A fonte oral na pesquisa em Serviço Social e a  
história oral: a leitura marxiana  
Oral sources in Social Work research and oral history:  
a Marxist reading  
Carla Regina Moreira*  
Resumo: Esse estudo se insere no campo da  
pesquisa qualitativa, o objeto do estudo é a  
pesquisa exploratória. Os objetivos são: geral –  
discutir a pesquisa qualitativa e o uso da fonte  
oral sob aporte do Serviço Social; específicos –  
verificar como a história oral é abordada pela  
literatura no campo do Serviço Social e refletir  
sobre sua interlocução com o Projeto Ético-  
Político, a partir da base teórica marxiana; expor  
o encontro com a história oral na pesquisa de  
doutorado. Foi edificado com os instrumentos  
técnicos: relato de experiência e revisão de  
literatura, com trabalhos selecionados na Base  
de Dados “Google Acadêmico”. A análise do  
material foi feita com o recurso da análise do  
conteúdo, organizado em categorias temáticas  
formuladas com desdobramentos da pergunta  
Abstract: This study falls within the field of  
qualitative research, and its objective is  
exploratory research. The objectives are:  
general – to discuss qualitative research and the  
use of oral sources within the context of Social  
Work; specific – to verify how oral history is  
addressed in the literature within the field of  
Social Work and to reflect on its dialogue with  
the Ethical-Political Project, based on Marxist  
theory; to present the encounter with oral  
history in doctoral research. The study was  
constructed using the following technical  
instruments: experience report and literature  
review, with works selected from the “Google  
Scholar” database. The material was analyzed  
using content analysis, organized into thematic  
categories formulated from the key question:  
what is the understanding of researchers in the  
field of Social Work regarding oral history? The  
study reveals that oral history is a methodology  
that is compatible both in daily work and in the  
academic world. It engages with the Ethical-  
Political Project since it brings together  
chave:  
qual  
a
compreensão  
dos/as  
pesquisadores/as na área do Serviço Social em  
relação à história oral? O estudo revela que a  
história oral é uma metodologia que se coaduna  
tanto no cotidiano de trabalho quanto no  
universo acadêmico. Traz interlocução com o  
Projeto Ético-Político visto que congrega  
democratic  
principles,  
equality,  
and  
princípios democráticos,  
a
igualdade,  
o
commitment to the working class. However, it  
must be built upon a framework that enables a  
critical reading of social reality.  
compromisso com a classe trabalhadora.  
Contudo, deve ser edificada pelo referencial que  
possibilita a leitura crítica da realidade social.  
Palavras-chave: Pesquisa qualitativa; História  
Keywords: Qualitative research; Oral history;  
oral; Serviço Social; Teoria marxiana.  
Social Work; Marxian theory.  
* Faculdade Paulista de Serviço Social de São Caetano do Sul. E-mail: carlamoreiracrm1303@gmail.com  
DOI: 10.34019/1980-8518.2026.v26.49634  
Esta obra está licenciada sob os termos  
Recebido em: 31/07/2025  
Aprovado em: 16/04/2026  
Carla Regina Moreira  
Introdução  
Este ensaio toma como objeto a oralidade na pesquisa em Serviço Social tendo como  
aporte a história oral. A fonte oral é potência no campo da pesquisa qualitativa; bem como, no  
cotidiano em que se materializa a prática profissional. O estudo se insere no objetivo da  
pesquisa exploratória, que possibilita aproximação ao tema para melhor compreensão, reflexão,  
para outros questionamentos e formular novas perguntas (Gil, 2009). O trabalho foi feito com  
o instrumento técnico de revisão de literatura do tipo narrativa, para verificar como o tema está  
sendo abordado na literatura e sua interlocução como o Serviço Social a partir da teoria  
marxiana em que se afirma o Projeto- Ético-Político do/a Assistente Social. A seleção do  
material foi feita na Base de Dados “Google Acadêmico1”. Para explanar a experiência com o  
encontro com a história oral, fruto das apreensões realizadas no percurso da pesquisa de  
doutorado2, foi eleito o instrumento técnico denominado de relato de experiência. Esse artigo  
está organizado em unidades temáticas, no desenvolvimento trabalhamos com o detalhamento  
dos objetivos apresentados: a) relato de experiência com a história oral - b) breve histórico sobre  
a história oral, e os desdobramentos – os procedimentos técnicos na pesquisa, a transcrição e  
análise dos dados sob a apreensão marxiana – c) história oral na pesquisa em Serviço Social,  
unidade em que apresentamos o percurso realizado para construção da revisão de literatura do  
tipo narrativa, com a construção de estratégia de busca para localização dos artigos científicos  
(os quais foram identificados e classificados com título, ano de publicação, fonte e, resumo).  
Desse material, foram extraídos os excertos (resultados) que possibilitaram a realização da  
discussão; e na sequência as considerações finais que foram direcionadas para responder os  
objetivos propostos.  
303  
A abordagem do estudo é de natureza qualitativa com recurso à fonte oral. Sob a ótica  
do Serviço Social, Martinelli (1997) enfatiza que a pesquisa qualitativa traz os seguintes  
pressupostos: o reconhecimento da singularidade do sujeito que se revela a partir do discurso e  
da ação; o reconhecimento da experiência social do/a participante da pesquisa (sujeito social) e  
o reconhecimento da importância de se conhecer o modo de vida desse/a sujeito/a. Ressalta a  
autora que o uso dessa abordagem possibilita ao/à pesquisador/a conhecer o modo de vida das  
1
A Base de Dados “Google Acadêmico” é de domínio público, permite a localização de produções científicas do  
Brasil e América Latina que podem compor o instrumento técnico de pesquisa de revisão de literatura. Possui  
recurso de pesquisa avançada que permite filtros na busca como: especificação de período; vocábulos de inclusão  
e exclusão; tipo de material (Peçanha, 2025).  
2 Tese defendida no Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica de São  
Paulo – PUC (cf. Moreira, 2024).  
A fonte oral na pesquisa em Serviço Social e a história oral: a leitura marxiana  
pessoas, para apreender suas concepções, problemáticas, significados e, experiências de vida;  
permitindo trabalhar o real em movimento.  
Portelli (1997a), ao abordar o tema, a oralidade na pesquisa, considera que essa fonte de  
coleta revela a ação, o desejo, a intenção, e a percepção daqueles que vivem e compartilham a  
sua história, para que haja construção de uma pesquisa. É a partir da fonte oral que o/a  
narrador/a resgata sua memória, a qual se constituiu como um processo de significados, é por  
ela que os sujeitos podem buscar compreensão no passado; e dar novas formas às suas vidas no  
presente e no futuro. Contudo, é importante ressaltar que as narrativas podem estar ancoradas  
pelo modo de produção capitalista, que traz consigo as expressões e valores da vida nessa  
sociedade, sendo assim, a leitura deve ser realizada com elementos objetivos da realidade vivida  
pelo/a narrador/a, a partir de sua condição de classe, raça/etnia e gênero.  
Para Nacarato (2025), a história oral faz parte do campo das “escritas do eu” que  
congrega procedimentos técnicos como entrevistas narrativas ou dialógicas, história de vida,  
depoimento, testemunho, memorial, relatos biográficos; documentos que trazem experiências  
vividas pelos/as narradores/as. Essa “escrita do eu” está imersa na estrutura da sociedade. Nesse  
sentido, argumenta Queiroz (1988), o relato oral é uma técnica de coleta de dados que se  
contrapõe à aridez dos dados quantitativos, que geralmente reduzem a realidade social em  
números. Nos dados estatísticos não aparecem valores, emoções, sentimentos, contradições.  
Também não se trata de exaltação à individualização. Para a autora, o relato oral se constituiu  
como uma encruzilhada, que tem como eixo fundante a vida individual com a estrutura  
econômica, social, política, cultural e histórica. Portanto, não deve ser compreendida como  
técnica eminentemente individual, trazida pela esfera da subjetividade.  
304  
Na esteira da crítica à centralidade na narrativa, sem a interlocução com o social, que se  
contrapõe aos ditames das correntes pós-estruturalista e pós-moderna, Mendes e Carvalho  
(2006, p. 242) trazem as seguintes contribuições:  
A linguagem torna-se, assim, elemento central das pesquisas sociais, tomando  
o lugar dos grandes problemas dominantes na sociedade moderna. Entretanto,  
a produção científica neste campo das ciências pressupõe uma crítica às  
palavras, às relações sociais e ao contexto. (...) A construção teórica baseada  
na articulação do macro e do micro, do geral e do específico, da sociedade e  
do indivíduo, do econômico e do cultural se faz mais legítima e necessária.  
(...) os depoimentos pessoais não podem ter a pretensão de suprimir relações  
sociais e econômicas construídas historicamente, pois subjetividade e  
objetividade constituem-se em uma relação dialética (grifo nosso).  
O estudo que apresentamos tem como ossatura a compreensão da relação dialética entre  
subjetividade e objetividade, para apreensão dos relatos orais, na pesquisa em Serviço Social.  
Segue os preceitos éticos na pesquisa em ciências humanas e sociais, enunciados na Resolução  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 302-326, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Carla Regina Moreira  
Nº 510, DE 7 DE ABRIL DE 2016, emitida pelo Ministério da Saúde, que informa que estudos  
realizados a partir de textos científicos, que compõem revisão de literatura; e ainda que não  
trazem identificação individual não necessitam da submissão ao CEP/CONEP.  
A aproximação e escolha pela história oral: a experiência  
Nessa unidade, faço a explanação da trajetória percorrida para escolha do procedimento  
metodológico - a história oral -, que foi eleita para coleta de dados na pesquisa de doutorado.  
Para compartilhar com o leitor/a o percurso metodológico percorrido elegemos o procedimento  
técnico - relato de experiência - que se constituiu como:  
[...] um tipo de produção de conhecimento, cujo texto trata de uma vivência  
acadêmica e/ou profissional em um dos pilares da formação universitária  
(ensino, pesquisa e extensão), cuja característica principal é a descrição da  
intervenção. Na construção do estudo é relevante conter embasamento  
científico e reflexão crítica (Mussi; Flores; Almeida, 2021, p. 6).  
A aproximação com a história oral, também chamada de história viva, se deu por dois  
turnos, minha participação no NEPI3, quando dei início na preparação para inserção no  
doutorado. Contudo, a escolha se guiou pela leitura de textos produzidos sobre o tema.  
No processo de construção do pré-projeto da pesquisa, passei a pesquisar o tema e  
encontrei as obras do Prof. Meihy4, dentre suas obras, escolhi duas (Guia Prático da História  
Oral e História Oral: como fazer, como pensar). Essas referências serviram de alicerce para  
compreensão da história oral enquanto procedimento técnico na pesquisa. Na minha pesquisa  
de mestrado5, o procedimento técnico adotado foi a pesquisa documental, com interlocução  
com 3 entrevistas semiestruturadas, para dinamização do estudo. Como já tinha trabalhado com  
entrevistas, minha indagação era compreender o significado da metodologia da história oral,  
para além da coleta de dados feita por entrevistas.  
305  
Para compreender essa diferença, os textos produzidos pelo Prof. Meihy foram  
fundamentais. Todo o detalhamento que se apresenta pela apreensão da história oral como  
produção de conhecimentos; estatuto da história oral; fundamentos da história oral; tipos de  
história oral; gêneros em história oral, serviram para subsidiar o projeto de pesquisa do  
doutorado.  
No NEPI, tive contato com o material produzido pelos/as pesquisadores e pesquisadoras  
do núcleo e com as obras de Alessandro Portelli (1997 a), que apresenta a história oral como  
3 Integrado ao Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo –  
PUCSP, coordenado pela Profa. Dra. Maria Lúcia Martinelli.  
4 Núcleo de Estudos em História Oral – NEHO.  
5 Dissertação defendida no Programa da Área Cuidado em Saúde da Escola de Enfermagem da Universidade de  
São Paulo - USP (cf. Moreira, 2014).  
A fonte oral na pesquisa em Serviço Social e a história oral: a leitura marxiana  
um experimento de igualdade e a construção do conhecimento junto com sujeitos que vivem a  
história “a história viva”.  
Meihy e Holanda (2018) discorrem que história oral se constituiu a partir de um conjunto  
de procedimentos, que tem como base a realização de entrevistas. Para viabilizar a  
operacionalidade desse procedimento, os autores indicam (elaboração do projeto; pessoas a  
serem entrevistadas, o uso de equipamentos tecnológicos, definição dos locais em que serão  
realizadas essas entrevistas, tempo de duração; transcrição e estabelecimentos de textos;  
conferência do produto escrito; autorização para o uso do material transcrito; finalidade do uso  
do material coletado; publicação dos resultados, inclusive para os/as entrevistados/as). Pelo seu  
caráter democrático, o/a entrevistado/a deve ser envolvido em todo o processo.  
Os autores ressaltam que a história oral tem como centralidade o compromisso social,  
trazendo à tona as vozes das pessoas que vivem a história, que geralmente não estão expressas  
em documentos oficiais e escritos. O projeto em história oral se coaduna por estabelecer o uso  
oral (a narrativa) para o escrito (a transcrição) que pode servir de registro ou para finalidade  
analítica. A trajetória histórica da história oral é marcada pelo uso da tecnologia, que permitiu  
o registro da fonte oral, para posteriormente converter em fonte escrita. Narrar a história de vida  
propicia a escuta, que pode remeter a reconstrução da própria história, ao falar é possível  
perceber a totalidade e assim estabelecer e restabelecer os nexos que a pessoa não havia  
alcançado, possibilitando novos significados.  
306  
Para Portelli (1997a; 1997b), a história oral possibilita o encontro entre o/a  
pesquisador/a e o/a narrador/a, portanto o caminho a ser trilhado deve ser construído em  
conjunto, sendo fundamental que o/a narrador/a tenha informações como: quem é o/a  
pesquisador/a; o que faz; porque teve interesse na realização da pesquisa, para que será a  
pesquisa. O autor também enfatiza que a entrevista deve ser um experimento de igualdade, entre  
o entrevistado (sujeito histórico) e o entrevistador (o organizador da pesquisa). É a igualdade  
que irá permitir o respeito às diferenças.  
Foi com base nessas conceituações que apreendi que essa metodologia de coleta de  
dados traria respostas aos objetivos específicos propostos no projeto da pesquisa do meu  
doutorado.  
Breve histórico: a história oral como fonte do conhecimento - do oral para o escrito  
A história oral inaugura um período em que a oralidade passa a ter legitimidade no  
campo da produção do conhecimento, espaço em que era predominante a escrita oficial, ou seja,  
a hegemonia do saber escrito. Grupos que não tinham acesso à escrita ficavam à margem da  
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Carla Regina Moreira  
construção do conhecimento. Essa situação foi vivenciada na sociedade brasileira, no período  
da colonização6, quando Gabriel Soares7 publicou os anais no “novo mundo”, sob a ótica do  
colonizador, que não traduzia a verdadeira história dos povos da terra (população indígena).  
Nessa era, a validação do conhecimento se constituía por quem detinha do domínio da escrita  
(Lima, 2000).  
Asubmissão da oralidade à escrita acontece em meados dos anos de 1455, apresentando-  
se como exercício de poder e dominação. No Império Romano, a administração das terras  
dominadas, exigia uma dada administração, na qual o registro escrito dava sustentação para  
domínio. Assim se constituía a escrita – uma forma para solidificar o colonialismo (Meihy;  
Holanda, 2018).  
Observa-se que a proliferação do conhecimento através da escrita acontece na fase  
embrionária do modo de produção capitalista. Embora haja referência, no texto de base, que na  
sociedade egípcia a palavra escrita sobrepunha a oral, também pode ser vista, como forma de  
dominação, que é o estatuto do modo de produção capitalista. O letramento foi instituído como  
formato de apropriação da cultura e das relações de poder, quem dominava à escrita detinha o  
poder.  
A instauração do modo de produção capitalista que se fundamenta, na sua fase  
embrionária mercantilista, pela exploração tendo no conhecimento advindo da fonte escrita,  
uma estratégia para propagar sua dominação.  
307  
As grandes navegações depois do século XVI e os registros de avanços de  
europeus colonizadores determinaram uma forma de expressão hegemônica,  
[a] escrita. O poder dos dominadores se estabeleceu por meio da imposição do  
código grafados usado pelas línguas de preponderância que, por sua vez,  
trataram de se impor como oficiais submetendo as outras (Meihy; Holanda,  
2018, p. 98).  
Embora o estabelecimento do colonizador tenha cimentado a supremacia do poder,  
através do conhecimento pela fonte escrita, essa situação não deixou de ter contradições. O  
caráter subversivo da oralidade, visto como resistência ao poder hegemônico, manifestou-se  
por outras expressões narrativas como - paródia, ironia, escárnio (Meihy; Holanda, 2018).  
Com o advento da Segunda Guerra Mundial, fase de industrialização do modo de  
produção capitalista, período em que já havia um proletariado constituído, a história oral passa  
6
Para Fanon, “a colonização não é apenas um sistema político e econômico de dominação, mas também um  
processo psicológico que aliena o colonizado, criando uma divisão maniqueísta entre o ‘"ser’" e o ‘"não ser’". Essa  
alienação leva à desumanização do colonizado, que é constantemente objetificado e inferiorizado pelo colonizador,  
resultando em sofrimento psicológico e traumas” (Freixa, 2021).  
7 Gabriel Soares de Sousa participou do período da colonização do Brasil, escritor da obra o Tratado Descritivo do  
Brasil em 1587 que trazia registros sobre o espaço geográfico, informações dos povos indígenas, pela ótica do  
colonizador (Costa, 2025).  
A fonte oral na pesquisa em Serviço Social e a história oral: a leitura marxiana  
ter um novo estatuto, vista não como entrevista, mas como fonte para se construir a história.  
Surge como meio de trazer as experiências de vida de ‘pessoas comuns’ (pertencentes ao  
proletariado) ou pessoas que haviam participado da guerra. (Meihy; Holanda, 2018).  
Os autores informam que Thompson8 desenvolveu estudos a partir das vozes da classe  
proletarizada e subalternizada, visando à transformação social através da luta de classe. A  
história oral, por seu turno, é trabalhada como procedimento metodológico que se apropria da  
narrativa dos/as sujeitos/as que vivem a história, ou seja, a experiência social daqueles e  
daquelas que são silenciados/as. Essa concepção se ancora pelo materialismo histórico da  
vertente britânica, tendo como expoente Thompson, como nos explica Martinelli (2019). Por  
outro constructo, tem-se a vertente que se circunscreve pela abordagem denominada de  
“moderna história oral”, que inicialmente recorreu às narrativas de pessoas com destaque na  
vida pública. O marco cronológico, dessa vertente, incide do contexto Pós Segunda Guerra  
Mundial, na Universidade de Columbia, localizada na cidade de Nova York, nos Estado Unidos  
da América (Meihy; Holanda, 2018).  
A história oral pode ser vista como revolucionária, traz à fala dos sujeitos e sujeitas que  
vivem as experiências, podendo ser complementada por registros fotográficos, imagens, mapas,  
estatísticas. Ela é vista como moderna, em relação à história oficial feita pela escrita,  
produzindo arquivos com registros que serviam para uso da legitimação do poder. Como  
destacam os autores:  
308  
Uma das vertentes mais radicais da história oral preza o compromisso de não  
ser apenas uma alternativa para produzir documentos de casos, devolve-se a  
história oral um papel revolucionário na formação da opinião pública. (...)  
pessoas defendem o sentido de subversão documental propiciado pela história  
oral moderna creditam a ela a condição polêmica de “outra História”,  
“contra-História” ou ainda “História vista de baixo”. A história oral ganha  
destaque entre as possibilidades de se pensar registros e estudos de grupos  
silenciados de diversas maneiras de dos excluídos dos mecanismos de  
registros da História (Meihy; Holanda, 2018, p. 107, grifo nosso).  
No Brasil, o processo de redemocratização alavancou a aproximação e o  
desenvolvimento de pesquisas com a história oral, momento em que a ênfase recaí na  
necessidade de coletar fatos e histórias dos tempos difíceis. Os testemunhos ganharam destaque,  
daí a nomenclatura de depoimentos. Esse estatuto trouxe à história oral brasileira uma dupla  
função: política, devido seu compromisso com a democracia; e como exercício do direito ao  
saber (Meihy; Holanda, 2018).  
8 Edward Palmer Thompson – historiador da vertente marxiana; militante do Partido Comunista britânico; escreveu  
trabalhos sobre a classe trabalhadora com destaca a obra: A formação da classe operária inglesa (E. P. Thompson,  
2024).  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 302-326, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Carla Regina Moreira  
Curcino e Hespanhol (2010) pontuam que a história oral foi disseminada no meio  
acadêmico, na sociedade brasileira na década de 1990, período em que foi criada a Associação  
Brasileira de História Oral (ABHO), instituição que congrega estudiosos dessa metodologia em  
todas as regiões do país, com organização de eventos, simpósio, encontros. A história oral é  
utilizada pelos pesquisadores e pesquisadoras, em estudos que se apropriam das vozes das  
pessoas que viveram ou foram testemunhas de episódios, para construção do conhecimento. No  
ano de 1996 foi criada a Associação Internacional de História Oral.  
A história oral os procedimentos técnicos  
Para abordar essa unidade, recorrermos aos trabalhos escritos por Meihy e seus  
interlocutores, que trazem explicações referentes aos métodos empregados na pesquisa com o  
uso da história oral. A entrevista é o instrumento técnico em que se efetiva o estudo e tem dois  
tipos de finalidades:  
a) fim - para arquivo documental (banco de história), não sendo necessária a realização de  
análise do material, sendo considerado como procedimento instrumental. Tem como objetivo  
reunir entrevistas, que poderão ser utilizados num projeto futuro;  
b) meio - as entrevistas são utilizadas para estudos que irão trazer conhecimentos sobre  
determinado assunto. Para esse uso, as entrevistas devem ser submetidas ao estatuto analítico,  
após a realização.  
309  
De acordo com a finalidade das entrevistas ocorrem outras classificações:  
a) história oral instrumental - utilizada como apoio (arquivo para disponibilidade pública),  
portanto se as entrevistas tiverem finalidade como fim, seguirão essa linha;  
b) história oral plena ou pura - linha que seguirá se a finalidade das entrevistas forem meio,  
para construção de um estudo. A análise é feita com o uso das narrativas, podendo ocorrer  
diálogos entre as entrevistas. Nessa abordagem, as análises são comparativas, há interação entre  
opiniões, a maneira de compreender a realidade, percepções;  
c) história oral híbrida - também utilizada quando a finalidade das entrevistas forem meio.  
Nesse caso, as análises das entrevistas são feitas com uso de outros recursos, geralmente fonte  
escrita (estudos, dados estatísticos, historiografia, literatura, documentos oficiais).  
Em relação ao gênero narrativo, encontramos na história oral as seguintes abordagens:  
a) história oral de vida - trata-se de narrativa com aspiração do decurso da vida; versa sobre  
aspectos continuados da experiência de pessoas; é a narrativa como inspirações de longo  
percurso das experiências vividas de todas as fases da vida da pessoa. Meihy e Holanda (2018)  
advertem que pode haver outras denominações para história oral de vida como: “relato de vida”,  
A fonte oral na pesquisa em Serviço Social e a história oral: a leitura marxiana  
“relato biográfico”, “notas biográficas”, “relatos biográficos”. Essas técnicas podem ser  
reportadas pela dimensão individual sem as mediações com a estrutura social, questão que  
merece cuidado. Os autores explicam que esse cuidado foi advertido por Heidegger, que  
ressaltou a necessidade de se apreender à relação do ser no mundo (o ser social). Para o uso  
desse gênero narrativo, recomendam-se entrevistas livres ou abertas; com essa postura, permite-  
se entradas em territórios de difícil acesso -– a vida privada, que é o espaço de afetos pessoais  
e coletivos, visões subjetivas, reações do particular no conjunto de opiniões gerais. Valendo-se  
de cartas, diários, fotografias, enfim dos chamados documentos do eu. Na história oral de vida,  
não cabem “ilusões biográficas”, trata-se de uma construção de conhecimento a partir da  
narrativa das pessoas entrevistadas.  
Compreendemos que o referencial teórico do Serviço Social, que tem assento na teoria  
marxiana, ressoa na necessidade de analisar a realidade com a leitura das estruturas da  
sociedade, que apreendem as dimensões subjetivas do campo individual com interconexão às  
dimensões sociais (econômica, histórica, social, cultural, gênero, raça e etnia, regional), um par  
dialético – objetividade e subjetividade.  
b) história oral temática - baseia-se na concepção de equiparação entre o uso da fonte oral e  
o dos documentos escritos. Nesse gênero, a tônica é a técnica e não a subjetividade, e faz a  
articulação entre a oralidade e outros documentos que trazem elementos sobre o tema em  
questão. A história oral temática é a narrativa de uma variante do fato, buscando-se a versão de  
quem presenciou um acontecimento. O entrevistador pode apresentar outras opiniões  
contrárias, e discuti-las com o narrador; mas com a finalidade de elucidar uma versão que é  
contestada, nunca para se contrapor ao colaborador/a (narrador/a). Nela, a história pessoal do/a  
narrador/a que pode revelar aspectos úteis à instrução dos assuntos centrais; admite-se o uso de  
roteiros e questionários  
310  
c) história oral testemunhal - voltada para situações de vivências dramáticas, situações de  
violências ou violações, muito utilizada para coleta de elementos para suplantar a construção  
de políticas públicas, visando à reparação. “A história oral testemunhal se faz imperiosa em  
casos de entrevistas com pessoas ou grupos que foram vítimas de torturas, agressões físicas  
relevantes, ataques, exclusões, ou seja, marcas que ultrapassam a individualidade” (Meihy;  
Ribeiro, 2011 p. 86). Em síntese, pode-se compreender que esse gênero narrativo tem aportes  
na vivência pessoal, mas tem centralidade nos traumas vividos.  
d) A tradição oral - a transmissão oral de experiências sociais de grupos tradicionais; nesse  
gênero narrativo pode-se trabalhar “com a transcendência do tempo e admitir interferência dos  
mitos e demais valores de explicação não racional” (Meihy; Ribeiro, 2011 p. 91). Os autores  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 302-326, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Carla Regina Moreira  
explicam que há dois tipos de tradição oral, uma considerada natural que é comum nas  
sociedades que preservam as manifestações; e a moderna tradição oral, na qual a transmissão  
das vivências e experiências podem ocorrer pela música popular. Pode ser utilizada para  
construção de bancos de histórias, definidas como recurso para elaboração de documentos que  
explicitam as experiências de grupos e comunidades.  
História oral: da transcrição à analise sob a ótica marxiana  
A arte da transcrição, como é denominada por alguns pesquisadores e pesquisadoras, é  
um processo que permite o transitar, revisitar e dialogar com as experiências vividas pelos/as  
narradores/as. A partir da experiência da pesquisa de doutorado, posso dizer, que quando  
pesquisamos um objeto que faz parte da nossa trajetória de vida e trabalho, acontece um  
exercício que ultrapassa a transcrição do relato da entrevista; vivencia-se, na verdade, a  
construção de uma escrita imbuída de sentimento, emoção, troca de afeto, de se vê no outro.  
Essa experiência científica, pode ser considerada, no que estou definindo como - pesquisa  
compartilhada entre duas vivências: a do/a narrador/a e do/a pesquisador/a” -, como dizem  
Carvalho e Ribeiro (2013), é o encontro das subjetividades entre os envolvidos (pesquisador/a  
e participante narrador/a).  
Talvez essa experiência pode ser vista como destoante do padrão acadêmico científico  
cartesiano; mas familiar no campo da pesquisa qualitativa em que a neutralidade se afasta.  
O objeto é analisado pelas categorias analíticas e empíricas que são captadas no processo  
de interlocução entre objeto e análise, que irá permitir a apreensão e análise do fenômeno social  
em suas múltiplas faces da estrutura social. Com base em Netto (2011) e Netto e Braz (2012),  
na concepção teórica de vertente marxiana as categorias para terem sentido devem ser  
analisadas a partir da realidade e vinculadas ao movimento dialético; esses autores afirmam que  
as categorias são ontológicas, edificadas pela apreensão do ser social; transitórias; históricas;  
objetivas e concretas, pois o ser social tem uma vida material, sua existência é objetiva. Essas  
categorias permitem a análise do fenômeno com apreensão da vida em sociedade que envolve  
as esferas da dimensão objetiva e subjetiva.  
311  
A história oral na pesquisa em Serviço Social: revisão da literatura  
Essa unidade foi edificada com a revisão de literatura do tipo narrativa, que não exige  
protocolos rígidos, como a revisão sistemática9. Assim, a estratégia de busca, a análise e  
9 Procedimento que se insere pela sistematização que seguem critérios determinados para responder a uma pergunta  
específica. Os estudos científicos que versam sobre essa metodologia orientam o seguimento das publicações  
Cochrane Handbook (3) para fundamentação e o protocolo (Rhoter, 2007).  
A fonte oral na pesquisa em Serviço Social e a história oral: a leitura marxiana  
interpretação do material fica ao crivo do/a pesquisador/a, que se guia pela base teórica com a  
qual se articula. Esse tipo revisão pode ser utilizado para elaboração de artigos científicos,  
dissertações, teses; serve para mostrar como o tema está sendo trabalhado na literatura,  
fomentando o processo de compreensão e análise (Rother, 2007; UNESP, 2015).  
Para seguir o percurso da revisão de literatura narrativa, nesse trabalho foram adotados  
os seguintes critérios: a base de dados para localização dos trabalhos foi a “GoogleAcadêmico”,  
seleção dos trabalhos a partir dos critérios:  
a.  
exclusão de trabalhos oriundos da literatura cinzenta10 (trabalhos de conclusão de curso,  
dissertações, teses, documentos oficiais, livros) os quais não são submetidos à avaliação de  
pares, como ocorrem com os artigos científicos indexados em revistas ou apresentados em  
congressos e/ ou eventos científicos  
b.  
inclusão de artigos provenientes de revistas científicas ou que foram apresentados em  
eventos científicos da categoria de serviço social.  
A localização dos trabalhos ocorreu em dois momentos temporais. Primeiro, no decurso  
do ano de 2022 na fase da produção do Exame de Qualificação da pesquisa de doutorado, nesse  
momento foi feita a busca sem especificação de período. A segunda busca foi feita para  
construção desse artigo, tendo como objetivo a atualização da revisão, portanto, com  
especificação do período de 2022 a 20025. Essa busca foi realizada no dia 02/12/2025. A  
estratégia de busca foi constituída por palavras chaves que se articulam com o objeto do estudo,  
inclusão de operadores booleanos que permitem o refinamento da busca, ficando a seguinte  
construção de busca - notítulo: "Serviço Social"+"pesquisa"+"história oral"  
social"+"pesquisa"+"história oral" – que com a conversão da ferramenta ficou - pesquisa  
"história oral" "intitle: serviço intitle:social". Também foi utilizado o recurso da pesquisa  
avançada de especificação de período e de busca de fase exata, empregando os termos história  
oral e Serviço Social. Com base nessa estratégia foram encontrados 41 achados que foram  
submetidos aos critérios de exclusão e inclusão que foram adotados  
312  
Na primeira busca, feita em 2022, foram selecionados 4 trabalhos e nessa última 6,  
sendo o total de 10 trabalhos para compor a revisão. O descarte, após a leitura preliminar, foi  
feito com trabalhos que não abordavam a história oral como metodologia ou método da pesquisa  
na área do Serviço Social. Também foi localizado 1 material em duplicidade. Os trabalhos  
10  
“A literatura cinzenta não passa pelo mesmo processo de revisão por pares que uma publicação [...]. A maior  
parte da literatura cinzenta é considerada menos prestigiosa, confiável e ‘oficial’ do que a publicação em um  
periódico revisado por pares” (Dudziak, 2021).  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 302-326, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Carla Regina Moreira  
foram identificados com numeração. Abaixo apresentamos o quadro com a classificação dos  
trabalhos selecionados.  
Quadro 1 – Apresenta os trabalhos que versam sobre o tema: história oral na pesquisa em serviço social, Brasil,  
2025.  
T1-Título: História oral: miúdas considerações na pesquisa em serviço social. Ano 2003. Autora: Latif A.  
Resumo: Este artigo discute alguns aspectos éticos que envolvem a produção de conhecimento, apoiado em  
narrativas orais, para a área de pesquisa em Serviço Social.  
T2-Título: O enfoque metodológico da história oral na pesquisa em serviço social. Ano publicação 2014. Autor:  
Reginaldo  
Guiraldelli11.  
Disponível  
em:  
Resumo: discussão acerca da produção de conhecimento pautada em metodologias de pesquisa baseadas na  
história oral, entendida como um procedimento metodológico de cunho interdisciplinar inserida no campo das  
Ciências Humanas e Sociais que se caracteriza essencialmente pelo recorte qualitativo na produção científica e  
enfatiza as fontes e relatos orais de atores sociais que tiveram suas vozes silenciadas em detrimento de um  
suposto desprezo pelas narrativas que sustentou o saber científico até as últimas décadas.  
T3-Título: Contribuições metodológicas da história oral na pesquisa em serviço social. Ano de publicação  
Contribuicoes-metodologicas-da-historia-oral-para-a-pesquisa-em-Servico-Social  
Resumo: a história oral também é compreendida como um procedimento metodológico interdisciplinar, ou seja,  
como um caminho para a construção de conhecimento, que abarca tanto uma dimensão teórico-política quanto  
uma dimensão técnica, tem tido uma expansão significativa, no Brasil, nas últimas décadas. De acordo com  
Meihy e Holanda (2007, p. 64), a “História oral é um processo de registro de experiências que se organizam em  
projetos que visam a formular um entendimento de determinada situação destacada na vivência social”.  
313  
trajetórias. Ano de publicação 2017. Autores: Carina Berta Moljo e Paulo Lourenço Domingues Júnior.  
Resumo: tem como objetivo principal debater a importância da pesquisa para o Serviço Social em particular e  
para as Ciências Sociais de forma geral, tanto para a intervenção concreta nos diversos espaços sociocupacionais  
nos quais atuamos, quanto para a produção de conhecimento. Partimos do suposto que a dimensão investigativa  
é uma dimensão fundante da prática social.  
T5-Título: Serviço social, resistência, rebeldia: a narrativa na experiência social. Ano de publicação 2022.  
Autoras: Neusa Cavalcante Lima; Maria Lúcia Martinelli; Cleonice Dias dos Santos Hein. Disponível em:  
Resumo: aborda a experiência do serviço social com a temática - violência doméstica. A história oral foi o  
procedimento metodológico adotado por possibilitar a identificação dos elementos da história de vida de quem  
vive a história e ainda a articulação com a totalidade – a estrutura social.  
T6-Título: Metodologia Feminista para pensar gênero e memória no serviço social. Ano publicação 2022.  
Autoras: Rita de Cássia Santos Freitas; Ana Lole; Carla Cristina Lima de Almeida. Disponível em:  
Resumo: aborda a relevância das metodologias feministas nas pesquisas e as contribuições dos estudos da  
memória que revelem ponto de vista, situações invisibilizados ao longo da história.  
11 No currículo lattes certificado pelo autor em 27/05/2026 consta a seguinte grafia do sobrenome “Ghiraldelli”  
A fonte oral na pesquisa em Serviço Social e a história oral: a leitura marxiana  
T7-Título: O Departamento de Serviço Social e a questão socioambiental na Pontifícia Universidade Católica  
do Rio de Janeiro (PUC Rio) gênese, desenvolvimento e perspectivas. Ano de publicação 2022. Autoras: Valéria  
Pereira Bastos; Luiza Helena Nunes Ermel; Denise Pini Rosalem da Fonseca. Disponível em:  
Resumo: aborda a trajetória das ações desenvolvidas pelo Departamento, como no PPGSS a respeito da  
discussão socioambiental em função da trajetória que marca não somente as ações internas do DSS. A história  
oral se apresenta como procedimento técnico de pesquisa.  
T8-Título: O Serviço Social no Vale do Mucuri: Gênese, Consolidação e Expansão da profissão. Ano da  
publicação  
2025.  
Autor:  
Jhony  
Oliveira  
Zigato  
Disponível  
em:  
Resumo: o estudo apresenta o percurso histórico da profissão de Serviço Social no Vale do Mucuri (MG) a  
partir dos anos 1980. Pesquisa foi realizada com a metodologia da história oral com assistentes sociais da  
região.  
T9-Título: Da hermenêutica do quotidiano à consciência crítica: o serviço social e a perspectiva pedagogia  
social. Ano de publicação 2025. Autor: Ricardo Jorge Rodrigues Cardoso. Disponível em:  
Resumo: o estudo discute o sentido prático do agir profissional e do campo da investigação. Pontua que na  
Europa o serviço social segue por duas trilhas: a francófona, que versa com a intervenção socioeducativa; e  
a anglo-saxónica, que tem aproximação com a promoção do reconhecimento dos direitos e da cidadania das  
pessoas. A intervenção social contribui coma consciência crítica da realidade social vivida, possibilitando o seu  
caráter pedagógico  
T10-Título: A pesquisa em rede” o Movimento de Reconceituação do serviço social na América Latina:  
determinantes históricos, interlocuções internacionais e memórias (1960 a 1980). Ano de publicação 2022.  
Autoras Marilda Vilela Iamamoto  
e
Claúdia Mônica dos Santos. Disponível em:  
314  
Resumo: o trabalho apresenta a pesquisa que teve como objeto o Movimento de Reconceituação do Serviço  
Social no contexto latino-americano, envolvendo os países: Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Portugal e  
Espanha.  
Resultados e discussão  
O material selecionado foi submetido ao método análise do conteúdo que toma como  
base a leitura flutuante - que se constitui com as etapas: pré-análise, exploração, tratamento dos  
dados e interpretação dos trabalhos – a qual possibilita o encontro dos excertos que trarão  
contribuição para compreensão do objeto e conexão com os objetivos propostos (Bardin, 2009).  
Formulamos a questão norteadora (qual a compreensão dos/as pesquisadores/as na área do  
Serviço Social em relação à história oral?), que se desdobrou em temas, que pudessem nos  
ajudar a compreender a indagação. Através desse procedimento elencamos 4 categorias  
temáticas para discorrer sobre o objeto desse estudo, sendo elas: a) a concepção da história oral  
no Serviço Social; b) a relação entre o Projeto- Ético-Político da profissão de assistente social,  
teoria social marxiana e a interlocução com a história oral; c) a história oral no Serviço Social:  
o diálogo com o cotidiano e com a pesquisa; d) contribuições da história oral na pesquisa em  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 302-326, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Carla Regina Moreira  
Serviço Social. A estruturação foi organizada com diálogo entre as categorias temáticas e os  
excertos localizados dos trabalhos, e, posteriormente análise com direcionamento do referencial  
teórico. A seguir:  
1. a) Categoria temática: a concepção da história oral no Serviço Social.  
Os trabalhos expressam que:  
[T4] A história oral é considerada uma metodologia de trabalho que surge  
no meio acadêmico, na metade da década de 1950, dentro das metodologias  
qualitativas de pesquisa, mas que se afirma no final da década de 1960, tendo  
como principal objetivo conhecer a realidade a partir das pessoas comuns que  
quase sempre ficam ignoradas pela história oficial (Moljo; Domingues Júnior,  
2017, p. 1353, grifo nosso).  
[T1] A história oral, como metodologia de pesquisa, se ocupa em conhecer  
e aprofundar conhecimentos sobre determinada realidade – os padrões  
culturais – estruturas sociais e processos históricos, obtidos através de  
conversas com pessoas, relatos orais, que, ao focalizarem suas lembranças  
pessoais, constroem também uma visão mais concreta da dinâmica de  
funcionamento e das várias etapas da trajetória do grupo social ao qual  
pertencem, ponderando esses fatos pela sua importância em suas vidas  
(Cassab, 2003, n.p., grifo nosso).  
[T3] A história oral como um dos procedimentos metodológicos de análise  
crítica e interpretação da realidade se alicerça na busca de qualidade e  
profundidade investigativa com os atores sociais envolvidos no processo de  
construção do conhecimento. (...) A história oral também é compreendida  
como um procedimento metodológico interdisciplinar, ou seja, como um  
caminho para a construção de conhecimento, que abarca tanto uma dimensão  
teórico-política quanto uma dimensão técnica, tem tido uma expansão  
significativa, no Brasil, nas últimas décadas. (...) história oral como  
metodologia, é importante considerar que ela se baseia em narrativas orais  
dos sujeitos que relatam suas experiências, valores, crendices, fatos, projetos,  
aspirações e acontecimentos da vida privada e pública. (...) A história oral tem  
como eixo o sujeito envolvido na construção do conhecimento, valorizando  
substancialmente sua essência, ou seja, sua subjetividade, experiências, visões  
de mundo e impressões (Guiraldelli, 2013, n.p., grifo nosso).  
315  
[T2] O recurso à metodologia da história oral como um dos procedimentos  
possíveis de análise crítica e interpretação da realidade social se alicerça  
na busca de qualidade e profundidade investigativa com os sujeitos sociais  
envolvidos no processo de construção do conhecimento (Guiraldelli, 2014, p.  
124, grifo nosso).  
[T5] A História Oral, metodologia [...] (que) possibilita identificar elementos,  
na história de vida de um indivíduo, que se relacionem com a história da  
sociedade. (...) A história oral é uma metodologia que se apropria da situação  
particular que se articula com a história da sociedade. [No caso desse estudo  
a violência doméstica vivida pela entrevistada, é perpetuada pelos ditames da  
sociedade capitalista patriarcal] (Lima; Martinelli; Hein, 2022, n.p., grifo  
nosso).  
[T8] (...) podemos situar a História Oral dentro dos métodos qualitativos de  
investigação, a qual afirma dentro do mundo acadêmico em finais dos anos  
1960, tendo como horizonte ampliar os conhecimentos da realidade social  
A fonte oral na pesquisa em Serviço Social e a história oral: a leitura marxiana  
através de estudos em profundidade, tomando como um de seus eixos as  
experiências vividas pelos sujeitos (Zigato, 2025, p. 5, grifo nosso).  
Observa-se que a história oral é descrita, por seus turnos, como metodologia de pesquisa  
e trabalho; procedimento metodológico na pesquisa; método de investigação de caráter  
interdisciplinar; metodologia que possibilita a análise crítica da realidade social. O método,  
também denominado de técnica, direciona o caminho, ou seja, o percurso metodológico na  
pesquisa. Enquanto a metodologia faz a fundamentação desse fazer – a base teórica e a  
concepção política. Parafraseando Guerra (2000) que faz a discussão relacionada ao fazer  
profissional - a instrumentalidade deve ultrapassar as respostas puramente instrumentais – a  
técnica, o método – o exercício profissional incluindo a pesquisa, deve ser crítico, propositivo,  
fincado na teoria social de vertente marxiana. Na área da produção de conhecimento do Serviço  
Social os procedimentos teórico-metodológicos – concepção de predominância no que tange à  
história oral, de acordo com esta revisão – estão em consonância com a análise crítica da  
realidade social.  
Os desafios teórico-metodológicos relacionam-se à capacidade de análise e de  
proposição à apropriação da teoria crítica, aos caminhos metodológicos  
trilhados na construção do conhecimento e ao distanciamento crítico do objeto  
de estudo, tanto no debate interno da categoria e da categoria profissional com  
as demais áreas do saber (Moraes, 2017, p. 395).  
316  
2. b) Categoria temática: história oral e a interlocução com o Projeto Ético-Político da  
profissão de assistente social e com a teoria social marxiana.  
Os excertos mostram que:  
[T4] A história oral trabalha com a linguagem como principal ferramenta,  
linguagem que se constrói na história, nos processos históricos. A linguagem  
é uma atividade constitutiva das relações sociais. Conforme Marx (1982) a  
linguagem é a expressão e exteriorização da consciência social, portanto,  
trabalhar com a linguagem é trabalhar com a história viva, com o modo de ser  
do “ser social” (Moljo; Domingues Júnior, 2017, p. 1355).  
[T1] (...) possibilita que indivíduos pertencentes a segmentos sociais,  
geralmente excluídos, possam ser ouvidos e terem registrado suas próprias  
visões de mundo e aquela do grupo social a que pertencem (Cassab, 2003,  
n.p.).  
[T3] (...) dentre as principais preocupações metodológicas da história oral está  
o retorno, o alcance da pesquisa e a forma como os resultados chegarão aos  
sujeitos partícipes da construção do conhecimento, pois há o compromisso  
desse procedimento metodológico em estabelecer vínculos com os  
participantes/sujeitos da pesquisa para que possam garantir um diálogo  
democrático e frutífero na busca de respostas às diversas situações concretas  
vivenciadas pela sociedade. (...) metodologias pautadas na história oral têm  
sido adotadas e centradas em estudos que abordam sujeitos silenciados ao  
longo da história e, por isso, em sua maioria, enfatizam as mulheres, os negros,  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 302-326, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Carla Regina Moreira  
os homossexuais, os imigrantes, povos indígenas, comunidades tradicionais,  
dentre outros (Guiraldelli, 2013, n.p.).  
[T4] esta metodologia [a história oral] recupera as histórias através do trabalho  
com fontes orais, realizando entrevistas em profundidade, tendo como  
objetivo o de conhecer dimensões da vida dos sujeitos, que não podem ser  
apreendidas a simples vistas, destacando que ao mesmo tempo em que estas  
histórias são singulares, também trazem em si a sínteses do universal, portanto  
nos remetem a fatos da história mais ampla (Moljo; Domingues Júnior, 2017  
p. 1355).  
[T6] “A história hegemônica é construída a partir dos silêncios daqueles que  
não são os vencedores. Destruir esse silêncio, construir outras ferramentas,  
narrar essa história é uma forma de redimir aquelas e aqueles que foram  
silenciados. [o trabalho, a partir das considerações dos autores, informa]  
“Pollak (1989) e Meihy (2000) sinalizam a importância da história oral e a  
perspectiva política e democrática presente desde seu surgimento. Acerca dos  
anos de 1980 e 1990, afirma Meihy, (...) a novidade de uma história oral de  
pessoas anônimas e a força das transcrições completas de depoimentos  
representou um avanço diferenciado da prática que prezava ‘a busca da  
verdade’ em detrimento do ‘registro da experiência’ (2000, p. 92). Da mesma  
forma, Pollak aponta que “ao privilegiar a análise dos excluídos, dos  
marginalizados e das minorias, a história oral ressaltou a importância de  
memórias subterrâneas que, como parte integrante das culturas minoritárias e  
dominadas, se opõem à ‘Memória oficial’ (1989, p. 4) (Freitas; Lole e  
Almeida, 2022, n.p.).  
[T8] [a história oral] não propõe de nenhuma maneira desconectar o sujeito  
em suas estruturas materiais, das condições reais de existência. Pelo contrário,  
trata-se de analisar como a estrutura repercute na vida cotidiana do sujeito e  
como o sujeito produz e reproduz nessa estrutura, mas dimensionando desde  
o cotidiano, desde a sua própria experiência (Zigato, 2025, p. 5).  
317  
Numa aproximação embrionária, já se percebe a relação entre a história oral e o Projeto  
Ético-Político da Profissão, no que concerne à defesa da democracia. Abordando o princípio  
democrático, Meihy e Holanda (2018) ressaltam o caráter revolucionário da história oral, pois  
ela dialoga com narrativas de sujeitos que geralmente são silenciados na sociedade. Sobre esse  
assunto, Martinelli (2006, p. 11) ao falar sobre o Serviço Social, pontua que essa é a profissão  
que abre diálogo e escuta com sujeitos que geralmente estão marginalizados pela estrutura  
econômica e social. Enfatiza: “somos nós, assistentes sociais, os interlocutores [as] desse  
segmento que praticamente já não mais interessa a quase ninguém”. Martinelli (2019)  
acrescenta: “A história oral: exercício democrático da palavra12”, assertiva que repousa com a  
defesa dos interesses da classe trabalhadora. Portelli (1997a) alimenta a questão ao ressaltar que  
a história oral se constituiu pelo princípio de igualdade.  
12 Título de um artigo produzido pelas pesquisadoras Profa. Dra. Maria Lúcia Martinelli e Profa. Dra. Neusa, que  
faz parte da coletânea.  
A fonte oral na pesquisa em Serviço Social e a história oral: a leitura marxiana  
Outra aproximação entre a história oral e o Projeto Profissional é a apropriação da teoria  
social crítica para leitura da realidade, que tem como assento a oralidade. Pesquisadores/as que  
discutem a temática hidratam essa discussão. Monteiro (2019), ao discorrer sobre a história  
oral, enfatiza sua interlocução com o materialismo histórico e dialético - base teórica e alicerce  
do Serviço Social pós-Movimento de Reconceituação –,  
(...) assertiva marxiana faz-nos concordar que o ser humano é singular,  
individual-particular e, ao mesmo tempo, ente humano-genérico. Logo os  
depoimentos [narrativas] e cosmovisão expressas pelo nosso [pela nossa]  
interlocutor [interlocutora], que é um indivíduo social, não são apenas  
resultados de suas abstrações desde o abstrato. São resultados de uma  
realidade concreta e objetiva, posta e construída social e historicamente no seu  
território (p. 69-70).  
3. c) Categoria temática: a história oral no Serviço Social: o diálogo com o cotidiano e com a  
pesquisa - dialogando com os excertos:  
[T2] (...) a história oral se torna um arcabouço para a apreensão da realidade,  
que é de suma importância para o serviço social, tendo em vista que essa  
profissão e área de conhecimento têm como uma de suas preocupações as  
experiências e histórias de vida da população demandatária dos serviços  
prestados pelos profissionais. Assim, se busca no cotidiano de trabalho do [a]  
assistente social compreender a realidade e a temporalidade em que os sujeitos  
estão situados. (...) Apropriar-se da história oral como procedimento  
metodológico na pesquisa em Serviço Social requer enfatizar as fontes orais e  
as narrativas como elementos norteadores na análise da realidade e das  
relações sociais (Guiraldelli, 2014, p. 126 e 128).  
318  
[T4] (...) esta metodologia recupera as histórias através do trabalho com fontes  
orais, realizando entrevistas em profundidade, tendo como objetivo o de  
conhecer dimensões da vida dos sujeitos, que não podem ser apreendidas a  
simples vistas, destacando que ao mesmo tempo em que estas histórias são  
singulares, também trazem em si a sínteses do universal, portanto nos remetem  
a fatos da história mais ampla. [bem como] serve para o conhecimento da  
realidade mais direcionado para a pesquisa e a produção de conhecimento  
tanto para o trabalho concreto de intervenção: história oral e trajetórias sociais  
(Moljo; Domingues Júnior, 2017, p. 1355).  
[T9] ao narrar e partilhar a sua história de vida, os participantes experimentam  
um processo de partilha, muitas vezes pela primeira vez. Ao verem a sua  
história publicada, conseguem analisar a sua vida documentada de forma  
exterior a eles próprios, colocando-os, inevitavelmente, perante a sua própria  
vida com a distância [vista externamente] certa para a poderem reprocessar.  
Este entendimento que cada participante pode ter deste processo, traduz-se nas  
inúmeras possibilidades que cada sujeito pode dar à sua história,  
potenciando a sua reinvenção, aumentando a sua consciência crítica perante si  
e os outros. [Ahistória oral] ela supõe que os sujeitos possam participar,  
narrando acontecimentos da história da sua vida, contribuindo assim, para o  
resgate da memória plural (Cardoso, 2025, p. 14).  
[T6] (...) revisitar suas memórias nos possibilitou ouvir histórias  
contraditórias, mas ricas em conteúdo – e que só são acessíveis ao nos  
colocarmos como ouvintes dessas histórias. A articulação entre história das  
mulheres e a metodologia da história oral nos parece óbvia. Pela escuta,  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 302-326, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Carla Regina Moreira  
podemos ouvir aquelas (e aqueles) que normalmente não teriam suas vozes  
ouvidas (Freitas; Lole; Almeida, 2022, n.p.).  
A pesquisa articulada ao fazer profissional possibilita o desenvolvimento da práxis, pois  
traz compreensão crítica da realidade social apresentada pela população usuária do Serviço  
Social (Bourguignon, 2007). Seguindo essa trilha, compreendemos que a metodologia da  
história oral pode se configurar como metodologia para o cotidiano, como é para pesquisa no  
campo acadêmico.  
Observa-se que há uma interlocução entre o cotidiano profissional e a história oral, pois  
ambos partem da fonte oral para se solidificar. Contudo, há diferenças. No cotidiano, as  
entrevistas se afirmam como instrumental nas abordagens realizadas pelo/a assistente social. A  
história oral é uma metodologia de pesquisa, podendo ser usada nas instituições para construção  
de conhecimentos. De acordo com o excerto do T9 é possível apreender como essa metodologia  
se articula com concepção pedagógica do fazer profissional.  
Para Bourguignon (2007, p. 50-51), a dimensão interventiva da prática profissional a  
insere num contexto em que a pesquisa se afirma como constituinte e constitutiva.  
Na trajetória histórica da profissão, a atitude investigativa se faz presente,  
sendo constitutiva e constituinte. Constitutiva porque a prática profissional  
está fundamentada na relação dinâmica teoria/prática, fazendo parte da  
natureza da profissão buscar compreender criticamente os fenômenos sociais  
para fundamentar sua intervenção. Constituinte porque, inegavelmente, os  
avanços observados na esfera da produção de conhecimento, da prática  
profissional, no âmbito das políticas públicas e da formação mobilizam a  
reconstrução crítica da própria natureza profissional.  
319  
Martinelli (2006), apropriando-se das contribuições de Walter Benjamim, pontua a  
necessidade da construção de práticas que tenham como centralidade o ser social.  
Ao refletir sobre as contribuições postas por Bourguignon e Martinelli, podemos  
deslindar que a história oral é uma metodologia constitutiva e constituinte do Serviço Social,  
seja no cotidiano ou no âmbito acadêmico.  
O estudo de Gonçalves e Lisboa (2007), que aborda o trabalho cotidiano do/a assistente  
social, enfatiza que a pesquisa tem centralidade nas intervenções, pois nem sempre as  
informações estão disponíveis nos registros institucionais. Ao trazerem questões inerentes do  
cotidiano, apontam que há situações em que os sujeitos sociais são apartados das suas histórias  
de vida. Ressaltam:  
As pessoas com as quais trabalhamos, possuem cada qual uma história de vida,  
são sujeitos humanos com características específicas, cada qual dotado de  
valores, sonhos e experiências. Para recompor estas experiências concretas,  
históricas vivas, portanto, é preciso também escutá-las (Gonçalves; Lisboa  
2007, p. 84).  
A fonte oral na pesquisa em Serviço Social e a história oral: a leitura marxiana  
É a partir dessas apreensões que as autoras consideram a história oral como aporte para  
resgatar a trajetória de vida da população atendida pelo Serviço Social, permite o  
desvendamento das situações que são vividas e são ocultadas pela estrutura da sociedade.  
Para Monteiro (2019, p. 63) a construção de uma práxis emancipatória se constrói pela  
ação permanente do desvendamento dos processos históricos. Nesse sentido, a história oral se  
apresenta como metodologia que contribui com o desvendamento da realidade vivida; ela traz  
para o cotidiano e para a pesquisa a “transmissão oral dos conhecimentos armazenados na  
memória humana”, que é a base material na pesquisa e no cotidiano do Serviço Social.  
A produção de conhecimento se apresenta como elemento estruturante para o cotidiano  
de trabalho. Contudo, a natureza em que se insere o Serviço Social, na divisão sociotécnica do  
trabalho na sociedade capitalista, traz o caráter imediato das respostas que o/a assistente social  
é chamado/a para intervir, sendo assim, faz-se necessário  
[...] compreender o processo de produção de conhecimento, como elemento  
de transformação da realidade social pela mediação do trabalho, reconhecendo  
o conhecimento como uma das expressões da práxis, como uma das  
objetivações possíveis do trabalho humano frente aos desafios colocados pela  
relação entre o homem, a natureza e a sociedade (Bourguignon, 2007, p. 49).  
4. d) Categoria temática: contribuições da história oral na pesquisa em Serviço Social.  
Os excertos trazem as seguintes considerações:  
320  
[T3] na produção do conhecimento em serviço social é a centralidade dos  
sujeitos e suas relações sociais presentes nos diversos espaços da vida humana.  
(...) uma das contribuições da pesquisa para a área do serviço social é trazer à  
tona experiências e histórias de vida de sujeitos individuais e coletivos, como  
forma de se aproximar da realidade e, assim, possibilitar ações críticas,  
criativas e propositivas que atendam aos interesses efetivos da população  
(Guiraldelli, 2013, n.p.).  
[T7] A abertura da linha de pesquisa para novas epistemologias, para outras  
bases documentais e bibliografias e a utilização dos recursos metodológicos  
da História Oral e de Antropologia Cultural, propiciaram o aparecimento de  
outras temáticas relativas a populações silenciadas ou sistematicamente  
violentadas (Bastos; Ermel; Fonseca, 2022, p. 77).  
A pesquisa em Serviço Social tem relevância na abordagem qualitativa com recurso do  
procedimento técnico de fonte oral. Martinelli e Lima (2019, p. 104), que tem como interlocutor  
Alessandro Portelli, ao discorrerem sobre a metodologia da história oral na pesquisa em Serviço  
Social, pontuam que promove:  
(...) aproximação aos sujeitos, ao ouvir e registrar suas narrativas, é possível  
visualizar rostos; revelar histórias vividas, sob ocultamento, silenciadas pelos  
discursos vinculados à reprodução de uma sociedade de exploração,  
dominação e discriminação.  
E ainda,  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 302-326, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Carla Regina Moreira  
Trabalhar com a história oral abre possibilidades para novas perspectivas, que  
articulam presente e passado, memória e história, objetividade e subjetividade,  
verdade do fato e significado social. (...) o conhecimento produzido com a  
fonte oral traz potencialidades, ao ser superada a visão história como  
retrospectiva, abrindo novas perspectivas para o conhecimento do presente, a  
partir de um passado narrado pelo sujeito que o viveu. (...). Não se busca a  
descrição do fato (...), mas o significado atribuído pelos sujeitos aos eventos e  
às situações vividas (p. 109).  
Santos (2019), ao desenvolver sua pesquisa com o aporte da história oral, junto ao  
movimento de moradia, informa que a pesquisa com o recurso da fonte oral, feita sob pilares  
da metodologia da história oral, também pode trazer elementos acerca da vida cotidiana, sendo  
os sujeitos e sujeitas produtores de histórias, realizações e conhecimento.  
Marques (2019), ao realizar pesquisa com os ciganos, considerados para o pesquisador  
como povos silenciados, a história oral permite o resgaste da história desse povo, pois permite  
o contato com a realidade vivida, conhecimento da cultura tradicional desenvolvida por esse  
grupo étnico. Analisando pela ótica dos procedimentos técnicos, esse trabalho pode ser  
compreendido pelo gênero narrativo tradição oral do tipo natural como descreveram Meihy e  
Ribeiro (2011). E, na apreensão enquanto procedimento metodológico e em diálogo com o  
Projeto Ético-Político da Profissão é possível compreender que essas narrativas são explicações  
históricas e culturais que possibilitam o reconhecimento e a preservação da memória de povos  
originários é possível compreender (Martinelli, 2019).  
321  
Moraes (2017) fomenta a discussão referente à pesquisa no Serviço Social, na qual está  
condensada a formação e o trabalho cotidiano, ancorado pelas diretrizes curriculares da  
Associação Brasileira de Estudo e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS), editada no ano de  
1996, pontua que a pesquisa se constituiu como ingrediente de fortalecimento do debate teórico-  
metodológico; ético-político; técnico-operativo.  
Considerações finais  
A revisão de literatura apontou que nos últimos anos houve aumento na produção dessa  
temática no Serviço Social, que pode ser apurado pelos dados das buscas que foram realizadas.  
Na primeira busca de meados de ano de 2022, que foi feita sem especificação de período,  
tínhamos localizado 4 trabalhos. Na última busca, que teve como marco temporal de 2022 a  
2025, foram localizados 6 trabalhos.  
Observa-se que essa metodologia de pesquisa se constrói a partir da fonte oral e tem  
intrínseca relação com o Serviço Social, tanto na pesquisa quanto no cotidiano de trabalho,  
lócus em que se materializa a práxis social. Coaduna-se com o Projeto Ético-Político da  
A fonte oral na pesquisa em Serviço Social e a história oral: a leitura marxiana  
profissão, pois se apresenta por princípio como: democrático, igualitário e compromissado com  
a classe trabalhadora. Esses princípios são norteadores da profissão do/a assistente social. A  
leitura analítica das narrativas feita pela apreensão da objetividade e subjetividade – o par  
dialético – edifica-se pela teoria marxiana, distanciando-se das concepções de exaltação da  
individualização. O exercício é conectar essas vivências – reportadas pelas narrativas – com os  
determinantes históricos, estruturais e conjunturais da sociedade capitalista. Na minha pesquisa  
de doutorado, cujo objeto se aproximava do tema aposentadoria, a inclinação foi compreender  
o seu significado no modo de produção capitalista, ou seja, verificar sua relação com a  
concepção de mercadoria que agrega valor ao capital (Moreira, 2024).  
Advogamos que a fonte oral, na pesquisa qualitativa, permite o conhecimento da  
experiência vivida pelos sujeitos e sujeitas para construção do conhecimento científico. As  
narrativas são eivadas das vivências da vida em sociedade, portanto traz as questões das  
dimensões: econômica, social, política, cultural. Partimos da consideração que para se debruçar  
sobre um fenômeno, com o objetivo de realizar aproximações sucessivas, visando seu  
desvendamento, é necessário a adoção de uma metodologia que articula o método da pesquisa  
e o referencial teórico, que trará à luz para sua compreensão e análise.  
Os procedimentos técnico-operativos enunciados pelos estudiosos da história oral  
trazem possibilidades na construção do desenho da pesquisa, o método a ser adotado que se  
incorpora ao referencial que guiará as análises, confirmando-se em procedimentos  
metodológicos. Fazer pesquisa como o aporte da metodologia da história oral, implica na  
construção de um projeto que trilhe todo o percurso. A metodologia da história oral possibilita  
o exercício das dimensões: ético-política; teórico-metodológica; técnico-operativa que  
sustentam o fazer profissional, nesta área do conhecimento e, transportando-se para pesquisa  
em Serviço Social.  
322  
“História oral: um jeito de construir conhecimento para sociedade a partir das narrativas dos  
sujeitos e sujeitas que vivem a história” (Carla Moreira).  
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