Perfil dos egressos do projeto Programa de  
Preparação e Educação para a Aposentadoria  
Profile of graduates from the Retirement Preparation  
and Education Program  
Anna Cláudia Rodrigues Alves*  
Estela Saléh da Cunha**  
Ana Clara Aparecida Moreira Alves***  
Renata Emanoelly Policarpo de Almeida****  
Ruth Emanuelle Campos*****  
Resumo: O presente trabalho traz o perfil  
socioeconômico dos egressos dos grupos do  
Programa de Preparação e Educação para a  
Aposentadoria, projeto vinculado ao Programa  
extensionista Polo Interdisciplinar de Ensino,  
Pesquisa e Extensão sobre o Processo de  
Envelhecimento, da Faculdade de Serviço  
Social, da Universidade Federal de Juiz de Fora,  
realizados entre os anos de 2015 e 2019. O perfil  
foi obtido através de avaliações feitas junto a  
esses trabalhadores no período entre janeiro e  
julho de 2022, portanto, durante a pandemia de  
Covid-19, a qual os impactou diretamente na  
construção e fortalecimento de vínculos sociais  
para além dos espaços familiares, diante do  
distanciamento, então, estabelecido. As  
avaliações evidenciaram como a trajetória de  
trabalho desses sujeitos, caracterizada por boas  
condições e acesso a serviços essenciais, lhes  
proporcionou uma velhice mais digna e com  
qualidade de vida, e o projeto contribuiu com  
Abstract:  
This  
study  
presents  
the  
socioeconomic profile of graduates from the  
Programa de Preparação e Educação para a  
Aposentadoria, a project linked to the Polo  
Interdisciplinar de Ensino, Pesquisa e Extensão  
sobre o Processo de Envelhecimento, run by the  
Faculdade de Serviço Social at the  
Universidade Federal de Juiz de Fora, between  
2015 and 2019. The profile was obtained  
through assessments conducted with these  
workers between January and July 2022, during  
the COVID-19 pandemic, which directly  
impacted their ability to build and strengthen  
social ties beyond family settings, given the  
social distancing measures in place. The  
assessments highlighted how these individuals'  
work trajectories, characterized by good  
conditions and access to essential services,  
provided them with a more dignified and high-  
quality old age. The project contributed to  
reflections on their more conscious experience  
of this phase.  
reflexões relativas  
consciente dessa fase.  
à
sua vivência mais  
Palavras-chave: Trabalho; Envelhecimento;  
Keywords: Work; Aging; Retirement; Living  
Aposentadoria; Condições de vida.  
conditions.  
* Universidade Federal de Juiz de Fora. E-mail: annaclaudia.alves@ufjf.br  
** Universidade Federal de Juiz de Fora. E-mail: estela.saleh@ufjf.br  
*** Universidade Federal de Juiz de Fora. E-mail: anaclara.alves@estudante.ufjf.br  
**** Universidade Federal de Juiz de Fora. E-mail: renataemanoelly40@gmail.com  
***** Universidade Federal de Juiz de Fora. E-mail: ruthemanuelle16@gmail.com  
DOI: 10.34019/1980-8518.2026.v26.49719  
Esta obra está licenciada sob os termos  
Recebido em: 06/08/2025  
Aprovado em: 14/01/2026  
Anna Cláudia Alves; Estela Saléh da Cunha; Ana Clara Alves; Renata Emanoelly de Almeida; Ruth Emanuelle Campos  
Introdução  
O presente artigo tem por objeto a análise dos dados do perfil e avaliações dos egressos  
dos grupos socioeducativos do projeto de extensão Programa de Preparação e Educação para a  
Aposentadoria - PPEA, vinculado ao Programa extensionista Polo Interdisciplinar de Ensino,  
Pesquisa e Extensão sobre o Processo de Envelhecimento, da Faculdade de Serviço Social, da  
Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), realizados entre os anos de 2015 e 2019. Esses  
grupos foram desenvolvidos em parceria com uma empresa pública1 da Zona da Mata Mineira  
junto aos seus trabalhadores, e a avaliação destes estiveram previstas nas propostas do PPEA  
aprovadas nos editais da Pró-reitoria de Extensão da UFJF de 2019/2021/2022/2023/20242.  
Os indicadores de avaliação em projetos de extensão envolvem a análise sistemática dos  
resultados e do impacto de suas ações que, no presente projeto, foram qualitativos, construídos  
a partir de um estudo de caso, voltado à compreensão da realidade social desses trabalhadores  
e o impacto da trajetória laboral e do PPEA em seu processo de transição para a aposentadoria.  
Segundo Chizzotti (2000, p. 102), o estudo de caso se constitui em um “[...] marco de  
referência de complexas condições socioculturais que envolvem uma situação e tanto retrata  
uma realidade quanto revela a multiplicidade de aspectos globais, presentes em uma dada  
situação [...]”, aqui, abrangendo a realidade dos egressos do PPEA.  
Sendo assim, a motivação desse estudo se deu pela perspectiva de aprofundar o  
conhecimento da equipe acerca de seu público-alvo e de melhor compreender os aspectos  
relacionados à aposentadoria abordados ao longo dos grupos de PPEA, uma vez que foram  
eleitos como sujeitos desse processo investigativo de avaliação e monitoramento os egressos  
que já se encontravam aposentados à época da avaliação. Trata-se, portanto, do aprofundamento  
teórico de situações que emergem da prática profissional, não sendo revelados dados que  
possam identificar esses sujeitos, com o intuito exclusivamente de educação, ensino ou  
treinamento de alunos de graduação, conforme previsto no artigo 1º, incisos VII e VIII  
349  
respectivamente, da Resolução 510 do Conselho Nacional de Saúde, os quais tratam dos estudos  
que dispensam avaliação pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos  
1 Nossos agradecimentos às autoras Patrícia Teixeira Groppo de Oliveira – responsável pela ação extensionista na  
empresa parceira do projeto de extensão “PPEA”, Camilla Eduarda Santos de Battisti e Maria Eduarda Reis, então,  
estagiárias da empresa, as quais participaram ativamente de todo o processo de pesquisa e elaboração do presente  
trabalho.  
2 Edital 12/2019 - Projetos de extensão de demanda espontânea com a concessão de bolsas e solicitação de apoio.  
Edital 01/2021 – Programas e Projetos de Extensão de Demanda Espontânea, com a concessão de bolsas. Edital  
04/2022 – Programas e Projetos de Extensão de Demanda Espontânea, com a concessão de bolsas. Edital 04/2023  
– PIBIEX – Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Extensão – Demanda Espontânea, com a concessão  
de bolsas.  
Perfil dos egressos do projeto Programa de Preparação e Educação para a Aposentadoria  
Segundo França (2019), o acompanhamento dos participantes de PPEAs é um fator  
determinante para a avaliação e o redimensionamento desses programas, uma vez que o alcance  
de seus objetivos está relacionado à adaptação e bem-estar desses trabalhadores após seu  
desligamento da organização. Dentre as formas de avalição, a autora aponta a realização de  
entrevistas às chefias sobre o aposentável participante do programa, os gestores de outras áreas,  
dos aposentáveis e dos que já se aposentaram; esta última desenvolvida pelo presente projeto.  
Para tanto, adotamos a entrevista semiestruturada como instrumento dessa avaliação, a  
qual trouxe questões referentes aos seguintes aspectos: família e vínculos; trabalho após a  
aposentadoria; tempo livre; saúde; aposentadoria; previdência social e organização financeira;  
aspectos estes, componentes dos módulos de discussão dos grupos do PPEA realizados no  
projeto.  
Segundo Manzini (2004, p. 21), esse tipo de entrevista  
possui um roteiro de perguntas básicas previamente estabelecidas e que fariam  
referência aos interesses da pesquisa. Ela difere da estruturada pela sua  
flexibilidade quanto às atitudes e compreensão do pesquisador, podendo ou  
não alterar as perguntas no decorrer das respostas dadas.  
Ressaltamos que esse processo avaliativo, inicialmente, necessitou sofrer adaptações,  
por ter ocorrido durante o período da pandemia do vírus SARS-CoV-2, causador da COVID-  
19, quando as primeiras abordagens foram realizadas no formato virtual. Importante pontuar  
que com a significativa melhora no cenário da pandemia, a partir do avanço das campanhas de  
vacinação e redução dos casos graves, houve a flexibilização das restrições de circulação social  
pelas autoridades de saúde pública, bem como, a liberação do trabalho presencial na extensão  
pela UFJF. Com esse novo panorama, optamos por oferecer aos trabalhadores a realização do  
projeto, também, de forma presencial na sede da empresa parceira.  
350  
Encerradas as avaliações, compilamos as informações registradas, e assumimos o  
compromisso ético de garantir a proteção da identidade dos egressos que responderam ao  
instrumento avaliativo, a partir da não identificação desses, atribuindo letras aleatórias como  
forma de indicar os trechos transcritos de cada uma das entrevistas; cumprindo, assim, o que  
determina a Resolução 510, de 07 de abril de 2016, do Conselho Nacional de Saúde, em seu  
artigo 3º, inciso VII.  
Com base nessas informações pudemos verificar que a trajetória de trabalho desses  
trabalhadores, caracterizada pela estabilidade, acesso a plano de carreira e benefícios como  
assistência médica e vale-refeição, lhes possibilitou usufruir de um processo de envelhecimento  
mais protegido que o da maioria da população idosa brasileira, ao relatarem seguir em  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 348-370, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Anna Cláudia Alves; Estela Saléh da Cunha; Ana Clara Alves; Renata Emanoelly de Almeida; Ruth Emanuelle Campos  
condições de prover suas principais necessidades nesta fase, bem como de acessar serviços  
essenciais.  
Essas boas condições puderam ser observadas, também, a partir da percepção de sua  
saúde, uma vez que a avaliaram, majoritariamente, como sendo boa ou ótima, mesmo  
reconhecendo a sobrecarga desta em suas despesas, pela utilização de convênios médicos e  
gastos com medicações.  
Outra questão observada foi o impacto da conjuntura sócio-histórica da pandemia na  
vida desses trabalhadores aposentados, sobretudo, na construção e fortalecimento de vínculos  
de sociabilidade para além dos espaços familiares, diante do distanciamento, então,  
estabelecido.  
Sobre o processo de aposentadoria, propriamente dito, a maioria dos egressos relatou  
sentir que tinham informações suficientes sobre o sistema previdenciário no momento de  
solicitação desta. Essa alta porcentagem sugeriu, à princípio, a relação entre acesso à  
informação e boas condições de trabalho vivenciadas, e o pressuposto de que a participação  
desses trabalhadores no PPEA lhes proporcionou um espaço para orientações e recursos  
informativos sobre o processo de aposentadoria, capaz de favorecer uma transição mais  
tranquila para essa fase da vida.  
Isto pois, um dos principais objetivos dos PPEAs é o de  
351  
[...] contribuir com o planejamento do trabalhador para o processo de  
aposentadoria, desde seu ingresso até a fase posterior à aposentadoria, por  
meio de um processo de reflexão, socialização de informações, elaboração e  
execução de ações que despertem atitudes e comportamentos que possam  
promover a qualidade de vida do mesmo, a descoberta dos limites e  
potencialidades e a escolha de alternativas para um novo projeto de vida. Isso  
requer uma atuação interdisciplinar, conhecimento da realidade no que  
concerne ao perfil dos trabalhadores e aos recursos institucionais e  
extrainstitucionais existentes (Miranda, Teixeira, 2020, p. 214).  
São esses requisitos que pautaram as ações do nosso projeto e desenvolvimento desse  
estudo.  
O projeto e seus egressos  
O projeto de extensão PPEA foi criado em 2015 com o objetivo de assessorar  
profissionais e gestores interessados em desenvolver Programas de Preparação e Educação para  
a Aposentadoria - PPEAs em organizações públicas, entidades profissionais e/ou sindicais,  
prevendo seu acompanhamento durante todo o processo de planejamento, execução e avaliação  
destes programas.  
Segundo Zanelli, 2000 (apud Miranda; Teixeira, 2020, p. 206), os PPAs são  
Perfil dos egressos do projeto Programa de Preparação e Educação para a Aposentadoria  
[...] programas de desenvolvimento pessoal que, através de ações educativas,  
visam a estimular comportamentos e atitudes que ajudem a reinterpretar  
valores, conceitos e emoções que contribuam para o bem-estar (Zanelli, 2000).  
Caracterizam-se como multidimensionais, pois abrangem vários aspectos:  
econômicos, identidade, relacionamento familiar, sexualidade, saúde,  
trabalho, esporte, lazer, cultura e outros. Adotam como metodologia  
atividades como palestras, oficinas de vivências etc. Para que obtenham bons  
resultados necessitam do diagnóstico institucional, de pesquisa junto aos  
trabalhadores e treinamento dos profissionais a comporem a equipe do  
programa.  
Desde o seu início, o PPEA conta com uma empresa pública parceira, onde já foram  
realizados seis grupos de preparação e educação para a aposentadoria, com um público total de  
81 trabalhadores participantes. Esse público se constitui no foco do presente trabalho, no qual  
buscamos aprofundar o conhecimento acerca de sua realidade e avaliar o impacto do PPEA e  
de sua trajetória laboral em seu processo de transição para a aposentadoria.  
Para tanto, priorizamos na avaliação os trabalhadores que já se encontravam  
aposentados, no entendimento de que sua vivência desta fase oportunizaria melhores condições  
para a identificação de possíveis contribuições do PPEA em suas realidades.  
Assim, com base nos dados atualizados pela empresa parceira no ano de 2021,  
identificamos 46 egressos aposentados, os quais foram convidados a responder à avaliação do  
projeto. Destes 46, 21 (45%) aceitaram participar, 13 (28%) não puderam ser contatados  
(devido a número incorreto ou ligação não completada/atendida), 8 (17%) recusaram sem  
mencionar justificativa, 3 (7%) estavam impossibilitados por questões de saúde e 1 (2%) não  
tinha disponibilidade de tempo. Destaca-se que os 8 trabalhadores aposentados que não  
apresentaram justificativas para a recusa de participação, levaram-nos a supor alguns potenciais  
motivos para tal, como problemas de saúde - momentâneas ou contínuas, questões de ordem  
cultural, desejo pessoal, ou de ordem socioeconômica, agravadas pelo período pandêmico.  
A “Pandemia de Covid-19”, por sua vez, trouxe impactos em todo o processo de  
avaliação do projeto: da localização dos egressos aposentados e efetividade dos contatos para  
convidá-los às avaliações, a adaptações na realização destas, tendo em vista as medidas de  
afastamento social recomendadas pelas autoridades de saúde pública.  
352  
As bolsistas do projeto e os estagiários da empresa parceira realizaram contato  
telefônico com os trabalhadores aposentados para o agendamento das avaliações e, também, se  
dividiram em duplas para aplicação desse instrumento, a fim de garantir a qualidade na captação  
de informações, implícitas e explícitas. Tais avaliações foram realizadas no período entre  
janeiro e julho de 2022, em sua maior parte, remotamente, sendo utilizada a plataforma online  
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Anna Cláudia Alves; Estela Saléh da Cunha; Ana Clara Alves; Renata Emanoelly de Almeida; Ruth Emanuelle Campos  
de comunicação em vídeo, denominada Google Meet, com uso da ferramenta de gravação de  
tela, para fins de registro e posterior transcrição.  
Com a significativa melhora no cenário da pandemia, a partir do avanço das campanhas  
de vacinação e redução dos casos graves, houve a flexibilização das restrições de circulação  
social pelas autoridades de saúde pública, bem como, a liberação do trabalho presencial na  
extensão pela UFJF. Com esse novo panorama, optamos por oferecer aos trabalhadores a  
realização do projeto, também, de forma presencial na sede da empresa parceira.  
Assim, durante a aplicação dos formulários de avaliação foram utilizados, como  
instrumento auxiliar, aplicativos de gravação de áudio, as quais foram autorizadas pelos  
trabalhadores, para melhor captação de suas falas.  
Os elementos avaliados, por sua vez, envolveram as áreas temáticas abordadas nos  
grupos educativos do PPEA, a saber: família e vínculos; trabalho após a aposentadoria; tempo  
livre; saúde; aposentadoria; previdência social e organização financeira. Foram incluídas  
questões objetivas e subjetivas, com a finalidade de se obter informações sobre a experiência  
de transição do vínculo de trabalho para a aposentadoria entre os entrevistados.  
Concluídas as avaliações, passamos à sua sistematização e análise. Nesse momento,  
observamos que as abordagens realizadas presencialmente forneceram informações mais  
detalhadas sobre as questões propostas em comparação com as realizadas online. No entanto,  
essa diferença não comprometeu a integridade das informações levantadas.  
353  
Com base nestas, observamos, também, o impacto negativo do contexto pandêmico na  
vida dos egressos aposentados, como o adiamento de planos e viagens, a menção ao aumento  
no preço de combustíveis e alimentos, além do comprometimento na construção e  
fortalecimento de vínculos sociais para além dos espaços familiares, em decorrência das  
medidas de distanciamento social.  
Sobre o perfil desses egressos, cabe apresentar que a aposentadoria dos 21 avaliados  
ocorreu no período entre janeiro de 2017 a fevereiro de 2022. Destes, 10 (43%) são do sexo  
masculino e 11 (57%) são do sexo feminino. A respeito da idade, no período da avaliação,  
tinham entre 55 e 72 anos, sendo a maioria na faixa etária entre 61 até 68 anos. Além disso, no  
que se refere às funções que desempenhavam na empresa, 6 (30%) dos entrevistados ocuparam  
cargos de nível superior; 6 (30%) de nível fundamental/médio operacional; 5 (25%) do nível  
médio administrativo; e 4 (15%) do nível técnico. No que diz respeito ao tempo de trabalho na  
instituição, este variou entre 12 e 42 anos, sendo: 4 (19%) com menos de 20 anos; 3 (14%) entre  
20 e 29 anos; 10 (48%) entre 30 e 39 anos; e 4 (19%) com mais de 40 anos.  
Perfil dos egressos do projeto Programa de Preparação e Educação para a Aposentadoria  
Apresentados os dados preliminares de perfil, iremos expor, a partir de uma análise e  
interpretação qualitativa, as questões que estruturaram e possibilitaram o alcance dos nossos  
objetivos neste estudo. A fim de organizar o trabalho interpretativo e a construção de sentido,  
as informações foram agrupadas em torno de algumas categorias analíticas/grupos temáticos,  
quais sejam: Proteção Social e Condições Socioeconômicas; Saúde; Vínculos familiares e/ou  
pessoais e Tempo Livre. Destacamos, entretanto, que para além, ou vinculada a essas, uma  
questão que se compôs como uma categoria de análise importante nessa avaliação são as que  
envolvem as "relações de gênero", que dialogam com todas as demais categorias,  
configurando-se como um elemento transversal aos grupos temáticos tratados. Por essa razão,  
as questões de gênero serão evidenciadas ao longo da exposição dos dados e não em um  
subitem específico.  
Proteção social e condições socioeconômicas  
O envelhecimento não é um processo uniforme, mas sim influenciado por diversos  
fatores sociais, econômicos e institucionais. Essas condições moldam de maneira distinta as  
experiências vividas na velhice pelos indivíduos. Nesse contexto,  
considerando-se que o homem envelhece sob determinadas condições de vida,  
fruto do lugar que ocupa nas relações de produção e reprodução social, não se  
pode universalizar suas características no processo de construção das bases  
materiais da existência, porque os homens não vivem e não se reproduzem  
como iguais, antes, são distintos nas relações que estabelecem na produção da  
sua sociabilidade, principalmente na sociabilidade fundada pelo capital, nas  
quais as desigualdades, pobrezas, e exclusões sociais lhes são imanente e,  
reproduzidas e ampliadas no envelhecimento do trabalhador (Teixeira, 2008,  
p. 30).  
354  
O trabalho desempenha um papel central na construção do ser social e na organização  
da vida, de modo que a interrupção do vínculo empregatício através da aposentadoria acarreta  
implicações significativas na vida dos indivíduos. Isso ocorre por representar “o rompimento  
de vínculos tradicionais, mudanças de costumes e na vida pessoal e social" (Zanelli, 2000 apud  
Miranda; Teixeira, 2020, p. 202). Os egressos do PPEA descrevem o impacto dessa transição,  
da ausência de uma rotina de trabalho, bem como sobre a necessidade de "ocupar o tempo" com  
novas ou outras atividades, através de falas como: A gente que trabalha todo esse tempo tem  
uma rotina diária, e essa rotina muda por completo, e a gente vai tentando se adequar a essa  
nova situação […]” (Homem, MD); “A falta do trabalho existe, mas encontramos trabalho em  
casa, na família, em outros lugares(Mulher, RL); “Sinto falta de trabalhar e tenho pensado  
muito em arrumar alguma função para distrair um pouco(Mulher, AG).  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 348-370, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Anna Cláudia Alves; Estela Saléh da Cunha; Ana Clara Alves; Renata Emanoelly de Almeida; Ruth Emanuelle Campos  
Assim, como a aposentadoria marca, nesta sociedade, o início da velhice (enquanto  
marco temporal ou cronológico), e o acesso a bens e serviços está estruturalmente definido pelo  
lugar social dos sujeitos - trabalhador/capitalista ou ainda, entre os trabalhadores, os melhores  
ou piores remunerados, os que exercem trabalhos mais ou menos precarizados - para uma  
parcela significativa da população, a velhice pode ter um percurso bastante desafiador, visto as  
dificuldades financeiras, limitações de acesso à saúde e a outros serviços essenciais, decorrentes  
da natureza própria do modo de produção, agravada pela precarização dos sistemas de proteção  
social.  
Os trabalhadores abordados foram empregados públicos, com vínculo de trabalho  
regido pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), submetidos ao Regime Geral de  
Previdência Social (RGPS). Esses encontravam-se inseridos em um contexto específico, tendo  
acesso a benefícios decorrentes do vínculo empregatício formal tais como, assistência médica,  
vale-refeição, entre outros, proporcionando melhores condições socioeconômicas durante a  
trajetória laboral. Essa condição possibilitou um processo de envelhecimento mais protegido  
em relação à realidade social da maioria da população idosa brasileira.  
Na avaliação foi possível identificar que 19 (91%) egressos consideraram estar  
financeiramente preparados para a aposentadoria. Essa sensação de segurança financeira pode  
ser explicada por serem trabalhadores formais, sendo esperado que eles tivessem condições de  
trabalho mais estáveis e uma maior proteção no que diz respeito ao seu emprego. Ainda assim,  
embora a maioria dos egressos tenha se sentido financeiramente preparada para a aposentadoria,  
é importante ressaltar que houve aqueles que mencionaram que a aposentadoria envolveria  
redução de gastos e planejamento financeiro.  
355  
Ao questionarmos os egressos sobre o impacto financeiro em sua qualidade de vida ao  
se aposentarem, 10 (48%) relataram não observar mudanças significativas, mantendo o padrão  
de vida anterior, como expresso nas seguintes falas: Eu pensei [sobre preocupação com a  
aposentadoria] porque o meu salário ia diminuir muito, mas optei pela aposentadoria e a minha  
qualidade de vida aumentou muito e é isso que importa e era isso que eu queria(Mulher, SM);  
Não tem impacto, está dentro do meu padrão. Tenho um plano de saúde e casa para morar, não  
sou uma pessoa altamente consumidora, esbanjadora(Mulher, MF).  
Dos sujeitos abordados, 9 (43%) indicaram que houve algum impacto na qualidade de  
vida após a aposentadoria, o que é bastante significativo diante das observações anteriormente  
apontadas e pelos que afirmaram não ter se preocupado com as mudanças trazidas por ela. Tive  
um impacto por conta dos tíquetes [benefício de vale alimentação], porque o salário era livre,  
Perfil dos egressos do projeto Programa de Preparação e Educação para a Aposentadoria  
não precisava gastar com transporte, alimentação […]” (Mulher, VM). Precisei me controlar  
mais, pesquisar mais o preço das coisas. Fiquei mais vigilante com o dinheiro(Homem, IA).  
Esses trabalhadores, em sua maioria, relataram não terem experimentado alterações  
significativas em suas vidas, em especial, na qualidade de seus acessos a bens e serviços.  
Acreditamos que isso se deve à segurança proporcionada pelo exercício do trabalho formal,  
protegido, estável, organizado por um plano de carreira e com disponibilidade de benefícios  
para alimentação, saúde, previdência complementar e outros. Assim, embora reconheçam  
mudanças advindas com a aposentadoria e uma redução no nível de consumo, suas necessidades  
básicas não foram afetadas de forma considerável nesta etapa da vida. Fato que reafirma a  
importância da luta da classe trabalhadora pela manutenção e ampliação de seus direitos.  
Os resultados das avaliações junto aos egressos evidenciam que os trabalhadores que  
desfrutaram de condições de trabalho favoráveis relataram experiências positivas ao se  
aposentarem. Essas boas condições de trabalho proporcionaram uma transição tranquila para a  
aposentadoria e garantiram condições de vida adequadas, o que contrasta com a situação  
enfrentada por grande parte dos aposentados brasileiros. Entre as falas que elucidam as  
experiências positivas, destacam-se algumas: Estou mais leve, o processo tem sido muito  
tranquilo. Apesar de eu ter me organizado e planejado, no início foi uma grande mudança, mas  
agora estou bem adaptada e muito feliz(Mulher, EM); “A aposentadoria está muito boa e eu  
não me arrependo. Tenho mais tempo para cuidar das minhas coisas, do que eu gosto […]”  
(Mulher, NS).  
356  
Nas avaliações realizadas, não foram identificados relatos de endividamento que  
afetassem adversamente a situação financeira dos participantes. Apenas 1 (5%) trabalhador  
mencionou estar com empréstimo em curso, e somente 3 (14%) pessoas relataram despesas  
relacionadas ao pagamento de casa ou apartamento.  
Entre os relatos registrados, verificamos algumas estratégias de complementação de  
renda. Destacamos o caso de 2 (10%) pessoas que mencionaram a compra de imóveis como  
uma forma de complementar a renda através do aluguel e de preservar o valor do seu dinheiro,  
conforme relatado por um dos entrevistados. Vale ressaltar que ambos ocupavam cargos que  
exigiam ensino superior, portanto, mais bem remunerados.  
Ao questionar os egressos sobre seus investimentos financeiros para o futuro, como  
previdência privada, fundos de investimento e outros, verificamos que 13 (62%) trabalhadores  
responderam que sim, têm estratégias de investimentos financeiros. Desses, 4 (19%)  
mencionaram detalhadamente tais investimentos em seus relatos, destacando a previdência  
complementar como um valor adicional ao benefício de aposentadoria do Instituto Nacional  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 348-370, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Anna Cláudia Alves; Estela Saléh da Cunha; Ana Clara Alves; Renata Emanoelly de Almeida; Ruth Emanuelle Campos  
Seguro Social (INSS). Para esses trabalhadores, a previdência complementar é vista como uma  
estratégia para assegurar uma renda estável e confortável na aposentadoria.  
Além disso, destacamos uma preocupação muito comum observada na fala dos egressos  
no que diz respeito às perdas financeiras advindas com a aposentadoria: o fim de benefícios  
como tíquete alimentação/refeição e plano de saúde. Destacamos, neste sentido, os seguintes  
trechos das avaliações: Quando eu estava trabalhando na instituição eu tinha um auxílio do  
tíquete alimentação que era muito bom… e faz muita falta” (Mulher, NS); “Eu senti muita falta  
do meu tíquete, porque era uma coisa que eu tinha que... nem precisava pensar(Mulher, AL).  
Sendo assim, com a ausência desses mínimos sociais, é possível pensarmos um impacto  
direto no bem-estar e na estabilidade financeira dos aposentados e suas famílias.  
Ao resgatarem os motivos decisórios no processo de aposentadoria, os egressos citaram  
o cansaço atribuído ao envelhecimento e à idade alcançada. Relataram não acompanhar mais o  
ritmo ditado no ambiente de trabalho, destacando, também, o fato da inserção no mercado de  
trabalho ter ocorrido de forma precoce, como pontua um dos egressos: Eu estava cansado  
demais, eu comecei a trabalhar muito jovem, era criança praticamente, trabalhei muitos anos  
sem carteira assinada, 37 anos de contribuição, aí eu já estava cansado, queria parar de  
trabalhar(Homem, JB).  
Além das motivações mencionadas, os trabalhadores também abordaram as relações  
familiares. Eles expressaram o sentimento de que era hora de ficarem mais próximos de suas  
famílias e se dedicarem a elas, especialmente, considerando o tempo prolongado fora de casa  
por conta do trabalho. Isso fica nítido no trecho, a seguir: Sentia que não produzia o que eu  
deveria produzir, isso gerava um incômodo e senti que era o momento de cuidar da família,  
porque era o dia inteiro fora de casa(Mulher, MC).  
357  
Ainda no que diz respeito à decisão de se aposentar, destacamos entre os egressos, a  
preocupação em relação às iminentes mudanças nas regras da Política Previdenciária. Essa  
apreensão os levou a buscar sua aposentadoria o mais rápido possível, aproveitando as regras,  
então vigentes, que incluíam critérios como faixa etária, tempo de serviço e outros requisitos  
para o alcance do direito à aposentadoria. Isso fica nítido nos seguintes relatos: Quando teve  
a discussão sobre a reforma da previdência, cheguei a fazer uma simulação, porque não queria  
trabalhar muito tempo a mais e já tinha uma ideia de quando poderia aposentar(Mulher, EM);  
[...] a princípio queria aposentar por tempo de serviço, mas não consideraram. Daí a partir do  
PPEA decidi aposentar, até pelas mudanças que poderiam acontecer no INSS(Mulher, VM).  
Outro aspecto abordado nas avaliações foi o retorno ao mercado de trabalho após a  
aposentadoria. Observou-se que, para a maioria da população brasileira, retomar atividades  
Perfil dos egressos do projeto Programa de Preparação e Educação para a Aposentadoria  
laborais é uma necessidade imperiosa, pois o benefício previdenciário não é suficiente para  
garantir condições básicas de subsistência (Peixoto, 2004). No entanto, a proteção social  
decorrente do vínculo empregatício dos entrevistados assegurou um número reduzido de  
reingressos ao mercado de trabalho, com apenas 2 (10%) participantes afirmando continuar  
trabalhando em outras atividades. Além disso, 1 (5%) entrevistado mencionou não exercer  
atividades laborais, no entanto, foi identificado como membro do Conselho de Administração  
da empresa da qual se aposentou.  
Peixoto (2004) destaca duas principais motivações para o retorno ao mercado de  
trabalho por parte dos aposentados: a necessidade de manter o padrão de vida, incluindo a  
solidariedade familiar, e o trabalho como forma de preencher um vazio social. Esses fatores  
evidenciam a complexidade das decisões de aposentadoria e a importância de políticas públicas  
que possam oferecer um suporte mais robusto para garantir a segurança financeira e o bem-  
estar dos aposentados.  
Importante registrar que 19 (91%) dos egressos relataram sentir que tinham informações  
suficientes sobre o sistema previdenciário no momento de solicitação da aposentadoria. Essa  
alta porcentagem sugere, em primeiro lugar, como já discutido, a relação entre acesso à  
informação e boas condições de trabalho vivenciadas. Ademais, é possível pensar que a  
participação desses trabalhadores no PPEA lhes proporcionou um espaço para orientações e  
recursos informativos sobre o processo de aposentadoria; o que pode ter contribuído para uma  
transição mais tranquila para essa fase da vida, mesmo considerando os potenciais impactos  
financeiros.  
358  
Destacamos que os impactos na saúde também se mostraram presentes nas falas dos  
egressos, visto que, com exceção de um trabalhador, todos afirmaram investir em planos de  
saúde privados, onde 7 (33%) mencionaram que os gastos com esses e com medicamentos  
representavam a despesa que mais pesava em seu orçamento.  
Segundo Teixeira (2008), as ações empresariais na esfera social e econômica têm  
consequências significativas para a sociedade e o Estado. Ao enfatizar as iniciativas privadas  
na oferta de “benefícios” sociais essenciais, como saúde e alimentação, há uma tendência de  
diminuir o papel do Estado como principal provedor desses serviços. Isso enfraquece a  
capacidade do Estado de atender às necessidades básicas da população e garantir um sistema  
de proteção social abrangente.  
Teixeira (2008) destaca que as estratégias empresariais buscam ganhar o apoio dos  
trabalhadores para os interesses do capital, o que resulta na dissimulação dos direitos sociais  
que deveriam ser assegurados pelo Estado. Essa transferência de responsabilidades para o setor  
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Anna Cláudia Alves; Estela Saléh da Cunha; Ana Clara Alves; Renata Emanoelly de Almeida; Ruth Emanuelle Campos  
privado contribui para o mascaramento “[...] da luta de classes e as causas estruturais da  
desigualdade social [...]” (Teixeira, 2008, p. 213). Nesse sentido, a participação das entidades  
privadas na proteção do bem-estar tem como consequência o enfraquecimento dos direitos  
sociais e das políticas universais, diminuindo assim a responsabilidade do Estado em garantir  
um acesso justo e equitativo aos serviços e benefícios.  
Podemos observar que a percepção geral entre os participantes da pesquisa corresponde  
à argumentação apresentada por Teixeira (2008) sobre a mercantilização dos serviços, em que  
a lógica neoliberal busca fortalecer o setor privado através do comprometimento da qualidade  
dos serviços público; o que explica o fato de apenas 1 (5%) trabalhador utilizar o Sistema Único  
de Saúde (SUS).  
Por outro lado, esse fato denota também, apesar da sobrecarga das despesas com saúde  
relatada pelos egressos em seu orçamento, de que estes usufruem de melhores condições de  
aposentadoria em comparação com a maioria dos idosos brasileiros, segundo Melo-Silva (2018  
apud Campelo e Paiva et al., 2021), 75,3% dependem exclusivamente dos serviços prestados  
pelo SUS e 83,1% realizou apenas uma consulta médica nos últimos 12 meses.  
Diante dessa realidade, faz-se necessário enfatizarmos o conceito de determinantes da  
saúde como fatores que atravessam o processo saúde-doença. Trata-se de fatores econômicos e  
psicossociais que influenciam a saúde e bem-estar dos sujeitos, tais como: renda, educação,  
condições de trabalho, suporte social, redes de relacionamento e comunidades, e o próprio  
acesso à saúde, seja através de políticas públicas ou serviços privados. Conforme descreve  
Souza (2013, p. 47):  
359  
As diferenças de saúde entre grupos humanos não podem ser justificadas por  
fatores biológicos; pelo contrário, as diferenças de saúde parecem resultar de  
hábitos e comportamentos construídos socialmente e, principalmente, de  
fatores que estão fora do controle direto do indivíduo ou do grupo.  
Diante do exposto, podemos afirmar, portanto, que o quadro de saúde apontado pelos  
egressos do PPEA está diretamente relacionado ao fato desses sujeitos advirem de um espaço  
laboral que os possibilitou condições econômicas favoráveis e estabilidade no decorrer de suas  
vidas. Uma vez que, as condições econômicas dos idosos refletem-se na sua saúde e no seu  
acesso aos serviços de saúde. As pessoas pobres e de baixa renda, entre elas particularmente os  
idosos, têm piores indicadores de saúde e de capacidade funcional(Aber; Ginn,1993; Diaz,  
2002; Lima-Costa et al., 2003, p. 57 apud Attias-Dofunt, 2004, p. 101).  
Outro ponto observado nesse processo foi a predominância das mulheres em relação a  
uma percepção de boa saúde. Analisando as respostas nas avaliações do projeto, pudemos  
constatar que, dentre os 21 trabalhadores, 5 (24%) destes avaliaram a sua saúde como sendo  
Perfil dos egressos do projeto Programa de Preparação e Educação para a Aposentadoria  
“ótima”, no caso, todas mulheres, 4 (19%) pessoas, como “regular”, sendo todos homens e 12  
(57%) entrevistados consideraram sua saúde como “boa”. Desses 12 trabalhadores, sendo 8  
(67%) mulheres e 4 (33%) homens.  
Segundo Neri (2007), isso se dá pela maior utilização de serviços de atenção primária  
pelas mulheres, em relação aos homens. Uma questão abordada pela autora é a influência dos  
fatores culturais, ao reforçarem os papéis de gênero, que fazem com que muitos homens neguem  
a posição de “vulnerabilidade” associada à doença. A autora também trata sobre o fato de que  
os homens tendem a estar mais na posição de receber cuidados. De modo que pode gerar a  
busca tardia por ajuda profissional, fazendo-o apenas quando os cuidados domésticos já não  
são mais suficientes.  
Em relação à existência de problemas crônicos de saúde, 16 (76%) dos trabalhadores  
afirmaram tê-los, sendo 8 mulheres e 8 homens. Outros 5 (24%) afirmaram não possuir doenças  
crônicas, compreendendo 3 mulheres e 2 homens. Ao buscar saber quais são os problemas de  
saúde crônicos relatados, constatamos que 9 (2 mulheres e 7 homens) citaram diagnóstico de  
Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS); 3 mulheres revelaram problemas na tireoide; outros 3  
(2 mulheres e 1 homem) salientaram possuir o colesterol elevado; 3 (1 mulher e 2 homens)  
possuíam Diabetes Mellitus (DM); e 4 (2 mulheres e 2 homens) relataram problemas  
osteomusculares. Por fim, 1 mulher indicou o diagnóstico de Glaucoma e outra informou o  
diagnóstico de Colangite Esclerosante Primária (comprometimento das funções hepáticas).  
Das questões mencionadas, as mais recorrentes no Brasil nesta faixa etária, segundo  
uma pesquisa organizada pela Iniciativa Saúde Amanhã, em parceria com a Fiocruz, publicada  
no ano de 2023, são HAS e DM. De acordo com essa pesquisa “[...] no caso da hipertensão,  
cerca de 50% dos homens e 60% das mulheres declararam experimentá-la em 2019” (Noronha,  
2023, p. 35).  
360  
Dos 16 (76%) egressos, que possuem problema de saúde crônico, todos afirmaram  
realizar acompanhamento com seu profissional de referência. Dos 21 entrevistados, 13 (62%)  
afirmaram fazer uso de remédios controlados. Verificamos que, dos trabalhadores que fazem  
uso de medicamentos controlados, 4 utilizam antidepressivos ou outras medicações ligadas ao  
tratamento de saúde mental. Destas 4 pessoas, 3 ocupavam cargos de nível superior, sendo 1  
homem e 2 mulheres, e 1 homem ocupava um cargo de nível médio operacional. É importante  
observar que a maior parte das pessoas que relataram sofrimento emocional ocuparam cargos  
de maior demanda burocrática durante a vida laboral.  
De acordo com Robaina (2022), o processo de aposentadoria pode ser desafiador para  
os trabalhadores, especialmente devido à perda dos vínculos sociais e à sensação de inutilidade.  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 348-370, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Anna Cláudia Alves; Estela Saléh da Cunha; Ana Clara Alves; Renata Emanoelly de Almeida; Ruth Emanuelle Campos  
A dificuldade em se adaptar aos novos ritmos da vida fora do mercado de trabalho e em  
encontrar sentido nessa nova fase pode contribuir significativamente para o adoecimento  
emocional e psicológico dos aposentados.  
Contudo, esta não é a realidade manifestada pelos egressos do PPEA. Apesar de alguns  
aposentados terem relatado o uso de remédios para a saúde mental, verificamos que tal fato não  
se vincula diretamente ao processo de sua aposentadoria, pois o uso destes medicamentos  
começou a ser feito enquanto ainda eram trabalhadores ativos na empresa pesquisada. Desta  
forma, as condições de saúde relatadas se relacionam mais às questões de seu processo de  
trabalho, o que pode ser observado na seguinte fala: Eu sempre trabalhei na área operacional  
que é uma área que te estressa muito, tem muita cobrança para todos os lados, é a população  
cobrando, é político cobrando, diretoria cobrando e lidar com 40 funcionários não é fácil  
também(Homem, LC).  
Houve trabalhadores que relataram algumas questões vinculadas ao processo de  
aposentadoria, como perda de alguns vínculos sociais, diminuição da renda ou a perda do  
tíquete, que geraram um certo grau de sofrimento, mas nenhum aposentado relatou estar  
passando por um adoecimento mental desencadeado pelo processo de aposentadoria.  
No início a gente se sente como se tivesse caído do ninho, porque é muito  
tempo trabalhando com muitas pessoas, aquele trabalho contínuo. Há aquele  
pensamento de estar à toa, sem fazer nada, então me sentia culpada no início.  
Mas depois entendi que era um novo ciclo, que era uma consequência de ter  
trabalhado por 40 anos (Mulher, RL).  
361  
Em relação ao autocuidado, as respostas dos egressos foram categorizadas da seguinte  
forma: alimentação saudável; exercícios físicos; exames periódicos; uso de medicações;  
redução do consumo de bebida alcoólica; uso de tabaco; lazer; sono; busca de informação sobre  
a saúde; distanciamento social (devido ao contexto de pandemia); espiritualidade.  
Identificamos 19 (91%) pessoas que citaram alimentação saudável; 10 (48%) pessoas  
exercícios físicos; 4 (19%) pessoas associaram o uso de medicações como estratégia de  
autocuidado; 3 (14%) pessoas citaram a redução do consumo de bebida alcoólica; 2 (10%)  
pessoas o não tabagismo; 2 (10%) mencionaram o lazer, outras 2 (10%) o sono; 1 (5%) pessoa  
falou sobre o distanciamento como estratégia de cuidado pelo contexto da pandemia; 1 (5%)  
alegou buscar informações sobre saúde; 1 (5%) pessoa citou a espiritualidade e 1 (5%) relatou  
a realização de exames periódicos. Nenhum trabalhador mencionou estar em uma situação de  
saúde “ruim” ou “péssima”.  
A análise dessas informações possibilitou uma reflexão acerca das questões que a saúde  
pública brasileira vem passando. Conforme elabora Bravo (2018), mesmo com a criação do  
Perfil dos egressos do projeto Programa de Preparação e Educação para a Aposentadoria  
SUS, que prevê acesso universal, integral e equânime, a política pública de saúde tem sofrido  
uma forte ofensiva que visa o seu sucateamento, buscando promover os serviços privados de  
saúde, o que se intensificou a partir da década de 1990, com a influência do neoliberalismo no  
Brasil. Em razão disso, a saúde pública nacional possui questões centrais, que não foram  
superadas até os dias atuais, como: a lógica macroeconômica centrada na valorização do capital  
financeiro em detrimento da política social, a falta da concepção de seguridade social e,  
principalmente, a mercantilização da saúde.  
Não coincidentemente, uma das questões abordadas por boa parte dos entrevistados  
foram os gastos excessivos com a saúde, o que possibilita um breve “diagnóstico” de como se  
encontra a questão da saúde pública no Brasil. Apenas 4 (19%) pessoas obtêm os remédios pelo  
SUS e 11 (52%) adquirem medicação com recursos próprios (incluindo 2 pessoas que utilizam  
remédios que não são controlados). Como visto, apenas 1 (5%) entrevistado utiliza o SUS como  
referência e se destaca que 1 das 4 pessoas que usam medicação do SUS, acessam o programa  
de medicação de alto custo.  
Além dos aspectos relativos à saúde, também tiveram destaque na análise das avaliações  
as relações estabelecidas com a família, o uso do tempo livre na aposentadoria e aspectos  
relativos aos vínculos estabelecidos pelos entrevistados com grupos para além do núcleo  
familiar. Essas questões serão abordadas no próximo tópico.  
362  
Família, vínculos e tempo livre  
A família desempenha um papel fundamental como categoria analítica em estudos que  
abordam os processos de vida. Nas sociedades, em geral, a família é compreendida, moral e  
formalmente, como fonte primordial de apoio informal, sobretudo, à população envelhecida.  
Na atual Constituição brasileira, inclusive, tal instituição se encontra priorizada em seu artigo  
230: “A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando  
sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar, e garantindo-lhes o  
direito à vida” (Brasil, 1988).  
Nessa perspectiva, a família é requerida como principal agente a assumir o cuidado junto  
a esses membros, o que é reforçado, no Estatuto da Pessoa Idosa (2003), em seu artigo 3°:  
é obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público  
assegurar a pessoa idosa, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à  
vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao  
trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência  
familiar e comunitária (Brasil, 2003).  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 348-370, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Anna Cláudia Alves; Estela Saléh da Cunha; Ana Clara Alves; Renata Emanoelly de Almeida; Ruth Emanuelle Campos  
Diante de tal protagonismo, a família foi abordada ao longo das avaliações com os  
egressos e será apresentada como tema central das questões e reflexões que se seguem, voltada  
à compreensão do papel desses trabalhadores em sua composição e dinâmica familiar, bem  
como à identificação de possíveis mudanças nessa estrutura com o seu processo de  
aposentadoria.  
Sobre essa realidade, Camarano (2004) observou em seus estudos os diferentes formatos  
e arranjos familiares com a presença de pessoas idosas, destacando as composições que variam  
entre casais com filhos e famílias unipessoais, ou seja, idosos que vivem sozinhos. Segundo a  
autora, a autonomia física, mental e financeira dos chefes de família, juntamente com o estado  
conjugal e a independência dos filhos, manifestada pela saída de casa são fatores determinantes  
para essas configurações familiares (Camarano, 2004). Ao proceder à análise dos arranjos  
familiares dos egressos do PPEA, identificamos entre suas composições um padrão semelhante  
ao encontrado por Camarano (2004), visto que dos 21 entrevistados, 7 (33%) residiam  
exclusivamente com os cônjuges, 7 (33%) compartilhavam a residência com os parceiros e  
filhos, 4 (20%) dividiam sua residência com pais e/ou filhos, enteados ou outros parentes,  
havendo a ampliação das famílias e incidência da co-residência, e 3 (14%) viviam em famílias  
unipessoais, sendo todas mulheres.  
Tal aspecto pode estar relacionado ao fato identificado por Motta (2004) de que as  
mulheres foram levadas a lidar melhor com o isolamento social e visualizarem seu espaço e  
privacidade como uma forma de liberdade, autonomia e independência, elementos que lhes são  
privados no decorrer das suas vidas.  
363  
Opção que agora se coaduna também com as necessárias escolhas das  
mulheres atuais como emergentes da sua secular subordinação social: as  
casadas de várias idades que se separaram, geralmente por determinação  
própria, que desejam sossego e autonomia; as idosas que se redescobriram,  
aliviadas, quando viúvas; mas também as que declaram que gostariam de  
morar sós, independentes, mas pelo avançar da idade reconhecem  
dificuldades, como a de poder ter algum problema súbito de saúde sem  
assistência imediata; ou ainda as que são cerceadas pelo cuidado imobilizador  
dos filhos, mas pelo menos guardam o direito de se expressar […] (Motta,  
2004, p. 94).  
Camarano (2004) acrescenta outra configuração familiar presente em situações de  
comprometimento ou ausência de autonomia, seja física, mental ou financeira, por parte, não  
só de idosos, mas também de jovens: a co-residência. Tal configuração se expressa na  
ampliação das famílias de modo a amparar seus membros envelhecidos ou as gerações mais  
jovens em situação de vulnerabilidade social ou de saúde. No caso destas últimas, Camarano  
(2004, p. 146) aponta as seguintes tendências para sua ampliação  
Perfil dos egressos do projeto Programa de Preparação e Educação para a Aposentadoria  
[...] os idosos estão vivendo mais e em melhores condições financeiras e de  
saúde e os jovens estão adiando a idade em que saem da casa dos pais. O  
período em que os filhos passam como economicamente dependentes de seus  
pais tem crescido devido à instabilidade do mercado de trabalho, ao maior  
tempo despendido na escola e à maior instabilidade das relações afetivas.  
Voltando às informações coletadas, verificou-se que dos 21 entrevistados, 4 (19%)  
relataram o compartilhamento dos cuidados com outros membros familiares, enquanto 1 (5%)  
fornecia apoio financeiro a outros entes, como sobrinho-neto.  
Um aspecto a ser ressaltado é o papel socialmente posto a cada sujeito a partir da sua  
identidade de gênero. Nesse sentido, é indubitável que, historicamente, a tarefa do cuidado, na  
maioria dos casos, é atribuída às mulheres, visto que, de acordo com Attias-Donfut (2004, p.  
101):  
Cuidar dos outros faz parte do papel tradicional das mulheres. O surgimento  
da sociedade multigeracional ampliou este papel com o aparecimento de uma  
sociedade “pivô”, que ajuda, ao mesmo tempo, os pais idosos, os filhos e os  
netos. Os homens intervêm duas vezes menos do que as mulheres e,  
geralmente, para realizar tarefas diferentes (menos focalizadas nas atividades  
domésticas e cuidados pessoais).  
Tal fenômeno pode ser observado nos dados analisados, haja vista que, dos 21  
entrevistados, apenas 7 (33%), sendo todas mulheres, relataram morar somente com seus filhos  
e/ou mães, e, 4 (20%) mulheres referiram a necessidade de cuidar de suas mães. Quando me  
aposentei, resolvi, meio de repente, porque estava com minha mãe doente e, então, durante um  
período eu fiquei cuidando dela, fiquei com a vida meio dedicada somente a ela sem ter tempo  
para a minha vida pessoal(Mulher, MP).  
364  
Praticamente, moro com a minha mãe, mas mudamos para a minha casa no  
interior, na roça [...] agora eu tenho mais tempo para conviver com eles  
(familiares), está sendo muito melhor porque agora eu sei a necessidade do  
cotidiano da minha mãe, o que ela precisa. Ela é saudável, mas é hipertensa,  
mas é saudável. Então, poder conviver com a minha mãe é uma dádiva de  
Deus. Muito bom! (Mulher, NS).  
Segundo Cicarelli e Van Soest (2018), na idade madura ou na velhice, as mulheres já  
não têm filhos para cuidar, mas cuidam de netos e, especialmente, de pais ou parentes, que  
necessitam de cuidados contínuos; o que demonstra que pessoas idosas são não apenas  
demandantes, mas também provedoras de cuidado no âmbito de suas famílias e comunidades.  
Tal realidade se confirmou no último Censo Demográfico do IBGE, em 2022, mediante  
a verificação de que as pessoas idosas no Brasil dedicavam cerca de 19 horas por semana em  
trabalhos domésticos e de cuidados não remunerados, valor superior àquele empregado pelas  
pessoas não idosas (16,6 horas semanais). Evidentemente, verificou-se também uma  
desigualdade de gênero considerável nesse sentido, uma vez que as mulheres idosas realizavam  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 348-370, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
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mais trabalho doméstico e de cuidados que os homens da mesma faixa etária, sendo essa  
desigualdade mais expressiva na faixa dos idosos mais novos, de 60 a 69 anos (IBGE, 2022).  
Outro elemento relevante encontrado nas avaliações foi o círculo de convívio dos  
egressos, particularmente, quando questionados: “Além das pessoas que moram com você,  
quem mais da sua família você convive bastante e compartilha de seu cotidiano?” Dos 21  
trabalhadores, 9 (43%) mencionaram conviver com mães, irmãos e cunhados, enquanto 5 (24%)  
citaram a presença de filhos, netos e bisnetos. Outros 5 (24%) indicaram não conviver com  
outros parentes, 1 (5%) relatou convívio com "parentes próximos" e 1 (5%) preferiu não  
responder. Essa realidade ressoa com os achados de Azevedo e Carvalho (2006), em seu  
trabalho sobre o lugar da família na rede social do lazer após a aposentadoria. Nele, as autoras  
sugerem que as redes de relações do lazer na fase da aposentadoria tendem a se concentrar no  
círculo familiar ampliado, o qual inclui filhos adultos, genros, noras e netos, consolidando,  
desta forma, as interações intergeracionais.  
Azevedo e Carvalho (2006, p. 81), observam  
[...] uma redução na expansão da rede social do lazer e aumento de  
seletividade quanto a novas relações. Há uma retração para novos interesses  
em lazeres. Em consequência, o lazer extrafamiliar diminui, ocasionando  
redução das amizades externas, exceto no caso de amigos de longa data.  
A respeito deste dado, as respostas dos egressos à questão objetiva de múltipla escolha:  
“Como está o contato com as pessoas que você se relacionava antes de aposentar?” são bastante  
ilustrativas: 8 (40%) dos entrevistados selecionaram a opção “manteve-se restrito a relações  
familiares”, enquanto 8 (40%) indicou que “criou novos vínculos, a partir da inserção em novos  
grupos”. Além disso, 14 (70%) “mantiveram relações com antigos colegas de trabalho” e 15  
(75%) “mantiveram relações com os mesmos amigos que já possuíam fora do ambiente de  
trabalho”. Desta forma, os dados coletados dos egressos do PPEA evidenciam que as relações  
sociais após aposentadoria tendem a se concentrar na família ampliada, incluindo irmãos,  
cunhados, genros e netos, assim como em amizades duradouras.  
365  
É importante evidenciar o impacto da pandemia da COVID-19 nos dados sobre as  
relações familiares e os vínculos externos. Especialmente considerando o período de  
distanciamento social em que as avaliações foram realizadas. Essa crise sanitária pode ter  
influenciado profundamente as dinâmicas de convivência familiar, fortalecimento dos vínculos  
existentes e formação de novas relações sociais. Além disso, é importante reconhecer que as  
recomendações de distanciamento social pelos órgãos de saúde pública para conter a  
propagação do vírus SARS-CoV-2, podem ter restringido as atividades de lazer e sociabilidade  
para o interior do ambiente do convívio familiar.  
Perfil dos egressos do projeto Programa de Preparação e Educação para a Aposentadoria  
Quando questionados sobre possíveis mudanças na vida familiar devido à pandemia, 18  
(86%) dos 21 trabalhadores responderam afirmativamente, enquanto 3 (14%) relataram não ter  
experimentado mudanças. Aos egressos que responderam positivamente, foi solicitado que  
citassem exemplos dessas alterações.  
A análise das respostas revelou o adiamento de viagens e visitas a familiares como uma  
resposta direta ao contexto da pandemia, devido às restrições de mobilidade e preocupações  
com a segurança durante a crise sanitária. Além disso, para muitos, a utilização de recursos e  
ferramentas virtuais, como redes sociais, chamadas de vídeo e mensagens instantâneas, se  
tornaram uma estratégia para manutenção dos contatos, sobretudo, familiares. Outro elemento  
compartilhado por um contingente menor dos egressos foi o isolamento social, quando  
relataram passar a maior parte do tempo em casa.  
De modo geral, ao serem questionados sobre como está a vida familiar após a  
aposentadoria, 10 (48%) dos trabalhadores responderam que está “ótima”, enquanto outros 10  
(48%) indicaram que está “boa”, e apenas 1 (5%) consideraram “razoável”. Esses resultados  
corroboram com os apontamentos de Azevedo e Carvalho (2006), de que os aposentados  
percebem e vivenciam a aposentadoria de forma prazerosa, pois se sentem "liberados" das  
obrigações profissionais e dos horários, o que lhes permite realizar outras atividades, investir  
nas relações familiares e ter um estilo de vida mais leve e com autonomia. A fala do entrevistado  
M.D. ao descrever como está a vida familiar depois da aposentadoria reafirma esse processo:  
366  
É diferente, porque a gente se acostuma de uma forma, com a rotina fora de  
casa, mas agora a gente fica mais tempo dentro de casa, então muda. Até  
mesmo com a esposa, que também é aposentada já tem um tempo, então, tem  
certas situações que a gente que trabalha o dia todo não vê ou passa batido ou  
só no final de semana. Mas a gente vai tentando e levando, mas no início é  
conturbado, porque não tem o costume do dia a dia, até mesmo com o meu  
filho, às vezes, só via ele no final de semana, porque eu saía de manhã e  
chegava de noite, ele na faculdade ou em outros afazeres e chegava tarde  
também. Mas agora, eu fico mais próximo deles, essa proximidade atual que  
a gente vê que no dia a dia para gente é normal, mas para eles não é (Homem,  
MD).  
Partindo do princípio de que o trabalho é fundamental na vida do sujeito, tanto no seu  
sentido ontológico, quanto pelo tempo de vida que o trabalhador dispõe para tal atividade,  
Robaina (2019, p. 5-6) constata que:  
[...] o trabalho assume mais que o papel de espaço de labuta, mas também  
onde se constrói uma rede de relações interpessoais que em muito supera o  
tempo que o trabalhador pode dedicar-se à convivência familiar, comunitária,  
militância política. Não raro, o trabalho substitui (e fragiliza) esses vínculos.  
A circunstância de que o trabalho substitui e fragiliza os vínculos familiares, de amigos  
e da comunidade é uma realidade vivenciada pela classe trabalhadora, em especial pelas  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 348-370, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Anna Cláudia Alves; Estela Saléh da Cunha; Ana Clara Alves; Renata Emanoelly de Almeida; Ruth Emanuelle Campos  
trabalhadoras mulheres, visto que são atravessadas pela dupla jornada de trabalho - o trabalho  
remunerado e o trabalho doméstico. Além disso, conforme salientado por Robaina (2019), tais  
mulheres lidam com o sentimento de insuficiência, de culpa ao “abandonar” os filhos, de modo  
que, enxergam a aposentadoria como uma oportunidade de “compensar” os filhos pela ausência  
imposta pelo trabalho.  
Tal cenário pode ser observado, de forma concreta, nas falas de duas entrevistadas, ao  
serem questionadas sobre a vida familiar - o convívio - pós aposentadoria:  
Eu não sei se está relacionado a aposentadoria, mas hoje está mais leve a  
minha relação com meu filho. Eu tenho mais disponibilidade de estar com ele,  
de acompanhar as situações, ele está na adolescência. [...] Acho que até na  
relação nossa aqui, porque estou um pouco mais descansada, não tem o pouco  
tempo do trabalho, chega correndo, sai correndo. Então, considero que está  
melhor, se eu estivesse trabalhando estaria pior (Mulher, EM).  
Deu para ficar mais próxima dos meus filhos. Os filhos moravam em Rio das  
Ostras. E com a aposentadoria foi possível visitá-los com mais frequência e  
sem demora e ficar mais com os netos, que atualmente, um possui 10 anos e a  
outra 7 anos (Mulher, AL).  
Considerações finais  
As avaliações com os egressos do PPEA nos permitiram compreender melhor os  
diferentes aspectos da aposentadoria abordados nos grupos socioeducativos do projeto, a partir  
de sua vivência e realidade.  
367  
Em relação às condições socioeconômicas, pudemos verificar que a trajetória exercida  
por esses trabalhadores em uma empresa pública sólida, que preserva a cultura e o imperativo  
legal de manutenção dos quadros pelo caráter público da seleção, lhes garantiu não só a  
estabilidade, mas o acesso a um plano de carreira e benefícios como assistência médica e vale-  
refeição, oportunizando-os usufruir de um processo de envelhecimento mais protegido que o  
da maioria da população idosa brasileira.  
Prova disso, está no fato de que, mesmo com a perda de parte desses benefícios com a  
aposentadoria, os egressos avaliados relataram não ter experimentado alterações significativas  
em suas condições de vida, em especial, na qualidade de seu acesso a bens e serviços. Assim,  
embora reconheçam uma redução no nível de consumo, suas necessidades básicas não foram  
afetadas de forma considerável nesta etapa da vida.  
Outra situação verificada neste grupo de trabalhadores, contrastante à da maioria dos  
idosos brasileiros, diz respeito ao seu retorno ao mercado de trabalho após a aposentadoria, em  
que foram identificados apenas 3 (15%) egressos prosseguindo em atividade remunerada, e sem  
motivações financeiras diretamente para tal. Em complementação a essa informação, cabe-nos  
Perfil dos egressos do projeto Programa de Preparação e Educação para a Aposentadoria  
destacar que não houve relatos de endividamento entre eles, com a afirmação de adoção de  
estratégias de investimentos financeiros pela maioria, sendo a previdência complementar a mais  
citada.  
Ao resgatarem os motivos decisórios para a aposentadoria, os egressos citaram o  
cansaço atribuído ao envelhecimento e à idade alcançada, uma vez que se inseriram  
precocemente no mercado de trabalho.  
Os trabalhadores citaram também as relações familiares entre as principais motivações  
para a aposentadoria, manifestando seu desejo de ficarem mais próximos e se dedicarem às suas  
famílias, além da preocupação frente às iminentes mudanças nas regras da política  
previdenciária brasileira.  
Sobre esse aspecto, enfatizamos que 19 (91%) dos egressos relataram sentir que tinham  
informações suficientes sobre o sistema previdenciário no momento de solicitação da  
aposentadoria. Essa alta porcentagem sugere, à princípio, a relação entre acesso à informação  
e boas condições de trabalho vivenciadas, e o pressuposto de que a participação desses  
trabalhadores no PPEA lhes proporcionou um espaço para orientações e recursos informativos  
sobre o processo de aposentadoria, capaz de favorecer uma transição mais tranquila para essa  
fase da vida.  
Em relação à saúde dos egressos, verificamos que esta abarca boa parte de seus recursos,  
pela utilização majoritária dos convênios para atendimento de suas demandas, revelando a  
tendência privacionista das políticas sociais recentes, mediante a filantropização de seus  
serviços. Tendência esta que impacta diretamente a realidade das famílias, alçando-as a agentes  
de proteção social junto a seus membros, como acontece com 4 (19%) dos 21 trabalhadores  
avaliados, que relataram prestar cuidados a outros membros familiares, e com 1 (5%) que  
afirmou fornecer apoio financeiro a entes próximos.  
368  
Ainda sobre as famílias, é importante ressaltarmos seu protagonismo, também, na  
socialização dos egressos do PPEA, à medida que concentram as redes de relações de lazer  
destes sujeitos. Esse protagonismo pode ter se intensificado por conta do contexto pandêmico,  
vigente à época das avaliações, o qual influenciou profundamente as dinâmicas de convivência  
pelo distanciamento social imposto, com contatos e atividades restritas ao ambiente doméstico.  
A intensificação destas relações, por sua vez, não implicou em potenciais crises  
familiares, pelo contrário. Ao serem indagados sobre como está a vida familiar após a  
aposentadoria, 10 (48%) dos trabalhadores responderam que estava “ótima”, enquanto outros  
10 (48%) indicaram que estava “boa”, e apenas 1 (5%) considerou “razoável”.  
A realidade dos egressos do PPEA mostra como uma trajetória de trabalho com boas  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 348-370, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Anna Cláudia Alves; Estela Saléh da Cunha; Ana Clara Alves; Renata Emanoelly de Almeida; Ruth Emanuelle Campos  
condições e acesso a serviços essenciais promove uma velhice mais digna e com qualidade de  
vida, conforme avaliada pelos idosos do projeto; o que vai ao encontro das considerações de  
Chaves e Aquino (2021, p. 164-165) em que afirmam que “as condições socioeconômicas, em  
conjunto com a trajetória de trabalho, com as possibilidades e impossibilidades de ganhos  
simbólicos, são eixo estruturante da vivência da aposentadoria e dos benefícios angariados  
nessa fase da vida”.  
A própria efetivação do PPEA em seu espaço laboral, respeitando as orientações do  
Estatuto da Pessoa Idosa (2003), expressa esse ganho simbólico, enquanto compromisso  
institucional assumido pela empresa parceira do projeto junto a esses trabalhadores.  
Tais programas se configuram, cada vez mais, em espaços fundamentais para a  
sedimentação de informações e orientações qualificadas acerca dos processos de  
envelhecimento e de aposentadoria, voltadas a instrumentalizar os trabalhadores na construção  
e vivência mais consciente desses processos, frente a um contexto de comprometimento de seus  
direitos sociais.  
Nessa perspectiva socioeducativa, o/a assistente social é chamado a articular as  
dimensões política e pedagógica, com vistas à compreensão crítica e protagonismo político do  
trabalhador e da pessoa idosa, atuantes no controle social e defesa dos seus direitos enquanto  
classe trabalhadora e cidadãos (Miranda e Teixeira, 2020). Perspectiva presente no projeto  
PPEA, ao pautar suas ações no estímulo à reflexão, à troca de vivências e histórias de vida entre  
seus participantes, com sua valorização e reconhecimento enquanto sujeitos políticos, capazes  
de ressignificar os sentidos do trabalho e sua relação com a velhice na construção de novos  
projetos de vida.  
369  
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