A fonte oral na pesquisa em Serviço Social e a história oral: a leitura marxiana
Outra aproximação entre a história oral e o Projeto Profissional é a apropriação da teoria
social crítica para leitura da realidade, que tem como assento a oralidade. Pesquisadores/as que
discutem a temática hidratam essa discussão. Monteiro (2019), ao discorrer sobre a história
oral, enfatiza sua interlocução com o materialismo histórico e dialético - base teórica e alicerce
do Serviço Social pós-Movimento de Reconceituação –,
(...) assertiva marxiana faz-nos concordar que o ser humano é singular,
individual-particular e, ao mesmo tempo, ente humano-genérico. Logo os
depoimentos [narrativas] e cosmovisão expressas pelo nosso [pela nossa]
interlocutor [interlocutora], que é um indivíduo social, não são apenas
resultados de suas abstrações desde o abstrato. São resultados de uma
realidade concreta e objetiva, posta e construída social e historicamente no seu
território (p. 69-70).
3. c) Categoria temática: a história oral no Serviço Social: o diálogo com o cotidiano e com a
pesquisa - dialogando com os excertos:
[T2] (...) a história oral se torna um arcabouço para a apreensão da realidade,
que é de suma importância para o serviço social, tendo em vista que essa
profissão e área de conhecimento têm como uma de suas preocupações as
experiências e histórias de vida da população demandatária dos serviços
prestados pelos profissionais. Assim, se busca no cotidiano de trabalho do [a]
assistente social compreender a realidade e a temporalidade em que os sujeitos
estão situados. (...) Apropriar-se da história oral como procedimento
metodológico na pesquisa em Serviço Social requer enfatizar as fontes orais e
as narrativas como elementos norteadores na análise da realidade e das
relações sociais (Guiraldelli, 2014, p. 126 e 128).
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[T4] (...) esta metodologia recupera as histórias através do trabalho com fontes
orais, realizando entrevistas em profundidade, tendo como objetivo o de
conhecer dimensões da vida dos sujeitos, que não podem ser apreendidas a
simples vistas, destacando que ao mesmo tempo em que estas histórias são
singulares, também trazem em si a sínteses do universal, portanto nos remetem
a fatos da história mais ampla. [bem como] serve para o conhecimento da
realidade mais direcionado para a pesquisa e a produção de conhecimento
tanto para o trabalho concreto de intervenção: história oral e trajetórias sociais
(Moljo; Domingues Júnior, 2017, p. 1355).
[T9] ao narrar e partilhar a sua história de vida, os participantes experimentam
um processo de partilha, muitas vezes pela primeira vez. Ao verem a sua
história publicada, conseguem analisar a sua vida documentada de forma
exterior a eles próprios, colocando-os, inevitavelmente, perante a sua própria
vida com a distância [vista externamente] certa para a poderem reprocessar.
Este entendimento que cada participante pode ter deste processo, traduz-se nas
inúmeras possibilidades que cada sujeito pode dar à sua história,
potenciando a sua reinvenção, aumentando a sua consciência crítica perante si
e os outros. [Ahistória oral] ela supõe que os sujeitos possam participar,
narrando acontecimentos da história da sua vida, contribuindo assim, para o
resgate da memória plural (Cardoso, 2025, p. 14).
[T6] (...) revisitar suas memórias nos possibilitou ouvir histórias
contraditórias, mas ricas em conteúdo – e que só são acessíveis ao nos
colocarmos como ouvintes dessas histórias. A articulação entre história das
mulheres e a metodologia da história oral nos parece óbvia. Pela escuta,
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 302-326, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518