Na contramão do amanhã:  
o cenário neoconservador e os rumos do  
Serviço Social brasileiro  
Against the tide of tomorrow: the neoconservative scenario and the  
directions of brazilian Social Work  
Valeria Lucilia Forti*  
Juliana Menezes Mendes Maurício**  
Lidiane de Souza Barros***  
Maria Eduarda da Costa dos Santos****  
Resumo: Este texto oferece reflexões sobre a  
incidência dos contornos contemporâneos –  
Abstract: This article offers reflections on the  
frank impact of contemporary trends - marked  
by the deepening of neo-conservatism,  
reactionaryism and neo-fascism – on the Social  
Work profession and its Ethical-Political  
Project. To this end, it looks at how professional  
subjects have dealt with the rise of conservative  
and neo-fascist tendencies from the point of  
view of academic production. This is a  
theoretical essay anchored in the critical  
approach of the Marxist tradition, based on a  
bibliographical review and analysis.  
marcados  
pelo  
aprofundamento  
do  
neoconservadorismo, do reacionarismo e do  
neofascismo – sobre a profissão de Serviço  
Social e o seu Projeto Ético-Político. Aprecia,  
para tanto, como os sujeitos profissionais têm  
tratado, do ponto de vista da produção  
acadêmica pós-graduada, da ascendência das  
tendências conservadoras e neofascistas. Trata-  
se de um ensaio1  
teórico ancorado na  
abordagem crítica da tradição marxista, com  
base em revisão, análise bibliográficas e  
achados  
iniciais  
de  
projeto  
de  
pesquisa.caracteres); resumo português.  
Palavras-chave: Neoconservadorismo; Serviço  
Keywords: Neoconservatism, Social Work and  
Social e Projeto Ético-Político.  
the Ethical-Political Project  
* Universidade do Estado do Rio de Janeiro. E-mail: vforti17@gmail.com  
** Universidade do Estado do Rio de Janeiro. E-mail: juliana_mmendez@hotmail.com  
*** Universidade do Estado do Rio de Janeiro. E-mail: lidianesouza321@gmail.com  
**** Universidade do Estado do Rio de Janeiro. E-mail: mariafssuerj@gmail.com  
1
A menção à realização de um ensaio significa que, diferentemente de outros gêneros textuais, aqui, nossa  
exposição supõe síntese e, consequentemente, menor aprofundamento da fundamentação teórica (o que não  
significa uma fundamentação rasa, mas sucinta e relevante). Isso, inclusive, decorre de nosso estudo não se  
encontrar em fase conclusiva que viabilize a divulgação de fundamentos assentados em resultados mais potentes.  
DOI: 10.34019/1980-8518.2026.v26.49653  
Esta obra está licenciada sob os termos  
Recebido em: 31/07/2025  
Aprovado em: 18/03/2026  
Valeria Forti; Juliana Menezes; Lidiane de S. Barros; Maria Eduarda da C. dos Santos  
Introdução  
As linhas que se seguem, tendo em conta as possibilidades e limites dos achados da  
nossa investigação em curso, assim como do presente texto, tencionam refletir sobre a  
incidência dos contornos contemporâneos sobre a profissão de Serviço Social e como os  
sujeitos profissionais têm tratado, do ponto de vista da produção acadêmica, da ascendência  
conservadora e neofascista, haja vista a implicação disso em face dos preceitos do atual projeto  
profissional crítico o Projeto Ético-Político do Serviço Social.2 Cabe situar as ponderações  
apresentadas e os dados socializados no bojo das produções do subprojeto de pesquisa em  
curso, a saber, “Neofascismo, realidade brasileira e Serviço Social: um estudo sobre as  
possíveis repercussões na formação e no trabalho do/a assistente social”, vinculado ao projeto  
matriz de pesquisa “Ética, trabalho, direitos e Serviço Social: um estudo no sistema penal”.  
Conseguintemente, este texto visa problematizar o contexto de adensamento do  
conservadorismo e de emergência do neofascismo no Brasil entre os anos de 2016 e 2025, e os  
impactos dessa conjuntura profundamente gravosa na profissão e no projeto profissional crítico,  
culminando com a constituição do que denominaremos de tendência contrarreformista em face  
do denominado Projeto Ético-Político do Serviço Social um tema fulcral aos3 que se dirigem  
à discussão dos fundamentos que orientam a formação e o trabalho dos profissionais da área.  
A esse respeito e inicialmente, em face do contexto abordado, consideramos caber ser  
apreciado que:  
191  
No pensamento de Marcuse (1978; 1981), o extremo conservadorismo  
expresso no fascismo é intrínseco a determinada condição do capitalismo. É,  
por assim dizer, uma expressão “hiper” que pode emergir das inerentes  
contradições capitalistas. Portanto, uma expressão que pode se manifestar no  
nosso solo histórico de origem e trajetória profissional.  
Esse pensamento nos mostra que a manifestação liberal na ordem burguesa só  
é observável se tal ordem não é ameaçada; mas tendo em vista o contrário, ou  
seja, sob ameaça, a face fascista pode emergir, exigindo a unilateralidade do  
pensamento e evidenciando rigidez em suas práticas, haja vista a  
proeminência do combate ao “diferente” em suas múltiplas dimensões,  
visando à manutenção da ordem instituída. Dessa maneira, tendo em conta que  
nem todo movimento reacionário é fascista, assim como não é fascista toda  
forma de repressão exercida em nome da conservação de privilégios de classe  
ou de casta (Konder, 1979, p. 4), e sem nos restringirmos a um conceito de  
fascismo que particularize o fascismo original, além de cientes da distinção  
entre movimento fascista e Estado fascista, os argumentos expostos  
2 Fazemos coro à posição que compreende que o conceito de fascismo – e de neofascismo – não pode ser reduzido  
à ditadura fascista ou ao simples autoritarismo, do mesmo modo que nem todo movimento reacionário e/ou  
autoritário é, automaticamente, fascista. Além disso, compreendemos que a evidência de traços fascistas em dada  
sociedade não supõe, necessariamente, a existência de um Estado fascista.  
3 Ao longo de todo o texto, a referência concerne ao gênero humano. Para evitar uma leitura cansativa ao/à leitor/a,  
não utilizamos a alternância simultânea de gênero. Nossa referência é ao gênero humano, sempre, respeitando e  
valorizando toda a diversidade que este comporta.  
Na contramão do amanhã: o cenário neoconservador e os rumos do Serviço Social brasileiro  
inicialmente remetem-nos aos de Boito (2020), uma vez nos esclarecem que  
o movimento neofascista brasileiro – comumente denominado bolsonarismo  
– emerge da crise da nossa democracia burguesa (Forti et al., 2024, p. 29).  
Neoconservadorismo e neofascismo na periferia do sistema capitalista-mundo:  
reflexões sobre a incidência na realidade brasileira  
A análise da conjuntura sociopolítica não se constitui num elemento de menor  
relevância para uma categoria profissional, porquanto essa categoria não é refratária à realidade  
social e, geralmente, os contornos dessa realidade desafiam os valores construídos e a direção  
profissional assumida. Para a categoria dos assistentes sociais, não é diferente; ao contrário, os  
aspectos conjunturais tornam-se elementos de suma importância, especialmente considerando  
o giro crítico experienciado nas últimas décadas e os princípios que passaram a nortear os  
profissionais desde então princípios que necessitam ser defendidos e preservados.  
Nessa perspectiva, cumpre refletirmos sobre as tendências em curso no cenário  
sociopolítico, com vistas a ponderarmos acerca das possíveis incidências sobre o Serviço Social  
e o seu projeto profissional crítico o Projeto Ético-Político e, conseguintemente, somarmos  
esforços a essa contribuição profissional contra-hegemônica, tendo em vista as forças sociais  
presentes, particularmente na sociedade brasileira.  
À vista disso, cabe recuperarmos um pressuposto dessa discussão, que é o fato de que,  
desde a década de 1990, uma crescente onda neoconservadora paira sobre a política brasileira.  
Podemos considerar que alguns elementos confluíram na direção da escalada neoconservadora  
no Brasil, entre os quais destacamos as crises político-econômicas, a emergência e a  
consolidação do neoliberalismo, bem como a disseminação do pensamento pós-moderno.  
No que se refere aos elementos referidos, há certo consenso que desde os anos 1970, a  
economia mundial tem experimentado uma onda longa recessiva, nos termos mandelianos  
(Mandel, 1982). Em face do cenário de crise estrutural, o capital foi compelido a buscar novas  
estratégias para a retomada dos níveis de acumulação, visando atingir o controle social da  
instabilidade. É nesse cenário que emergiram internacionalmente as respostas neoliberais à  
crise,4 marcadas principalmente por flexibilização do trabalho, liberalização financeira,  
192  
4 O neoliberalismo possui raízes históricas que antecedem a crise de 1970, com forte influência de Friedrich Hayek  
e de sua obra O caminho da servidão (1944). Apesar de, no imediato pós-guerra, suas ideias terem sido ofuscadas  
pelo predomínio das políticas keynesianas, Hayek exerceu grande impacto na formação da Escola Austríaca,  
inspirando gerações subsequentes. A partir da década de 1960, o neoliberalismo passou a se consolidar no meio  
acadêmico, sobretudo por meio das contribuições de Milton Friedman, que progressivamente estendeu sua  
influência ao campo político. Esse processo se materializou, por exemplo, nas administrações de Margaret  
Thatcher no Reino Unido (1979), Ronald Reagan nos Estados Unidos (1981) e Helmut Kohl (1982) na Alemanha.  
Na América Latina, a difusão do neoliberalismo ocorreu de forma mais tardia; o Chile, sob a ditadura de Augusto  
Pinochet (1973), tornou-se o primeiro laboratório dessas políticas após o golpe que depôs Salvador Allende.  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 190-210, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Valeria Forti; Juliana Menezes; Lidiane de S. Barros; Maria Eduarda da C. dos Santos  
desregulamentação econômica e trabalhista, austeridade fiscal, privatização de serviços  
públicos e redução da intervenção do Estado ao menos na esfera social , operando o  
desmantelamento da proteção social.  
Na periferia da economia mundial, mais especificamente no Brasil, a crise econômica  
supracitada se expressou sobretudo na década de 1990. É a partir dos anos 1990 que se tece  
uma conjuntura que, entre outros traços, se delineia pela assunção e propagação do  
neoliberalismo e do pensamento pós-moderno. Diante disso, passam a ser estimulados de  
maneira mais intensiva, em consonância com o constructo neoliberal, valores como o  
individualismo e a competitividade, associados a práticas político-econômicas que visam à  
retração do Estado na esfera social.  
Ademais, em conformidade com o pensamento pós-moderno, verifica-se o adensamento  
do ceticismo em relação às metanarrativas, com uma aposta no relativismo discursivo e na  
fragmentação, como base de um suposto respeito à pluralidade, e com importantes impactos na  
associação coletiva e na luta de classes.5  
Todo esse cenário já tão aflitivo torna-se aprofundado por uma nova etapa da crise  
mundial iniciada em 2008, que evidencia sinais de esgotamento e estagnação das estratégias  
que possibilitaram, ainda que de forma modesta, o aumento das taxas de lucros e a expansão da  
economia capitalista no pós-crise de 1970. Nessas paragens, os efeitos da notável crise  
econômica de 2008 reverberam sobretudo nos anos 2013, desaguando numa grave crise política  
que culminou, no ano de 2016, com o golpe jurídico-midiático desferido contra a presidenta  
Dilma Rousseff. O citado golpe intensificou a crise e a ofensiva neoliberal no país, criando as  
condições objetivas e subjetivas para o avanço do campo abertamente conservador, reacionário  
e neofascista.  
193  
Cabe apontar que embora se observe o robustecimento do pensamento e do discurso  
conservador e reacionário no Brasil nos últimos anos, como abordado, compreende-se que suas  
raízes estão fincadas na própria formação social brasileira. Isso porque é inegável que, desde o  
período colonial, a sociedade brasileira foi estruturada sobre bases autoritárias, escravocratas,  
patrimonialistas e hierarquizadas, moldando um padrão de sociabilidade marcado pela  
5 Sob a influência do pensamento pós-moderno, rechaçam-se as retóricas dos movimentos sociais dos anos 1960,  
uma vez que as singularidades são ocultadas sob discursos e narrativas coletivistas. Nesse campo em  
desenvolvimento, as metanarrativas já não são mais bem-vindas e constrói-se o enfrentamento às verdades ditas  
absolutas, às padronizações, ao progresso linear e ao planejamento racional. A pós-modernidade defende, em  
contraposição, a heterogeneidade, a fragmentação, a indeterminação e a suspeição das narrativas tidas como  
totalizantes (Mauricio, 2019).  
Na contramão do amanhã: o cenário neoconservador e os rumos do Serviço Social brasileiro  
naturalização das desigualdades e pela reação a projetos progressistas e de transformação  
social.  
Nesse sentido, o neoconservadorismo e o reacionarismo contemporâneo brasileiros  
ecoam o apego à ordem, a aversão a alterações sociais substanciais e a defesa de hierarquias  
sociais, intimamente ligados a essa trajetória e seus desdobramentos históricos. Assim, a  
realidade contemporânea, eivada de discursos e práticas neoconservadores e reacionários, longe  
de constituir um marco inaugural, representa a atualização e a reconfiguração dessas tendências  
estruturais diante das crises sociais, econômicas e políticas do presente.  
Em conformidade com o que apontam Menezes, Conceição e Bravin (2025), muito  
embora os referidos traços sejam, lamentavelmente, constitutivos do capitalismo periférico e  
dependente brasileiro, não restam dúvidas que, nos últimos anos, notadamente a partir de 2013,6  
o Brasil ingressou em um novo contexto social, político e econômico que, em virtude da  
gravidade de seus efeitos, requer, obviamente, nossa atenção.  
Iniciado em 2013 e sacramentado em 2016, o novo ciclo político e econômico marca,  
entre outros aspectos, o esgotamento do período identificado como “pacto de conciliação de  
classes”, estabelecido nos anos 2000, inicialmente sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula  
da Silva. Esse novo cenário se desdobrou em contrarreformas profundamente prejudiciais à  
classe trabalhadora, com importante supressão de direitos.  
194  
De modo taquigráfico podemos considerar que a recessão econômica vivenciada no país,  
especialmente a partir de 2014, correspondeu à diminuição do lucro em níveis mundial e  
nacional, nos termos da lei tendencial da queda da taxa de lucro analisada por Marx (2013),  
ainda no século XIX (Menezes; Conceição; Bravin, 2025).  
Ademais, cumpre salientar a relação de reciprocidade entre a infraestrutura e a  
superestrutura num determinado modo de produção. Tal premissa permite compreender que as  
crises superestruturais ou crises políticas estão conectadas às crises econômicas; a partir disso,  
é possível extrair elementos para se depreender a conjuntura de crise política no país que aqui  
mencionamos (Menezes; Conceição; Bravin, 2025).  
À luz do viés anteriormente exposto, em um cenário de recessão econômica, a burguesia  
passou a mobilizar esforços sistemáticos com vistas à recomposição de seus patamares de  
lucratividade, impondo progressivamente gravosas medidas contra a classe trabalhadora. Esse  
6
“Diferentes pesquisadores têm demarcado que o ano de 2013 inaugura um novo ciclo no país, com distintos  
protestos populares, posteriormente capitaneados pela direita nacional. Emergem, na sequência às jornadas de  
2013, dentre outros, a operação Lava Jato, deflagrada pelo Ministério Público Federal; o golpe político-midiático  
contra a presidenta Dilma Rousseff; e a eleição de Jair Bolsonaro, expressando a ascensão da extrema direita no  
país” (Menezes; Conceição; Bravin, 2025, p. 146).  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 190-210, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Valeria Forti; Juliana Menezes; Lidiane de S. Barros; Maria Eduarda da C. dos Santos  
contexto econômico aprofunda a instabilidade política, oferecendo, como já aludido, as  
determinações político-econômicas para a apreensão do golpe jurídico, parlamentar e midiático  
ocorrido em 2016, fornecendo, por conseguinte, as condições favoráveis para o  
aprofundamento das medidas de austeridade almejadas pelas classes dominantes (Menezes;  
Conceição; Bravin, 2025).  
Não obstante os avanços em prol das necessidades da classe trabalhadora, os governos  
do Partido dos Trabalhadores (PT), incluindo o da presidenta Dilma Rousseff, não romperam  
com a condução neoliberal7 avessa aos interesses da classe trabalhadora. Todavia, diante da  
exacerbação da crise, a condução política de natureza moderada, sustentada na conciliação de  
classes, mostrou-se insuficiente, e incompatível com os interesses da elite dominante.8  
O aprofundamento neoliberal que se seguiu ao golpe jurídico-midiático pavimentou o  
terreno sobre o qual floresceram o neoconservadorismo e o neofascismo à brasileira. Quanto  
ao que afirmamos, cabe-nos recorrer ao pensamento de Ianni (1998), ao explicitar que, sob os  
véus do neoliberalismo, recriam-se as condições para a assunção do nazifascismo, haja vista  
que, para a manutenção de políticas austeras e restritivas em termos de direitos, o neofascismo,  
com todo autoritarismo e truculência que requer, apresenta-se como o modus operandi crucial.  
É nesse quadro que analisamos o avanço a passos largos da extrema direita no país, com  
feição neofascista, notadamente com a constituição do bolsonarismo como fenômeno social  
(Boito Jr., 2020) manifesto, especialmente em 2018, a partir da associação entre o  
ultraliberalismo econômico, o conservadorismo moral e o apelo à violência. Esse fenômeno  
refletiu uma conjuntura política marcada pela polarização e pela mobilização de segmentos da  
sociedade que viam e ainda veem nas pautas ultraliberais uma solução para as questões  
econômicas, ao tempo que defendem valores tradicionais, conservadores e reacionários nos  
campos social e moral.  
195  
Evidencia-se, por conseguinte, a radicalização do apelo à violência inclusive nas  
relações interpessoais , do punitivismo e do encarceramento em massa, como formas  
7
“Alguns traços condizentes com o cariz neoliberal das gestões são a desregulamentação financeira, as  
contrarreformas estruturais – como a da previdência – e as políticas sociais compensatórias” (Menezes; Conceição;  
Bravin, 2025, p. 147).  
8 Como expressão desse movimento, evidencia-se que não houve alteração no tocante à Desvinculação de Receitas  
da União (DRU), mecanismo criado originalmente em 1994, durante o governo Itamar Franco, e institucionalizado  
com essa nomenclatura em 2000, com a Emenda Constitucional nº 27. A DRU extraía 20% das receitas da  
seguridade social com o objetivo de assegurar o superávit primário e o pagamento da dívida pública. Atualmente,  
a DRU extrai 30% das mesmas receitas, em virtude do aumento de percentual promovido por uma emenda  
constitucional proposta no ano de 2015, durante o governo Dilma – Emenda Constitucional nº 93, promulgada em  
setembro de 2016. O referido aumento foi mantido pelo governo Temer (2016-2019) e de Bolsonaro (2019-2023)  
e segue sem contestação institucional, já ao final do terceiro governo Lula (Menezes; Conceição; Bravin, 2025).  
Na contramão do amanhã: o cenário neoconservador e os rumos do Serviço Social brasileiro  
apregoadas para o manejo das expressões da “questão social”. Isso vem sendo estimulado e  
incorporado de um modo geral até nas relações interpessoais, particularmente em detrimento  
de alternativas que considerem as políticas sociais como possibilidade pertinente, penalizando  
os trabalhadores pobres e, mais ainda, se pobres pretos.9  
As políticas públicas estatais, desacreditadas socialmente, subfinanciadas e  
precarizadas, padeceram com o aprofundamento da mercantilização e do privilegiamento da  
esfera privada. O saldo disso envolveu e envolve um atendimento deficitário das poucas  
políticas universais existentes, uma crescente focalização das políticas seletivas e o verdadeiro  
enrijecimento das políticas contributivas, que se tornam cada vez mais restritas e excludentes.  
Constitui-se, por conseguinte, um cenário que aprofunda a lógica da responsabilização  
individual e familiar pelas manifestações das expressões da “questão social”, em que as  
políticas sociais reduziram sobremaneira seus potenciais protetivos.  
Considerando os aspectos até aqui abordados, é fundamental esclarecermos que, embora  
o ex-presidente Jair Bolsonaro tenha sido derrotado nas eleições presidenciais de 2022 pelo  
candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, é evidente que as forças político-econômicas e as  
tendências neofascistas não foram eliminadas do cenário nacional. Afirmamos isso com base  
em três argumentos principais: 1) o processo eleitoral de 2022 foi extremamente polarizado,  
expressando o enraizamento, na sociedade brasileira, de visões consoantes às de Jair Bolsonaro,  
culminando numa vitória estreita, baseada numa diferença de apenas 1,72 ponto percentual a  
favor do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fixando-se como a eleição mais acirrada  
desde 1989; 2) o partido que alcançou a maior bancada da Câmara de Deputados, em 2022, foi  
o Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro (Lucena, 2024); 3) os atentados  
ocorridos em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023 ou, como têm sido denominados, a  
“intentona bolsonarista” –, que consistiram em invasões e atos de vandalismo conduzidos pela  
extrema direita nacional contra o Palácio do Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o  
Palácio do Supremo Tribunal Federal.  
196  
Além disso, alguns aspectos presentes no cenário político atual nos fazem considerar a  
manutenção de traços constitutivos do “neofascismo à brasileira”, como o desempenho e a  
posição política dos partidos nas eleições municipais de 2024. Esses resultados revelaram a  
9
Quanto à violência nas metrópoles brasileiras, a pesquisa de Bueno et al. (2024), publicada em 7 de março de  
2024 no Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), referente ao intervalo entre 2015 e 2023, mostra que 10,6  
mil mulheres foram vítimas de feminicídio. Segundo dados noticiados pelo Universo on line (Uol), em referência  
ao Instituto Fogo Cruzado, a região metropolitana do Rio de Janeiro registrou ao menos 601 crianças e  
adolescentes baleados nos últimos sete anos. Desse total, 286 foram atingidos em ações policiais – o que representa  
47,5% (Perez; Neves, 2023).  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 190-210, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Valeria Forti; Juliana Menezes; Lidiane de S. Barros; Maria Eduarda da C. dos Santos  
preponderância de partidos de centro na maior parte do território nacional, o crescimento das  
siglas de direita e o declínio das lideranças de esquerda (Oliveira, 2024). Cabe destacar que,  
nessas eleições, o PL foi a legenda que mais conquistou prefeituras entre os 103 municípios  
com mais de 200 mil eleitores, vencendo em 16 cidades, incluindo quatro capitais: Maceió  
(AL), Rio Branco (AC), Cuiabá (MT) e Aracaju (SE) (Catto, 2024).  
Também temos testemunhado a ascensão de um novo aspirante a “mito”, Pablo  
Marçal,10 que personifica o radicalismo de direita e avança a passos largos entre a massa  
bolsonarista. Afora as movimentações político-eleitorais mas a elas também conectadas ,  
dados sociais corroboram a argumentação aqui apresentada. Em 2024, houve um aumento de  
24% nas denúncias de violações de direitos contra a população em situação de rua no Brasil,  
registradas por meio do canal Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania.  
Patenteia-se a alta não apenas de tentativas de remoção forçada, mas, também, da violência  
contra essa população em todo o país, nos marcos do reaquecimento de práticas higienistas  
institucionalizadas, com destaque para os estados de São Paulo e Santa Catarina, que lideram  
esse tipo de ocorrência (Serafini, 2025).  
Entre os principais traços constitutivos do chamado “neofascismo à brasileira”, cabe  
ressaltar a utilização massiva da internet especialmente das redes sociais como instrumento  
de mobilização e manipulação política, marcada por uma proeminente difusão de fake news e  
teorias da conspiração. Soma-se a isso a adoção sistemática de posturas negacionistas e  
anticientíficas; o anticomunismo virulento; o fundamentalismo religioso de base dogmática;  
um pseudonacionalismo de cunho entreguista, bem como práticas e discursos marcadamente  
antidemocráticos, autoritários, antipopulares e truculentos. Trata-se de um repertório  
ideológico que opera por meio da polarização extrema, da desqualificação do debate racional e  
da construção de inimigos internos, visando deslegitimar instituições, direitos sociais e  
princípios democráticos.  
197  
É um panorama, por assim dizer, lúgubre, que pode afetar a profissão de Serviço Social  
a partir de alguns eixos, entre os quais relevamos a formação e a defesa do projeto profissional  
crítico,11 haja vista a ampliação do quantitativo de profissionais graduados por instituições de  
ensino superior com fins lucrativos (IESs), em formato a distância, bem como o alargamento  
10 Pablo Marçal, filiado ao Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), é empresário, coach, influenciador  
digital e foi candidato à prefeitura de São Paulo nas eleições municipais de 2024. Nessa afirmação não  
desconsideramos que tenha sido condenado.  
11 Estamos convictos de que há outras incidências em andamento, também relevantes e preocupantes para o Serviço  
Social, tais como os impactos sobre a população usuária, cada vez mais empobrecida e com seus direitos violados;  
e os impactos sobre as condições e vínculos de trabalho dos assistentes sociais, cada vez mais, desprovidos de  
insumos básicos e contratados de formas, cada vez mais, precárias e aviltantes.  
Na contramão do amanhã: o cenário neoconservador e os rumos do Serviço Social brasileiro  
do conservadorismo e do reacionarismo nas relações sociais em geral, sobrelevando o anti-  
intelectualismo e o identitarismo e suas expressões nos domínios da profissão. Em linhas  
gerais, já que não é o fulcro deste texto, cabe ser mencionado que a nossa referência ao  
identitarismo não se relaciona à inerente construção/constituição da identidade dos sujeitos,  
mas sim à exacerbação da valorização de determinadas características identitárias, a ponto de  
indicá-las como suficientes à explicação, ou melhor, as determinantes independentemente da  
condição de classe das significativas desigualdades sociais e correspondentes opressões  
intrínsecas à realidade capitalista.  
Esse processo manifesta-se, por exemplo, na movimentação e explanação pública  
ocorrida na última década de sujeitos profissionais12 graduados e em processo de graduação  
que renegam o projeto profissional crítico, reivindicando uma falaciosa e consternadora  
neutralidade profissional, a impertinência dos debates que abordam as classes sociais ou, ainda,  
assumindo, em diversos momentos, uma defesa explícita de uma perspectiva liberal e de  
“direita” política, além de formas, por vezes travestidas, para torná-las mais palatáveis, mas  
que traduzem expressões da extrema direita política.  
Em razão de uma conjuntura complexa e prejudicial, que contém riscos efetivos de  
avanço ainda mais preocupante do pensamento conservador no seio da profissão, avaliamos  
como urgente a reunião de esforços para o enfrentamento de tendências caracterizadas pela  
decrepitude e/ou insignificância teórico-prática, tendo em vista os ganhos inestimáveis do  
processo de ruptura com o conservadorismo profissional13 e a necessidade inconteste de uma  
recorrente reafirmação do projeto crítico do Serviço Social brasileiro.  
198  
Nesse sentido, prosseguiremos com as reflexões em torno do espraiamento das  
tendências contrarreformistas no bojo do Serviço Social, compreendido como resultante de um  
processo social mais amplo, conforme já aludimos.  
12 Detectamos essa aglutinação explícita a partir dos anos 2014, com a criação do grupo virtual “assistentes sociais  
liberais”. Todavia, é a partir de 2016 que esses grupos se fortificam. Estamos nos referindo aqui a uma aglutinação  
mais significativa e explícita em torno de um perfil profissional antagônico ao que se fortaleceu na categoria  
profissional a partir, essencialmente, dos anos 1980, sem desconsiderar que a categoria não é lócus homogêneo e  
que, certamente, posições contrárias à vertente crítica não foram, em momento algum, erradicadas.  
13 Aqui não estamos nos subsumindo a falsas ilusões de que o conservadorismo profissional tenha sido superado,  
por completo, no âmbito do Serviço Social. Referimo-nos à direção assumida pela profissão, sobretudo a partir de  
suas entidades representativas, e pelo arsenal de conteúdo crítico produzido desde então. Evidente que há um  
espraiamento na categoria profissional da perspectiva crítica, contudo sem que se verifique uma certa  
homogeneidade.  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 190-210, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Valeria Forti; Juliana Menezes; Lidiane de S. Barros; Maria Eduarda da C. dos Santos  
Tendências contrarreformistas em face do Projeto Ético-Político do Serviço Social:  
impactos da ofensiva neoconservadora e neofascista no Brasil  
O que buscaremos explorar neste item diz respeito às tendências contemporâneas que  
têm incidido sobre a profissão de Serviço Social e sobre o que se tem denominado de Projeto  
Ético-Político (Crítico do Serviço Social Brasileiro). Consideramos que o percurso trilhado pela  
tendência hoje identificada como tônica contrarreformista em face do referido Projeto Ético-  
Político, tem início num certo conservadorismo que se pode qualificar de retraído ou travestido  
decerto nunca erradicado na profissão. Desse modo, resgatamos alguns aspectos sócio-  
históricos atinentes à profissão de Serviço Social e seus projetos profissionais.  
Ao analisarmos a trajetória e as determinações histórias do Serviço Social brasileiro,  
torna-se evidente um conjunto de transformações experenciadas pela profissão ao longo dos  
anos, como parte da dinâmica social em franco movimento. No bojo dessas transformações, há  
certo consenso de que o projeto profissional crítico, hoje reconhecido como Projeto Ético-  
Político, emergiu e se consolidou a partir das contradições, mobilizações e lutas, e dos  
consequentes desdobramentos daí advindos, sobretudo na transição entre meados de 1960 e  
1980, sob a influência do veio mais crítico da reconceituação profissional latino-americana. No  
Brasil, essas mobilizações tinham como pano de fundo a efervescência do contexto histórico e  
político à época: o cenário de enfrentamento à ditadura militar-civil-empresarial e, logo a  
seguir, de redemocratização.  
199  
Não obstante a relevância histórica do processo de “abertura política” após os longos  
anos de ditadura, e a promulgação da Constituição Federal de 1988, o cenário brasileiro logo  
foi atingido por novas transformações profundas, provocadas pela disseminação do projeto  
neoliberal em nossas latitudes, em conformidade com o já apontado anteriormente. Sob a batuta  
político-econômica neoliberal, diversos entraves à efetivação de direitos tardiamente  
conquistados foram erigidos. A profissão de Serviço Social, bem como seu projeto crítico  
tecido, passou a sofrer os influxos da conjuntura emergente e, consequentemente, a se  
posicionar no campo da resistência ante as ofensivas dirigidas aos trabalhadores e aos direitos  
recém-conquistados.  
Ao mesmo tempo que o Serviço Social avançava em seu acúmulo crítico acadêmico,  
político e interventivo e buscava excisar as chagas do conservadorismo que caracterizaram a  
autoimagem profissional desde a sua longínqua institucionalização no país, a realidade político-  
econômica se alterava substantivamente, despontando progressivamente tendências regressivas  
no mundo do trabalho, no campo dos direitos e das políticas sociais. Tais tendências  
ocasionaram inúmeros tensionamentos, capazes de permitir a perpetuação de um  
Na contramão do amanhã: o cenário neoconservador e os rumos do Serviço Social brasileiro  
conservadorismo retraído que, embora velado, teve o potencial de nutrir concepções retrógradas  
no seio da profissão.  
Nessa perspectiva, evidencia-se nesse cenário, essencialmente, o desenvolvimento de  
duas linhas de tensões: do ponto de vista da formação profissional e do trabalho profissional.  
No que se refere à primeira, Pereira e Souza (2019) nos advertem que, da década de 1990 em  
diante, desenvolveu-se um contexto adverso, marcado por algumas medidas significativas que  
impactaram diretamente a formação em Serviço Social. Entre elas, destaca-se a aprovação do  
Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado (PDRAE), da Lei de Diretrizes e Bases da  
Educação Nacional (LDBEN) e do Plano Nacional da Educação (PNE 2001-2011), além de  
uma multiplicidade de decretos e portarias que contribuíram para o adensamento da  
mercantilização do ensino superior, propiciando a máxima flexibilização da formação e o seu  
efetivo empresariamento. Patenteia-se, desse modo, a expansão acelerada e desmedida das  
instituições de ensino superior privadas mercantis, com a introdução dos primeiros cursos a  
distância, inicialmente, concentrados na formação de professores.14  
No que tange à atuação profissional, apesar de todo o processo de renovação crítica pelo  
qual o Serviço Social passou, a ação profissional vem sendo submetida, com especial destaque  
a partir dos anos 1990, a distintos tensionamentos. Esses tensionamentos incluem, entre outros  
aspectos, a requisição de um perfil profissional polivalente, acrítico e imediatista, compatível  
com os objetivos institucionais, o que comumente se distancia do perfil profissional construído  
e almejado a partir do giro crítico experenciado pela profissão, legatário da aproximação com  
o espectro marxista. Intenciona-se, de diferentes maneiras, esvaziar o trabalho profissional de  
sentido crítico, reduzindo progressivamente as intervenções a tarefas administrativas,  
burocráticas e repetitivas.  
200  
O perfil requisitado, em grande parte afinado às necessidades mercadológicas, se  
expressa, por exemplo, nas diretrizes curriculares que, após importantes alterações nas  
diretrizes formuladas e defendidas pela Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço  
Social (Abepss) em 1996, e revisadas posteriormente em 1999, foram aprovadas pelo  
Ministério da Educação e Cultura (MEC) para o credenciamento e o reconhecimento dos cursos  
de graduação em Serviço Social.  
14 Na atualidade, no âmbito do Serviço Social, de acordo com o emblemático levantamento realizado pelo CFESS  
com base no recadastramento nacional de assistentes sociais entre 2016 e 2019, cerca de ¼ dos profissionais em  
atividade, em 2019, formaram-se na modalidade de ensino a distância ou semipresencial, majoritariamente em  
instituições privadas. Além disso, a maioria (52,97%) de inscritos ativos nos Cress, em dezembro de 2019,  
concluiu a graduação em instituições privadas com fins lucrativos (Cfess, 2022).  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 190-210, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Valeria Forti; Juliana Menezes; Lidiane de S. Barros; Maria Eduarda da C. dos Santos  
Entre os diferentes aspectos alterados destacamos como os mais impertinentes aqueles  
relacionados ao esvaziamento das competências e habilidades técnico-operativas que  
articulavam a ação profissional à investigação, à formação, à gestão e ao planejamento de  
políticas e serviços sociais, o que restringiu, por conseguinte, a imagem do assistente social a  
um mero executor final das políticas sociais. Adiciona-se a isso a supressão da análise crítica,  
a partir da ótica da totalidade social e de todas as referências ao pensamento crítico afeto à  
vertente marxista.  
É no bojo dessas transformações sócio-históricas e das progressivas contradições que  
se avoluma na categoria profissional, pari passu ao acúmulo teórico e ético-político crítico, o  
pensamento conservador, reacionário e contrarreformista, especialmente a partir da segunda  
década dos anos 2000, de forma cada vez menos tímida e encoberta expressando, como já  
sinalizamos, as tendências regressivas em curso na sociedade. Não podemos deixar de salientar  
a infiltração do identitarismo, que captamos como uma distorção no campo da apreciação da  
construção das identidades. Isso tem sido recorrente como expressão do pensamento pós-  
moderno nos domínios do pensamento tido como progressista ou de esquerda15 e não somente  
no interior da profissão , atomizando o debate e ferindo de morte o pensamento crítico  
classista, cuja radicalidade crítica é um importante legado da tradição marxista.  
No rol dos argumentos que constituem as bases do pensamento reacionário e  
contrarreformista em face do Projeto Ético-Político, localizamos a responsabilização do projeto  
crítico do Serviço Social pela suposta não efetividade das intervenções profissionais, pelo não  
reconhecimento profissional, bem como pelo volume de assistentes sociais não absorvidos pelo  
mercado de trabalho, desconsiderando profundamente a realidade econômica e política do país  
e, até, do mundo. Além disso, há a compreensão, equivocada, diga-se de passagem, de que o  
arcabouço normativo profissional Lei de Regulamentação, Código de Ética e Diretrizes  
Curriculares da Abepss estaria defasado.  
201  
É neste quadro objetivo e subjetivo que testemunhamos, como já mencionado, a  
ascensão das tendências contrarreformistas no âmbito do Serviço Social, cujo núcleo se  
constitui, como já visto, a partir do reavivamento e do aprofundamento do pensamento  
conservador remanescente na profissão mutatis mutandis , que se avizinha do reacionarismo  
e do neofascismo espraiado socialmente.  
15 Ao mencionar o avanço do identitarismo no campo progressista ou da esquerda, não estamos desconsiderando  
as múltiplas opressões existentes na sociedade, que assolam objetiva e subjetivamente os sujeitos. Propomos,  
entretanto, uma análise marxista das opressões, que as compreende em sua articulação com a totalidade social, em  
outros termos, com as relações de produção e reprodução da vida social, mediadas fundamentalmente pela luta de  
classes e pela sociabilidade capitalista que engendra e reproduz essas formas de dominação.  
Na contramão do amanhã: o cenário neoconservador e os rumos do Serviço Social brasileiro  
Insta sinalizarmos que neste cenário, muito embora haja linhas de continuidade no que  
se refere à feição conservadora historicamente constituída na profissão, há, indiscutivelmente,  
um conteúdo qualitativamente distinto, que se distancia do anticapitalismo inconsistente de  
outrora e se aproxima, cada vez mais, do pensamento reacionário e neofascista que, por sua  
vez, postula uma abordagem (ultra)neoliberal. Esse conteúdo, mediado pelas tecnologias  
informacionais, encontra terreno fértil na fluidez das redes sociais, permitindo, como já  
apontado, a partir de 2014, mas com maior significância a partir de 2016, a emergência de uma  
movimentação e aglutinação de sujeitos profissionais em grupos com evidente silhueta  
conservadora, autodenominados “Assistentes Sociais liberais”, “Serviço Social e Pluralismo”,  
“Assistente Social de Direita” e “Serviço Social Libertário”.16  
Ainda que tenhamos plena compreensão de que a realidade é dinâmica e que se constitui  
a partir da permanente disputa de classes sociais e de seus projetos sociais, profissionais e suas  
representações, causa perplexidade observar, no campo do Serviço Social, a pública  
reivindicação de um projeto profissional supostamente neutro, apolítico e até, por vezes, a  
explícita defesa de uma vertente político-econômica liberal e de direita, profundamente avessa  
à direção social arduamente constituída e hoje perseguida pelos profissionais reconhecidamente  
mais dotados da nossa área.  
Indubitavelmente, essa aglutinação pública e progressiva ecoa o processo de ascensão  
conservador experimentado nos últimos anos na sociedade brasileira, processo esse que parece  
ter atingido seu clímax com a emergência do bolsonarismo, no bojo do processo progressivo  
de fascistização das relações sociais. É neste cenário que ocorre, também, a propagação, por  
parte do grupo “Serviço Social Libertário”, de uma plataforma denominada “23 teses para  
reformar o Serviço Social”, elaboradas pelo professor Edson Marques Oliveira, graduado em  
Serviço Social e coaching,17 que apregoa o “resgate da identidade e de uma cultura  
202  
16 A página da rede social Facebook autointitulada “Serviço Social Libertário” congrega estudantes, professores/as  
e profissionais e é o grupo mais expressivo dessa tendência conservadora e reacionária. Criada em maio de 2016,  
conta, até julho de 2025, com 6.200 seguidores que, aparentemente, se identificam com a seguinte apresentação:  
“Serviço Social Libertário propõe difundir as ideias liberais, a partir dos principais temas discutidos nas áreas  
sociais, econômicas, políticas e culturais”. A página difunde conteúdos de think tanks e plataformas de direita,  
como o Instituto Liberal de São Paulo (Ilisp) e o Instituto Von Mises Brasil (Silveira, 2022). Além disso, se  
posicionou em favor do ex-presidente Jair Bolsonaro na disputa eleitoral de 2018, assim como reproduziu seus  
conteúdos negacionistas durante a pandemia da Covid-19. Nos últimos quase dois anos, a página não apresentou  
movimentação pública (Serviço Social Libertário, 2016).  
17 Em consonância com sua autodeclaração na Plataforma Lattes, Edson Marques Oliveira é graduado em Serviço  
Social pela instituição privada Faculdade Paulista de Serviço Social e doutor pela Universidade Estadual Paulista  
Júlio de Mesquita Filho. Atualmente é professor associado do curso de Serviço Social da Universidade Estadual  
do Oeste do Paraná – Unioeste, do campus de Toledo-PR. Entre os temas que tem debatido, destacamos:  
empreendedorismo social, responsabilidade social empresarial, formação em Serviço Social EaD, coaching  
executivo – de vida, carreira e social (Oliveira, 2025).  
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Valeria Forti; Juliana Menezes; Lidiane de S. Barros; Maria Eduarda da C. dos Santos  
profissionalizante” (Serviço Social Libertário, 2025). A referida plataforma sintetiza os anseios  
desse segmento e desfere críticas contundentes à direção social defendida pela categoria  
profissional, sob a acusação de doutrinação marxista.  
Ao analisarmos as 23 teses, observamos uma leitura da realidade social balizada por  
correntes conservadoras, leitura esta que reivindica a centralidade no ser humano, abstraído de  
sua inserção social e compreendido como “cliente”, a partir da utilização de referências notáveis  
como Mary Richmond e a Bíblia. Essa perspectiva fragmentária e descontextualizada renega a  
perspectiva de totalidade social em favor de uma abordagem tecnicista e moralista, que enfatiza  
valores tradicionais e uma direção de raciocínio que propaga uma suposta ética profissional  
pautada pela religiosidade.  
Ainda no processo de escrutínio das manifestações desse campo, há outra celeuma  
profundamente harmonizada com as tendências supracitadas, que é a defesa crescente do  
denominado “Serviço Social clínico”. Cabe mencionar que na contramão do direcionamento  
impresso pelas entidades representativas da categoria, foi constituída a Sociedade Brasileira de  
Serviço Social Clínico (SOBSSC), cuja página de veiculação de informações na rede social  
Facebook foi criada em outubro de 2020 (Serviço Social Clínico, 2025) e, ainda nesse ano,  
realizou o seu 1º encontro nacional – intitulado “Encontro Brasileiro de Serviço Social Clínico:  
do mundo para o Brasil/outros olhares para novos horizontes”.  
203  
A referida entidade, cuja presidência, no intervalo entre 2020 e 2024, esteve a cargo,  
também, do professor Edson Marques, defende uma “inovação disruptiva” voltada ao  
reconhecimento da atuação do Serviço Social a partir de abordagens clínicas e  
psicoterapêuticas.18 Nesse sentido, o grupo advoga pela completa revogação da notória  
Resolução do Cfess nº 569, de março de 2010, que dispõe sobre a vedação da realização de  
terapias associadas ao trabalho profissional de assistentes sociais (Cfess, 2010).  
Como produto do 1º Encontro Brasileiro de Serviço Social Clínico (ENBRASSC), foi  
constituído o manifesto Carta de Toledo, que contém dez postulados pautados pela defesa da  
liberdade de expressão, do livre exercício profissional e da produção de conhecimento em  
Serviço Social. O documento requer, entre outros pontos, a citada revogação da Resolução do  
Cfess nº 569/2010; a constituição da Comissão Nacional de profissionais de notório  
conhecimento no âmbito do Serviço Social clínico; e a inclusão dessa área nos espaços  
institucionais da categoria, assim como nos conteúdos formativos de novos profissionais.  
18  
Além de intencionar o espraiamento desse debate no Brasil, a entidade e sua vanguarda têm estabelecido  
interlocução e alianças internacionais. Com vistas à ilustração, citamos que o ENBRASSC contou com expositores  
de países como Argentina, Chile e Canadá (Silveira, 2022).  
Na contramão do amanhã: o cenário neoconservador e os rumos do Serviço Social brasileiro  
Em acordo com o que aponta Silveira (2022), compreendemos que o pluralismo previsto  
em normativas da categoria profissional baliza grande parte das polêmicas atinentes à adoção  
de correntes teóricas por assistentes sociais, bem como ao projeto profissional  
assumido/defendido. Se nos anos 1970, o pluralismo permitiu o questionamento do  
conservadorismo instalado na profissão, na atualidade, reivindicado, serve de argumento para  
a reatualização do conservadorismo. Nessa perspectiva, cabe recuperar alguns elementos acerca  
do vindicado pluralismo.  
O referenciado pluralismo apresenta-se como um princípio nas Diretrizes Curriculares  
da Abepss para os cursos de Serviço Social. Logo, o exercício do pluralismo, nesse sentido, é  
compreendido “como elemento próprio da natureza da vida acadêmica e profissional, impondo-  
se o necessário debate sobre as várias tendências teóricas, em luta pela direção social da  
formação profissional” (Abepss, 1996, p. 7). Ademais, também como um princípio no Código  
de Ética Profissional do Assistente Social vigente, verificamos a “garantia do pluralismo,  
através do respeito às correntes profissionais democráticas existentes e suas expressões  
teóricas, e compromisso com o constante aprimoramento intelectual” (Cfess, 2012, p. 24).  
Sob o viés reconhecido e adotado pela categoria profissional abordada, o pluralismo  
evocado não deve ser confundido com a ausência de parâmetros analíticos, logo, com a  
possibilidade da justaposição, indiscriminadamente, de ideias e correntes teóricas não  
complementares, com vistas ao direcionamento do trabalho e da formação profissional, sob o  
risco de transmutar-se em ecletismo (Forti, 2017).  
204  
Como bem demarca Coutinho (apud Forti, 2017, p. 378):  
O pluralismo no terreno das ciências natural ou social [...] é sinônimo de  
abertura para o diferente, de respeito pela posição alheia, considerando que  
essa posição, ao nos advertir para nossos erros e limites, e ao fornecer  
sugestões, é necessária ao próprio desenvolvimento da nossa posição e, de  
modo geral, da ciência [...]. É uma posição de abertura de quem julga  
fundamental a tolerância para o progresso da ciência, para o enriquecimento  
da própria posição [...], com a certeza de que para cada questão só há uma  
resposta globalmente verdadeira.  
Como sugerido pelo autor referido acima, sob este viés não é pertinente, também, a  
compreensão que se pauta pela existência de verdades, no plural, em oposição a uma única  
verdade, subsumindo, portanto, ao relativismo e à valorização do subjetivismo, em detrimento  
da apreensão efetiva da realidade, a partir de seu desvelamento. Afirmamos isso sem  
desconsiderar a plenitude e a dinamicidade inerente à realidade concreta, um insigne potencial  
de desvelamento das determinações constitutivas do real, permitindo, inclusive, a ascensão da  
aparência à essência.  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 190-210, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Valeria Forti; Juliana Menezes; Lidiane de S. Barros; Maria Eduarda da C. dos Santos  
É nesta linha que nos propusemos refletir e investigar as tendências atuais  
neoconservadoras, reacionárias e contrarreformistas na realidade, em geral, e na profissão, em  
particular,19 haja vista os nexos entre ambas. Em outras palavras, objetivamos investigar a  
conjuntura sócio-histórica contemporânea, seus impactos na profissão de Serviço Social e as  
respostas desses profissionais a este cenário “regressivo”, em termos de produção acadêmica.  
Neste sentido, apresentaremos, a seguir, os achados, iniciais, de pesquisa advindos do  
mapeamento, do levantamento bibliográfico e da análise realizados no que se refere ao tema  
em estudo, a partir da produção pós-graduada da área de Serviço Social no Brasil.  
Metodologicamente, utilizou-se o Catálogo de Teses e Dissertações da Capes (Capes, 2025),  
cujos critérios de inclusão e refinamento utilizados foram: produções de mestrado e doutorado;  
grande área de conhecimento Ciências Sociais Aplicadas e área de conhecimento Serviço  
Social; produções no intervalo entre os anos de 2016 e 2023.20  
A fim de identificarmos em que medida a profissão tem se debruçado, do ponto de vista  
da produção acadêmica na pós-graduação, acerca do fenômeno contemporâneo largamente  
referido neste texto, utilizamos os seguintes descritores: Bolsonaro; bolsonarismo; extrema  
direita; fascismo; neoconservadorismo; neofascismo.  
205  
19  
Como apontamos inicialmente, as reflexões presentes neste ensaio se inscrevem nos marcos do subprojeto de  
pesquisa “Neofascismo, realidade brasileira e Serviço Social: um estudo sobre as possíveis repercussões na  
formação e no trabalho do/a assistente social”, vinculado ao projeto matriz de pesquisa “Ética, trabalho, direitos e  
Serviço Social: um estudo no sistema penal”.  
20 A opção pelo intervalo citado deve-se à compreensão amplamente tratada neste texto: de que temos, no país, um  
novo ciclo político e econômico iniciado em 2013, porém sacramentado em 2016 com o golpe político, jurídico e  
midiático contra a presidenta Dilma Rousseff. Além disso, podemos identificar, por meio das redes sociais, a partir  
de 2014, mas com maior significância a partir de 2016, a emergência da movimentação e da aglutinação de sujeitos  
profissionais em grupos com evidente silhueta neoconservadora e reacionária no Serviço Social. Os dados  
referentes aos anos de 2024 e 2025 ainda não estão disponíveis para consulta no Catálogo de Teses e Dissertações  
da Capes e, por esse motivo, não foram analisados.  
Na contramão do amanhã: o cenário neoconservador e os rumos do Serviço Social brasileiro  
Vejamos nas tabelas a seguir:  
Tabela 1 Dissertações de mestrado da área de Serviço Social no Brasil (2016-2023).  
MESTRADO  
CATEGORIAS  
2016 2017  
2018  
2019  
2020  
2021  
2022  
2023  
Total de dissertações  
gerais Serviço Social  
57  
363  
389  
373  
339  
362  
346  
441  
Neoconservadorismo  
0
2
1
4
2
6
4
7
Extrema direita  
Bolsonaro/Bolsonarismo  
Fascismo  
0
0
0
0
0
0
0
0
1
0
0
0
8
1
0
0
0
2
0
0
5
11  
0
10  
11  
0
7
19  
0
Neofascismo  
0
1
0
Total das categorias  
analisadas  
0
2
2
13  
4
22  
26  
33  
Fonte: Elaboração própria (2025).  
Tabela 2 Teses de doutorado da área de Serviço Social no Brasil (2016-2023).  
DOUTORADO  
CATEGORIAS  
2016  
2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023  
206  
Total de teses gerais Serviço  
126  
137  
161  
157  
115  
129  
153  
154  
Social  
Neoconserva-dorismo  
0
0
0
2
1
4
1
8
Extrema direita  
Bolsonaro/Bolsonarismo  
Fascismo  
1
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
4
1
0
0
0
0
0
0
6
4
0
0
3
4
0
1
4
3
0
0
Neofascismo  
Total das categorias  
analisadas  
1
0
0
7
1
14  
9
15  
Fonte: Elaboração própria (2025).  
Conforme é possível verificar, à medida que avançamos no pós-2016, as produções pós-  
graduadas relacionadas à temática, tanto de mestrado quanto de doutorado em Serviço Social,  
se ampliam. Entretanto, quando comparamos, em ambos os níveis, o total de produções com o  
total daquelas que apresentam os descritores analisados, percebemos um quantitativo pouco  
significativo, o que expressa um investimento ainda exíguo da categoria no enfrentamento do  
tema. Tanto no mestrado quanto no doutorado, o maior número de produções foi registrado em  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 190-210, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Valeria Forti; Juliana Menezes; Lidiane de S. Barros; Maria Eduarda da C. dos Santos  
2023. Todavia, ainda assim, atingiram percentuais inferiores a 10% do total das produções por  
nível, a saber: 7,48% e 9,74%, respectivamente.  
Ademais, cumpre registrar que, em todo intervalo analisado, não foram identificadas  
dissertações e teses que tratassem do tema fascismo, e somente uma dissertação e uma tese  
abordaram o neofascismo, o que evidencia uma menção diminuta da profissão às citadas  
categorias. Encaramos os dados apresentados com apreensão, haja vista estarmos convictos da  
imprescindibilidade de que a categoria profissional conjugue esforços teóricos e ético-políticos  
no combate a esse fenômeno cuja repercussão avaliamos nefasta à produção qualificada  
intelectualmente e ao seu indispensável avanço acadêmico.  
À guisa de considerações finais  
Conforme aludimos, as profissões, em geral, e o Serviço Social, particularmente, não  
são refratárias às tendências em curso, que, inegavelmente, se movem na direção do  
recrudescimento neoliberal, neoconservador e neofascista. É sob esse ângulo que analisamos o  
aprofundamento do pensamento neoconservador e da tônica contrarreformista no cenário  
profissional, com a importante e consternadora adesão progressiva de assistentes sociais e  
estudantes de Serviço Social.  
Evidentemente, adjacentes a essa tendência estão as insuperáveis21 crises político-  
econômicas e seus efeitos danosos para a classe trabalhadora; o arrefecimento das lutas sociais;  
e, notadamente, a precarização da formação profissional num contexto em que, como  
apontamos anteriormente, em 2019, o ensino privado com fins lucrativos já havia superado o  
ensino público na conclusão da graduação em Serviço Social, sem contar na franca expansão  
do ensino a distância e semipresencial na área (Cfess, 2022).  
207  
É inegável que nessa modalidade de ensino se situa o cenário mais desolador no que  
concerne à formação e, em decorrência, à ação profissional, visto que se observa a  
desconsideração sistemática do tripé ensino, pesquisa e extensão; a fragilidade na abordagem  
das dimensões teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa; a debilidade na  
garantia e no acompanhamento das experiências de estágio obrigatório; bem como a inclusão  
de conteúdos afinados ao pensamento liberal, como empreendedorismo social,  
responsabilidade social e empoderamento. Todavia, tampouco podemos desconsiderar a  
evidente desqualificação que vêm enfrentando os sujeitos do ensino público, especialmente em  
21 Referimo-nos à propensão estrutural e ineliminável do capitalismo às crises econômicas.  
Na contramão do amanhã: o cenário neoconservador e os rumos do Serviço Social brasileiro  
áreas que supõem a captação crítica da realidade social para a ação dos seus profissionais, como  
é exemplo o Serviço Social.  
Quanto a isso, cabe uma reflexão aprofundada, em termos da precarização da formação  
profissional, haja vista os distintos e diversos desafios e óbices enfrentados pelas unidades de  
formação acadêmica públicas em Serviço Social, cuja precarização e o desfinanciamento do  
ensino superior são constantes, incidindo de maneira intensa nas condições de trabalho docente  
e de estudo discente. Cabe ainda, recuperar, como já aludido, o espraiamento do pensamento  
pós-moderno, com sua expressão do identitarismo, que tem solapado os movimentos sociais,  
entre eles o movimento estudantil, fragmentando as lutas, prejudicando a associação coletiva,  
turvando e deturpando ainda mais as consciências. Soma-se a isso tudo a onda anti-  
intelectualista fomentada na realidade brasileira, que resulta no rebaixamento da exigência do  
ensino acadêmico e na sua massificação, como se se tratasse de equivalente à democratização  
do ensino superior, contando para isso também com as mensagens distorcidas, que são  
propagadas, amplamente e sem qualquer “filtro” e/ou responsabilidade com o gênero humano,  
pelas redes sociais.22  
Outro aspecto a se ressaltar é a incorporação desenfreada e desmedida da inteligência  
artificial (IA) entre os estudantes de Serviço Social na elaboração de trabalhos, relatórios e até  
de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs), fato que não nos permite, no presente momento,  
dimensionar os impactos na qualidade da formação profissional a médio e longo prazos.  
Avança, ainda, uma nova estética: a dos assistentes sociais influencers, o que, embora  
aparentemente soe como uma forma descontraída de tratar conteúdos profissionais, em última  
escala expressa uma nova tendência de fragilização, superficialidade e ausência de rigor  
teórico-metodológico e ético para a profissão, rigor esse tão caro para a resistência à ofensiva  
do capital, em sua feição (ultra)neoliberal e neofascista.  
208  
Essas determinações supracitadas, de um cenário lúgubre, oferecem desafios de uma  
magnitude que exige habilidade de apreensão da realidade e perspicácia crítica, de modo a  
identificar não apenas os elementos aparentes da conjuntura, mas também suas determinações  
estruturais e mediações ideológicas. Nessa perspectiva, urge prosseguirmos nessa reflexão,  
assumindo como fulcro a capacitação de assistentes sociais que permita, em face das agruras  
da formação profissional no tempo presente e das investidas no mundo do trabalho, ofertar  
conteúdos teóricos críticos e de qualidade, sem, evidentemente, renunciar às lutas coletivas pelo  
fim do ensino profissional a distância, por condições favoráveis de ensino-aprendizagem e por  
22 Por vezes, comprometendo a capacidade de identificação dos reais antagonistas de classe.  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 190-210, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Valeria Forti; Juliana Menezes; Lidiane de S. Barros; Maria Eduarda da C. dos Santos  
condições dignas de trabalho, tendo como horizonte a reafirmação do Projeto Ético-Político e  
a superação da sociabilidade cuja força motriz é o capital.  
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