Atuação do assistente social na educação:  
considerações sobre uma atividade extensionista  
The social worker acting in education:  
considerations on an extension activity  
Mauro Rocha Baptista*  
Jhonatan Antônio Rocha dos Santos**  
Resumo: O artigo toma como base o relato de  
experiência extensionista para analisar  
inserção do/a assistente social no campo  
educacional. Considerando trajetória  
Abstract: This article has as its basis in an  
experience report extensionist to analyze the  
insertion of the social worker in the educational  
field. Considering the conservative trajectory of  
the profession, its critical transformation and  
the importance of its acting committed to the  
a
a
conservadora da profissão, sua transformação  
crítica e a importância de sua atuação  
comprometida com o projeto ético-político. A  
educação é compreendida como campo de  
disputa e mediação da questão social no  
capitalismo, tendo no/a assistente social um  
sujeito coletivo que atua na defesa e efetivação  
de direitos. A aplicação dessa relação é pensada  
a partir da extensão como uma atividade  
proposta para a integração dialógica entre o  
ambiente acadêmico e a comunidade. Não  
significa que a atividade de extensão deva  
substituir a necessária consolidação da presença  
do profissional formado nas escolas, mas que  
ethical-political  
project.  
Education  
is  
understood as a field of dispute and mediation  
of the social issues in the capitalism, in which  
the social worker is a collective subject who acts  
in the defense and realization of the rights. The  
application of this relation is thought from the  
extension as an activity proposed to the  
dialogical integration between the academic  
environment and the community. It does not  
mean that the extension activity should replace  
the necessary consolidation of the presence of  
the professional formed in the schools;  
however, it is a possibility potentially lucrative  
to the undergraduate students and to the school  
community. In this sense, we present, in a  
descriptive way, an ongoing extension activity  
with a reflection about its development.  
ela  
lucrativa para os estudantes da graduação e para  
comunidade escolar. Nesse sentido  
é
uma possibilidade potencialmente  
a
apresentamos, de forma descritiva, uma  
atividade extensionista em execução com uma  
reflexão sobre seu desenvolvimento.  
Palavras-chave: Serviço Social; Educação;  
Keywords: Social Work; Education; Extension;  
Extensão; Questão Social.  
Social Issues.  
* Universidade do Estado de Minas Gerais. E-mail: mauro.baptista@uemg.br  
** Universidade do Estado de Minas Gerais. E-mail: j.roch2007@hotmail.com  
DOI: 10.34019/1980-8518.2026.v26.49637  
Esta obra está licenciada sob os termos  
Recebido em: 30/07/2025  
Aprovado em: 15/04/2026  
Atuação do assistente social na educação: considerações sobre uma atividade extensionista  
Introdução  
A educação é um dos pilares fundamentais de sustentação da democracia e da cidadania,  
precisando ser tratada pelo Estado como uma das mais importantes políticas sociais. Uma vez  
que, a depender dos interesses que subjazem à sua aplicação, também pode refletir um  
importante aparato para a manutenção do status quo. Apesar de toda a sua potencialidade para  
mudança e melhoria, a educação, ao ser negligenciada em seu impacto social, apresenta uma  
face reversa de preservação e limitação de avanços, quando estes ameaçam valores dominantes.  
Neste sentido, a educação mantém uma ambiguidade interna entre a realização de sua potência  
máxima, ou a aplicação simplesmente técnica da reprodução de conhecimentos aprovados. Em  
sua potência máxima ela se depara com a questão social, como algo tão fundamental quanto os  
conteúdos técnicos que precisam ser trabalhados. Para alcançar essa potência máxima a  
educação precisa ser tratada como uma política social que envolve um trabalho multidisciplinar,  
para além dos/as professores/as conteudista e dos/as pedagogos/as, com uma inserção real  
dos/as assistentes sociais nas escolas.  
No Brasil, a trajetória da educação tem sido marcada por contradições históricas,  
permeadas por desigualdades estruturais que refletem os conflitos sociais mais amplos da  
sociedade capitalista. A compreensão da educação enquanto direito social universal demanda  
uma análise crítica de seus fundamentos, avanços e limitações, sobretudo quando articulada à  
atuação de profissionais comprometidos com a efetivação dos direitos humanos, como precisa  
ser o caso dos/as assistentes sociais. Somente com a inserção destes/as profissionais no  
ambiente escolar é que poderíamos falar de uma educação assumindo o seu potencial máximo.  
Mas ainda estamos diante de um cenário em que esta multidisciplinaridade ainda está no campo  
das intenções legais, ainda distante da realidade do chão da escola. Ainda é necessário lutar  
para a efetivação dessa política social.  
372  
Ao longo da história brasileira, o processo de escolarização revelou-se seletivo e  
excludente, priorizando as elites e negando o acesso pleno à classe trabalhadora, à população  
negra, indígena e aos sujeitos em situação de vulnerabilidade. Apesar dos mais recentes marcos  
legais assegurarem a educação como direito fundamental seja de forma geral na Constituição  
Federal de 1988, seja na normatização específica com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação  
Nacional de 1996 o sistema educacional ainda apresenta expressivas desigualdades  
regionais, raciais, sociais e econômicas. Nesse contexto, o Serviço Social surge como área  
estratégica para a mediação das expressões da questão social que é também internalizada no  
espaço escolar.  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 371-389, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Mauro Rocha Baptista; Jhonatan Antônio Rocha dos Santos  
A presença do/a profissional assistente social na escola é o resultado de um longo  
percurso de lutas da categoria, e tem como importante objetivo o enfrentamento das múltiplas  
barreiras que dificultam a permanência e o aproveitamento escolar de milhões de estudantes.  
Para além de práticas assistencialistas ou meramente administrativas, a atuação crítica do/a  
assistente social na educação busca integrar o trabalho pedagógico às condições objetivas de  
vida dos sujeitos escolares, contribuindo para a promoção da equidade, da justiça social e da  
democratização do acesso ao conhecimento.  
Este artigo propõe-se a refletir sobre a atuação do profissional assistente social na  
educação a partir de uma perspectiva crítica, considerando a trajetória histórica do Serviço  
Social no Brasil, considerando suas origens conservadoras e a sua consolidação como profissão  
crítica comprometida com o projeto ético-político. A seguir apresentamos como a atuação nas  
atividades de extensão podem apresentar uma possibilidade de realizar esse projeto de  
integração. E exemplificamos as potencialidades dessa relação dialógica entre o serviço social  
e a comunidade educativa com o relato de experiência de um projeto de extensão que se  
encontra em desenvolvimento em Barbacena na parceria entre a Universidade do Estado de  
Minas Gerais e a Escola Estadual Adelaide Bias Fortes.  
Serviço Social e educação  
373  
O Serviço Social, enquanto profissão, surgiu no início do século XX em resposta às  
novas formas de desigualdade social produzidas pelo avanço do modo de produção capitalista.  
Esse processo de industrialização acelerado gerou intensas transformações sociais, como o  
crescimento das cidades, o êxodo rural, o empobrecimento das massas urbanas e a precarização  
das relações de trabalho. Neste contexto, as chamadas "expressões da questão social" passaram  
a fazer parte da vida cotidiana das populações empobrecidas, e o Estado e a Igreja passaram a  
buscar formas de contenção dessa massa desassistida. A "questão social", como define  
Iamamoto (2007), é a expressão das desigualdades inerentes ao processo de acumulação  
capitalista, manifestando-se nas diversas formas de exclusão e vulnerabilidade social.  
De acordo com Marta von Dentz e Silva (2015), o Serviço Social no Brasil foi fundado  
sob forte influência europeia, especialmente da doutrina cristã, sendo inicialmente uma prática  
auxiliar, moralizante e voltada à normatização das condutas das classes populares. As primeiras  
assistentes sociais atuavam sob a lógica da caridade, subordinadas a médicos e juristas, muitas  
vezes com o objetivo de garantir a ordem social e minimizar os efeitos da pobreza sobre o tecido  
social urbano-industrial. A Igreja Católica exerceu papel central nesse processo, consolidando  
Atuação do assistente social na educação: considerações sobre uma atividade extensionista  
uma atuação moralizadora e disciplinadora, moldada nos valores da fé e da obediência,  
reforçando estigmas e desigualdades.  
A atuação conservadora da profissão estava desvinculada de uma análise crítica da  
realidade social e se baseava em práticas individuais e assistencialistas, distantes de uma  
compreensão da totalidade social. Como observa Iamamoto (1998), o Serviço Social dessa fase  
mantinha-se afastado da crítica às estruturas sociais geradoras da desigualdade, voltando-se  
para a moralização dos comportamentos e para a adaptação dos indivíduos às normas sociais  
vigentes. Era uma profissão legitimada por seu vínculo com a ordem e a estabilidade social,  
sem interrogar os fundamentos econômicos e políticos da pobreza e da exclusão.  
A partir da década de 1960, impulsionado pelo contexto latino-americano de  
efervescência política e teórica, inicia-se o processo de reconceituação do Serviço Social. Esse  
movimento buscou romper com a matriz conservadora e formular uma nova base teórico-  
metodológica, fundada na leitura crítica da realidade social. O ápice dessa transformação se  
consolidou no Brasil na década de 1990, com a elaboração do Projeto Ético-Político  
Profissional, orientado pela defesa intransigente dos direitos humanos, pela radicalização da  
democracia e pela atuação crítica e propositiva junto à classe trabalhadora.  
Esse novo paradigma do Serviço Social se estrutura em três dimensões  
interdependentes: teórico-metodológica, que se refere à base de interpretação crítica da  
realidade; ético-política, que orienta o compromisso da profissão com os valores da justiça  
social, liberdade e equidade; e técnico-operativa, que materializa as ações profissionais no  
cotidiano de forma qualificada e estratégica. Assim, o profissional assistente social deixa de ser  
um agente de reprodução da ordem e se torna um agente de mediação qualificada das expressões  
da questão social, atuando para a transformação das condições de vida da classe trabalhadora e  
para a construção de um projeto societário emancipador.  
374  
De forma semelhante, a educação se apresenta como um dos instrumentos centrais de  
formação humana e de construção da cidadania, embora, em sociedades marcadas por intensas  
desigualdades sociais, como o Brasil, ela também se converta em campo de disputa e  
reprodução das desigualdades. A lógica capitalista, ao instrumentalizar o processo educativo,  
impõe à escola a função de formar a força de trabalho sob os moldes das exigências do mercado,  
subvertendo sua função emancipatória. Segundo Saviani (2008), a política educacional  
brasileira sempre foi marcada por dois limites estruturais: a resistência das elites dirigentes à  
manutenção da educação pública e a descontinuidade das políticas educacionais acionadas pelo  
Estado. Assim, historicamente, o Estado brasileiro se omitiu diante da necessidade de garantir  
à classe trabalhadora uma educação de qualidade.  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 371-389, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Mauro Rocha Baptista; Jhonatan Antônio Rocha dos Santos  
Esse desinteresse com a qualidade é manifesto por Almeida (2015) ao destacar que a  
educação tem sido apropriada como meio de adaptação da força de trabalho às novas exigências  
do capital. Para o autor, a política educacional brasileira está inserida em um modelo neoliberal  
que prioriza a produtividade, a eficiência e a lógica do mérito individual, desconsiderando os  
determinantes estruturais que inviabilizam o acesso e permanência de grande parte da  
população nas escolas. A falsa universalização da educação pública esconde as profundas  
desigualdades no interior do sistema, afetando principalmente as populações negras, indígenas  
e periféricas. Nesse sentido a política de educação brasileira “cumpre uma função econômica  
de adequação das bases de formação técnica da força de trabalho às novas exigências de  
superexploração do trabalho” (Almeida, 2015, p. 68), sendo este um reflexo da subordinação  
da educação à lógica do capital. A preocupação com uma emancipação qualitativa da formação  
dos sujeitos cede lugar a uma produção quantitativa de funcionários que devem executar suas  
funções sem questionamento.  
Se a lógica neoliberal está clara para Almeida, Saviani (2008) retrocede essa  
compreensão ao evidenciar que as políticas educacionais brasileiras raramente assumiram o  
compromisso real com a democratização do ensino, atuando mais como instrumento de  
legitimação da ordem do que como meio de transformação social. Evidenciando que o direito  
à educação tem sido sistematicamente negado às classes populares em função da conivência do  
Estado com os interesses do mercado. A educação brasileira, desde suas origens jesuíticas,  
sempre teve como fundamento maior a formação de uma coletividade dócil, pronta para aceitar  
a submissão ao status quo. Não apenas como uma lógica neoliberal moderna, mas desde sempre  
como uma tendência colonial de apenas servir ao colonizador. Nesse sentido os valores do  
colonizador deveriam ser assumidos como verdadeiros sem nenhuma brecha para discussão.  
Não apenas o mundo do trabalho deveria ser absorvido como uma regra geral, como toda a  
existência deveria ser conduzida pelas noções que estavam sendo implementadas pelos  
educadores sobre os educandos.  
375  
Marta von Dentz e Silva (2015) reforçam essa perspectiva ao afirmar que a história da  
educação no Brasil está atravessada por um “dualismo perverso”, que resulta em dois sistemas  
escolares distintos: um voltado à elite, com acesso ao conhecimento e à formação crítica; e  
outro voltado às camadas populares, com foco em competências básicas e disciplinantes. Essa  
cisão estrutural da educação é um dos mecanismos que perpetua a desigualdade social e racial  
no país. A omissão do Estado frente a garantia da educação como direito social revela a  
permanência de um projeto excludente, que nega à maioria da população a possibilidade de  
desenvolvimento pleno de suas capacidades humanas.  
Atuação do assistente social na educação: considerações sobre uma atividade extensionista  
Se a educação, quando orientada pelos princípios da justiça social, da igualdade e da  
emancipação, pode se converter em instrumento estratégico na superação das desigualdades, a  
presença do/a assistente social nas escolas deve, contribuir para a afirmação da educação como  
direito social e para o enfrentamento das barreiras históricas e estruturais que impedem seu  
acesso universal com qualidade. Tal atuação exige articulação com os diversos segmentos da  
comunidade escolar e compromisso com um projeto societário que reconheça a dignidade de  
todos os sujeitos como condição inegociável para o exercício pleno da cidadania.  
A atuação do Serviço Social na educação não é recente, mas foi somente a partir dos  
anos 1990 que se consolidou como campo de intervenção reconhecido. A promulgação da Lei  
13.935/2019 estabelece, de forma inédita, a obrigatoriedade da presença de assistentes sociais  
e psicólogos nas redes públicas de educação básica. De acordo com o CFESS (2023), essa  
conquista “integra a educação à proteção social e reforça a função pedagógica do/a assistente  
social”, ao mesmo tempo em que evidencia a necessidade de um projeto político comprometido  
com a justiça social. Além da Lei 13.935, a Lei 14.819/2024, que institui a Política Nacional de  
Atenção Psicossocial nas Comunidades Escolares, amplia a possibilidade de ações integradas  
e multiprofissionais nas escolas. Contudo, a efetivação dessas leis exige financiamento  
adequado, formação crítica dos/as profissionais e enfrentamento às resistências institucionais.  
A presença do profissional assistente social nas escolas deve ir além da resposta a  
demandas pontuais ou do atendimento a situações de vulnerabilidade individual. Trata-se de  
uma intervenção pautada pela totalidade social, que articula os diferentes aspectos que afetam  
a vida escolar dos sujeitos: trabalho, moradia, saúde, violência, cultura e pertencimento. O  
CFESS (2023) destaca que “a função pedagógica do/a assistente social contribui para o  
protagonismo infantojuvenil e de suas famílias”, por meio de ações que fortaleçam o acesso e  
a permanência na escola. A atuação crítica do/a profissional deve combater o uso instrumental  
da política educacional, reafirmando a centralidade da educação como direito e não como  
privilégio. Isso exige posicionamento político, produção de conhecimento, defesa da  
intersetorialidade e valorização da dimensão coletiva do trabalho.  
376  
Uma proposta de intervenção na interface entre serviço social e educação  
Uma forma em que a relação entre o Serviço Social e a Educação pode se tornar efetiva,  
independente de outras políticas públicas como aplicação da Lei 13.935/19, é através da prática  
da extensão, atividade que deve assumir 10% da carga horária da formação discente a partir da  
Resolução nº 07/2018 CNE/CES. A partir desta resolução fica estabelecido que a extensão visa  
contemplar elementos que são pressupostos básicos para a formação de todo estudante  
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Mauro Rocha Baptista; Jhonatan Antônio Rocha dos Santos  
universitário: “I- a interação dialógica da comunidade acadêmica com a sociedade por meio da  
troca de conhecimentos, da participação e do contato com as questões complexas  
contemporâneas presentes no contexto social” (Brasil, 2018, Art. 5). Ou seja, a formação  
acadêmica não pode estar distante da realidade social.  
O contato do estudante com a comunidade é fundamental para que sua formação não se  
torne fruto de uma teoria abstrata, calcada em leituras anacrônicas. É no contato com o contexto  
social que as bases de formação teórica podem ser adaptas para a realidade contemporânea,  
inclusive revisando metodologias sempre que a realidade se torne imperativa sobre o referencial  
pressuposto.  
Este primeiro aspecto da legislação se faz tanto mais necessário quanto mais rápido se  
torna a mudança do contexto social. Teorias apresentadas para o início do século já se  
demonstram desarticuladas com a prática atual. No contexto educacional é necessário pensar,  
por exemplo, o impacto da inteligência artificial para as metodologias de pesquisa dos  
estudantes, algo que não poderá ser encontrado nos manuais, mas que precisa ser acompanhado  
no contato com a realidade, inclusive com a mediação do assistente social que conseguirá tratar  
da diversidade de acesso dos estudantes aos meios de pesquisa.  
Todo o contato com a comunidade apresenta benefícios significativos na formação do  
estudante, ao mesmo passo que a presença destes estudantes atuando junto à população pode  
sanar algumas de suas necessidades mais prementes. Como essa troca dialógica permite o  
crescimento das duas partes, a resolução ainda aprofunda mais o impacto sobre o discente ao  
afirmar que a partir da extensão é possível contemplar: “II - a formação cidadã dos estudantes,  
marcada e constituída pela vivência dos seus conhecimentos, que, de modo interprofissional e  
interdisciplinar, seja valorizada e integrada à matriz curricular” (Brasil, 2018, Art. 5).  
Para além da formação técnica, todo discente deve se formar para a exercer suas funções  
com a plenitude de cidadania, ao que os redatores da resolução submetem a formação marcada  
pela vivência dos saberes em uma comunhão interprofissional e interdisciplinar. Não é possível  
alcançar uma formação integral e cidadã dissociada das outras profissões e disciplinas que  
formam a vida em comunidade. Nenhum profissional poderá exercer suas atividades em  
isolamento, muito menos sem ter para onde direcionar suas práticas.  
377  
Neste sentido, a prática extensionista do Serviço Social em integração com o ambiente  
escolar permite a confluência com profissionais de outras áreas e com uma diversidade de  
formação considerável. O contato com a equipe escolar é por si um contato interdisciplinar e  
interprofissional, a partir do qual o estudante pode colaborar com seu olhar peculiar sobre a  
questão social que envolve o entorno do estudante para além de seu comportamento dentro da  
Atuação do assistente social na educação: considerações sobre uma atividade extensionista  
escola. O mundo do trabalho, moradia, saúde, violência, cultura e pertencimento, estão  
constantemente se mesclando e invadindo o ambiente escolar dos educandos, muitas das vezes  
sem que os profissionais que se restringem a este ambiente como mundo do trabalho percebam.  
A contribuição dos assistentes sociais neste sentido pode abrir horizontes, não apenas em  
relação à compreensão das interdependências entre estes mundos para os estudantes, como  
também para os próprios profissionais.  
À medida que o discente compreende sua formação como cidadã, ele tende a se tornar  
também um propagador de cidadania. A vivência de sua formação em integração com as demais  
profissões e disciplinas se torna propagadora destes elementos de valorização da prática em seu  
contexto social. Como agente transformador de si mesmo e da comunidade com quem entra em  
contato, a resolução reconhece que isso se reverte, até mesmo para a própria instituição  
superior: “III - a produção de mudanças na própria instituição superior e nos demais setores da  
sociedade, a partir da construção e aplicação de conhecimentos, bem como por outras atividades  
acadêmicas e sociais” (Brasil, 2018, Art. 5).  
Com este terceiro elemento a resolução pretende fechar um círculo virtuoso em que o  
discente vai até a comunidade para ampliar sua formação teórica na prática, cria um ambiente  
de formação cidadã que favorece tanto a si mesmo como a comunidade que o recebe, e retorna  
para a universidade oxigenando e ampliando seus conhecimentos. O mundo atual não pode  
tratar o conhecimento como algo que esteja cristalizado, esse constante contato com a  
comunidade faz com que a realidade seja constantemente revisitada e que a universidade se  
coloque em um contexto de reconhecimento de seu papel de promotora de discussão, mas não  
como detentora do conhecimento isolado em uma torre de marfim.  
378  
Ao realizar o retorno para a universidade, prenhe de suas novas experiências, o discente  
contempla o quarto aspecto da resolução: “IV - a articulação entre ensino/extensão/pesquisa,  
ancorada em processo pedagógico único, interdisciplinar, político educacional, cultural,  
científico e tecnológico” (Brasil, 2018, Art. 5). A universidade só pode estar completa se  
integrar o ensino, com a pesquisa e a extensão.  
Durante muito tempo as universidades foram fechadas ao contato com a comunidade  
externa, produzindo alta pesquisa que deveria ser compreendida por aqueles que pudessem  
adentrar seus muros, mas que permanecia como um idioma obscuro para os demais membros  
da sociedade. Hoje a universidade precisa estar aberta, não apenas por um impulso altruísta de  
aceitar a presença de todos e de divulgar suas práticas livremente, mas porque o seu fechamento  
pode significar sua decadência. O conhecimento dissociado da prática tem se tornado cada vez  
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Mauro Rocha Baptista; Jhonatan Antônio Rocha dos Santos  
mais ineficaz, quanto mais o mundo se torna veloz em suas mudanças. Por isso o isolamento  
da universidade é um risco maior para ela própria do que para a sociedade.  
A desvalorização da formação oficial em nome de um saber lidar com a sociedade, como  
os coach que se contrapõem aos psicólogos, por exemplo, passa por essa dificuldade atual em  
reconhecer que o isolamento acadêmico não pode prevalecer. Dessa forma, a extensão se torna  
uma necessidade urgente em prol da própria universidade e de sua manutenção. O contato  
das/os assistentes sociais com o mundo da educação básica é bastante eficaz nesse sentido, uma  
vez que se trata de um grupo heterogêneo que reflete em microcosmo o que será a realidade  
que os espera em sua atuação posterior. Assim como, por ser um ambiente de efervescência,  
refresca toda a teoria trabalhada academicamente, representando um vigoroso campo para  
desenvolvimento de novas pesquisas e novas teorias.  
Uma vez que a curricularização da extensão é uma necessidade formativa dos  
estudantes, e que a colaboração entre estas duas áreas pode ser benéfica para ambas, a proposta  
que apresentamos em relato de experiência reflete as primeiras considerações acerca de uma  
experiência de atividade extensionista desenvolvida junto aos estudantes do curso de Serviço  
Social da Universidade do Estado de Minas Gerais, na Escola Estadual Adelaide Bias Fortes.  
O projeto de extensão começou como uma proposta apresentada pelo Núcleo de Acolhimento  
Educacional (NAE-SRE/Barbacena) para que se aplicassem determinadas habilidades que  
desenvolvessem competências socioemocionais nos estudantes da escola.  
379  
A proposta apresentada pelo NAE-SRE/Barbacena apresentava a necessidade de se  
trabalhar com cinco competências: “autoconsciência, autogestão, consciência social,  
habilidades de relacionamento e tomada de decisão responsável”. Cada competência estava  
associada a uma série de habilidades que representariam os pontos focais de desenvolvimento  
que deveriam ser trabalhados pela escola junto ao seu alunado. Uma vez que a equipe da  
universidade já efetuou outros trabalhos junto com a escola, a busca por uma mediação para  
que se desenvolvesse um projeto conjunto transcorreu com naturalidade, apesar de, esta ser a  
primeira proposta em que entraria em parceria o curso de Serviço Social.  
Um primeiro questionamento apresentado pela equipe da universidade envolvia as  
terminologias competências e habilidades, embora elas estejam presentes também no âmbito da  
Base Nacional Comum Curricular (BNCC), ainda são elementos bastante indigestos na  
academia, uma vez que representam uma submissão da educação a elementos quantificáveis.  
Este aspecto foi suavizado permitindo que a equipe trabalhasse de forma mais ampla com estes  
conceitos, sem se limitar às nomenclaturas propostas originalmente, mas respeitando a proposta  
básica de discutir com os discentes da educação básica o que forma a sua convivência, nas  
Atuação do assistente social na educação: considerações sobre uma atividade extensionista  
dificuldades e facilidades que este contato com o diverso sempre traz. Desta forma a ampliação  
da discussão puramente educacional para a compreensão de como o sujeito aluno se insere em  
seus espaços e em suas correlações, tornou-se o foco a partir do qual a equipe deveria trabalhar  
com os discentes ao longo do ano.  
Partindo das competências apresentadas originalmente pelo NAE-SRE/Barbacena, a  
equipe desenvolveu quatro campos de abordagem: a relação do sujeito aluno com suas dúvidas,  
inseguranças e questionamentos internos, ao que se criou o título: “você com você mesmo”. A  
relação dele com as outras pessoas que o cercam, em seus conflitos e parcerias, intitulado: “você  
com os outros”. O contato com as coisas e as manifestações culturais, com seus  
reconhecimentos, seus pertencimentos e suas intolerâncias, designado pela equipe como: “você  
com o mundo”. E uma projeção de futuro que deveria indicar a relação entre causa, as posturas  
indicadas nos primeiros elementos, e consequências, o que se espera conseguir a partir da  
postura assumida, finalizando com: “você e seus projetos”.  
Desta forma a equipe compreendia que seria possível tratar das temáticas das  
competências sem limitar a um plano apenas técnico e irrefletido de transmissão de valores já  
configurados de cima para baixo. A intenção ao modificar as perspectivas das competências  
para uma vinculação da prática individual foi a de superar a limitação tecnicista das  
competências em nome de uma maior criticidade.  
380  
A atividade extensionista é direcionada a alunos do Ensino Fundamental II (sexto ao  
nono ano), englobando cerca de 840 alunos (a escola tem 6 turmas para cada ano de  
escolaridade, com uma média de 35 alunos por turma). A faixa etária envolve,  
majoritariamente, alunos entre 11 e 15 anos, são incomuns os casos de alunos com atraso na  
formação devido a retenção de um ano para outro, mais comum são os alunos em progressão  
em algum componente específico, mas que acompanha a turma com sua faixa etária. Por ano  
há uma média de 9 alunos com direito a professoras de apoio. Cada professora acompanha até  
3 alunos em uma turma, cerca de 3 professoras de apoio por ano escolar, ou seja, metade das  
turmas possuem essa presença em sala, e a outra metade não.  
Além dos casos amparados por lei com a professora de apoio, cada turma tem uma média  
de 20 a 30% de laudos não contemplados, tais como Transtorno de Déficit de Atenção e  
Hiperatividade (TDAH), muitos destes com limitações consideráveis de disgrafia e dislexia.  
Sendo uma escola central em uma cidade do interior de Minas Gerais é constituída por uma  
comunidade heterogênea, formada por alguns alunos oriundos da nucleação escolar, ou seja,  
pertencentes à vizinhança da escola, mas, majoritariamente, por alunos de bairros periféricos  
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que veem na possibilidade de participar da escola uma oportunidade de melhoria em sua  
formação.  
O acesso a recursos também é bastante diverso. Possuindo tanto alunos que poderiam  
se matricular em escolas particulares, mas optaram pela escola pública, quanto famílias que  
passam por necessidades básicas. Sendo assim a comunidade escolar apresenta um microcosmo  
no qual a atuação da extensão pode realizar seus objetivos de forma plena.  
Construção extensionista de um questionário  
A atuação da equipe de Serviço Social a partir das quatro temáticas elaboradas foi  
dividida em duas etapas. Na primeira, etapa de diagnose, a equipe deveria desenvolver um  
questionário de reconhecimento da realidade escolar; na segunda, etapa de intervenção, seriam  
realizados quatro encontros de escuta ativa, um para cada uma dos quatro temas elaborados.  
Atualmente o projeto se encontra no meio da segunda etapa, tendo desenvolvido dois dos  
encontros de intervenção. A seguir apresentaremos o desenvolvimento da primeira etapa e nas  
considerações as primeiras impressões e o seguimento das atividades.  
Para que um questionário possa se considerar fruto de uma ação extensionista ele não  
pode refletir apenas os interesses da universidade, ou mesmo os da comunidade, é necessária  
uma construção dialógica do instrumento. É necessária a ação diagnóstica da equipe  
universitária em contato direto com as intenções e objetivos manifestos pela comunidade. Neste  
caso em específico tratava-se de iniciar o processo pela manifestação de trabalho a partir das  
competências socioemocionais, mas de forma a desenvolver essas perspectivas iniciais a partir  
de um padrão que reconheça a realidade e o contexto social dos discentes envolvidos. O  
primeiro desdobramento desta ação extensionista foi a modificação da nomenclatura e do objeto  
inicial das competências para as quatro temáticas apresentadas anteriormente. O segundo passo  
foi a construção conjunta com a equipe de educadores das perguntas que se desejava instigar  
ao pensamento dos discentes.1  
381  
Sendo assim, para o contexto de reflexão: “Você com você mesmo”, foram pensadas  
quatro perguntas norteadoras: “1- Como você sente que está a sua compreensão da realidade  
desde o início do ano?” Pergunta que deveria abrir o questionário, criando no alunado a  
necessidade de refletir sobre seu contexto de não estar isolado. Uma das principais dificuldades  
manifestas pela equipe educacional e pelos resultados de avaliações externas, indica que existe  
uma dificuldade dos alunos na leitura, não apenas de textos como da realidade que os cerca.  
1 A descrição do trabalho em equipe na construção do projeto foi publicada no capítulo: Baptista et al. (2025).  
Atuação do assistente social na educação: considerações sobre uma atividade extensionista  
Através da pergunta não é possível medir se o aluno consegue realmente interpretar seu  
contexto, mas pode fazer com que ele inicie uma reflexão acerca dessa realidade externa. Muitas  
vezes é mais fácil interagir com a realidade externa se não se questiona que ela exige de nós um  
posicionamento, uma compreensão do que são suas exigências. As ações passam a ser tão  
automatizadas que não se promove qualquer reflexão a respeito delas. Como se dos sujeitos  
fosse apenas esperado que agissem instintivamente, reagindo a cada impulso oferecido sem a  
mínima reflexão. Sem dúvida isso causa um transtorno significativo para a educação, uma vez  
que o alunado não se compromete com as respostas às perguntas, ou com a interpretação aos  
textos. Mas compromete ainda mais na formação de uma cidadania que não se torna responsável  
com os resultados de suas ações no mundo.  
Por isso, essa primeira pergunta foi elaborada como uma tentativa de criar ruptura entre  
a vida na realidade externa e a compreensão dessa realidade externa em que se vive.  
Funcionando como um cartão de visitas para o diálogo que se pretende travar com as perguntas  
seguintes.  
A partir do momento em que se instaura um certo distanciamento entre a vida na  
realidade e a devida compreensão desta, a segunda pergunta pretende aprofundar essa noção de  
que é necessário refletir sobre a realidade para identificar possíveis problemas. “2- Você  
consegue identificar quando um problema se apresenta para você?” Desde a reflexão motivada  
pela equipe educacional, de que existe uma dificuldade formal de identificar os objetos de uma  
pergunta simples na composição de um questionamento direto, até a reflexão de que existe uma  
certa ingenuidade em relação à identificação de riscos oferecidos por colegas, ou a assédios de  
conhecidos e desconhecidos, a identificação de um problema manifestou-se como uma  
preocupação fundamental para o desenvolvimento do processo. Compreender a realidade exige  
identificar os problemas à sua volta e saber reagir a eles. Entre um gesto de carinho emitido por  
um adulto e um assédio com viés pedófilo, a linha pode ser tênue, mas precisa ser traçada. Há  
que se compreender os problemas que a realidade apresenta, tanto quanto identificar o que se  
deseja com uma pergunta direta em um teste. Não se pode manter a ingenuidade de deixar a  
vida levar para onde ela quiser, porque existem agentes externos dispostos a escolher o caminho  
caso o sujeito se negue a fazer a sua própria escolha.  
382  
Nessa forma de composição fica manifesta a força maior obtida pela relação entre os  
profissionais da educação e os assistentes sociais, não como uma contraposição de interesses,  
mas como uma complementação dialógica que amplia horizontes. A falta de diagnóstico  
interpretativo de um problema matemático pode ser sintomático de uma falta de interpretação  
dos riscos que o mundo oferece.  
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A terceira questão envolve o desenvolvimento desse processo dialógico: “3- Você  
consegue se organizar para os estudos?” Tratada a partir de seus anseios iniciais a pergunta  
reflete a preocupação educacional com os resultados em termos de respostas das atividades para  
casa e da preparação para as avaliações. Complementada com o olhar do serviço social, ela  
ganha a preocupação com o que pode motivar as impossibilidades para essa organização. Como  
a vida para além dos muros da escola facilita ou dificulta uma organização do estudante para  
os estudos.  
A questão social pode escapar a um primeiro olhar puramente educacional dos  
resultados obtidos. A tendência de professores, inclusive na universidade, em acreditar que a  
vida dos estudantes inclui seus percalços próprios, não pode se transformar em uma negligência  
também para os assistentes sociais. Esse outro lado é fundamental para esta área de atuação,  
por isso a complementação entre as duas apresenta um potencial tão grande. Não há como se  
exigir do educador que ele se atente para estes outros problemas, uma vez que a sua função e  
seus encargos cada vez mais impossibilitam uma atuação mais próxima das histórias pessoais  
dos estudantes, mas a presença do assistente social deve motivar esse contato, ao mesmo passo  
que pode sensibilizar o docente sobre esse outro contexto.  
A primeira temática é finalizada com uma pergunta geral: “4- Você está bem com você  
mesmo?” Embora para as outras perguntas seja estipulado a confecção de uma possibilidade de  
respostas direcionadas, o que será trabalhado em outro texto desta equipe, para esta, o objetivo  
foi deixar aberta para obter as respostas de forma discursiva. Em um questionário aberto, nem  
sempre os discentes vão se motivar a escrever o que sentem, mas pode-se encontrar alguns  
casos específicos que sentem a necessidade de dizer algo, e são estes casos que motivam a  
equipe a deixar o espaço para essa abertura.  
383  
Essa pergunta conclui a relação consigo mesmo, identificando que a compreensão da  
realidade externa, a identificação dos problemas e a organização pessoal, são fundamentais para  
que o sujeito se encontre bem em sua relação consigo. Ainda que a aplicação do questionário  
não consiga produzir nos discentes uma reflexão sobre a sua realidade, a sua construção  
conjunta entre a equipe educacional e a de discentes do serviço social, possibilita a reflexão da  
própria equipe sobre quais são seus objetivos com a aplicação do projeto. Assim a extensão  
universitária vai se construindo para além dos resultados mensuráveis na aplicação do  
questionário, mas se constitui, sobretudo, na própria construção deste.  
Um dos primeiros resultados obtidos com a confecção coletiva desta primeira etapa  
diagnóstica foi a necessidade de desdobramentos anteriores à aplicação do questionário. Desta  
forma foi pensado que, antes da aplicação de um questionário com alternativas para resposta às  
Atuação do assistente social na educação: considerações sobre uma atividade extensionista  
perguntas que estavam sendo produzidas, seria necessário um trabalho formativo com os  
discentes, conversando sobre cada uma destas perguntas, e motivando uma reflexão anterior à  
aplicação do questionário. O objetivo não seria o de uniformizar as respostas, mas o de  
apresentar o contexto geral das perguntas. Ou seja, o de trabalhar a identificação do problema  
que estaria sendo apresentado com o questionário, o de compreender a realidade que se  
apresentava com eles, o de organizar os estudos. As primeiras conversas com os discentes  
deveria refletir o que as perguntas tratariam, para que assim eles estivessem ambientados, ainda  
que não conhecessem as alternativas para responder.  
Outra conclusão tomada ainda nesta etapa é a de que o questionário não deveria ser  
tratado como um fim em si mesmo. Ainda que as conversas iniciais conduzissem para a  
aplicação do questionário, ele seria o ponto de partida para rodas de conversa, nas quais o grupo  
de alunos, cerca de 35 por turma, deveria ser dividido em grupos menores, ao menos com 11  
ou 12 alunos em cada, para que se pudesse conversar, sob a mediação dos estudantes de serviço  
social, sobre as perguntas e seus desdobramentos.  
As rodas de conversa seriam o ponto fundamental desse processo. Mas claramente  
dependiam do trabalho anterior. Apenas motivar rodas de conversa sem a preparação anterior  
para a discussão do tema seria negar a maior potencialidade da extensão. Ou a conversa se  
motivaria apenas pelos interesses da universidade, ou pelas intenções da escola. É a produção  
conjunta do questionário que permite que a presença dos universitários na educação básica não  
seja apenas uma via de mão única.  
384  
A construção dialógica do questionário, e as discussões preparatórias com o alunado são  
os elementos que efetivam o caráter extensionista das rodas de conversas posteriores. Assim  
tudo passa a ser entendido como parte de um processo e o processo se torna mais importante  
que os resultados possíveis.  
As outras três partes do questionário seguiram o mesmo processo construtivo, o qual  
apresentaremos de forma mais sintética. Para a temática “Você com os outros” foram propostas  
cinco perguntas: “1- Como você sente que é a sua convivência com os colegas, os professores  
e demais participantes da escola?” Frisando que a vida não pode ser vivida de forma isolada,  
mas que as interações não são todas iguais. É possível ter boas relações com um grupo e não  
conseguir conviver bem com o restante de seu entorno. Durante a roda de conversa esta foi uma  
das questões que mais motivou discussões sobre a diferença entre as relações com colegas e  
com professores, por exemplo. Não apenas identificando problemas pontuais, mas identificando  
dificuldades mais amplas na relação com os diferentes.  
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A segunda pergunta enfatizava essa diversidade com relação à inclusão: “2- Você  
consegue tratar de forma inclusiva aos diferentes?” Nem sempre a tolerância ao diverso  
representa uma inclusão verdadeira, esse ponto foi bastante mediado pelas professoras de apoio,  
que vivenciam a rotina do tratamento de inclusão e de aleamento dos alunos incluídos. A  
motivação para o debate da inclusão verdadeira ultrapassa a relação direta com os alunos com  
apoio, mas começa por eles. Entender os preconceitos e as limitações em aceitar o outro como  
ele é, é uma ação fundamental na busca por uma sociedade mais inclusiva.  
Se a compreensão de que o outro é diferente de mim e precisa ser respeitado nestas  
diferenças já é um ponto complexo para o debate, tanto mais quando o espelho se vira  
novamente para a minha própria subjetividade. Este é o ponto desejado na terceira pergunta:  
“3- Você consegue apresentar soluções para os problemas de forma que as outras pessoas  
compreendam?” Com essa pergunta, motivada pela preocupação educacional de desenvolver  
respostas compreensíveis para os questionamentos apresentados pelos professores, a equipe de  
assistentes sociais pode extrapolar para a identificação dos próprios limites de expressão do  
aluno. Compreender que o outro precisa ser incluído exige que se compreenda em que medida  
o próprio sujeito se faz compreender pelos outros.  
O que implica ainda “4- Você compreende que as suas ações geram efeitos sobre os  
outros?” A compreensão das consequências de ações executadas, sejam elas compreendidas ou  
não pelos outros. E “5- Antes de tomar uma decisão você se coloca disponível a ouvir outras  
pessoas?” A compreensão de que, antes de assumir uma determinada ação, seria importante se  
colocar disponível a pensar sobre ela.  
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A terceira temática: “Você com o mundo”, apresenta um questionamento de como a  
identidade que foi trabalhada em relação às suas implicações internas no primeiro conjunto de  
perguntas, e ao confronto com a diversidade no segundo grupo, está disponível para a interação  
com uma realidade que não será formada apenas pelos seus próprios gostos. A necessidade de  
incluir o diverso e de compreender o impacto de suas ações sobre a realidade são abertas agora  
para o contexto social de uma forma mais ampla. “1- Você se sente disposto a experimentar  
coisas que não faziam parte de suas experiências anteriores?” Se abrir para coisas novas é  
fundamental para que a educação possa se realizar de maneira eficaz. Não é possível realizar  
educação se se está preso a concepções pré-definidas. Mas a sociedade atual tende a se prender  
a estas concepções, religiosas, políticas, sociais… Por isso é difícil vencer determinadas  
barreiras, sobretudo em relação a componentes curriculares das áreas de humanidades.  
Determinados rótulos já estão associados a certas discussões que interditam o verdadeiro  
debate.  
Atuação do assistente social na educação: considerações sobre uma atividade extensionista  
Nesse sentido a segunda pergunta delimita: “2- Você consegue respeitar que existam  
manifestações culturais diferentes daquelas que você prefere?” Entender que suas preferências  
não são balizadoras do contexto social seria um importante ganho para a nossa realidade atual,  
infelizmente ele está longe de se realizar. A escola é um ambiente propício para esse contato  
com manifestações diversas, embora algumas famílias tentem evitar que isso aconteça.  
Por fim, uma nova pergunta aberta se relaciona com a da primeira temática: “3- Você  
se sente bem na sua relação com o mundo?”, assim como é importante refletir sobre sua relação  
consigo, seria necessário pensar na relação com as coisas que nos cercam.  
A reflexão sobre este contato, nem sempre harmonioso com a diversidade do mundo,  
encaminha para a quarta e última temática: “Você com seus projetos”. Sua posição no mundo  
deve abrir para o que se pretende. Na primeira pergunta identificamos a necessidade de pensar  
em um mundo melhor e como isso depende da ação de cada um: “1- Você tem feito algo para  
que a sociedade seja mais justa, democrática e inclusiva?” Não basta esperar que o mundo seja  
um lugar melhor, é preciso ter a consciência de que nós somos o mundo.  
O que encaminha para a segunda pergunta: “2- Quando você pensa em soluções para os  
seus problemas, você se preocupa em pensar nas consequências?” Ciente que o mundo somos  
nós, e de que nossas ações afetam os outros, é necessário saber se isso se torna uma  
compreensão de responsabilidade. Não é uma conclusão inevitável, embora seja lógica, a  
exigência de uma ação responsável no mundo. Ainda uma outra conclusão é necessária. Se a  
ação responsável, ou irresponsável, não encaminha para o resultado desejado, em que medida  
isso se torna elemento para uma reflexão: “3- Depois de tomar uma decisão você analisa as  
consequências e repensa suas ações?”  
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Todo esse debate encaminha para a derradeira pergunta aberta: “4- Você acredita estar  
indo pelo caminho certo para realizar seus projetos?” Se as demais perguntas foram refletidas,  
essa derradeira deveria representar a reflexão de que o projeto de cada um está vinculado à  
forma como essa pessoa vê a si mesma, si relaciona com os outros e com o mundo e pensa em  
suas ações. A construção de seus projetos está diretamente relacionada com a construção do  
mundo em que esse projeto está inserido. A discussão sobre o presente educacional do aluno é  
potencializada pela discussão sobre a questão social que envolve esse presente e projeta o  
futuro.  
Considerações finais  
A trajetória histórica da educação e do Serviço Social no Brasil revela um percurso  
comum de disputas, contradições e potencialidades transformadoras. A educação, em sua  
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potencialidade plena, ainda que proclamada como política social de direito universal, continua  
sendo negada de forma sistemática às parcelas mais vulneráveis da população. Nesse cenário,  
a atuação do/a profissional assistente social na escola se apresenta como instrumento  
fundamental para promover o acesso, a permanência e o êxito escolar, para realizar a plena  
formação, especialmente dos sujeitos historicamente marginalizados. Sua presença no espaço  
escolar permite o enfrentamento da questão social que afeta diretamente o processo educativo,  
como a pobreza, o racismo, a violência e a desigualdade de gênero.  
O compromisso ético-político da profissão orienta a intervenção crítica, articulada e  
propositiva junto à comunidade escolar, com vistas à efetivação de uma educação que deve ir  
além do acesso formal, promovendo um processo de formação humana integral. O/a assistente  
social, ao articular políticas públicas e promover a intersetorialidade, atua na superação de  
barreiras estruturais que limitam o direito à educação, colaborando para uma escola que acolha  
a diversidade, reconheça os sujeitos em sua integralidade e favoreça a aprendizagem em um  
ambiente democrático. Ao fazê-lo, contribui diretamente para a construção de uma sociedade  
crítica, emancipada e consciente de seus direitos e responsabilidades.  
Portanto, reafirmar a importância do Serviço Social na educação é também afirmar um  
projeto societário baseado na justiça social, na equidade e na transformação das relações sociais.  
A consolidação da presença do/a assistente social nas escolas não deve ser vista apenas como  
expansão do mercado de trabalho, mas como conquista política e estratégica para o  
fortalecimento da educação pública de qualidade. É necessário, ainda, garantir formação  
continuada, financiamento adequado e reconhecimento institucional para que essa atuação se  
realize de forma plena, contribuindo com a construção de uma escola inclusiva e de uma  
sociedade mais justa e equânime.  
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O projeto de extensão pensado pela equipe no contexto de construção dessa realidade  
inclusiva, encontra-se em andamento, tendo realizado as duas primeiras rodas de conversa a  
equipe se organizou para apresentar esse primeiro relato. Os resultados da aplicação do  
questionário, a discussão sobre a constituição das alternativas elaboradas para cada questão, as  
reflexões sobre as rodas de conversa, serão elementos a serem tratados em próximas produções.  
O objetivo nesse momento foi o de registrar a potencialidade desse processo de  
integração entre a universidade, com o aparto do Serviço Social e a comunidade escolar por  
meio da extensão. Não se tem a pretensão de substituir o que precisa ser adotado como uma  
política social pelo Estado, mas de valorizar, por meio de um processo que se encontra aberto  
com a necessidade de práticas extensionistas, a interação que precisa ser efetivada entre o  
Serviço Social e a Educação.  
Atuação do assistente social na educação: considerações sobre uma atividade extensionista  
O relato da experiência extensionista não tem a função de negar a necessidade de  
profissionais contratados conforme a legislação prescreve, mas de demonstrar como esses  
profissionais teriam campo de ação permanente no ambiente escolar. A extensão não substitui  
a necessidade do/a assistente social na escola, até porque sua atuação é bastante limitada ao  
diagnóstico de contextos dissonantes, sem a possibilidade de uma ação mais incisiva. Mas ela  
tem a possibilidade de uma ação complementar, algo que permite o aprimoramento das duas  
partes envolvidas.  
A aplicação de projetos como o apresentado não supre a inexistência de assistentes  
sociais atuando diretamente na educação, ela enfatiza a necessidade desta atuação  
multidisciplinar. Tais projetos tendem a não se esgotar mesmo com a aplicação da legislação  
que insere os assistentes atuando na educação, pelo contrário podem se tornar campo fértil para  
a preparação profissional durante sua etapa de formação. Ao mesmo tempo que pode ampliar  
as possibilidades da própria atuação dos profissionais efetivos do Estado na área de Serviço  
Social.  
Uma das principais carências observadas durante a aplicação foi justamente a falta de  
um diálogo específico da área no ambiente de atuação, o que restringia a parte de debate  
conceitual ao âmbito universitário. A escola ainda está apartada de uma discussão sobre a  
questão social e a atuação do NAE/SRE ainda é bastante restrita pela falta de profissionais para  
dar suporte a toda a rede. A aplicação do projeto permite observar o potencial e a demanda da  
comunidade escolar. Desdobramentos da aplicação do projeto de extensão ainda serão  
apresentados pela equipe em momento oportuno.  
388  
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