Deslegitimando o golpe:
o 8 de janeiro no Instagram de parlamentares bolsonaristas de Mato Grosso
Thiago Augusto Arlindo Tomaz da Silva Crepaldi1 e Bruno Bernardo de Araújo2
Resumo
Como a extrema direita utilizou as plataformas de mídia social para enquadrar os atentados de 8 de janeiro à democracia brasileira? Tendo a questão no horizonte, o presente estudo analisa as estratégias comunicativas utilizadas por cinco deputados federais bolsonaristas do estado de Mato Grosso no Instagram para significar a tentativa de golpe de Estado ocorrida em Brasília em janeiro de 2023. O estudo desenvolve uma análise de conteúdo qualitativa de 187 postagens feitas no Instagram dos parlamentares Abilio Brunini, Amália Barros, Coronel Assis, Coronel Fernanda e José Medeiros, no período de janeiro a setembro de 2023. Parte-se da hipótese de que os deputados atuaram para deslegitimar a gravidade do acontecimento e para desconstruir a ligação dos eventos ao bolsonarismo. Identificamos três estratégias de deslegitimação: “normalização do 8 de janeiro”, “subversão da realidade e da responsabilidade” e “desconstrução dos trabalhos da CPMI”. Os resultados apontam o acerto da hipótese, indicando que os parlamentares utilizaram estratégias de minimização da gravidade dos ataques, agindo como um grupo coeso na produção de mensagens desinformativas que distorceram a realidade e as responsabilidades do bolsonarismo na radicalização da crise da democracia brasileira.
Palavras-chave
8 de janeiro; bolsonarismo; desinformação; Instagram; deslegitimação da democracia.
1 Mestrando do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Poder da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). E-mail: jornalismothiagocrepaldi@gmail.com.
2 Doutor em Comunicação pela Universidade de Brasília. Professor do Departamento de Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Pesquisador do INCT-DSI. E-mail: bruno.araujo@ufmt.br.
Juiz de Fora, PPGCOM – UFJF, v. 20, 2026 | e026005 10.34019/1981-4070.2026.v20.49290
Delegitimizing the coup:
January 8th on Instagram of Bolsonaro-supporting congresspeople from the state of Mato Grosso
Thiago Augusto Arlindo Tomaz da Silva Crepaldi1 and Bruno Bernardo de Araújo2
Abstract
How did the far right use social media platforms to frame the January 8 attacks on Brazilian democracy? Guided by this question, the present study analyzes the communicative strategies used by five Bolsonaro-aligned federal deputies from the state of Mato Grosso on Instagram to give meaning to the attempted coup d'état that took place in Brasília in January 2023. The study conducts a qualitative content analysis of 187 posts published by deputies Abilio Brunini, Amália Barros, Coronel Assis, Coronel Fernanda, and José Medeiros between January and September 2023. The central hypothesis is that the deputies acted to delegitimize the severity of the incident and to disconnect it from the Bolsonaro movement. We identified three delegitimization strategies: “normalization of January 8,” “subversion of reality and responsibility,” and “undermining the work of the Parliamentary Inquiry Commission (CPMI).” The results support the hypothesis, showing that the deputies used strategies to downplay the seriousness of the attacks, operating as a cohesive group in producing disinformative messages that distorted reality and obscured the responsibility of bolsonarismo in the radicalization of Brazil's democratic crisis.
Keywords
January 8; bolsonarism; disinformation; Instagram; delegitimization of democracy.
1 Mestrando do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Poder da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). E-mail: jornalismothiagocrepaldi@gmail.com.
2 Doutor em Comunicação pela Universidade de Brasília. Professor do Departamento de Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Pesquisador do INCT-DSI. E-mail: bruno.araujo@ufmt.br.
Juiz de Fora, PPGCOM – UFJF, v. 20, 2026 | e026005 10.34019/1981-4070.2026.v20.49290
Deslegitimando el golpe:
El 8 de enero en el Instagram de parlamentários bolsonaristas de Mato Grosso
Thiago Augusto Arlindo Tomaz da Silva Crepaldi1 y Bruno Bernardo de Araújo2
Resumen
¿Cómo utilizó la extrema derecha las plataformas de redes sociales para encuadrar los ataques del 8 de enero contra la democracia brasileña? Con esta pregunta como punto de partida, el presente estudio analiza las estrategias comunicativas empleadas por cinco diputados federales bolsonaristas del estado de Mato Grosso en Instagram para dotar de sentido al intento de golpe de Estado ocurrido en Brasilia en enero de 2023. La investigación desarrolla un análisis de contenido cualitativo de 187 publicaciones realizadas en las cuentas de Instagram de los parlamentarios Abilio Brunini, Amália Barros, Coronel Assis, Coronel Fernanda y José Medeiros, entre enero y septiembre de 2023. Se parte de la hipótesis de que los diputados actuaron para deslegitimar la gravedad de los hechos y desvincular los acontecimientos del bolsonarismo. Se identificaron tres estrategias de deslegitimación: “normalización del 8 de enero”, “subversión de la realidad y de la responsabilidad” y “desacreditación del trabajo de la Comisión Parlamentaria Mixta de Investigación (CPMI)”. Los resultados confirman la hipótesis planteada, indicando que los parlamentarios recurrieron a estrategias de minimización de la gravedad de los ataques, actuando como un grupo cohesionado en la producción de mensajes desinformativos que distorsionaron la realidad y las responsabilidades del bolsonarismo en la radicalización de la crisis de la democracia brasileña.
Palabras clave
8 de enero; bolsonarismo; desinformación; Instagram; deslegitimación de la democracia.
1 Mestrando do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Poder da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). E-mail: jornalismothiagocrepaldi@gmail.com.
2 Doutor em Comunicação pela Universidade de Brasília. Professor do Departamento de Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Pesquisador do INCT-DSI. E-mail: bruno.araujo@ufmt.br.
Introdução
Na última década, o Brasil viveu uma intensa degradação da sua democracia, aprofundada com a presidência de Jair Bolsonaro entre 2019 e 2022 (Avritzer; Kerche; Marona, 2021). A consagração eleitoral de uma agenda politicamente autoritária, capitaneada por um governante de extrema direita, com reiteradas demonstrações de desapego às normas democráticas, foi o resultado de um ciclo de crises iniciado dez anos antes, em junho de 2013. Naquela altura, multidões tomaram as ruas do país em protestos pela melhoria dos serviços públicos. Porém, pouco tempo depois, foram cooptadas por grupos radicais de direita, iniciando um processo de desdemocratização que culminaria com a eleição de extremistas por todo o país, incluindo a presidência da República (Pinheiro-Machado et al., 2019).
Os ataques de 8 de janeiro de 2023 chocaram as forças democráticas, com imagens que circularam o mundo, revelando a intensidade da crise brasileira, da qual o bolsonarismo [1] foi, ao mesmo tempo, sintoma e causa. O que o mundo assistiu naquele domingo, uma semana depois da posse de Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), foi uma “ação de natureza golpista, onde extremistas insatisfeitos tentaram assumir o controle do governo” (Barbosa, 2023, p. 57). De fato, os ataques ao Palácio do Planalto, ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal, com efeitos ainda difíceis de calcular, não foram espontâneos.
Na verdade, correspondem ao ápice de um processo de desdemocratização agudo, acelerado no mandato de Jair Bolsonaro, que estimulou a violência, o ressentimento e a desconfiança de parcelas da população contra as instituições do Estado, em particular contra o Supremo Tribunal Federal (STF). O STF agiu, nos quatro anos da presidência bolsonarista, como uma força de contenção das atitudes antidemocráticas de Bolsonaro, embora também se possa afirmar que a instituição contribuiu com a desestabilização que culminou com a chegada do bolsonarismo ao poder, como no contexto da Lava Jato (Albuquerque, 2022). Durante quatro anos, Bolsonaro e seus apoiadores contribuíram para aprofundar a desconfiança pública no sistema de votação do país, pavimentando o caminho para a disseminação de conteúdos fraudulentos acerca da integridade eleitoral do Brasil.
Mato Grosso teve participação destacada nesses atos antidemocráticos de 8 de janeiro, com residentes se deslocando até Brasília e empresários mato-grossenses investigados por suposto financiamento. O estado tem histórico de alinhamento das forças políticas e o comportamento eleitoral favorável a partidos e grupos de direita e centro-direita, desde a redemocratização, com forças políticas cooptadas pelo radicalismo. Em 2022, sete dos oito deputados eleitos apoiaram Bolsonaro, cinco deles promoveram um alinhamento ideológico ao bolsonarismo (Araújo et al., 2024).
Tendo esse contexto em perspectiva e considerando a importância de ampliar os estudos acerca de um contexto subnacional tão relevante para compreender o bolsonarismo, o presente trabalho analisa as estratégias de comunicação digital dos deputados federais bolsonaristas do estado de Mato Grosso para entender como eles se posicionaram e enquadraram nas redes os eventos de 8 de janeiro de 2023, de janeiro a setembro de 2023, período que abarca não só os eventos, mas também os seus desdobramentos, como investigações políticas e judiciais.
Para o estudo, consideramos a conta no Instagram – plataforma de mídia social [2] mais usada pelos parlamentares mato-grossenses – dos seguintes deputados, todos eles alinhados com o bolsonarismo: Abilio Brunini (PL) (Brunini, 2014); Amália Barros (PL) (Barros, 2012); Coronel Fernanda (PL) (Fernanda, 2020); Coronel Assis (União) (Assis, 2020) e José Medeiros (PL) (Medeiros, 2015). Para encaminhar o estudo, adotamos a seguinte questão de pesquisa: que estratégias os deputados bolsonaristas de Mato Grosso adotaram na construção do seu posicionamento no Instagram sobre os acontecimentos de 8 de janeiro?
Partimos da hipótese de que os deputados adotaram estratégias de deslegitimação dos acontecimentos e da investigação conduzida pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), criando uma disputa narrativa desancorada da realidade, com recursos retóricos e marcas discursivas próprias da comunicação populista. O corpus é constituído por 187 postagens sobre o 8 de janeiro, extraídas de um total de 2.117 posts coletados no perfil dos deputados no Instagram, entre 8 de janeiro a 11 de setembro de 2023. O material foi analisado por meio de Análise de Conteúdo, cujos detalhes serão explicitados no tópico metodológico.
O artigo está dividido em cinco seções, além desta Introdução. Primeiramente, discutimos de maneira breve o conceito de comunicação populista e de extrema direita. Depois, abordamos o tema da desinformação nas plataformas e a comunicação da extrema direita. Em seguida, apresentamos a metodologia, além da análise e discussão dos dados. Por último, as considerações finais resumem os resultados da pesquisa.
Comunicação populista e extrema direita
Observar as estratégias adotadas para a construção do discurso populista tem sido uma das apostas de estudiosos da comunicação política que analisam o fenômeno como uma questão comunicacional (Araújo; Ferreira, 2025; Guazina; Gagliard; Araújo, 2023; Guazina, 2021; Mazzoleni; Bracciale, 2018; Waisbord, 2018; Engesser et al., 2017; Stanyer et al., 2016). Este estudo se alia a tais esforços, analisando a comunicação digital de atores da extrema direita a partir do caso de parlamentares eleitos por um dos estados mais bolsonaristas do país, com ênfase nas estratégias discursivas e de estilo adotadas para configurar discursos de tônica populista.
A literatura sobre comunicação e populismo oferece uma base importante para a discussão. Embora o populismo seja um conceito controverso – muitas vezes impreciso –, este estudo utiliza-o de forma delimitada. As abordagens idealista e discursiva do populismo podem ajudar a compreender como a extrema direita se projeta, constrói a sua imagem e mobiliza apoiadores na esfera pública. Mudde e Kaltwasser (2017) são os principais nomes da perspectiva que pensa o populismo como ideologia – a perspectiva ideacional. Segundo os autores, o populismo não é uma ideologia como as outras, mas uma versão atenuada e adaptável a diferentes contextos, que pode se conectar a grandes ideologias, como o socialismo, nos populismos de esquerda, ou ao fascismo e ao nazismo, nas apropriações da extrema direita. Assim, o populismo diz respeito, para os autores, à
uma ideologia tênue que considera a sociedade como sendo, em última análise, separada em dois campos homogêneos e antagônicos, “o povo puro” versus “a elite corrupta”, e que argumenta que a política deve ser uma expressão da vontade geral do povo (Mudde; Kaltwasser, 2017, p. 6).
Do ponto de vista comunicativo, há três elementos centrais para uma articulação populista a partir da perspectiva ideacional: “o povo”, “a elite” corrupta e a aposta na dualidade irreconciliável entre povo e elite – um “nós” e um “eles” –, essa lógica implica a defesa de que a política deve expressar a vontade geral do povo. De um lado um povo, tido como puro e moralmente superior, ameaçado, em seus direitos, por elites corruptas e não confiáveis, e, em suas tradições, por grupos externos – os outros perigosos – que colocariam em risco identidades culturais da nação (Engesser et al., 2017). Esses grupos não são necessariamente estrangeiros, como no caso dos imigrantes na Europa e nos Estados Unidos. No bolsonarismo, o “outro” identificado como inimigo pode ser o comunista e, em sua versão mais recente, as esquerdas, encarnadas na figura do Partido dos Trabalhadores. O discurso da ameaça comunista sempre esteve presente na história republicana nacional, sendo utilizado por lideranças golpistas como subterfúgio para golpes e rupturas, como na crise de 1937, que desembocou no Estado Novo, ou nos eventos que terminaram com o golpe civil-militar de 1964.
O outro elemento da articulação populista é, ainda em diálogo com a proposição ideacional, o que se chama de vontade geral do povo. Aqui, não se trata da soberania popular, mas, como sublinham Mudde e Kaltwasser (2017), do realce de uma soberania popular populista, ou seja, a defesa de que a vontade da maioria é interpretada pelo populista e deve sobrepor-se, inclusive, a normas estabelecidas. O povo é como uma unidade abstrata, preenchida pelos sentidos conferidos pela liderança. É nesse contexto que, no populismo bolsonarista, surge a expressão “Supremo é o povo” – uma construção que tem subjacente a ideia de que a vontade das maiorias estaria acima até mesmo de uma das instituições da República. O discurso populista assume, assim, que quaisquer atos, mesmo aqueles que violam normas, poderiam ser legitimados pelo que o populista diz ser a “vontade da nação”.
A construção da ideia de “povo” é estudada na segunda concepção de populismo que destacamos neste estudo: a perspectiva discursiva ou de estilo. Laclau, ao propor tal noção, compreende o populismo como uma forma de construção discursiva da política que não possui necessariamente um sentido negativo prévio. O populismo seria um meio de mobilização de grupos insatisfeitos, cujas demandas não atendidas pelo Estado são objeto de articulação por uma liderança capaz de falar em nome deles, como seu representante. Para Laclau (1977), o corte populista se dá quando a liderança é capaz de estabelecer uma cadeia de equivalências entre experiências de exclusões e frustrações de diferentes grupos, que se vinculam a um eixo comum.
No caso brasileiro, como aponta Rennó (2022), o bolsonarismo foi o resultado de um alinhamento político de forças conservadoras, autoritárias e até de movimentos fascistas, que se reuniram em torno da figura de Bolsonaro. O eixo comum entre eles pode ser apontado como a aversão ao Partido dos Trabalhadores e às esquerdas, elemento aglutinador de pautas diversas, que vão da defesa do neoliberalismo a uma compreensão moralista das questões sexuais e de gênero. A articulação entre populismo como ideologia e como estilo discursivo permite ampliar a análise do fenômeno a partir de um viés comunicacional, que investiga as estratégias utilizadas para mobilizar apoiadores. Nas plataformas digitais, como discutiremos adiante, o populismo se beneficia da desintermediação, promovendo, em muitos casos, narrativas desinformativas com potencial de radicalização.
Desinformação de plataforma e comunicação da extrema-direita
A comunicação populista ocorre principalmente nas redes sociais, onde atores populistas costumam manter uma relação simbiótica com as plataformas para construir suas imagens e mobilizar apoiadores (Waisbord, 2018; Mazzoleni; Bracciale, 2018). Utilizam estratégias como narrativas desinformativas, que se espalham com facilidade devido à lógica das redes, baseada na controvérsia e no sensacionalismo. Esse modelo favorece tanto a visibilidade do populismo quanto os interesses comerciais das plataformas (Abreu; Melo; Silva, 2017).
As campanhas de desinformação vêm ganhando destaque em diferentes cenários políticos, exercendo forte influência negativa na esfera pública (Barberá et al., 2015). A turbulência política marcada pela polarização [3] e pelo hiperpartidarismo [4] favorece a circulação de conteúdos fraudulentos, com tentativas permanentes de grupos extremistas de criar versões alternativas aos fatos da realidade (Soares et al., 2019). Com efeito, usuários mais radicalizados em suas posições políticas tendem a ser mais ativos no reforço de uma narrativa única e compartilham nas redes (des)informações que reforcem suas perspectivas (Soares et al., 2019).
A crescente preocupação com a relação entre desinformação e ascensão de líderes autoritários destaca o papel das plataformas digitais na disseminação de conteúdos radicais e emocionais, que favorecem o engajamento, mas comprometem a integridade da informação, especialmente em contextos eleitorais (Pini, 2021; Prior, 2019). A literatura aponta que a desinformação envolve intencionalidade, “não se trata apenas de uma informação pela metade ou mal apurada, mas de uma informação falsa intencionalmente divulgada, para atingir interesses de indivíduos ou grupos” (Recuero; Gruzd, 2019, p. 32).
Machado e Miskolci (2019) ressaltam que a utilização das plataformas on-line introduziu o usuário em um contexto altamente individualizado e polarizado no qual as relações se tornam impessoais ainda que diretas. Desse modo é o “algoritmo que cria relações, indica ‘amigos’ e oferece ‘experiências personalizadas’, acrescenta condições para que o usuário passe a viver dentro de uma bolha de opinião’’ (2019, p. 954), o que segundo aos autores reforça convicções e amplifica divergências em relação a outras como em temas macropolíticos e sobretudo comportamentais.
Os atos antidemocráticos de 8 de janeiro podem ser compreendidos como resultado de um processo contínuo de desinformação institucional, fomentado por Bolsonaro e outros agentes públicos – como parlamentares – que disseminavam, com frequência, conteúdos sabidamente falsos sobre a lisura do processo eleitoral e denunciaram, em diversos momentos, supostos planos das demais instituições para sabotar a “vontade geral” do povo. Paralelamente, no terreno da não institucionalidade, grupos on-line de apoiadores do ex-presidente, mas que não integram a estrutura do Estado – como influenciadores, religiosos, comunicadores e artistas – contribuíram para a construção de um clima conspiratório crescente e com forte potencial de mobilização.
Método e desenho da análise
O estudo analisa a comunicação digital de deputados bolsonaristas eleitos em 2022 pelo estado de Mato Grosso, com o objetivo de entender de que maneira eles interpretaram os eventos ocorridos em Brasília em janeiro de 2023. Para tal, conduzimos uma análise do perfil de cinco parlamentares no Instagram, partindo da seguinte questão de pesquisa: que estratégias os deputados bolsonaristas de Mato Grosso adotaram na construção do seu posicionamento sobre o 8 de janeiro?
Partimos da hipótese de que os parlamentares mobilizaram estratégias de deslegitimação do 8 de janeiro, promovendo narrativas desancoradas dos fatos e construídas com apelo a marcas retóricas da comunicação populista. Para a construção do corpus, foram coletadas todas as postagens no Instagram dos deputados Abilio Brunini (PL), Amália Barros (PL), Coronel Fernanda (PL), José Medeiros (PL) e Coronel Assis (União), de 8 de janeiro, dia dos eventos, até 11 de setembro de 2023, cobrindo a maior parte da investigação da CPMI. Dos oito parlamentares da bancada federal de Mato Grosso, os cinco escolhidos são os que tinham maior alinhamento com o bolsonarismo (Araújo et al., 2024).
Dos 2.117 posts coletados no período, no perfil dos cinco deputados, passaram a compor o corpus os 187 posts que faziam referência direta ao 8 de janeiro ou aos trabalhos da CPMI. A Tabela 1 apresenta a distribuição do total de postagens por parlamentar no período em face do número de publicações sobre o 8 de janeiro.
Tabela 1 – Frequência das postagens sobre o 8 de janeiro no Instagram dos parlamentares de MT, no período de coleta (08/01/2023 até 11/09/2023)
https://l1nk.dev/Zkjsg
Fonte: elaboração própria (2025)
Como se nota, em termos proporcionais, o deputado Brunini foi o parlamentar mais ativo em publicações sobre o 8 de janeiro no Instagram. Para a coleta, utilizamos as plataformas Fanpage Karma [5], que permitiu extrair as informações textuais do que foi publicado, com diversos passos automatizados, que auxiliaram na condução da pesquisa; e o 4K Strogram [c2026], que permitiu descarregar imagens e vídeos das publicações coletadas. Para verificação, fez-se uma comparação semanal do material coletado com o feed do Instagram de cada um dos deputados.
Adotamos o método de Análise de Conteúdo qualitativa para estudar os materiais do corpus. Segundo Krippendorff (2004), a AC possui três elementos essenciais: (a) abordagem empírica e exploratória ligada a eventos do mundo real e com objetivo de previsão; (b) superação das concepções convencionais de significado, abrangendo conceitos como mensagem, canal, comunicação e sistema; (c) método distinto que capacita o pesquisador a planejar, comunicar e avaliar criticamente um projeto de pesquisa, independente do desfecho. O método busca capturar tanto a realidade superficial expressa nos materiais quanto os sentidos mais latentes, presentes nas entrelinhas (Campos, 2004).
A partir da exploração inicial do corpus e da leitura dos seus conteúdos, definimos três categorias para a sistematização das estratégias mobilizadas pelos deputados, conforme o Quadro 1. Em seguida, refinamos um livro de códigos, que permitiu a padronização da análise. Cada uma das três categorias foi dividida em variáveis subcategóricas dummies [6] – ou seja, verificamos a presença/ausência de certas ocorrências no corpus, o que nos permitiu dimensionar as estratégias adotadas nos conteúdos postados.
As três categorias identificam estratégias na comunicação digital dos parlamentares: (1) “normalização do 8 de janeiro”, que interpreta os atos como liberdade de expressão; (2) “subversão da realidade”, que desvia a culpa do bolsonarismo para outros; e (3) “desconstrução da CPMI”, que visa desacreditar ou ridicularizar a comissão. Em seguida, apresentam-se e discutem-se os dados.
Quadro 1 – Categorias de análise e definições operacionais
https://acesse.one/bNToC
Fonte: elaboração própria (2025)
Análise e discussão dos dados
Entre 8 de janeiro e 11 de setembro de 2023, foram analisadas 2.117 postagens de cinco deputados federais de Mato Grosso alinhados ao bolsonarismo, das quais 187 (8,8%) tratavam do 8 de janeiro. Todos abordaram o tema no Instagram, com média de 37 publicações por deputado. Proporcionalmente, Abilio Brunini foi o mais ativo (28,6%), seguido por Amália Barros (7,9%), José Medeiros (7,8%), Coronel Assis (5,3%) e Coronel Fernanda (3,4%) (Gráfico 1).
Gráfico 1 – Proporção de postagens sobre o 8 de janeiro no Instagram (08/01 a 11/09/2023)
https://l1nk.dev/I7EtH
Fonte: elaboração própria (2025)
A alta frequência de postagens de Abilio Brunini sobre o 8 de janeiro pode ser entendida pelo forte alinhamento com o bolsonarismo e à atuação polêmica nas sessões da CPMI, usada como palco para gerar conteúdo para as redes (Rodrigo, 2023; Guimarães, 2023). A seguir, detalha-se as três macro-categorias que compõem as estratégias de deslegitimação do 8 de janeiro – “Subversão da realidade”, “Normalização dos atos” e “Desconstrução da CPMI” – apesar de serem tratadas aqui separadamente, elas se interrelacionam no discurso dos deputados. A mais recorrente foi a “Subversão da realidade e da responsabilização”, presente em 79% dos posts (148), seguida da “Normalização” (32%) e da “Desconstrução da CPMI” (24%).
Os parlamentares produziram e disseminaram conteúdos carregados de desinformação. Por trás das publicações, encontra-se um discurso simplista sobre a realidade, que busca combater um inimigo do povo, nos moldes do que aponta Prior (2019) acerca do discurso populista. Neste sentido, os parlamentares recorreram às estratégias discursivas do populismo, valendo-se da polarização “nós” contra “eles”, dicotomia presente tanto na dimensão do populismo como discurso quanto na sua vertente ideativa. O Gráfico 2 apresenta a ocorrência das categorias por deputado. Observa-se o acionamento da categoria “Subversão da realidade e da responsabilização” como um padrão na comunicação digital de todos os cinco parlamentares, como estratégia principal de deslegitimação. Individualmente, em termos de frequência, Amália Barros foi a que mais recorreu à estratégia, que aparece em 94% das suas postagens (16); em seguida, Brunini, com ocorrência da categoria em 89% de suas publicações (51 posts), Coronel Assis, com 79% (15 posts), José Medeiros, com 71% (61), e Coronel Fernanda, com 63% (cinco posts).
Gráfico 2 – Estratégias de deslegitimação dos atos de 8 de janeiro: frequência de uso por deputados federais de MT no Instagram
https://acesse.one/pGDfw
Fonte: elaboração própria a partir dos dados coletados
Na estratégia de “Normalização dos atos do 8 de janeiro”, segunda estratégia mais acionada, a deputada Coronel Fernanda teve a maior proporção de uso (50%), seguida por José Medeiros (34%), Brunini (30%), Amália Barros (29%) e Coronel Assis (21%). Ao contrário da estratégia anterior, os percentuais são mais homogêneos entre os parlamentares, indicando um esforço comum dos parlamentares de apresentar os ataques como eventos legítimos da democracia ou como parte da liberdade de expressão. O Gráfico 2 mostra, ainda, que nem todos os deputados recorreram à estratégia de “desconstrução dos trabalhos da CPMI”. Brunini foi o que mais mobilizou a estratégia, em 56% de suas postagens (32), seguido por Medeiros, com 13% e Barros, com 6%. Coronel Assis e Coronel Fernanda não fizeram uso da estratégia no período analisado para o estudo.
Agora, interessa aprofundar a análise para as subcategorias de cada uma das três macro-categorias, o que permite compreender com mais profundidade como os parlamentares construíram seus posicionamentos sobre o 8 de janeiro. A Tabela 2 mostra a frequência total de todas as subcategorias, explicitando as estratégias mobilizadas pelos parlamentares. Na categoria “Subversão da realidade e da responsabilização”, a estratégia mais usada foi o Ataque às esquerdas, presente em 72% dos posts. Amália Barros e Abilio Brunini foram os que mais adotaram essa abordagem, somando juntos 82% de suas publicações nessa linha.
Tabela 2 – Frequência das estratégias de deslegitimação no total das postagens analisadas
https://acesse.one/LguHs
Fonte: elaboração própria (2025)
Um exemplo do Ataque às esquerdas está na postagem de Amália Barros, de 1 de agosto de 2023 (Barros, 2023), quando a então deputada busca responsabilizar o governo Lula e o Ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, pelos eventos golpistas. Citando duas fontes jornalísticas sem conexão – o que configura um discurso desinformativo – a parlamentar faz referência a uma investigação da Justiça Militar como evidência de que o governo poderia ter evitado as invasões. Como não o fez, depreende-se que o governo teria sido omisso: “Ora, ora, ora… De acordo com o inquérito do Superior Tribunal Militar, se houvesse um planejamento adequado do governo Lula, a invasão do palácio poderia ter sido evitada […]”. A expressão “Estão com medo?” e a paleta de cores adotada no perfil da parlamentar ajudam a compor um quadro semântico de alerta e indicativo de que o governo estaria escondendo algo na iminência de ser desvelado.
Um exemplo do uso do Ataque à esquerda, no caso do Abilio, pode ser observado na postagem de 13 de junho de 2023 (Brunini, 2023) que defende que o PT foi quem quis dar um golpe, referindo-se a articulações feitas pelo governo para assumir protagonismo na CPMI: “A cada dia que passa fica mais evidente quem quis dar um golpe, e a bandeira é vermelha e não verde e amarela”. Aqui, evidencia-se a tentativa de desvincular os eventos do bolsonarismo e vinculá-los ao governo do PT. A identificação de um “inimigo” político identificado com as esquerdas, especialmente com o PT, foi um elemento essencial do discurso dos parlamentares para a construção da dicotomia discursiva “nós” – os que lutamos por liberdade – e “eles”, que nos perseguem e enganam.
Em outra postagem, em 14 de junho (Brunini, [2023a]), por meio de um vídeo de sua participação na CPMI, Brunini segue com a estratégia de “Subversão da realidade a da responsabilização” pela tentativa de golpe. Para isso, o parlamentar estabelece um jogo retórico, fazendo referência a uma admiração do presidente pelo partido comunista chinês. O deputado afirma que o 8 de janeiro foi parte de um “teatro” com o objetivo, não de destruir as instituições, mas de destruir “a direita no país”.
Eu percebo que há uma tentativa de golpe no país, mas não é um golpe praticado pelo Bolsonaro e pelos bolsonaristas. […] Por diversas vezes, o Lula afirmou em seus vídeos que ele admirava o Partido Comunista chinês, porque o partido determinava e o povo seguia. […] Todo mundo sabe que não se ataca a democracia com destruição de vidro, tijolo e concreto. O que define os poderes não são os prédios públicos, e sim suas funções que podem ser exercidas de muitas formas, até de modo virtual. Logo os atos do dia 8 de janeiro foram mais um teatro com finalidade de narrativa para se destruir a direita no Brasil (Brunini, [2023a]).
Na subcategoria Omissão do atual governo (39% do total), a deputada Amália Barros e o Coronel Assis estão entre os que tiveram a maior ocorrência – 65% e 63% de suas postagens, respectivamente. Ambos apontam que o governo Lula supostamente sabia o que poderia ocorrer em Brasília. A Presença de infiltrados nos atos (14%), foi mais usada pela Coronel Fernanda e por Abilio, em 38% e 28% de seus posts, respectivamente. A estratégia de Ataque à imprensa aparece em terceiro (9%). Note-se, portanto, que a categoria “Subversão da realidade e da responsabilização” opera, continuamente, com a identificação de um “outro” populista, assim entendido porque opera no discurso como o destinatário da indignação do “nós”, supostamente enganado por uma “narrativa para destruir a direita”.
Na estratégia de “Normalização dos atos do 8 de janeiro”, os parlamentares buscaram posicionar os eventos como manifestações dentro de uma normalidade. Para isso, a principal estratégia foi o argumento de “cidadãos de bem” (14%), e não de ações violentas. Coronel Fernanda foi quem mais recorreu a essa narrativa (50% das suas postagens). Também foram usados os discursos de liberdade de expressão (6%) e de heroificação dos manifestantes (2%) para legitimar os atos.
Em post de 24 de fevereiro, a deputada Coronel Fernanda acionou a “Normalização dos atos do 8 de janeiro” para defender os presos do 8 de janeiro como “cidadãos de bem”, normalizando os atos e cobrando justiça da CPMI (Fernanda, 2023). Ao usar a hashtag #Liberdade, reforçou o argumento da liberdade de expressão como verdade que, segundo ela, deve prevalecer.
Na estratégia de “Desconstrução dos Trabalhos da CPMI”, os parlamentares buscaram deslegitimar a Comissão principalmente por meio da Ridicularização dos trabalhos da CPMI. Abilio Brunini foi o principal expoente: ridicularizou a CPMI em 47% de seus posts. Além disso, em 33% das suas postagens recorreu à Suspeição da CPMI, em 28%, proferiu Ataques aos membros da CPMI e, em 7%, lançou Ataques à relatora da CPMI. José Medeiros e Amália Barros também recorreram à Suspeição da CPMI (7% e 6%, respectivamente) e Ataques à relatora da CPMI (5% e 6%, respectivamente); além de Abilio apenas o deputado José Medeiros usou da estratégia de Ridicularização dos trabalhos da CPMI e Ataques aos membros da CPMI, 6% e 3% dos posts.
Em vídeo publicado em 22 de junho [2023b], Abilio lançou uma série de ataques aos membros da CPMI, apostando, novamente, na “Desconstrução dos trabalhos da CPMI”, com um discurso também de forte ataque às esquerdas:
(…) lamento que a condução desta CPMI chegue nesse ponto (…) Mas infelizmente vai ter momentos que o senhor [Arthur] vai se ausentar, e o Cid Gomes, que é aquele cara do trator (…) que tava indo pra cima (…) da Polícia Militar, é ele que vai conduzir (…) E eles ainda questionam a participação de pessoas da direita, falando que eles são investigados no STF (…); mas lá na CPI do MST eles assumem publicamente que são membros do MST e querem fazer parte da CPI do MST. Hoje também investiga quem financiou o MST, quem financia? (…) (Brunini, [2023b]).
Como se verifica, em conjunto, as estratégias dos deputados buscaram deslegitimar a tentativa de golpe de 8 de janeiro, com discursos desconectados da realidade. Por meio de um discurso populista baseado em desinformação, atacaram a esquerda e desviaram a responsabilidade pelos crimes vistos, ao vivo, por todo o país na imensa cobertura jornalística daquele dia.
Esse tipo de estratégia discursiva aprofunda o antagonismo radical que caracteriza o populismo, seja como discurso, seja como ideologia. Isso porque o discurso articulado sobre o 8 de janeiro no Instagram dos parlamentares aposta na clássica dicotomia “nós” e “eles”, e identifica, como outros perigosos – os que iludem, enganam e querem destruir – aqueles contra os quais a liderança populista se opõe: as esquerdas, a mídia ou as elites políticas alheias ao grupo dominante.
Considerações Finais
O estudo analisou as estratégias de comunicação digital dos deputados federais bolsonaristas de Mato Grosso no Instagram, focando em como construíram seu posicionamento sobre os atos antidemocráticos de 8 de janeiro. A pesquisa investigou as estratégias adotadas por esses deputados e envolveu um estudo empírico do perfil no Instagram de cinco parlamentares (Abilio Brunini, Amália Barros, Coronel Fernanda, Coronel Assis e José Medeiros), considerando postagens de 8 de janeiro a 11 de setembro de 2023. O corpus incluiu 187 postagens, analisadas qualitativa e quantitativamente para entender como os deputados comunicaram os acontecimentos e as estratégias utilizadas.
Os resultados mostraram que, como um grupo coeso, os deputados recorreram a estratégias discursivas de negação da realidade: apostaram na deslegitimação dos atos de 8 de janeiro, criando um quadro de desinformação na rede social por meio de três principais estratégias: “Subversão da realidade e da responsabilização”, “Normalização dos atos do dia 8 de janeiro” e “Desconstrução dos trabalhos da CPMI”. Essas estratégias foram usadas para promover um discurso populista de direita, atacando a esquerda e culpabilizando seus agentes pelos atos criminosos em Brasília.
A comunicação populista opera por meio de estratégias que aprofundam dicotomias agudas e irreconciliáveis entre um grupo tido como puro e bom, e outro que ameaçaria a integridade e a sobrevivência do primeiro. Esse tipo de articulação é atualmente amplamente utilizado no contexto das plataformas, cuja arquitetura facilita a disseminação de discursos de natureza polarizante. Assim, no estudo, foi possível evidenciar como os agentes do bolsonarismo em Mato Grosso usaram as plataformas digitais para dialogar com sua base eleitoral e disseminar um discurso de natureza desinformativa sobre um dos eventos mais dramáticos da democracia em tempos recentes. Ademais, a partir da análise, foi possível contribuir para a compreensão das interações entre uma esfera política cada vez mais radicalizada e a mídia digital, destacando as consequências para o sistema democrático.
Em suma, o estudo forneceu dados relevantes para a compreensão da dinâmica digital do bolsonarismo em um contexto subnacional específico, como Mato Grosso, onde a extrema direita buscou manter sua hegemonia. Para trabalhos futuros, pretende-se analisar os comentários das postagens veiculadas e ampliar o estudo para comparações com a comunicação de parlamentares de outros estados da federação.
Notas
[1] O bolsonarismo é um alinhamento ideológico de direita, com teor extremista, tendo como referência as posições políticas aglutinadas por Jair Bolsonaro (Rennó, 2022).
[2] Neste artigo utilizaremos os conceitos de “plataforma”, “mídias sociais” e “redes sociais digitais”, como sinônimos para facilitar a leitura, embora reconheçamos que há uma discussão conceitual que os diferencie.
[3] O conceito de polarização abrange tanto a polarização ideológica, que envolve a divergência de opiniões entre dois grupos, quanto a polarização afetiva, na qual, além das diferenças de opinião, esses dois grupos também mantêm sentimentos negativos mútuos (Barberá, 2020).
[4] Sujeitos com posições políticas mais radicalizadas (Soares; Recuero; Zago, 2018).
[5] Ferramenta paga com plano gratuito de 90 dias para análise de fanpages.
[6] Variáveis dummies são variáveis dicotômicas codificadas como 0 e 1.
Artigo submetido em 01/07/2025 e aceito em 09/10/2025.
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