Política de permanência de uma universidade  
pública na perspectiva dos beneficiados  
Retention policy of a public university from the perspective of the  
beneficiaries  
Diego Souza de Medeiros*  
Jairo de Carvalho Guimarães**  
Resumo: O artigo analisa as percepções dos  
estudantes beneficiados pelos programas de  
Assistência Estudantil da Universidade  
Estadual do Piauí (UESPI) durante a pandemia  
de COVID-19, com foco em sua contribuição  
para a permanência acadêmica. Utilizamos a  
pesquisa documental, questionário estruturado e  
abordagem quantitativa com 84 discentes de 11  
cursos do campus de Floriano. Os auxílios mais  
Abstract: The article analyzes the perceptions  
of students benefiting from the Student  
Assistance programs at the State University of  
Piauí (UESPI) during the COVID-19 pandemic,  
focusing on their contribution to academic  
retention. We used documentary research, a  
structured questionnaire, and a quantitative  
approach with 84 students from 11 courses at  
the Floriano campus. The most accessed aids  
were food assistance (31%) and cash for  
equipment (29%), considered very important by  
62% of participants. However, only 4% rated  
them as completely satisfactory, pointing out  
limitations regarding coverage, amounts, and  
suitability. We observed a lack of actions in  
culture, leisure, and transportation, in addition  
to access difficulties due to insufficient  
dissemination. The suggestions highlight a  
university restaurant, student housing, and  
school transportation. We conclude that the  
policy contributed to retention but requires  
improvement and greater scope.  
acessados foram alimentação (31%)  
e
pecuniário para equipamentos (29%),  
considerados muito importantes por 62% dos  
participantes. Contudo, apenas 4% os avaliaram  
como totalmente satisfatórios, apontando  
limitações quanto à cobertura, valores e  
adequação. Observamos ausência de ações em  
cultura, lazer e transporte, além de dificuldades  
de acesso por divulgação insuficiente. As  
sugestões destacam restaurante universitário,  
moradia estudantil  
e
transporte escolar.  
Concluímos que a política contribuiu para a  
permanência, mas exige aprimoramento e maior  
abrangência.  
Palavras-chave:  
Assistência  
estudantil;  
Keywords:  
Student  
assistance;  
Public  
Universidade pública; Beneficiados; COVID-  
19.  
university; Beneficiaries; COVID-19.  
* Universidade Federal do Piauí. E-mail: diegosouza@frn.uespi.br  
** Universidade Federal do Piauí. E-mail: jairoguimaraes@ufpi.edu.br  
Esta obra está licenciada sob os termos  
DOI: 10.34019/1980-8518.2026.v26.50669  
Recebido em: 27/10/2025  
Aprovado em: 15/04/2026  
Política de permanência de uma universidade pública na perspectiva dos beneficiados  
Introdução  
A política de Assistência Estudantil tem se consolidado, ao longo das últimas décadas,  
como um instrumento fundamental para a promoção da igualdade no acesso e na permanência  
de estudantes em situação de vulnerabilidades no ensino superior. Do ponto de vista das  
políticas públicas, observamos que esse processo de institucionalização está diretamente ligado  
a marcos importantes, como a criação, na década de 1980, do Fórum Nacional de Pró-Reitores  
de Assuntos Comunitários e Estudantis (FONAPRACE), que contribuiu significativamente  
para o fortalecimento do debate em torno das demandas estudantis no âmbito das instituições  
federais de ensino superior.  
Posteriormente, destacamos a instituição do Plano Nacional de Assistência Estudantil  
(PNAES), oficializado como programa em 2010 e que em 2024 veio a se tornar lei, pelo  
Governo Federal, como uma resposta estruturada à necessidade de financiamento e orientação  
das ações voltadas ao apoio estudantil. O PNAES passou a representar uma diretriz central na  
operacionalização das políticas de assistência, ao estabelecer critérios, prioridades e repasse de  
recursos às universidades e institutos federais. Todavia, é importante ressaltar que o desenho  
inicial do programa não contemplava as instituições de ensino superior estaduais, gerando um  
conflito federativo na distribuição de recursos públicos para a Assistência Estudantil (Brasil,  
2010; Brasil, 2024).  
456  
Ainda no ano de 2010, com a criação do Programa Nacional de Assistência Estudantil  
para as Universidades Estaduais (PNAEST), as instituições estaduais passaram a ter acesso a  
recursos federais voltados ao custeio de políticas de apoio aos seus estudantes. O PNAEST  
surge, assim, como uma ferramenta de ampliação da cobertura e de fortalecimento da dimensão  
social da política de Assistência Estudantil, ao incluir instituições historicamente à margem das  
ações de financiamento estudantil (Brasil, 2010).  
O debate acerca da permanência no ensino superior continua sendo um tema central no  
campo das políticas públicas educacionais, sobretudo no que tange à efetividade das ações  
afirmativas. Embora avanços importantes tenham sido conquistados com a Lei nº 12.711/2012,  
conhecida como Lei de Cotas, que estabelece a reserva de vagas nas instituições públicas de  
ensino superior para estudantes oriundos de escolas públicas, pretos, pardos, indígenas,  
quilombolas e pessoas com deficiência, o desafio da permanência desses estudantes ainda se  
impõe com grande proporção.  
No caso da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), foi implementada a política de  
cotas com a destinação de 50% das vagas para esse público historicamente excluído do acesso  
à educação superior. No entanto, garantir o ingresso é apenas uma etapa inicial. É  
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Diego Souza de Medeiros; Jairo de Carvalho Guimarães  
imprescindível que o Estado, por meio de políticas de Assistência Estudantil consistentes,  
assegure as condições necessárias à permanência desses estudantes. Nesse contexto, torna-se  
urgente alinhar as políticas de apoio à permanência ao compromisso institucional da  
universidade pública.  
É justamente no âmbito das universidades estaduais que este trabalho concentra sua  
análise, ao instigar o debate sobre a política de Assistência Estudantil em uma instituição  
pública estadual localizada no Estado do Piauí. O foco da pesquisa recai sobre a Universidade  
Estadual do Piauí (UESPI), buscando responder ao questionamento: sob o olhar dos próprios  
estudantes beneficiados, como se deu a efetividade das ações implementadas durante o período  
da pandemia de COVID-19? Assim, o objetivo deste artigo é analisar as percepções dos  
discentes atendidos pelos programas de Assistência Estudantil da UESPI no contexto  
pandêmico, considerando a contribuição das iniciativas adotadas para a permanência estudantil  
em um momento de crise sanitária e socioeconômica.  
Este artigo apresenta parte dos resultados de uma pesquisa de uma dissertação de  
mestrado já concluída. Para a construção da análise, adotamos uma abordagem metodológica  
mista, com ênfase em técnicas quantitativas, pesquisa documental a partir da análise de  
editais dos programas institucionais e pesquisa de campo, envolvendo estudantes  
beneficiados pelas políticas de Assistência Estudantil (Cervi, 2017; May, 2004; Vergara, 2009).  
A coleta de dados empíricos foi realizada por meio de um questionário estruturado com 10 (dez)  
perguntas objetivas, acompanhado do Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE)  
aplicado via Google Forms que foi enviado a 120 discentes entre os meses de setembro e  
outubro do ano de 2022 e foi obtido o retorno de 70%, 84 (oitenta e quatro) estudantes de 11  
(onze) cursos de graduação do campus da Universidade Estadual do Piauí (UESPI) em Floriano,  
prezando pelo anonimato e a garantia da espontaneidade nas respostas dos estudantes  
contemplados com auxílios durante o período da pandemia de COVID-19, conforme orienta  
a Resolução n° 466/12 do Conselho Nacional de Saúde CNS (Brasil, 2012) e a e Resolução  
CNS n° 510/16 (Brasil, 2016).  
457  
Para o tratamento dos dados, foi realizado um cruzamento entre as informações  
coletadas junto aos discentes e os dados documentais institucionais, com base em estatísticas  
descritivas simples, apresentadas por meio de quadros, de forma a evidenciar as percepções dos  
respondentes acerca da efetividade das ações de Assistência Estudantil.  
Cabe destacar que, por se tratar de uma pesquisa com seres humanos, o projeto foi  
submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Piauí (UFPI), tendo  
obtido parecer favorável número 5.637.814 para sua execução e divulgação dos resultados.  
Política de permanência de uma universidade pública na perspectiva dos beneficiados  
Ao longo do artigo, discutiremos a política de Assistência Estudantil e a percepção dos  
beneficiados na UESPI durante a pandemia da COVID-19, abordando a permanência estudantil  
em meio ao cenário de crise sanitária. Serão apresentadas as ofertas de bolsas no período,  
analisando como os estudantes contemplados no campus de Floriano percebem a assistência  
como instrumento de permanência na universidade.  
A permanência estudantil durante a COVID-19  
O ano de 2020 ficou marcado na história como o ano em que a população conheceu o  
Novo Coronavírus, sendo um dos mais difíceis de ser combatido pela humanidade. No dia 11  
de março desse mesmo ano, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou tratar-se de uma  
pandemia que, naquele momento, tinha atingido cerca de 114 países e colocou o mundo em  
calamidade pública. Segundo informações coletadas no site oficial da OMS, no dia 02 de março  
de 2022, o Brasil tinha registrado 28.787.620 casos confirmados e 649.333 mortes pelo Novo  
Coronavírus. Todo o nosso cotidiano sofreu adaptações e simples atitudes, como sair de casa  
para trabalhar, fazer compras ou ir à escola como costumeiramente, foram paralisadas por  
determinações governamentais, com exceção dos serviços essenciais.  
O impacto da pandemia atingiu todos os setores da vida cotidiana, impondo restrições  
severas à mobilidade, à convivência social e ao funcionamento das atividades econômicas e  
institucionais, com exceção dos serviços classificados como essenciais. Entre os campos mais  
afetados, a educação se destacou pela necessidade de reconfigurar seus processos pedagógicos,  
administrativos e relacionais em um curto espaço de tempo. O contexto pandêmico exigiu da  
sociedade global uma reorganização das formas de sociabilidade e de produção do  
conhecimento e, no caso brasileiro, ensejou a adoção do ensino remoto emergencial como  
alternativa à suspensão das atividades presenciais no ensino superior público. Essa medida foi  
normatizada pela Portaria nº 343, de 17 de março de 2020, do Ministério da Educação (MEC),  
que autorizou, em caráter excepcional, a substituição temporária das aulas presenciais por meios  
digitais durante o período crítico da pandemia (Brasil, 2020).  
458  
A experiência do ensino remoto representou um desafio inédito tanto para docentes  
quanto para discentes, demandando a reconstrução de práticas pedagógicas, rotinas  
institucionais e competências tecnológicas. O contexto de crise evidenciou a necessidade  
urgente de planejamento, adaptação e autonomia por parte dos sujeitos envolvidos no processo  
educacional. Aos estudantes, impôs-se a condição de protagonistas de sua aprendizagem em  
uma modalidade mediada por tecnologias digitais, cuja efetividade dependia, entre outros  
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Diego Souza de Medeiros; Jairo de Carvalho Guimarães  
fatores, do acesso adequado a dispositivos e à conectividade, elementos que, por sua vez,  
refletiam e ampliavam desigualdades sociais preexistentes no país.  
Efetivamente, a pandemia de COVID-19 agravou de forma significativa as  
vulnerabilidades socioeconômicas da população brasileira, acentuando o desemprego e a  
precarização das condições de vida. A redução generalizada da renda, sobretudo entre os grupos  
etários economicamente ativos, evidenciou a incapacidade estrutural do mercado de trabalho  
em absorver a força laboral em um contexto de crise sanitária. Dados da Pesquisa Nacional por  
Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística  
(IBGE, 2020), revelam que, no quarto trimestre de 2020, indivíduos entre 18 e 39 anos  
representavam 64,7% do contingente de desocupados no país, o que demonstra o impacto  
desproporcional da crise sobre a juventude brasileira.  
A instabilidade ou ausência de renda propriamente dita, constituiu um dos principais  
obstáculos ao acesso e à permanência no ensino remoto, uma vez que as condições mínimas  
para acompanhar atividades acadêmicas on-line, como dispor de um dispositivo tecnológico e  
de conexão à internet dependiam diretamente de recursos financeiros. Nesse cenário, a  
contradição entre as exigências da educação digital e a realidade econômica da maioria dos  
estudantes tornou-se evidente: enquanto o ensino remoto se consolidava como alternativa  
institucional inevitável, grande parte dos discentes encontravam-se em situação de  
vulnerabilidade, sem meios materiais adequados para participar digitalmente do processo  
educativo. Segundo dados do IBGE (2019), um em cada quatro brasileiros sobrevivia com  
menos de R$ 436,00 por mês, configurando um quadro de profunda desigualdade social que foi  
potencializado pela pandemia.  
459  
Em relação à infraestrutura digital, a PNAD (IBGE, 2019) apontou que, embora mais  
de 80% dos domicílios brasileiros tivessem algum tipo de acesso à internet, cerca de 40 milhões  
de pessoas permaneciam excluídas da rede. Entre os estudantes da rede pública, o telefone  
celular era apontado como principal meio de acesso, enquanto apenas 43% desses dispunham  
de computador com conexão adequada. Essa mesma pesquisa, apontou que no Piauí, o  
percentual de domicílios com acesso à internet era de apenas 67,3%, índice inferior à média  
nacional. Tais indicadores destacaram a persistência da exclusão digital, que se converteu em  
um dos principais fatores limitantes para o êxito do ensino remoto, ao mesmo tempo em que  
explicitou as desigualdades regionais e de classe que estruturam o sistema educacional  
brasileiro.  
Nesse contexto, o desafio de assegurar condições mínimas de acesso à educação  
superior tornou-se uma pauta urgente para os gestores públicos e as instituições de ensino.  
Política de permanência de uma universidade pública na perspectiva dos beneficiados  
Estudantes de baixa renda, majoritariamente atingidos pela desocupação e pela precariedade  
econômica enfrentaram barreiras maiores para continuar seus estudos em comparação com  
aqueles oriundos de estratos sociais com maior poder aquisitivo.  
Diante dessa realidade, as políticas de Assistência Estudantil no ensino superior  
surgiram como instrumentos essenciais de mitigação das desigualdades e de promoção da  
permanência acadêmica. Durante a pandemia, tais políticas assumiram papel ainda mais  
estratégico, configurando-se como medidas compensatórias imprescindíveis à garantia do  
direito à educação. Em um país caracterizado por intensas disparidades socioeconômicas, a  
atuação estatal por meio de programas de apoio estudantil tornou-se fundamental para reduzir  
os efeitos da exclusão e da vulnerabilidade agravadas pela crise sanitária. Assim, a Assistência  
Estudantil reafirmava-se como uma política pública de caráter redistributivo e estruturante, cuja  
consolidação e continuidade são imprescindíveis no enfrentamento das desigualdades no ensino  
superior brasileiro (Oliveira et al., 2020).  
A Assistência Estudantil tem se consolidado como um instrumento fundamental para a  
efetivação do direito à educação e para a permanência de estudantes oriundos de grupos  
historicamente minoritários e em situação de vulnerabilidades. Ao reconhecer que a  
democratização do acesso ao ensino superior não se limita à entrada na universidade, essa  
política pública deve criar condições objetivas e reais para que os discentes possam se manter  
e concluir sua trajetória acadêmica. Assim, deve ultrapassar e superar a dimensão meramente  
financeira como única preocupação, incorporando nesse novo tempo aspectos sociais, culturais,  
pedagógicos e psicológicos que contribuem para a redução das desigualdades e para a promoção  
da equidade no ambiente universitário. Nesse sentido, a Assistência Estudantil deve ser  
compreendida como parte integrante das políticas educacionais voltadas à inclusão, assumindo  
um papel estratégico na consolidação de uma universidade pública mais justa e socialmente  
comprometida (Lemes, 2020). Ao discutirem sobre a temática permanência e sua relação com  
a Assistência Estudantil, Oliveira e Oliveira (2015) destacam que:  
460  
A permanência escolar relacionada aos programas e ações de assistência  
estudantil pode ser compreendida como a promoção da participação  
qualitativa dos estudantes no ambiente escolar, bem como o seu acesso aos  
recursos infraestruturais e pedagógicos disponíveis na instituição de ensino  
(Oliveira; Oliveira, 2015, p. 200).  
A partir dessa percepção, entendemos que a permanência estudantil vai além da simples  
manutenção do aluno(a) na universidade. Ela envolve a criação de condições efetivas para que  
os discentes possam participar de forma ativa e produtiva da vida acadêmica, usufruindo das  
oportunidades formativas oferecidas pela instituição. Assim, os programas de assistência  
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Diego Souza de Medeiros; Jairo de Carvalho Guimarães  
assumem um papel decisivo e devem articular dimensões que garantam a permanência e o êxito  
acadêmico.  
Por outro lado, é importante destacar que a Assistência Estudantil, assim como diversas  
políticas públicas no Brasil, ainda se estrutura predominantemente sob uma lógica  
compensatória. Em vez de atuar sobre as causas estruturais da desigualdade na gênese, tende a  
concentrar esforços em amenizar seus efeitos imediatos, o que revela suas limitações na  
configuração das ações estatais voltadas à proteção social. Essa característica reflete um modelo  
de política pública que, embora necessário em contextos de vulnerabilidade, como no caso da  
COVID-19, permanece presa a um viés assistencialista, com pouca integração e que peca em  
não possuir estratégias de transformação social mais amplas (Draibe, 1993).  
De acordo com Mocelin (2019):  
[...] a assistência estudantil já nasce focalizada e residual, destinada aos  
estudantes pertencentes à classe trabalhadora e, por essa condição,  
enfrentando, nas suas condições objetivas de vida, dificuldades para a  
permanência no ensino superior – características herdadas do processo de  
institucionalização da assistência social como um direito na sociedade. [...]  
baseia-se na lógica dos mínimos sociais, onde o Estado a enxerga como via  
necessária para dar respostas aos interesses do grande capital. [...] com isso,  
está posta a contradição inerente à política de assistência estudantil, que, assim  
como todas as outras, tem seu fim último beneficiar o capital, mas também  
possibilitar a proteção social dos/as estudantes (Mocelin, 2019, p. 151-152).  
461  
Dito isso, no contexto da pandemia de COVID-19, essa lógica compensatória e  
focalizada tornou-se ainda mais evidente. A emergência sanitária expôs a fragilidade estrutural  
das políticas públicas voltadas à educação e revelou a dependência dos estudantes em relação  
a auxílios temporários para garantir condições mínimas de permanência. Na próxima sessão,  
apresentamos as iniciativas desenvolvidas pela Universidade Estadual do Piauí com vistas à  
permanência durante a pandemia.  
A política de assistência estudantil da UESPI durante a COVID-19  
As ações de Assistência Estudantil desenvolvidas pela Universidade Estadual do Piauí  
(UESPI), até o ano de 2019, eram orientadas pelo Programa Nacional de Assistência Estudantil  
para Universidades Estaduais (PNAEST). Esse programa tinha como finalidade destinar  
recursos federais às universidades estaduais que adotassem o Sistema de Seleção Unificada  
(SiSU) como forma de ingresso, buscando ampliar as condições de permanência dos estudantes  
em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Essa medida se justificava pelo fato de que o  
Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) contempla exclusivamente as  
Política de permanência de uma universidade pública na perspectiva dos beneficiados  
instituições federais de ensino, o que tornava o PNAEST uma alternativa importante para  
estender o alcance das políticas de permanência às universidades estaduais.  
O PNAEST se fundamenta nos seguintes objetivos:  
I Fomentar a democratização das condições de acesso e permanência dos  
jovens na educação superior pública estadual;  
II Minimizar os efeitos das desigualdades sociais e regionais no acesso à  
educação superior;  
III Reduzir as taxas de retenção e evasão;  
IV Aumentar as taxas de sucesso acadêmico dos estudantes;  
V – Contribuir para a promoção da inclusão social pela educação (Brasil,  
2010, p. 1).  
A interpretação dos objetivos do PNAEST evidencia que o programa busca responder a  
demandas estruturais relacionadas à permanência e ao desempenho dos estudantes nas  
universidades estaduais. Suas diretrizes apontam para uma tentativa de equilibrar desigualdades  
sociais que impactam o acesso e a conclusão do ensino superior, especialmente em estados com  
menores índices de investimento público. No entanto, observamos que, apesar de sua  
formulação coerente, a efetividade do programa depende diretamente da continuidade dos  
repasses federais e da capacidade administrativa das instituições estaduais em implementar  
ações integradas.  
A Universidade Estadual do Piauí (UESPI), instituição de ensino superior fundada em  
1986, desempenha um papel fundamental na formação acadêmica de milhares de estudantes  
piauienses e de outros estados. A UESPI está presente em diversas regiões do Piauí, com Campi  
em Teresina, Parnaíba, Piripiri, Campo Maior, Picos, Oeiras, Floriano, São Raimundo Nonato,  
Uruçuí, Bom Jesus e Corrente, oferecendo cursos de graduação, pós-graduação, ensino a  
distância e especializações em diversas áreas do conhecimento. Sendo a permanência discente  
um grande desafio para as universidades, a política de Assistência Estudantil torna-se uma  
ferramenta valiosa para os estudantes que precisam de suporte para estudar o ensino superior.  
No período compreendido entre março de 2020 e março de 2022, a UESPI, por meio da  
Pró-Reitoria de Extensão, Assuntos Estudantis e Comunitários (PREX), sob a coordenação do  
Departamento de Assuntos Estudantis e Comunitários (DAEC), desenvolveu uma série de  
iniciativas institucionais voltadas à mitigação dos impactos da pandemia de COVID-19 sobre  
a permanência estudantil. No âmbito da graduação presencial, foram lançados nove editais de  
programas de Assistência Estudantil em nível institucional (macro), abrangendo diferentes  
modalidades de apoio aos discentes conforme pode ser observado no Quadro 1.  
462  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 455-475, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Diego Souza de Medeiros; Jairo de Carvalho Guimarães  
Quadro 1 Assistência estudantil da UESPI durante a COVID-19.  
Benefício  
Valor/  
Equipamento  
200,00  
Oferta Inicial  
Número de  
Beneficiados  
18  
Edital 09/20 - Auxílio Moradia em caráter  
emergencial  
155  
Edital 17/20 - Auxílio Inclusão Digital  
Empréstimo de equipamento  
Tablet  
700,00  
1.000  
1.000  
141  
780  
Edital 20/20 Auxílio Inclusão Digital  
Ajuda Pecuniária  
Edital 03/2021 - Programa Bolsa Trabalho  
Edital 04/2021 - Programa Auxílio Moradia  
400,00  
200,00  
200,00  
145  
155  
321  
161  
Edital 27/2021 Programa Auxílio  
2.431  
1.371  
Alimentação Estudantil  
Edital 34/2021 Programa Auxílio  
200,00  
690  
627  
Alimentação Estudantil  
Edital 02/2022 Programa Bolsa Trabalho  
Edital 03/2022 Programa Auxílio Moradia  
Total  
400,00  
200,00  
172  
172  
321  
171  
5.920  
3.911  
Fonte: Dados da Pesquisa Documental, 2022.  
Ao todo, esses editais disponibilizaram inicialmente 5.920 (cinco mil, novecentos e  
vinte) vagas em programas de Assistência Estudantil, das quais 3.911 (três mil, novecentos e  
onze) foram efetivamente ocupadas por estudantes beneficiados em toda a universidade. A  
análise das ações de Assistência Estudantil desenvolvidas pela Universidade Estadual do Piauí  
(UESPI) no período crítico da pandemia de COVID-19 (março de 2020 a março de 2022)  
evidencia esforços institucionais relevantes, mas também limitações estruturais e operacionais  
que comprometem o alcance e a efetividade das políticas voltadas à permanência estudantil.  
Durante esse intervalo, a UESPI lançou nove editais institucionais, contemplando cinco  
programas principais de assistência: Auxílio Moradia, Auxílio Inclusão Digital (em duas  
modalidades: empréstimo de equipamentos e auxílio pecuniário para compra), Bolsa Trabalho  
e Auxílio Alimentação. Destes, apenas dois editais foram criados especificamente para  
responder às dificuldades impostas pela adoção emergencial do ensino remoto os auxílios  
de inclusão digital. Os demais programas, embora nomeados em alguns casos como  
“emergenciais”, já existiam anteriormente e foram apenas reeditados, sem grandes alterações.  
A análise documental demonstrou que os programas da UESPI estão, em geral,  
alinhados às diretrizes estabelecidas pelo Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos  
Comunitários e Estudantis (FONAPRACE, 2018), especialmente nas áreas temáticas de  
463  
Política de permanência de uma universidade pública na perspectiva dos beneficiados  
permanência (moradia e alimentação) e desempenho (bolsa trabalho e inclusão digital). No  
entanto, identificamos lacunas importantes: não houve oferta de programas relacionados a  
cultura, lazer, esporte ou juventude, áreas também consideradas estratégicas nas diretrizes  
nacionais de Assistência Estudantil.  
Em termos quantitativos, a instituição ofertou um total de 5.920 vagas em auxílios  
estudantis no período analisado. Considerando o número total de estudantes matriculados em  
2021 (12.970 discentes), o alcance dessas ações é limitado: mesmo no ano com maior número  
de auxílios ofertados (2.480 vagas), a cobertura representou apenas cerca de 19% do corpo  
discente, o que demonstra um impacto restrito frente à demanda potencial. Esse dado reforça o  
argumento de que, embora a UESPI tenha mantido suas ações durante a pandemia, os recursos  
disponibilizados foram insuficientes para atender de forma abrangente os estudantes em  
situação de vulnerabilidade.  
De acordo com Lima e Davel (2020), a Assistência Estudantil no Brasil ainda apresenta  
caráter pontual, desestruturado e reativo, características observadas também no contexto da  
UESPI. As ações empreendidas durante a pandemia concentraram-se em garantir condições  
mínimas de acesso ao ensino remoto e de subsistência básica, sem, no entanto, configurar uma  
política de caráter estruturante e com alcance ampliado.  
Outro ponto crítico levantado pela pesquisa diz respeito à baixa efetivação das bolsas  
ofertadas. Mesmo com recursos aprovados e editais abertos, muitos auxílios não foram  
efetivamente preenchidos. A análise dos resultados dos editais revelou um número elevado de  
inscrições indeferidas, o que levanta questões importantes sobre os obstáculos enfrentados  
pelos estudantes para acessar os benefícios. Dentre os fatores supostos, destacamos: pouca  
divulgação institucional (restrita ao site oficial da universidade), falta de familiaridade com os  
procedimentos exigidos nos editais, dificuldades técnicas (como acesso limitado à internet ou  
a equipamentos eletrônicos), e até mesmo falhas de comunicação que poderiam ser superadas  
com ações educativas e de orientação prévias ao processo de inscrição.  
464  
A literatura sustenta que a permanência no ensino superior depende de uma política  
educacional articulada e proativa. Autores como Imperatori (2017) e Vasconcelos (2010),  
defendem que a Assistência Estudantil deve garantir as condições necessárias não apenas para  
o ingresso, mas também para o bom desempenho acadêmico dos estudantes em vulnerabilidade  
social. A análise aqui apresentada indica que, embora haja intenção institucional de atender a  
esse público, há desafios estruturais e operacionais importantes a serem enfrentados.  
No que se refere às normativas adotadas pela UESPI para orientar os critérios de seleção  
dos candidatos à Assistência Estudantil, observamos que, em todos os editais analisados, a  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 455-475, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Diego Souza de Medeiros; Jairo de Carvalho Guimarães  
instituição concentra de forma ampla e genérica apenas na condição de vulnerabilidade social.  
Podem concorrer aos benefícios discentes oriundos de famílias com renda per capita mensal de  
até meio salário-mínimo, ou com renda familiar total de até três salários-mínimos, conforme o  
Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).  
Embora essa iniciativa possua um propósito inclusivo, a adoção exclusiva do critério  
econômico tem propensão a reproduzir mecanismos de exclusão dentro da própria política  
pública. Ao reduzir a complexidade das desigualdades estudantis à dimensão da renda, a  
universidade evidencia a fragilidade de sua política de Assistência Estudantil, que, apesar de se  
alinhar formalmente aos parâmetros nacionais, carece de um desenho institucional capaz de  
contemplar as novas demandas de uma população estudantil cada vez mais diversa e  
pluralizada. Assim, questões sociais, culturais, de raça, gênero e outras formas subjetivas que  
também condicionam a permanência no ensino superior acabam sendo negligenciadas em nome  
de uma visão restrita e economicista da vulnerabilidade.  
No estudo de Silva e Razzolini Filho (2024), ao examinarem os fluxos de informações  
que subsidiam a gestores da política de Assistência Estudantil da Universidade Federal do  
Paraná (UFPR) destacam que informações muito complexas, falhas de comunicação e a falta  
de integração de sistemas criam barreiras para os estudantes e afeta a efetividade da política  
pública.  
465  
Nesse sentido, entre as recomendações apontadas pela pesquisa, destacamos a  
necessidade da UESPI:  
Aperfeiçoar os canais de comunicação institucional, aproximando a gestão dos  
estudantes por meio de ferramentas mais acessíveis, como redes sociais;  
Ampliar a divulgação dos editais, com linguagem clara e estratégias de orientação aos  
discentes (palestras, cartilhas informativas, vídeos tutoriais);  
Revisar os critérios e exigências documentais, de modo a facilitar o acesso sem  
comprometer a transparência e a legalidade;  
Ampliar o volume de recursos financeiros destinados à Assistência Estudantil,  
aumentando a quantidade de vagas ofertadas;  
Descentralizar a gestão, promovendo maior autonomia e diálogo com os campi do  
interior, como o de Floriano, de onde foram extraídos os dados da pesquisa empírica.  
Por fim, como análise reafirmamos a importância estratégica das políticas de  
Assistência Estudantil como condição fundamental para a democratização do ensino superior  
público, especialmente em contextos de crise. A experiência da UESPI durante a pandemia  
oferece elementos relevantes para refletir sobre os limites e possibilidades da política  
educacional em tempos de emergência, ao mesmo tempo que aponta caminhos para a sua  
Política de permanência de uma universidade pública na perspectiva dos beneficiados  
reestruturação em um cenário pós-pandêmico. Para tanto, é importante observarmos a  
percepção dos beneficiados com essas ações que serão apresentadas no capítulo seguinte.  
A política de assistência estudantil da UESPI na perspectiva dos beneficiados  
durante a COVID-19  
O campus de Floriano possui grande representatividade no município em que está  
localizado, no sul piauiense, a aproximadamente 240 km da capital, Teresina, destacando-se  
como uma importante referência da educação superior na região. Implantado no contexto do  
processo de expansão e interiorização da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), entre os  
anos de 1991 e 1993, teve sua estrutura oficialmente consolidada em 2005, quando o prédio  
universitário passou a ser denominado Drª Josefina Demes.  
Atualmente, o campus oferta os cursos de Bacharelado em Administração, Ciências da  
Computação, Ciências Contábeis, Direito e Enfermagem, bem como as Licenciaturas em  
Ciências Biológicas, Educação Física, Letras Língua Portuguesa, Pedagogia, Geografia e  
História. No ano de 2022, o referido centro contava com aproximadamente 742 estudantes  
matriculados, distribuídos entre os turnos matutino, vespertino e noturno.  
Compreender a percepção dos discentes acerca dos benefícios ofertados pela  
Universidade Estadual do Piauí (UESPI) durante a pandemia possibilita refletir sobre a  
relevância da política de Assistência Estudantil em um contexto particularmente desafiador.  
Nesta seção, apresentamos os achados obtidos a partir das respostas de 84 estudantes de 11  
cursos de graduação campus de Floriano, conforme ilustrado no Gráfico 1.  
466  
Gráfico 1 Participantes da pesquisa de campo.  
Administração  
4
Biologia  
11  
10  
Ciências Contábeis  
Ciência da Computação  
Direito  
5
7
7
Educação Física  
Enfermagem  
Geografia  
5
4
5
História  
4
22  
Pedagogia  
Letras Português  
Fonte: Dados da Pesquisa de Campo, 2022.  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 455-475, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Diego Souza de Medeiros; Jairo de Carvalho Guimarães  
Todos os 84 alunos(as) que responderam à pesquisa foram beneficiados com programas  
de assistência ao estudante no período do ensino remoto. Participaram da pesquisa alunos e  
alunas de todos os 11 cursos do campus, com destaque para o curso de Enfermagem, que teve  
o maior número de discentes que responderam essa pesquisa (22), seguido dos cursos de  
Administração (11) e Pedagogia (10).  
Para auxiliar a análise da percepção dos beneficiados, foram elaborados quadros  
correspondentes às questões do questionário, de modo a favorecer uma interpretação mais  
precisa dos dados. Iniciamos a discussão trazendo aspectos sobre os benefícios ofertados, sua  
importância para permanência e o grau de satisfação dos alunos(as), conforme aponta o Quadro  
2.  
Quadro 2 Benefícios ofertados, importância e grau de satisfação dos beneficiados.  
Questionamento  
Categoria/Item  
Percentual (%)  
Benefício estudantil recebido  
Auxílio alimentação  
31  
29  
Auxílio pecuniário para compra  
de equipamento  
Auxílio moradia  
Bolsa trabalho  
15  
12  
7
467  
Empréstimo de equipamento  
Chip com internet  
Muito importante  
6
Importância dos benefícios para a  
permanência  
62  
Parcialmente importante  
Pouca importância  
Indiferente  
31  
5
2
Satisfação com valor/equipamento  
recebido  
Satisfatório  
46  
36  
Pouco satisfatório  
Nada satisfatório  
Totalmente satisfatório  
Indiferente  
11  
4
3
Fonte: Dados da Pesquisa de Campo, 2022.  
A partir dos dados, observamos no Quadro 2 que o auxílio alimentação (31%) e o auxílio  
pecuniário para aquisição de equipamentos (29%) foram os programas mais acessados pelos  
discentes do campus de Floriano, refletindo a prioridade em suprir necessidades básicas e  
viabilizar o ensino remoto. A maioria dos participantes (62%) considerou os benefícios muito  
Política de permanência de uma universidade pública na perspectiva dos beneficiados  
importantes para sua permanência durante a pandemia, o que confirma a relevância da política  
de Assistência Estudantil nesse contexto.  
Entretanto, quando avaliados quanto ao valor ou à adequação do equipamento recebido,  
apenas 4% declararam-se totalmente satisfeitos, enquanto 36% classificaram como pouco  
satisfatório e 11% como nada satisfatório. Essa discrepância entre a percepção da importância  
dos auxílios e a satisfação com seu montante ou qualidade indica limitações na cobertura e no  
atendimento pleno das necessidades estudantis, evidenciando desafios estruturais da política de  
assistência em situações emergenciais.  
Conforme apontam Kroth e Barth (2021), a política de Assistência Estudantil deve  
adotar mecanismos capazes de atender plenamente os estudantes em situação de  
vulnerabilidade, garantindo-lhes condições de permanência no ensino superior. Nessa mesma  
direção, Moraes, Almeida e Almeida (2022) destacam que, durante a pandemia de COVID-19,  
as ações de assistência enfrentaram desafios ainda mais intensos em razão do agravamento das  
dificuldades sociais. Esse contexto evidencia que as iniciativas da UESPI não foram capazes de  
satisfazer integralmente as expectativas de parte expressiva dos beneficiários, revelando  
possíveis fragilidades tanto na diversidade dos programas quanto na suficiência dos valores ou  
dos equipamentos ofertados. Dando continuidade à análise, no Quadro 3 apresentamos a  
descrição das experiências relatadas pelos estudantes beneficiados, considerando como teria  
sido sua trajetória acadêmica caso não tivessem recebido o auxílio, a forma de utilização dos  
recursos, bem como os impactos percebidos e as expectativas atendidas ou não pela política de  
Assistência Estudantil da UESPI.  
468  
Quadro 3 Experiência, principais gastos, impacto e expectativa dos beneficiados.  
Questionamento  
Categoria/Item  
Percentual (%)  
Experiência sem benefício  
Muito difícil  
Um pouco difícil  
Fácil ou muito fácil  
Indiferente  
58  
31  
6
5
Despesas  
Acesso à internet  
Equipamento tecnológico  
Despesas domésticas  
35  
31  
20  
Material de disciplinas  
Outros  
9
8
Impactos positivos da AE  
Impactou parcialmente  
59  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 455-475, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Diego Souza de Medeiros; Jairo de Carvalho Guimarães  
Impactou muito  
Impactou pouco  
Indiferente  
29  
11  
1
Expectativas atendidas  
Atendeu parcialmente  
Atendeu  
43  
35  
Não atendeu  
18  
Superou expectativas  
Indiferente  
2
2
Fonte: Dados da Pesquisa de Campo, 2022.  
Evidenciamos que a Assistência Estudantil da UESPI se mostrou essencial para a  
permanência dos estudantes durante o ensino remoto, com a maioria indicando que, sem os  
auxílios, a experiência teria sido muito difícil (58%) ou um pouco difícil (31%). Esses dados,  
corroboram com o pensamento de Garcia, Evangelista e Maciel (2022), que destacam a  
importância de políticas emergenciais para minimizar desigualdades e prevenir evasão em  
momentos de crise.  
Os auxílios tiveram maior impacto no acesso à internet (35%) e na aquisição de  
equipamentos tecnológicos (31%), demonstrando que a infraestrutura digital foi determinante  
para viabilizar o ensino remoto, conforme Cunha et al., (2022), os quais enfatizam a  
necessidade de recursos tecnológicos e um ambiente familiar adequado para o sucesso  
acadêmico.  
469  
Em relação aos efeitos positivos percebidos, a maioria dos estudantes relatou impacto  
parcial (59%) ou muito positivo (29%), evidenciando que a política contribuiu para a  
continuidade das atividades acadêmicas, em consonância com Lima (2021), que ressalta que  
políticas públicas devem promover condições equitativas de ensino e permanência para  
estudantes vulneráveis. Uchôa Júnior, Maia e Araújo (2025) destacam que o PNAES apesar de  
ser a principal política pública de amparo estudantil, sendo, portanto, essencial, têm enfrentado  
limitações acentuadas pelas condições socioeconômicas e cortes orçamentários agravados pela  
pandemia da COVID-19 mesmo que seja um importante aliado contra a evasão.  
No entanto, ao questionar se as ações atenderam às expectativas, 43% consideraram que  
foram atendidos apenas parcialmente e 18% que não foram atendidos, sugerindo lacunas na  
abrangência e efetividade da política. Esse resultado está em linha com Soares e Amaral (2022),  
que defendem a necessidade de gestão que considere os aspectos econômicos, culturais e sociais  
dos estudantes para uma assistência mais plena. Em resumo, a política de Assistência Estudantil  
Política de permanência de uma universidade pública na perspectiva dos beneficiados  
foi decisiva para enfrentar as desigualdades e manter a continuidade acadêmica durante a  
pandemia, embora ainda haja espaço para aprimoramento na adequação dos programas e na  
efetividade dos auxílios.  
No Quadro 4 são apontadas questões sobre as possíveis sugestões de novos benefícios  
sob o olhar dos usuários, assuntos relacionados com a aprendizagem e, por fim, apresentamos  
um ranking dos benefícios mais importantes.  
Quadro 4 Sugestões, aprendizagem durante a pandemia e ranking dos benefícios.  
Questionamento  
Categoria/Item  
Percentual (%)  
Sugestões de novos programas  
Restaurante universitário  
Moradia estudantil  
Transporte escolar  
Bolsa escolar  
39  
18  
15  
12  
11  
5
Acompanhamento psicológico  
Creche  
Aprendizagem antes e durante  
COVID-19  
Não houve alteração  
Piorou  
45  
42  
13  
1º  
470  
Melhorou  
Ranking de importância dos  
benefícios  
Auxílio alimentação  
Bolsa trabalho  
2º  
3º  
4º  
5º  
6º  
Auxílio moradia  
Auxílio em dinheiro para compra de  
equipamento  
Empréstimo de equipamento  
Chip com internet  
Fonte: Dados da Pesquisa de Campo, 2022.  
As sugestões dos estudantes indicam demandas por novos programas de Assistência  
Estudantil, com destaque para restaurante universitário (39%), moradia estudantil (18%) e  
transporte escolar (15%). Esse desejo reflete a necessidade de ampliação dos auxílios, em  
consonância com as diretrizes do PNAES e do FONAPRACE (Brasil, 2010; FONAPRACE,  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 455-475, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Diego Souza de Medeiros; Jairo de Carvalho Guimarães  
2018), que preveem intervenções em áreas como alimentação, moradia, transporte, saúde,  
inclusão digital, cultura e apoio pedagógico.  
Nesse viés, Serra et. al (2024), ao analisarem em que medida as ações das políticas de  
Assistência Estudantil influenciam no modo como as instituições da rede federal de ensino  
organizam suas ações, perceberam que programas ligados a investimentos em moradia,  
transporte, inclusão digital, cultura e creche foram os que tiveram maior impacto positivo na  
performance das universidades.  
Quanto à percepção sobre a aprendizagem, 45% dos discentes relataram que não houve  
alteração no processo, enquanto 42% consideraram que piorou e 13% afirmaram que melhorou.  
Esse resultado evidencia os desafios impostos pelo ensino remoto, incluindo diferentes níveis  
de habilidade tecnológica e características específicas dos cursos. Em relação à importância dos  
benefícios ofertados, o auxílio alimentação foi apontado como o mais relevante, seguido da  
bolsa trabalho, auxílio moradia, auxílio em dinheiro para compra de equipamento, empréstimo  
de equipamento e chip com internet. Imperatori (2017) ressalta que os programas de Assistência  
Estudantil devem atender às necessidades básicas, mas também devem promover o desempenho  
acadêmico e garantir acesso a tecnologias, cultura, lazer e atendimento à saúde física e mental.  
Ainda sobre a aprendizagem, o estudo de Gomes e Schlickmann (2024), aponta que  
programas de apoio pedagógico aos estudantes é uma estratégia relevante e que contribui para  
a permanência estudantil ao apoiar o aluno(a) no processo de aprendizagem além de contribuir  
para a melhoria do desempenho acadêmico como foi verificado na Universidade Federal de  
Santa Catarina (UFSC).  
471  
Esses dados demonstram que, embora os programas oferecidos tenham sido  
fundamentais durante a pandemia, ainda existem lacunas na cobertura e eficácia de alguns  
benefícios, como chips de internet e empréstimo de equipamentos, indicando a necessidade de  
aperfeiçoamento contínuo da política de Assistência Estudantil da UESPI.  
Considerações finais  
Este estudo teve como objetivo compreender as percepções dos estudantes beneficiados  
pelos programas de Assistência Estudantil da Universidade Estadual do Piauí (UESPI) durante  
o período da pandemia de COVID-19, analisando em que medida essas ações contribuíram para  
a permanência acadêmica em um contexto de crise sanitária e social. Os resultados mostram  
que, apesar dos esforços institucionais em manter programas como Auxílio Alimentação,  
Auxílio Moradia, Bolsa Trabalho e Auxílio Inclusão Digital, o alcance dessas políticas foi  
Política de permanência de uma universidade pública na perspectiva dos beneficiados  
limitado diante da grande demanda estudantil, contemplando apenas cerca de 19% do corpo  
discente.  
De forma geral, os estudantes reconheceram a importância dos benefícios para garantir  
a continuidade dos estudos, principalmente no acesso a equipamentos e à internet, que foram  
fundamentais para o ensino remoto. Ainda assim, surgiram críticas sobre o valor dos auxílios,  
a falta de programas voltados a outras dimensões da vida universitária como cultura, lazer e  
transporte, além das dificuldades de acesso relacionadas à pouca divulgação e a complexidade  
dos processos seletivos.  
A pesquisa contribui para o debate sobre o papel da Assistência Estudantil nas  
universidades estaduais, evidenciando avanços, mas também aponta limites importantes na sua  
capacidade de enfrentar as desigualdades que afetam a permanência no ensino superior. Entre  
as principais lacunas do estudo, destacamos a restrição da análise a uma única instituição, o  
recorte temporal concentrado na pandemia e a ausência de uma abordagem comparativa que  
permita avaliar a política em diferentes contextos. Essas limitações apontam caminhos para  
novos estudos que possam ampliar o olhar sobre a Assistência Estudantil, explorando seus  
impactos a longo prazo, as experiências subjetivas dos estudantes e as diferenças na  
implementação das políticas de outras universidades. Pesquisas futuras também podem  
investigar como fatores como gênero, raça e território influenciam as condições de permanência  
no ensino superior.  
472  
Embora a Assistência Estudantil na UESPI tenha representado um importante  
instrumento de mitigação das desigualdades, consideramos que é necessário fortalecer sua  
estrutura institucional, diversificar os programas e garantir recursos mais estáveis. Somente  
assim será possível consolidar uma política de permanência efetivamente inclusiva, capaz de  
assegurar igualdade de oportunidades e o direito a educação superior pública de qualidade.  
Em resumo, o estudo confirma a relevância estratégica da Assistência Estudantil como  
instrumento de democratização educacional, destacando tanto os avanços alcançados quanto os  
desafios a serem superados, fornecendo informações relevantes para o aprimoramento da  
política no cenário pós-pandêmico da Universidade Estadual do Piauí.  
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