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         <journal-id journal-id-type="publisher-id">psipesq</journal-id>
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            <journal-title>Psicologia em Pesquisa</journal-title>
            <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Psicol. pesq.</abbrev-journal-title>
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         <issn pub-type="epub">1982-1247</issn>
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            <publisher-name>Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFJF</publisher-name>
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         <article-id pub-id-type="doi">10.34019/1982-1247.2023.v17. 36440</article-id>
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               <subject>Articles</subject>
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            <article-title>Interfaces entre Psicologia Ambiental e Saúde Mental<sup> </sup>
            </article-title>
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               <trans-title>Interfaces between Environmental Psychology and Mental Health</trans-title>
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               <trans-title>Interfaces entre Psicología Ambiental y Salud Mental</trans-title>
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            <contrib contrib-type="author">
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                  <surname>Silveira</surname>
                  <given-names>Bettieli Barboza da</given-names>
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               <xref ref-type="aff" rid="aff1">
                  <sup>1</sup>
               </xref>
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            <contrib contrib-type="author">
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                  <surname>Kuhnen</surname>
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                  <sup>2</sup>
               </xref>
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            <institution content-type="original">Universidade do Estado de Minas Gerais. E-mail: bettieli.bs@gmail.com. </institution>
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            <label>2</label>
            <institution content-type="original">Universidade Federal de Santa Catarina. E-mail: arianekuhnen@gmail.com. </institution>
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         <author-notes>
            <corresp id="c1">Informações do Artigo: <label>Bettieli Barboza da Silveira </label>
               <email>bettieli.bs@gmail.com</email>
            </corresp>
         </author-notes>
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            <month>08</month>
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         <volume>17</volume>
         <issue>3</issue>
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         <lpage>23</lpage>
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               <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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         </permissions>
         <abstract>
            <title>RESUMO</title>
            <bold> </bold>
            <p>A Psicologia Ambiental dialoga com a inclusão social de moradores de Serviços Residenciais Terapêuticos no território, busca explorar as potencialidades, conexões e dinâmica relacional com os ambientes urbanos e seus elementos constituintes. Objetivou-se compreender as potencialidades de Residenciais Terapêuticos na promoção de restauração do estresse e na construção de significado ambiental e de identidade social urbana dos moradores. Esta pesquisa abrangeu quatorze participantes, utilizou da análise temática para apreciação dos dados, resultando em três categorias. Estas, sintetizam a experiência dos participantes que destacam a afetividade, a cultura e a acessibilidade como diferenciais à produção de vida no cenário urbano.</p>
         </abstract>
         <trans-abstract xml:lang="en">
            <title>ABSTRACT</title>
            <bold> </bold>
            <p>Environmental Psychology dialogues with the social inclusion of Therapeutic Residential Services residents in the territory and seeks to explore the potentialities, connections, and relational dynamics with urban environments and their constituent elements. This study aimed to understand the potentialities of Therapeutic Residencies in promoting stress restoration and in the construction of environmental meaning and urban social identity of their residents. This research included fourteen participants and used thematic analysis for data appreciation, resulting in three categories. They summarize the experience of the participants, who highlight affection, culture, and accessibility as differentials to the production of life in the urban scenario.</p>
         </trans-abstract>
         <trans-abstract xml:lang="es">
            <title>RESUMEN</title>
            <bold> </bold>
            <p>La Psicología Ambiental dialoga con la inclusión social de los residentes de Servicios Residenciales Terapéuticos en el territorio, busca explorar las potencialidades, conexiones y dinámicas relacionales con los entornos urbanos y sus elementos constitutivos. El objetivo fue comprender las potencialidades del Residencial Terapéutico en la promoción de la restauración del estrés y en la construcción de significado ambiental e identidad social urbana de los residentes. Se incluyó catorce participantes, utilizó el análisis temático para la apreciación, resultando en tres categorías. Con destaque a la afectividad, cultura y accesibilidad como diferenciales a la producción de vida en el escenario urbano.</p>
         </trans-abstract>
         <kwd-group xml:lang="pt">
            <title>PALAVRAS-CHAVE:</title>
            <kwd>Psicologia ambiental</kwd>
            <kwd>Saúde mental</kwd>
            <kwd>Cidades</kwd>
         </kwd-group>
         <kwd-group xml:lang="en">
            <title>KEYWORDS:</title>
            <kwd>Environmental psychology</kwd>
            <kwd>Mental health</kwd>
            <kwd>Cities</kwd>
         </kwd-group>
         <kwd-group xml:lang="es">
            <title>PALABRAS CLAVE:</title>
            <kwd>Psicología ambiental</kwd>
            <kwd>Salud mental</kwd>
            <kwd>Ciudades</kwd>
         </kwd-group>
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   <body>
      <p>Constituídas como casas no espaço urbano destinadas à reabilitação de pessoas com transtornos mentais na comunidade, as Residências Terapêuticas modificam a realidade de egressos de instituições psiquiátricas objetivando a reconquista da autonomia e o retorno à vida em sociedade (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Silva et al., 2019</xref>). Além de incentivar a produção de vida protagonista, os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT) atuam como espaços de moradia e, ao mesmo tempo, como ponte para a cidade, enquanto (co)construtora de subjetividade.</p>
      <p>O processo de desinstitucionalização, não encerrado com a desospitalização, se faz necessário e requer uma mudança de paradigma, pois se transforma radicalmente o sistema de referência do(a) morador(a) da residência terapêutica. Habitar uma casa, depois de tantos anos, entoa o sentimento de liberdade para expressar suas diferenças, tendo a cidade como palco dos encontros (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Massa &amp; Moreira, 2019</xref>).</p>
      <p>Entendido como o primeiro passo de habitar a cidade, o SRT carrega consigo a expectativa de uma inclusão social, uma retomada de contatos familiares e um espaço na comunidade para chamar de seu. Ao observar os trânsitos urbanos e as explorações do entorno da residência, une-se ao debate a Psicologia Ambiental (PA), enquanto área componente dos Estudos Pessoa-Ambiente (EPA), no intuito de explorar as potencialidades dos lugares e averiguar como ocorrem as interações entre os moradores e os ambientes que habitam. Ao propor estudar interrelações entre pessoas e ambientes, parte-se da premissa de que há relação intrínseca e influência recíproca. A PA se dedica, portanto, ao estudo das percepções, atitudes e comportamentos que as pessoas estabelecem em relação com o contexto físico-social (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Cavalcante &amp; Elali, 2017</xref>). Para tanto, este estudo se embasa e propõe o enlace e a investigação de três conceitos-chave, aplicados a fim de melhor compreender suas funcionalidades no reduto dos residenciais terapêuticos.</p>
      <p>Para melhor compreender a associação proposta entre os conceitos provenientes dos EPA e a Saúde Mental, por meio do SRT, destaca-se a tríade. Desenvolvido por Roger <xref ref-type="bibr" rid="B27">Ulrich (1984</xref>) junto da Teoria da Recuperação Psicofisiológica ao Estresse, o conceito de ambiente restaurador (<italic>restorative environment</italic>) se refere às experiências em ambientes físicos visualmente prazerosos que podem auxiliar na redução do estresse. Significado ambiental, processo perceptivo-cognitivo que consiste na captação da estimulação física ambiental pelos aparelhos sensoriais, representando-o mentalmente (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Felippe, 2015</xref>). E, identidade social urbana, que se relaciona ao pertencimento a um entorno urbano, caracterização social que pode ser compreendida através de dimensões, são elas: dimensão territorial, psicossocial, temporal, conduta e ideológica (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Valera &amp; Pol, 1994</xref>).</p>
      <p>No percurso de se pensar na ambiência do lugar, ao tratar sobre ambientes restauradores, <xref ref-type="bibr" rid="B27">Ulrich (1984</xref>) salienta sua base metodológica intrinsecamente ligada aos benefícios de ambientes naturais e como eles podem facilitar a redução da excitação fisiológica após o estresse. Ainda, ao aliar a afetividade positiva aos tais benefícios percebidos, subsequentes reduções na excitação e no afeto negativo direcionam o indivíduo à recuperação do estresse (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Ratcliffe et al., 2013</xref>). Na medida em que se busca a indentificação da relação entre os atributos restauradores e os significados ambientais percebidos pelos moradores com a identidade social urbana constituída por eles nas cidades que habitam, inúmeros fatores se tornam focos de investigação, recheando o palco do estudo de diálogos interdisciplinares.</p>
      <p>Ao investigar percepções de cuidados de saúde e fatores relacionados à design e aspectos físicos de hospitais, <xref ref-type="bibr" rid="B18">Mourshed e Zhao (2012</xref>) destacam a necessidade de integrar a percepção do usuário e a preferência de seu entorno físico em espaços de tratamento de saúde. Além deles, outros pesquisadores exploraram, direta ou indiretamente, avaliação e ocupação de espaços de saúde construídos, analisando apropriação, satisfação do usuário e conforto térmico interno (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Liu et al., 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B22">Ratcliffe et al., 2013</xref>).</p>
      <p>Reconhecer o impacto do desenho estrutural das cidades na saúde pública foi um marco primeiramente percebido no século XIX, ao se tentar controlar o surto de doenças transmissíveis (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Corburn, 2007</xref>). Com o passar do tempo e o controle sobre epidemias, a vinculação entre as áreas de saúde pública e o planejamento urbano se conectou de modo significativo mais recentemente (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Corburn, 2007</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B11">Giles-Corti et al., 2013</xref>). Em harmonia à interface dentre as áreas supracitadas, o Movimento de Cidades Saudáveis da Organização Mundial de Saúde (OMS) despende esforços para criação de cidades saudáveis e sustentáveis que facilitem comportamentos de saúde condizentes à prevenção e disseminação e agravo de doenças (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Rydin et al., 2012</xref>).</p>
      <p>O desenho estrutural desta pesquisa dialoga com o Movimento da OMS, assim como transita junto de diferentes outras pesquisas interessadas na relação pessoa-ambiente nas cidades. Nesta vertente, destacam-se estudos sobre a otimização da saúde física, mental e bem-estar nas cidades, incluindo o acesso a transportes públicos e espaços públicos abertos (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Marmot et al., 2010</xref>), bem como investigações que vislumbram a identificação de influências do design urbano para pessoas que destrufam de caminhadas pelo bairro que habitam (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Giles-Corti et al., 2013</xref>). No entanto, em caminho oposto, todavia há pouca investigação científica acerca da ocupação dos espaços urbanos realizadas por moradores de serviços de atenção à saúde mental (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Silveira &amp; Kuhnen, 2019</xref>).</p>
      <p>À luz dessas ponderações, considera-se que identificar as qualidades específicas dos residenciais terapêuticos é um dos desafios para o futuro desse serviço de saúde mental. Assim, o presente estudo almejou compreender as potencialidades de Residenciais Terapêuticos na promoção de restauração do estresse e na construção de significado ambiental e de identidade social urbana dos moradores.</p>
      <sec>
         <title>Método</title>
         <bold> </bold>
         <sec>
            <title>Caracterização e Participantes</title>
            <bold> </bold>
            <p>Este estudo de caráter qualitativo, descritivo, exploratório e transversal abrangeu quatorze moradores de três diferentes Serviços Residenciais Terapêuticos. O número de participantes se trata de uma amostra de saturação, pois foram incluídos todos os sujeitos disponíveis e aptos. Assim, foram observados os seguintes critérios de inclusão: a) morar na respectiva residência terapêutica há, no mínimo, dois meses; b) quadro estável da patologia nas três semanas que antecedem a coleta de dados; c) reunir condições para se deslocar na residência e no entorno; d) assentir participação na pesquisa formalmente, através dos respectivos termos de autorização. Importante salientar que todos os procedimentos e verificações necessárias foram realizados em parceria com a equipe responsável pelo cuidado e tratamento de saúde dos residentes.</p>
            <p>Quatorze participantes, sendo dez homens e quatro mulheres, com idades entre 21 e 78 anos compuseram este estudo. Os SRT’s investigados pertencem a três distintas cidades de um estado na região Sul do Brasil. Os detalhes dos participantes e das cidades serão mantidos em sigilo, e os municípios serão apenas identificados como: “pequena”, “média” e “grande”, em alusão às suas configurações sociodemográficas. A cidade “pequena” possui o Serviço há cerca de sete anos, localiza-se no planalto norte do estado e acolhe oito moradores. A cidade “média” acolhia seis moradores no momento da coleta de dados, possui o residencial há três anos, aproximadamente, situa-se na região serrana. Já a cidade “grande” fica no norte do estado, acolhe dez moradores e possui o SRT há cerca de quatro anos.</p>
         </sec>
      </sec>
      <sec>
         <title>Técnicas e Instrumentos</title>
         <bold> </bold>
         <p>	Composta por duas etapas, esta pesquisa explorou a correspondência entre os resultados obtidos a partir dos seguintes percursos metodológicos: 1) observação participante, apoiada pelo diário de campo e aliada à técnica “Fotografando ambientes”; 2) autobiografia ambiental com entrevistas semiestruturadas. Os dados obtidos foram codificados e organizados em categorias temáticas de análise.</p>
         <p>Estruturada com base na perspectiva multimetodológica em concordância com as práticas de investigações adotadas pela Psicologia Ambiental, esta pesquisa reuniu quatro técnicas. A adoção de multimétodos é tipicamente proposta nos EPA por possibilitar adoção de caminhos diversos, produzir informações complementares e validar resultados obtidos (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Günther et al., 2008</xref>). Desse modo, detalha-se a aplicação do uso da observação participante junto da técnica “fotografando ambientes”, utilizadas na intenção de conhecer o cotidiano relacional, modos de apropriação e identificação com a casa e o entorno. Ademais, a associação de ambas permitiu a captura de aspectos simbólicos, retratados pelas lentes fotográficas, através de uma linguagem não verbal (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Higuchi &amp; Kuhnen, 2008</xref>) de modo que o diário de campo oportunizou a transcrição do aspecto vivencial, das falas complementares e das reações espontâneas.</p>
         <p>No que tange à autobiografia ambiental e às entrevistas, salienta-se, particularmente, a possibilidade de aprofundamentos direcionados e de compreender a experiência ambiental humana com ênfase na descrição de lugares marcaram o depoente, aliado às emoções associadas. Um dos benefícios particulares da técnica de autobiografia ambiental é descrito por <xref ref-type="bibr" rid="B6">Elali e Pinheiro (2008</xref>) como uma estratégia de coleta de histórias que tenham o ambiente como protagonista dos percursos, experiências e sentimentos permeados na narrativa do participante. Isto é, possibilita-se recordar memórias e associá-las aos lugares que constituíram as vivências.</p>
         <sec>
            <title>Procedimentos</title>
            <bold> </bold>
            <p>A primeira etapa de coleta de dados ocorreu cerca de um mês antes da segunda, a fim de permitir a análise inicial do material obtido, bem como o refinamento dos aspectos intrínsecos a fase seguinte. Quanto a primeira etapa, contextualiza-se que foram sete indicações para execução das fotografias, realizadas de modo individual com cada participante, sendo que o espaço oportunizado para a circulação englobou o residencial e seu entorno. Em sentido comum, oportuno mencionar que a pesquisadora obteve acesso irrestrito na residência, além de poder acompanhar todos os translados e procedimentos nos três SRT’s, o fator enriquecedor à observação participante e ao detalhamento junto ao diário de campo.</p>
            <p>Na segunda etapa os procedimentos envolveram, assim como na primeira, a ambientação inicial da pesquisadora com moradores e profissionais a fim de se integrar ao ritmo da casa e minimizar os impactos da visita. Depois, em momentos individuais e de acordo com as disponibilidades dos moradores, um a um foi convidado a discorrer sobre suas experiências ambientais, lugares significativos e percepções sobre os lugares que vivenciaram e o atual, por intermédio da técnica da Autobiografia ambiental. Após, seguiu-se com a entrevista direcionando questionamentos acerca da representatividade, das conexões, das memórias afetivas e demais interações com os diferentes lugares por eles experienciados.</p>
         </sec>
         <sec>
            <title>Análise dos Dados</title>
            <bold> </bold>
            <p>Para análise dos dados foram reunidos inicialmente os dados da Etapa I e, na sequência reuniu-se os dados obtidos nas Etapas I e II. Foram gravados e transcritos e passando a ser analisado em consonância à Análise Temática (AT) (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Braun &amp; Clarke, 2006</xref>), com auxílio do <italic>software</italic> Atlas.ti, versão 8.0. A AT sintetiza seu processo em seis fases de análise: a) familiariza ção com os dados; b) geração dos primeiros códigos; c) busca por temas; d) revisão dos temas; e) definição e nomeação dos temas; f) produção do relatório (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Braun &amp; Clarke, 2006</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B2">2019</xref>).</p>
         </sec>
         <sec>
            <title>Aspectos Éticos</title>
            <bold> </bold>
            <p>Em relação aos preceitos éticos de pesquisa, afirma-se que todos os procedimentos adotados foram pautados na legislação vigente, sobretudo, na Resolução no 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde. Esta pesquisa contou com a aprovação (CAAE n.º OCULTO - incluir após avaliação por pares) do Comitê de Ética em Pesquisas com Seres Humanos da Universidade Federal de Santa Catarina. Oportuno mencionar, para fins de preservação do sigilo, os participantes serão doravante identificados pela letra “P” acrescida de um número de 01 a 14 (exemplo: P1, P2).</p>
         </sec>
      </sec>
      <sec sec-type="results|discussion">
         <title>Resultados e Discussão</title>
         <bold> </bold>
         <p>Dentre as três residências terapêuticas investigadas, encontraram-se aptos e efetivamente se tornaram participantes deste estudo quatorze moradores. Destes, seis eram residentes do SRT da cidade “grande”, três da cidade “média” e cinco da “pequena”. O material obtido a partir da organização dos dados das duas etapas permitiu compilar e unificar os resultados, de modo a empreender dois tipos de análise: a) por frequência de palavras, termos em contexto e pesquisa nas transcrições, ilustrados pela <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>; b) por categorias temáticas, sendo que os códigos emergidos desta proposição temática podem ser melhor compreendidos a partir da <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>.</p>
         <p>	A consulta de frequência de palavras teve como critérios um mínimo de vinte aparições, três letras e conceito pertinente à temática em pauta. Foram eliminados advérbios, pronomes, artigos definidos e indefinidos, numerais e afins. Com auxílio do <italic>software</italic> Atlas.ti foi possível extrair os principais significados e aproximações atribuídas às terminologias selecionadas, expressos por exemplos na <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>, aliado ao número de aparições.</p>
         <p>
            <table-wrap id="t1">
               <label>Tabela 1</label>
               <caption>
                  <title>
                     <italic>Análise por Frequência de Palavras, Termos em Contexto e Pesquisa.</italic>
                  </title>
               </caption>
               <table>
                  <colgroup>
                     <col/>
                     <col/>
                     <col/>
                  </colgroup>
                  <tbody>
                     <tr>
                        <td align="left"> Terminologia</td>
                        <td align="center">
                           <italic>f</italic>
                        </td>
                        <td align="center">Exemplo</td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="left">Família/mãe/pai</td>
                        <td align="center">115</td>
                        <td align="left">gostaria de morar com minha mãe/família</td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="left">Casa</td>
                        <td align="center">87</td>
                        <td align="left">por enquanto, aqui é minha casa</td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="left">Cidade</td>
                        <td align="center">66</td>
                        <td align="left">é bom olhar estar na cidade, na minha cidade</td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="left">Liberdade/livre</td>
                        <td align="center">60</td>
                        <td align="left">aqui me sinto mais livre</td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="left">Rua</td>
                        <td align="center">53</td>
                        <td align="left">ir para a rua e encontrar...</td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="left">Pessoas</td>
                        <td align="center">31</td>
                        <td align="left">gosto de ver o movimento das pessoas</td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="left">Preso/cadeia/prisão/HCTP</td>
                        <td align="center">29</td>
                        <td align="left">fiquei tantos anos lá, preso</td>
                     </tr>
                  </tbody>
               </table>
               <table-wrap-foot>
                  <fn id="TFN1">
                     <p>
                        <italic>Nota.</italic> A segunda coluna, representada por “<italic>f”</italic> é alusiva à frequência de aparição da terminologia.</p>
                  </fn>
               </table-wrap-foot>
            </table-wrap>
         </p>
         <p>Ao observar terminologias mais frequentes se nota correspondência entre os resultados, de modo a enfatizar os principais anseios, mudanças, sentimentos e percepções dos moradores dos SRTs acerca de suas novas condições de vida. Além destas, é possível notar o processo de (re)descoberta das possibilidades a partir das alocações das palavras nos cenários textuais das quais foram extraídas, denotando a dualidade das relações e acepções frente ao novo paradigma de vida em contraste às marcas deixadas pelas instituicionalizações psiquiátricas pregressas, cicatrizes presentes e que, muito comumente, se mostraram vivas no imaginário dos moradores.</p>
         <p>Quanto à <xref ref-type="table" rid="t2">Tabela 2</xref>, resultante da análise temática dos dados das etapas I e II, tem-se a divisão de três temas, são eles: ambiente restaurador, significado ambiental e identidade social urbana, tal qual a tríade conceitual. Após apreciação dos dados e posterior a última fase de análise, optou-se por manter a nomenclatura dos conceitos investigados por entender que eles melhor expressaram o simbolismo intrínseco aos códigos temáticos.</p>
         <p>
            <table-wrap id="t2">
               <label>Tabela 2</label>
               <caption>
                  <title>
                     <italic>Análise Temática</italic>
                  </title>
               </caption>
               <table>
                  <colgroup>
                     <col/>
                     <col/>
                     <col/>
                  </colgroup>
                  <tbody>
                     <tr>
                        <td align="center">Ambiente restaurador</td>
                        <td align="center">Significado ambiental</td>
                        <td align="center">Identidade social urbana</td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="center">Entorno</td>
                        <td align="center">Lar</td>
                        <td align="center">Território</td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="center">Casa</td>
                        <td align="center">Autonomia</td>
                        <td align="center">Relações</td>
                     </tr>
 
                     <tr>
                        <td align="center">Relacionamentos</td>
                        <td align="center">Cidade</td>
                        <td align="center"> </td>
                     </tr>
                  </tbody>
               </table>
               <table-wrap-foot>
                  <fn id="TFN2">
                     <p>Elaborada pelos autores</p>
                  </fn>
               </table-wrap-foot>
            </table-wrap>
         </p>
         <sec>
            <title>Ambiente Restaurador</title>
            <bold> </bold>
            <p>	Ao sugerir que a excitação fisiológica está relacionada a atividade neurofisiológica, ao afeto, ao pensamento e a ação, <xref ref-type="bibr" rid="B27">Ulrich (1984</xref>) alerta para o consumo de energia dos sistemas corporais que contribuem para a fadiga e para o estresse de maneira prolongada. Para tanto, em sua teoria o autor argumenta que, diante de alterações psicofisiológicas, imergir em um ambiente que oportunize conexão, que gere afeto positivo, permite contemplação e aumento de sentimentos positivos, pode-se favorecer a recuperação do estresse. Isto é, processo pelo qual os indivíduos renovam seus recursos físicos, psicológicos ou sociais esgotados ou comprometidos (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Wang et al., 2019</xref>).</p>
            <p>Pesquisas apontam uma significativa crescente nos estudos dedicados à relação positiva entre ambientes naturais, bem-estar físico e psicológico em contextos urbanos (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Huang et al., 2020</xref>). A partir disso, planejadores, designers e pesquisadores interessados nos EPA se esmeram na criação e reconstrução de espaços urbanos que possuam características específicas que podem apoiar ou restaurar o bem-estar humano, envolvendo, particularmente, elementos naturais (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Liu et al., 2020</xref>).</p>
            <p>Embora se cultive o entendimento de que as cidades têm investido em parques urbanos e outros elementos naturais, sua característica essencialmente dinâmica e vibrante também impõe muitas demandas mentais e físicas a seus habitantes, em diferentes formas de estresse (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Wang et al., 2019</xref>). Em especial nos grandes centros urbanos, experimentar a natureza se tornou um privilégio. Nesse sentido, destaca-se a importância do investimento no planejamento das cidades com vistas a promoção de bem-estar, em especial quando há ausência de espaços verdes, primando por espaços que convidem à interação, que possibilitem refúgio, quietude e sombreamento para fomentar pausas (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Dias &amp; Ramadier, 2015</xref>).</p>
            <p>No cotidiano dos residenciais investigados se pôde observar as mais distintas formas de se relacionar, de habitar a casa e o entorno. A arte de viver nos desafia a ir em frente, superar as adversidades e objetivar perspectivas melhores para o futuro. O cenário dos SRTs está alinhado a essa premissa, porém os pensamentos e as marcas de anos de clausura psiquiátrica desafiam o processo, como reflete P9: “eu acho que eu meio que desaprendi a como é viver lá fora”. </p>
            <p>Na medida em que se permitiram experienciar a residência terapêutica, os moradores (re)aprenderam rotinas, (re)criaram hábitos, (re)descobriram preferências e se permitiram ao novo. Para <xref ref-type="bibr" rid="B19">Nemésio e Ribeiro (2020</xref>) é fundamental a elaboração de estratégias que auxiliem a esse processo de apropriação do morador para com a residência, que reestrutura a rotina de vida e suas possibilidades, além do rompimento gradual e contínuo das práticas institucionalizantes. Percebeu-se que tarefas cotidianas e simples como lavar louça, arrumar a mesa de refeições, arrumar sua própria cama e quarto foram diferenciais percebidos no processo de diminuição de ócio, de ansiedade e de geração de afetos positivos.</p>
            <p>Na pesquisa de <xref ref-type="bibr" rid="B20">Pálsdóttir et al. (2018</xref>) os autores buscaram descrever as principais características que se mostraram favoráveis a restauração do estresse de pessoas em sofrimento psíquico, seja em ambientes domésticos ou ao imergir nas cidades. Como resultados, os autores elencaram em destaque: parques urbanos com amplitude, espaços com oportunidades de refúgio e propriciador de conforto, clara definição de espaços, não interagir com elementos físicos abstratos ou de difícil compreensão funcional, ausência de ruídos (falas altas, trânsito) e presença de sons naturais (pássaros, ventos), assim como o vislumbre de elementos esteticamente favoráveis (pinturas em paredes, flores, árvores).</p>
            <p>Cada residencial terapêutico e sua respectiva cidade oferecem distintas experiências a seus moradores. Estes, por sua vez, se adaptam à nova rotina de vida e buscam explorá-la contrastando seus anseios e seus temores. Para P2, “a melhor parte é passear, ir ver pessoas e conversar, fazer um lanche”, mas a pior também é lembrada, quando “vamos ao CAPS passa por esse trânsito horrível, eu tenho muito medo, fecho os olhos”. Percebeu-se uma mescla de sentimentos entre aquilo que foi vivenciado antes da internação, em seus contextos socioculturais, com as lembranças e os condicionamentos do (longo) tempo de isolamento social e clausura.</p>
            <p>Como mencionado por <xref ref-type="bibr" rid="B20">Pálsdóttir et al. (2018</xref>), notou-se na residência da cidade “grande” pouca exploração autônoma da cidade devido, em especial, aos seus riscos, tais como: trânsito intenso, acesso a drogas, alto fluxo de circulação de pessoas e a agitação social. A centralidade da casa no espaço urbana gera euforia, nervosismo e medo, na maioria dos participantes que, embora também tenham desejo pela cidade, temem sua efervescência. Fato distante do analisado nas duas outras casas, beneficiadas pela diminuição de habitantes que se desdobra na menor “velocidade” da cidade, que se movimenta e permite formas mais acessíveis ao ritmo dos moradores dos SRTs. Assim como e em consonância com o estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B20">Pálsdóttir et al. (2018</xref>), o parque urbano e o extenso jardim e espaços verdes das residências “média” e “pequena”, respectivamente, cumprem a função restauradora do estresse.</p>
            <p>Nos três SRTs se observou a ausência de elementos abstratos ou de funcionalidade complexa. Os ruídos nas residências “média” e “grande” se mostrou típico a sua urbanidade, sons de construções, de trânsito de carros e de pessoas circulando são comuns. Na “pequena”, o som de animais (cavalos, vacas, cachorros) se sobressai, junto com o movimento das árvores e de aves que circulam a residência. Evidente que o cenário bucólico é uma particularidade da respectiva cidade, mas o resultado dessa caracterização no bem-estar dos participantes foi significativamente notado. O que levanta questionamentos acerca da casa e do entorno, assim como dos benefícios da disposição de residenciais terapêuticos em regiões de grande movimento urbano, pontualmente menos percebidos no SRT da cidade “grande”, no comparativo com as demais.</p>
            <p>O SRT é um elemento fundamental, estratégico. A residência se oferece ao morador como dispositivo de (re)inserção social que transcende a noção de estrutura arquitetônica (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Franco &amp; Stralen, 2015</xref>). A casa é o local onde se enraíza, é refúgio e, ao mesmo tempo, é intercâmbio de relações e ideias, é espaço privado e coletivo, é expressão de vida. Assim como a casa, o que ‘tem em volta’, isto é, o entorno, é recheio. Entorno é tudo aquilo que não nos pertence, mas que nos apropriamos, buscamos e entoamos como componentes de uma boa vivência neste lugar. Entorno, de algum modo, também é casa, lugar de relacionamentos.</p>
         </sec>
         <sec>
            <title>Significado Ambiental</title>
            <bold> </bold>
            <p>Pode-se dizer que fatores como vínculo afetivo, conexão, interação, emoção, conhecimento, crença, comportamento e ação permeiam o modo como percebemos determinados lugares, a forma como os significamos e os estratificamos mentalmente, com valências de sentimentos e importância (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Dias &amp; Ramadier, 2015</xref>). Para <xref ref-type="bibr" rid="B7">Felippe (2015, p. 4)</xref> o conceito de significado ambiental é definido como “conjunto de acepções e valores comunicados pelo ambiente físico, e através dos quais um sujeito qualifica um ambiente”.</p>
            <p>O modo como as pessoas percebem o mundo é permeado pela forma como elas se comportam (processos psicológicos e ações), de maneira que a percepção ambiental faz parte do mecanismo de captação de informações a partir da interrelação com o meio, reunindo um conjunto de acepções e dotando-as de sentido (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Higuchi &amp; Kuhnen, 2008</xref>). Ao final desse processo, tem-se imagens mentais dos ambientes, codificadas a partir de nossa organização cognitiva ambiental, que evolui ao longo do desenvolvimento humano e das experiências vivenciadas (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Felippe, 2015</xref>).</p>
            <p>Compreender a implicação das pessoas frente aos lugares, sobretudo quando eles são “novos”, isto é, derivam de uma mudança de cenário, requer abordar aspectos sociais. Para <xref ref-type="bibr" rid="B21">Quinn et al. (2019</xref>) a adaptação às transições percorrem o reduto ambiental e cultural, exigindo rearranjos individuais e coletivos. O modo como as pessoas experimentam os ambientes percorre inúmeros fatores, dentre eles, destacam-se a afetividade, a percepção de segurança e a identificação sociocultural. Os lugares possuem características e significados simbólicos, associados a processos psicológicos e sociais internos que geram percepções.</p>
            <p>Ao se relacionar com os elementos urbanos, oportuniza-se às pessoas a construção de senso de comunidade, de pertença e de (re)criação da própria identidade. Ao experimentar a cidade, os moradores se defrontam com vivências que envolvem relações com as pessoas e com o meio, permitem-se ao compartilhar e ao individualizar, reconstruindo suas percepções sobre o todo. </p>
            <p>Ao observar o desenho dos SRTs investigados, espaços para ressignificações foram notados. Embora nem todos os moradores fossem provenientes das cidades que estavam habitando, a maioria já havia desenvolvido laços afetivos com a casa e com o entorno urbano. Quanto ao sentimento de lar, de apropriação, o signficado de pertença e de lugar de moradia, percebeu-se que este é um fator, quiçá um privilégio, particularmente notado nas residências da cidade média e pequena. Enquanto P3 destaca que “estou aqui agora, mas quero ir embora logo, o quanto antes”, observa-se o oposto na fala de P8, ao entoar “gosto muito daqui, é casa né, nem lembro da última vez que morei em uma”, assim como P10, que destaca não apenas a moradia, mas também “essa é minha família, não a original né, mas a que a gente se escolheu, se adotou, queremos ficar tudo junto!”.</p>
            <p>Enquanto a residência da cidade “grande” acolhe majoritariamente egressos de um hospital de custódia psiquiátrica, nas demais casas eles são minoria (um em cada SRT). Este ponto de destaque foi refletido e observado com o constante receio de não estigmatizar. Não obstante, seria ingenuidade não ponderar este viés ao observar o cotidiano na respectiva casa, haja vista o número de fugas da residência terapêutica em busca, especialmente, de drogas. Comumente, notou-se a confusão dos moradores para como entendiam suas condições de existência e moradia atual, conflitando sobre como percebiam e lidavam com a autonomia, há tanto tempo fora de pauta em suas vidas.</p>
            <p>Os significados atribuídos à relação que os seres humanos estabelecem com os atributos físicos dos ambientes domésticos e urbanos, além da maneira como eles são organizados, expressam preferências ambientais transversas de subjetivas construções afetivas, sociais e culturais permeadas ao longo da vida dos sujeitos (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Dias &amp; Ramadier, 2015</xref>). Desse modo, pode-se concluir que ao investir na melhoria da relação dos participantes com suas residencias terapêuticas, com suas cidades de moradia e, ademais, potencializou-se sua autonomia e seus processos de escolhas, se favorece uma postura ativa e protagonista. </p>
         </sec>
         <sec>
            <title>Identidade Social Urbana</title>
            <bold> </bold>
            <p>As cidades possuem características culturais e sociais únicas, embora o impacto da urbanização tenha inferido nas paisagens urbanas e rurais, além das sensações de conexão entre as pessoas e os ambientes de seu entorno (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Gatersleben et al., 2020</xref>). Aproximar-se de lugares com propriedade ou características simbolicamente significativas, culturais e afetivas, fomenta a (re)construção do que, conceitualmente, entende-se por identidade social urbana.</p>
            <p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B28">Valera e Pol (1994</xref>), a identidade social urbana se refere a uma categorização social ligada ao pertencimento a um entorno urbano, a ser compreendida a partir as seguintes dimensões: a) territorial: correspondente aos limites geográficos; b) psicossocial: modo como cada grupo se reconhece; c) temporal: relacionada à história e as relações com o ambiente; d) conduta: práticas sociais; e) social: organização social e hierárquica, embora simbólica, do espaço; f) ideológica: forma de uso dos espaços, atravessados por valores e cultura.</p>
            <p>Ao permitir a integração de características físicas e sociais do meio e de seus recursos, oportuniza ao sujeito a acepção de avaliações e atitudes ambientais frente a ele (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Liu et al., 2020</xref>). Para <xref ref-type="bibr" rid="B29">Valera e Guàrdia (2002</xref>) o espaço urbano conserva um conjunto de características compartilhadas que alocam os habitantes como pertencentes a uma categoria social urbana determinada, particularmente definida pela inclusão ou pela abstração. Isto é, a interação com o ambiente é mediada pela identificação social que a pessoa desenvolve com o território, por exemplo: “eu me sinto daqui, finalmente voltei à minha cidade (P7)”.</p>
            <p>Na constituição de identidade social urbana as pessoas perpassam processos de apropriação, da residência, da cidade, dos novos lugares preferidos, explorados individual ou coletivamente. Para tanto, requer-se, além de identificação, interação entre as pessoas e os ambientes, de modo bidirecional. Dentre as relações (re)criadas aos participantes no cenário de desinstitucionalização, o fato de habitar o SRT transcende a mera ocupação física, explora-se o sentimento de lar. Importante e com múltiplos significados e valores, o lar promove sentimentos de pertença, de segurança, de conforto, de proteção, de liberdade, de refúgio (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Soilemezi et al., 2017</xref>).</p>
            <p>Ao ponderar sobre a exploração da casa com vistas a percepção da mesma como lar, traz-se ao discurso a importância do entorno sociofísico da residência terapêutica. Dentre os principais aspectos percebidos ao investigar as três casas, notou-se a confluência que a residência da cidade “pequena” possui com seu entorno, na sua rua, bairro e vizinhança. Foram possíveis observar trocas, visitas, conversas e bons encontros. Em menor intensidade e com a diferença da configuração arquitetônica da rua e bairro (essencialmente vertical, com prédios), na cidade “média” os moradores do residencial interagem com poucos vizinhos, embora busquem constantes diálogos com transeuntes que, frequentemente, apressados seguem o fluxo intenso da região central da cidade.</p>
            <p>Quanto à cidade “grande” e seu típico movimento constante, observou-se a dificuldade nos translados a pé por conta do constante tráfego nas ruas movimentadas, além do pouco engajamento na comunidade. O alto padrão socioeconômico do bairro também pode ser apontado como um dificultador, assim como verificado no estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B8">Fong et al. (2019</xref>) ao investigar as (baixas) correlações positivas entre vizinhos de classes ou <italic>status</italic> sociais distintos. Ademais, a centralidade da casa, embora positiva por facilitar a incursão urbana, dificulta a autonomia do morador em explorar seu entorno. Na medida em que alguns moradores temem o ritmo acelerado, como P1 “eu acho horrível esse trânsito rápido, eu prefiro caminhar aqui na rua, que não passa ninguém e tem aquelas árvores bonitas e com goiabas”. Outros, enfrentam as tentações dessa proximidade, como P6, que já fugiu diversas vezes e recaiu em uso de drogas.</p>
            <p>A realidade, a cultura e os hábitos de cada cidade foram notados com significativas diferenças e impactos nos modos de produção de vida das residências terapêuticas. O tom frenético da cidade “grande” se distancia ferozmente do que se vivencia na cidade “média”, mais ainda da cidade “pequena”. Embora também cultive suas dificuldades, a cidade “média” possui um clima interiorano, ainda que o SRT esteja em região central, há poucos metros dos principais pontos turísticos urbanos. Nesse cenário o maior destaque foi a redescoberta dos lugares significativos no entorno, o sentimento de estar em uma casa e se apropriar da mesma, assim como os relacionamentos entre os próprios moradores e com familiares e conhecidos.</p>
            <p>No estudo das relações pessoas-ambiente não faltam construtos psicológicos dedicados a conhecer e explorar as nuances dessas interrelações. Em comum, eles capturam as internalizações psicológicas do lugar por meio da identidade social, que pode ser internalizada como parte do eu, individual e coletivo. Na residência da cidade “pequena” essa correlação foi muito bem ilustrada, em diversos momentos, ao acompanhar uma caminhada pela rua e vê-los (participantes) cumprimentar toda a vizinhança, pelo compartilhar do chimarrão em visitas de vizinhos, pela intenção de adquirir uma casa própria de posse coletiva de todos os moradores, ou (e, corroborando) pela fala de P14: “nós aqui é tudo família, irmãos a gente chama né, onde um vai os outros vão também (risos)”.</p>
         </sec>
         <sec>
            <title>Síntese Integrativa</title>
            <bold> </bold>
            <p>Com o propósito de compreender a relação entre os atributos restauradores e os significados ambientais percebidos pelos moradores de SRT’s com a identidade social urbana constituída por eles com os SRT e as cidades que habitam, percorreu-se o enlace entre os EPA e a Saúde Mental. Transitou pela tríade conceitual envolvendo a análise do material obtido e as imersões ao longo da coleta de dados permitindo compilar os dados, os quais aqui se destacam.</p>
            <p>Os conhecidos benefícios da redução psicofisiológica do estresse a partir da relação, aproximação, contemplação e conexão com elementos verdes favorecem o bem-estar dos moradores da cidade “pequena”, haja vista sua caracterização. Além disso, aspectos igualmente fundamentais para a restauração que focam em oportunidades de obter conforto, refúgio e de pausa também foram destacados, nas três casas, de maneiras distintas. Os grandes espaços da residência da cidade “grande”, a ampla oferta de movimentos a percorrer se tornou um benefício ao isolamento, ao mesmo tempo que se pondera seu revés, na medida em que o lugar pouco convida a aproximações espontâneas entre os moradores.</p>
            <p>O SRT da cidade “pequena” foi pioneiro em um estado que ainda carece de investimentos na saúde mental no território, este dado caminha em consonância à fluidez das relações entre os moradores e os profissionais da casa. Poucos tópicos “a melhorar” podem ser abordados para esta residência, visto que seus destaques são muitos. A simetria entre aspectos culturais da cidade e os hábitos de vida dos moradores foi um facilitador. O modo de funcionamento da casa possibilita o protagonismo de todos os moradores, cada um sabe e compartilha suas funções com os demais. Os momentos de pausa e contemplação, individual ou coletivo, ditam o ritmo. A participação no CAPS, os contatos com a vizinhança, a imersão e diálogo com conhecidos na cidade, bem como a frequência em lugares de preferência sintetizam alguns dos progressos da relação dos moradores com os ambientes que habitam e transitam.</p>
            <p>Na residência da cidade “média” quatro dos seis moradores, à época, eram idosos, de modo que seus interesses e disponibilidades em interagir e participar das atividades da casa, do entorno e da cidade eram menores. Os outros dois moradores eram muito ativos, embora sejam os mais recentes a ingressarem na casa, timidamente começaram a inferir no ritmo da casa afim de melhor se apropriar e de criar um senso de comunidade, de família. Este residencial é o mais novo, dentre os três, observou-se que os profissionais constantemente expressam seus aprendizados, projetos em andamento e futuros, conquistas e objetivos. A participação ativa dos moradores na dinâmica da casa, a característica arquitetônica do residencial, a localização da casa e os projetos de inclusão social nas atividades culturais da cidade foram percebidos como diferenciais ao bem-estar e identificação dos moradores com o novo lar.</p>
            <p>Na casa da cidade “grande” a tônica do lar é dinâmica, a terapêutica trabalhada com os moradores envolve a contínua busca pela cidade e seus atrativos, em especial aos comércios, por lojas de roupas, acessórios, alimentos e recreação. Os moradores pouco se apropriaram da casa, com frequência os discursos de “logo vou embora daqui” eram entoados, o portão alto e fechado é símbolo das fugas e do conflito com as drogas. Isso não significa que o residencial não possui potencial benéfico aos moradores, mas sim que requer atentar para as reestruturações de foco a serem destinadas, principalmente, a fim da apropriação e bem-estar na casa. Para tanto, estima-se a melhora na participação protagonista dos moradores nas tarefas domésticas, a proposição de atividades, assim como a oferta de momentos de interação e de compartilhamento. Ademais, ousa-se ponderar, a realocação da casa para um bairro que permita, minimamente, maior autonomia aos moradores em explorar a residência, o entorno e novas relações sociais.</p>
            <p>Para o novo morador, a nova casa é, a princípio, um conflito de imagens, o novo entorno é como um espelho embaçado, um espaço desconhecido e que pouco se sabe “só de olhar”. A cidade, por sua vez, é "lá fora", ambiente que, talvez, nem se conheça por completo, gera incerteza. Aprender a conhecer o novo lugar exige identificação, permitir-se à descoberta envolve se implicar no processo. Estar implicado com a casa e seu entorno indica, portanto, a possibilidade de escapar à compreensão da cidade como um território de passagem, indica um conhecimento do ambiente que evidencia a necessidade do posicionamento corporal para garanti-lo. Criar vínculos afetivos com os novos espaços, tornando-os lugares e dotando-os de sentido, implica na criação de vínculos solidários, no compartilhamento do todo, na produção de modos de viver.</p>
         </sec>
      </sec>
      <sec sec-type="conclusions">
         <title>Considerações Finais</title>
         <bold> </bold>
         <p>O lar é um espaço orgânico e de transição, os significados que a ele atribuímos se modificam continuamente. Nos conectamos e o ambientamos na medida em que nossas necessidades e interesses se ressignificam e se reconstroem. Contudo, talvez, essa concepção apenas seja razoável àqueles que já experienciaram um lar, ou algo próximo a ele. Como já fora pontuado, os participantes deste estudo se encontram na exceção recentemente citada. Egressos de instituições psiquiátricas e seus formatos operacionais em tom asilar, perpétuo e com poucas oportunidades de práticas autônomas, auto elegíveis e personalizadas, essas pessoas estão agora (re)aprendendo produções de vida.</p>
         <p>Esta pesquisa se propôs à mescla dos Estudos Pessoa-Ambiente, em especial pelo viés da Psicologia Ambiental, com a Saúde Mental. Para tanto, três conceitos-chave foram investigados em três distintos Serviços Residenciais Terapêuticos, escolhidos por serem os únicos do Estado em questão e no intuito de explorar distintas realidades socioculturais e geográficas. Em síntese, constatou-se a imensa possibilidade de melhoria no cotidiano terapêutico dos residenciais (em consideração aos propósitos do Serviço) com a implementação de práticas que atentem às estratégias aproximações e integrações entre os moradores e seus entornos urbanos. Com isso, estimam-se benefícios em redução de estresse, aumento de bem-estar, potencialização na autoidentificação com o(s) lugar(es), fomento a subjetividades afetivas nas relações com os cenários, trajetos e pessoas do entorno.</p>
      </sec>
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