Depoimento  
Carina Berta Moljo*  
Antes de mais nada, queria agradecer aos editores da revista por me convidar para dar  
meu depoimento sobre o trabalho realizado na revista Libertas, da Faculdade de Serviço Social  
e do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFJF. Como sabemos, a memória é  
sempre seletiva. Embora fundamental para reconstruir o passado, ela é individual ao mesmo  
tempo que coletiva, já que se constrói na trama da vida social, mediada por nossas experiências,  
que sempre se desenvolvem no coletivo. Assim, a memória é resultado das nossas vivências, da  
nossa subjetividade, sempre em contextos históricos determinados, como já nos ensinava Marx  
(2011, p. 25): “Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a  
fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente,  
legadas e transmitidas pelo passado”.  
Assim, permito-me trazer as minhas memórias de 20 anos de colaboração com a  
Libertas, sabendo que são apenas lembranças e que, nas pesquisas históricas, a memória não é  
suficiente: ela deve ser contextualizada e cotejada com outras fontes. Mas, como aqui se trata  
de um depoimento, permito-me resgatar essas recordações e convidar os leitores da revista a  
visitar os números publicados. Eles expressam o trabalho realizado, embora nem sempre seja  
visível o enorme esforço coletivo que envolve a publicação de um periódico — desde a  
idealização do número, recepção de artigos, contato com avaliadores e autores, até a edição,  
editoração e publicação.  
Primeiro, acho importante me apresentar: sou Carina Berta Moljo, assistente social,  
nascida em Rosário, Argentina, e formada naquele país. Comecei a minha carreira docente e de  
pesquisa na Argentina na década de 1990 e, em 1997, vim para o Brasil para a realização do  
mestrado na PUC-SP, e por aqui fui ficando. Em 2005, passei no concurso para a Universidade  
Federal de Juiz de Fora, na Faculdade de Serviço Social. Fui chamada para assumir o cargo de  
* Universidade Federal de Juiz de Fora. E-mail: carinamoljo@uol.com.br  
DOI: 10.34019/1980-8518.2026.v26.53535  
Esta obra está licenciada sob os termos  
Recebido em: 24/06/2026  
Aprovado em: 26/06/2026  
Carina Berta Moljo  
professora no mesmo ano e uma das minhas atribuições — além de ministrar aulas na graduação  
e na pós-graduação, orientações e pesquisa — foi justamente a de trabalhar na revista Libertas.  
Vale destacar que a revista existia desde 2001, com um belíssimo projeto gráfico e  
qualidade acadêmico-científica, mas enfrentava problemas para receber textos externos à região  
e dificuldades para manter a publicação semestral. Então, meu primeiro contato com a Libertas  
foi quando passei a integrar a Comissão Editorial.  
A primeira tarefa da Comissão — que, conforme consta nos registros, era formada pelas  
professoras Alexandra Eiras, Auta Stephan, Carina Berta Moljo e Elizete Menegat — foi a de  
ampliar o Conselho Editorial com membros externos à UFJF e de âmbito internacional, e assim  
foi feito. Publicamos um número especial em 2007, que contemplava os volumes de 2004 e  
2005 com quatro números; em 2008, também foram publicados dois números com quatro  
volumes, conseguindo ajustar a periodicidade semestral da revista. Nesse mesmo ano, deixei o  
Conselho Editorial — ao qual voltaria posteriormente — e ingressou a professora Cida Cassab.  
Quando comecei, a maioria das publicações da nossa área era impressa; a nossa  
começou a ser veiculada online em 2006. Hoje, o acesso à internet de alta velocidade é mais  
simples, assim como o uso de celulares pelos quais podemos ler artigos, mas naquele período  
não era tão fácil. E não estou falando de tantos anos atrás, mas realmente aconteceu uma  
revolução tecnológica. Naqueles tempos, esse processo estava apenas começando.  
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Então, quando ingressei na comissão, o nosso maior desafio era fazer com que ela fosse  
publicada online, mantendo a periodicidade semestral e ampliando o número de leitores,  
autores, revisores e o Conselho Editorial internacional. Esse era o desafio coletivo da equipe.  
Nesse período, eu estava chegando a Juiz de Fora, vinda de São Paulo, com um filho recém-  
nascido, o que me demandava um enorme aprendizado. Eu não tinha na cidade o que hoje  
chamamos de rede de apoio: era um novo trabalho, nova cidade, bebezinho, a necessidade de  
conhecer a cultura mineira e, ainda, participar de uma revista como a Libertas. Para mim, foi  
muito importante porque também me desafiava a escrever em português, uma prática de escrita  
que eu não dominava. Na PUC-SP, onde me doutorei, era permitido aos alunos estrangeiros  
escrever na língua materna, então fazer parte da revista era um desafio gigantesco.  
A revista, naquele momento, não contava com estrutura física nem com os recursos  
humanos necessários para sua edição. Quem conhece a Faculdade de Serviço Social deve  
lembrar que a revista funcionava em uma sala atrás da secretaria acadêmica, que não tinha  
computador nem acesso à internet. A secretária da revista era a Lisley, se não me falha a  
memória, e quem a editava era o Márcio. Seria tão bom fazer uma mesa-redonda ou um grupo  
focal para reconstruir esse processo... porque realmente posso estar cometendo erros ou  
Depoimento  
esquecimentos; em 2007 nasceu meu segundo filho, então a minha vida estava bem bagunçada!  
Mas o que eu queria destacar ao falar da falta de condições é que isso nunca foi um  
impedimento. Lembro da Elizete tentando tramitar o ISSN online, e sempre pediam algo  
novo… Enfim, acho que a Elizete foi a professora que mais tempo ficou na Libertas, então deve  
lembrar dessa história muito melhor do que eu. O certo é que fomos nos organizando,  
publicando e combatendo a endogenia do periódico, que publicava, sobretudo, as produções  
dos docentes e discentes da UFJF. Passamos a contar cada vez mais com a colaboração de  
professores de outros estados e países, figuras importantíssimas do debate do Serviço Social  
brasileiro e internacional, o que pode ser verificado no site da revista, que possui todos os seus  
números online.  
A publicação, na época, era custeada pelo PPG e pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação.  
As capas eram fotos maravilhosas cedidas pelo fotógrafo Gustavo Stephan, filho da professora  
Auta. Trabalhamos duro, mas a cada novo número publicado era uma alegria enorme; era a  
concretização de um trabalho coletivo, feito a muitas mãos. Quando deixei a Comissão  
Editorial, continuei no Conselho Editorial — e sigo até hoje —, colaborando com a revista seja  
como parecerista ou como autora.  
Na época em que coordenei o PPG (2012-2016), colocava-se um novo debate sobre os  
periódicos, e lembro muito bem das discussões travadas no interior do Fórum de Coordenadores  
de Pós-Graduação da ABEPSS, do qual fazia parte. Era o período em que as revistas começaram  
a ser avaliadas pelo Qualis e exigia-se, entre muitas questões, a padronização em sistemas de  
acesso aberto. Isso gerou muito debate na nossa área, já que cada revista tinha construído sua  
própria identidade visual, que não queríamos perder, mas, sobretudo, pelas novas exigências  
nacionais e internacionais de indexação que, na maioria das vezes, não tínhamos condições para  
enfrentar.  
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Tenho a memória de duas reuniões importantes que realizamos na ABEPSS: uma em  
Brasília, antecedendo o encontro de meio termo da CAPES, e outra no Rio de Janeiro, na UFRJ,  
onde nos encontramos editores e coordenadores de pós-graduação. Tínhamos uma crítica  
contundente aos processos de avaliação. No caso da maioria das revistas de Serviço Social,  
faltavam condições de trabalho, mas estávamos convencidas da necessidade de mantê-las como  
um compromisso de publicizar o que era produzido na universidade, nos espaços de trabalho e  
nos movimentos sociais. O nosso compromisso sempre foi nessa direção. Lembro que poucas  
revistas conseguiam o tão esperado Qualis A… e houve periódicos que até pensaram em fechar  
ou fundir duas ou três publicações para formar uma nova. A Libertas continuou acreditando e  
trabalhando, mas essa parte da história tem companheiras que estavam na Comissão Editorial  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 40-45, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Carina Berta Moljo  
e, certamente, os depoimentos delas conseguirão explicar melhor esse período.  
Voltei à Libertas em 2018 sob novas exigências de funcionamento. Nesse período, a  
editora-chefe era a professora Elizete Menegat, e na comissão estavam a professora Mônica  
Grossi e, certamente, outras colegas de quem posso estar esquecendo. Foi muito bom voltar,  
mas os desafios eram cada vez maiores. Assumi como editora-chefe nesse mesmo ano, já que a  
professora Elizete sairia para realizar seu pós-doutorado no exterior e eu estava retornando do  
meu.  
A questão mais urgente era inserir a revista nos padrões de publicação do sistema OJS  
(Open Journal Systems), do qual eu não entendia nada. Era fundamental compreendê-lo, já que  
todo o processo de trabalho passaria a ser realizado por dentro do sistema, o que mudava o fluxo  
de trabalho de forma brutal. Ou seja, se antes a gente recebia os artigos por e-mail, enviava-os  
por e-mail para os avaliadores e, com a revista pronta, encaminhava para o diagramador  
publicar no site, agora tudo era feito por dentro do sistema. O software tinha falhas e a gente  
não o dominava, mas não tínhamos como fugir.  
Vejam bem: mal tínhamos computador, a internet era muito devagar, não tínhamos  
conhecimento do sistema e não havia carga horária real destinada à dedicação à revista; então,  
podem imaginar o tamanho do desafio. A Pró-Reitoria de Pesquisa organizou um curso de  
capacitação para os editores na época, para que pudéssemos aprender a trabalhar no OJS, que  
ia desde o recebimento dos manuscritos até a publicação final. Mas ainda tínhamos outras  
metas: recuperar a periodicidade da revista, ampliar os indexadores e nos "ajustar" aos novos  
critérios — que não foram escolhidos por nós, mas sem os quais não seria possível qualificar o  
periódico do ponto de vista técnico, porque, do ponto de vista da qualidade acadêmica, ela  
nunca se perdeu.  
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Esse trabalho de qualificação era necessariamente coletivo, e eu tive o melhor time  
possível. Primeiro, o professor Ronaldo Vielmi Fortes e, pouco tempo depois, incorporou-se o  
professor Alexandre Aranha Arbiai. Já no finalzinho da nossa gestão, conseguimos o apoio de  
um TAE, o querido e competente Luciano Cardoso de Souza, que veio contribuir de forma  
definitiva, tornando-se editor executivo e designer editorial. Nesse momento, já contávamos  
com uma sala e um bom computador. Parece o mínimo para que uma revista online funcione  
— acesso à internet de alta qualidade e equipamentos básicos —, mas, na verdade, nem isso a  
gente tinha antes. Coloco essas questões para demonstrar a falta de condições que as revistas  
enfrentam no Brasil, considerando o processo de desfinanciamento que sofremos há muitos  
anos.  
Lembrando que a nossa gestão foi entre 2019 e 2023, portanto, atravessou o meio da  
Depoimento  
pandemia e o governo Bolsonaro (2019-2022). Aprendemos a trabalhar por dentro do sistema,  
montamos um corpo de avaliadores externos e nos preocupamos muito em dar respostas rápidas  
aos autores que confiavam na revista. Sobretudo, conseguimos colocar a Libertas  
definitivamente no sistema OJS, dentro dos padrões de avaliação e com a periodicidade em dia,  
sem abrir mão da qualidade acadêmica e da nossa linha editorial. Nesse período, contamos com  
a assessoria fundamental da Professora Maria Lúcia Garcia, da UFES.  
Uma vez adequados às novas tecnologias, e sabendo da importância da revista no Brasil  
e na América Latina, planejamos os números de forma anual, divulgando as chamadas dos  
dossiês também anualmente, mantendo o fluxo contínuo. Incorporamos também na  
organicidade da revista duas seções: entrevistas e tradução dos clássicos. Além disso,  
digitalizamos todos os números antigos e os disponibilizamos online, inserindo capas nas  
edições que não as possuíam — e aqui contamos com a colaboração de uma ex-aluna que nos  
cedeu suas fotos, a professora Priscila Castro. Cabe destacar que, se bem a avaliação do Qualis  
CAPES sempre nos preocupou por ser um parâmetro institucional, ela não foi determinante em  
nossas ações, nas quais a qualidade da revista sempre foi o primordial.  
Tinha esquecido de falar — não lembro a data exata —, mas, em determinado momento,  
a Revista passou a ser publicada apenas no formato digital. Devo confessar que não concordei  
com essa decisão na época, embora, como não tínhamos recursos para impressão, não houvesse  
outra saída a não ser optar exclusivamente pela publicação online.  
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Desde o primeiro número da revista, publicado em 2001, até 2025, foram lançadas 46  
edições. Na última avaliação do Qualis Periódicos, realizada pela CAPES, a revista foi avaliada  
como A2, expressando o reconhecimento das contribuições do periódico na nossa área. Mas  
acho que o maior reconhecimento é a confiança dos autores que escolhem publicar conosco,  
sabendo das boas práticas editoriais que a Libertas mantém desde o seu início até os dias atuais.  
Assim, convido todos a realizar um “passeio” pela revista, admirando as imagens de  
suas capas e lendo os editoriais de duas décadas — o que certamente daria uma bela pesquisa e  
um raio-X de uma época. Convido-os a ler os artigos publicados, as traduções inéditas dos  
clássicos, as entrevistas realizadas e os temas escolhidos para os dossiês temáticos. Olhar para  
a Libertas é olhar para a nossa Faculdade que, historicamente, tem se caracterizado como uma  
instituição comprometida com a construção de uma sociedade radicalmente democrática, com  
a defesa intransigente dos direitos humanos e alinhada ao projeto ético-político profissional.  
Vida longa à Libertas!  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 40-45, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Carina Berta Moljo  
Referências  
MARX, K & ENGELS F. O 18 Brumário de Luis Bonaparte. Ed Boitempo, São Paulo, 2011.  
i Por comemoração dos 20 anos da revista Libertas, redigimos um pequeno editorial que pode ser acessado no  
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