História e memória da Renovação Crítica do Serviço Social brasileiro e latino-americano:
entrevista com Leila Lima Santos
de estudos e seminários sobre o marxismo na escola. Isso aí, na época, não se podia anunciar,
mas nós fizemos, inclusive, com um professor da Faculdade de Economia da Universidade
Federal de Minas Gerais, Fausto Brito, que, naquele momento era muito destacado e a quem
manifestamos nosso reconhecimento. Naquela época, a Faculdade de Economia que funcionava
em pleno centro de Belo Horizonte era considerada a melhor Faculdade de Economia do Brasil.
Estendemos esta homenagem a todo um grupo de professores, como Otavio Dulci, Jorge Pozada
e muitos outros7. Fizemos, então, seminários internos na escola, fechados, para a direção e
professores interessados, ali muito na surdina... Os tempos eram aqueles, não podíamos
anunciar um seminário sobre marxismo. Isso aí para dizer que, realmente, por mais que a nossa
matriz não fosse marxista, ela nos inspirava, disto aí não tenho dúvida nenhuma, basta rever a
bibliografia que líamos na época8. Nos apegávamos a tudo que tinha que ver com, digamos
assim, uma crítica ao imperialismo norte-americano, um esforço para entender o que era
realmente nossa realidade e tudo que se identificasse com transformação, com câmbios, com
mudanças. Importante dizer também que, apesar destes ciclos de alguns seminários ou sessões,
não estudamos naquela época seriamente o marxismo. De nosso grupo da escola naquela época
acho que Marilda foi a única pessoa que, a posteriori, realmente se debruçou seriamente sobre
o marxismo e escreveu obras importantes para compreender a natureza de nossa profissão a
partir desta matriz. Alguns fizemos aproximações, diria apenas básicas. Outros nem isto9...O
método BH teve muita reverberância, sabe por quê? Vocês talvez conheçam um trabalho que
fiz junto com o meu companheiro de vida, Roberto Rodriguez, “Metodologismo: estallido de
una época”, que trata de analisar este fenômeno e que foi publicado pelo CELATS numa revista
“Accion Critica”. Uma visão mais analítica e crítica. E, claro, também é sempre oportuno
recordar que o problema do arcabouço metodológico vigente naqueles anos não era
particularidade exclusiva da Escola de Serviço Social de BH. Muitas escolas em outros países
e que tratavam de entender a natureza da nossa profissão, seu vínculo com as contradições
sociais, apelaram também para vários modelos de métodos de intervenção10. Por isso, nosso
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Trata-se do debate com a sociologia crítica e a economia política, por meio da articulação com professores
eméritos da UFMG.
8 Além dos influxos franceses, nos influenciaram um grupo de brasileiros como Florestan Fernandes, Octavio
Ianni, Ruy Mauro Marini, Theotonio dos Santos, Florestan Fernandes, Francisco de Oliveira, Darcy Ribeiro, Hélio
Jaguaribe, Vania Bambirra, Fernando Henrique Cardoso com a teoria da dependência, e os chilenos Enzo Faletto
e Martha Henecker.
9 Em meu período como Diretora do CELATS, recordaria também a figura do professor José Paulo Netto, então
refugiado e que colaborou com nossas pesquisas e recorrentes discussões sobre a profissão naqueles efervescentes
anos.
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Argentina, Chile (Universidade Católica de Valparaiso), Colômbia, (Universidade Nacional da Colômbia,
Universidade de Caldas), Venezuela (Universidade Central da Venezuela) com o MIR - método de intervenção na
realidade - com ativa participação dos professores Boris Lima y Lady Fonseca, insignes professores da