https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/issue/feedLumina - Revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora2026-02-20T20:15:10+00:00Telma S. P. Johnson revista.lumina@ufjf.brOpen Journal Systems<p>A Lumina é uma revista acadêmica de acesso aberto do Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), comprometida com a publicação de pesquisas inéditas e originais de qualidade dentro de sua linha editorial orientada para a interseção entre Comunicação e Sociedade. A revista recebe submissões de artigos em português, inglês e espanhol que tenham como objeto fenômenos comunicacionais, compreendidos como complexos, reticulares, sociohistóricos e influenciados por mudanças e disputas políticas, econômicas e tecnológicas, e interfaces sociais. Nessa perspectiva, a revista aceita abordagens teóricas, metodologias e linhas de pesquisa, com um perfil transdisciplinar e aberta à pluralidade de métodos e técnicas, valorizando trabalhos que apresentem resultados empíricos de pesquisa, finalizados ou em fases intermediárias. Sugestões de entrevistas e resenhas só podem ser submetidos após consulta prévia e aceite da equipe editorial.</p> <p> </p>https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/50285Videoclipe como arquivo de fabulação crítica: uma análise de Tranca Rua2025-09-26T23:01:14+00:00Anna Victória Barbosaannavictoriapb@gmail.comGabriela Machado Ramos de Almeidagabriela.mralmeida@gmail.com<p>Este artigo analisa a produção audiovisual Tranca Rua, da banda baiana ÀTTØØXXA com participação do rapper soteropolitano Baco Exu do Blues, a fim de compreender o videoclipe como documento vivo e performativo. Estabelecemos diálogo no campo da música com autores como Soares (2013), Sá (2021) e Dalla Vecchia (2024), articulando suas contribuições aos estudos do videoclipe. O vídeo mobiliza símbolos da afrorreligiosidade em conexão com a cidade de Salvador, evocando Exu por meio de elementos estéticos como vestimentas, comidas e a presença do galo, e de performances – a exemplo das danças e da CapoeyraVogue. A hipótese do videoclipe enquanto arquivo vivo é sustentada a partir da articulação entre as noções de arquivo e repertório (Taylor, 2013), fabulação crítica (Hartman, 2020), corpo-tela e tempo espiralar (Martins, 2021). Nessa perspectiva, os videoclipes não se reduzem a produtos culturais inseridos na lógica da indústria fonográfica; constituem performances que reinscrevem memórias e práticas silenciadas, produzindo contra-história e modos de resistência. A partir da análise produzida, buscamos evidenciar como esses produtos audiovisuais operam como espaços de fabulação crítica e performances do corpo tela, alargando os sentidos do visível e do audível.</p>2026-02-20T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Lumina - Revista do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Forahttps://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/50290Performance audiovisual: processos de criação de som e imagem em tempo real2025-09-26T23:02:50+00:00Vitor Droppa Wadowski Fonsecavitordwfonseca@gmail.comDébora Regina Opolskideboraopolski@gmail.com<p>O presente artigo investiga os processos de criação da performance audiovisual Chromatograma (2024), realizada coletivamente pelos autores desta publicação e desenvolvida no âmbito da pesquisa em andamento “Interfaces áudio-visuais: técnicas e poéticas para a performance audiovisual” (2024–2026). Recorrendo à abordagem metodológica da Crítica de Processos, proposta por Salles (2011), busca-se explorar tensionamentos entre tecnologia, poética e prática artística, desvelando um percurso de criação colaborativo atravessado por impasses conceituais, estéticos e operacionais. Nesse sentido, o estudo evidencia a indissociabilidade entre os domínios técnicos e estéticos na concepção do trabalho, e aponta para os desafios colocados pela crescente tecnicização do campo da performance audiovisual, articulando a literatura especializada (Moran, 2020; Alves, 2020; Roscoe, 2019; Bastos, 2016; Carvalho, 2012) com o debate ampliado em torno da arte e tecnologia – sobretudo a partir das leituras de Machado (2007) e Couchot (2003). Ao expor e refletir criticamente sobre as particularidades desse fazer artístico, espera-se contribuir com os modos de produzir e pensar a performance audiovisual contemporânea enquanto território de experimentação das relações entre o som e a imagem ao vivo.</p>2026-02-20T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Lumina - Revista do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Forahttps://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/49026O que o talk show diz sobre o podcast? Matrizes televisivas e modos de conversação digital2025-08-14T22:36:00+00:00Juliana Freire Gutmannjugutmann@gmail.comFernanda Mauricio Silvafernandamauricio@gmail.com<p><span style="font-weight: 400;">Considerando as abordagens hegemônicas que relacionam os podcasts à tradição radiofônica, este estudo busca contribuir para o debate sobre os modos de conversação nativos da cultura digital a partir de uma outra referência igualmente importante: a matriz televisiva. Diante desse argumento, o artigo revisita o processo de formação histórica e cultural do </span><em><span style="font-weight: 400;">talk show</span></em><span style="font-weight: 400;"> no Brasil como gesto metodológico para a compreensão dos repertórios televisivos convocados por dois podcasts nacionais de grande prestígio, Podpah e É Nóia Minha?, ambos em circulação no Spotify e no YouTube. Convenções do gênero </span><em><span style="font-weight: 400;">talk show</span></em><span style="font-weight: 400;"> identificadas nesses programas – ênfase às visualidades, temáticas populares, informalidade da conversação, participação da audiência e retórica do </span><em><span style="font-weight: 400;">ao vivo</span></em><span style="font-weight: 400;"> – não apenas são indícios da televisão enquanto importante matriz do podcast, mas evidenciam como múltiplas temporalidades atuam na constituição de novas escutas e espectatorialidades. Neste estudo, o podcast é tomado como forma mestiça da comunicação, com trânsitos entre as mídias sonoras e televisivas, a cultura do blog e das plataformas, e a noção de gênero televisivo é reiterada enquanto conceito analítico ainda profícuo para o estudo dos processos de mutações midiáticas no contexto digital.</span></p>2026-02-20T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Lumina - Revista do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Forahttps://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/47626Euphoria e o consumo de drogas: explorando a influência da série na construção de percepções na plataforma X2025-09-15T23:13:09+00:00Raquel Marques Carriço Ferreiraraquelcarrico@academico.ufs.brJoyce Felix dos Santosxjoycefelix@gmail.com<p>O crescimento do consumo de drogas na última década constitui um desafio para a saúde pública e para a formulação de políticas. A mídia participa da construção de percepções sociais sobre o tema e pode influenciar práticas e opiniões. No Brasil, a série Euphoria motivou discussões em redes sociais ao tratar de identidade, experiências traumáticas, relações afetivas, sexualidade e uso de substâncias psicoativas. Este artigo examinou 216 postagens na plataforma X (antigo Twitter) por meio da Análise Temática, com o objetivo de identificar interpretações e reações de espectadores. Os resultados apontam reflexões sobre riscos associados ao uso de drogas e questionamentos acerca da possível glamourização do consumo. As categorias “Reiteração de Padrões” (33,3%) e “Evocação de Experiências Pessoais” (17,1%) indicam que narrativas como a da série podem reforçar padrões de risco e acionar memórias dolorosas em públicos vulneráveis. O estudo discute as implicações éticas das representações midiáticas do uso de substâncias psicoativas.</p>2026-02-28T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Lumina - Revista do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Forahttps://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/49290Deslegitimando o golpe: o 8 de janeiro no Instagram de parlamentares de Mato Grosso 2025-09-09T13:17:46+00:00Thiago Augusto Arlindo Tomaz da Silva Crepaldijornalismothiagocrepaldi@gmail.comBruno Bernardo de Araújobrrunoaraujo@gmail.com<p style="font-weight: 400;">Como a extrema direita utilizou as plataformas de mídia social para enquadrar os atentados de 8 de janeiro à democracia brasileira? Tendo a questão no horizonte, o presente estudo analisa as estratégias comunicativas utilizadas por cinco deputados federais bolsonaristas do estado de Mato Grosso no Instagram para significar a tentativa de golpe de Estado ocorrida em Brasília em janeiro de 2023. O estudo desenvolve uma análise de conteúdo qualitativa de 187 postagens feitas no Instagram dos parlamentares Abilio Brunini, Amália Barros, Coronel Assis, Coronel Fernanda e José Medeiros, no período de janeiro a setembro de 2023. Parte-se da hipótese de que os deputados atuaram para deslegitimar a gravidade do acontecimento e para desconstruir a ligação dos eventos ao bolsonarismo. Identificamos três estratégias de deslegitimação: “normalização do 8 de janeiro”, “subversão da realidade e da responsabilidade” e “desconstrução dos trabalhos da CPMI”. Os resultados apontam o acerto da hipótese, indicando que os parlamentares utilizaram estratégias de minimização da gravidade dos ataques, agindo como um grupo coeso na produção de mensagens desinformativas que distorceram a realidade e as responsabilidades do bolsonarismo na radicalização da crise da democracia brasileira.</p>2026-02-25T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Lumina - Revista do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Forahttps://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/47336Proposta metodológica para análise de nacionalismo em comunidades gamers: o caso dos chats ao vivo na Twitch2025-06-17T15:41:42+00:00Ian Bacellar Cruz Silvaian.bacellar@academico.ufpb.brThiago Pereira Falcãothiago.falcao@academico.ufpb.br<p>A cultura <em>gamer</em> tem, de forma crescente, atraído o interesse de atores relevantes da política mundial. Percebe-se, no caso brasileiro, um criativo conjunto de estratégias de apropriação da linguagem <em>gamer</em> por grupos alinhados com a extrema-direita. Paralelamente, estudos apontam para a incorporação de elementos da identidade nacional brasileira como uma característica atual desses mesmos grupos. Este trabalho constitui um esforço inicial para a elaboração de um método de pesquisa personalizado que busque compreender como os elementos do nacionalismo da nova extrema-direita brasileira se infiltram em comunidades <em>gamers</em> a partir da análise do bate papo da Twitch.tv do <em>streamer</em> Gaules durante torneios de Counter-Strike. Após realizar uma revisão metodológica de estudos do campo, observamos a prominência pela utilização de métodos envolvendo Processamento de Linguagem Natural (PLN) para análise de bate-papos on-line. Para nossa pesquisa, propomos um recorte para coleta dos dados baseado no tipo de evento transmitido, na presença de participantes brasileiros e estrangeiros nas competições e na escala dos campeonatos. Para a obtenção e análise dos dados, contudo, sugerimos a utilização de ferramentas que operam com PLN, combinadas com técnicas de análise manual do <em>corpus</em> da pesquisa.</p>2026-03-11T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Lumina - Revista do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Forahttps://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/48460Evolução de interfaces: poluição visual digital2025-09-25T19:42:38+00:00Davi Koshiyamadavijoseonline@gmail.comJuciano de Sousa Lacerdajuciano.lacerda@ufrn.brTiago Lapatiago.lapa@iscte-iul.pt<p>Este artigo tem como objetivo expor os diferentes tipos de poluição visual presentes nas interfaces de veículos digitais, tais como portais, blogs e APPs, o que compromete a cognição, usabilidade do usuário e consequentemente sua experiência de uso (UX). No meio real já existe regulamentação que trate da poluição visual, como no caso das ruas de uma cidade, porém no meio digital, não. Ao contrário, esse meio tem sido tomado como um território livre e sem leis, valendo seus desenvolvedores, nem sempre, de bom senso e boas práticas em relação ao que apresentar para seu público – como a quantidade de publicidade embarcada, banners, aspectos de legibilidade, estímulos visuais, avisos, notificações, elementos em tela, volume e arquitetura de informação. Foi utilizado um questionário on-line no mês de abril de 2025 para realizar esta investigação multidisciplinar, exploratória e inferencial que envolve as áreas de Comunicação e Design, a fim de evidenciar os impactos atuais da poluição visual nas interfaces e suas consequências à jornada do usuário, propondo uma nova abordagem e oferecendo caminhos e soluções para a adequação e evolução das interfaces. O estudo fornece subsídios para a discussão sobre a regulamentação de boas práticas, que visam coibir<br />os distúrbios apontados e complementar, com esta pauta, o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) vigentes.</p>2026-03-12T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Lumina - Revista do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Forahttps://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/49709Curar imagens no excesso: reflexões sobre curadorias seletivas e propositivas no cinema2025-10-31T11:30:27+00:00Mariana Soutomariana.souto@fac.unb.brArthur Senraarthur.senra@ifb.edu.br<p>Este artigo articula contribuições teóricas contemporâneas com a observação de práticas curatoriais recentes para melhor compreender as especificidades da curadoria em cinema. Argumenta-se que a curadoria constitui um campo dialógico, onde vetores de legitimação e experimentação estética coexistem dinamicamente. A pesquisa propõe as categorias seletiva e propositiva da curadoria como forma de abordagem das dinâmicas em jogo nesse ofício — algumas vezes lidando com um universo limitado e já dado de filmes, como nos editais de festivais, outras vezes partindo de hipóteses e buscando ativamente as obras, como em mostras específicas. Nesse processo, seleção e proposição emergem não como polos opostos, mas como formas de atuação e agenciamento de dimensões interdependentes, capazes de tensionar e renovar os modos de organizar a experiência fílmica. A partir de entrevistas com curadores brasileiros e da observação de diferentes festivais e mostras, são discutidas as distintas abordagens curatoriais, ora baseadas em critérios objetivos de seleção, ora guiadas por hipóteses conceituais e proposições temáticas. Observa-se que o curador assume um papel ativo na mediação entre filmes e espectadores, criando percursos interpretativos e sugerindo novas formas de leitura. A curadoria, nesse sentido, ultrapassa o simples recorte de obras e se consolida como prática crítica e discursiva. Especialmente no contexto contemporâneo de excesso de produção audiovisual e instabilidade nas políticas culturais, refletir sobre os modos de curar filmes é também pensar nos caminhos possíveis para dar visibilidade à diversidade estética e política do cinema.</p>2026-03-12T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Lumina - Revista do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Forahttps://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/49742O Mobile Journalism no telejornalismo brasileiro: a construção hermenêutica de um fenômeno2025-11-10T13:35:44+00:00Rodrigo Gabriotirgabrioti@gmail.com<p>O smartphone se tornou um meio técnico de produção de notícias, principalmente, nas reportagens e transmissões ao vivo na televisão do Brasil. Essa prática centraliza-se no jornalista, especialmente entre os repórteres de vídeo, mas pode servir também a outros profissionais da redação que aspiram à reportagem na TV. O mercado de trabalho tem optado por incorporar profissionais dispostos à atuação multimídia, requisito exigido no perfil das vagas oferecidas atualmente. Enquanto fenômeno, essa modalidade tecnológica é uma experiência do capitalismo. Neste artigo, discute-se isso à luz de uma reflexão teórica da filosofia da técnica e da linguagem. O percurso metodológico adotado envolve a entrevista estruturada com 10 jornalistas brasileiros que atuam com o <em>Mojo (Mobile Journalism)</em>, e a revisão bibliográfica sistematizada das ideias de Ihde (2017), na compreensão da relação humano-tecnologia, e de Bucci (2021), pela superindústria do imaginário. Assim este fenômeno tem a existência reconhecida pelos profissionais que o utilizam muito mais na percepção dos ganhos econômicos que trazem às emissoras do que qualquer possibilidade de ser um avanço tecnológico.</p>2026-03-20T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Rodrigo Gabriotihttps://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/49062O que é um autor de série?2025-11-12T12:45:19+00:00Marcio Serellemarcio.serelle@gmail.com<p>Este artigo discute a autoria em séries audiovisuais contemporâneas, fazendo uma reflexão sobre como essa noção, constituída discursivamente, atua na legitimação artística das obras, e propõe modos de abordagem para a crítica e formas de interação para espectadores. Parte- se do debate da política dos autores nos <em>Cahiers du Cinèma</em> e da concepção na literatura para examinar o emprego e as funções da autoria, hoje, no contexto televisivo e de streaming, em que emerge a figura do <em>showrunner</em>. O artigo aponta algumas formas de autoria de séries contemporâneas e examina, no caso do<em> showrunner</em>, como uma autoria pode ser construída, por vezes, à guisa de uma grife, ao transferir simbolicamente sua assinatura a obras criadas coletivamente. Por meio da análise da autoria atribuída a Mike Flanagan, discute-se principalmente como crítica e espectadores reconhecem no<em> showrunner</em> uma unidade estilística e temática responsável pela narrativa. Os resultados demonstram que Flanagan se projeta como autor por meio de diversas plataformas digitais ao comentar sobre a produção de suas obras e responder questões do público; na crítica, a atribuição autoral é feita principalmente por meio do reconhecimento de aspectos estilísticos nas séries. Por fim, problematiza-se a atribuição autoral nas séries. Questiona-se se, ao mesmo tempo em que distingue e legitima artisticamente a forma seriada, a noção de autor, ligada à ideia de obra, não acaba por apagar atributos importantes relacionados à criação complexa e coletiva das séries e à sua circulação.</p>2026-03-23T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Marcio Serellehttps://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/49710Das margens ao arquivo: contra-arquivo e contra-memória nos processos jurídico-militares da ditadura em Juiz de Fora2025-10-25T18:27:34+00:00Ramsés Albertoni Barbosaramalbertoni@gmail.com<p>Este artigo investiga os usos políticos da memória a partir da análise de documentos produzidos por militantes políticos em Juiz de Fora nas décadas de 1960 e 1970, durante a ditadura civil-militar brasileira (1964-1985). A documentação da ditadura tem sido tradicionalmente abordada como fonte oficial da história, muitas vezes silenciando práticas de resistência e vozes dissidentes. A pesquisa adota como eixos teórico-conceituais os conceitos contra-arquivo e contra-memória, a fim de problematizar os modos institucionais de produção da verdade histórica e destacar as práticas discursivas de resistência invisibilizadas pelo regime. A análise se fundamenta nos Processos 5/69 e 32/70, produzidos sob vigilância, permitindo compreender os usos políticos da memória em contextos repressivos. O estudo examina três documentos, especificamente as edições dos jornais clandestinos <em>O Porrete </em>e<em> Luta</em>, e o manuscrito <em>Até Sempre 3</em>, interpretando-os como enunciados insurgentes que tensionam os regimes de verdade instituídos pelos arquivos oficiais. Com abordagem qualitativa e interdisciplinar, a análise revela que esses materiais não apenas resistem ao silenciamento histórico, como também operam simbolicamente na reconfiguração da memória coletiva e da narrativa histórica. Os resultados revelam que esses documentos atuam como enunciados insurgentes, capazes de tensionar os regimes de verdade instituídos pelos arquivos oficiais e de reconfigurar simbolicamente os sentidos da memória histórica. Conclui-se que tais práticas comunicacionais contribuem para ampliar a compreensão sobre os conflitos de memória em contextos autoritários, oferecendo narrativas alternativas ao silenciamento institucionalizado.</p>2026-03-23T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Ramsés Albertoni Barbosahttps://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/49840Entrincheiramento cognitivo na era da pós-verdade: mecanismos psicológicos de manutenção da desinformação2025-10-31T11:33:45+00:00Fábio Luiz Nunesfabio.nunes.fln@cefetmg.br<p>O presente texto consiste em uma resenha da obra<em> Persistence of misinformation: biased </em><em>cognitive processing and polarization</em> (Zhou; Shen, 2025). Posicionando o livro no contexto da desinformação como um risco global proeminente, a resenha resume e avalia seus argumentos centrais. O foco recai sobre a ideia-chave da obra, segundo a qual a resiliência de conteúdos falsos pode ser compreendida como uma manifestação específica do processamento enviesado de mensagens contra-atitudinais, que desafiam crenças preexistentes. A resenha elucida como os autores fundamentam essa premissa ao colocarem em articulação três arcabouços teóricos da psicologia social: a teoria do julgamento social, a teoria da dissonância cognitiva e o processamento motivado da informação. Além disso, são abordados o fenômeno da polarização de atitudes e a principal estratégia de mitigação proposta: a inoculação psicológica. Considera-se que o mérito do livro é a construção de um arcabouço explicativo coerente. Contudo, aponta-se que o foco acentuado nos processos cognitivos individuais não incorpora plenamente as dimensões sociais e interpessoais da polarização, como as dinâmicas de deliberação em grupo e a identidade social.</p>2026-03-20T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Fábio Luiz Nunes