﻿<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?><doc sps="1.9" acron="psipesq" jtitle="Psicologia em Pesquisa" stitle="Psicol. pesq." issn="1982-1247" eissn="1982-1247" pubname="Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFJF" license="http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0" volid="17" issueno="1" dateiso="20230000" fpage="1" lpage="25" artdate="20230401" pagcount="25" doctopic="oa" language="pt"><doi><bold>10.34019/1982-1247.2023.v17.35700</bold></doi><bold> </bold>
<bold> </bold>
<doctitle><bold>Sentimento de comunidade e integração social de jovens camponeses no ensino superior</bold></doctitle>
<doctitle language="en"><bold>Sense of community and social integration of young peasants in higher education</bold></doctitle>
<doctitle language="es"><bold>Sentido de comunidad e integración social de jóvenes campesinos en la educación universitaria</bold></doctitle><bold> </bold>
<bold> </bold>
<author role="nd"><fname>Alexsandra Maria Sousa</fname> <surname>Silva</surname><xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>1</sup></xref> <authorid authidtp="orcid">https://orcid.org/0000-0003-3362-2685</authorid> </author>
<author role="nd"><fname>Verônica Morais</fname> <surname>Ximenes</surname><xref ref-type="aff" rid="aff2"><sup>2</sup></xref> <authorid authidtp="orcid">https://orcid.org/0000-0003-3564-8555</authorid> </author>

<normaff id="aff1" ncountry="Brazil" norgname="Universidade Federal do Ceará" icountry="BR"><label><sup>1</sup></label><orgname>Universidade Federal do Ceará</orgname> <email> alexsandramss88@gmail.com </email> (<orgdiv1>UFC</orgdiv1>)</normaff>
<normaff id="aff2" ncountry="Brazil" norgname="Universidade Federal do Ceará" icountry="BR"><label><sup>2</sup></label><orgname>Universidade Federal do Ceará </orgname>(<orgdiv1>UFC</orgdiv1>) <email> vemorais@yahoo.com.br </email> </normaff>

<xmlabstr language="pt"><sectitle><bold>RESUMO</bold></sectitle><bold> </bold>
<p>	O objetivo foi compreender como se desenvolve o sentimento de comunidade no contexto rural e a integração social dos jovens na universidade. O método foi misto. Utilizou-se a Escala de Integração Social no Ensino Superior - Revisada e Aumentada (EISES-R), a Escala de Sentimento de Comunidade e entrevistas semiestruturadas. Os participantes foram jovens camponeses regularmente matriculados em uma instituição de ensino superior. Os dados foram analisados por meio do SPSS 2.1, e do Atlas ti 5.2. O sentimento de comunidade pode sofrer interferências da migração, no entanto não guarda relações com a inserção desse jovem na universidade.</p></xmlabstr>
<kwdgrp language="pt"><sectitle>	<bold>PALAVRAS-CHAVE</bold>:</sectitle> <kwd>Sentimento de Comunidade</kwd>. <kwd>Integração Social</kwd>. <kwd>Jovens Camponeses</kwd>. <kwd>Ensino Superior.</kwd></kwdgrp>
		
<xmlabstr language="en"><sectitle><bold>ABSTRACT</bold></sectitle><bold> </bold>
<p>	The objective was to understand the development of the sense of community in the rural context and the social integration of young people in university. The method was mixed. The Social Integration Scale in Higher Education - Revised and Augmented (EISES-R), the Community Sense Scale, and semi-structured interviews were used. Participants were young people in a rural context regularly enrolled at a higher education institution. Data were analyzed using SPSS 2.1 and Atlas ti 5.2. The sense of community can be interfered with by migration; however, it is not related to the insertion of this young person in university.</p></xmlabstr>
<kwdgrp language="en"><sectitle>	<bold>KEYWORDS</bold>:</sectitle> <kwd>Sense of Community</kwd>. <kwd>Social Integration</kwd>. <kwd>Young peasants</kwd>. <kwd>Higher Education.</kwd></kwdgrp>

<xmlabstr language="es"><sectitle><bold>RESUMEN</bold></sectitle><bold> </bold>
<p>	El objetivo fue comprender cómo se desarrolla el sentido  de comunidad en el contexto rural y la integración social de los jóvenes en la universidad. El método fue mixto. Se utilizó la Escala de Integración Social en la Educación Superior - Revisada y Aumentada (EISES-R), la Escala de Sentido  de Comunidad  y entrevistas semi-estructuradas. Los participantes eran jóvenes campesinos  matriculados regularmente en una institución de educación superior. Los datos fueron analizados con SPSS 2.1 y Atlas ti 5.2. El sentido  de comunidad puede verse afectado por la migración, sin embargo, no está relacionado con la inserción de ese joven en la universidad.</p></xmlabstr>
<kwdgrp language="es"><sectitle><bold>PALABRAS CLAVE</bold>:</sectitle> <kwd>Sentido  de Comunidad</kwd>. <kwd>Integración Social</kwd>. <kwd>Jóvenes Campesinos</kwd>. <kwd>Educación Superior .</kwd></kwdgrp>

<corresp id="c1">Informações do Artigo: <label>Alexsandra Maria Sousa Silva</label>: <email>alexsandramss88@gmail.com</email></corresp>
<hist>Recebido em: <received dateiso="20210909">09/09/2021</received>
Aceito em: <accepted dateiso="20220201">01/02/2022</accepted></hist>

<xmlbody><p><xref ref-type="bibr" rid="r31">Zago (2016</xref>) aponta a importância da inserção no ensino superior como uma forma de reconhecimento social e simbólico, e <xref ref-type="bibr" rid="r2">Almeida (2019</xref>) ressalta que esse ingresso marca um momento de transição e de desafios. Isso ocorre devido às mudanças provenientes da passagem da educação escolar ao ingresso no ensino superior, quando o estudante se depara com uma cultura de autoaprendizagem que exige autonomia crescente (<xref ref-type="bibr" rid="r10">Frison et al.<italic>, </italic>2021</xref>).</p>
<p>Parte-se do pressuposto de que o jovem camponês vivencia um sentimento de comunidade associado a certos modos de vida no contexto rural. Tal sentimento de comunidade sofre impactos importantes quando ocorrem processos de migração e de inserção desse jovem na universidade. </p>
<p>O sentimento de comunidade é um conceito antigo e, ao mesmo tempo, atual. Sua primeira formulação conceitual foi realizada por <xref ref-type="bibr" rid="r25">Sarason (1974</xref>), a partir da qual a Psicologia Comunitária a abraçou, reconhecendo sua importância e complexidade. A ideia de comunidade é definida a partir de uma leitura histórica e social que assume diversos significados ao longo do tempo (<xref ref-type="bibr" rid="r26">Silva &amp; Hespanhol, 2016</xref>).</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="r18">Oberg (2018</xref>) pontua que, no ideal social, a comunidade é um lugar de pessoas boas que constroem relações harmônicas, retratando uma visão romantizada sobre comunidade. No entanto, entendemos que comunidade se trata, na verdade, de um lugar de convivência atravessado por relações de afetos e conflitos, de libertação e opressão. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="r19">Oliveira (2017</xref>), há muito tempo constituímos a noção de que pertencemos a um grupo e construímos relações de confiança, reciprocidade e vínculo diferentes daquelas que não pertencem ao grupo. É esse conjunto de relações, o qual envolve laços afetivos e emocionais, e vincula sujeitos entre si e com o lugar, que contribui para o sentimento de comunidade. Nesse sentido, a formulação inicial de <xref ref-type="bibr" rid="r25">Sarason (1974</xref>) definiu sentimento de comunidade como laços que unem as pessoas e a comunidade, sendo importante para a construção de vínculos positivos e sentimento de pertence ao lugar. Já para <xref ref-type="bibr" rid="r15">McMillan e Chavis (1986</xref>), este conceito é definido a partir de dimensões, a saber: Estatuto de Membro, definido pelo sentimento de pertença ao lugar; Influência, que se refere ao quanto a comunidade influencia e é influenciada por seus membros; Integração e Satisfação das Necessidades, fator relacionado ao tanto que a comunidade dispõe de possibilidades e recursos para satisfazer as necessidades de seus moradores; e, por último, Ligações Emocionais Partilhadas, ou seja, as emoções compartilhadas que podem ser construtoras de vínculos entre as pessoas. </p>
<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="r9">Favero et al. (2016</xref>), o sentimento de comunidade envolve apoio social e está relacionado à participação comunitária e à identidade subjetiva e social. Destarte o sentir-se pertencente a um espaço comunitário pode estimular a participação e fortalecer a identidade de seus partícipes e vice-versa. <xref ref-type="bibr" rid="r23">Ramos-Vidal (2017</xref>) ressalta que o nível de pertencimento do sujeito à comunidade pode ser explicado a partir da variação do nível de empoderamento e da participação. </p>
<p>Dados ancorados na pesquisa de <xref ref-type="bibr" rid="r17">Nepomuceno et al. (2017</xref>) afirmam que o sentimento de comunidade no contexto rural se mostrou maior que em comunidades urbanas. Isso se deve aos diferentes modos de socialização e vinculação afetiva e emocional - no contexto rural, tais formatos de relação geralmente ocorrem de maneira mais próxima. A forte ligação com o rural é reforçada pelo modo de vida desse jovem, sua relação com a terra e a natureza, e seus vínculos pessoais, familiares e comunitários, que são importantes fontes de apoio (<xref ref-type="bibr" rid="r5">Cavalcante &amp; Silva, 2016</xref>). No entanto o rural ainda é marcado por algumas lacunas, principalmente a falta de oportunidade de acesso ao ensino superior, fato que intensifica práticas migratórias de jovens.</p>
<p>O fenômeno da migração vem sendo discutido na mídia, nos meios de comunicação e nas ciências há muitos anos, marcando a história da humanidade e ganhando força com o capitalismo e o avanço da globalização. Para <xref ref-type="bibr" rid="r19">Oliveira (2017</xref>), migrar é “deslocar-se para outra região, país ou local, assim como os pássaros, os seres humanos também vêm utilizando esse conceito há milênios” (p. 94). A migração, seja de caráter duradouro ou temporário, gera implicações psicológicas à medida que mudar de lugar resulta em mudanças subjetivas. Como afirma <xref ref-type="bibr" rid="r23">Ramos-Vidal (2017</xref>), as consequências do deslocamento e da mobilidade humana produzem efeitos em nível individual, familiar, comunitário e macrossocial. </p>
<p>O sentido que o jovem constrói a partir de sua vivência na cidade interfere na construção do seu sentimento de comunidade e no seu projeto de vida. A vivência como jovem universitário e as condições de adaptação a essa cultura implicam relações sociais, acadêmicas, rendimento, etc., e podem interferir no sentimento de pertencimento à universidade, em seu sucesso ou fracasso, em sua permanência ou evasão, em sua saúde ou adoecimento psíquico. Esse cenário é produto de multideterminações, dentre as quais estão não apenas o rendimento acadêmico e as relações de sociabilização, mas também a lógica que estrutura o produtivismo na universidade, o racismo epistemológico, as colonialidades e os embates entre saberes acadêmicos e universitários que atravessam e compõem os desafios vivenciados por esses jovens. Diante do exposto, o objetivo deste artigo é compreender como se desenvolve o sentimento de comunidade no contexto rural e a integração social dos jovens na universidade. </p>
<sec sec-type="methods"><sectitle><bold>Metodologia</bold></sectitle>
<p>Trata-se de uma pesquisa mista, na qual se buscou articular dados quantitativos e qualitativos, produzidos em duas etapas. </p>
<subsec><sectitle><bold>Participantes</bold></sectitle>
<p>Os critérios para participação foram: ser estudante maior de 18 anos e estar regularmente matriculado na universidade, além de participar ou já ter participado de programas de assistência estudantil na modalidade Auxílio Moradia e/ou Bolsa de Iniciação Acadêmica; ter interesse e disponibilidade para participação voluntária na pesquisa, com a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Ademais, para realização da segunda fase da pesquisa, além dos itens prévios, inclui-se também como critério ter participado da primeira etapa.</p>
<p>Na primeira etapa da investigação, obtiveram-se 138 questionários válidos, aplicado com jovens (18 a 29 anos), universitários, oriundos de regiões rurais. Já na segunda etapa, foram realizadas 14 entrevistas, das quais 2 foram excluídas por não atenderem aos critérios mencionados.</p>
</subsec><subsec><sectitle><bold>Instrumentos</bold></sectitle>
<p>Os questionários foram compostos pela Escala de Integração Social no Ensino Superior - Revisada e Aumentada (EISES-R) (<xref ref-type="bibr" rid="r7">Diniz, 2009</xref>) e pela Escala adaptada do Índice de Sentido de Comunidade (<xref ref-type="bibr" rid="r22">Peterson et al., 2006</xref>). A Escala de Integração Social no Ensino Superior (EISES-R) foi criada por <xref ref-type="bibr" rid="r7">Diniz (2009</xref>), em Portugal, adaptada para português do Brasil e utilizada em pesquisas por <xref ref-type="bibr" rid="r1">Abreu (2019</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="r27">Silva (2020</xref>). Na análise de confiabilidade, realizada em nossa pesquisa, o alfa de Cronbach foi 0,881 (maior ou igual a 0,70), portanto, aceitável. O instrumento é composto por 30 itens, a partir de cinco fatores, cada um com seis tópicos, organizados do seguinte modo: 1) Equilíbrio Emocional (EE); 2) Relações com Colegas (RC); 3) Relações com Professores (RP); 4) Relações com Família (RF); 5) Relações com Amigos (RA). </p>
<p>A Escala de Senso de Comunidade também foi utilizada neste estudo. Sua versão original, que provém do conceito de Sentido de Comunidade (<xref ref-type="bibr" rid="r15">McMillan &amp; Chavis, 1986</xref>), é multifatorial e composta por 46 itens. Optou-se por utilizar a versão reduzida, composta por 9 itens e proposta também por <xref ref-type="bibr" rid="r22">Peterson, Speer e Hughey (2006</xref>). Tais itens são organizados em 4 dimensões: 1) Integração e satisfação das necessidades; 2) Filiação e pertença; 3) Influência; e 4) Conexão Emocional Partilhada. Os itens foram avaliados a partir de uma escala Likert, com pontuação de 0 a 4 (0- discordo muito, 1- discordo, 2- nem concordo e nem discordo, 3- concordo e 4- concordo muito).</p>
<p>Na segunda etapa, de caráter qualitativo, foram realizadas entrevistas semiestruturadas, partindo de um roteiro previamente elaborado com questões sobre o modo de vida na comunidade, a vivência na comunidade, na universidade e no curso.</p>
</subsec><subsec><sectitle><bold>Análise dos dados</bold></sectitle>
<p>Os dados provenientes desta primeira etapa foram tabulados em um banco de dados do <italic>software</italic> de análise estatística SPSS 21.0 (<italic>Statistical Product and Service Solutions</italic>). Esse mesmo programa foi utilizado para realizar tratamento e análise das mensurações, a saber, Teste <italic>t</italic> de Student, análise de correlação de Pearson, ANOVA e regressão linear. Os dados oriundos das entrevistas foram transcritos e analisados a partir da análise de conteúdo temática (<xref ref-type="bibr" rid="r3">Bardin, 1977</xref>), com auxílio do <italic>software</italic> ATLAS<italic> ti</italic> 5.2. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa de uma Instituição de Ensino Superior, através do sistema Plataforma Brasil, CAEE: 81078017.7.0000.5054 e processo: 2.588.419.</p>
</subsec></sec><sec sec-type="results|discussion"><sectitle><bold>Resultados e discussão</bold></sectitle>
<subsec><sectitle><bold>Jovens do campo e a metamorfose de desejos</bold></sectitle>
<p><xref ref-type="bibr" rid="r31">Zago (2016</xref>) aponta em seu estudo que o jovem camponês tem apresentado novas demandas por níveis de ensino cada vez mais especializados. Tal cenário traz à luz o questionamento de se esse jovem, ao experimentar a vida na cidade, deseja voltar para sua comunidade de origem. Essa discussão pode ser disparada a partir do diálogo:</p>
<quote>Pesquisador: “Você pensa em voltar lá <italic>pra</italic> sua comunidade ou ficar aqui? O que você pensa?”</quote>
<quote>Entrevistado: "Eu penso em não &#091;voltar&#093;, penso em trabalhar fora, outro estado. Quando eu tiver já, tiver uma condição de dar uma melhor vida pra minha família, eu volto <italic>pra</italic> Coreaú <italic>pra</italic> ajudar eles. Quando eu já tiver uma base, <italic>né</italic>?” </quote>
<quote>Pesquisador: “Aí, &#091;você&#093; pretende morar em Coreaú?” </quote>
<quote>Entrevistado: “Sim, mas lá <italic>pro</italic>... Quando já tiver já com uma idade bem avançada” (Entrevistado 6, 12/06/19, Universidade).</quote>
<p>Diante de tal trecho, é preciso repensar a ideia de sentimento de comunidade não restrita ao apego ao lugar e ao desejo de retornar à comunidade. Isso porque emergem novas relações com esse lugar, dado o contexto em que esse jovem está inserido e a necessidade de crescimento e desenvolvimento psicossocial. Com efeito, <xref ref-type="bibr" rid="r21">Panno e Machado (2014</xref>) têm apontado o aparecimento do desinteresse do jovem em permanecer na propriedade rural e não mais contribuir com o desenvolvimento da agricultura. Nesse sentido, é preciso evidenciar a dimensão social e cultural que atravessa esses desejos: inexistem políticas de indução do retorno desses jovens para suas comunidades. Não existe um panorama favorável e nem políticas que investem na reinserção desses jovens nas realidades de onde vêm. </p>
<p>Isso aponta a necessidade de reavaliar a migração rural-urbana no contexto atual, assim como visibilizar aspectos macro e microssociais da vida desse jovem estudante migrante. Tal análise implica ainda em adentrar discussões no campo das políticas públicas de educação superior para juventude, principalmente porque o índice crescente de jovens que querem sair do ambiente rural para o urbano tem representado uma mudança em sua configuração e se distanciado dos propósitos da reprodução da agricultura familiar. Para <xref ref-type="bibr" rid="r21">Panno e Machado (2014</xref>), um dos fatores que estimulam a evasão de jovens camponeses das realidades rurais é a influência das tecnologias da informação, as quais geram interesse pelo estilo de vida urbano. Percebe-se, nesse caso, o quanto a vivência no ensino superior pode transformar a visão do jovem, de modo a gerar novos interesses, inclusive o de desbravar outros universos, na busca do crescimento pessoal, profissional e social. Como demonstra o seguinte fragmento de entrevista:</p>
<quote>É muito pouco atrativo pra mim lá, eu penso que eu não quero voltar <italic>pra</italic> lá quando eu me formar, eu acho que vai ser muito complicado se eu tiver que voltar <italic>pra</italic> lá, porque não tem nada que me prenda lá, a não ser a minha relação com a minha família que é mais uma coisa de construção mesmo social, de ter essa coisa de vínculo com a família. Mas nem isso me prende muito lá. É... É uma cidade que é pequena, mas não é o fato de ela ser pequena que não me atrai... É... São as pessoas, as coisas que que tem lá, os lugares, &#091;isso&#093; não, não me atrai, não me atrai mais mesmo. (Entrevistado 7, 12/06/2019, Universidade). </quote>
<p><xref ref-type="bibr" rid="r31">Zago (2016</xref>) acrescenta que a busca pelo ensino superior e uma maior qualificação, historicamente, são fatores fundamentais que devem ser considerados quando se discute a migração. Isso se evidencia no discurso do entrevistado quando afirma: “Já era uma coisa que eu pretendia, porque eu tenho bastante afinidade com o curso, né?! E se eu ficasse lá na serra eu ia me sentir pressionado a trabalhar, e eu queria focar nos estudos” (Entrevistado 11, 18/06/19, Universidade). Nessa esteira, muitos jovens deixam suas pequenas comunidades rumo às grandes cidades, acreditando que, ao cursar o ensino superior, contribuirão para seu bem-estar e uma melhor qualidade de vida. </p>
<p>Apesar disso, dentre as dificuldades enfrentadas, tem-se o afastamento dos vínculos familiares e comunitários, o exercício da autonomia e os desafios de gerir a própria vida numa cidade com características bem mais complexas que sua localidade de origem. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="r12">Lopes et al. (2020</xref>), os aspectos sociais e econômicos, como a renda, podem afetar o rendimento escolar de jovens. Isso se confirma no discurso seguinte:</p>
<quote>“Assim... É... Em termos financeiros, foi estranho &#091;pausa&#093; até porque a gente sai totalmente sem noção. Eu sou o irmão mais velho, então para mim foi um... É... Eu era o primeiro caso de qualquer jeito, então eu não tinha noção de quanto que eu ia gastar e etc. Mas eu tinha um lado um pouco mais fácil, porque eu tenho uma tia que morava na cidade. Então eu morei seis meses com ela. Aí facilitou a vida um pouco. Mas é aquela coisa: você... Você nunca... Nunca... Só vim <italic>pra</italic> cidade com meus pais, às vezes, e voltava no mesmo dia. Você vir morar nessa cidade e tal, aí já é um... Um negócio mais difícil. Tipo, é uma aventura maior” (Entrevistado 13, 22/05/19, Universidade).</quote>
<p>De fato, essas mudanças exigem um processo de adaptação que perpassa a construção de um sentimento de pertencimento e vinculação a esse duplo contexto, o urbano e a universidade. As principais dificuldades vivenciadas por esses jovens migrantes rurais são provenientes das diferenças entre o ambiente rural e o urbano e das mudanças advindas com o ingresso na universidade. <xref ref-type="bibr" rid="r11">Kedari e Abhyankar (2015</xref>) afirmam que a migração tem um impacto na vida pessoal, acadêmica e psicológica dos jovens, pois trata-se de processos de mudança pessoal, social e cultural.</p>
</subsec><subsec><sectitle><bold>Sentimento de comunidade e integração do jovem na universidade</bold></sectitle>
<p>A hipótese desse estudo apontava para a existência de uma relação entre o sentimento de comunidade do jovem camponês e a integração social no ensino superior. Para verificar essa hipótese foi realizado, inicialmente, um Teste <italic>t</italic> de Student. Neste estudo (N=138), o teste não mostrou diferenças estatisticamente significativas para um intervalo de 95% de confiança. A partir do Teste de Levene, identificou-se que não há diferenças significativas entre o sentimento de comunidade e os fatores relacionados a EISES-R. </p>
<p>Para confirmar os dados obtidos pela ANOVA e o teste <italic>t</italic> do Sentimento de Comunidade Total e os Fatores EISES-R, foi realizado o teste de correlação de Pearson entre o Sentimento de comunidade total e os fatores da EISES-R, cujos resultados foram os seguintes: Fator equilíbrio emocional (<italic>p</italic>=0,991; <italic>p</italic>&gt;0,05); Fator relação com os professores (<italic>p</italic>=0,180; <italic>p</italic>&gt;0,05); Fator relação com os amigos (<italic>p</italic>=0,806; <italic>p</italic>&gt;0,05); fator relação com a família (<italic>p</italic>=0,367; <italic>p</italic>&gt;0,05). Esses resultados confirmam que realmente, neste estudo, que não há diferença significativa entre as o sentimento de comunidade e os fatores da EISES-R.</p>
<p>Para a discussão desses dados quantitativos, entendeu-se que a realidade da comunidade rural e da universidade são contextos diferentes e não excludentes. Considerou-se, com isso, que o sentimento de comunidade e a integração à universidade não dependem um do outro diretamente, já que essa relação é atravessada pelas diferentes experiências estabelecidas com cada uma das realidades de maneira singular. O próximo fragmento de entrevista ilustra essa relação:</p>
<quote>“Eu gosto do lugar, tanto que eu <italic>tô</italic> lá toda semana. Não quero voltar a morar de vez, até porque <italic>pra</italic> minha área é inviável, mas é um lugar que eu gosto. Todo fim e... Como eu falei, todo fim de semana eu faço tudo <italic>pra</italic> ir <italic>pra</italic> lá. Até porque eu encaro muito como um descanso” (Entrevistado 13, 22/05/19, Universidade).</quote>
<p>Por outro lado, os jovens entrevistados destacam o significado positivo e o vínculo com sua comunidade. Mesmo não pretendendo retornar, seu lugar de origem representa um refúgio, um espaço relacionado ao prazer e ao lazer, que, muitas vezes, se contrapõe à cidade, a qual representa o lugar de estudo e batalha pelos objetivos almejados. O trecho seguinte, extraído de uma entrevista, acrescenta nuances a essa constatação.</p>
<quote>Pesquisador: “E como é pra você chegar lá, hoje? Porque antes você morava - <italic>né</italic>? - lá. E hoje você fica vindo <italic>pra</italic> cá e indo pra lá. Como é, hoje, quando você vai o final de semana <italic>pra</italic> lá?”</quote>
<quote>Entrevistado: &#091;demora para responder&#093; “Hoje... Hoje, <italic>pra</italic> mim, é... Eu considero normal. Assim, eu passo o dia &#091;ou melhor&#093; a semana aqui, não tem muito impacto não. Eu chego lá. Às vezes eu gosto muito de sair, <italic>né</italic>? Ir <italic>pra</italic> banho, passeio... Essas coisas. Eu gosto de ir <italic>pra</italic> lá <italic>pra</italic>, realmente... Tipo, desafogar algumas coisas. Porque aqui a gente fica só, fica só não, fica dentro do apartamento direto, estudando... Essas coisas. Lá não, lá a gente é... É como se fosse, &#091;é como se&#093; a gente pudesse sair, desabafar alguma coisa.”</quote>
<quote>Pesquisador: “E aqui você tem... Você tem fonte de lazer assim?” </quote>
<quote>Entrevistado: “Aqui geralmente a gente gosta muito de jogar futebol, futsal na quadra à noite às vezes. Academia eu pratico também, raramente. A gente vai no shopping assistir algum filme, a gente sai também pra praça conversar” (Entrevistado 6, 12/06/19, Universidade).       </quote>
<p>A cidade passa a ser o lugar destinado aos estudos, à formação e a outras atividades relacionadas a isso. Vê-se, portanto, uma certa separação entre o prazer ligado ao retorno à sua comunidade e as obrigações presentes no cotidiano urbano, mais ligadas à universidade. Mesmo quando tais jovens decidem ficar, durante o final de semana, na cidade, parece que o motivo que move tal permanência está relacionado às obrigações acadêmicas. A próxima fala evidencia mais um fator desta questão:</p>
<quote>“Aí é muito bom, dá pra descansar bastante, é um lugar que eu tenho pra mim, de descanso. Porque na cidade eu <italic>tô</italic> toda hora fazendo alguma coisa, porque eu tenho a bolsa e também estagio, aí, tipo, toda hora eu <italic>tô</italic> fazendo alguma coisa, aí lá não. Lá eu posso ficar despreocupada” (Entrevistada 10, 17/06/19, Universidade).</quote>
<p>A partir desse trecho, observa-se que embora haja um discurso de desinteresse do jovem em voltar a morar em sua comunidade rural, os dados da pesquisa apontaram um considerável índice de retorno à comunidade: 49,3% (n=68) retornam à sua comunidade de origem todo final de semana e 13,0% (n=18) 3 vezes no mês. Esse dado pode sugerir que esse retorno frequente representa uma alta vinculação do sujeito à sua comunidade. Tal panorama representa novos modos de socialização e relação desses jovens camponeses com seu lugar de origem. Dessa forma, o cenário apontado por esses jovens é de que gostam de sua comunidade rural, sentem prazer em frequentá-la, porém não mais projetam seu futuro lá. Desta forma é interessante perceber o quanto essa nova relação com a comunidade tem servido para fortalecer os jovens camponeses na busca pelos seus sonhos que estão relacionados ao urbano. </p>
<p>É possível problematizar o conceito de sentimento de comunidade para esses jovens, uma vez que a representação de comunidade remete a um lugar de prazer e descanso. O sentimento de comunidade parece anunciar novas configurações na modernidade. O jovem reconhece a importância de sair do seu lugar de origem para se desenvolver na cidade, visto que o ensino superior se torna prioridade e é o que prevalece na sua relação com a cidade, no entanto, em paralelo, ele tende a nutrir uma vinculação positiva ao seu lugar de origem. Nesse sentido, a cidade é o lugar de estudar, dedicar-se à universidade, batalhar por uma formação. Já a comunidade é o espaço de aconchego, o ninho, onde os jovens buscam o alívio para as agruras do universo acadêmico e urbano:</p>
<quote>“Durante o semestre eu <italic>tava</italic> morto, assim, morto de cansado, de tanto estudar. A minha mãe chega, me olhava assim &#091;e&#093; dizia que eu <italic>tava</italic> muito magro, cansado. Mas era mais um momento, assim, de respirar, sabe? De dizer assim: - Estou de novo com o apoio dos meus pais aqui. Eu tirava o fim de semana pra ficar em casa, às vezes eu nem via ninguém, assim, dos meus amigos, porque eu gostava de <italic>tá</italic> ali descansado... Só de saber que nem &#091;que&#093; fosse pra dormir mesmo, mas só de saber que eu <italic>tava </italic>em casa, já era um alívio muito grande. Assim, criava aquele... Revigorava, né? <italic>Pra</italic> poder voltar <italic>pra</italic> enfrentar mais um módulo” (Entrevistado 8, 12/06/19, Universidade).</quote>
<p>A frequência de retorno e a representação emocional e afetiva que os jovens entrevistados construíram sobre sua comunidade são sinalizadores dessas novas relações estabelecidas com o meio rural. Além disso, a ampliação do capital educacional evidencia novas perspectivas pessoais e profissionais por parte desses jovens. O ingresso na universidade simboliza uma progressão subjetiva, educacional e social. Para além do diploma, que tem um valor crucial na sociedade moderna, acessar o ensino superior impele e estimula o fortalecimento de suas identidades, pois trata-se de um lugar desejado: “É uma grande oportunidade, porque, onde eu <italic>tô</italic>, muitas pessoas lutam <italic>pra tá, né</italic>?” (Entrevistado 11, 17/06/21, Universidade).</p>
<p>Foi realizada uma análise de variância de uma via (ANOVA-One Way) com o objetivo de avaliar se havia diferenças entre a frequência de retorno à comunidade e os níveis de sentimento de comunidade.  O Teste de Levene demonstrou que os grupos não apresentam homogeneidade de variância (Levene (5, 950) = 0,042 p &lt; 0,01). Os resultados da ANOVA demonstraram que haviam diferenças entre os grupos &#091;Welch´s <italic>F </italic>(2, 5,950) = 0,678, <italic>p</italic> &lt; 0,001&#093;.  Assim, os resultados apontam que existir uma relação positiva entre a frequência de retorno à comunidade e o aumento do sentimento de comunidade.</p>
<p>Para aprofundar a exploração desses dados, criaram-se dois grupos: 1º) os jovens que apresentaram maior frequência de retorno à comunidade (todo final de semana e 3 vezes ao mês) e 2º) os jovens com menor frequência de regresso à comunidade (2 vezes ao mês, uma visita mensal e apenas nas férias), com vistas a realizar uma ANOVA entre esses grupos e o índice total de sentimento de comunidade. Para realização deste teste, a variável dependente estabelecida foi sentimento de comunidade e as variáveis independentes determinadas foram os grupos de maior e de menor frequência. </p>
<p>Quando comparadas as médias dos grupos, foi possível observar que o grupo com maior frequência de retorno a comunidade (M=2,066) apresenta melhores índices de sentimento de comunidade, do que o grupo com menor frequência de retorno a comunidade (M=1,761). Isso, pode ser um indicativo que os sujeitos que retornam mais as comunidades de origem se percebem mais pertencentes a estes locais. Contudo, também observa-se, a partir dos achados, que os jovens possuem também o desejo pela migração e pela mobilidade, em busca de novos campos de possibilidade não existentes em seu lugar de origem. Acredita-se que a vivência universitária, ao passo que é perpassada por condições adoecedoras e geradoras de sofrimento, produz também o desenvolvimento do potencial e da capacidade desse jovem de acreditar e investir em seus sonhos. </p>

</subsec><subsec><sectitle><bold>A inserção do jovem camponês na universidade</bold></sectitle>
<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="r13">Marques (2015</xref>), durante a gestão do presidente Luís Inácio “Lula” da Silva, de 2003 a janeiro de 2011, foram implementadas políticas de inclusão e democratização do ensino superior nas IES públicas brasileiras, como as políticas de ações afirmativas para negros, indígenas e alunos provenientes da escola pública, além de políticas de assistência estudantil, o REUNI (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), que contribuiu com o processo de interiorização das universidades federais, e o PROUNI (Programa Universidade para Todos), que possibilita o acesso do estudante pobre a instituições privadas de ensino superior. </p>
<p>Nesse sentido, discutir sobre políticas de ensino superior para jovens do campo implica reconhecer que houve um movimento histórico e social de luta pelo direito à educação da população campesina. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="r24">Santos (2017</xref>), a produção de conhecimento e o desenvolvimento promovido pelas escolas do campo favoreceu a construção do reconhecimento e a visibilização de identidades que se metamorfoseavam contextualizadas em um país também em transformação. Acredita-se que esse percurso protagonizado pela educação do campo tenha firmado o interesse dessa juventude rural em uma maior politização de sua formação e na busca pelo acesso ao ensino superior.</p>
<p>Paula (2017), ao analisar essas estratégias de democratização do ensino superior promovidas pelo governo Lula, acrescenta que essas ampliam o acesso do estudante a tal nível de ensino, mas precisam ser pensadas em continuidade, a fim de evitar outros problemas relacionados ao capital econômico, social e cultural desses alunos que passam a enfrentar dificuldades materiais e acadêmicas após seu ingresso na universidade. O Programa Auxílio Moradia foi criado com a finalidade de prestar apoio assistencial aos estudantes de origem rural, que precisavam morar na cidade e não dispunham de condições socioeconômicas (Universidade Federal do <xref ref-type="bibr" rid="r29">Ceará, 2014</xref>). É interessante destacar como esse auxilio veio permitir o acesso e garantir o sustento desses jovens, como demonstra o fragmento a seguir:</p>
<quote>Pesquisador: “Como é que você acha que &#091;o auxílio moradia&#093; influencia sua vida? Aspectos positivos e negativos.”</quote>
<quote>Entrevistado: “Eu acho que não existem &#091;aspectos&#093; negativos, porque eu até uma vez sentei com um colega meu, que terminou agora, que também recebe, <italic>né</italic>? Recebia. E aí a gente, conversando e vendo que não teria como a gente continuar na cidade sem o auxílio, porque, por mais que o meu pai tivesse lá trabalhando, mas era... Era... Não é um emprego, é algo muito instável, tanto a agricultura quanto ele como pastor, porque a igreja não dava um salário mesmo a ele. Era algo mesmo se a comunidade contribuísse, bem, se não, também a igreja não ia arcar com o custo. Então já tinha aquela garantia de que pelo menos aquele valor ia <italic>tá</italic> na minha conta todos os meses, então... De aluguel era praticamente o que me sustentava aqui. Então ia ser bem mais difícil, provavelmente, não vou dizer impossível, mas ia ter que pedir ajuda de outros familiares <italic>pra</italic> poder fazer com que eu conseguisse permanecer na cidade. Então foi fundamental, fundamental até aqui” (Entrevistado 8, 12/06/19, Universidade).</quote>
<p>A partir de tal relato, constata-se então o salto qualitativo que as políticas de assistência estudantil promoveram na vida dos jovens pobres e migrantes. <xref ref-type="bibr" rid="r6">Costa de Paula (2017</xref>) pontua a importância das políticas de inclusão no ensino superior e a necessidade de iniciativas que primam pelo acompanhamento desse estudante, a fim de garantir a permanência e conclusão. Reforça-se, portanto, a importância das políticas de assistência estudantil, na perspectiva de garantia desse acesso socioeconômico, mas também na necessidade de incluir os aspectos subjetivos e emocionais, como atenção psicossocial e à saúde mental do estudante. Isso porque esses estudantes enfrentam uma série de mudanças, desafios e dificuldades que dizem respeito também à dimensão psicossocial e de inserção na própria cultura acadêmica, como aponta este trecho: “É totalmente diferente. E as disciplinas são mais difíceis. O costume, É. A forma de estudar também tem que ser diferente. Se acostumar. Eu acho que isso foi umas das maiores dificuldades” (Entrevistado 12, 17/06/19, Universidade).</p>
<p>O ingresso no ensino superior requer que o jovem passe por um processo de transição que gera repercussões em seu desenvolvimento psicológico, por isso tem-se uma série de mudanças em relação aos seus vínculos sociais e suas redes de apoio (<xref ref-type="bibr" rid="r28">Teixeira et al., 2008</xref>). Destarte essa conquista traz mudanças e novas experiências, ampliando-se as possibilidades de escolha e visão de mundo. A integração nesse novo contexto implica o envolvimento em atividades sociais e a construção de novos vínculos (<xref ref-type="bibr" rid="r8">Diniz &amp; Almeida, 2006</xref>). Os vínculos sociais na universidade, que envolvem a relação com outros estudantes, são fundamentais no processo de inserção na comunidade acadêmica, pois “as amizades possibilitam não só o sentimento de pertencer a um grupo, mas também o apoio em caso de dificuldades” (<xref ref-type="bibr" rid="r20">Oliveira et al.<italic>,</italic> 2014</xref>, p. 178). </p>
<p>Dessa maneira, o contexto universitário tem um papel fundamental no processo de adaptação dos jovens estudantes camponeses recém-ingressos. Tal adaptação acadêmica envolve a relação do estudante com o curso e a construção de vínculos sociais (<xref ref-type="bibr" rid="r8">Diniz &amp; Almeida, 2006</xref>). Na medida que esse envolvimento na universidade é consolidado e os vínculos estão fortalecidos, há, por outro lado, a presença de sentimentos de insegurança e medo, que parecem aumentar quando se aproxima a finalização do ciclo, pois sair do ambiente acadêmico é encarado como um cenário “aterrorizante. É, o ponto que o ponto de virada entre estudante e desempregado. É um ponto em comum também, que as pessoas até que, é o pessoal está com medo de sair” (Entrevistado 13, 22/05/19, Universidade). Sob essa ótica, o medo de enfrentar esse ponto de virada implica em perceber a universidade como lugar de segurança - ser estudante acadêmico tem um status que a finalização do curso põe em risco, ao passo que aquele pode assumir a condição de desempregado. Existe uma condição de opressão que acompanha o modo de viver desses jovens, pois se formar implica intensificar uma pressão para conseguir um emprego, já que eles não dispõem de suporte pessoal-familiar que possa garantir tal segurança de sobrevivência econômica. </p>
<p>Nesse sentido, pode-se entender que a capacidade de adaptação repercute diretamente na construção dos vínculos com o lugar e no sentimento de pertencimento à universidade. As percepções construídas a partir das relações com os pares interferem nas vivências acadêmicas e estabelecem relações com as decisões de seguir ou abandonar os estudos (<xref ref-type="bibr" rid="r4">Caldera et al., 2020</xref>). Portanto, a integração entre estudante e universidade envolve a relação com outros estudantes, professores, além do envolvimento em atividades extra sala de aula. </p>
<p>Ademais, o professor representa uma referência importante para o estudante, a ponto de interferir nos seus modos de socialização e integração na universidade. Consoante a essa ideia, a partir da exploração dos dados provenientes da Escala de Integração Social no Ensino Superior (EISES-R), realizamos uma série de testes para verificar de que modo alguma dimensão da escala poderia prever a outra. Dentre os resultados, destacamos a relação entre o fator Relação com os Professores (RP) e o fator Equilíbrio Emocional (EE), conforme apresentada na <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>.</p>
<tabwrap id="t1"><label><bold>Tabela 1</bold></label><bold>. </bold> <caption><italic>Análise de regressão múltipla EISES RP e EISES EE</italic></caption><italic> </italic>
<table><tbody><tr><td align="center" colspan="4">Coeficientes<sup>a</sup>
 
 
 </td>
 
 </tr><tr><td align="center"> </td>
 <td align="center">Modelo</td>
 <td align="center">Coeficientes não padronizados</td>
 <td align="center"> </td>
 <td align="center">Coeficientes padronizados</td>
 <td align="center"><italic>t</italic></td>
 <td align="center"><italic>p</italic></td>
 
 </tr><tr><td align="left"> </td>
 <td align="left"> </td>
 <td align="center" colspan="2">B
 </td>
 <td align="center">Modelo padrão</td>
 <td align="center" colspan="2">Beta
 </td>
 <td align="center"> </td>
 <td align="left"> </td>
 
 </tr><tr><td align="center">1</td>
 <td align="center" colspan="2">(Constante)
 </td>
 <td align="center">,617</td>
 <td align="center">,290</td>
 <td align="center" colspan="2">-
 </td>
 <td align="center">2,127</td>
 <td align="center">,035</td>
 
 
 </tr><tr><td align="center" colspan="2">EISES_RP
 </td>
 <td align="center">,587</td>
 <td align="center">,083</td>
 <td align="center">,520</td>
 <td align="center"> </td>
 <td align="center">7,106</td>
 <td align="center">,000</td></tr></tbody></table>
 
 <fntable id="TFN1">    a. Variável dependente: EISES_EE</fntable></tabwrap>
<p>Os resultados indicam que ao analisar as dimensões relação com os professores (RP) e equilíbrio emocional (EE) percebeu-se que a RP é precursora da EE. Isto quer dizer que a relação com os professores afeta os níveis de equilíbrio emocional. Desta forma, é um dado relevante pois indica que maiores investimentos em relações positivas entre estudantes e professores podem contribuir efetivamente para o equilíbrio emocional dos primeiros. Neste sentido, é preciso questionar como este professor constrói sua prática pedagógica, considerando a dimensão afetiva/emocional dos estudantes, quais os modelos de ensino-aprendizagem vêm sendo adotados e os novos desafios que essas temáticas engendram no cenário atual. Tal tarefa torna-se fundamental pois, o perfil discente no ensino superior tem mudado e, por conseguinte, a própria cultura acadêmico-universitária também. Diante disso, esse cenário de transição requer que problematizemos, também, as mudanças inerentes à relação didática/ensino-aprendizagem, afetividade e equilíbrio emocional.</p>
<p>A realidade deste estudo aponta para a importância de uma formação docente permanente e continuada, que exige uma perspectiva crítica sobre a produção de conhecimento e práxis do seu próprio fazer. Inclui-se nesse composto também a dimensão ética, que precisa ser repensada, pois relaciona-se a postura, relações, posicionamentos, e revela uma política realizada no cotidiano das ações pedagógicas, sociais e acadêmicas. Concorda-se com <xref ref-type="bibr" rid="r16">Molina e Schnorr (2018</xref>), ao reconhecer que os vínculos afetivos são facilitadores da transformação do desejo de aprender e se tornam mais favoráveis ao processo de aprendizagem dos alunos. O seguinte fragmento evidencia um pouco essa questão:</p>
<quote>“Í, rapaz, meu orientador eu chamo de ‘meu pai’, e o orientador do Marcelo é o tio (risos). Juro <italic>prôces</italic>, juro <italic>prôces</italic>. A gente não fala perto deles, mas eu, conversando com o Marcelo, eu digo ‘Ô, Marcelo, hoje eu tenho aula do seu pai.’ Ele &#091;responde&#093;: ‘<italic>Vixe</italic> cara, se cuida não, <italic>ein</italic>?’ E do mesmo jeito é o Ariel e o Sávio. Tipo, a gente tem uma relação muito boa, muito boa, muito boa. Aí tem outros professores que também são muito amigos da gente. Tem um que é professor de cálculo, que o cara - não tem palavras <italic>pra</italic> descrever o que ele é - ele é a definição do professor bom” (Entrevistado 9, 16/05/19, Universidade).</quote>
<p>Pode-se perceber, a partir disso que, a figura docente é aquela que atua como referência profissional, social e afetiva, além de contribuir no processo de envolvimento no cotidiano universitário. O professor, além daquele que ensina o conteúdo, pode representar uma fonte de apoio e um mediador da integração e do pertencimento dessa jovem no ensino superior.</p>
<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="r14">Masika e Jones (2016</xref>), desenvolver um sentimento de pertencimento favorece a construção da identidade e contribui com processos de aprendizagem e com a confiança dos estudantes. Portanto, atuar em prol do sentimento de pertencimento e do envolvimento dos alunos no contexto acadêmico tem sido uma estratégia de permanência na universidade. <xref ref-type="bibr" rid="r30">Yorke (2016</xref>) reforça que o envolvimento acadêmico e a autoconfiança contribuem com o sentimento de pertencer à universidade e atuam como estímulos à permanência do universitário. </p>
</subsec></sec><sec sec-type="conclusions"><sectitle><bold>Considerações finais</bold></sectitle>
<p>Com essa pesquisa foi possível demonstrar que há um novo perfil de estudante ingresso no ensino superior dentre os já existentes, e que esse novo perfil enfrenta dificuldades que precisam ser reconhecidas. Com isso se torna importante escutar a realidade desses jovens que vivenciam os desafios do ingresso e, principalmente, da permanência no ensino superior. O sentimento de pertence à universidade pode ser um possível indicador da integração e vinculação desse jovem com o ensino superior e, inclusive, ser utilizado como estratégia para ações que visem fortalecer essa permanência do estudante, com vistas a sua formação.</p>
<p>A pesquisa aponta que, apesar de o sentimento de comunidade sofrer interferências do processo de migração, contraditoriamente, aquele pode não ser extensamente afetado pela inserção desse jovem na universidade. Acredita-se que, além de se tratar de espaço diferenciados, cada um (comunidade e universidade) tem uma representação positiva e potencializadora de vida nesses jovens.</p>
<p>A migração ainda persiste como um tema latente, no que tange as discussões relacionadas a juventude rural, no entanto, com o aspecto novo que é acrescido a partir das políticas de democratização do ensino superior, o que nos exige revisitações e novas leituras, especificamente quando analisamos o contexto das juventudes contemporâneas e suas múltiplas formas de expressão.</p>
<p>Fica evidente a complexidade e a relevância de aprofundar estudos e pesquisas sobre os impactos subjetivos dos fluxos migratórios vivenciados por jovens camponeses no ensino superior. Tratar dessa inserção acadêmica desse perfil de estudante envolve considerar os processos de integração na universidade que perpassam a dimensão objetiva de vida, como as questões socioeconômicas, bem como os aspectos subjetivos, como o pertencimento e a saúde mental.</p></sec></xmlbody>
<bold> </bold>
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