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            <journal-title>Psicologia em Pesquisa</journal-title>
            <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Psicol. pesq.</abbrev-journal-title>
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         <issn pub-type="epub">1982-1247</issn>
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            <publisher-name>Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFJF</publisher-name>
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         <article-id pub-id-type="doi">10.34019/1982-1247.2025.v20.44600</article-id>
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            <article-title>Violência Psicológica em Relacionamentos Hétero-Cis: Implicações na Saúde Mental das Mulheres</article-title>
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               <trans-title>Psychological Violence in Heterosexual-Cisgender Relationships: Implications for Women’s Mental Health</trans-title>
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               <trans-title>Violencia Psicológica en Relaciones Hetero-Cis: Implicaciones para la Salud Mental de las Mujeres</trans-title>
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                  <sup>1</sup>
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                  <surname>Lima</surname>
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                  <sup>2</sup>
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            <institution content-type="original">Universidade do Estado de Minas Gerais. E-mail: diegopsicologia@yahoo.com.br.</institution>
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         <author-notes>
            <corresp id="c1">Informações do Artigo:
Júlia Gabriela Antunes Fonseca 
<email>psijuliagfonseca@gmail.com</email>
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         </author-notes>
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            <year>2026</year>
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         <abstract>
            <title>RESUMO</title>
            <bold> </bold>
            <p>A violência psicológica por parceiros íntimos contra as mulheres proporciona impactos na saúde mental. Investigou-se, mediante a escalas, a violência psicológica, autoestima, depressão, ansiedade e o estresse de mulheres-cis brasileiras que se relacionaram com um homem-cis por no mínimo seis meses. Os resultados indicaram que mulheres que não estavam em um relacionamento obtiveram escores significativamente mais elevados do que aquelas que estavam com um parceiro em relação à média de Violência Psicológica direta e indireta e de Autoestima. Evidenciam-se impactos na saúde mental das mulheres e considera fundamental estratégias de divulgação de informação e acompanhamento jurídico e psicológico.</p>
         </abstract>
         <trans-abstract xml:lang="en">
            <title>ABSTRACT</title>
            <bold> </bold>
            <p>Psychological violence by intimate partners against women impacts mental health. Psychological violence, self-esteem, depression, anxiety and stress among Brazilian cis women who bad a relationship with a cis man for at least six months were investigated using scales. The results indicated that women who were not in a relationship obtained significantly higher scores than those who were with a partner regarding the mean levels of direct and indirect Psychological Violence and Self-Esteem. There are evident impacts on women’s mental health, and strategies for disseminating information and legal psychological support are considered essential.</p>
         </trans-abstract>
         <trans-abstract xml:lang="es">
            <title>RESUMEN</title>
            <bold> </bold>
            <p>La violencia psicológica por parte de parejas íntimas contra las mujeres impacta la salud mental. Se investigaron, mediante escalas, la violencia psicológica, la autoestima, la depresión, la ansiedad y el estrés de mujeres cis brasileñas que mantuvieron una relación con un hombre cis durante al menos seis meses. Los resultados indicaron que las mujeres que no estaban en pareja obtuvieron puntuaciones significativamente más altas que las que estaban en pareja con relación al promedio de Violencia Psicológica directa e indirecta y autoestima. Hay impactos evidentes en la salud mental de las mujeres y se consideran esenciales estrategias de difusión de información y apoyo legal y psicológico.</p>
         </trans-abstract>
         <kwd-group xml:lang="pt">
            <title>PALAVRAS-CHAVE:</title>
            <kwd>Violência psicológica</kwd>
            <kwd>Autoestima</kwd>
            <kwd>Saúde mental</kwd>
            <kwd>Mulheres</kwd>
         </kwd-group>
         <kwd-group xml:lang="en">
            <title>KEYWORDS:</title>
            <kwd>Psychological violence</kwd>
            <kwd>Self-Esteem</kwd>
            <kwd>Mental health</kwd>
            <kwd>Women</kwd>
         </kwd-group>
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            <title>PALABRAS CLAVE:</title>
            <kwd>Violencia psicológica</kwd>
            <kwd>Autoestima</kwd>
            <kwd>Salud mental</kwd>
            <kwd>Mujeres</kwd>
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      <p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B19">Nicolodi e Hunziker (2021</xref>), o patriarcado pode ser compreendido enquanto um conjunto de regras e contingências sociais que oferecem aos homens considerável domínio sobre os reforçadores e punidores sociais, isto é, poder. Dessa forma, percebe-se relevantes prejuízos para as mulheres e consequências como opressão, exploração, estupros e feminicídios. Assim, torna-se importante compreender a desigualdade de gênero no aspecto de sua associação com a violência, considerando a posição desigual das mulheres nas relações e na sociedade, bem como o uso normativo da violência para resolução de conflitos, que podem ser apresentados como importantes fatores de risco <xref ref-type="bibr" rid="B31">(World Health Organization, 2010)</xref>.</p>
      <p>Nesse sentido, <xref ref-type="bibr" rid="B10">Hooks (1952/2020)</xref> considera a violência patriarcal enquanto uma aceitação de que um indivíduo mais poderoso possa controlar outra pessoa mediante a diversas forças coercitivas, estando intimamente relacionada ao pensamento sexista e à dominação masculina. Desse modo, nesse tipo de cultura, as pessoas podem ser socializadas para que a violência seja reconhecida como meio aceitável de controle social. Por conseguinte, o sexismo continua a apoiar a dominação masculina e a consequente violência contra as mulheres.</p>
      <p>Diante desse cenário, é imprescindível considerar a violência de gênero enquanto uma realidade do mundo e do Brasil. Destaca-se, em território brasileiro, a lei <xref ref-type="bibr" rid="B15">11.340 (Lei Maria da Penha)</xref>, a qual protege mulheres em situação de violência doméstica em diferentes espaços de convivência esem necessariamente conviver, sendo considerados os abusos físico, psicológico, sexual, patrimonial e moral. Apesar de ser considerada a maior conquista alcançada na luta feminista e garantir proteção e assistência às mulheres, muitas delas ainda se silenciam e são silenciadas diante dos abusos sofridos (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Souza et al., 2020</xref>).</p>
      <p>No cenário global, evidencia-se que 38% dos homicídios de mulheres são devido à violência conjugal <xref ref-type="bibr" rid="B30">(World Health Organization, 2013)</xref> e que, em 2019, aproximadamente 243 milhões de mulheres passaram por violência sexual, física ou psicológica, causada por um parceiro íntimo <xref ref-type="bibr" rid="B20">(ONU Mulheres, 2020)</xref> 
         <xref ref-type="bibr" rid="B29">.</xref>Nesse sentido, uma pesquisa realizada pelo DataFolha e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública <xref ref-type="bibr" rid="B6">([FBSP], 2021</xref>), durante a pandemia da COVID-19, demonstrou que o tipo de violência mais frequentemente relatado foi a ofensa verbal, como insultos e xingamentos, da qual cerca de 13 milhões de brasileiras relataram ter vivenciado. Verificou-se também que violências físicas, que acometeram 4,3 milhões de mulheres, consideradas mais graves implicam em maior busca pelas instituições oficiais, enquanto apenas 25,4% das vítimas de ofensas verbais buscaram um órgão oficial.</p>
      <p>Diante disso, considera-se a presença dos relacionamentos abusivos entre homens e mulheres, os quais são fundamentados em uma discrepância de poder de uma pessoa em relação à outra, isto é, desigualdade (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Nicolodi &amp; Hunziker,  2021</xref>). Assim, os abusos mantêm a relação de poder entre a pessoa que abusa e aquela que é abusada, podendo ser, principalmente, físicos, psicológicos e sexuais (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Barreto, 2018</xref>). Também podem ser considerados outros tipos de abuso, tais como financeiro, patrimonial, tecnológico, intelectual etc. (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Adams et al., 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B24">Rehman &amp; Qureshi, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B25">Rogers et al., 2022</xref>).</p>
      <p>Dentre esses tipos, o abuso psicológico contra as mulheres configura-se como uma violência hierarquicamente construída por meio das relações de poder mediante a subordinação da mulher ao homem, podendo ser a mais difícil de ser identificada apesar de bastante frequente (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Paiva et al., 2020</xref>). Essa violência pode ser compreendida como toda ação ou omissão que causa ou visa causar dano à autoestima, à identidade ou ao desenvolvimento da pessoa, tais como ameaças, humilhações, chantagem, cobranças de comportamento, discriminação, exploração e/ou isolamento (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Silva et al., 2007</xref>). Dessa forma, compreende-se como violência psicológica direta aquela sofrida de forma direcionada e objetiva para fazer com que a mulher se sinta inferior, constrangida e/ou incapaz, como menosprezo, culpabilização e responsabilização da parceira. Já a violência psicológica indireta pode ser identificada por abusos emocionais mais sutis, mas que também visam controlar, dominar e isolar, limitando o convívio social da mulher (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Bastos &amp; Sá, 2021</xref>).</p>
      <p>Assim, o abuso psicológico pode envolver jogos mentais, capacidade de distorção das situações, falta de responsabilidade e depreciações, que deixam a maioria das mulheres com sentimentos de confusão, mágoa, irritabilidade, vergonha e remorso. É importante destacar, ainda, que tais sentimentos muitas vezes perduram muito além do rompimento da relação abusiva. Alguns abusos são evidentes, outros não. Além disso, alguns abusos podem ser vistos, mas rapidamente retraídos ou seguidos de uma interação positiva, de modo que a mulher possa se sentir confusa ou mesmo em conflito em relação aos maus-tratos, sendo esses denominados como abusos sutis (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Neal, 2018</xref>). Dessa forma, as mulheres podem apresentar comprometimento da saúde mental devido aos traumas e possíveis consequências psicológicas, tais como depressão, ansiedade, autoestima, entre outras (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Pereira et al., 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B31">World Health Organization, 2010</xref>).</p>
      <p>Pode-se considerar que os homens também podem se encontrar em situação de relacionamento abusivo para com uma mulher. No entanto, de acordo com uma pesquisa realizada pelo <xref ref-type="bibr" rid="B7">Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2023)</xref> cerca de 28,9% das mulheres afirmam ter sido vítimas de algum tipo de violência ou agressão, a maior taxa já registrada na série histórica dos relatórios que são publicados a cada dois anos desde 2017. Nesse sentido, torna-se fundamental a compreensão das implicações do abuso psicológico no contexto brasileiro.</p>
      <p> Dentre os diferentes públicos que podem ser afetados, destaca-se as mulheres em relacionamento íntimo com homens, tendo em vista que, como afirma <xref ref-type="bibr" rid="B18">Neal (2018</xref>), “as mulheres têm sido dominadas pelos homens ao longo da história, muitas vezes alvo de atos violentos que as forçam a se submeter” (p. 18). O estudo com este público apresenta, portanto, relevância ao proporcionar contribuições sociais e científicas a partir da compreensão dos fenômenos psicológicos que podem ser observados em mulheres que estão ou já estiveram em um relacionamento abusivo com um homem, destacando-se a violência psicológica nesse cenário.</p>
      <p>Posto isto, considera-se que este trabalho compreende uma temática recente que ainda necessita de mais estudos empíricos nacionais e internacionais. Para tanto, buscou-se mensurar e verificar possíveis associações entre a violência psicológica, a autoestima, a depressão, a ansiedade e o estresse de mulheres-cis brasileiras, com idade mínima de 18 anos, que estiveram ou estão em um relacionamento íntimo com um homem-cis por no mínimo seis meses. Tais associações foram assim consideradas de forma a corroborar estudos nacionais que utilizaram essas variáveis como desfecho. Importa ressaltar que essa dinâmica abusiva nas relações íntimas também pode ocorrer em relacionamentos homoafetivos. Entretanto, como os dados oficiais apresentam que o principal autor tende a ser o companheiro ou ex-parceiro, optou-se por enfatizar a relação entre homens e mulheres.</p>
      <p>A violência psicológica, também conhecida como abuso psicológico ou emocional, pode ser compreendida como ato verbal intimidador e coercitivo, ou ainda enquanto uma agressão emocional mediante à humilhação e/ou discriminação que ocasiona o rebaixamento da autoestima da vítima (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Paiva et al., 2020</xref>). Já a depressão pode ser caracterizada por baixo afeto positivo, desesperança e baixa autoestima, enquanto a ansiedade é associada à hiperestimulação fisiológica e o estresse à tensão persistente e à irritabilidade (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Vignola &amp; Tucci, 2014</xref>). Por fim, compreende-se a autoestima como um conjunto de sentimentos e pensamentos do sujeito a respeito de seu próprio valor, sua competência e adequação, que se refletem em uma atitude positiva ou negativa em relação a si próprio (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Hutz et al., 2014</xref>).</p>
      <sec>
         <title>Método      </title>
         <sec>
            <title>Participantes</title>
            <p>A amostra deste estudo foi composta por 307 mulheres cisgênero com idade média de 28 anos, sendo a idade mínima e máxima, respectivamente, 18 e 71 anos. Em relação à cor, 59% (<italic>n</italic> = 181) se declararam brancas, 29% (<italic>n</italic> = 89) pardas, 11,40% (<italic>n</italic> = 35) pretas e 0,7% (<italic>n</italic> = 2) amarelas. No que diz respeito à sexualidade, 71,34% (<italic>n</italic> = 219) da amostra se identificou como heterossexual, 24,76% (<italic>n</italic> = 76) como bissexual e 3,91% (<italic>n</italic> = 12) respondeu como possuindo outra orientação sexual.</p>
            <p>Observou-se também que 78,18% (<italic>n</italic> = 240) das mulheres afirmaram não ter filhos, 61,24% (<italic>n</italic> = 188) afirmaram ter uma religião e 46,25% (<italic>n</italic> = 142) responderam possuir ensino superior completo, além de que 75,90% (<italic>n</italic> = 233) afirmaram possuir renda financeira própria. No que se refere ao relacionamento, 76,22% (<italic>n</italic> = 234) das participantes estavam com um parceiro no momento em que participaram do estudo enquanto 23,78% (<italic>n</italic> = 73) estavam solteiras ou divorciadas. Houve a participação de mulheres de quase todas as regiões do território brasileiro, com prevalência do Sudeste (88,27%; <italic>n</italic> = 271), seguido pelas regiões do Norte, com 5,21% (<italic>n</italic> = 16), do Nordeste, com 4,56% (<italic>n</italic> = 14), do Sul, com 1,30% (<italic>n</italic> = 4) e do Distrito Federal com 0,65% (<italic>n</italic> = 2). Não houve participantes da região Centro-Oeste do país.</p>
            <p>Nessa amostra, 33,23% (<italic>n</italic> = 102) das participantes já tiveram pelo menos um relacionamento de no mínimo seis meses com um homem-cis enquanto 31,59% (<italic>n</italic> = 97) e 16,94% (<italic>n</italic> = 52) já tiveram, respectivamente, dois e três parceiros íntimos. Além disso, 50,5% (<italic>N</italic> = 155) destacaram algum(a) amigo(a) em sua rede de apoio para conversar sobre o relacionamento íntimo;21,82% (<italic>n</italic> = 67) consideraram algum profissional da saúde (psicóloga, médico, fisioterapeuta etc.) e 10,75% (<italic>n</italic> = 33) afirmaram ser algum membro familiar (irmão, irmã, tio, tia etc.). Destaca-se que 14,66% (<italic>n</italic> = 45) responderam que não costumam conversar sobre seu relacionamento com alguém.</p>
         </sec>
         <sec>
            <title>Instrumentos</title>
            <p>A avaliação da violência psicológica foi realizada pelo instrumento brasileiro denominado Escala de Violência Psicológica em Relacionamentos Íntimos Contra a Mulher (EVIPRIM) desenvolvido por <xref ref-type="bibr" rid="B3">Bastos e Sá (2021</xref>). Essa escala possui 36 itens, sendo considerados dois fatores:  um com 24 itens que avaliavam Violência Psicológica Direta (VPD) e outro com 12 itens que avaliavam Violência Psicológica Indireta (VPI). As escalas das respostas são do tipo Likert com variação de 0 (nunca) e 4 (quase sempre).</p>
            <p>Para a avaliação da depressão, ansiedade e estresse, utilizou-se a Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse (DASS-21) traduzida e validada para o Brasil por <xref ref-type="bibr" rid="B28">Vignola e Tucci (2014</xref>), porém empregando algumas adaptações culturais propostas pelo estudo mais recente de <xref ref-type="bibr" rid="B17">Martins et al.(2019</xref>). Este instrumento apresenta 21 afirmativas, as quais são divididas em três fatores. A escala de resposta aos itens é do tipo Likert de quatro pontos variando de 0 (<italic>não se aplicou de maneira alguma</italic>) a 3 (<italic>aplicou-se muito ou na maioria do tempo</italic>).</p>
            <p>Por fim, para verificar os níveis de autoestima, foi utilizada a Escala de Autoestima de Rosenberg (EAR), adaptada para o contexto brasileiro por <xref ref-type="bibr" rid="B12">Hutz et al. (2014</xref>). O instrumento é unidimensional, composto por dez itens, sendo capaz de classificar o nível de autoestima em baixo (sentimento de incompetência, inadequação e incapacidade de enfrentar os desafios), médio (oscilação entre o sentimento de aprovação e rejeição de si) e alto (autojulgamento de valor, confiança e competência). As afirmativas são dispostas no formato Likert de quatro pontos, variando de 1 (<italic>concordo totalmente</italic>) a 4 (<italic>discordo totalmente</italic>).</p>
            <p>Ademais, também foi aplicado um questionário sociodemográfico para descrever o perfil da amostra a partir de dados como idade, tempo de relacionamento, escolaridade, região do Brasil, raça, entre outras.</p>
         </sec>
         <sec>
            <title>Procedimentos de Coleta e Análise de Dados</title>
            <p>A coleta de dados foi realizada de modo <italic>on-line</italic>, por meio de um questionário criado no <italic>Google Forms</italic> a partir da concordância prévia das participantes por meio do preenchimento do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Destaca-se que a pesquisa foi aprovada por um Comitê de Ética em Pesquisa (nº 62940622.3.0000.5115) (OCULTO - incluir após a avaliação por pares). As participantes configuraram uma amostra do tipo conveniência acessível por meio das redes sociais, tais como <italic>WhatsApp</italic>, <italic>Facebook</italic> e <italic>Instagram</italic>. Ressalta-se que ao final do questionário foram disponibilizados contatos de rede de apoio e acolhimento psicológico. Poderiam participar voluntariamente deste estudo mulheres-cis, com no mínimo 18 anos de idade, que estavam ou já estiveram em um relacionamento íntimo com um homem-cis por pelo menos seis meses.</p>
            <p>Os dados coletados foram analisados nos programas JASP (versão 0.16.3) e <italic>Statistical Package for Social Sciences </italic>(SPSS; versão 26.0). Assim, foram realizadas estatísticas descritivas por meio de cálculo de médias, desvios-padrão e porcentagens com o objetivo de fazer a descrição da amostra e análise dos dados dos instrumentos utilizados.  A consistência interna das escalas foi averiguada a partir do ômega (<italic>ω</italic>) de McDonald. Para analisar se os dados eram provenientes de uma população com distribuição normal, foi realizado o teste Kolmogorov-Smirnov. Após a verificação da normalidade dos dados, produziram-se análises dos coeficientes de correlação, comparações de médias, regressões múltiplas e outras análises necessárias para uma descrição detalhada dos dados coletados na pesquisa. Nas análises de comparação de médias via Teste <italic>t </italic>de Student e coeficientes de correlação de Pearson, foram realizados procedimentos de <italic>bootstrapping</italic>, com 1000 re-amostragens e 95% de IC BCa. Esse método possibilita a obtenção de uma maior confiabilidade dos resultados uma vez que faz correções dos desvios de normalidade da distribuição da amostra e diferenças entre os tamanhos dos grupos (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Haukoos &amp; Lewis, 2005</xref>). </p>
         </sec>
      </sec>
      <sec sec-type="results">
         <title>Resultados</title>
         <p>A análise da normalidade (<xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>), realizada a partir do teste Shapiro-Wilk, indicou que todas as medidas avaliadas apresentaram distribuição não-normal dos dados. A consistência interna das medidas, averiguada a partir do ômega (<italic>ω</italic>) de McDonald, foi considerada adequada.</p>
         <p>
            <table-wrap id="t1">
               <label>Tabela 1</label>
               <caption>
                  <title>Análise da Distribuição dos Dados e Consistência Interna</title>
               </caption>
               <table>
                  <colgroup>
                     <col/>
                     <col/>
                     <col/>
                     <col/>
                     <col/>
                  </colgroup>
                  <thead>
                     <tr>
                        <th align="left"> </th>
                        <th align="center"> </th>
                        <th align="center">Shapiro-Wilk</th>
                        <th align="center"> </th>
                        <th align="center">Consistência interna</th>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <th align="left"> </th>
                        <th align="center">N</th>
                        <th align="center">Estatística</th>
                        <th align="center">
                           <italic>p</italic>
                        </th>
                        <th align="center">
                           <italic>ω</italic>
                        </th>
                     </tr>
 
                  </thead>
                  <tbody>
                     <tr>
                        <td align="left">VP Total</td>
                        <td align="center">307</td>
                        <td align="center">0,799</td>
                        <td align="center">0,001</td>
                        <td align="center">0,976</td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="left">VP Direta</td>
                        <td align="center">307</td>
                        <td align="center">0,821</td>
                        <td align="center">0,001</td>
                        <td align="center">0,970</td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="left">VP Indireta</td>
                        <td align="center">307</td>
                        <td align="center">0,704</td>
                        <td align="center">0,001</td>
                        <td align="center">0,936</td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="left">EAR</td>
                        <td align="center">307</td>
                        <td align="center">0,981</td>
                        <td align="center">0,001</td>
                        <td align="center">0,918</td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="left">DASS-21 Depressão</td>
                        <td align="center">307</td>
                        <td align="center">0,932</td>
                        <td align="center">0,001</td>
                        <td align="center">0,926</td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="left">DASS-21 Ansiedade</td>
                        <td align="center">307</td>
                        <td align="center">0,866</td>
                        <td align="center">0,001</td>
                        <td align="center">0,890</td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="left">DASS-21 Estresse</td>
                        <td align="center">307</td>
                        <td align="center">0,970</td>
                        <td align="center">0,001</td>
                        <td align="center">0,889</td>
                     </tr>
                  </tbody>
               </table>
            </table-wrap>
         </p>
         <p>Os resultados da comparação sobre a Violência Psicológica Direta (<xref ref-type="table" rid="t2">Tabela 2</xref>) demonstraram escores significativamente mais elevados nas respondentes que não estavam em um relacionamento atual (<italic>p</italic> = 0,001), sendo identificado um tamanho de efeito grande (<italic>d</italic> = 1,079). Na comparação sobre a Violência Psicológica Indireta (<xref ref-type="table" rid="t2">Tabela 2</xref>), os resultados também indicaram escores significativamente mais elevados nas mulheres que não estavam com um parceiro no momento (<italic>p</italic> = 0,001), sendo apresentado um tamanho de efeito médio (<italic>d</italic> = 0,576). Em relação à comparação sobre a Autoestima, observou-se escores significativamente mais elevados nas respondentes que estavam em um relacionamento (<italic>p</italic> = 0,001), identificando-se um tamanho de efeito pequeno (<italic>d</italic> = 0,465).</p>
         <p>
            <table-wrap id="t2">
               <label>Tabela 2</label>
               <caption>
                  <title>Comparação de Médias das Variáveis de Violência Psicológica e Autoestima</title>
               </caption>
               <table>
                  <colgroup>
                     <col span="2"/>
                     <col span="2"/>
                     <col span="2"/>
                     <col span="4"/>
                  </colgroup>
                  <tbody>
                     <tr>
                        <td align="center" colspan="2"> 
 </td>
                        <td align="center" colspan="2">Escores
 </td>
                        <td align="center" colspan="2"> 
 </td>
                        <td align="center" colspan="4">Estatística do teste <italic>t (Bootstrapping sample)</italic>
 
 
                        </td>
 
                     </tr>
                     <tr>
                        <td align="left" colspan="2"> 
 </td>
                        <td align="center">
                           <italic>M</italic>
                        </td>
                        <td align="center">
                           <italic>DP</italic>
                        </td>
                        <td align="center">
                           <italic>t</italic>
                        </td>
                        <td align="center">p</td>
                        <td align="center">
                           <italic>d de Cohen</italic>
                        </td>
                        <td align="center">Diferença de Média</td>
                        <td align="center" colspan="3">IC da Diferença de Média (95%)
 
 </td>
 
                     </tr>
                     <tr>
                        <td align="left" colspan="2"> 
 </td>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="center">Limite
inferior</td>
                        <td align="center">Limite superior</td>
 
                     </tr>
                     <tr>
                        <td align="left">VPD</td>
                        <td align="center">Sem relação</td>
                        <td align="center">35,37</td>
                        <td align="center">22,11</td>
                        <td align="center">7,32</td>
                        <td align="center">0,001</td>
                        <td align="center">1,079</td>
                        <td align="center">20,874</td>
                        <td align="center">15,413</td>
                        <td align="center">26,302</td>
 
                     </tr>
                     <tr>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="center">Em relação</td>
                        <td align="center">14,50</td>
                        <td align="center">18,40</td>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="left"> </td>
 
                     </tr>
                     <tr>
                        <td align="left">VPI</td>
                        <td align="center">Sem relação</td>
                        <td align="center">10,74</td>
                        <td align="center">11,51</td>
                        <td align="center">3,76</td>
                        <td align="center">0,001</td>
                        <td align="center">0,576</td>
                        <td align="center">5,509</td>
                        <td align="center">2,709</td>
                        <td align="center">8,656</td>
 
                     </tr>
                     <tr>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="center">Em relação</td>
                        <td align="center">5,23</td>
                        <td align="center">8,89</td>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="left"> </td>
 
                     </tr>
                     <tr>
                        <td align="left">EAR</td>
                        <td align="center">Sem relação</td>
                        <td align="center">25,71</td>
                        <td align="center">6,45</td>
                        <td align="center">3,47</td>
                        <td align="center">0,001</td>
                        <td align="center">0,465</td>
                        <td align="center">-2,976</td>
                        <td align="center">-4,567</td>
                        <td align="center">-1,381</td>
 
                     </tr>
                     <tr>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="center">Em relação</td>
                        <td align="center">28,69</td>
                        <td align="center">6,38</td>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="left"> </td>
                     </tr>
                  </tbody>
               </table>
            </table-wrap>
         </p>
         <p>Os resultados indicaram correlações significativas, positivas e moderadas entre Violência Psicológica Direta com depressão, ansiedade e estresse (<xref ref-type="table" rid="t3">Tabela 3</xref>). Ainda foram observadas correlações, estatisticamente significativas, forte e positiva com violência psicológica indireta; e pequena e negativa com a autoestima. Desse modo, esses resultados indicam que as variáveis covariam de maneira proporcional.</p>
         <p>
            <table-wrap id="t3">
               <label>Tabela 3</label>
               <caption>
                  <title>Análises de Correlação de Pearson com Bootstrap</title>
               </caption>
               <table>
                  <colgroup>
                     <col/>
                     <col/>
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                  </colgroup>
                  <tbody>
                     <tr>
                        <td align="center"> </td>
                        <td align="center">VP direta</td>
                        <td align="center">VP indireta</td>
                        <td align="center">Autoestima</td>
                        <td align="center">Depressão</td>
                        <td align="center">Ansiedade</td>
                        <td align="center">Estresse</td>
                        <td align="center"> </td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="center">VP direta</td>
                        <td align="center">-</td>
                        <td align="center">0,793***
[0,728, 0,842]</td>
                        <td align="center">-0,272*
[-0,403,
-0,143]</td>
                        <td align="center">0,499**
[0,398, 0,593]</td>
                        <td align="center">0,494**
[0,372, 0,605]</td>
                        <td align="center">0,437**
[0,324, 0,543]</td>
                        <td align="center"> </td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="center">VP indireta</td>
                        <td align="center">-</td>
                        <td align="center">-</td>
                        <td align="center">-0,175**
[-0,317,
-0,035]</td>
                        <td align="center">0,401**
[0,299, 0,501]</td>
                        <td align="center">0,435**
[0,316, 0,533]</td>
                        <td align="center">0,405**
[0,299, 0,502]</td>
                        <td align="center"> </td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="center">Autoestima</td>
                        <td align="center">-</td>
                        <td align="center">-</td>
                        <td align="center">-</td>
                        <td align="center">-0,636**
[-0,696,
-0,563]</td>
                        <td align="center">-0,433**
[-0,540,
-0,313]</td>
                        <td align="center">-0,489**
[-0,573,
-0,394]</td>
                        <td align="center"> </td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="center">Depressão</td>
                        <td align="center">-</td>
                        <td align="center">-</td>
                        <td align="center">-</td>
                        <td align="center">-</td>
                        <td align="center">0,697**
[0,633, 0,756]</td>
                        <td align="center">0,752**
[0,689, 0,807]</td>
                        <td align="center"> </td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="center">Ansiedade</td>
                        <td align="center">-</td>
                        <td align="center">-</td>
                        <td align="center">-</td>
                        <td align="center">-</td>
                        <td align="center">-</td>
                        <td align="center"> </td>

                        <td align="center"> </td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="center">Estresse</td>
                        <td align="center">-</td>
                        <td align="center">-</td>
                        <td align="center">-</td>
                        <td align="center">-</td>
                        <td align="center">-</td>
                        <td align="center">-</td>
                        <td align="center"> </td>
                     </tr>
                  </tbody>
               </table>
               <table-wrap-foot>
                  <fn id="TFN1">
                     <p>
                        <italic>Nota. * = p &lt; 0,05; ** = p &lt; 0,01; *** = p &lt; 0,001.</italic>
                     </p>
                  </fn>
               </table-wrap-foot>
            </table-wrap>
         </p>
         <p>Os modelos de regressão linear múltipla (método <italic>forward</italic>) foram calculados para averiguar os resultados de diferentes dimensões da saúde mental das mulheres, medidas pela DASS-21, em função da violência psicológica e autoestima (<xref ref-type="table" rid="t4">Tabela 4</xref>). Os resultados indicaram que os preditores tiveram influências estatisticamente significativas na depressão (<italic>F</italic>(2, 304) = 165,842, <italic>p </italic>&lt; 0,001; <italic>R</italic>
            <sup>
               <italic>2</italic>
            </sup> ajustado = 0,519), ansiedade (<italic>F</italic>(2, 304) = 100,825, <italic>p </italic>&lt; 0,001; <italic>R² </italic>ajustado = 0,345) e estresse (<italic>F</italic>(2, 304) = 82,339, <italic>p </italic>&lt; 0,001; <italic>R</italic>
            <sup>
               <italic>2</italic>
            </sup> ajustado = 0,347). A autoestima foi o preditor que mais fortemente impactou a depressão e o estresse, explicando 40,44% da variância e 23,64%, respectivamente. Além disso, a violência explicou, em ambos os casos, 11,50%. Por outro lado, a variância dos níveis de ansiedade foi explicada mais fortemente pela violência psicológica (24,59%) do que pela autoestima (9,98%). Análises dos pressupostos de colinearidade, bem como dos resíduos padronizados, distância de Mahalanobis e Cook demonstraram adequação do modelo aos dados.</p>
         <p>
            <table-wrap id="t4">
               <label>Tabela 4</label>
               <caption>
                  <title>Variáveis Preditoras de Depressão, Ansiedade e Estresse</title>
               </caption>
               <table>
                  <colgroup>
                     <col/>
                     <col/>
                     <col/>
                     <col/>
                     <col/>
                     <col/>
                     <col/>
                  </colgroup>
                  <tbody>
                     <tr>
                        <td align="center">Desfecho</td>
                        <td align="center">Preditores</td>
                        <td align="center">Coeficientes padronizados</td>
                        <td align="center">
                           <italic>t</italic>
                        </td>
                        <td align="center">Sig.</td>
                        <td align="center">
                           <italic>R</italic>
                           <sup>
                              <italic>2</italic>
                           </sup>
                        </td>
                        <td align="center">
                           <italic>ΔR</italic>
                           <sup>
                              <italic>2</italic>
                           </sup>
                        </td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="center">
                           <italic>Beta</italic>
                        </td>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="left"> </td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="center">Depressão</td>
                        <td align="center">(Constant)</td>
                        <td align="center">-</td>
                        <td align="center">21,053</td>
                        <td align="center">0,000</td>
                        <td align="center">-</td>
                        <td align="center">-</td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="center">Autoestima</td>
                        <td align="center">-0,551</td>
                        <td align="center">-13,439</td>
                        <td align="center">0,000</td>
                        <td align="center">0,404</td>
                        <td align="center">-</td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="center">Violência Psicológica</td>
                        <td align="center">0,351</td>
                        <td align="center">8,564</td>
                        <td align="center">0,000</td>
                        <td align="center">0,519</td>
                        <td align="center">0,115</td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="center">Ansiedade</td>
                        <td align="center">(Constant)</td>
                        <td align="center">-</td>
                        <td align="center">9,455</td>
                        <td align="center">0,000</td>
                        <td align="center">-</td>
                        <td align="center">-</td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="center">Violência Psicológica</td>
                        <td align="center">0,417</td>
                        <td align="center">8,729</td>
                        <td align="center">0,000</td>
                        <td align="center">0,246</td>
                        <td align="center">-</td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="center">Autoestima</td>
                        <td align="center">-0,328</td>
                        <td align="center">6,859</td>
                        <td align="center">0,000</td>
                        <td align="center">0,345</td>
                        <td align="center">0,099</td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="center">Estresse</td>
                        <td align="center">(Constant)</td>
                        <td align="center">-</td>
                        <td align="center">14,280</td>
                        <td align="center">0,000</td>
                        <td align="center">-</td>
                        <td align="center">-</td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="center">Autoestima</td>
                        <td align="center">-0,403</td>
                        <td align="center">-8,445</td>
                        <td align="center">0,000</td>
                        <td align="center">0,236</td>
                        <td align="center">-</td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="left"> </td>
                        <td align="center">Violência
  Psicológica</td>
                        <td align="center">0,346</td>
                        <td align="center">7,260</td>
                        <td align="center">0,000</td>
                        <td align="center">0,351</td>
                        <td align="center">0,115</td>
                     </tr>
                  </tbody>
               </table>
            </table-wrap>
         </p>
      </sec>
      <sec sec-type="discussion">
         <title>Discussão</title>
         <bold> </bold>
         <p>Este trabalho teve como objetivo avaliar possíveis associações entre a violência psicológica, a autoestima, a depressão, a ansiedade e o estresse de mulheres-cis brasileiras, com 18 anos ou mais, que estiveram ou estavam em um relacionamento íntimo com um homem-cis por no mínimo seis meses. Assim, os dados obtidos indicaram que as participantes que não estavam em um relacionamento no momento da pesquisa apresentaram e conseguiram identificar mais a violência psicológica direta e indireta de uma relação passada do que as mulheres que estavam com um parceiro no momento.</p>
         <p>Tais resultados corroboram com o estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B23">Queiroz e Cunha (2018</xref>). Essas autoras ressaltam que a violência psicológica pode não ser explicitamente reconhecida como abuso, tornando-a mais difícil de ser identificada pelas mulheres em situação de violência. Ainda, os achados de <xref ref-type="bibr" rid="B16">Magalhães (2020</xref>) também evidenciam que essa dificuldade no reconhecimento do abuso se deve ao fato de que os primeiros sinais são mais sutis e que, por isso, podem ser identificados em um estágio mais avançado do relacionamento. Assim, é possível propor a hipótese de que seja mais difícil para as mulheres que estão em uma relação íntima identificar comportamentos de violência psicológica.</p>
         <p>Este estudo também evidenciou que a violência psicológica, autoestima, depressão, ansiedade e o estresse são variáveis que covariam de maneira proporcional. Esses achados estão em conformidade com o estudo realizado por <xref ref-type="bibr" rid="B8">Guimarães et al. (2018</xref>), o qual identificou que mulheres que estiveram em situação de violência podem apresentar baixa autoestima e desenvolver um quadro depressivo. De forma análoga, <xref ref-type="bibr" rid="B4">Bittar (2012</xref>) também verificou que mulheres que sofreram violência podem apresentar sintomas de depressão e ansiedade.</p>
         <p>Ainda nesse sentido, os estudos de <xref ref-type="bibr" rid="B14">Lara-Caba (2019</xref>) com mulheres dominicanas em situação de violência pelo parceiro íntimo, indicaram que a baixa autoestima está associada de forma estatisticamente significativa a ter vivenciado violência psicológica. De modo semelhante, os resultados da pesquisa realizada por <xref ref-type="bibr" rid="B5">Carneiro e Freire (2015</xref>) também sustentam a associação entre violência psicológica e autoestima. Ademais, o estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B32">Zancan (2016</xref>) indicou que mulheres com histórico de violência conjugal apresentavam níveis leves de ansiedade, moderados de depressão e níveis moderados de dificuldades de regulação emocional.</p>
         <p>Outrossim, este trabalho identificou a autoestima enquanto preditora que mais fortemente influenciou a depressão e o estresse. Esse modelo corrobora com o estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B13">Kosak et al. (2018)</xref>, que indicam que a redução da autoestima da mulher pode diminuir em sua confiança própria e originar ou reforçar a crença de inferioridade ou incapacidade, prejudicando a saúde mental e as interações sociais. No entanto, seriam necessários novos estudos com a finalidade de verificar a possibilidade do desenvolvimento de sintomas depressivos e de estresse conforme o modelo proposto.</p>
         <p>O segundo modelo apresentado é que a violência psicológica explicaria consideravelmente a ansiedade. Isso poderia ser explicado pela presença da primeira fase do ciclo de abuso, constituída de tensão no relacionamento. Em conformidade com o trabalho realizado por <xref ref-type="bibr" rid="B18">Neal (2018</xref>), a agressão ou mesmo um comportamento passivo-agressivo do homem estabelece uma dinâmica de relacionamento fundamentada no medo. Assim, mesmo que a relação esteja, aparentemente, funcionando bem e sem problemas naquele momento, a ameaça de uma potencial punição deixa a mulher em alerta, podendo resultar em um medo constante ou no desenvolvimento de sintomas de ansiedade conforme o modelo proposto neste estudo.</p>
      </sec>
      <sec sec-type="conclusions">
         <title>Considerações Finais</title>
         <bold> </bold>
         <p>O presente estudo apresenta contribuições importantes. Dentre elas, destacamos a maior identificação da violência psicológica direta e indireta de mulheres que não estavam em um relacionamento íntimo no momento em que participaram da pesquisa do que aquelas que estavam com um parceiro; a identificação de que ter evidenciado a violência psicológica, autoestima, depressão, ansiedade e o estresse covariam de maneira proporcional, bem como ter identificado a autoestima enquanto preditora que mais fortemente influenciou a depressão e o estresse. Desse modo, colabora para a formulação de estratégias de prevenção e promoção à saúde das mulheres inseridas nesse contexto. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B26">Silva et al. (2007</xref>), a prevenção da violência psicológica pode se configurar enquanto uma estratégia de prevenção à violência familiar, institucional e social. Por conseguinte, é fundamental que as mulheres e toda a sociedade tenham acesso à assistência psicológica e jurídica a fim de que possam ter conhecimento sobre as características e as complexidades sobre a violência psicológica e os relacionamentos abusivos, colaborando para com a redução de efeitos psíquicos e de saúde decorrentes dessas agressões.</p>
         <p>Considera-se também algumas limitações deste trabalho. Assim, destacamos a impossibilidade de generalização dos resultados na medida em que a maior parte da amostra está concentrada na região sudeste do país. Além disso, este trabalho é pouco expressivo nas categorias de raça e de orientação sexual e não apresenta representatividade de mulheres-trans e de mulheres em relacionamentos homoafetivos. Além do mais, a coleta de dados foi feita de modo exclusivamente <italic>on-line</italic>, dificultando a participação de mulheres que não possuem acesso à internet ou que apresentam alguma dificuldade no manuseio de tecnologias desse tipo. </p>
         <p>Sugere-se que os estudos futuros busquem ampliar a participação das mulheres brasileiras para que se obtenham resultados de outras regiões, além de buscar compreender as implicações da raça, orientação sexual e da transgeneridade das mulheres nas percepções da violência psicológica, autoestima, ansiedade, depressão, bem como outros construtos relacionados à saúde mental das mulheres. Propõe-se também analisar outras variáveis, como compaixão, crenças sobre o amor e empatia, uma vez que podem estar relacionadas ao entendimento das mulheres a respeito da percepção de abuso e de si próprias. Dessa forma, avaliar esses construtos pode ser importante uma vez que “é muito comum as mulheres acreditarem que é um sinal de compromisso, uma expressão de amor, suportar grosseria ou crueldade” <xref ref-type="bibr" rid="B11">(Hooks, 1952/2021, p. 167)</xref>. Assim, pode-se buscar compreender o entendimento das mulheres sobre a violência psicológica e os relacionamentos abusivos relacionando seus conhecimentos às suas experiências. Por fim, sugere-se também que sejam feitos estudos com homens considerando marcadores como raça, faixa etária, escolaridade, orientação sexual, classe, gênero cis e trans, bem como os construtos considerados neste trabalho.</p>
         <p>Em suma, este estudo evidenciou que há significativos impactos na saúde mental das mulheres-cis brasileiras que se relacionam com um homem-cis por no mínimo seis meses. Por conseguinte, é fundamental que haja estratégias de divulgação de informação em ambientes de educação e de saúde, acompanhamento psicológico especializado e proteção jurídica, oferecendo ajuda às mulheres em situação de violência e contribuindo para a construção de novas ideias acerca de um relacionamento mais saudável.</p>
      </sec>
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            <mixed-citation>Zancan, N. (2016). <italic>Estresse extremo e regulação emocional em mulheres em situação de violência conjugal</italic> [Dissertação de Mestrado, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul]. Repositório institucional PUCRS. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/6662">https://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/6662</ext-link>.</mixed-citation>
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               <year>2016</year>
               <source>Estresse extremo e regulação emocional em mulheres em situação de violência conjugal</source>
               <publisher-name>Repositório institucional PUCRS</publisher-name>
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