Lumina - Revista do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Fora https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina <p>A Lumina é a revista acadêmica do Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Sua principal linha editorial está orientada para a interseção entre comunicação e sociedade, envolvendo redes, linguagens, memórias, processos comunicacionais e interfaces sociais. A Lumina define-se como uma revista de Ciências da Comunicação, destinada à publicação de estudos que tenham como objeto os fenômenos comunicacionais compreendidos como complexos, reticulares, sócio-históricos situados sob tranformações influenciadas por tecnologias. Nessa perspectiva, a revista aceita várias abordagens teóricas, metodologias e linhas de pesquisa, com um perfil transdisciplinar e aberta à pluralidade de métodos e técnicas, privilegiando trabalhos com a apresentação de resultados, finalizados ou em fases preliminares, de pesquisas. </p> pt-BR <h4>Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:</h4><ul><li>Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a <a href="http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/" target="_new">Licença Creative Commons Attribution</a> que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.</li><li>Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.</li><li>Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja <a href="http://opcit.eprints.org/oacitation-biblio.html" target="_new">O Efeito do Acesso Livre</a>).</li></ul><h4> </h4> revista.lumina@ufjf.br (Telma S. P. Johnson ) revista.lumina@ufjf.br (Telma S. P. Johnson) Sun, 28 Dec 2025 20:20:59 +0000 OJS 3.2.1.4 http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss 60 Apresentação https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/51229 <p>-</p> Jhonatan Mata, Heloísa de A. Duarte Valente, Nilson Alvarenga, José Luís Fernández Copyright (c) 2025 Lumina - Revista do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Fora https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/51229 Sun, 28 Dec 2025 00:00:00 +0000 Editorial https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/51223 Gustavo Pereira, João Paulo Malerba, Telma S. P. Johnson Copyright (c) 2025 Lumina - Revista do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Fora https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/51223 Sun, 28 Dec 2025 00:00:00 +0000 Efeitos de presença no filme publicitário: a música que (vemos e) ouvimos em “Nosso Jeito de Cuidar” https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/50197 <p>Este artigo analisa o filme publicitário “Nosso Jeito de Cuidar" da Unimed Grande Florianópolis, peça que faz o uso sensível da música e da imagem para retratar a rotina hospitalar. A pesquisa busca compreender como foi realizada a produção do filme e propõe, por meio da Análise da Materialidade Audiovisual, analisar os efeitos de presença (Gumbrecht, 2010) que aciona. A questão central que orienta o trabalho é: de que maneira, no filme publicitário, a articulação entre som e imagem favorece a produção de presença, tornando tangíveis valores simbólicos como o “cuidado”? O estudo amplia o debate acadêmico sobre publicidade regional e evidencia a música na relação de escuta (Zumthor, 2007) e audiovisão (Chion, 2008). A escolha da música “1+1=2” se mostrou eficaz no novo posicionamento da cooperativa e na ênfase ao cuidado com as pessoas, alcançando o objetivo de transmitir a mensagem de forma sensível e memorável.</p> Caroline Westerkamp Costa Copyright (c) 2025 Lumina - Revista do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Fora https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/50197 Sun, 28 Dec 2025 00:00:00 +0000 Mahmundi e a cidade: espacialidades, sonoridades e textualidades acústicas https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/50196 <p>A música é um dispositivo mediador das sensibilidades e tessituras da realidade em suas textualidades, performatividades e sonoridades. De sua conjuntura, desprendem-se elementos recombinantes do real capazes de erigir – nos recônditos intra e intersubjetivos – paisagens do eu, mediadas de paisagens sonoras, por sua vez, deflagradas em paisagens de um cotidiano-imagem. Reflete-se aqui as textualidades que produzem paisagens sonoras no álbum auto-intitulado de 2016 da cantora carioca Mahmundi, considerando os percursos que suas musicalidades e mediações produzem como um dispositivo que (re)combina som e música às paisagens do eu e do cotidiano. Seu pano de fundo e cenário é a cidade do Rio de Janeiro/RJ, mas se expande podendo designar na recepção qualquer outra cidade em diversidade. Em Mahmundi (2016), buscou-se reconstituir a paisagem sonora na categoria do espaço idílico da cidade e suas paixões. O percurso metodológico apoia-se na análise da paisagem sonora adaptadas dos pressupostos de Schafer (2001) e Vaz, Mello Vianna e Santos (2018) que consideram tipo, qualidade, papel, estratégia, materialidade, visualidade, sentidos e representações dos sons e sua paisagem, tendo por corpus o álbum em questão. Nas canções e na sociabilidade musical, há um empuxo de materializar, plasmar e fixar sentidos fugidios e vertiginosos do cotidiano ou da produção de si no cotidiano sonorizado. As textualidades – e sociabilidades – construídas na experiência de consumo do produto artístico são derivadas da música como dispositivo mediador da realidade feita manufatura sensível. O sujeito, em suas partes, se encontra inteiro – ainda que provisoriamente – no todo musical, no todo real e no todo de si, como Mahmundi (2016) canta e faz ouvir.</p> Gustavo Souza Santos Copyright (c) 2025 Lumina https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/50196 Sun, 28 Dec 2025 00:00:00 +0000 Escutas do mundo: paisagens sonoras, sinfonias cósmicas e cosmopolitismo no cinema https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/49875 <p>Este artigo propõe uma reflexão sobre as relações entre música, paisagem sonora e geografia no cinema moderno e contemporâneo, a partir da escuta como operador estético e político. Tomando como ponto de partida o conceito de “geografia da imaginação” (Davenport, 1981), são analisadas as formas pelas quais a trilha sonora contribui para compor paisagens sensoriais e cosmopolitas em três cineastas de distintas origens e contextos históricos: Il Vangelo secondo Matteo (1964), de Pasolini; Puissance de la parole (1988), de Godard; e The Nine Muses (2010), de Akomfrah. Em cada caso, a montagem musical convoca geografias afetivas, deslocamentos culturais e ruínas da história, operando como escuta do mundo e como cartografia da experiência. Em Pasolini, há um sincretismo religioso a partir da escolha do sul italiano para a encarnação bíblica e da seleção de músicas de diferentes origens para compor a trilha sonora, evidenciando como a paisagem – visual e sonora – pode ser mobilizada como signo histórico e espiritual; em Godard, por sua vez, encontramos uma sobreposição de sons a partir da qual o mundo natural converge com o futurismo das tecnologias modernas, e ambas encontram a arte de vanguarda e a publicidade no caminho, o que confere uma cosmicidade para a experimentação audiovisual; por fim, em Akomfrah, o seu trabalho com a montagem sonora aprofunda a investigação sobre os traumas e as estéticas da diáspora africana, especialmente no contexto britânico pós-colonial.</p> Lucca Nicoleli Adrião, Angela Freire Prysthon, Bruno Mesquita Malta de Alencar Copyright (c) 2025 Lumina - Revista do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Fora https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/49875 Sun, 28 Dec 2025 00:00:00 +0000 Cantovivências pretas: estética e reconhecimento em Amina de Tasha e Tracie https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/50307 <p>O artigo tem por objetivo evidenciar o rap enquanto gênero musical originário das ruas e de bairros periféricos, característico pela forte atuação social e como um mecanismo possível para o reconhecimento e a identificação por parte das mulheres pretas e periféricas. Isso acontecerá a partir da utilização e análise da música Amina da dupla Tasha e Tracie e da compreensão do estilo de música rap como uma experiência estética que pode promover a “partilha do sensível” e uma comunicação composta por “estesia”, conceitos advindos da Teoria da Estética da Recepção. Para isso, utilizou-se como referenciais teóricos Evaristo (2020) a partir da utilização do conceito de Escrevivência, Martín-Barbero (2009), renomado no campo dos estudos comunicacionais latino-americanos e a Teoria das Mediações, Teperman (2015) autor e estudioso do gênero musical rap e, por fim, Barros (2017), para as análises realizadas no âmbito da comunicação e experiência estética. Em relação aos aportes teórico-metodológicos, adotou-se a combinação entre a Análise do Discurso francesa, para a realização de uma leitura da canção Amina (2025), o paradigma das mediações, proposto por Martín-Barbero e bem presente nos estudos culturais latino-americanos, e as articulações entre comunicação e experiência estética, com suas bases no âmbito da hermenêutica.</p> Laan Mendes de Barros , Ana Laura dos Santos Cardoso Copyright (c) 2025 Lumina - Revista do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Fora https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/50307 Sun, 28 Dec 2025 00:00:00 +0000 Escuta musical na era digital: entre atenção e distração https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/50269 <p>Este artigo investiga como as tecnologias midiáticas e a plataformização da cultura reconfiguram a escuta musical contemporânea. Partindo do debate entre as perspectivas de Benjamin, que enxerga a distração como uma adaptação necessária ao mundo moderno, e Adorno, que critica a superficialidade na audição, analisa-se a tensão entre concentração e distração na experiência musical. Articulam-se essas reflexões com o conceito de “escuta adequada” de Stockfelt, que propõe um mecanismo dinâmico de alternância entre atenção focada e desatenção momentânea. O trabalho adota uma abordagem teórico-crítica, apoiada em fontes da teoria crítica, estudos de plataformas digitais e pesquisas em neurociência cognitiva (Ophir et al., 2009; Moisala et al., 2016; Uncapher; Wagner, 2018), que demonstram como o multitasking fragmenta a atenção e compromete o controle cognitivo. Como estudo de caso, analisamos a obra de Hans Zimmer, cujas trilhas sonoras exemplificam o tensionamento entre uma recepção imersiva e o consumo fragmentado. Concluímos que a escuta musical no século XXI está marcada por um regime de desatenção estrutural, consolidado como paradigma dominante da fruição estética na era digital, moldado por interfaces e algoritmos.</p> Thiago de Almeida Menini, Braulyo Antônio Silva de Oliveira Copyright (c) 2025 Lumina - Revista do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Fora https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/50269 Sun, 28 Dec 2025 00:00:00 +0000 “Fazer o filme vibrar na frequência do som”: multissensorialidade em Terror Mandelão https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/50268 <p>Este artigo examina como performances humanas e técnicas participam da produção de memória no documentário Terror Mandelão (2024), de GG Albuquerque e Felipe Larozza. O filme acompanha a trajetória de artistas do “mandelão”, subgênero do funk de São Paulo, tendo como figura central o DJ K. Para a análise, utiliza-se a performance como lente metodológica (Taylor, 2023) e apoia-se nas noções de imagem dialética, faculdade mimética (Benjamin, 1987; 2018) e documentário performático (Nichols, 2016). Foca-se a narrativa não verbal de imagens e sons, buscando compreender como o filme mobiliza subjetividades e sentidos em um esforço multissensorial de produção de memória sobre o funk paulistano. A discussão destaca sequências em que as imagens ultrapassam a visualidade e evocam sensações táteis e auditivas, revelando o trabalho dos realizadores em traduzir cinematograficamente procedimentos artísticos e epistemológicos que estruturam a prática musical de DJ K e seus companheiros. Por fim, mostra-se como a alternância entre imagens e sons de diferentes materialidades negocia a textura da experiência dos personagens com as convenções documentais, expressando processos de desvio das posições de sujeito da câmera e objeto do olhar.</p> Diogo Cunha Copyright (c) 2025 Lumina - Revista do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Fora https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/50268 Sun, 28 Dec 2025 00:00:00 +0000 Boys will be boys...: o momento musical como espetáculo de masculinidades dissidentes https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/49711 <p>O presente texto investiga de que maneira o gênero musical, no interior do cinema clássico hollywoodiano, pode operar como território de encenação de masculinidades dissidentes. A partir do conceito de momento musical em Herzog (2010), com aportes de Laing (2000), Del Río (2008), Cohan (2002) e Neale (1993), propõe-se uma análise do filme Sinfonia de Paris (1951), com foco no corpo e na performance de Gene Kelly. Longe de se restringir à narrativa romântica heterossexual do filme, o momento musical instaura uma lógica espaçotemporal própria, em que o corpo masculino que canta e dança se converte em espetáculo visual, atravessado por afetos que escapam à masculinidade hegemônica. Argumenta-se que é precisamente a música — em sua potência coreográfica, expressiva e sensorial — que cria as condições para a irrupção de um espetáculo de masculinidade disruptiva, insinuando outras formas de ser, de desejar e de aparecer em cena. Por fim, sugere-se que o musical hollywoodiano clássico, ainda que sustentado por narrativas normativas e cis heterossexuais, abriga tensões e ambivalências que, justamente pela música, permitem que o corpo masculino performe para além das prescrições do discurso hegemônico.</p> Luiz Fernando Wlian Copyright (c) 2025 Lumina - Revista do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Fora https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/49711 Sun, 28 Dec 2025 00:00:00 +0000 Do sessentismo à copaganda: Turn! Turn! Turn! como dispositivo de ativação histórica e redenção simbólica em Arquivo Morto https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/49911 <p>O presente trabalho propõe uma reflexão sobre as relações intertextuais entre música popular, audiovisual e o contexto histórico, por meio da análise da canção Turn! Turn! Turn! (The Byrds). O objetivo é compreender a "biografia social" dessa canção, conceito proposto por Mendívil (2013), demonstrando como ela adquire espessura simbólica e se vincula à memória coletiva das décadas de 1960 e 1970 e aos movimentos por direitos civis. A metodologia empregada articula revisão bibliográfica sobre o uso de canções (Fraile, 2014; Kassabian, 2001) e o gênero police procedural (Scaggs, 2005; Messent, 2013), com a análise da trajetória da canção através de um mapeamento de seus usos em produções de cinema e televisão estadunidenses. Esse exercício analítico mais abrangente permite, então, a análise da cena de desfecho do episódio A Time to Hate, do seriado Arquivo Morto, argumentando que o uso de Turn! Turn! Turn! na narrativa policial encontra um tipo de "devir" dessa biografia, operando como um dispositivo de ativação de memórias. Conclui-se que, ao articular a canção com os elementos visuais da cena, a narrativa confere à resolução do crime um sentido de redenção ética e reparação histórica, alinhando-se à lógica da copaganda (Baron, 2023) na reconstrução positiva da imagem das forças policiais.</p> Lucas Ravazzano, Guilherme Maia Copyright (c) 2025 Lumina - Revista do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Fora https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/49911 Sun, 28 Dec 2025 00:00:00 +0000 O som da aventura: o papel da canção "We Are!" na visualização do animê One Piece https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/50165 <p>No contexto da cultura pop japonesa, as anisongs (músicas de animê) desempenham um papel fundamental como temas de abertura e encerramento das animações. Reconhecendo a importância dessas canções, este artigo tem como objetivo analisar suas contribuições para a visualização do animê One Piece, por meio de um estudo de caso focado na primeira abertura da série: We Are! Com base em discussões sobre videoclipe (Soares, 2004) e música para cinema (Gorbman, 1987), aprofundadas pelos modos de escuta de Chion (2011) e Carvalho (2007), investiga-se como ocorre a articulação entre som, letra e a sequência animada que acompanha a faixa. Conclui-se que a canção atua como um potente dispositivo de visualização, criando uma paisagem sonora harmônica com o enredo da obra. Essa conexão estabelece uma relação simbiótica entre anisong e animê, sintetizando a energia da narrativa na abertura e sinalizando ao espectador o tom do que será assistido. Observa-se também que a sonoridade de We Are! reverbera ao longo das mais de duas décadas de exibição de One Piece, sendo fundamental para a consolidação da identidade sonora da franquia.</p> Iago Fillipi Patrocínio Macedo, Juliana Fernandes Teixeira Copyright (c) 2025 Lumina - Revista do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Fora https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/50165 Sun, 28 Dec 2025 00:00:00 +0000 A canção & a tela: cinebiografia, música e memória na obra de Renato Terra https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/50204 <p>Pretende-se discutir a cinematografia do diretor Renato Terra a partir de um recorte de sua obra: a produção de documentários sobre música brasileira em formato seriado para a plataforma de streaming Globoplay, em especial, O Canto Livre de Nara Leão (2022) e Vale Tudo com Tim Maia (2022), em parceria com Nelson Motta. Por meio do estudo de caso do cineasta- biógrafo, busca-se perceber como ele organiza o percurso e a experiência dos artistas em uma linguagem audiovisual que integra dimensões imagéticas, sonoras e textuais. O presente trabalho contempla ainda a reflexão sobre temas fundamentais para o debate contemporâneo, como memória, escrita biográfica, narrativa documental e pesquisa de arquivo. Partindo da compreensão de que a canção popular e o audiovisual se consolidaram, ao longo do século XX, como as práticas estéticas mais relevantes da cultura brasileira, capazes de impactar não apenas o imaginário sobre o país como também a constituição das políticas de memória, entendemos que o crescimento do número de documentários musicais nos últimos 25 anos abriu novo território tanto para a crítica acadêmica quanto para os pesquisadores da música popular e do audiovisual. Este artigo busca, assim, contribuir para a ampliação da fortuna crítica de ambos os campos e lançar luz sobre a trajetória de Renato Terra, que se afirma como um dos nomes mais expressivos da produção de documentários musicais no Brasil.</p> Amanda Cunha Weaver, Tatiana Oliveira Siciliano, Miguel Jost Ramos Copyright (c) 2025 Lumina - Revista do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Fora https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/50204 Sun, 28 Dec 2025 00:00:00 +0000 A visualidade na performance musical de Miss Tacacá na plataforma digital Boiler Room https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/50300 <p>Neste artigo, apresenta-se um estudo baseado na noção de visualização da música como prática que integra som, imagem e corpo; na performance como mediação estética e comunicacional na cultura digital; e na teoria Semiótica Estruturalista de imagens da videoperformance da artista brasileira Miss Tacacá, realizada no projeto Boiler Room durante o festival Rock The Mountain, em Petrópolis, RJ, em novembro de 2023. O objetivo é evidenciar como a interação com elementos visuais constrói sentidos na ação performática e tensiona aspectos simbólicos entre contextos local e global, destacando elementos de visualização que integram a performance musical como fenômeno comunicacional. A performance é marcada pela fusão entre o “tecnobrega” e a música eletrônica contemporânea, constituindo uma discursividade que atualiza e valoriza continuamente a identidade amazônica. O registro audiovisual pode ser acessado e retransmitido globalmente em repositórios digitais de performances musicais, como a plataforma Boiler Room, fonte de coleta das imagens analisadas, que privilegia registros “ao vivo”. As performances com público presente enfatizam a dimensão visual da música e valorizam expressão corporal, vestuário dos artistas, visualidade do público e o local do evento. O estudo realizado é de natureza básica, com abordagem qualitativa, sendo descritivo em seus objetivos. No processo de interpretação das imagens relacionadas com a performance descrita foi adotada a teoria Semiótica Estruturalista (Greimas, 1974) e, de maneira integrada, são enfatizados os aspectos audiovisuais da performance musical, também como expressões da cultura regional brasileira e da interação entre elementos culturais tradicionais e a tecnologia digital da vanguarda contemporânea.</p> Ana Priscila Cayres de Oliveira, Richard Perassi Luiz de Sousa Copyright (c) 2025 Lumina - Revista do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Fora https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/50300 Sun, 28 Dec 2025 00:00:00 +0000 Aeromobilidades, marcas e sons da lusofonia: entrevista com Bart Vanspauwen https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/50707 <p>A entrevista com o pesquisador Bart Vanspauwen, vinculado ao Instituto de Etnomusicologia da Universidade Nova de Lisboa, traz à tona debates sobre aeromobilidades, música e identidades nacionais. Como parte do projeto de extensão O Mundo do Turismo, a conversa foi conduzida em formato de podcast e posteriormente transcrita, revisada e contextualizada. A partir de uma vivência multicultural, marcada por seus próprios deslocamentos territoriais, Vanspauwen apresenta observações atentas sobre sons, marcas e memórias das localidades. No que se refere aos temas em evidência neste dossiê, destacam-se suas contribuições acerca de uma visualidade das tradições nacionais, construída não apenas por imagens, mas também por indumentárias, gestos e sonoridades. Evidencia-se como a produção cultural revela relações de poder e jogos políticos. Na elaboração de fotografias e playlists, emergem contradições e disputas. Quais músicas definem o Brasil? Qual é o ritmo clássico de Portugal? É possível falar em uma “lusofonia” que una territórios cultural e geograficamente distantes? Ao refletir sobre essas questões, a entrevista ilumina as ambiguidades entre “lusofonia” e “portugalidade”, mostrando como comunicação e música operam como instrumentos de diplomacia e de construção de imaginários e pertencimentos. </p> Carolina Castellitti, Lucas Gamonal Barra de Almeida, Milene Gomes Ferreira Mostaro Copyright (c) 2025 Lumina - Revista do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Fora https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/50707 Sun, 28 Dec 2025 00:00:00 +0000