Levar caretas a transgredir:

a prosa de Aldir Blanc e a cultura popular

Helcio Herbert Neto1

Resumo

Aldir Blanc (1946-2020) é reconhecido por sua atuação como letrista em canções radiofônicas, mas sua prosa se estende para colunas na imprensa e narrativas curtas de alto teor memorialístico. Foi lançada mais de uma dezena de volumes no mercado editorial com a assinatura do escritor, compositor e músico. O propósito deste artigo é, a partir da comparação entre os textos publicados em O Globo na segunda metade dos anos 2010 e o capítulo “Até Morrer” do livro Brasil passado a sujo: a trajetória de uma porrada de farsantes, explorar as vinculações que a produção literária do autor mantém com a cultura popular. Sob perspectiva histórica, colocar em relação esses dois conjuntos textuais colabora inclusive para o entendimento sobre a participação política do artista. Encarar as contribuições para a imprensa de modo integrado a iniciativas literárias oferece uma outra perspectiva para os esforços para compreender sua produção, com implicações para campos como Comunicação, História e Literatura. A abordagem transdisciplinar se deve, em especial, aos desdobramentos dos conceitos de baixo corporal e baixo material nas tradições brasileiras.

Palavras-chave

Aldir Blanc; Cultura popular; O Globo; Brasil passado a sujo; Prosa.

1 É doutor em História Comparada pela UFRJ e desenvolve pós-doutorado no Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFF – instituição na qual concluiu o mestrado em Comunicação. Este estudo foi realizado no âmbito do Programa de Apoio à Fixação de Jovens Doutores (Faperj/ CNPq). E-mail: helcio.neto00@gmail.com.

Juiz de Fora, PPGCOM – UFJF, v. 19, n. 2, p. 91-107, mai./ago. 2025                                                                                                                         10.34019/1981-4070.2025.v19.47528

Getting the old-fashioned to transgress:

Aldir Blanc's prose and popular culture

Helcio Herbert Neto1

Abstract

The artist Aldir Blanc (1946-2020) is widely recognized for his work as a lyricist in radio songs, but his prose extends to newspaper columns in the press and short narratives with a high memorialistic content. He was also known as a writer, a musician and a singer in Brazil. The objective of this article is, based on the comparison between the texts with the author's signature published by O Globo in the second half of the 2010s and the chapter “Até Morrer” from the book Brasil passado a sujo: a trajetória de uma porrada de farsantes, to explore the links that the author's literary production maintains with a horizon of popular culture in academic studies. In a historical perspective, relating these two textual sets helps to understand the author's political participation. Viewing contributions to the press as integrated with literary initiatives offers another perspective for efforts to understand their production, with implications for fields such as Communication, History and Literature. The transdisciplinary approach is due, specifically, to the unfolding of submissive and simple concepts of material in Brazilian traditions.

Keywords

Aldir Blanc; Popular culture; O Globo; Brasil passado a sujo; Prose.

1 É doutor em História Comparada pela UFRJ e desenvolve pós-doutorado no Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFF – instituição na qual concluiu o mestrado em Comunicação. Este estudo foi realizado no âmbito do Programa de Apoio à Fixação de Jovens Doutores (Faperj/ CNPq). E-mail: helcio.neto00@gmail.com.

Juiz de Fora, PPGCOM – UFJF, v. 19, n. 2, p. 91-107, mai./ago. 2025                                                                                                                         10.34019/1981-4070.2025.v19.47528

Introdução

Essa capacidade de transtornar cucas certinhas – acho que diríamos, hoje, esse dom de levar caretas a transgredir – é que me faz permanecer um apaixonado por futebol (Blanc, 1997, p. 81).

Estranhamente, a prosa de Aldir Blanc (1946-2020) parece caminhar na direção oposta a dos seus maiores sucessos no cancioneiro popular. Enquanto as composições do letrista consagraram-no a um lugar de sofisticação no trato com as palavras, suas narrativas curtas recorrem a referências à gula, à luxúria e às secreções do corpo para compor o complexo mosaico de imagens que remetem à infância e aos costumes da zona norte do Rio de Janeiro da metade do século XX. O interesse pelos hábitos tradicionais pode levar a um entendimento de que os textos publicados na imprensa e em livros desvirtuariam o refinamento do compositor. Ou seja, de que o trabalho na música radiofônica seria superior aos demais escritos, inclusive no que diz respeito à atuação política.

O propósito deste artigo é, a partir da prosa de Blanc, recompor as relações que os textos estabelecem com a cultura popular. Essas interconexões não são tão evidentes e se expressam em diferentes direções. Os registros selecionados têm características semelhantes, ao prezarem pela concisão e por mesclarem opinião sobre os acontecimentos mais imediatos e um olhar para o passado quase nostálgico. No entanto, partem de suportes diferentes. Enquanto a análise política veio à tona por meio da imprensa, as passagens diretamente relacionadas às lembranças da família constam em páginas de livros. O interesse aqui será pelas permanências na não ficção do autor e pelas tradições, que vão do futebol à prática de zombar de figuras públicas.

Por atrelar a memória à cobertura da política em Brasília, o estudo tem uma orientação metodológica baseada na historiografia. Ao prisma adotado por Luca (2005) para encarar o que foi publicado por meio da imprensa, se acrescenta a disposição de Napolitano (2005) para reavaliar fontes históricas que, tradicionalmente, recebem menos esforços por parte dos pesquisadores. A música popular se destaca nesse sentido. As duas perspectivas não são antagônicas e, pelo contrário, podem ser combinadas para a compreensão das conexões de Blanc com seu contexto, além das diferentes dimensões políticas que seus escritos assumem à luz da cultura popular. Ainda em relação ao tratamento do corpus documental, Barros (2014) aponta os benefícios da abordagem comparativa para que os detalhes, à primeira vista imperceptíveis, sejam precisamente assinalados. No horizonte histórico sob o qual esta pesquisa se situa, a alternativa de colocar em relação dois diferentes recortes carrega consigo essas vantagens. Observar a prosa do escritor em publicações diárias e em livro auxilia a missão de aprofundar as suas diferentes camadas poéticas. A ênfase, contudo, é deslocada para as continuidades: o tom assumido nos textos e o espaço exíguo ou fragmentado ocupado pelos textos curtos reaparecem em ambos os casos.

A hipótese da qual este trabalho parte é a de que, à revelia dos que enxergam uma hierarquia entre os escritos impressos em livros, revistas ou jornais e as composições em parceria com outros músicos, há globalmente um eminente valor político. O primeiro traço que redimensiona os escritos é a participação em veículos de imprensa de grande amplitude e reconhecimento: Blanc escreveu para o semanário O Pasquim e para os diários O Globo e O Dia – todos com sede no Rio de Janeiro. A atuação justifica também como o exame da obra do autor está inserido no campo da Comunicação. A iniciativa de entender as nuances da cultura popular já gera aproximações com o campo comunicacional, mas o desejo por mensurar o que veio a público com sua assinatura, a partir das redações, fundamenta essa vinculação.

Após esta breve apresentação, haverá três seções. A primeira se destina a sublinhar as ligações com a cultura popular diante do que foi escrito para o jornal O Globo, não sem antes apresentar um panorama acerca da associação dessa popularidade com as disputas sociais. A visão mais geral é inescapável para o segundo item, que se dedica ao entendimento das passagens em páginas de livro. Um capítulo paradigmático de Brasil passado a sujo: a trajetória de uma porrada de farsantes (1997) será destacado para que o caráter político, presente na descrição de hábitos tradicionais, ganhe outros contornos. Então, a última parte reunirá as considerações finais.

Só a galhofa pode nos salvar – Aldir Blanc em O Globo nos anos 2010

Nascido no então Distrito Federal, Aldir Blanc se tornou um relevante intérprete da realidade carioca desde a juventude (Góes, 2023). Formado em Medicina, especializado em psiquiatria e com atuação no Hospital Pedro II – polo simbólico para a cultura popular –, o compositor se converteu em um dos principais letristas da canção radiofônica da segunda metade do século XX (Vianna, 2013). Estabeleceu parcerias com proeminentes músicos de seu tempo e foi interpretado por vários dos mais prestigiados artistas do país. O grau de sofisticação das composições de sua autoria conseguia despontar até perante a plural música brasileira e foi destacado, por exemplo, por Fiúza (2001).

Vinculado constantemente ao samba, não seria um equívoco identificar vários de seus versos com o bolero, gênero da canção popular em que predomina uma atmosfera dramática e decorosa. Inicialmente, porque o único disco gravado como cantor assume fortemente essa inclinação (Blanc, 2005). Em seguida, devido à variante de grande amplitude em meados do século passado que se valia de inúmeras dessas características: o samba canção (Castro, 2016). Ao combinar a chanson francesa a ritmos latinos, foi alcançada grande influência no Rio de Janeiro no período, principalmente por conta da consolidação do rádio e de sua vocação musical no país (Moreira; Saroldi, 1984).

O tratamento oferecido à palavra levou Blanc a colaborações com veículos de comunicação e ao mercado editorial. Mais de uma dezena de livros, nos quais predominam temas caros à rotina do Rio de Janeiro dos anos 1950, carregam sua assinatura na capa (Vianna, 2013). O fato de escrever para revistas e jornais contribuiu para sua inserção em outros círculos intelectuais, entre os quais o núcleo de O Pasquim se destaca. Favoreceu a formação do halo boêmio em torno de Blanc o convívio com poetas, artistas visuais e escritores na noite carioca. Isso se soma à vivência na música como percussionista e compositor, mas complexifica sua personalidade pública.

Botelho (2014) sublinha a informalidade do autor em seu olhar de cronista, que se conjuga aos relatos memorialísticos a respeito do bairro de Vila Isabel, na Zona Norte da cidade. A nostalgia da infância, o olhar carinhoso para os personagens em torno de sua família e as recordações sobre a vida na metade do século XX marcam sua escrita – especificamente na descrição da Rua dos Artistas, onde o compositor viveu e foi vizinho, por exemplo, do ícone do chorinho Benedito Lacerda (Vianna, 2013). A prosa, que apresenta construções intrincadas, esbarra em um impasse sobre a linguagem utilizada, que se distancia em vários momentos do tom solene ou grave.

Parece estar na contramão da verve cerimoniosa a tendência de Blanc à franqueza, com uso de recursos que remontam a conversas em botequins – Torres (1997), para ilustrar, afirma que é uma prosa que “dispensa floreios e requintes estilísticos. Vai direto ao ponto”. O mesmo comentador pinça dos textos o direcionamento às zonas erógenas, com o emprego de termos mais ou menos alusivos até os apelidos. Na mesma avaliação é realçada a centralidade que os cheiros passam a assumir na construção dessa paisagem abrangente da Zona Norte, trabalho literário que chega à descrição das vísceras e de outros indicativos avessos ao comedimento ou à reverência (Torres, 1997).

Esses enunciados devem ser recebidos com ressalva. A princípio porque a aplicação dessas palavras e expressões despudoradas constitui, sim, um dado do estilo de Blanc; adiante, na reavaliação dos textos, é indispensável incluir as imagens, odores e sensações táteis ao conjunto de impressões que remetem essa prosa à cultura popular. Trata-se de um conceito que não se limita à aderência das multidões, mas traz sinais de disputas de ordem social, cultural e política. Além de mobilizar grandes contingentes populacionais, é rico em sentidos. Por isso, requer uma conceituação detalhada e atenta à conjuntura local a que o autor e, consequentemente, o seu comentador fazem menção.

Estudos sobre o caráter ativo das multidões e da influência de costumes tradicionais, em dinâmicas políticas de consequências duradouras e amplas, avançam por diferentes recortes temporais (Thompson, 2005). Autores brasileiros também se debruçaram sobre a cultura popular com interesse nas disputas, a ponto de fazerem emergir formulações a respeito da filosofia: Britto (2016; 2019) se lança nessa direção ao ponderar sobre diferentes linhas do pensamento europeu, ao passo que Haddock-Lobo, Simas e Rufino (2020) apresentam aforismos amparados na mitologia de religiões de matriz africana e em hábitos ancestrais no país. A intimidade com a linguagem e com os conflitos sociais por meio da literatura surge sob os mesmos interesses (Thompson, 2002).

Na iminência de avaliar as referências a excrementos ou ao sexo em Blanc, são essenciais as pesquisas que se atenham ao baixo material e ao baixo corporal: a primeira expressão dá conta do universo semântico no entorno da escassez de recursos; a segunda contempla todos os sentidos que rondam as funções digestivas, excretoras e reprodutivas da anatomia (Bakhtin, 2010). Essa visão força uma interpretação que não encontre na literatura uma peça isolada de seu contexto ou dos processos históricos, de longa duração, que propiciaram seu aparecimento (Bakhtin, 2015). Sem desconsiderar a riqueza da criação dos autores, a proposta se encaminha para uma percepção ampliada.

Principalmente devido às possibilidades que esse viés característico abre. Recorrer ao baixo material e corporal seria uma estratégia estilística para se opor à seriedade que define há séculos o ordenamento do mundo (Bakthin, 2010). Para as expressões artísticas, citar secreções, comportamentos libidinosos ou aromas animalescos simultaneamente escandalizaria a estruturação da sociedade, marcada por seriedade e matiz oficial, e reformularia uma cosmovisão sobre a verdade – em movimento que remete às lutas centenárias para a emancipação de populações subalternizadas. Seria, então, uma forma de transgressão em via dupla, estética e política. As ofensas e ataques que fazem uso da baixaria se integrariam a esse conjunto totalizante.

As considerações são necessárias por conta da preocupação que Blanc manifesta diante do tumultuado período que determina o fim de sua coluna no jornal O Globo. As crises econômica, política e institucional se intensificaram no intervalo em que os 13 textos aqui avaliados estão situados. A seleção compreende o período entre 2015 e 2018, quadriênio que, em condições normais, limitaria um mandato presidencial. No entanto, houve a deposição da presidenta eleita Dilma Rousseff, a posse do candidato a vice na mesma chapa Michel Temer e o recrudescimento do autoritarismo com a intervenção militar na secretaria de segurança do estado do Rio de Janeiro, somado às anomalias jurídicas a reboque da operação Lava Jato (Máximo, 2016). Vale ressaltar que os créditos ao fim dos textos apenas faziam menção à atividade na canção radiofônica. As assinaturas do colunista no jornal sempre o descreviam apenas como compositor. Por conseguinte, eram abandonadas presumíveis deferências ao médico ou ao escritor. Na prática, nada menos reverente do que os ataques às autoridades no período, conforme já é permitido entrever no tratamento que o colunista confere às principais personalidades políticas e instituições presentes no noticiário.

As corruptelas são simbólicas. Temer é “Temereca” (Blanc, 2017); Aécio Neves, candidato à presidência derrotado em 2014, é convertido em “Aócio” (2017) – além de ser acusado ironicamente de canabalizar o avô, o ex-ministro Tancredo Neves (2015); os presidentes da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha e Rodrigo Maia são chamados de “Cucunha” e “Burrico Maia”, respectivamente (2015); o senador Aloysio Nunes é apelidado de “Lulu Menopausa” (2015); o governador do Paraná Beto Richa tem seu sobrenome mudado para “Racha” (2015); Romero Jucá, outro parlamentar da situação, recebe a alcunha de “Juquenga” (2016); por sua vez, o líder do executivo dos Estados Unidos Barack Obama reaparece como “Obananamole” (2017). A atitude não deve ser assimilada como uma trivial consequência da coloquialidade.

Os termos criados ou trazidos de conversas do dia a dia para o jornal O Globo incorrem em cacófatos de sonoridade agressiva. Os apelidos mencionados se relacionam ao baixo corporal por aludirem de modos plurais a pecados como luxúria, preguiça ou gula. A dimensão da sexualidade é aflorada pelas referências aos políticos, a despeito de Blanc não se estender nas ironias: na maioria das passagens, há apenas a menção ao nome alterado e a análise acerca da conjuntura prossegue. A escatologia em prosa fica aguda em outros momentos, em aceno central para o horizonte da cultura popular. O rompimento de barragens de empresas mineradoras no interior de Minas Gerais serve de exemplo.

Companhia multinacional envolvida no episódio, a Samarco vira “Samarcocô” nas críticas aos arranjos administrativos no poder público que fizeram com que a iniciativa privada não fosse fiscalizada devidamente antes que a mineração causasse o colapso ambiental da região (Blanc, 2016). O nome pode ser um índice do próprio aspecto da lama que escapou das barragens, visualmente parecida com fezes. Outras ocorrências reiteram a tendência, a exemplo do emprego de variações de palavras de baixo calão. São os casos de “berda”, termo utilizado sob alegação de gripe e congestão nasal (2018), e “josta” (2018), que igualmente demarca esse campo dos excrementos na análise da política.

Sob igual perspectiva a respeito da cultura popular, as críticas à cristandade adquirem novas feições (Bakhtin, 2010). O disparador para esse outro prisma de interpretação é o fato de a doutrina cristã ter organizado a realidade, com efeito, desde a Idade Média por meio de coerções, disciplinamentos e violências. Tradições para a contestação da ordem vigente, portanto, foram baseadas em ofensivas em praça pública contra o cristianismo, da fisionomia institucional própria aos ritos da religião (Bakhtin, 2010). O olhar político de Blanc também dá uma guinada nesse rumo no hiato entre 2015 e 2018, embora sejam as diferentes denominações neopentecostais que mereçam as investidas.

Assim, o então prefeito carioca Marcelo Crivella se torna Crivellório (Blanc, 2015) e o senador situacionista Ronaldo Caiado aparece na coluna como Sepulcro Caiado (2015). Outra concorrente derrotada na corrida para presidente da República em 2014, Marina Silva, é apelidada de Marina d’Arc (2016). Através de brincadeiras, o colunista constata e denuncia o aumento da influência cristã nos centros decisórios: em detrimento da laicidade do Estado representantes no Executivo, no Legislativo e no Judiciário se amparam em valores religiosos para conseguir espaço na política (2017). Com preocupações distintas entre si, outros autores identificaram os reflexos dessa inflexão (Souza, 2017; Gallego; 2018; Soares, 2019).

A enérgica reação contra o avanço das forças que provocaram a saída da candidata eleita no pleito de 2014 se explica por dados biográficos – Blanc vocalizou na música popular a campanha pela anistia dos perseguidos políticos pela ditadura civil-militar instaurada 50 antes (Vianna, 2013). Esteve ainda no topo da lista dos compositores mais censurados pelo regime e se manteve ativo em outras disputas sociais, a exemplo da luta contra gravadoras, estações de rádio e canais de televisão pelos direitos dos músicos e pela punição de militares das oficinas de tortura (Blanc, 2015). O engajamento em manifestos de intelectuais e no apoio a campanhas eleitorais também foi conservado, apesar de nunca ter se filiado a nem uma legenda (Vianna, 2013). Talvez por esse motivo o autor registre, expressamente, diante da quadra dramática: “Só a galhofa pode nos salvar. Mais propinas, dessa vez intermediadas por doleiros e pelo Senhor Deus” (Blanc, 2017).

Futebol é loucura – “Até Morrer” e a transgressão em prosa

O quadro mais amplo das implicações da cultura popular na prosa de Blanc, entretanto, impele à aproximação com as tradições no Brasil. Essa necessidade vem da conceituação assumida por este artigo que, ainda que tenha conexões com a realidade contemporânea, foi estipulada para uma delimitação espaço-temporal distante. Um elemento de grande aderência junto à população, difundido concomitantemente aos processos de urbanização e industrialização no século XX, demarca disputas sociais, culturais e políticas (Herbert Neto, 2021): a associação disso à popularidade nos textos do autor exige olhares atentos. Logo, uma seção específica destinada ao futebol se justifica.

Pesquisadores tão distintos quanto Pereira (2001) e Helal (1997) identificam como a modalidade passou a mobilizar multidões no país ao se constituir como fator de identidade nacional. Para os entrecruzamentos de popularidade e disputas políticas, Santos (1981) e Coutinho (2019) também demonstram que o futebol tem fatores que não se restringem ao desempenho físico, técnico ou desportivo de modo mais abrangente. Reconsiderar as nuances do Brasil pós-redemocratização através desse esporte em especial é uma alternativa que se apresenta. A produção literária de Blanc induz a essa opção, uma vez que se trata de um assunto recorrente na bibliografia.

Vasco: a cruz do bacalhau (2009) e Uma caixinha de surpresas (2010) mostram a reincidência do tema em sua produção. Enquanto o primeiro livro é dedicado a episódios históricos do Club de Regatas Vasco da Gama – time pelo qual o compositor torcia –, o segundo lançamento era direcionado ao público infantil. Em outros volumes, que reúnem narrativas curtas com enfoques variados, o futebol reaparece. Brasil passado a sujo (1997) é significativo nesse sentido: nos capítulos “Siempre em la barca pra Paquetá”, “O nível”, “Sina”, “Uma dupla do barulho”, “Confetis” e “Até Morrer” há, com maior ou menor destaque, a presença do esporte. Efetivamente, Aldir Blanc também explora o futebol na coluna em O Globo.

Isso ocorre quando avalia a impunidade diante de crimes cometidos por personagens da modalidade – de homicídio com densa cobertura do noticiário policial no novo milênio (Blanc, 2017) ao apoio de dirigentes esportivos à repressão durante o período ditatorial (2015). A prisão de lideranças da Confederação Brasileira de Futebol, entidade privada responsável pela administração da modalidade no país, também é merecedora da atenção. “Até Morrer”, todavia, concentra densas reflexões acerca do esporte, mesmo que a índole do texto seja mais narrativa do que opinativa. O capítulo de Brasil passado a sujo retrata diferentes ocasiões em que o universo futebolístico inverte a ordem convencional dos acontecimentos.

“Até Morrer” oferece impressões, principalmente, de duas situações recordadas por Blanc: a final da Copa do Mundo masculina de futebol de 1958, disputada na Suécia, entre a seleção anfitriã e o time que representava o Brasil; e um velório interrompido pela curiosidade dos presentes para saber quem venceu um jogo do Vasco contra a equipe do Botafogo de Futebol e Regatas – rival carioca do clube de coração do autor. As sensações proporcionadas por cada ocasião são contadas com humor e entremeadas por divagações de cunho pessoal, que caracterizam o tom memorialístico de parte considerável dos seus escritos. Com ênfase nítida para as vivências em Vila Isabel, na Rua dos Artistas.

Novamente se sobressai a topografia do corpo orientada para baixo, como nas tradições contestatórias da cultura popular, desde a abertura. “Meu primeiro contato com a bola foi no saco. Dito assim, parece um fato biologicamente normal. E é mesmo, desde que o atingido pela bolada consiga recuperar a respiração e, claro, o saco para a prática do nobre esporte bretão.” (Blanc, 1997, p. 81). O trecho de apresentação se aproveita da vulgar associação com os testículos para extrair humor do comum acidente nas brincadeiras que inserem as crianças no universo futebolístico. As referências reiteram a presença da sexualidade na prosa.

O capítulo prossegue, com novas sinalizações para o baixo corporal. “A dor dessa primeira experiência futebolística despertou um traço ibero-masô, geneticamente explicável, em meu excelente caráter: como um espermatozoide tresloucado, fui impelido em direção cruzmaltina.” (Blanc, 1997, p. 81). Para além da inclinação para as secreções, o autor se encaminha para as práticas sexuais de modo frontal ao aludir ao masoquismo. A miríade de referências na paisagem do futebol indica como é forjada a personalidade do torcedor. Ainda assim, não é uma caracterização abstrata ou genérica. A experiência própria é que molda essa visão da modalidade.

Sobretudo, a vinculação ao clube – “Pois é, sou Vasco desde garotinho. Meu velho diz que um vascaíno sincero tem miolo mole ou é opaco feito uma calçada, sem nenhum trocadilho.” (Blanc, 1997, p. 81). Antes de se deter às duas passagens sobre como o futebol desvirtuou a vida comezinha dos moradores de Vila Isabel, Blanc percorre a formação dessa apaixonada disposição para torcer com um humor sustentado pelas indicações aos traços menos pudorosos dessa mesma rotina. Se na crônica política a afirmação de que apenas a galhofa teria a capacidade de redimir a torrente de desmandos na política, outra frase lapidar é cunhada pelo autor quando é a experiência esportiva que entra em cena: “Futebol é loucura” (Blanc, 1997, p. 81).

Da cultura popular, Blanc decalca um elemento que promove o embaralhamento da ordem social, definitivo para as tradições de contestação: “Essa capacidade de transtornar cucas certinhas – acho que diríamos, hoje, esse dom de levar caretas a transgredir – é que me faz permanecer um apaixonado por futebol, apesar de toda corrupção” (Blanc, 1997, p. 81). A denúncia da malversação de recursos por executivos da administração esportiva se avizinha daquela que, nas colunas de O Globo, vai desencadear os vitupérios contra representantes de partidos em cargos eletivos. A permanência do mote da corrupção aponta para continuidades na cobertura esportiva desde o começo da radiodifusão no Brasil (Herbert Neto, 2024a).

O trecho manifesta impressões da cultura popular que ressurgem, mesmo que sob outras fisionomias, no panorama da prosa do autor: tradições ao redor do riso e do futebol guardam o potencial de transgredir e subverter valores políticos, sociais e culturais impostos para conservar o controle de setores subordinados ao ordenamento da realidade. E os dois casos são apenas ilustrativos das inúmeras outras tendências que são sustentadas pelos costumes populares e podem desempenhar função semelhante ao confundir hierarquias e relações de poder preestabelecidas. A ponto de a associação da modalidade com a loucura colocar em xeque a racionalidade do regramento social.

Em seguida, Blanc prossegue com a enumeração de fatores contemporâneos que desencorajam a paixão pelo futebol – muitos atrelados a imposições econômicas e administrativas. “Resultados decepcionantes, decadência da técnica, desaparecimento do virtuose (a ascensão do açougueiro), violência, violência, violência e a dor, suavizada pela recordação dos dribles imortais, de não ver outro Garrincha. Mas hei de torcer!” (Blanc, 1997, p. 82-83). A passagem reúne dois eixos para os olhares que se direcionem à prosa do autor: o saudosismo dos tempos idos e a persistência em tomar partido dos acontecimentos do presente. Aparentemente contraditórios, os dois sentidos se fazem perceber na imprensa e no livro sob o signo do ressentimento.

Na bem-humorada análise política em O Globo o autor se queixa das ofensivas antidemocráticas e antipopulares nos gabinetes de Brasília, mas se conserva politicamente ativo nas críticas e participativo no que diz respeito ao desenrolar das crises; no capítulo “Até Morrer” de Brasil passado a sujo a nostalgia da ludicidade do futebol de outrora não o imobiliza perante as disputas do esporte na atualidade. A relação com a modalidade ainda é estreita, como denota sua afirmação reiterada – “hei de torcer”. O ressentimento é justamente a capacidade que Blanc rubrica, por meio da linguagem, de coabitar o presente e o pretérito, sem renunciar aos acontecimentos e seguir altivo.

A poética de Blanc monta um quebra-cabeças com fragmentos de hinos de clubes, a exemplo da conclamação a continuar a apoiar os times de futebol que abre a canção do América Football Club (Hino…, 2025). A despeito de nem explicar a citação ou sequer deixá-la mais explícita, o capítulo reafirma o pertencimento local. Isso porque os torcedores americanos possuem intimidade com a Zona Norte, região na qual foi fundada sua primeira sede. Na verdade, se trata de um forte símbolo da Tijuca no século XX, bairro vizinho à Vila Isabel e contíguo à Rua dos Artistas da infância constantemente revisitada pelo autor. Essa riqueza de sentidos acena, de novo, para a cultura popular.

Em passagens adiante, são apresentadas outras demonstrações dessa cultura popular que, ainda que esparsa e desintegrada, ajuda a reconstruir uma bricolagem de tradições. De imediato, a aproximação é com um gênero específico da música popular – “Hei de torcer porque não resta outra alternativa. Torcer dá samba.” (Blanc, 1997, p. 84). Em seguida, quando menciona a mediação a que os torcedores recorriam para acompanhar as novidades de seus respectivos times, a sinalização é para o passado dos veículos radiodifusores: “A paixão. Era época do rádio Spica. Todo mundo tinha um. Cada transeunte zumbia como um besouro” (Blanc, 1997, p. 84).

Blanc recupera o nome de uma antiga marca de aparelhos de rádio, o que gera como consequência uma conexão da canção popular ao futebol através do meio de comunicação pelo qual ambas as expressões de alta aderência alcançavam as audiências. A narração a respeito da final do Mundial de 1958 e da cerimônia religiosa para a despedida no cemitério provoca divertimento ao brincar com sexualidade, morte e liturgias sagradas – em outro indício das transgressões promovidas pelas multidões. A imagem da desrazão volta em “Até Morrer” em nova tentativa de definir o esporte, que motivou o capítulo do livro e diversas iniciativas do autor em verso e prosa: a canção “Linha de Passe”, por exemplo (João…, 2017).

Dada a relevância do tema, a reflexão serve de conclusão: “Futebol é isso – incoerência, farsa, delírio. Por essas e outras é que hei de torcer, hei de torcer até morrer. A torcida brasileira é toda assim, a começar por mim”. (Blanc, 1997, p. 87). O desfecho traz citações ao hino do América em movimento que repisa o pertencimento à zona norte carioca, a inversão da razoabilidade com o esporte e o amálgama das tradições populares na transição para o terceiro milênio. Mais do que um pano de fundo, a intrincada cena da Vila Isabel exerce protagonismo tanto para o desenlace do enredo quanto para o entendimento das perversões à ordem que a ótica do escritor inspira.

Se a topografia do corpo aponta para as entranhas em movimento lascivo e visceral, a simplicidade da vida nas memórias induz ao baixo material. Em Brasil passado a sujo – a culinária avessa a francofilias ou aos modismos da gastronomia – o hábito de compartilhar a experiência esportiva coletiva e sincronicamente em radiodifusão e uma religiosidade irreverente se deixam levar para a transgressão: representada pelas investidas políticas que o autor realiza sem tratar de partidos,  candidatos ou pautas claramente inseridas no noticiário de prefeituras, estados e da União. O empenho para flagrar as correlações de Blanc com o futebol não é inédito. Garcia (2013) havia explorado essas ligações por meio de crônicas do autor, mas o trabalho não foi motivado pelo problema da cultura popular. Sem desconsiderar perguntas e respostas encontradas por estudos anteriores, a leitura comparativa do capítulo do livro e de O Globo se centrou nessas defasagens.

Considerações Finais

É justamente a comparação da prosa em jornal e livro de Aldir Blanc que deixa à mostra uma linha que perpassa os textos. Visivelmente o autor se apropria da tendência de contestação da cultura popular nos insultuosos apelidos criados para representar personagens políticos que haviam participado da ofensiva contra a presidenta Dilma Rousseff – investida que, segundo o colunista, configurou uma agressão à democracia. Mas também vão no sentido da transgressão política (Herbert Neto, 2024b), ao usar a linguagem para desordenar hierarquias sociais e embaralhar valores relativos à verdade e ao sagrado, a defesa das tradições e a proposta despudorada em “Até Morrer”. Os demais capítulos do mesmo livro requerem leituras pormenorizadas.

Refinamento e sem-vergonhice não são excludentes no legado do autor. Levar em consideração os textos que vieram a público pelas páginas de veículos de imprensa e em livro expõe essas ambivalências, desde que a leitura não seja enviesada de partida para privilegiar uma das duas direções. A superação da classificação que relegaria as baixarias ao esquecimento ou, no máximo, a uma veleidade episódica do compositor em sua atuação na literatura em sentido mais estrito corresponde a uma visibilidade expandida das lutas políticas em curso na sociedade. Para simplificar: a pesquisa sobre a prosa de Blanc alarga politicamente o horizonte de conflitos.

O itinerário percorrido induz a considerações sobre o jornalismo e a literatura: o compositor se familiarizou com os meandros e passou a colaborar com a imprensa em seções opinativas, depois chegou às gôndolas das livrarias com lançamentos que continham visões críticas sobre a sociedade, mas a partir de outras abordagens (Vianna, 2013). Nesse sentido, O Pasquim foi central por ter alçado-o à condição de colaborador do semanário e a de escritor, uma vez que suas ações iniciais no mercado editorial apareceram com o selo da Codecri – editora montada a partir da estrutura do veículo de comunicação e que lançou outros artistas como Lopes (1981).

Não consta no escopo deste artigo a avaliação do letrista, nem mesmo para reconsiderar sua produção à luz das tradições da cultura popular. Futuros esforços podem suprir essa lacuna se não estiverem restritos ao caráter lírico, circunspecto ou até sombrio das composições e ambicionarem entrever variações vibrantes e ativas que o mesmo conjunto de canções pode assumir. O despojamento do autor, em inúmeras ocasiões até desbocado, é uma abertura para essas nuances. Até sob o prisma do ressentimento a prosa de Blanc reserva potencialidades. Devido ao fato de os elogios ao passado não o impedirem de participar dos acontecimentos que lhe foram contemporâneos, as iniciativas para dar conta da produção do autor lidam com a convivência dessas duas temporalidades.

Presente e pretérito se congregam na interpretação das notícias de Brasília e, destacadamente, no olhar para o esporte. Os problemas ao redor desse ponto se desenvolvem para os campos da mediação, da memória e da linguagem. Logo, os estudos por vir podem explorar os entrecruzamentos na interface entre História e Literatura. Mais trabalhos em Comunicação se atentaram para as permanências dessa estética popular específica, que foi notada em O Globo e Brasil passado a sujo – volume que, já no título, recupera traços distantes da assepsia ou de quaisquer propriedades estéreis: Sodré e Paiva (2002) encontram na efusividade apelativa da televisão a continuação disso, embora com sinais trocados; Sodré (2010) negocia com valores parecidos ao especular sobre os limites artísticos do futebol.

Durante a pandemia, Blanc contraiu o vírus da Covid-19 e não resistiu às consequências da doença em 2020 (Blanc, 2020). Em virtude da precariedade com que vivia, campanhas para financiamento do tratamento do compositor foram desencadeadas sem, contudo, conseguir o objetivo de sua recuperação. Mesmo após a morte a mobilização em torno de seu nome foi estimulada. Houve lançamentos no mercado dos livros (Blanc, 2020), na indústria fonográfica (Ferreira, 2024), além de eventos em praça pública em celebração de seu legado musical (Litwak, 2024). Até reivindicaram seu nome em efemérides corporativas de conglomerados de mídia (Millen, 2025) – grupos empresariais cuja disposição para conservar as desigualdades o escritor atacou em vida.

Ainda que nunca tenha evocado para si o status de ícone popular, as dinâmicas em volta do compositor chamam atenção. Não é um equívoco conjeturar que a habilidade para transitar do popularesco ao livresco tenha sido uma das causas que conferiram à proposta de legislação para fomento de atividades artísticas e culturais o seu nome, ainda no ano de sua partida, sob o impacto da notícia (Brasil, 2025). A aprovação e a sanção, em um intervalo de profundo autoritarismo (Prestes, 2019), merecem mais empenho por parte dos estudiosos para que sejam calculadas as consequências dessas circulações empreendidas pelo compositor e pela sua obra também para a criação da Lei Aldir Blanc.

Artigo submetido em 19/02/2025 e aceito em 02/06/2025.

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