História e memória da e na formação em Serviço  
Social na Universidade Federal do Piauí e sua  
interlocução com o campo da saúde mental1  
History and memory of Social Work training at the Federal University Of  
Piauí and its interaction with the field of mental health  
Laína Jennifer Carvalho Araújo*  
Resumo: O artigo de natureza qualitativa,  
analisa as particularidades do processo de  
formação profissional em Serviço Social e a  
temporalidade histórica do e no Curso de  
Serviço Social da UFPI, na sua interlocução  
com o campo da Saúde, com ênfase na Saúde  
Mental. As análises empreendidas ancoram-se  
na literatura especializada, na produção escrita  
dos setenta e dois TCCs de discentes de Serviço  
Social da UFPI que abordaram a temática da  
Saúde Mental no período de 1987 a 2021, em  
diálogo com a experiência concreta do e no  
trabalho a partir dos depoimentos e narrativas  
das docentes do Curso de Serviço Social da  
Abstract: This qualitative article analyses the  
particularities of the professional training  
process in Social Work and the historical  
temporality of and in the Social Work Course at  
UFPI, in its dialogue with the field of Health,  
with an emphasis on Mental Health. The  
analyses undertaken are based on specialized  
literature, the written production of seventy-two  
final course projects by Social Work students at  
UFPI that addressed the theme of Mental Health  
in the period from 1987 to 2021, in dialogue  
with the concrete experience of and in the work  
based on the testimonies and narratives of the  
professors of the Social Work Course at UFPI  
who supervised the aforementioned final course  
projects, as well as on the narratives of social  
workers, graduates of the aforementioned  
Course, who work in the field of Mental Health.  
In this dialogue between fields, it was possible  
to understand how the participants sought to  
approach the body of knowledge of the  
profession, seeking to understand the specific  
dilemmas of their historical time, marked by  
different pedagogical proposals and theoretical  
trends of and in the profession in Brazil and in  
the Social Work Course at UFPI.  
UFPI  
orientadoras  
dos  
TCCs  
supramencionados, assim como nas narrativas  
de assistentes sociais, egressas do referido  
Curso, que trabalham no campo da Saúde  
Mental. Nesse diálogo entre campos, foi  
possível apreender como as participantes  
buscaram fazer uma aproximação do corpus de  
conhecimento da profissão, buscando  
o
entendimento sobre os dilemas específicos de  
seu tempo histórico, marcadas por diferentes  
propostas pedagógicas e tendências teóricas da  
e na profissão no Brasil e no Curso de Serviço  
Social da UFPI.  
Palavras-chave: Serviço Social; História;  
Saúde Mental; Educação Superior; Trabalho de  
Conclusão de Curso.  
Keywords: Social Work; History; Mental  
Health; Higher education; Course Conclusion  
Work.  
1 Esse artigo é produto financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES),  
código de financiamento, 001.  
* Universidade Federal do Tocantins. E-mail: laina5411@gmail.com  
DOI: 10.34019/1980-8518.2026.v26.49620  
Esta obra está licenciada sob os termos  
Recebido em: 29/07/2025  
Aprovado em: 04/02/2026  
Laína Jennifer Carvalho Araújo  
Introdução  
O assistente social no Brasil, “é um profissional de nível superior que possui formação  
científica, de caráter investigativo e interventivo, cuja dimensão do exercício profissional é de  
natureza teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa” (Joazeiro, 2020, p. 305).  
Nessa perspectiva, o assistente social tem como objeto de sua intervenção a questão social, que  
conforme assinala Iamamoto (2009, p. 156) “condensa o conjunto das desigualdades e lutas  
sociais, produzidas e reproduzidas no movimento contraditório das relações sociais, alcançando  
plenitude de suas expressões e matizes em tempos de capital fetiche” (Iamamoto, 2009, p. 156).  
O caráter histórico e multifacetado da questão social requer do profissional, protagonista  
do trabalho das e nas políticas públicas, que seja capaz de apreender o que Pereira (2014, p.  
27) denomina como os “principais traços da interdisciplinaridade como paradigma  
epistemologicamente mais trabalhado, embora não esgotado, da concertação de saberes com  
vista ao conhecimento mais denso e abrangente de realidades complexas”. Assim, no cotidiano  
do trabalho das e nas políticas públicas, particularmente no âmbito do Serviço Social, os  
protagonistas dessa atividade de trabalho se defrontam com aspectos oriundos de questões  
singulares e coletivas para realizarem sua atividade de trabalho, uma vez que, conforme assinala  
Iamamoto (2013, p. 197), “as relações que tecem na sociedade não são diretas [nem]  
transparentes, não se revelando de imediato”.  
279  
Nessa perspectiva, neste artigo, analisamos a relação entre formação profissional e a  
temporalidade histórica do e no Curso de Serviço Social da Universidade Federal do Piauí  
(UFPI), visando compreender a relação e a articulação que se dá entre experiência e  
conhecimentos da profissão, que se realizam nessa atividade de formação e trabalho na  
docência. Desse modo, na busca em compreender essa relação, colocamos em diálogo a  
produção escrita de discentes, autores de setenta e dois Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC)  
em Serviço Social da UFPI sobre a temática da Saúde, especificamente da Saúde Mental, no  
período de 1987 a 2021.  
À riqueza desse material, entendido como fonte secundária de informação, foi somada  
aos depoimentos e narrativas de docentes do Curso de Bacharelado em Serviço Social da  
supramencionada Universidade, que orientaram discentes no processo de construção do  
Trabalho de Conclusão de Curso de Serviço Social sobre a temática da Saúde, com ênfase na  
Saúde Mental no município de Teresina na série histórica dos anos de 1987. Com vistas a  
aproximarmo-nos dessa temporalidade histórica, utilizou-se ainda as narrativas advindas de  
dois Grupos Focais gravadas em áudio com seis assistentes sociais egressas do Curso de  
Serviço Social da UFPI, visando colocar em palavras a experiência ao mesmo tempo singular  
História e memória da e na formação em Serviço Social na Universidade Federal do Piauí e sua interlocução com  
o campo da saúde mental  
e coletiva na “realização da atividade de trabalho nesse campo de conhecimento e de atenção à  
pessoa com transtorno mental e a seus familiares” (Joazeiro; Araújo, 2021, p. 211).  
Essa articulação entre campos foi proposta com vistas a buscar identificar como esses  
sujeitos apresentam e analisam a relação entre os conhecimentos e os saberes de seu próprio  
campo de formação e o saber dos outros campos conceituais com os quais interagem no  
cotidiano do exercício na docência e da intervenção da e na Saúde, com ênfase na Saúde  
Mental. Nesta perspectiva, ao refletirmos sobre a formação profissional do e no Curso de  
Serviço Social da Universidade Federal do Piauí, estamos nos referindo “ao diálogo necessário  
que é requerido de quem o realiza, seja a(o) profissional ou a(o) estudante em formação,  
visando compreender o corpus de conhecimento da profissão e sua relação com a decifração do  
cotidiano do exercício profissional no Serviço Social” (Araújo; Joazeiro, 2023, p. 7).  
O estudo utilizou metodologia qualitativa com uso de literatura especializada na  
temática, centrado numa abordagem da história sob a perspectiva da longa duração, orientou-  
se pelo método histórico-dialético cujo o recorte temporal da pesquisa foi definido em  
consonância com a intenção de aproximar o estudo do momento de criação do Curso de Serviço  
Social da Universidade Federal do Piauí, no ano de 1976. Contudo, a data de realização do  
primeiro Trabalho de Conclusão de Curso sobre a temática supramencionada se deu no ano de  
1987, e o último trabalho analisado sobre a temática refere-se ao ano de 2021.  
280  
Torna-se importante destacar que as análises ora apresentadas neste artigo se ancoram  
nas pesquisas de Doutorado2 e Mestrado3. Como se trata de pesquisas com uso de fontes  
primárias de informação, ambas foram submetidas e obtiveram aprovação no Comitê de Ética  
em Pesquisa, cada uma com seu respectivo número de cadastramento, dada a temporalidade  
histórica em que cada pesquisa foi realizada.  
Temporalidade da e na formação em Serviço Social na Universidade Federal do  
Piauí: traços da história e da memória de encontros diversos  
Assinala Joazeiro (2008, p. 5) que “o homem é um ser que vive em sociedade”, ora,  
“toda atividade humana realiza-se num espaço e num tempo e dá-se na história” (Joazeiro, 2008,  
p. 5). Em consonância com essa perspectiva histórica, buscamos compreender a noção de tempo  
ancorados em Elias (1994, p. 57), no qual entende como sendo uma “construção social e como  
2 Pesquisa intitulada Formação e trabalho do e no Serviço Social: interfaces entre o campo do social e o campo da  
Saúde Mental na qual possui CAAE n° 58087122.6.0000.5214, recebido parecer favorável em 2.05.2022.  
3
Pesquisa intitulada “Serviço Social e Formação: traços da história da interlocução com o campo da Saúde  
Mental”, com CAAE de cadastramento n° 14959419.2.0000.5214, tendo recebido parecer favorável em 24 de  
junho de 2019.  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 278-301, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Laína Jennifer Carvalho Araújo  
relação de interdependência e de interpenetração entre o individual e o social” para “pensar a  
íntima relação que se estabelece no âmago dessas relações de interdependência e de  
interpenetração recíprocas que se [re]configuram como formas de apreensão e de compreensão  
de uma dada atividade” (Joazeiro, 2018, p. 69), no caso específico, a formação em Serviço  
Social.  
Nessa perspectiva de análise, ancoradas em Ricoeur (1999), estivemos atentas à  
temporalidade da narrativa, na qual o autor a compreende como sendo “uma estrutura de  
existência uma forma de vida que se liga à linguagem mediante a narrativa, ao passo que  
esta é a estrutura linguística o jogo da linguagem que tem como seu referente final a  
temporalidade” (p. 183). Nessa perspectiva, Benjamin (1994, p. 205) afirma ser a narrativa,  
[...] ela própria, num certo sentido, uma forma artesanal de comunicação. Ela  
não está interessada em transmitir o “puro em si” da coisa narrada como uma  
informação ou um relatório [...] mergulha a coisa na vida do narrador para em  
seguida retirá-la dele. Assim se imprime na narrativa a marca do narrador,  
como a mão do oleiro na argila do vaso.  
E, nesse sentido, estabelece na experiência uma memória comunicativa, um significado  
cuja relação entre tempos proporciona, no presente, um entendimento sobre um outro que vem  
do passado onde a memória, conforme assinala Bosi (2003, p. 11) “opera com grande liberdade,  
escolhendo acontecimentos no espaço e no tempo, não arbitrariamente, mas porque se  
relacionam através de índices comuns. São configurações mais intensas quando sobre elas  
incide o brilho de um significado coletivo”. A partir desse entendimento, pensar a  
temporalidade do Curso de Serviço Social da Universidade Federal do Piauí requer empreender  
uma análise das determinações que formam o tempo que as imprime, buscando, nesse sentido,  
compreendê-la enquanto o próprio movimento que a constitui, por meio da demarcação do seu  
itinerário no decorrer da história. O movimento se realiza por mediações e exige o afastamento,  
como assinala Netto (2012, p. 53):  
281  
[...] de oposições irredutíveis e sem sínteses superadoras, o que não significa  
a negação e ausência das contradições; ao contrário, é preciso compreender  
que as forças e relações contraditórias existem e coexistem [...] na totalidade,  
produzindo o movimento.  
Esse movimento está carregado de memória e de história, marcadas por diferentes  
temporalidades, fato que contribui para uma compreensão das relações entre as diversas práticas  
sociais e de como são vividas e experimentadas pelos sujeitos que a compõem enquanto  
totalidade, em um determinado período histórico. Logo, o processo histórico de implantação e  
consolidação do Curso de Serviço Social da Universidade Federal do Piauí “não pode ser  
compreendido fora do contexto de ampla mobilização popular e efervescência política  
História e memória da e na formação em Serviço Social na Universidade Federal do Piauí e sua interlocução com  
o campo da saúde mental  
vivenciados no Brasil e no Piauí” (Pereira, 2024, p. 414). A Universidade Federal do Piauí foi  
criada nesse contexto, no cerne do período da ditadura militar no ano de 1968, “nos termos da  
Lei nº 5.528/68. Dessa forma, incorporava as propostas da Reforma Universitária da Ditadura,  
de que a universidade seria a ‘solução mágica’ para a superação do atraso frente às outras  
unidades da federação e para impulsionar o desenvolvimento” (Pereira, 2024, p. 407).  
Ainda conforme as análises tecidas pela autora, no decorrer de sua trajetória história o  
Serviço Social brasileiro, “orientou-se por diferentes projetos formativos que expressaram as  
direções adotadas pela profissão ao longo de sua história, refletindo as transformações sociais,  
políticas, econômicas e culturais da realidade” (Pereira, 2024, p. 406), contexto esse que  
“também pode ser observado no Curso de Serviço Social da Universidade Federal do Piauí,  
criado em 1976”, através da “Resolução CONSUN/UFPI, tendo sido reconhecido pela Portaria  
nº 313 do Ministério da Educação em julho de 1983” (Joazeiro, 2020, p. 309), e integra o  
Departamento de Serviço Social da Universidade Federal do Piauí.  
Nesse sentido, trata-se de uma história plural e muito rica que, desde sua origem, tem  
desempenhado um papel relevante no decorrer desses quarenta e nove anos na formação de  
assistentes sociais advindos do Piauí, do Maranhão e de outros Estados, sobretudo pela  
formação comprometida com o Projeto Ético-Político da profissão, com a realidade e  
singularidades dessa região e, sobretudo, comprometida com a cidadania e a defesa da vida.  
Assim, assinala Joazeiro (2020, p. 309) que a história e a memória do Curso de Serviço Social  
da UFPI podem ser apreendidas “mediante uma análise criteriosa dos registros de sua trajetória  
no decorrer do tempo, cujos marcos temporais e legais revelam percursos, dilemas que se  
tornam visíveis no próprio ordenamento da UFPI”. Ainda conforme a autora,  
282  
[...] o processo de constituição da Universidade Federal do Piauí está  
intimamente ligado a história do Centro de Ciências Humanas e Letras e, se  
relaciona de forma inequívoca com a própria criação do curso de Serviço  
Social da UFPI. Há uma vinculação de interdependência e de interpenetração  
recíprocas da relação que estes estabelecem no decorrer do tempo (Joazeiro,  
2020, p. 309).  
É necessário considerar que “o próprio processo de configuração do Curso e de sua  
matriz conceitual não se dissocia da configuração da formação para o “social” em uma  
sociedade marcada por uma multiplicidade de aspectos [...] de dimensões internacionais,  
nacionais, locorregionais e institucionais” (Joazeiro, 2021, p. 381), assim como da importância  
das reivindicações e movimentos organizados que contam com a participação de estudantes,  
docentes e profissionais. Essas expressões coletivas explicam e norteiam, conforme assinalam  
Iamamoto, César e Melo (2023, p. 10-11),  
[...] transformações operadas no Serviço Social brasileiro – na formação e  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 278-301, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Laína Jennifer Carvalho Araújo  
produção acadêmico-profissional, no trabalho e na organização da categoria.  
Tais transformações apresentam uma afinidade eletiva com o legado  
progressista do Movimento de Reconceituação do Serviço Social na América  
Latina, ao mesmo tempo que o supera, mediante o amadurecimento teórico e  
político na análise da sociedade contemporânea e da profissão de Serviço  
Social em seu âmbito.  
Nessa perspectiva, de acordo com Joazeiro (2021, p. 381),  
[...] há que se considerar que a formação se materializou em um estado que  
tem sua história intimamente marcada por múltiplas expressões de  
desigualdades sociais, com profundas dificuldades para o acesso de  
importantes segmentos da população a bens e serviços, que, no limite,  
acarretam sérias implicações para quem realiza o trabalho no âmbito do social,  
uma vez que esse profissional se defronta, diuturnamente, com limites postos  
para o enfrentamento das condições materiais objetivas para o acesso da  
população usuária aos meios de vida, emprego e cidadania.  
Nacionalmente, a formação acadêmica profissional do Serviço Social contou com três  
Currículos4. Nessa direção, o Curso de Serviço Social da Universidade Federal do Piauí, desde  
sua criação em 1976, vem buscando acompanhar o movimento desencadeado pela Associação  
Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPESS), no âmbito das alterações das  
propostas pedagógicas. Assim, “o Curso tem, atualmente, no seu Currículo, disciplinas que se  
constituem em áreas de conhecimento necessárias à formação profissional e que se desdobram  
em disciplinas, seminários temáticos, oficinas, extensão, atividades complementares e outros  
componentes curriculares” (Joazeiro, 2008, p. 100).  
283  
[...] o currículo é uma norma antecedente prescrita da formação, que se  
constitui no próprio corpus de saberes que exprimem valores que norteiam a  
profissão, corpus esse que constitui nas normas e nos valores do exercício  
profissional, que se ancora, ainda, no modo particular de ver o mundo e de  
compreender a profissão e o lugar que ela ocupa na divisão social e técnica do  
trabalho (Joazeiro, 2008, p. 100).  
Desse modo, “torna-se necessário, para quem ensina e aprende, ser capaz de situar-se  
no presente através da compreensão do passado” (Joazeiro, 2008, p. 100). O Curso de Serviço  
Social da UFPI teve, ao longo de sua história, cinco Projetos Pedagógicos (vide Quadro 1 e  
Figura 1), que serão denominados no texto como Currículos, em virtude da prevalência do uso  
dessa denominação tanto na documentação quanto na literatura e no arcabouço conceitual da  
época. Ao elaborarmos o Quadro 1, buscamos demarcar cada um desses marcos, bem como  
4
Em 13 de março de 1970 através do Parecer nº 248 é aprovado pelo Conselho Federal de Ensino o primeiro  
Currículo. Em 04 de agosto de 1982 através do Parecer 412 e da Resolução 06 de 23 de setembro de 1982 é  
aprovado o segundo Currículo mínimo, que deveria ser implantado em todas as escolas até 1984. Referimo-nos às  
diretrizes curriculares como sendo de 1996, entendendo que nossa referência política é o documento aprovado pela  
ABEPSS e pela categoria nesse ano, mesmo que a aprovação destas oficialmente tenha se dado (com significativos  
cortes) apenas em 2002, estando expressas na Resolução CNE/ CES n. 15. Assim, para efeitos desta análise,  
recorreremos tanto à resolução quanto ao documento da ABEPSS.  
História e memória da e na formação em Serviço Social na Universidade Federal do Piauí e sua interlocução com  
o campo da saúde mental  
explicitar como as protagonistas da atividade docente estiveram atentas ao fato de que, de uma  
forma ou de outra, esses acontecimentos incidiram sobre a história e sobre o corpus de  
conhecimento da profissão.  
Quadro 1 Formação profissional do Serviço Social no Brasil e as Propostas dos Currículos do Curso de Serviço  
Social da Universidade Federal do Piauí.  
Formação Profissional no Curso de Serviço Social da UFPI  
Formação Profissional do  
Carga  
Horári  
a Total sionado  
do  
Estágio  
Supervi  
Trabalho de  
Conclusão de  
Curso  
Serviço Social no Brasil  
Ano de Aprovação  
Curso  
Currículo  
Mínimo de  
1970  
Matriz  
estrutural-  
funcionalista, de  
aporte norte-  
americana  
Aproximação  
com a teoria  
social crítica de  
Marx (um  
marxismo sem  
Marx)  
Perspectiva  
fundamentada  
nos diálogos  
com a teoria  
social de Marx  
Currículo I  
1976  
1987  
2.835  
180  
540  
Vinculado à  
experiência do  
Estágio  
I
N
F
L
U
Ê
N
C
I
Supervisionado  
Currículo  
Mínimo de  
1982  
Currículo II  
3.120  
Temas  
relacionados à  
profissão de  
Serviço Social  
e ou  
provenientes da  
experiência do  
Estágio  
Currículo III  
Currículo IV  
1994  
2.580  
3.225  
450  
450  
Diretrizes  
Curriculare  
s da  
ABEPSS de  
1996  
2007/20125  
Supervisionado  
20236  
3.225  
450  
284  
Currículo V  
A
Fonte: Elaboração própria com base nos Currículos do Curso de Serviço Social da UFPI.  
Nesse sentido, podemos observar a estruturação do corpus conceitual e disciplinar no  
âmbito da profissão do e no Serviço Social no Brasil e no Curso na UFPI. Essa distribuição dos  
conhecimentos e saberes no tempo exprimiu, como assinala Joazeiro (2008, p. 97), “a  
preocupação em demarcar um tempo para as disciplinas teóricas e um outro destinado à  
prática”. Nessa abordagem, o Currículo I do Curso de Serviço Social da UFPI foi implantado  
no ano de 1977, tendo vigido até o ano de 1984 e foi organizado em “disciplinas do ciclo geral  
de estudos, disciplinas básicas obrigatórias, disciplinas complementares obrigatórias e  
disciplinas optativas abrangendo 171 créditos distribuídos em 2.835 horas” (UFPI, 2007, p. 14).  
Nele, “a produção acadêmica materializada no Trabalho de Conclusão de Curso, enquanto  
5 Reformulado em 2012, adequando aos novos instrumentos e orientações nacionais e institucionais do Ministério  
da Educação, da Universidade Federal do Piauí e das entidades representativas do Serviço Social, tais como: a  
Resolução nº 1/ 2012, do CNE, que que estabelece Diretrizes Nacionais para Educação em Direitos Humanos; a  
Resolução nº 2/ 2012, do CNE.  
6 Em 2023, foi aprovada uma reformulação do Projeto Político-Pedagógico do Curso de Serviço Social, a partir da  
Resolução CEPEX/UFPI nº 512/2024, implantada a partir do ano de 2024, dando base para o seu quinto Currículo.  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 278-301, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Laína Jennifer Carvalho Araújo  
componente curricular obrigatório, constituía-se em uma atividade vinculada à experiência de  
Estágio Supervisionado, configurando-se em uma sistematização dessa vivência” (UFPI, 2007,  
p. 14).  
As bases do Currículo I do Curso eram o Currículo Mínimo implementado na década  
de 1970, tinha “como disciplinas obrigatórias Sociologia, Psicologia, Economia, Direito e  
Legislação Social, Política Social, Teoria do Serviço Social, Ética profissional e Serviço Social  
de Caso, Grupo e Comunidade” (Pereira, 2024, p. 407). Abreu (2016, p. 248) assinala que o  
Currículo Mínimo de 1970 “acentua a formação tecnicista para atender às exigências do padrão  
educacional imposto pela ditadura e do mercado de trabalho consolidado e expandido pela  
‘modernização conservadora’ implementada pelo Estado”. Nesse sentido, “embora a categoria,  
no país, já avançasse nas indagações e críticas ao conservadorismo, a proposta curricular  
vigente ainda reforçava os postulados funcionalistas articulados a uma perspectiva  
desenvolvimentista” (Pereira, 2024, p. 407).  
A partir desta análise, convidamos o leitor para um olhar atento ao depoimento da 1ª  
Docente na entrevista, em que é possível apreender essa tendência teórica que ancorava o  
corpus conceitual, normativo e disciplinar da formação em Serviço Social durante a vigência  
do Currículo I na UFPI.  
[...] quando eu iniciei como professora, a minha base era no Currículo  
antigo [Currículo I]. No Currículo formado com toda aquela visão tecnicista,  
aquela visão fundamentada na Corrente Positivista e no Funcionalismo  
com uma influência das correntes Norte-americanas da Área do Serviço  
Social que falava muito da questão do ajustamento social e da integração.  
Eu, a gente ensinava Serviço Social de Caso, Grupo e Comunidade. Olha,  
eu entrei [na docência em Serviço Social] em 1984, veja bem, o Currículo  
Mínimo foi discutido em 1979 na Convenção da ABEPSS e aprovado em  
1982 pelo Ministério da Educação. Mas, no nosso Currículo, as primeiras  
orientações eram um pouco nessa perspectiva do ajustamento social onde  
o problema está no indivíduo, não está no contexto. É somente, se eu não me  
engano, entre 1985 e 1987 que a gente foi implantar de fato aqui [no Curso  
de Serviço Social da UFPI] a revisão curricular de orientação crítica  
fundada na teoria social de Marx (Fragmento do depoimento da 1ª docente  
na entrevista, destaques nossos).  
285  
No depoimento da docente é possível apreender a tendência teórica que ancorava o  
ensino da profissão no Curso à época do seu primeiro Currículo, ao mesmo tempo que revela a  
travessia dessa perspectiva conservadora, com seus fundamentos positivistas e funcionalistas,  
para a tendência fundamentada no pensamento marxista através da revisão curricular que se  
ancora no Currículo Mínimo de 1982, o qual é fruto de “um longo processo de construção  
teórica e política que, expresso no congresso de 1979, teve incidência, nacionalmente, sobre  
História e memória da e na formação em Serviço Social na Universidade Federal do Piauí e sua interlocução com  
o campo da saúde mental  
proposições e concepções da formação profissional em Serviço Social” (Iamamoto; César;  
Melo, 2023, p. 11).  
Essa nova perspectiva buscava uma formação que proporcionasse bases com maior  
densidade ao futuro assistente social, preparando-o para sua ação como um profissional mais  
crítico, reflexivo e interventivo, tendo em vista que, como assinala Iamamoto (2014, p. 611),  
“o exercício da profissão exige um sujeito profissional que tenha competência para propor e  
negociar com a instituição os seus projetos, para defender o seu campo de trabalho, suas  
qualificações e atribuições profissionais”. Derivado das formulações sobre a formação  
profissional, em âmbito nacional, que já pautavam a necessária relação entre teoria, método e  
história, o empreendimento coletivo e instituinte da construção do Currículo II de 1987, na  
UFPI, e do Currículo III aprovado em 1994, com vigência até o ano de 2006, assumiu contornos  
singulares nos quais se ancorava o Currículo Mínimo de 1982. Assinala Pereira (2024, p. 2018):  
[...] com o novo currículo, o processo formativo da UFPI passava a romper  
com uma perspectiva mais tradicional e conservadora da profissão e adotava  
uma orientação crítica, que compreendia o Serviço Social inserido na  
realidade sócio-histórica, claramente influenciada pela corrente de  
pensamento marxista.  
Essa direção7 na formação profissional dá-se principalmente com o Movimento de  
Reconceituação. De acordo com Iamamoto (2015), este movimento é “dominado pela  
contestação ao tradicionalismo profissional e implicou um questionamento global da profissão:  
de seus fundamentos ídeo-teóricos, de suas raízes sociopolíticas, da direção social da prática  
profissional e de seu modus operandi” (p. 205), momento esse em que a profissão buscava  
fortalecer as dimensões teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa.  
286  
7
Cumpre assinalar, a importância no que tange à articulação entre o Movimento de Reconceituação na América  
Latina e a Renovação do Serviço Social no Brasil. Conforme assinalam Moljo, Silva e Zampani (2017, p. 120)  
“não pode ser unicamente explicado a partir de um movimento interno à profissão (reeditando certo tipo de  
endogenia), como um protagonismo exclusivo de seus profissionais e vanguardas empenhadas em reconceituar  
teórica, prática e metodologicamente o Serviço Social em suas respectivas realidades”. Nessa perspectiva, o  
Movimento de Reconceituação, como afirma Netto (1981, p. 60) foi “geograficamente bem definido e  
historicamente datado: ocorreu no continente latino-americano em um período situado, no geral, entre 1965-1975”,  
e tinha como proposta contestar as teses do Serviço Social tradicional, ou seja, aquele estruturalmente vinculado  
às protoformas desta profissão. De acordo com Batistoni (2017, p. 137), “a compreensão do seu processo na  
particularidade brasileira exige que o mesmo seja historicizado face ao significado econômico-social da Ditadura  
Civil Militar (1964-1985), em sua constituição, crise e desdobramentos na ‘transição democrática’, bem como as  
implicações da natureza do Estado autocrático, do novo padrão de acumulação e de dominação sobre as classes  
trabalhadoras. No Brasil, a Reconceituação assumiu a perspectiva hegemônica de uma modernização conservadora  
e tecnocrática, expressa nas sistematizações teóricas dos Documentos de Araxá e de Teresópolis, com traços de  
funcionalidade com o regime autocrático”. Esse período representou um marco histórico significativo para o  
Serviço Social brasileiro, uma vez que explicita a construção de um processo de ‘revisão profissional’, tanto no  
âmbito da formação quanto do exercício profissional, entrelaçado à conjuntura socioeconômica e política  
brasileira, que incide, diretamente, nos processos organizativos e formativos dos assistentes sociais, no contexto  
de Ditadura Militar” (Portes; Portes, 2018, p. 216).  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 278-301, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Laína Jennifer Carvalho Araújo  
Neste momento, convidamos o leitor a um olhar atento para o depoimento da 8ª Docente  
na entrevista, onde é possível apreendermos que, mesmo com a incorporação da perspectiva  
analítica adotada pelo Currículo Mínimo de 19828, a formação de assistentes sociais no Curso  
de Serviço Social da UFPI ainda continha aspectos sutis no que tange à formação profissional  
hegemônica e crítica.  
No nosso Curso, eu sou do Currículo Mínimo de 1982, tanto na minha  
formação quanto no exercício da docência, que era um Currículo com base  
já no marxismo, mas, que era um Currículo, como eu te disse, essencialmente  
teórico e que fragmentava teoria, história e metodologia. E você via esses  
elementos como separados e cabia somente a você e a sua capacidade de  
interligar esses processos (Fragmento do depoimento da 8ª docente na  
entrevista, destaques nossos).  
Assinala Pereira (2024, p. 233) que essas eram algumas das dificuldades, fato que  
provocou uma “tendência teoricista na formação profissional, que privilegiava a discussão  
teórica por si mesma, de forma fragmentada da compreensão da realidade concreta, refletindo  
no perfil dos(as) profissionais que eram formados(as) naquele momento”. Iamamoto (2014)  
afirma que é a partir dos anos de 1980 que o Serviço Social “vem se afirmando como  
especialização do trabalho na sociedade contemporânea, estando inscrita na divisão social e  
técnica do trabalho, o que supõe afirmar o primado do trabalho na constituição dos indivíduos  
sociais” (p. 610).  
287  
Nesse período, a profissão aproximou-se cada vez mais da tradição marxista, dando  
densidade “às análises e fortalecendo essa abordagem analítica e o arcabouço conceitual da  
profissão, marco no debate sobre os fundamentos do Serviço Social” (Araújo; Joazeiro, 2023,  
p.8). Segundo Yazbek (2018, p. 48), essa abordagem consiste “na matriz explicativa da  
realidade e da profissão, permeando a interlocução entre o Serviço Social e a realidade”. O  
redimensionamento da profissão reverberou em processos subsequentes, entre eles as Diretrizes  
Curriculares da ABEPSS de 1996. Afirmam Iamamoto, César e Melo (2023, p. 11), que o ano  
de 1993, foi emblemático para o Serviço Social, quando foram,  
[...] revistos e aprovados novos parâmetros legais, éticos e políticos da  
profissão, orientados pela perspectiva histórico-crítica na leitura da dinâmica  
da sociedade capitalista e no compromisso com o universo do trabalho, bem  
como com o legado de lutas históricas dos trabalhadores e seus movimentos  
sociais.  
Em 1993, houve a aprovação do Código de Ética do Assistente Social e da Lei nº 8.662,  
que dispõe sobre a profissão de assistente social e expressa a sua regulamentação. Esses  
8 A proposta de reforma curricular que se iniciou em 1978 e culminou no Currículo de 1982 significou um avanço  
para o processo formativo na medida em que buscou romper com a perspectiva de análise predominante no Serviço  
Social, a-classista e a-histórica, tomando como referência a realidade social (Portes; Portes, 2018, p. 216).  
História e memória da e na formação em Serviço Social na Universidade Federal do Piauí e sua interlocução com  
o campo da saúde mental  
elementos subsidiam a formulação das Diretrizes Curriculares para o curso de Serviço Social  
no Brasil, construídas coletivamente nas regiões e aprovadas em 1996, sob a forma de currículo  
mínimo para o curso de Serviço Social. Destaca-se que a formação do e no Serviço Social, a  
partir das Diretrizes Curriculares da ABEPESS (1996), não se limita às disciplinas e passa a ser  
organizada em torno dos Núcleos de Fundamentos da Formação Profissional do Serviço Social  
a saber: Núcleo de Fundamentos da Vida Social, Núcleo de Fundamentos da Realidade  
Brasileira e Núcleo de Fundamentos do Trabalho Profissional, ancorada na “abordagem  
histórico-crítica fundada na teoria social marxiana” (Yazbek, 2018, p. 47-48).  
[...] é por meio desta perspectiva que entendemos que os núcleos não se  
findam em uma grade curricular na orientação dos distintos componentes  
curriculares; não é somente uma forma de fazer com que os conteúdos das  
matérias estejam articulados, mas de entender que tais conteúdos  
constituem uma unidade que contempla diferentes formas de  
aproximação do real, necessária para a construção de intervenções  
profissionais (Maroneze; Fortuna, 2023, p. 148, destaques nossos).  
Dessa forma, ancoradas nas Diretrizes Curriculares de 1996, a aprovação do Projeto  
Pedagógico do Curso de Serviço Social da UFPI ocorreu no ano de 2007 e que deu base para o  
seu quarto Currículo, tendo “adotado a carga horária mínima prevista na proposta de Diretrizes  
Curriculares de 2.700 horas (excetuando o Estágio Curricular e o TCC) e, no currículo ora  
proposto, é de 3.225 horas” (UFPI, 2012, p. 25). A partir da implantação desse Currículo, houve  
profundas mudanças na organização dos conteúdos, nos fundamentos e nos pressupostos  
basilares da formação e do trabalho do assistente social no estado do Piauí.  
288  
No ano de 2012, o referido Currículo sofreu algumas alterações a partir da Resolução  
n° 169/2012. Essas alterações resultaram na “definição de conteúdo por disciplina, bem como  
na reestruturação de disciplinas para aglutinar conteúdo. [...] foram incorporados conteúdos de  
gênero e diversidades, raça e etnia, Libras e meio ambiente” (UFPI, 2012, p. 4). No Curso de  
Serviço Social da UFPI, recentemente, tivemos a aprovação de um novo Currículo em junho  
de 2023, através da Resolução CEPEX/UFPI N° 512, com sua implantação a partir de 2024.  
Um olhar atento para o depoimento da protagonista da atividade de trabalho docente na  
entrevista revela o quanto essas mudanças nas propostas curriculares foram e têm sido  
necessárias, principalmente no âmbito da pesquisa enquanto fundamento da dimensão  
investigativa da profissão.  
A gente mudou essa formação quando a gente começou a adotar teorias, a  
fazer a crítica da realidade e a fazer pesquisa. Porque aí a gente não só  
passou a usar as teorias existentes e até fazer críticas sobre elas, mas, a gente  
também começou a produzir conhecimento. Começamos a investigar e a  
fazer pesquisa. Mas, para isso não é só fazer uma sistematização da prática  
como era inicialmente os TCCs. Porque a gente não tinha disciplina de  
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pesquisa no Curso, não havia um investimento e também nenhuma discussão  
teórica aprofundada. Então, o que a gente fazia era através do Estágio, o  
que era comum, era fazer uma sistematização da prática, da experiência de  
Estágio, ou mesmo que você pegasse outro tema, mas era uma discussão  
mais tecnicista justamente por falta desse aprofundamento. Com a teoria  
social crítica os TCCs passaram a ter mais densidade e até contribuindo  
com a realidade social a partir do tema investigado (Fragmento do  
depoimento da 5ª docente na entrevista, destaques nossos).  
Em seu depoimento, a docente nos permite refletir que há um imperativo  
epistemológico e ético que nos impele a produzir conhecimento proveniente de uma  
perspectiva crítica. Observa-se, no seu depoimento, a valorização da dimensão investigativa da  
profissão no processo da pesquisa e de sua contribuição ao universo da produção do Trabalho  
de Conclusão de Curso, cujo processo de orientação e de produção pelo discente requer o  
encontro entre experiência e conhecimentos vários requeridos: os da profissão, os da formação,  
os do social, os da história em processo de construção na sua tensão com as relações de poder  
e de saber, tanto aqueles que se criam no aqui e agora como os oriundos da e na realização da  
atividade de trabalho do pesquisador.  
[...] considera-se que essa lógica de constituição implica a apropriação do  
método materialista, histórico e dialético, da concepção ontológica de homem  
e mundo que a informa e que nos fornece elementos necessários para dizer  
que o pensamento não está desconectado da atividade prática. Isso é  
fundamental para apreender que essa dimensão é transversal e se expressa na  
totalidade dos componentes curriculares. Embora entre um e outro sejam  
reforçados traços que evidenciam, de modo mais particular, os aspectos  
constitutivos da investigação, esta depende da mobilização e articulação  
desses componentes (Maroneze; Fortuna, 2023, p. 148).  
289  
Na análise do depoimento da docente, podemos apreender uma diferenciação no que se  
refere, particularmente, aos três primeiros Currículos do Curso, no que tange à sua estruturação  
e concepção. Torna-se importante assinalar, que o Currículo consiste em uma norma  
antecedente da profissão aos quais:  
[...] prescrevem os valores e o corpus de saber que animam a atividade da(o)  
assistente social, antecipam conhecimentos disciplinares que lhe são  
fundamentais, uma vez que dizem respeito ao núcleo de saber específico da  
profissão (Joazeiro, 2008, p. 99).  
Nesse sentido, no âmbito da formação, são apresentadas aos estudantes “diversas  
concepções, diversos modos de analisar e de compreender o social [...] a história da política  
social e dos sistemas de proteção social com os quais o profissional se relacionará na constância  
da realização de sua atividade profissional de atendimento à população” (Joazeiro, 2008, p. 99).  
Uma análise do depoimento da protagonista da atividade também nos permite olhar  
esses Projetos Pedagógicos e compreendê-los no enquanto parte do movimento da história.  
Assim como, a entendermos o direcionamento social, ética e política que atravessa cada  
História e memória da e na formação em Serviço Social na Universidade Federal do Piauí e sua interlocução com  
o campo da saúde mental  
Currículo aqui analisado e estudado pelos discentes ao longo desses mais de oitenta anos da  
profissão no Brasil e nesses quarenta e nove anos do Curso de Serviço Social na Universidade  
Federal do Piauí. Como assinala Joazeiro (2018, p. 179), “o olhar da formação é projetado na  
direção de buscar compreender o corpus de saberes da profissão: seus liames históricos, a  
linguagem na profissão, as ferramentas operativas tanto quanto as ferramentas conceituais  
inerentes ao exercício profissional”.  
Na análise ora tecida, estivemos atentas às concepções da profissão ao longo destes  
quase quarenta e sete anos de história do Curso de Serviço Social da Universidade Federal do  
Piauí, onde podemos refletir sobre “os diversos Projetos Pedagógicos vigentes, mas sempre se  
coadunando com a temporalidade histórica, ancorados nos marcos conceituais, legais e na  
sociabilidade de cada momento analisado” (Joazeiro, 2021, p. 380-381) da formação em  
Serviço Social no Brasil e na UFPI.  
Conhecimentos e saberes do e no Serviço Social na interlocução com os da saúde  
mental  
A intervenção profissional no âmbito do Serviço Social enquanto configuração  
específica e complexa na sociedade, na universidade e no âmbito da Saúde, particularmente da  
Saúde Mental – “se materializa na relação entre ‘sujeitos’ que vivem em sociedade, ou seja, ela  
se realiza numa relação entre homens e mulheres concretos, ela está na história [...]. Contudo,  
a história está sempre em processo de tessitura” (Joazeiro, 2018, p. 68). Nesse sentido, “a  
história é parte de um processo complexo e inacabado que possibilita buscar compreender o  
movimento das transformações que se estabelecem na relação entre vida e experiência da e na  
sociedade” (Joazeiro; Araújo, 2021, p. 211).  
290  
Nessa perspectiva analítica afirma Joazeiro (2021, p. 381) que,  
[...] formar profissionais para realizar a intervenção no âmbito das políticas  
sociais públicas, junto a um segmento de população que vive sob a égide da  
desigualdade no acesso às condições materiais mínimas, requer ser capaz “de  
instruir” esse futuro profissional para construir um arcabouço conceitual que  
lhe permita extrair “no instante” (Trédé, 1992) do atendimento que realiza os  
fragmentos que tornam inteligível a história do outro e, portanto, permitem  
que esse diálogo seja tecido, com vistas a tornar-se capaz de decifrar tanto as  
marcas do direito quanto os traços de sua ausência.  
Essas dimensões evidenciadas colocam, ainda, no centro da prática de conhecimento, a  
dimensão do cotidiano, enquanto relação de “interdependência e interpenetração recíproca”  
(Elias, 1994), para alcançar o movimento da realidade. Com base em Heller (2008, p. 24 e 29),  
“o movimento é a continuidade de toda a heterogênea estrutura social e a continuidade de  
valores chama-se história”; história “[...] é a substância da sociedade”. Heller (2008, p. 7) afirma  
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Laína Jennifer Carvalho Araújo  
que o cotidiano, enquanto uma das esferas da vida social e, como tal, “é o lugar da [re]produção  
dos indivíduos, é o ‘mundo da vida’ que se produz e se reproduz dialeticamente, num eterno  
movimento”. Ainda em conformidade com a autora, “a vida cotidiana não está ‘fora’ da história,  
mas no ‘centro’ do acontecer histórico: é a verdadeira ‘essência’ da substância social” (p. 34)  
e, nesse sentido, pode-se compreender que o ritmo do tempo acompanha o ritmo da história, e  
esse ritmo atinge todo ser humano, tanto na vida particular quanto no geral, porque é o tempo  
vivido na e pela história.  
Martinelli (2002, p. 2) ressalta a necessidade de o profissional realizar a interpretação  
da realidade a partir das relações entre estrutura, conjuntura e cotidiano, pois,  
[...] instituem-se como formas de acesso às múltiplas determinações da  
realidade, pela mediação dos contextos, acontecimentos, atores, forças sociais  
em presença, os quais podem ser alcançados pela análise de conjuntura como  
um recurso metodológico para apreender dialeticamente o movimento do real  
e penetrar em suas tramas constitutivas.  
O Serviço Social enquanto uma das 14 profissões da Saúde, cuja publicação das  
Diretrizes Curriculares Nacionais da Saúde (DCNs) de cada profissão se deu no período entre  
2001 a 2004 (Costa et al., 2018, p. 1.185), deve estabelecer uma relação entre a Universidade,  
enquanto locus de formação, e os serviços de saúde, enquanto espaço de assistência à saúde da  
população usuária do SUS e também um espaço de aproximação do mundo do trabalho, onde  
se aprende a trabalhar, se produz cuidado e se constrói conhecimento.  
291  
Nessa medida, a atividade de trabalho no espaço sócio-ocupacional da Saúde Mental  
visa a contribuir para que o assistente social se aproprie, gradativamente, dos conhecimentos e  
saberes do campo da Saúde e faça uma articulação com os conhecimentos e saberes do núcleo  
do Serviço Social. Ou seja, o encontro concreto com as necessidades de saúde da população lhe  
pede que correlacione os saberes do corpus de conhecimento da profissão com os saberes  
oriundos dos campos específicos da Saúde, aqui os da Saúde Mental.  
Convidamos o leitor para uma análise da Linha do Tempo materializada na Figura 1,  
onde estão registrados os principais marcos legais, conceituais e históricos que incidiram sobre  
o campo do Serviço Social e o da Saúde Mental, assim como também estão situados os  
protagonistas da atividade de trabalho docente em Serviço Social de nosso estudo, considerando  
o ano de admissão como docentes no Curso de Serviço Social da Universidade Federal do Piauí;  
ao mesmo tempo, revela-se o produto da sua atividade de trabalho a distribuição temporal do  
processo de orientação e de produção discente marcada pelas mudanças provocadas nos  
Currículos e na formação no âmbito do Serviço Social no Brasil e no Curso de Serviço Social  
História e memória da e na formação em Serviço Social na Universidade Federal do Piauí e sua interlocução com  
o campo da saúde mental  
da UFPI, ou seja, na intervenção ou na reflexão sobre a assistência à Saúde, especificamente na  
Saúde Mental, no decorrer da história.  
Essa periodização do campo da Saúde Mental, na Linha do Tempo, está ancorada nas  
quatro principais fases da história da Reforma Psiquiátrica no Brasil definidas por Vasconcelos  
(2016)9, nas quais o autor enfatiza o movimento histórico que atravessou e tem atravessado o  
campo da Saúde Mental, seus marcos legais, conquistas e retrocessos. Em decorrência dessas  
quatro fases, nós também a utilizamos para a distribuição temporal das docentes orientadoras  
de TCC, com vistas a garantir os aspectos éticos do anonimato das participantes na pesquisa.  
No que tange ao campo do Serviço Social, utilizamos como marco temporal os  
momentos determinantes do Projeto Ético-Político da profissão definidos por Teixeira e Braz  
(2009), nos quais os autores demarcam no tempo e na história a gênese, o avanço e a  
consolidação do Projeto Ético-Político, bem como os mútuos e múltiplos desafios que marcam  
sua permanente construção no âmbito da profissão e da sociabilidade capitalista.  
Assinala Araújo (2020, p. 34) que:  
[...] essa configuração societal, remete à necessidade de refletir sobre os  
conteúdos e sobre as matrizes curriculares das profissões, em consonância  
com os desafios postos a cada profissão pelo movimento da história, tendo em  
vista, o desenvolvimento científico e tecnológico em contínuo processo de  
[re]configuração.  
292  
9 Para uma análise, cf. Vasconcelos (2016).  
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Laína Jennifer Carvalho Araújo  
Figura 1 Linha do Tempo dos principais marcos do Serviço Social, da Saúde Mental e da produção discente do TCC e orientação docente no período de 1987 a 2021.  
Fonte: Elaboração própria com base nos dados da pesquisa (2024).  
Na análise empreendida sobre as temáticas analisadas pelos autores dos setenta e dois  
Trabalhos de Conclusão de Curso (Figura 1) revela o movimento expresso nas escolhas de  
temáticas sobre a Saúde Mental ao longo da história do Curso de Serviço Social na UFPI e da  
aproximação dos diversos momentos vividos no decorrer do Curso e de como, estudantes em  
formação compreenderam, registraram e analisaram sua apreensão dos campos do Serviço  
Social e da Saúde Mental. Nesse diálogo entre o Serviço Social e o campo da Saúde Mental,  
tanto nos textos dos autores dos Trabalhos de Conclusão de Curso quanto nas narrativas das  
protagonistas do trabalho, foi possível apreender como as participantes buscaram explicitar a  
partir do texto escrito, o modo como:  
[...] a profissão, seus conhecimentos e saberes foram se constituindo num  
corpus conceitual, ao mesmo tempo em que construíram saberes amealhados  
na experiência concreta da atividade de trabalho real, tecida no contínuo do  
tempo junto a essa população usuária do SUS, numa intensa relação com as  
demais profissões (Jazeiro; Araújo, 2019, p. 213).  
Assim como puderam demarcar as tensões, as contradições e as dúvidas sobre a própria  
constituição do conceito de transtorno mental e as diferentes formas de tratar, de expor, de  
tentar proteger e de buscar construir a autonomia da pessoa com transtorno mental no decorrer  
do tempo. As mudanças do paradigma do cuidado com a vida nesse campo e o próprio  
fortalecimento da Rede de Atenção à Saúde e da RAPS marcaram a travessia da história recente  
da Saúde Mental em Teresina, dando-se em consonância com o modo de pensar no Brasil e,  
para além dele, através de organismos nacionais e internacionais. A saúde, como uma das  
políticas públicas universais no país, tem valor e alcance fundamentais; essa política é  
tensionada por múltiplas racionalidades e temporalidades que a constituem, ao mesmo tempo,  
como um espaço de produção do cuidado, de defesa da vida e da cidadania.  
294  
Um olhar para o tempo e a história da produção de trabalhos de conclusão de curso  
em Serviço Social da Universidade Federal do Piauí  
O fluxo incessante de acontecimentos no tempo nos permitiu percorrer a travessia  
proposta neste trabalho, a qual se alia à abordagem adotada por inúmeros autores dos Trabalhos  
de Conclusão de Curso, que, nos seus textos, explicitaram os obstáculos e as conquistas que  
advieram desse processo de busca da construção de conhecimento.  
Resgatar o percurso de uma prática, que sabíamos marcada pela luta, por  
afirmação profissional e comprometimento com o público alvo do seu serviço.  
No decorrer do processo de coleta de dados, foram surgindo novos e  
significativos elementos que fizeram de nosso trabalho, uma empreitada  
desafiadora, contudo gratificante (Veras; Moreira, 1997, p. 50-51, destaques  
nossos).  
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Ele [TCC] é extremamente importante, e você realmente mergulha na sua  
prática de forma analítica. Porque a gente tem uma tendência de fazer, fazer  
e fazer. Pensar dá trabalho, dói, incomoda que só. Então o TCC pode ser esse  
momento que você tem que refletir bastante sobre a sua prática, entender  
melhor, compreender melhor o que você está fazendo e o que você quer  
com aquilo. Isso é muito importante para a formação profissional da gente,  
muito essencial na verdade (Fragmento de narrativa da 1ªAS 1ºGF, destaques  
nossos).  
Assim, um olhar atento à narrativa da assistente social no Grupo Focal revela a  
importância da construção do Trabalho de Conclusão de Curso, uma vez que sua produção é  
“extremamente importante, e você realmente mergulha na sua prática de forma analítica.  
Porque a gente tem uma tendência de fazer, fazer e fazer” (1ªAS 1ºGF, destaques nossos).  
A profissional, ao discutir a importância do TCC no processo formativo, remete à  
possibilidade que esse componente curricular oferece de realmente mergulhar na sua prática  
de forma analítica” (1ª AS, 1º GF). Explicita, assim, que seu valor se concretiza quando o  
discente, autor do TCC, se indaga a partir de uma análise rigorosa, ancorada por categorias  
analíticas, o que, em tendência, contribui para articular as dimensões teórico-metodológica,  
ético-política e técnico-operativa da profissão presentes no processo de intervenção e que  
precisam ser analisadas também na esfera da formação.  
Nesse fragmento, a assistente social evidencia um desafio histórico para e na profissão  
que consiste no fato de que: “a gente tem uma tendência de fazer, fazer e fazer” (1ª AS, 1º  
GF, destaques nosso), afastando-se da análise “do emergente” (Guerra, 2014, p. 268).  
295  
Neste nível (da empiria) a análise não ultrapassa a aparência dos fenômenos,  
ou como afirma Lukács (1979, p. 28), “no empirismo está contido um  
ontologismo ingênuo uma valorização instintiva da realidade imediatamente  
dada, das coisas singulares e das relações de fácil percepção” (Guerra, 2014,  
p. 267-268).  
Guerra (2014, p. 268, destaques da autora) afirma que “o fenômeno ‘emergente’  
contempla a necessidade de [re]conhecer os processos que se insinuam, que se encontram  
latentes aos fenômenos, ou ‘aquilo que salta, que manifesta, que sai do estado em que estava’”.  
A autora afirma que “para atender aos fenômenos emergentes, a intuição, a sensibilidade, a  
repetição de experiência, a utilização de modelos não basta” (Guerra, 2014, p. 268). Iamamoto  
(2004, p. 28) assinala que “o discente é desafiado a articular os saberes da profissão para  
decifrar as novas mediações por meio das quais se expressa a questão social”. Assim, o  
Trabalho de Conclusão de Curso deve percorrer as dimensões teórico-metodológica, ético-  
política e técnico-operativa.  
Cumpre destacar que o Trabalho de Conclusão de Curso é um componente curricular  
“do processo de formação do assistente social, tendo sido instituído desde a criação do Curso  
no país. É ele norma acadêmica antecedente obrigatória” (Joazeiro, 2008, p. 2), uma vez que  
constitui, conforme as Diretrizes Curriculares da ABEPESS (1996), “uma exigência curricular  
para a obtenção do diploma de Graduação em Serviço Social10 e deve ser realizado em  
consonância com os padrões e exigências metodológicas e acadêmico-científicas, sendo  
elaborado sob a orientação de um professor assistente social” (ABESS/CEDEPSS, 1996, p.  
71-72, destaques nossos).  
A produção do Trabalho de Conclusão de Curso está vinculada às disciplinas de  
Monografia I e Monografia II11, realizadas do sexto ao oitavo período do Curso de Serviço  
Social para os discentes que seguem o fluxo regular. Cumpre destacar que antecedem as  
disciplinas Monografia I e Monografia II as disciplinas Pesquisa Social I e Pesquisa Social II,  
norma antecedente indispensável para a produção do TCC e que irão discutir os conteúdos  
essenciais para o domínio dos fundamentos teórico-metodológico e técnico-operativo da  
pesquisa social, com vistas a ensinar o discente para o desenvolvimento de projeto, execução  
da pesquisa e escrita do trabalho.  
Nesse sentido, no processo de análise, buscou-se percorrer o itinerário que os autores  
dos Trabalhos de Conclusão revelam sobre a formação do Serviço Social na UFPI e sobre os  
diversos modos de pensar a Saúde Mental e o seu modo de cuidar em Saúde Mental no Brasil  
e em Teresina ao longo desses anos, sendo o seu valor histórico inestimável, se analisado sob a  
perspectiva do conhecimento e da memória que guardam. Essa produção discente decorre de  
um processo sistemático de orientação com base num referencial teórico, conceitual e  
metodológico dos estudos, desde a construção do recorte do objeto até a produção do Trabalho  
de Conclusão de Curso propriamente dito, construção esta que tende a ser a primeira  
experiência de produção de um texto acadêmico do discente.  
296  
O que demanda do protagonista da atividade de trabalho “uma disponibilidade para  
transitar entre diversas áreas de conhecimento e saberes, sem perder de vista os conhecimentos  
do seu ofício” (Joazeiro, 2002, p. 13), no caso específico, do Serviço Social. Nesse sentido, o  
ofício da docência, particularmente a orientação do discente no âmbito da profissão em Serviço  
Social no Brasil, é uma prerrogativa profissional do “assistente social e tem uma importante  
dimensão relacional na qual a atividade de linguagem empreende uma aproximação do outro”  
(Joazeiro, 2008, p. 139). Assim, “enquanto norma antecedente prescrita permite que esse  
10 BRASIL, Lei nº 3252, 27 de agosto de 1957, artigo 5º que dispõe sobre as prerrogativas do Assistente Social;  
BRASIL, Lei nº 8662/93, de 07 de junho de 1993, que dispõe sobre a profissão de assistente social.  
11 Para essa análise, tomamos como base o Projeto Pedagógico do Curso de Serviço Social da Universidade Federal  
do Piauí, locus do nosso estudo.  
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profissional responda por essa atividade de trabalho” (Joazeiro, 2008, p. 3), que consiste em  
ensinar, orientar e formar futuros assistentes sociais.  
O entendimento dessa função privativa como um dos ofícios da profissão, é  
[re]conhecido pelas protagonistas da atividade, conforme revelam os depoimentos:  
A atividade docente, à docência é uma das atribuições privativas da  
profissão do assistente social (Fragmento do depoimento da 2ª docente na  
entrevista, destaques nossos).  
Eu acho a docência um campo de atuação da profissão fundamental. Não  
estou desconhecendo os outros campos de atuação da profissão, todos os  
campos são importantes, mas eu acho que a responsabilidade, o  
compromisso com a ação docente é fundamental, porque é onde parte toda  
essa estrutura da formação. Anossa atividade docente tem uma contribuição  
fundamental porque é onde os assistentes sociais vão iniciar o seu processo  
de formação (Fragmento do depoimento da 1ª docente na entrevista,  
destaques nossos).  
Essa atividade demanda do docente “uma disponibilidade para transitar entre diversas  
áreas de conhecimento, sem perder de vista os conhecimentos e os saberes do seu ofício”  
(Joazeiro, 2002, p. 153). Podemos dizer que essa atividade é a “conjugação de saberes  
disciplinares que se materializam na confluência da vivência de uma relação interdependente”  
(Joazeiro, 2018, p. 162), cuja realização “se constitui sempre no desafio de gerir as dificuldades  
e as diversidades presentes na vida, na norma, na disciplina epistêmica e nos valores que  
permeiam a profissão, a sociedade e a vida”. Nesse entendimento, “essa contínua  
[re]configuração entre meio de trabalho, patrimônio de conhecimentos amealhados” (Joazeiro,  
2008, p. 156) pela docente no cotidiano de trabalho e “os saberes em processo de constituição  
requer que a protagonista” (p. 156), na sua atividade de orientação de futuros assistentes sociais,  
esteja atenta para “decifrar os conhecimentos e saberes disponíveis e os necessários” (Joazeiro,  
2008, p. 156) no aqui e agora da atividade de formação.  
297  
Considerações finais  
Na aproximação da formação e do trabalho empreendida neste estudo, com base nos  
fragmentos das narrativas das assistentes sociais e nos registros das histórias particulares do  
coletivo de discentes registradas nos setenta e dois Trabalhos de Conclusão de Curso em  
Serviço Social analisados, revelou as diversas perspectivas teórico-metodológicas e as direções  
e temporalidades de currículos e propostas pedagógicas no âmbito do Serviço Social no Brasil  
e particularmente no UFPI, assim como a análise aqui tecida revelou a íntima relação entre  
história, memória e temporalidade presente na trajetória da formação profissional no Curso de  
Serviço Social da Universidade Federal do Piauí, a partir da produção escrita dos setenta e dois  
TCCs de discentes de Serviço Social que abordaram a temática da Saúde, especificamente da  
Saúde Mental, no período de 1987 a 2021, e da experiência concreta do e no trabalho nos  
depoimentos e narrativas das docentes do Curso de Serviço Social da UFPI que orientaram os  
referidos discentes na série histórica supramencionada, assim como nas narrativas de assistentes  
sociais que trabalham em equipamentos públicos da Saúde Mental, egressas da UFPI.  
Essas fontes se constituem em um “vasto material que tem contribuído para apreender  
a dinâmica do processo de formar discentes do Curso de Serviço Social no Piauí, ao mesmo  
tempo em que” (Joazeiro, 2020, p. 311) revelam nuances “do processo de criação, consolidação  
e enfrentamento dos múltiplos desafios que atravessam esse campo de conhecimento, de  
investigação e de intervenção” (Joazeiro, 2020, p. 311).  
Nessa análise, apreendeu-se a experiência não como,  
[...] um ‘simples’ e ‘mero’ uso da norma antecedente ou prévia de diversas  
naturezas: burocrática, jurídica, econômica e, muitas vezes, sendo vista sob o  
prisma de que as escolhas que o protagonista da atividade empreende se funda  
no ‘bom senso’ (Joazeiro, 2008, p. 6).  
Nessa perspectiva de análise, buscou-se compreender “o lugar que o protagonista da  
atividade de trabalho quer seja na orientação, quer seja na produção do TCC, quer seja na  
atividade de intervir no cotidiano da Saúde Mental , ao fazê-lo, imprime em sua obra a sua  
perspectiva de análise, ou seja, o seu ponto de vista” (Joazeiro; Araújo, 2021, p. 214). Assim  
como o ensino do trabalho deve preparar o discente para intervir nesse intrincado de relações  
tecidas entre estrutura, conjuntura e cotidiano, intimamente marcadas pela história,  
epistemicidades, temporalidades e devir. É nessa relação entre horizonte e viabilidade histórica  
que a formação vai se constituindo, revelando potências, fragilidades, confrontos e itinerários  
singulares, assim como a concepção de atenção no campo da Saúde Mental está ancorada no  
uso de tecnologias assistenciais, de concepções de terapêutica e de atenção à vida.  
298  
As análises apreendidas constituem a memória e a história do processo de criação e  
consolidação da profissão, particularmente no Curso de Serviço Social da UFPI cujas marcas  
revelam o [re]conhecimento do corpus conceitual e de saberes do Serviço Social e de como  
esses se alinham no processo de formar e de aprender a trabalhar, ao mesmo tempo que,  
contribuem para o diálogo com a população usuária e com os trabalhadores da Política de Saúde  
pública, especificamente, do campo da Saúde Mental. Assim como revelou o quanto os  
discentes de Serviço Social e as assistentes sociais buscaram fazer uma aproximação do corpus  
de conhecimento da profissão, em especial, buscando o entendimento sobre os dilemas  
específicos de seu tempo histórico, intentaram compreender as múltiplas e mútuas interfaces  
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 278-301, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518  
Laína Jennifer Carvalho Araújo  
com o campo da Saúde, especificamente, ancoradas nas perspectivas e nos desafios inerentes  
ao campo da Saúde Mental.  
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301  
Agradeço à Coordenação de Pessoal de Nível Superior (Capes) pelas Bolsas de Mestrado e  
Doutorado e pela Bolsa de Doutorado Sanduíche pelo Programa Institucional de Doutorado  
Sanduíche no Exterior (PDSE), que me possibilitou uma experiência enriquecedora no  
Conservatoire National des Arts et Métiers (CNAM), Paris, França.