Depoimento
esquecimentos; em 2007 nasceu meu segundo filho, então a minha vida estava bem bagunçada!
Mas o que eu queria destacar ao falar da falta de condições é que isso nunca foi um
impedimento. Lembro da Elizete tentando tramitar o ISSN online, e sempre pediam algo
novo… Enfim, acho que a Elizete foi a professora que mais tempo ficou na Libertas, então deve
lembrar dessa história muito melhor do que eu. O certo é que fomos nos organizando,
publicando e combatendo a endogenia do periódico, que publicava, sobretudo, as produções
dos docentes e discentes da UFJF. Passamos a contar cada vez mais com a colaboração de
professores de outros estados e países, figuras importantíssimas do debate do Serviço Social
brasileiro e internacional, o que pode ser verificado no site da revista, que possui todos os seus
números online.
A publicação, na época, era custeada pelo PPG e pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação.
As capas eram fotos maravilhosas cedidas pelo fotógrafo Gustavo Stephan, filho da professora
Auta. Trabalhamos duro, mas a cada novo número publicado era uma alegria enorme; era a
concretização de um trabalho coletivo, feito a muitas mãos. Quando deixei a Comissão
Editorial, continuei no Conselho Editorial — e sigo até hoje —, colaborando com a revista seja
como parecerista ou como autora.
Na época em que coordenei o PPG (2012-2016), colocava-se um novo debate sobre os
periódicos, e lembro muito bem das discussões travadas no interior do Fórum de Coordenadores
de Pós-Graduação da ABEPSS, do qual fazia parte. Era o período em que as revistas começaram
a ser avaliadas pelo Qualis e exigia-se, entre muitas questões, a padronização em sistemas de
acesso aberto. Isso gerou muito debate na nossa área, já que cada revista tinha construído sua
própria identidade visual, que não queríamos perder, mas, sobretudo, pelas novas exigências
nacionais e internacionais de indexação que, na maioria das vezes, não tínhamos condições para
enfrentar.
42
Tenho a memória de duas reuniões importantes que realizamos na ABEPSS: uma em
Brasília, antecedendo o encontro de meio termo da CAPES, e outra no Rio de Janeiro, na UFRJ,
onde nos encontramos editores e coordenadores de pós-graduação. Tínhamos uma crítica
contundente aos processos de avaliação. No caso da maioria das revistas de Serviço Social,
faltavam condições de trabalho, mas estávamos convencidas da necessidade de mantê-las como
um compromisso de publicizar o que era produzido na universidade, nos espaços de trabalho e
nos movimentos sociais. O nosso compromisso sempre foi nessa direção. Lembro que poucas
revistas conseguiam o tão esperado Qualis A… e houve periódicos que até pensaram em fechar
ou fundir duas ou três publicações para formar uma nova. A Libertas continuou acreditando e
trabalhando, mas essa parte da história tem companheiras que estavam na Comissão Editorial
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 40-45, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518