitário de Juiz de Fora

Fisioterapeuta do Hospital Universitário de Juiz de Fora/ Ebserh. Pós Graduada em Fisioterapia Pneumofuncional e Saúde Coletiva. Pós Graduanda em Preceptoria em Saúde .

Atua em Fisioterapia Geriátrica no Setor de Reabilitação do HU UFJF, profissional do Ambulatório Multiprofissional de Geriatria do HU UFJF, Preceptora dos alunos do curso de fisioterapia da Universidade Federal de Juiz de Fora e Preceptora do Ambulatório Multiprofissional de Dor do HU UFJF.

Possui experiência de 17 anos no atendimento de portadores de HIV/AIDS e em Instituições de Longa Permanência na cidade de Volta Redonda.

 

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Publicado
2019-11-07
Como Citar
Vieira, G. C., Valentim Cardoso, G., Aparecida Almeida Barros, A., Caroline Muzi Cunha, A., & Machado Delgado, A. C. (2019). Avaliação do medo de cair e da velocidade da marcha em idosos residentes em uma instituição de longa permanência: relato de experiência . HU Revista, 45(2), 227-230. https://doi.org/10.34019/1982-8047.2019.v45.25920
Seção
Relato de Experiência