Estágio docência na área de Fundamentos  
Históricos Teórico-Metodológicos do  
Serviço Social1  
Teaching internship in the area of Historical Methodological-Theoretical  
Fundamentals of Social Work  
Tatiana de Lima Souza*  
Débora Elita de Sousa Silva**  
Vinicius Rafael Lopes***  
Resumo: Objetivou-se analisar  
o
estágio  
Abstract: The aim was to analyze the teaching  
internship and its contributions to the area of  
Historical-Theoretical-Methodological  
docência e suas contribuições na área de  
Fundamentos Históricos Teórico-Metodológicos  
do Serviço Social para o ensino dos Fundamentos  
do Serviço Social e para a formação docente. Por  
meio do materialismo histórico-crítico-dialético  
marxista foi feito estudo bibliográfico sobre o  
estágio docência e os fundamentos do Serviço  
Foundations of Social Work to the teaching of the  
Foundations of Social Work and for teacher  
training. Through Marxist historical-critical-  
dialectical materialism, a bibliographic study was  
made on the teaching internship and the  
foundations of Social Work; a survey of the  
curricular components currently offered at the  
undergraduate and postgraduate levels in Social  
Work at the Federal University of Rio Grande do  
Norte and the State University of Rio Grande do  
Norte was carried out, considering the authors of  
this article’s teaching internship experiences as  
master students acting as interns in curricular  
components offered by the undergraduate course  
in Social Work at the mentioned federal  
university. The teaching internship strengthens  
the teaching of the profession's foundations and  
the professional training of Social Work teachers  
to work in higher education.  
Social;  
levantamento  
dos  
componentes  
curriculares ofertados, na atualidade, em nível de  
graduação e pós-graduação em Serviço Social, na  
Universidade Federal do Rio Grande do Norte e  
na Universidade do Estado do Rio Grande do  
Norte, considerando as experiências de estágio  
docência dos autores deste artigo na condição de  
mestrandos/as e doutoranda estagiário-docentes  
em componentes curriculares ofertados pelo  
curso de graduação em Serviço Social da referida  
universidade federal. O estágio docência fortalece  
o ensino dos fundamentos da profissão e a  
formação profissional de docentes Assistentes  
Sociais para trabalharem na educação superior.  
Palavras-chave: Estágio docência; Fundamentos  
Histórico Teórico-Metodológicos do Serviço  
Social; Formação profissional.  
Keywords: Teaching internship; Historical  
Methodological-Theorical Fundamentals of  
Social Work; Professional Formation.  
1
Este artigo foi produzido com o apoio financeiro da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível  
Superior (CAPES).  
* Universidade Federal do Rio Grande do Norte. E-mail: tatidels27@gmail.com  
** Universidade Federal do Rio Grande do Norte. E-mail: debora.elita.115@ufrn.edu.br  
*** Universidade Federal do Rio Grande do Norte. E-mail: vinyciusloppes@gmail.com  
DOI: 10.34019/1980-8518.2026.v26.49991  
Esta obra está licenciada sob os termos  
Recebido em: 27/08/2025  
Aprovado em: 09/06/2026  
Estágio docência na área de Fundamentos Históricos Teórico-Metodológicos do Serviço Social  
Introdução  
O Serviço Social é uma profissão comprometida com a qualidade da formação  
profissional, seja no nível da graduação ou da pós-graduação. Essa afirmação pode ser  
observada nos próprios Projetos Político-Pedagógicos dos cursos, os quais visam que o corpo  
discente vislumbre de processos formativos conectados com as necessidades históricas da  
classe trabalhadora, ou seja, fundamentados na realidade concreta, o que reitera e fortalece a  
posição ético-política profissional historicamente consolidada, vinculada aos interesses da  
classe trabalhadora, da qual somos parte integrante, afirmada desde a virada histórica construída  
pela categoria ainda que não de forma homogênea durante a democratização brasileira  
(1980-1990) e herdeira das lutas de classe desse cenário histórico (Netto, 2011a).  
O processo formativo em Serviço Social, objeto de pesquisa deste artigo, no âmbito dos  
cursos de mestrado e doutorado, possui, geralmente, o componente curricular denominado  
estágio docência, o qual visa incentivar e qualificar a formação profissional de docentes para a  
educação superior, e fortalecer também o processo de ensino e aprendizagem dos/as discentes  
de graduação. Essa experiência prático-formativa ocorre por intermédio das contribuições e  
vivências acadêmicas do/a pós-graduando/a, as quais reverberam na aproximação e no diálogo  
entre a graduação e a pós-graduação existentes nas universidades.  
O estágio docência expressa o compromisso das Instituições de Ensino Superior (IES)  
públicas com a manutenção da qualidade da formação profissional, porque tende a realizar-se  
principalmente naquelas disciplinas que possuem maior nível de conteúdos e que necessitam  
de suporte para ampliar a satisfação de seus objetivos. A exemplo disso, no curso de graduação  
em Serviço Social, temos o componente curricular Fundamentos Históricos Teórico-  
Metodológicos do Serviço Social, em seus diferentes níveis: I, II, III e IV, que englobam  
diversificados momentos da trajetória da profissão e a sua relação com determinados períodos  
históricos da conjuntura brasileira.  
232  
Na graduação em Serviço Social, a discussão sobre os Fundamentos da profissão  
possibilita que os/as discentes apreendam a trajetória histórica e teórico-metodológica de  
maneira indissociável, sem a cisão que por muito tempo dividiu a profissão entre história, teoria  
e método. Nesse sentido, tal apreensão vem “contribuindo, ao longo da produção histórica da  
profissão, para a compreensão de importantes elementos dos nexos entre teoria e prática no  
Serviço Social brasileiro” (Salazar, 2018, p. 3).  
O interesse, apresentado neste artigo, em sistematizar as experiências de estágio  
docência justifica-se em virtude da pertinência do aprofundamento do debate sobre a docência  
no ensino superior, considerando ser uma área de atuação profissional pouco discutida durante  
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a graduação, bem como a necessidade de socializar essas experiências acadêmicas no âmbito  
do ensino, visando fomentar novas discussões que possibilitem melhorias no processo de  
formação para a docência em Serviço Social. Acrescido a isso, as experiências de estágio que  
embasam este artigo foram abordadas tendo em vista denotarem a necessidade de  
aprofundamento dos estudos sobre os fundamentos da profissão, bem como por se relacionarem  
com as pesquisas na área de fundamentos históricos da profissão desenvolvidas pelos  
estagiários docentes desde o período da graduação em Serviço Social.  
Ademais, o debate proposto neste artigo relaciona o estágio docência e o ensino dos  
Fundamentos Históricos Teórico-Metodológicos do Serviço Social, tendo em vista que esse  
componente curricular comporta densas discussões e mediações que tornam possível a  
formação crítica acerca dos elementos e contradições inerentes à construção sócio-histórica  
dessa profissão no Brasil.  
A partir dessas questões, o objetivo deste artigo consistiu, portanto, em analisar o estágio  
docência e as suas contribuições (na área de fundamentos) para o ensino dos Fundamentos do  
Serviço Social. Para tanto, o objeto demandou análise histórico-crítico dialética marxista,  
considerando as contradições, mediações e possibilidades da formação profissional com ênfase  
na docência, bem como a apreensão das contribuições do ensino dos Fundamentos Históricos  
Teórico-Metodológicos do Serviço Social durante o estágio docência2, realizado pelos autores  
desta pesquisa durante o mestrado e doutorado entre os anos 2018, 2019 e 2024, nos  
componentes curriculares Fundamentos Históricos Teórico-Metodológicos do Serviço Social I  
e III, com discentes do 2º e 4º períodos, respectivamente, da graduação em Serviço Social na  
UFRN. A metodologia do trabalho englobou ainda pesquisa documental e estudo bibliográfico  
sobre o estágio docência e os fundamentos históricos do Serviço Social; e levantamento dos  
componentes curriculares ofertados em 2024, em nível de graduação e pós-graduação em  
Serviço Social, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e na Universidade  
do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) instituições públicas de ensino superior do Estado  
onde nos situamos.  
233  
A análise dos documentos identificou como ocorre o debate sobre a docência na pós-  
graduação. Para tanto foram feitas mediações analíticas em torno dos diferentes contextos de  
2 As experiências de estágio docência (consideradas nesta pesquisa como parte do processo analítico em torno das  
contribuições do ensino dos Fundamentos Histórico Teórico-Metodológicos do Serviço Social durante essa etapa  
formativa da pós-graduação para o ensino dos Fundamentos do Serviço Social), foram vivenciadas pela primeira  
autora deste artigo (Tatiana de Lima) durante a formação em nível de doutorado no ano de 2024 e pelos outros  
dois autores (Débora Elita e Vinicius Lopes), durante a formação em nível de mestrado acadêmico em Serviço  
Social na UFRN (nos anos 2018 e 2019). Atualmente, todos os autores do artigo são doutorandos em Serviço  
Social da UFRN.  
Estágio docência na área de Fundamentos Históricos Teórico-Metodológicos do Serviço Social  
pesquisa (UERN e UFRN), de modo a apreender a totalidade de elementos que se relacionam  
à formação para a docência em Serviço Social.  
As mediações teóricas possibilitaram apreender as distintas realidades de curso de  
graduação e de pós-graduação e que, apesar disso, expressam o protagonismo de docentes no  
sentido de ofertar formação profissional de qualidade. Ressaltamos também limitações na  
política de educação superior, LDB (Lei Brasileira de Educação) de 1996, que apresenta a  
necessidade de formação docente nos programas stricto sensu, porém observamos que é  
fundamental que o debate sobre a docência ocorra em profundidade, posto que a pós-graduação  
constitui o lócus privilegiado de formação pedagógica para o ensino superior.  
Logo, o estudo da totalidade dos componentes curriculares da pós-graduação foi uma  
forma de conhecer as ementas de disciplinas do eixo de Fundamentos e elaborar sínteses sobre  
os elementos que se mostram nessa realidade, de modo a propor análises que contribuam para  
potencializar o ensino-aprendizagem e o trabalho docente no ensino superior.  
A análise documental foi adensada pela experiência de estágio, visto que se configura  
como fonte de produção dos dados ao propiciar a reflexão crítica resultante de observações  
participantes dos momentos em sala de aula com turmas da graduação em Serviço Social,  
considerando as potencialidades e dificuldades na aprendizagem dos fundamentos e a  
sistematização de orientações pedagógicas de docentes supervisores de estágio docência.  
O estágio docência se caracteriza como momento de formação docente, assim definido  
pela Portaria 76, de 14 de abril de 2010: “Art. 18. O estágio de docência é parte integrante da  
formação do pós-graduando, objetivando a preparação para a docência, e a qualificação do  
ensino de graduação sendo obrigatório para todos os bolsistas do Programa de Demanda Social  
[...]” (Brasil, 2010). Nessa perspectiva, os currículos de pós-graduação em Serviço Social, ao  
se comprometerem com a oferta da experiência de estágio docência, acompanham os avanços  
da profissão na área da educação, ao apresentar e fortalecer a necessidade de formação  
pedagógica, sendo importante o aprofundamento de questões didático-pedagógicas do trabalho  
docente em Serviço Social.  
234  
Enquanto parâmetros de escolha das experiências de estágio docência dos autores,  
optamos por aquelas que ocorreram nos componentes de Fundamentos do Serviço Social. A  
análise das experiências se deu conforme sua relação com os limites e possibilidades de  
fortalecimento da formação discente dos/as graduandos/as e pós-graduandos. Tais experiências  
dizem respeito ao processo de inserção de cada autora e autor deste artigo, no que concerne à  
contribuição dessas disciplinas para o processo de amadurecimento teórico, sobretudo na  
perspectiva de apreender os conteúdos formativos numa perspectiva de totalidade, haja vista  
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que, em contrapartida, historicamente os conteúdos dos fundamentos do Serviço Social tendem  
a ser concebidos fragmentados, sem mediações entre as suas discussões.  
O método para nortear o estudo dos dados sistematizados foi o materialismo histórico-  
crítico-dialético, posto que amplia as possibilidades de reflexão em uma perspectiva de  
totalidade, visando contribuir para a transformação da realidade estudada por meio da análise  
das contradições postas nesta sociabilidade burguesa (Netto, 2011b). O referido método nos  
permite compreender o movimento do objeto, articulando sua aparência e essência. Segundo  
Prates (2012, p. 117), “Marx apropria-se das categorias que emanam da realidade e volta a ela  
utilizando-as para explicar o movimento de constituição dos fenômenos, a partir de sucessivas  
aproximações e da constituição de totalizações provisórias, passíveis de superação sistemática,  
porque históricas”. Nesse sentido, reiteramos, o presente estudo buscou analisar as  
contribuições do estágio docência nas disciplinas de Fundamentos Históricos Teórico-  
Metodológicos do Serviço Social, partindo das experiências concretas vivenciadas em sala de  
aula no tocante à apreensão dos conteúdos que envolvem tais componentes curriculares.  
Este artigo está dividido em duas seções: na primeira apresentamos algumas reflexões  
sobre a formação profissional em Serviço Social, com ênfase na discussão sobre a docência,  
elencando também alguns desafios que permeiam esse processo; e na segunda adentramos o  
debate sobre os Fundamentos Teórico-Metodológicos e o estágio docência em Serviço Social,  
problematizando algumas questões a respeito desse instigante processo de formação para a  
docência.  
235  
A formação profissional e a docência em Serviço Social  
Analisar a formação profissional em Serviço Social com vistas a contribuir para o debate  
sobre a docência é uma forma de potencializar os processos formativos de Assistentes Sociais  
constituídos principalmente pela graduação, especialização, mestrado e doutorado. Nas  
Diretrizes Curriculares da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social  
(ABEPSS, 1996) a formação comporta uma série de elementos, os quais consubstanciam um  
ensino norteado pelos princípios do Projeto Ético-Político e é considerada enquanto um  
caminho a ser trilhado pelos profissionais da graduação e da pós-graduação. Logo, “a formação  
profissional expressa uma concepção de ensino e aprendizagem calcada na dinâmica da vida  
social, o que estabelece os parâmetros para a inserção profissional na realidade sócio  
institucional” (ABEPSS, 1996, p. 8).  
Essa formação profissional, em especial para a docência, tende a ocorrer em IES  
(Instituição de Ensino Superior) públicas. Dito isso, é pertinente demarcar que a universidade  
Estágio docência na área de Fundamentos Históricos Teórico-Metodológicos do Serviço Social  
é permeada por disputas dada a sua relevância para a sociedade, a qual possui distintos  
interesses de classe. Para Chaui (2003, p. 15) “[...] desde seu surgimento, a universidade pública  
sempre foi uma instituição social, isto é, uma ação social, uma prática social fundada no  
reconhecimento público de sua legitimidade e de suas atribuições [...]”. A formação para a  
docência é uma das mais importantes atividades existentes nas universidades e requisita  
momentos de estudos, pesquisas e organização do trabalho pedagógico. Há um conjunto de  
elementos, para além das questões apresentadas nesta pesquisa, que contribuem para  
apreendermos a dinâmica universitária, a exemplo de sua relação com o Estado, a importância  
da democracia e os retrocessos que desestruturaram a universidade pública como a  
contrarreforma3 da educação superior implementada a partir do avanço do neoliberalismo no  
Brasil (Chaui, 2003).  
O Serviço Social é uma profissão inserida na divisão social e técnica do trabalho, cuja  
legitimidade é socialmente atribuída e reconhecida em função dos serviços fornecidos à  
população usuária pela via das políticas públicas ofertadas pelo Estado, ou ainda, em âmbito  
privado, pelos serviços e políticas sociais prestados por meio da rede empresarial (Iamamoto;  
Carvalho, 2013). Esse entendimento crítico acerca da profissão e das contradições inerentes aos  
espaços de atuação só é possível se o/a discente passar por um processo denso de formação no  
qual o trabalho docente é crucial. De tal modo, a atuação de Assistentes Sociais na docência  
viabiliza a continuidade da formação profissional em consonância com os níveis de exigências  
relacionados ao ensino e à aprendizagem postos pela ABEPSS (1996).  
236  
A formação para a docência em Serviço Social é perpassada por algumas  
particularidades, pois possui como norteadores o Código de Ética de 1993, a Lei de  
Regulamentação da Profissão e as Diretrizes Curriculares da ABEPSS de 1996. Esses  
documentos constituem a direção social crítica do Projeto Ético-Político Profissional que se  
materializa no conjunto de funções desenvolvidas pelos/as profissionais seja na academia ou  
em outros espaços ocupacionais. Segundo Braz (2001, p. 385), o citado Projeto,  
[...] Trata-se de uma projeção coletiva que envolve sujeitos individuais e  
coletivos em torno de uma determinada valoração ética que está intimamente  
vinculada a determinados projetos societários presentes na sociedade que se  
relacionam com os diversos projetos coletivos (profissionais ou não) em  
disputa na mesma sociedade.  
Com base na direção social desse Projeto, afirma-se que a docência em Serviço Social  
é uma área de trabalho que contribui para uma formação sólida, que possibilita aos futuros/as  
3
“A contrarreforma do ensino superior, na lógica gerencial da contrarreforma do Estado, altera a natureza da  
universidade de Instituição Social a Organização Social (OS); é subordinada aos interesses privados, tornando-se  
verdadeiros oligopólios mercantis do ensino [...]” (Abramides, 2019, p. 168).  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 231-256, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Tatiana de Lima Souza; Débora Elita de Sousa Silva; Vinicius Rafael Lopes  
professores/as conhecer os diversos campos de atuação e os desafios históricos inerentes a esse  
trabalho. A docência demanda dos/as Assistentes Sociais um significativo acúmulo de  
conhecimentos teórico-metodológicos, ético-políticos e técnico-operativos referentes à  
trajetória da profissão para serem ensinados didaticamente. Com isso, o trabalho docente a  
partir de fundamentos críticos viabiliza que os/as discentes avancem no processo de  
aproximação e amadurecimento no tocante às questões referentes ao Serviço Social.  
Enfatizamos, nesse sentido, a importância de reflexões sobre a formação para a docência,  
conforme posto também por Faustini (2014, p. 18):  
Aformação do assistente social, via de regra, não inclui formação pedagógica.  
Em tal formação o enfoque maior recai na formação de profissionais capazes  
de intervir na realidade social, e de investigar, analisar, propor e realizar ações  
concretas com sujeitos sociais envolvidos em formas de expressão da questão  
social [...].  
Mesmo não existindo um acervo robusto sobre a formação para a docência em Serviço  
Social, as obras que se dedicam a essa área ressaltam que o trabalho docente na educação  
superior demanda conhecimentos, competências pedagógicas e habilidades profissionais para  
nortear a intervenção de Assistentes Sociais (Dantas, 2012; Faustini, 2014). Em virtude disso,  
tais questões são paulatinamente apreendidas a partir do próprio interesse do/a docente em  
qualificar o seu trabalho, constituindo um movimento de aprendizagem, por vezes, autônomo e  
“solitário” (Faustini, 2014).  
237  
Desse modo, um dos desafios da formação profissional em Serviço Social, pensando  
especificamente a docência, refere-se à necessidade da inclusão de debates sobre a educação  
superior e o trabalho docente no período da graduação e o seu consequente aprofundamento no  
âmbito da pós-graduação, visto que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) explicita  
no artigo 66 que “a preparação para o exercício do magistério superior far-se-á em nível de pós-  
graduação, prioritariamente em programas de mestrado e doutorado” (Brasil, 1996). Mesmo  
com essa orientação, observamos a necessidade dos programas de pós-graduação stricto sensu  
ampliarem as discussões voltadas para o trabalho docente, na perspectiva de oferecer subsídios  
teóricos e instrumentais operativos para quando o/a discente de graduação se inserir na pós e  
o/a pós-graduando/a inserir-se na docência.  
Para Pimenta e Anastasiou (2014, p. 25), “no atual panorama nacional e internacional,  
há a preocupação com o crescente número de profissionais não qualificados para a docência  
universitária em atuação, o que estaria apontando para uma preocupação com os resultados do  
ensino de graduação [...]”. Sobre essa questão relacionada ao trabalho docente, Faustini (2014)  
discorre a respeito da não existência de uma formação densa para a atuação na docência no  
Estágio docência na área de Fundamentos Históricos Teórico-Metodológicos do Serviço Social  
ensino superior, o que pode fazer com que, ao adentrar nessa área, muitos/as profissionais  
recorram às experiências e lembranças referentes àqueles/as docentes que conheceram na  
perspectiva de sistematizar sua própria atuação. Nesse sentido, apresentamos a seguir uma  
breve análise sobre os componentes curriculares que integram a graduação e a pós-graduação  
da UFRN e da UERN estabelecendo as mediações entre a formação profissional e a qualificação  
para a docência.  
O curso de graduação4 em Serviço Social da UFRN ocorre em formato presencial, com  
duração de quatro anos que abrangem oito semestres letivos compostos por componentes  
curriculares obrigatórios e optativos. Além disso, o curso é integrado pelo estágio curricular  
obrigatório, cuja duração é de 02 (dois) semestres; o Trabalho de Conclusão de Curso; e  
atividades complementares. O Projeto Pedagógico do Curso (PPC, 2019) vigente, elaborado  
pelo Núcleo Docente Estruturante (NDE) foi pensado considerando, dentre outros fatores, a  
“[...] perspectiva de identificar avanços, conquistas consolidadas e possíveis fragilidades e/ou  
lacunas que obstaculizam a qualidade da formação profissional” (PPC, 2019, p. 5-6). Dito isto,  
“O PPC encontra-se fundamentado numa perspectiva de totalidade no entendimento da vida  
social [...] Baliza, também, o PPC a opção por uma concepção de formação profissional  
histórica, crítica, democrática e plural [...]” (PPC, 2019, p. 7).  
A seguir, são apresentados os quadros 1 e 2, de elaboração própria, onde constam os  
componentes curriculares obrigatórios e optativos que integram o curso de bacharelado em  
Serviço Social da UFRN:  
238  
4 Para além do Projeto Pedagógico do Curso (PPC, 2019), as informações apresentadas neste artigo a respeito da  
graduação em Serviço Social da UFRN foram obtidas por meio da página do curso de Serviço Social no SIGAA  
da UFRN (UFRN, 2024a).  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 231-256, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Tatiana de Lima Souza; Débora Elita de Sousa Silva; Vinicius Rafael Lopes  
Quadro 1 Componentes Curriculares Obrigatórios da Graduação em Serviço Social UFRN.  
239  
Fonte: Elaboração própria a partir das informações obtidas via SIGAA da UFRN (UFRN, 2024a).  
Estágio docência na área de Fundamentos Históricos Teórico-Metodológicos do Serviço Social  
Quadro 2 Componentes Curriculares Optativos da Graduação em Serviço Social UFRN.  
Fonte: Elaboração própria a partir das informações obtidas via SIGAA da UFRN (UFRN, 2024a).  
Em nível de graduação, são ofertados na UFRN 36 (trinta e seis) componentes  
curriculares obrigatórios incluindo os dois estágios curriculares. Além disso, o curso é  
composto por 14 (catorze) disciplinas optativas cuja carga horária também deve ser cumprida,  
totalizando 50 (cinquenta) componentes curriculares, que somam 3090h (três mil e noventa  
horas). Dentre esses componentes não há disciplina específica sobre a docência em Serviço  
Social, no entanto, destacamos aquelas que, conforme o programa disponível em consulta ao  
SIGAA (Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas) da UFRN em relação à  
estrutura curricular do curso, apresentam possibilidade de interlocução transversal com a  
temática. É o caso da disciplina Serviço Social e Processos de Trabalho, que prevê o estudo  
sobre “[...] a inserção do Serviço Social em processos de trabalho: as particularidades dos  
campos de inserção profissional” (UFRN, 2024b, n.p.).  
240  
Outras disciplinas passíveis de interlocução são Oficina de Instrumentalidade e Projeto  
Ético-Político do Serviço Social, que propõe a apreensão das seguintes temáticas:  
“Instrumentalidade e Serviço Social; Projeto Ético-Político do Serviço Social; conhecimento,  
elaboração e utilização dos instrumentos de trabalho do assistente social” (UFRN, 2024c, n.p.);  
Tópico em Serviço Social I, que dispõe sobre: “[...] análise institucional e apreensão do  
exercício profissional, articulando as dimensões teórico-metodológica, ético-política e técnico-  
operativa [...]” (UFRN, 2024d, n.p.); Tópicos em Serviço Social II, que preconiza: “[...] análise  
institucional; [...] análise crítica e vivência do trabalho do (a) assistente social articulado com  
as dimensões teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa [...] (UFRN, 2024e, n.p.).  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 231-256, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Tatiana de Lima Souza; Débora Elita de Sousa Silva; Vinicius Rafael Lopes  
A partir do exposto podemos afirmar que embora em nível de graduação não seja  
obrigatório o debate específico sobre a docência em Serviço Social, as disciplinas que mais se  
aproximam da temática, citadas anteriormente, dispõem de formação sobre: processos de  
trabalho e os diversos campos de inserção profissional; análise institucional e apreensão do  
exercício profissional em articulação com as dimensões teórico-metodológica, ético-política e  
técnico-operativa do exercício profissional.  
No âmbito da pós-graduação5, em nível de mestrado em Serviço Social na UFRN, o  
curso possui carga horária obrigatória de 990h (novecentas e noventa horas), cumpridas ao  
longo de quatro períodos que contabilizam dois anos de duração. Por meio do mestrado  
acadêmico objetiva-se, conforme apresentado na página eletrônica do Programa de Pós-  
Graduação em Serviço Social da UFRN (PPGSS), “viabilizar a qualificação de profissionais do  
Serviço Social e áreas afins, a investigação crítica e propositiva, que os levem à produção de  
conhecimento sobre o seu exercício profissional pensado no contexto da realidade social [...]”  
(PPGSS/UFRN, 2026a, n.p.).  
Em vias de promover a qualificação profissional docente na perspectiva de totalidade  
de análise e atuação na realidade social, a formação em nível de pós-graduação (mestrado  
acadêmico) pretende, dentre outros objetivos: formar mestres que contribuam para a construção  
de novas práticas profissionais com capacidade crítica, competência técnica e conhecimento  
ético-político na direção do compromisso com a inclusão social, universalização dos direitos  
de cidadania e desenvolvimento social justo e sustentável; e atender aos interesses de  
qualificação profissional de pesquisadores e docentes, considerando a crescente demanda, em  
decorrência da ampliação dos cursos de graduação em Serviço Social em todo o país  
(PPGSS/UFRN, 2026a).  
241  
A seguir, no quadro 3, consta o quadro dos componentes curriculares ofertados pelo  
PPGSS da UFRN em nível de mestrado:  
5 As informações apresentadas neste artigo a respeito da pós-graduação em Serviço Social da UFRN foram obtidas  
por meio da página do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFRN (PPGSS/UFRN, 2026a;  
PPGSS/UFRN, 2026b).  
Estágio docência na área de Fundamentos Históricos Teórico-Metodológicos do Serviço Social  
Quadro 3 Componentes Curriculares do Mestrado em Serviço Social UFRN.  
Fonte: Elaboração própria a partir de PPGSS/UFRN (2026b).  
Dentre os 25 (vinte e cinco) componentes curriculares que compõem o curso de  
mestrado6, incluindo Estágio Docência e Docência no Ensino Superior, voltados ao  
aprimoramento da qualificação profissional docente, destacamos que o último, com 60h  
(sessenta horas), preconiza, nos detalhes do componente dispostos na página eletrônica da pós-  
graduação, o estudo de temáticas como o “ensino universitário e os processos de ensino  
aprendizagem, [...]; planejamento, metodologias e avaliação no ensino superior;  
regulamentação da docência assistida na UFRN; e plano e relatório de atuação”  
(PPGSS/UFRN, 2026b, n.p.). Observamos, então, que o componente possui os temas e questões  
que contribuem para que o estágio docência ocorra de forma a potencializar a formação  
pedagógica no âmbito da pós-graduação em Serviço Social.  
242  
O curso de doutorado7 em Serviço Social na UFRN, por sua vez, tem duração de quatro  
anos, divididos em oito semestres letivos, durante os quais são cumpridas 1.380h (mil trezentas  
6 As informações sobre os componentes curriculares do mestrado acadêmico em Serviço Social da UFRN foram  
obtidas por meio da página virtual do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFRN (PPGSS/UFRN,  
2026b).  
7 As informações sobre os componentes curriculares do doutorado acadêmico em Serviço Social da UFRN foram  
obtidas por meio da página virtual do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFRN (PPGSS/UFRN,  
2026c).  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 231-256, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
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e oitenta horas). Integram este nível de formação superior 37 (trinta e sete) componentes  
curriculares. Dentre essas, destaca-se novamente por sua especificidade em relação à docência,  
o componente Docência no Ensino Superior (60h sessenta horas), conforme o quadro 4  
apresentado a seguir:  
Quadro 4 Componentes Curriculares do Doutorado em Serviço Social UFRN.  
243  
Fonte: Elaboração própria a partir de PPGSS/UFRN (2026c).  
Em comparação com o ensino ofertado pela rede de formação superior pública em nível  
estadual, identificamos que, na UERN8, a graduação em Serviço Social (nível bacharelado)  
também é realizada em formato presencial, com duração de quatro anos que abrangem oito  
semestres letivos compostos por componentes curriculares em formato de disciplinas, as quais  
8 Para a realização da análise dos componentes curriculares ofertados para o curso de Serviço Social em nível de  
graduação na UERN utilizamos os dados disponíveis na página virtual do curso de graduação em Serviço Social  
da referida instituição (UERN, 2023). Não foi possível consultar o Projeto Pedagógico do Curso vigente (2023),  
uma vez que a página do link de acesso estava fora do ar durante o período em que este artigo foi produzido (janeiro  
de 2024 a maio de 2025).  
Estágio docência na área de Fundamentos Históricos Teórico-Metodológicos do Serviço Social  
encontram-se divididas entre teóricas, teórico-práticas, obrigatórias e optativas, incluindo três  
componentes de estágio curricular obrigatórios a serem cumpridos durante o 4º (quarto), 5º  
(quinto) e 6º (sexto) semestre do curso; bem como os seminários de monografia I e II. Tem  
como objetivo central:  
Formar Assistente Social capaz de apreender o significado social e histórico  
da profissão e intervir de forma crítica e qualificada nos espaços de atuação  
profissional, com fundamentação teórico-metodológica e posicionamento  
ético-político de acordo com a Lei de Regulamentação da Profissão (Nº  
8.662/93) e com o Código de Ética do Assistente Social (Resolução CFESS –  
273/93) (UERN, 2023).  
O curso em Serviço Social na UERN considera como atribuição do profissional  
graduado em Serviço Social, dentre outras, a capacidade de “assumir o magistério de Serviço  
Social e coordenar cursos e unidades de formação acadêmicas” (UERN, 2023), ou seja, prevê  
a formação para a docência. Nesse sentido, a graduação é composta, em caráter obrigatório, por  
40 (quarenta) componentes curriculares, dentre os quais se destacam por sua possibilidade9 de  
relação com a formação para a docência Seminário Temático: Trabalho e Formação  
Profissional (45h); e Serviço Social e Processos de Trabalho (60h), conforme visualizamos no  
quadro 5 a seguir:  
244  
9 Não foi possível identificar a ementa das disciplinas que compõem o quadro da graduação em Serviço Social da  
UERN, uma vez que a página virtual do programa do referido curso apresenta somente o quadro dos componentes,  
sem maiores detalhes para além da carga horária e do tipo de atividade (teórica, teórico-prática, optativa ou  
obrigatória). Diante disso, os componentes curriculares destacados por sua possibilidade de articulação com o  
debate sobre a docência em Serviço Social foram elencados a partir da nossa análise teórico-crítica e experiência  
formativa. Ademais, listamos apenas as componentes obrigatórias porque, diferentemente dos componentes  
optativos da graduação em Serviço Social da UFRN, que são também obrigatórios, não encontramos informações  
na página virtual da UERN que nos permitissem considerar os componentes optativos como obrigatórios.  
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Quadro 5 Componentes Curriculares Obrigatórios da Graduação em Serviço Social UERN.  
245  
Fonte: Elaboração própria a partir das informações obtidas via página de apresentação do curso de Serviço  
Social da UERN (UERN, 2023).  
A relação entre esses componentes curriculares e a docência é possível uma vez que o  
estudo acerca do trabalho e da formação profissional, bem como dos processos de trabalho em  
Serviço Social abrem margem para o debate sobre os diversos campos de atuação profissional,  
e dos fundamentos teóricos e ético-normativos profissionais que amparam a docência em  
Serviço Social.  
Em nível de pós-graduação, a UERN oferta o curso de Mestrado em Serviço Social e  
Direitos Sociais, com duração de 2 (dois) anos, divididos em 4 (quatro) semestres letivos e  
carga horária total de 990h (novecentas e noventa horas). Apresenta, no artigo 3º do Regimento  
Estágio docência na área de Fundamentos Históricos Teórico-Metodológicos do Serviço Social  
do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social e Direitos Sociais da UERN (2020) dentre  
outros objetivos, “[...] I – Capacitar [qualificar]10 docentes e profissionais para atuarem no  
planejamento, implementação e avaliação de políticas públicas e sociais, Serviço Social e áreas  
afins [...]” (p. 2).  
Em distinção ao programa de pós-graduação da UFRN podemos inferir que o mestrado  
acadêmico em Serviço Social e Direitos Sociais ofertado pela UERN aparenta carecer de maior  
investimento na formação para a docência, algo que pode estar preconizado na ementa das  
disciplinas ofertadas, mas cuja consulta não foi possível realizarmos por inviabilidade do acesso  
à página virtual do quadro dos componentes curriculares divulgados pelo Programa. Apesar  
deste fato, identifica-se que integram o curso 23 (vinte e três) componentes curriculares  
obrigatórios e optativos, dentre os quais destaca-se Serviço Social, Trabalho e Formação  
Profissional (60h optativa) enquanto componente curricular que pode mediar debates e  
análises acerca da formação docente. Não constam na grade curricular componentes do tipo  
Docência no Ensino Superior e Estágio Docência, conforme podemos concluir a partir do  
quadro 6, a seguir:  
Quadro 6 Componentes Curriculares Obrigatórios do Mestrado em Serviço Social e Direitos Sociais UERN.  
246  
Fonte: Elaboração própria a partir das informações obtidas via SIGAA da UERN (UERN, 2024).  
10  
Como opção ao termo “capacitar” utilizamos “qualificar”, considerando o debate sobre o capacitismo  
(preconceito contra pessoas com deficiência, que as qualifica como supostamente inferiores e incapazes), e a  
direção política da categoria em defesa e fortalecimento das lutas anticapacitistas. Entendemos ser relevante a  
utilização de linguagem em acordo com esse posicionamento teórico-político profissional não discriminatório.  
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Diante do exposto, apreendemos que a formação para a docência em Serviço Social nas  
Instituições de Ensino Superior públicas pode ser iniciada na graduação de maneira  
interdisciplinar no âmbito das disciplinas que discutem trabalho, instrumentalidade e formação  
profissional. Ademais, os/as estudantes podem participar como bolsistas nos projetos de  
monitoria ofertados durante a graduação, os quais se configuram como apoio pedagógico ao  
trabalho docente, bem como uma aproximação com a área da docência no ensino superior,  
considerando as atividades realizadas, a exemplo de estudos e orientações coletivas com os/as  
discentes de graduação, planejamento pedagógico e apresentação de conteúdos com a  
supervisão do/a docente. Dessa forma, tal experiência contribui também para que os/as bolsistas  
de monitoria desenvolvam o interesse em continuar com os estudos sobre a docência no  
mestrado acadêmico, momento pertinente para a formação profissional para a docência em  
Serviço Social.  
Pontuadas essas questões, entendemos que a formação pedagógica se adensa na pós-  
graduação, pelo fomento à inserção na docência, por meio do estágio docência, e de debates em  
torno do trabalho e formação profissional, na perspectiva de ofertar uma aprendizagem sólida  
a Assistentes Sociais já formados/as e que posteriormente também atuarão no espaço acadêmico  
enquanto docentes do magistério superior. É sobre essa experiência formativa que discutiremos  
a seguir, com o intuito de identificar sua relação e importância na integralidade ensino-  
docência.  
247  
Os Fundamentos Históricos Teórico-metodológicos e o estágio docência em Serviço  
Social  
Para além de uma mera historiografia, os Fundamentos Históricos Teórico-  
Metodológicos do Serviço Social permitem apreender o movimento percorrido pela profissão  
até a construção de sua atual cultura profissional. Importa frisar que o momento inaugural da  
discussão dos Fundamentos Históricos do Serviço Social foi trazido à baila considerando a  
fragmentação entre história/teoria/método, presente na profissão desde a sua gênese (Guerra,  
2019). O tributo desse debate é caudatário à reforma curricular de 1982 e ao protagonismo da  
ABEPSS que a partir de suas Diretrizes Curriculares de 1996, preconiza a articulação entre os  
conteúdos dos fundamentos do Serviço Social da seguinte forma: Núcleo de Fundamentos  
Teórico-Metodológicos da Vida Social, Núcleo de Fundamentos da Formação Sócio-Histórica  
da Sociedade Brasileira e o Núcleo de Fundamentos do Trabalho Profissional. Essa construção  
considera a profissionalização do Serviço Social como uma especialização do trabalho e sua  
Estágio docência na área de Fundamentos Históricos Teórico-Metodológicos do Serviço Social  
prática inserida em processos de trabalho que têm como objeto as múltiplas expressões da  
questão social.  
O debate em torno dos Fundamentos do Serviço Social ganhou relevo a partir da  
elaboração das Diretrizes Curriculares da ABEPSS que ultrapassaram as limitações existentes  
no currículo de 1982, sendo importante nesse processo a interlocução com a tradição marxista,  
que contribuiu para o avanço teórico-crítico e ético-político profissional do Serviço Social. Uma  
das obras que expressa tal debate sobre os Fundamentos refere-se ao livro “Relações sociais e  
Serviço Social no Brasil: esboço de uma interpretação histórico-metodológica” de Iamamoto e  
Carvalho (2013).  
Destarte, há um extenso percurso a ser ensinado pelo/a docente nos componentes  
curriculares de Serviço Social que envolvem os Fundamentos Históricos Teórico-  
Metodológicos e que embasam a atuação de Assistentes Sociais nos espaços ocupacionais. Esse  
processo de ensino-aprendizagem demanda atenção redobrada para que contemple todas as  
discussões sobre tais fundamentos, de modo a permitir que o corpo discente apreenda, em sua  
totalidade, a historicidade e o significado de cada momento da profissão, bem com as conquistas  
alcançadas pelo Serviço Social.  
Esse movimento reflexivo possibilita a problematização dos equívocos que fizeram  
parte da trajetória da profissão, a exemplo do conservadorismo, cujas inflexões incidiram e  
ainda têm repercussão na atualidade do cotidiano profissional no âmbito da sociabilidade  
burguesa, hegemonicamente reacionária e conservadora, e fazem dessa temática objeto de  
análise e crítica atuais por Assistentes Sociais que defendem a direção hegemônica do Projeto  
Ético-Político, crítica, emancipatória e revolucionária.  
248  
Considerando as experiências de Estágio docência em Fundamentos Histórico-Teórico-  
Metodológicos do Serviço Social I e III vivenciadas pelos autores desta pesquisa, sem  
escamotear a relevância e organização do componente curricular Fundamentos em seus demais  
níveis (II e IV), destacamos que a ementa de Fundamentos I traz como objeto central a gênese,  
institucionalização e profissionalização do Serviço Social no Brasil, sua relação com a Doutrina  
Social da Igreja Católica e o Estado, enfatizando elementos históricos, teórico-metodológicos  
e conjunturais que explicam sua emergência no contexto brasileiro. Além do mais, apresenta a  
discussão das vertentes de cunho doutrinário e conservador, como as perspectivas neotomista e  
positivista. Em Fundamentos III a ementa abrange as contradições e mediações do histórico  
processo de ruptura do Serviço Social com o conservadorismo; e a consolidação e construção  
coletiva do Projeto Ético-Político Profissional, mediada pelas conquistas democráticas  
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brasileiras cujos marcos foram o III Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais, realizado em  
1979 (conhecido como Congresso da Virada), e a aprovação da Constituição Federal de 1988.  
Os conteúdos apreendidos durante esses componentes curriculares contribuem, pois,  
para a construção e fortalecimento da identidade profissional numa perspectiva crítica e  
emancipatória, de modo a qualificar a formação acadêmica de discentes da graduação e pós-  
graduação para a atuação profissional comprometida com os valores ético-políticos  
profissionais historicamente consolidados pela categoria. Ademais, a partir dessa experiência,  
os/as estagiários/as discentes atuantes no componente curricular dos fundamentos, podem  
vislumbrar o salto qualitativo formativo oportunizado pela inserção na pós-graduação e que  
aprimora a análise e apreensão dos debates que constituem os fundamentos profissionais,  
identificando ainda as interlocuções entre história, teoria e método no interior da profissão.  
O estágio docência é uma experiência prático-formativa que integra a pós-graduação  
com vistas à formação docente, ao fortalecimento de vínculos entre a graduação e a pós-  
graduação e ao aprimoramento da formação dos/as graduandos/as, conforme a resolução n°  
008/2022 do CONSEPE, que “Dispõe sobre o regulamento geral dos Programas e Cursos de  
Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN” (Brasil, 2024).  
Observamos com base na resolução que o/a estagiário/a vivencia esse período  
partilhando experiências profissionais e as respectivas aprendizagens com um/a docente  
efetivo/a, o que facilita a inserção na área da docência, haja vista que tal estágio tende a ser,  
geralmente, o primeiro contato do/a pós-graduando/a com o trabalho docente no ensino  
superior. Reconhecendo esse aspecto, que não é exclusivo ao curso de Serviço Social, a  
Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) incentiva na Portaria  
nº76, em seu artigo 42, inciso I, a realização do estágio docência, o qual trata-se de atividade  
obrigatória para bolsistas CAPES (Brasil, 2025), sendo o período de um semestre para o  
mestrado e de dois semestres para o doutorado.  
249  
Desse modo, apreendemos conforme o estudo do projeto pedagógico do doutorado de  
Serviço Social da UFRN e de portarias (CAPES/UFRN), que a concepção curricular de estágio  
docência se relaciona aos avanços que ocorreram na política de educação superior postos na  
LDB de 1996 e que orientam a organização dos componentes curriculares dos Programas de  
Pós-Graduação de Instituições de Ensino Superior públicas, ao reconhecerem a necessidade dos  
fundamentos teórico-metodológicos e pedagógicos no processo de formação teórico-prática  
para o trabalho docente.  
A inserção na atividade de estágio docência, reiteramos, envolve a orientação direta do/a  
discente estagiário/a em qualquer que seja o componente curricular, sobretudo aqueles que  
Estágio docência na área de Fundamentos Históricos Teórico-Metodológicos do Serviço Social  
possuam relação com o seu curso e com o seu objeto de pesquisa. Para tanto, o/a discente é  
supervisionado/a por um/a docente efetivo/a responsável pela disciplina, de forma que propicie  
o acompanhamento da atividade docente, as estratégias didático-pedagógicas e o cotidiano de  
sala de aula. O estágio docência não retira o protagonismo e a condução pedagógica do/a  
docente, não sendo permitido, portanto, que o/a estagiário ministre aulas sem a supervisão direta  
do/a docente.  
O estágio docência expressa o compromisso profissional com a formação docente e, de  
modo mais amplo, com o aprimoramento intelectual profissional11, conforme preconizado no  
Código de Ética do/a Assistente Social (1993). Ademais, pode propiciar a análise crítica e  
histórica da realidade social e suas imbricações sociais, políticas e econômicas, com vistas a  
contribuir para a plena expansão e emancipação humanas12, outro princípio previsto nesse  
aparato técnico-operativo profissional (CFESS, 2012).  
Existem dois documentos obrigatórios relacionados ao estágio docência. O primeiro é o  
plano de atuação, o qual é elaborado pelo/a estagiário/a docente, em parceria com o/a  
supervisor/a, de modo a subsidiar o trabalho docente, a partir da proposição de atividades  
coletivas que dialogam com as necessidades pedagógicas dos/as discentes e impulsionam o  
alcance de resultados significativos no que se refere também à construção da própria identidade  
docente. O outro documento diz respeito ao relatório final do estágio docência, construído  
pelo/a estagiário/a com base nas atividades desenvolvidas e nos resultados alcançados no  
componente curricular, sendo posteriormente inserido no Sistema Integrado de Gestão e  
Atividades Acadêmicas (SIGAA) da UFRN13.  
250  
Durante o estágio são enfrentados desafios que explicitam o quanto o debate sobre a  
docência em Serviço Social precisa avançar de modo que abranja as determinações presentes  
na academia e que influenciam a formação docente e o processo de ensino e aprendizagem  
dos/as discentes. Para tanto, a socialização de experiências de profissionais Assistentes Sociais  
que estão na docência é crucial. Sendo assim, a experiência do estágio docência em  
Fundamentos I demonstrou, considerando o envolvimento dos/as discente nas atividades  
didático-pedagógicas realizadas e os resultados conquistados coletivamente, a necessidade de  
dar importância às competências profissionais já acumuladas pelos/as estudantes,  
11  
O aprimoramento intelectual integra o conjunto dos onze princípios fundamentais do Código de Ética do/a  
assistente social: “[...] X – Compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população e com o  
aprimoramento intelectual, na perspectiva da competência profissional; [...]” (CFESS, 2012, p. 130).  
12 A responsabilidade ética para com a plena expansão e emancipação humana se expressa no primeiro princípio  
do Código de Ética de 1996: “I - Reconhecimento da liberdade como valor ético central e das demandas políticas  
a ela inerentes – autonomia, emancipação e plena expansão dos indivíduos sociais; [...]” (CFESS, 2012, p. 121).  
13 Esses documentos estão relacionados às particularidades formativas da UFRN.  
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majoritariamente inseridos no segundo período do curso, para que a ementa do componente  
seja trabalhada articulada a esse primórdio da etapa formativa e possibilite o entendimento dos  
determinantes da gênese do Serviço Social no Brasil e a sua vinculação com a conjuntura da  
década de 1930 em diante.  
No que se refere ao estágio docência em Fundamentos III, identificou-se que os/as  
estudantes, por estarem geralmente no quarto período do curso, possuem um arsenal de  
competências e conhecimentos decorrentes de atividades de pesquisa, extensão ou estágio  
curricular não-obrigatório que colaboram para o ensino sobre o processo de ruptura do Serviço  
Social com o conservadorismo, bem como a construção do Projeto Ético-Político Profissional.  
Entretanto, percebeu-se a necessidade de planejamento e organização dos/as discentes no que  
se refere ao quantitativo de atividades obrigatórias do curso realizadas no semestre.  
Podemos citar ainda algumas estratégias pedagógicas vivenciadas que têm o potencial  
de aprimorar o ensino dos Fundamentos I e III do Serviço Social: plantões pedagógicos para a  
retirada de dúvidas sobre os textos; rodas de conversas que incentivam a participação e o  
protagonismo dos/as discentes ao longo da disciplina; realização de seminários integrados, nos  
quais as turmas exercitam a linguagem enquanto um dos principais instrumentos de trabalho  
do/a Assistente Social; e a elaboração de sondagens de aprendizagem, que permitem identificar  
as principais dificuldades do corpo discente em relação às temáticas que estão sendo trabalhadas  
no componente curricular.  
251  
Pontuamos que no processo de estágio docência, na condição de estagiários/as-docentes,  
vivenciamos desafios como a organização do tempo para a realização de estudos sobre os  
Fundamentos da profissão para o ensino aos/às discentes; a construção do próprio projeto de  
pesquisa do mestrado/doutorado; a legitimidade enquanto estagiário/a docente nos momentos  
de intervenção na sala de aula; e a necessidade de aprendizagem sobre o planejamento  
pedagógico e as técnicas de ensino para a educação superior. Mesmo com esses desafios foi  
possível materializar um conjunto de atividades que qualificam a formação discente, fomentam  
o desenvolvimento de competências pedagógicas no que se refere ao/à pós-graduando/a e  
viabilizam que o trabalho docente amplie os resultados do processo formativo em Serviço  
Social. Ademais, a inserção do/a pós-graduando/a na realidade do trabalho profissional amplia  
qualitativamente as análises que estão sendo desenvolvidas em sua pesquisa, seja de mestrado  
ou de doutorado.  
O estágio docência contribui para a formação docente e para o ensino dos Fundamentos  
a partir da qualificação dos referenciais teórico-metodológicos, do direcionamento ético-  
político e da dimensão operativa do trabalho do/a Assistente Social, ocorrendo a articulação  
Estágio docência na área de Fundamentos Históricos Teórico-Metodológicos do Serviço Social  
entre as três dimensões constitutivas da profissão de Serviço Social que viabilizam o saber  
ensinar enquanto uma competência essencial para o trabalho docente na educação superior.  
Portanto, apesar das particularidades que distinguem os Fundamentos I e III da profissão e as  
experiências de estágio-docência nessas disciplinas, confirmou-se que o corpo discente  
apresenta demandas educacionais diversas que requisitam estratégias didático-pedagógicas  
construídas coletivamente por docentes, estagiário/a e discentes do curso de Serviço Social.  
Nesse sentido, reiteramos a importância do estágio docência e do acolhimento de docentes às  
sugestões e intervenções em sala de aula propostas pelo/a estagiário/a.  
Considerações finais  
A importância do estágio docência no ensino dos Fundamentos se expressa de forma  
dialética na relação entre discentes, docentes e graduandos/as e contribui para que o Serviço  
Social permaneça apreendendo a dinamicidade e contradições complexas da realidade social a  
partir das diversas possibilidades de reflexão e análises resultantes dessa relação dialética.  
Identificamos que as contribuições desse processo formativo para os/as estagiários/as  
docentes se expressam, por exemplo, na oportunidade de revisitar a historicidade e a identidade  
da profissão com maior amadurecimento intelectual e profissional; entender melhor os desafios  
e possibilidades enfrentados durante a graduação, bem como o perfil discente; contribuir para  
a formação da identidade profissional docente com compromisso teórico, ético-político e crítico  
de discentes com a categoria profissional.  
252  
Para os/as discentes da graduação há possibilidades como a de vislumbrar, por meio da  
presença dos/as estagiários/as docentes, que o processo de construção e consolidação da  
profissão continue em curso com as novas gerações, sejam elas de professores e discentes, bem  
como dos/as demais Assistentes Sociais formados/as. Para os/as docentes, tem-se a  
oportunidade de contribuir com o aprimoramento intelectual e profissional do estagiário/a  
docente e de revisar suas estratégias de ensino a partir das contribuições de estagiários/as.  
A partir do estágio docência ocorre um processo de aprendizagem coletiva, uma vez que  
o/a discente de graduação tem a oportunidade de contar com mais um acompanhamento  
pedagógico em suas dificuldades no processo de aprendizagem; o/a pós-graduando/a tem a  
possibilidade de amadurecer suas reflexões acerca do magistério superior; e para o/a docente  
efetivo/a é uma forma de reavaliar o processo de trabalho no/a qual está inserido/a, ou seja,  
sobre a operacionalização das práticas pedagógicas na perspectiva de ampliar a qualidade da  
atuação profissional nessa área. Soma-se a essas possibilidades a pertinência da socialização de  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 231-256, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
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conhecimentos construídos na academia e em outros espaços ocupacionais pelo/a estagiário/a,  
que podem incentivar o interesse dos/as estudantes pela carreira docente, e, desta feita,  
contribuir para a perpetuação do Serviço Social enquanto uma profissão crítica e comprometida  
com a realização de princípios e valores emancipatórios.  
O estágio docência em Serviço Social é fundamental, portanto, para a aproximação do/a  
pós-graduando/a com o trabalho docente e com o cotidiano dessa área de atuação de Assistentes  
Sociais. Além disso, contribui decisivamente no processo de ensino-aprendizagem do corpo  
discente dos cursos de graduação e incentiva a inserção futura do/a estagiário/a docente no  
magistério superior. No âmbito do Serviço Social, o componente curricular Fundamentos  
Históricos Teórico-Metodológicos da profissão configura-se como indispensável para a  
formação e o trabalho profissional nos diversos espaços ocupacionais, demandando do/a  
docente estratégias pedagógicas para a qualificação do seu ensino.  
A experiência formativa discutida neste artigo agrega contribuições para a formação e  
o trabalho profissional na medida em que o/a estagiário/a docente, com base em experiências e  
conhecimentos sobre a profissão, estabelece pontes e mediações com a realidade das principais  
áreas de atuação de Assistentes Sociais, a exemplo da saúde e da assistência social e, ainda,  
utiliza estratégias pedagógicas que facilitam a apreensão dos/as discentes acerca das discussões  
inerentes ao componente curricular de Fundamentos do Serviço Social. Com isso, os resultados  
desta pesquisa demonstraram também a necessidade de ampliação das discussões sobre essas  
experiências de estágio-docência, bem como sobre as particularidades do trabalho docente em  
Serviço Social.  
253  
O fortalecimento do vínculo entre a graduação e a pós-graduação, significa inclusive  
propiciar para o conjunto da classe trabalhadora (a qual compõe majoritariamente o perfil dos/as  
graduandos/as em Serviço Social), a oportunidade de aprofundar seu nível de formação  
educacional, e ampliar as possibilidades de inserção profissional de forma a galgar melhores  
condições de vida e trabalho. Noutras palavras, apreendemos que o estágio docência, em sua  
relação com o ensino dos Fundamentos, pode contribuir para retroalimentar o compromisso da  
categoria profissional com a plena expansão e emancipação humanas.  
Estágio docência na área de Fundamentos Históricos Teórico-Metodológicos do Serviço Social  
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