Editorial  
Libertas é um chamado, uma evocação”  
O título acima foi retirado do editorial do volume inaugural da Libertas, publicado em  
2001 e escrito pelas professoras Cristina Bezerra e Rosângela Lage. Naquele texto, as autoras  
destacam a associação do nome da revista ao verbo libertar e ao substantivo liberdade, num  
contexto histórico em que a liberdade foi apropriada e vinculada, sobretudo, às teses neoliberais,  
como a “liberdade de mercado” e o destaque dado às liberdades individuais em detrimento do  
coletivo. Era um período em que neoliberalismo já se consolidava na sociedade brasileira.  
Passaram-se 25 anos e nos vemos diante de um cenário ainda mais complexo. Por meio  
da apropriação dissimulada da “liberdade de expressão”, a noção de liberdade vem sendo  
distorcida por setores conservadores, que utilizam de artifícios narrativos e do advento das redes  
sociais para externarem todo tipo de manifestação de cunho racista, homofóbico, xenofóbico,  
sexista, disseminar fake news, propagar discursos de ódio, defender regimes e figuras  
autoritárias, e legitimar a necropolítica em todas as suas expressões.  
Desse modo, a liberdade, enquanto princípio humano emancipatório, vem sofrendo um  
processo de esvaziamento de seu sentido original, sendo enquadrada aos preceitos capitalistas  
de diferentes formas, de acordo com suas necessidades de desenvolvimento e aprofundamento.  
Isso reforça o chamado que fazemos, desde 2001, aos trabalhadores e sujeitos coletivos a aderir  
ao projeto coletivo defendido pelo Serviço Social brasileiro, com clara perspectiva ético-  
política, “em busca de uma verdadeira liberdade” (Bezerra; Lage, 2001, p. 9).  
Libertas é chamado, mas também é evocação. Evocar tem o mesmo sentido de chamar,  
mas também de lembrar, de recordar. No campo dos estudos sobre memória, o seu  
armazenamento pode ser dividido em três processos: aquisição, consolidação e evocação, sendo  
este o retorno das informações armazenadas nas memórias (Mourão Jr.; Faria, 2015). Dessa  
forma, evocar é o processo de trazer à tona uma memória que ficou armazenada, mas para isso  
ela precisa ser estimulada.  
Como afirmou Bergson (apud Bosi, p. 10), “é do presente que parte o chamado ao qual  
DOI: 10.34019/1980-8518.2026.v26.53558  
Esta obra está licenciada sob os termos  
Recebido em: 29/06/2026  
Aprovado em: 29/06/2026  
Bruno Bruziguessi; Alexandra Eiras; Luciano Souza; Joseane Lima; Maria Lúcia Duriguetto  
a lembrança responde”, assim esse estímulo feito pela Comissão Editorial de evocar a memória  
da Libertas envolve um processo coletivo, de buscar nos sujeitos que construíram  
historicamente essa revista, frente a diversos desafios nessa trajetória, a “imagem-lembrança”  
de alguns momentos fundamentais que fizeram com que chegássemos até o presente. Para Ecléa  
Bosi (1979, p. 11) essa lembrança pura, que se diferencia da memória-hábito – aquela que já  
faz parte do cotidiano, que remete àquilo que se torna costumeiro, mecanizado, um “esquema  
de comportamento” –, “traz à tona da consciência um momento único, singular, não repetido,  
irreversível, da vida” e vem daí seu caráter evocativo, de uma memória que estaria latente e  
profunda.  
Com a ideia de (co)memorar os 25 anos da Libertas, apresentamos contribuições de  
professoras da Faculdade de Serviço Social para evocar essa memória e documentar a trajetória  
de construção permanente da revista. Para esse fim, dedicamos uma seção especial para marcar  
a celebração dessa importante data. Essa seção conta com a contribuição de Alexandra  
Aparecida Leite Toffanetto Seabra Eiras, Bruno Bruziguessi e Luciano Cardoso de Souza,  
membros da atual Comissão Editorial, que apresentam o artigo “Libertas, 25 anos! Avanços,  
desafios e perspectivas”. Nele, os autores realizam um balanço da revista no período de 2020-  
2025, tanto em termos quantitativos, quanto qualitativos, indicando os avanços que a revista  
obteve nesse período e os desafios para os próximos anos. Há também o artigo das professoras  
Mônica Grossi, Auta Stephan de Souza e Sandra Hallack Arbex, que fizeram parte da Comissão  
Editorial da Libertas em diferentes momentos, no qual resgatam as suas memórias dos primeiros  
anos da revista (2001-2007), destacando a sua criação, o volume inaugural e a edição especial  
publicada em fevereiro de 2007. Além disso, a professora Carina Berta Moljo, que também fez  
parte da Comissão Editorial da Libertas em dois momentos distintos, nos brinda com um  
depoimento, no qual rememora sua passagem pela revista, destacando os desafios particulares  
de cada uma dessas diferentes fases.  
X
Temos o entendimento de que a longa trajetória da Libertas não pode ser resumida  
nesses três documentos que ora trazemos, mas eles cristalizam o esforço de registrar a memória  
coletiva da revista e, ao mesmo tempo, homenagear pessoas tão importantes que se dedicaram  
a encarar o desafio de criar e sustentar um periódico científico de qualidade no âmbito da  
universidade pública brasileira. O convite às autoras foi realizado com o intuito de abarcar  
momentos diferentes da revista e essa proposta deixou ainda mais clara a riqueza da trajetória  
percorrida pela Libertas, expondo a necessidade de continuarmos buscando, com a participação  
de outros sujeitos tão importantes, a evocar a memória para construir um sólido registro  
histórico da revista.  
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Editorial  
Além da seção especial, este volume conta com a seção de artigos de tema livre,  
composta por contribuições de diversos pesquisadores do Serviço Social e áreas afins, em uma  
importante diversidade de temas, recortes e alcances.  
Abrindo a seção apresentamos o artigo “Assistência social e bancarização: reflexões a  
partir da execução dos programas socioassistenciais pelo Banco de Brasília no Distrito  
Federal”, de Liliam dos Reis Souza Santos e Ana Carolina Nunes Renault Monteiro. O artigo  
analisa a mercantilização da política social sob a hegemonia do capital financeiro, evidenciando  
o avanço da financeirização e a atuação de bancos na execução de programas sociais. Com base  
em pesquisa documental sobre contratos entre a Secretaria de Desenvolvimento Social  
(SEDES) e o Banco de Brasília (BRB) (2020–2026), examina a operacionalização de políticas  
sociais no Distrito Federal. A análise, fundamentada em perspectivas críticas do financiamento  
das políticas sociais, revela o fortalecimento da intermediação bancária. Conclui que essa  
dinâmica subordina a política social à lógica mercantil, convertendo direitos sociais em ativos  
econômicos e informacionais.  
Na sequência, apresentamos o artigo “Rualização em debate: vozes resistentes aos  
desafios da vida na rua e para além dela”, escrito por Verônica Martins Tiengo, que tem como  
objetivo “apresentar a voz de sujeitos em situação de rua a respeito do que pode ser feito no  
sentido de mitigar essa multifacetada expressão da questão social”. Trata-se de pesquisa  
qualitativa, bibliográfica e de campo. O texto enfatiza os determinantes da situação de rua,  
destacando que a pesquisa de campo indicou que os sujeitos entrevistados “expressam viver  
nas ruas por elementos motivadores diversos, tais como a perda do emprego, perda das relações  
familiares, perda da moradia, perda da capacidade laborativa. Nas ruas sofrem violências de  
todo tipo e apresentam projetos de vida associados ao trabalho, que lhes permita manter uma  
moradia e demais gastos que lhes mantenham o sustento”.  
XI  
Destacamos um bloco de artigos que trata de diferentes reflexões acerca do eixo  
temático gênero, patriarcado e capitalismo, que aborda elementos como cuidado, trabalho  
doméstico, violência de gênero, políticas sociais voltadas às mulheres e precarização do  
trabalho. Valendo-se de contribuições da teoria marxista tais como a teoria da reprodução social  
e a teoria marxista da dependência, esse conjunto de textos apresenta resultados de  
investigações fundamentais que contribuem para a ampliação das discussões acerca desse eixo  
temático. Alguns desses trabalhos também articulam gênero, raça e classe, seja para realizar  
apontamentos a partir da formação social brasileira, seja para uma reflexão mais apurada da  
realidade contemporânea. Dessa forma, aproveitamos para apresentar neste bloco um artigo que  
trata especificamente da questão racial, outro tema que vem suscitando muitas reflexões e  
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interpretações no Serviço Social brasileiro.  
Dentre tais artigos, apresentamos a contribuição de Larissa de Souza Alves Mapa e Rita  
de Cássia Pereira Farias, “Estrutura patriarcal e institucionalização de crianças e adolescentes”,  
que propõe analisar como a articulação entre a estrutura patriarcal da sociedade brasileira e as  
políticas familistas potencializam a responsabilização das mulheres sob a “tarefa do cuidado”,  
e seu “fracasso” leva à institucionalização de crianças e adolescentes. Para explicitar esses  
argumentos, o artigo traz os resultados de uma pesquisa realizada junto a psicólogos e  
assistentes sociais que atuam em unidades de acolhimento institucional em quatro municípios  
do estado de Minas Gerais. Já o artigo “Cuidado e conflitos pós-divórcio: contradições da  
política social brasileira”, de Kátia Roberta Portes Silva Raposo e Maria das Dores Saraiva de  
Loreto, parte da articulação entre a teoria marxista da dependência e os estudos sobre gênero e  
cuidado para analisar os conflitos pós-divórcio, apontando que a ausência de políticas sociais  
estruturadas pode reforçar desigualdades sociais, raciais e de gênero. Analisando aspectos da  
formação social brasileira, como o caráter dependente do nosso capitalismo e as características  
do Estado, aponta para as potencialidades e limites da Política Nacional de Cuidados.  
Ainda no campo dos estudos de gênero, destacamos o artigo “Entre a fábrica e a cozinha:  
precarização do trabalho e a reprodução social das catadoras de caranguejo na Amazônia dos  
manguezais”, de Clara Sousa Maria e Adriana de Azevedo Mathis, que traz uma pesquisa sobre  
a precarização do trabalho das catadoras de caranguejo da vila do Treme, comunidade  
localizada no entorno da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu (RESEX) em  
(Bragança/PA). Fundamenta-se na tradição marxista e feminista para compreender como as  
articulações entre o trabalho produtivo e a reprodução social impactam na vida de 13 catadoras  
de caranguejo. O artigo de Larissa Dahmer Pereira, Tatiana Dahmer Pereira, Marianna Madeira  
Mendes e Sophia Isabelle de Mello Bini Oliveira Santos intitulado “Educação e Gênero:  
abordando a Lei Maria da Penha em escolas de Nova Friburgo”, apresenta resultados parciais  
de um projeto sobre a concepção dos adolescentes de uma escola no município de Nova  
Friburgo, estado do Rio de janeiro, em relação à violência contra as mulheres. Para tal estudo,  
foi realizada com esses adolescentes a apresentação de conceitos que lhes permitissem refletir  
sobre as relações sociais de gênero e raça, para que pudessem explicitar as formas de violência  
contra a mulher que eles identificavam em sua realidade. Como achados parciais, foi possível  
constatar que “os discentes identificam de forma mais corriqueira as violências física, sexual e  
psicológica, mas ainda não o fazem em relação a outras formas mais sutis de violência, tais  
como as violências patrimonial e moral”.  
XII  
Tendo em vista as pesquisas que vem articulando gênero, raça e classe, o bloco que  
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apresentamos está centrado nos estudos de gênero, mas sem perder de vista as articulações com  
o debate de classe. Alguns deles também fazem indicativos de articulação com a questão étnico-  
racial, que também tem ganhado muito espaço no Serviço Social. Dentro disso, apresentamos  
a contribuição de Fabiane Ferreira Nascimento Santos, que coloca o debate racial como tema  
central no artigo “O dilema da parditude: reflexões sobre raça/etnia e identidade no Brasil”. A  
autora constrói uma sólida argumentação para contrapor as posições e discursos do chamado  
Movimento Parditude. Recorrendo a trabalhos de importantes intelectuais do movimento negro  
brasileiro, como os de Kabengele Munanga, Abdias do Nascimento, Clóvis Moura e Sueli  
Carneiro, a autora debate criticamente temas como o limbo racial, a multirracialidade, a Lei de  
Cotas e a emergência das bancas de heteroidentificação, levando em conta aspectos da formação  
social brasileira. Dessa forma, a autora aponta que “o Movimento Parditude se utiliza de temas  
sensíveis intentando reivindicar uma ‘identidade mestiça’, mas na prática tem contribuído com  
a despolitização da categoria de negros, gerando debates virtuais que tem servido,  
ideologicamente e politicamente, para ameaçar conquistas históricas da comunidade negra  
brasileira”.  
Em seguida, trazemos um bloco de artigos que tem como elemento central o Serviço  
Social em suas diversas dimensões. Abrimos com o texto de Valéria Lucilia Forti, Juliana  
Menezes, Lidiane de Souza Barros e Maria Eduarda da Costa dos Santos, “Na contramão do  
amanhã: notas sobre a cena contemporânea e os rumos do Serviço Social brasileiro”. As autoras  
abordam questões complexas da sociabilidade contemporânea que afetam a profissão,  
evidenciando a presença do neoconservadorismo, do reacionarismo e do neofascismo, como  
processos que desafiam o Projeto Ético-Político do Serviço Social brasileiro. Fazem uma  
apreciação da produção acadêmica pós-graduada visando apreender a “ascendência das  
tendências conservadoras e neofascistas”. Trata-se de um ensaio teórico, “ancorado na  
abordagem crítica da tradição marxista, com base em revisão, análise bibliográfica e dos  
achados iniciais desta pesquisa em desenvolvimento". As autoras analisam que no pós-2016, as  
produções relacionadas à temática do neoconservadorismo, bolsonarismo, extrema direita e  
neofascismo se ampliam nos cursos de pós-graduação (mestrado e doutorado). Contudo,  
afirmam que “quando comparamos, em ambos os níveis, o total de produções com o total  
daquelas que apresentam os descritores analisados, percebemos um quantitativo pouco  
significativo, o que expressa um investimento ainda exíguo da categoria no enfrentamento do  
tema”.  
XIII  
Ainda nesse bloco, destacamos três artigos que tratam da formação profissional. O  
primeiro, intitulado “A formação profissional em Serviço Social no Brasil entre 1930-1970”,  
Bruno Bruziguessi; Alexandra Eiras; Luciano Souza; Joseane Lima; Maria Lúcia Duriguetto  
de Sandra Rodrigues dos Santos, expõe o debate crítico sobre o ensino do Serviço Social  
brasileiro que emergiu na década de 1970. Aautora assevera que “apesar da extensa bibliografia  
consolidada sobre o tema, seu estudo continua imprescindível em nosso tempo para balanços,  
aprendizados e projeções, sobretudo quando acirram as disputas em torno da direção social do  
atual projeto de formação profissional, expresso nas Diretrizes Curriculares de 1996”. A partir  
dos estudos sobre o legado histórico e as disputas em torno do projeto de formação do Serviço  
Social no Brasil, a autora observa que o “ensino da profissão esteve necessariamente imbricado  
às condições sociais historicamente determinadas”, “o que traz à luz disputas em torno de seu  
arcabouço ideopolítico, teórico-metodológico e interventivo vis-à-vis à realidade social que  
vivencia a profissão no bojo da reconfiguração do capitalismo na cena contemporânea”. Já o  
artigo de Tatiana de Lima Souza, Débora Elita de Sousa Silva e Vinicius Rafael Lopes, “Estágio  
docência e os Fundamentos Históricos Teórico-Metodológicos do Serviço Social”, teve como  
objetivo “analisar o estágio docência e suas contribuições na área de Fundamentos Históricos  
Teórico-Metodológicos do Serviço Social para o ensino dos Fundamentos do Serviço Social e  
para a formação docente”. Partiu-se do estudo e da experiência sobre o estágio docência  
articulados à análise dos conteúdos das disciplinas que tratam dos fundamentos do Serviço  
Social. Para tanto, procedeu-se ao “levantamento dos componentes curriculares ofertados, na  
atualidade, em nível de graduação e pós-graduação em Serviço Social, na Universidade Federal  
do Rio Grande do Norte e na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte”. O artigo conclui  
que o estágio docência “fortalece o ensino dos fundamentos da profissão e a formação  
profissional de docentes Assistentes Sociais para trabalharem na educação superior”. Para os  
autores, a experiência formativa discutida no artigo agrega contribuições para a formação e o  
trabalho profissional e difunde estratégias pedagógicas que facilitam a apreensão do corpo  
discente acerca das discussões inerentes ao componente curricular de Fundamentos do Serviço  
Social, indicando-se a necessidade de ampliar as produções sobre o ensino na área de Serviço  
Social. Já a contribuição de Fernanda Correa Almeida Rodrigues Penido e Leonardo Nogueira,  
“O debate da cultura na formação em Serviço Social nas universidades públicas em Minas  
Gerais”, tem como objetivo analisar como o tema da cultura é tratado nestes cursos de Serviço  
Social, para tanto foram utilizadas “distintas metodologias de pesquisa, a saber, pesquisa  
bibliográfica, estado da arte da produção sobre cultura em periódicos previamente selecionadas  
no período de 2013 a 2023, e pesquisa documental nos projetos pedagógicos de instituições de  
ensino públicas mineiras”.  
XIV  
Destacamos ainda dois artigos que versam sobre memória, história oral e Serviço Social.  
O primeiro, “História e memória da e na formação em Serviço Social na Universidade Federal  
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do Piauí e sua interlocução com o campo da saúde mental” escrito por Laína Jennifer Carvalho  
Araújo. Este artigo tem como objetivo analisar “as particularidades do processo de formação  
profissional em Serviço Social e a temporalidade histórica do e no Curso de Serviço Social da  
UFPI, na sua interlocução com o campo da Saúde, com ênfase na Saúde Mental”. Para isso,  
recorreu-se a um levantamento de setenta e dois Trabalhos de Conclusão de Curso que trataram  
do tema da saúde mental no período de 1987 a 2021, utilizando também de depoimentos de  
docentes orientadores destes trabalhos, bem como de assistentes sociais egressos do curso e que  
atuam no campo da saúde mental. O segundo artigo, “A fonte oral na pesquisa em serviço social  
e a história oral: a leitura marxiana”, escrito por Carla Regina Moreira, tem como objetivo  
verificar como a história oral vem sendo abordada pela literatura no campo do Serviço Social e  
como se dá a interlocução com o Projeto Ético-Político da profissão. A partir de uma leitura  
marxista da história oral, o levantamento de trabalhos foi feito no Google Acadêmico,  
recortando o período de 2022 a 2025, com uma análise baseada na revisão de literatura do tipo  
narrativa com dez materiais selecionados a partir de critérios de inclusão e exclusão, que  
abordassem essa relação da história oral com o Serviço Social. Seus resultados indicam que  
essa relação é intrínseca tanto na pesquisa quanto no cotidiano do exercício profissional e está  
alinhado com os princípios do projeto profissional.  
Finalizamos esse bloco, centrado no Serviço Social, com três artigos que apresentam  
reflexões relacionadas à inserção e ao exercício profissional. Rosária Cal Bastos, Maria das  
Dores Saraiva de Loreto, Amélia Carla Bastos de Andrade, Juliana Auxiliadora Pereira e  
Poliana Aroeira Braga Duarte Ferreira apresentam o artigo intitulado “Pandemia, direitos e  
Serviço Social: impactos e implicações profissionais e jurídicas”, que tem como objetivo  
analisar as produções acadêmicas sobre a atuação do assistente social durante a pandemia da  
covid-19, tendo como foco dois eixos que foram identificados no levantamento: debates  
teóricos sobre o Serviço Social e as transformações no exercício profissional. Essa pesquisa  
baseou-se em um levantamento de literatura a partir das publicações encontradas nos portais  
SciELO e GoogleAcadêmico no período de janeiro de 2020 à outubro de 2021. JáAnna Cláudia  
Rodrigues Alves, Estela Saléh da Cunha, Ana Clara Aparecida Moreira Alves, Renata  
Emanoelly Policarpo de Almeida e Ruth Emanuelle Campos, escrevem sobre a ação  
extensionista coordenada pelo Serviço Social na Universidade Federal de Juiz de Fora,  
denominada “Programa de Preparação e Educação para a aposentadoria”. Apresentam o perfil  
dos egressos do projeto, analisando o processo da aposentadoria na relação com o trabalho na  
sociedade capitalista e indicando as avaliações feitas por eles sobre a participação no projeto de  
extensão. Elas destacam a potencialidade do trabalho de assistente social nesse tipo de ação ao  
XV  
Bruno Bruziguessi; Alexandra Eiras; Luciano Souza; Joseane Lima; Maria Lúcia Duriguetto  
articular as dimensões política e pedagógica e “pautar suas ações no estímulo à reflexão, à troca  
de vivências e histórias de vida entre seus participantes, com sua valorização e reconhecimento  
enquanto sujeitos políticos, capazes de ressignificar os sentidos do trabalho e sua relação com  
a velhice na construção de novos projetos de vida”. Por fim, Mauro Rocha Baptista e Jhonatan  
Antônio Rocha dos Santos, escrevem sobre a “Atuação do assistente social na educação:  
considerações sobre uma atividade extensionista”. O artigo toma como base o relato de  
experiência extensionista para analisar a inserção de assistentes sociais no campo educacional.  
A educação é compreendida como “campo de disputa e mediação da questão social no  
capitalismo”. E apresenta uma descrição da atividade extensionista refletindo sobre o seu  
desenvolvimento.  
Este volume também conta com duas contribuições que tratam de outro importante eixo  
temático que vem avançando nos últimos anos no Serviço Social brasileiro, mas que ainda  
demanda mais atenção de pesquisadores da categoria: questão agrária, questão urbana e questão  
ambiental. Assim, apresentamos o artigo de Daniel Antoine Abou Jaoude, “Da expropriação  
colonial à emergência climática: a Lei de Terras e os cercamentos de campos à brasileira”, que  
tem como objetivo analisar a relação direta entre a ocupação do solo e a crise climática. Para  
esse estudo, o autor estabelece um paralelo entre a ocupação fundiária brasileira, sobretudo a  
partir da promulgação da Lei de Terras de 1850, e o processo de acumulação primitiva analisado  
por Marx em O capital, indicando que a intensificação do desmatamento, da degradação do  
solo e das mudanças climáticas são agravadas pela forma de apropriação da terra no Brasil. O  
outro artigo desse eixo temático é “O legado da Reforma Urbana e sua incorporação nas  
agendas de lutas atuais (1980-2023)”, contribuição de Joicy Helena da Costa Pantoja e Joana  
Valente Santana, que se propõe a analisar como o legado da luta pela Reforma Urbana travada  
nas décadas de 1980-1990 impactaram nos movimentos sociais atualmente, destacando a  
centralidade da luta por moradia. Para esse estudo as autoras entrevistaram lideranças de dois  
movimentos populares que tiveram importante papel na construção da luta pela Reforma  
Urbana.  
XVI  
Para fechar a seção de tema livre, apresentamos um conjunto de artigos que tratam de  
diferentes políticas, programas e instituições sociais. Primeiramente trazemos o artigo de  
Vitória Segato Jadallah, Clara Parente Barreto Oka, Maria Moisés Faria, Elisa de Pennafort  
Rabelo e Pedro Henrique Antunes da Costa, denominado “’Lá é um sistema de cadeia!’: Um  
retrato da violência das Comunidades Terapêuticas”, que traz um estudo crítico fundamental  
acerca das Comunidades Terapêuticas no Brasil, reunindo um conjunto de denúncias públicas  
retiradas de reportagens jornalísticas a respeito de violações dos direitos humanos e  
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irregularidades nessas instituições. A partir desse levantamento, a crítica construída pelos  
autores vai diretamente nos preceitos que dão sustentação às Comunidades Terapêuticas: o  
trabalho, a religiosidade e a disciplina, indicando que os usuários sofrem com a exploração de  
trabalho não-pago, com a imposição religiosa e com a forte disciplina baseada no controle e na  
punição. Dessa forma, “o estudo evidencia que a violência não é uma exceção nas CTs, mas o  
seu normal, sendo expressão da lógica asilar-manicomial e em contrariedade aos princípios da  
Reforma Psiquiátrica brasileira”.  
Também apresentamos o artigo “Política de permanência de uma universidade pública  
na perspectiva dos beneficiados”, de Diego Souza de Medeiros e Jairo de Carvalho Guimarães.  
Trata-se de um estudo realizado a partir das percepções dos estudantes beneficiados pela  
política de Assistência Estudantil da Universidade Estadual do Piauí (UESPI) durante a  
pandemia de covid-19 em relação aos programas e as condições de sua permanência na  
universidade. A partir de tal estudo foi possível identificar os benefícios mais importantes, se  
são satisfatórios, seus limites, as dificuldades de acesso, a ausência de ações voltadas para  
determinadas áreas, além de sugestões. Esse trabalho reforça o papel fundamental da assistência  
estudantil nas universidades, indicando seus avanços para a democratização da educação  
superior no Brasil, mas também evidencia as dificuldades que precisam ser enfrentadas.  
Como o tema da memória é o grande fio condutor desta edição, trazemos na seção  
Entrevista a contribuição de Leila Lima Santos, Carina Berta Moljo e Daniela Leonel de Paula  
Mendes, “História e memória da Renovação Crítica do Serviço Social brasileiro e latino-  
americano: entrevista com Leila Lima Santos”, que aborda o período da Renovação crítica do  
Serviço Social brasileiro, a experiência do Projeto da Escola de Serviço Social de Belo  
Horizonte e as articulações latino-americanas.  
XVII  
A capa desta edição de 25 anos da Libertas reúne todas as capas publicadas até hoje,  
compondo um exercício de rememorar as belas e fortes imagens que marcaram os diversos  
momentos da revista – capas que expressaram, ao longo do tempo, elementos como a  
mineiridade, a realidade social, a classe trabalhadora em sua condição, as lutas sociais, as  
manifestações culturais, entre outros. Seja por meio de fotos, figuras ou pinturas, rememorar as  
imagens que ilustram as capas é também evocar a Libertas e sua identidade visual característica,  
materializada de forma singular por cada uma de suas Comissões Editoriais. As letras prateadas  
na capa remetem à celebração de 25 anos da manutenção de união e comprometimento  
simbolizado pelas bodas de prata, o que também nos leva – além de comemorar e evocar – a  
renovar os nossos votos de compromisso com a Libertas, que chega em sua maturidade,  
consolidada, mas também cheia de novos desafios.  
Bruno Bruziguessi; Alexandra Eiras; Luciano Souza; Joseane Lima; Maria Lúcia Duriguetto  
Aproveitamos esse momento para dar as boas-vindas às professoras Maria Lúcia  
Duriguetto e Joseane Barbosa de Lima, recém ingressadas na Comissão Editorial da Libertas.  
Bruno Bruziguessi  
Alexandra A. L. T. S. Eiras  
Luciano Cardoso de Souza  
Joseane Barbosa de Lima  
Maria Lúcia Duriguetto  
Referências bibliográficas  
BEZERRA, Cristina Simões; LAGE, Rosângela. Editorial. Libertas, v. 1, n. 1 jan./jun. 2001.  
Juiz de Fora: Ed. UFJF, 2001.  
BOSI, Ecléa. Memória e sociedade: lembranças de velhos. São Paulo: TAQ, 1979.  
MOURÃO JR, Carlos Alberto; FARIA, Nicole Costa. Memória. Psychology/Psicologia:  
Reflexão e Crítica, 28(4), p. 780-788, 2015.  
XVIII  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. IX-XVIII, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518